O Processo do Luto - Apostilas - Terapia Ocupacional, Notas de estudo de Saúde Pública. Universidade Anhembi Morumbi (UAM)
Agua_de_coco
Agua_de_coco16 de Maio de 2013

O Processo do Luto - Apostilas - Terapia Ocupacional, Notas de estudo de Saúde Pública. Universidade Anhembi Morumbi (UAM)

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Apostilas de Terapia Ocupacional sobre o estudo da Aceitação da morte no sentimento de perda, um novo caminho de vida junto ao consolo da religiosidade.
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1

FACULDADE SANTA TEREZINHA – CEST

COORDENAÇÃO DE PÓS – GRADUAÇÃO EM SAÚDE MENTAL E

ATENÇÃO PSICOSSOCIAL

ANA LARESSA CUNHA DOS SANTOS

O PROCESSO DO LUTO: a aceitação da morte no sentimento de perda, um novo caminho de vida junto ao consolo da religiosidade.

São Luís 2010

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FACULDADE SANTA TEREZINHA – CEST

COORDENAÇÃO DE PÓS – GRADUAÇÃO EM SAÚDE MENTAL E

ATENÇÃO PSICOSSOCIAL

ANA LARESSA CUNHA DOS SANTOS

O PROCESSO DO LUTO: a aceitação da morte no sentimento de perda, um novo caminho de vida junto ao consolo da religiosidade.

São Luís 2010

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Santos, Ana Laressa Cunha dos

O processo do luto: a aceitação da morte no sentimento de perda, um novo caminho de vida junto ao consolo da religiosidade / Ana Laressa Cunha dos Santos. – São Luís, 2010.

f.: il.

Monografia (Pós-Graduação em Saúde Mental e Atenção Psicossocial) – Curso de Pós-Graduação em Saúde Mental e Atenção Psicossocial, Faculdade Santa Terezinha, 2010.

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FACULDADE SANTA TEREZINHA – CEST

COORDENAÇÃO DE PÓS – GRADUAÇÃO EM SAÚDE MENTAL E

ATENÇÃO PSICOSSOCIAL

ANA LARESSA CUNHA DOS SANTOS

O PROCESSO DO LUTO: a aceitação da morte no sentimento de perda, um novo caminho de vida junto ao consolo da religiosidade.

Monografia apresentada a Coordenação de Pós-Graduação em Saúde Mental e Atenção Psicossocial Terapia Ocupacional da Faculdade Santa Terezinha – CEST, para obtenção do grau de Especialista em Saúde Mental e Atenção Psicossocial.

Orientadora: Profª Maria Goreti de Nazaré R. de Freitas.

São Luís 2010

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ANA LARESSA CUNHA DOS SANTOS

O PROCESSO DO LUTO: a aceitação da morte no sentimento de perda, um novo caminho de vida junto ao consolo da religiosidade.

Monografia apresentada a Coordenação de Pós-Graduação em Saúde Mental e Atenção Psicossocial Terapia Ocupacional da Faculdade Santa Terezinha – CEST, para obtenção do grau de Especialista em Saúde Mental e Atenção Psicossocial.

Orientadora: Profª Maria Goreti de Nazaré R. de Freitas.

Aprovado em ___/___/___

BANCA EXAMINADORA

________________________________________ Profª. Esp.ª Maria Goreti de Nazaré R. de Freitas (Orientadora)

Psicóloga Especialista em Psicomotricidade

________________________________________ Profª. Esp.ª Márcia de Souza Rodrigues (1º Examinadora)

Terapeuta Ocupacional Especialista em Didática Universitária

________________________________________ Profª. Espª. Sandra Maria Coelho Pinto (2º Examinadora)

Terapeuta Ocupacional Especialista em Saúde Mental

6

Aos meus amados avós, e tios que

hoje em meio aos abraços, suas

faltas se fazem presentes. Em meio

aos olhares cheios d’ água, faltam

suas lágrimas. Porém, quando eu

receber este título de especialista,

eu sentirei vocês ao meu lado,

sorrindo e felizes. Sentirei suas

mãos afagar meus cabelos e, neste

instante vos abraçarei em silêncio,

sorrirei para vocês e deixarei fluir

essa emoção, um misto de imensa

alegria e saudade.

Por mais que o tempo e a distância

insista em me fazer esquecer, sei

que o amor verdadeiro nunca

morrerá. E essa falta traz de volta,

suas presenças que vivem em meu

coração, e viver no coração dos que

ficam não é partir.

7

AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus por me dar forças, e mostrar os caminhos certos

que devo seguir, por me iluminar sempre.

Ao meu pai, Mariano Alfredo, pela minha vida por sempre estar ao

meu lado, ajudando-me mostrando-me as coisas certas, sempre se

preocupando com meu bem estar e meu futuro e por me acompanhar desde

pequenina quando ainda estava na vida escolar. Por serem uns homens de

coragem e determinação e acima de tudo uns exemplos de homem, pais, filho,

marido, por me amar e ser meu amigo.

A minha mãe, Lindalva Cunha, pela minha vida por ser uma mulher

guerreira, forte de atitude, por sempre me incentivar nas minhas decisões, pelo

companheirismo, pela fé, pela dedicação, preocupação, pelo amor que sempre

teve por mim. Também por sempre me acompanhar desde pequeninha quando

ainda estava na escola, e principalmente por ser minha amiga e companheira.

Ao meu namorado, por sempre estar ao meu lado nas horas mais

difíceis e por me encorajar, me dar forças, por ser um dos meus grandes

incentivadores, me apoiando, me aconselhando, e compreendendo as diversas

situações passadas durante o processo de elaboração deste trabalho

monográfico.

A minha orientadora e hoje amiga, Goreti Freitas a quem tive a

honra de ter como orientadora deste trabalho, muito obrigada pelo incentivo e

troca de conhecimentos, que muito contribuíram para a finalização desta

monografia.

E a todos aqueles que, aqui não citados, por estarem sempre

comigo.

8

“O luto é um sentimento de perda para quem olha mais se torna uma sensação de morte para quem sente”

Hélio Aguiar

9

RESUMO

Este estudo traz uma abordagem sobre o Processo do luto: e a aceitação da

morte com o sentimento de perda, e como as pessoas procuram um novo

sentido na vida através do consolo religioso. Discorre-se sobre a morte e seus

aspectos, falando sobre o luto e a perda, o processo de elaboração do luto, e

ainda a elaboração do luto através da religiosidade. A pesquisa bibliográfica

mostrou que os estudos sobre o processo do luto e a aceitação da morte com o

sentimento de perda, se amenizam quando as pessoas procuram sentido na

vida através do consolo da religiosidade é de grande relevância para

compreender todo o processo do luto.

Palavras-chave: Morte. Perda. Vida. Processo do luto. Consolo. Religiosidade.

10

ABSTRACT

This study brings an approach on the process of mourning: and acceptance of

death with the feeling of loss, and how people are looking for a new meaning in

life through consoled religious. Addresses on death and its aspects, talking

about the grief and loss, the preparation process of mourning and even the

elaboration of mourning by religiosity. The bibliographic search showed that the

studies on the process of mourning and acceptance of death with the feeling of

loss, if joins when people seek meaning in life through the comfort of religiosity

is of great importance to understand the entire process of mourning.

Keywords: Death. Loss. Life. Process of mourning. Confort. Religiosity.

11

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO...........................................................................................12

2. A MORTE E SEUS ASPECTOS................................................................14

2.1 As concepções sobre a morte: breve histórico..........................................15

2.2 Representação da morte: sepulturas.........................................................16

2.3 Representação da morte: a morte do outro...............................................17

2.4 Medo da morte...........................................................................................19

2.5 Reflexos do medo da morte na atualidade................................................23

2.6 Morte no desenvolvimento humano...........................................................25

2.7 Os cinco estágios psicológicos do processo de morte..............................29

3. LUTO E PERDA.........................................................................................31 3.1 Perda: o apego e o desapego....................................................................31

3.2 Perda simbólica..........................................................................................34

3.3 Perda real...................................................................................................36

3.4 Luto normal ...............................................................................................38

3.5 Luto patológico...........................................................................................39

4. O PROCESSO DE ELABORAÇÃO DO LUTO.........................................41 4.1 Tipos de luto...............................................................................................42

4.2 Etapas do processo de elaboração do luto................................................44

4.3 Quando termina o processo do luto...........................................................54

4.4 Teoria Integrativa do Processo de luto, segundo Sanders........................55

5. ELABORAÇÃO DO LUTO ATRAVÉS DA RELIGIOSIDADE..................57 5.1 Ateísmo......................................................................................................59

5.2 Cristianismo................................................................................................60

5.3 Budismo......................................................................................................61

5.4 Islamismo...................................................................................................63

5.5 Espiritismo..................................................................................................66

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................70 REFERÊNCIAS..........................................................................................73

12

1 INTRODUÇÃO

Embora seja complexo lidar com morte e perdas, deparamo-nos com

estas em sucessão de diferentes naturezas no decorrer da vida. Pois a morte é

uma condição de vida. E compreender o processo do luto, no qual envolve

diversas manifestações psicossociais, requer buscar diversas formas para

aliviar a dor da perda, do sofrimento humano.

Segundo Bowlby (1998), o processo de luto é como uma forma de

ansiedade de separação, e, a teoria do vínculo contribui com uma interpretação

teórica para aspectos do luto normal e patológico, no qual, em outras

abordagens, não é esclarecido.

Esta teoria traz explicações a respeito dos sintomas aparentemente

paradoxais encontrados nas sensações de perda. Os sentimentos ambíguos

adquiridos na situação de perda refletem na tentativa irracional de manter o

vínculo, mesmo que desconsiderando as evidências da realidade. Algumas

pessoas buscam na religiosidade ou espiritualismo uma forma de conforto para

esse momento tão delicado.

Segundo Bowlby (1998), o luto tem como resposta característica as

fases de torpor ou aturdimento; saudade e busca da figura perdida;

desorganização e desespero; e, finalmente, maior ou menor reorganização.

Áries (1988) considerava que, o que é verdadeiramente mórbido não

é falar da morte, mas antes nada dizer sobre ela. Sabe-se que a morte, em

termos culturais, é influenciada pelas crenças que prevalecem na sociedade,

contudo, desconhecemos ainda a importância que efetivamente essas crenças

detêm na resposta a essa inevitabilidade.

Segundo Boudreaux (1995) o maior enigma da vida humana é a

morte. De todas as separações, a morte é a mais temida, tanto quando se trata

de si mesmo quanto de alguém querido. Quase sempre a surpresa da morte é

prematura, inevitável e imprescindível. É difícil morrer, já que morrer significa

renunciar a vida na terra. A morte não deveria ser vista como um inimigo a

vencer, mas sim como parte integral da vida que dá um sentido a existência

humana.

Na medida em que a consciência da morte não pode ser evitada em

sociedade alguma, as justificativas da realidade do mundo social frente à morte

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são absolutamente indispensáveis em todas as sociedades. Falar de morte dos

outros conduz inevitavelmente cada um à sua própria finitude” (BOUDREAUX,

1995).

Por mais que se abomine a morte, ela é o grande momento da vida

do ser humano. Na morte, o homem completa a vida. Não existe viagem sem

chegada. Não existe caminho sem destino. Não existe vida sem morte. Não se

refletindo sobre o mistério da morte, não se reflete sobre o mistério da vida

(ÁRIES, 1988).

Nesse sentido, interesse por esse tema se deu partir da curiosidade

que deriva dos mistérios que circundam a morte e a religião. E considerando o

objetivo deste trabalho é conhecer o processo do luto e como as pessoas

buscam na religiosidade um conforto para a dor da perda para continuar suas

vidas, a pesquisa se deu em levantar conhecimentos existentes nas literaturas

sobre o luto, objeto de estudo deste trabalho, caracterizando-se uma pesquisa

bibliográfica.

A pesquisa bibliográfica, “procura explicar o problema a partir de

referências teóricas”, para que se possa “conhecer e analisar as contribuições

sobre um determinado problema” (MARCONI; LAKATOS, 1999.p.73).

Através da pesquisa bibliográfica, o estudo teve abrangência na

literatura relacionada ao tema proposto já tornadas públicas, como por

exemplo, livros, jornais, sites, oportunizando a pesquisadora, uma aproximação

e contato direto com o material escrito sobre o tema, fundamentalizando a

compreensão do objeto de estudo deste trabalho monográfico (CERVO;

BERVIAN, 2002.p.65).

Com isso, essa pesquisa bibliográfica foi dividida em seis capítulos,

afora a introdução e as considerações finais. O 2º capítulo aborda sobre a

morte e seus aspectos. O 3º capítulo fala sobre o luto e a perda, abordando

sobre o que é o luto, e a perda. 4º capítulo relata sobre o processo do luto,

falando sobre todo o processo que a pessoa passa até chegar no luto. E o

capítulo, aborda a elaboração do luto através da religiosidade.

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2 A MORTE E SEUS ASPECTOS

O aspecto paradoxal da morte destacado por vários autores tanto do

Ocidente, quanto do Oriente é de que quanto mais trazemos a reflexão da

morte para nosso dia-dia, mais valorizamos a vida e priorizamos o que de fato

nos é importante. Nas palavras de Schwartz (1999):

A melhor preparação para viver bem e plenamente consiste em estar pronto para morrer a qualquer instante, porque a morte iminente torna claros os objetivos, aquilo que realmente importa para você. Quando sentimos que o fim está próximo, temos maior probabilidade de prestar bastante atenção àquilo que valorizamos, especialmente relacionamentos com as pessoas queridas.

Este tipo de reflexão pode nos tornar capazes de fazer um uso

valioso da vida, enquanto ainda temos tempo, assegurando-nos de que,

quando morrermos, não teremos remorso ou auto-recriminação por termos

desperdiçado a vida, o poeta diz “Minha religião é viver – e morrer – sem

arrependimento.” (RINPOCHE, 1999).

Paradoxalmente, falar de morte expõe nossa estima ao tempo que

desfrutamos no dia-a-dia e do que escolhemos como forma de viver.

Dalai Lama em prefácio do livro “O Livro Tibetano do Viver e do

Morrer” observa que:

Naturalmente, a maioria de nós gostaria de morrer de maneira tranqüila, mas também é claro que não podemos esperar morrer tranqüilamente se nossas vidas foram cheias de violência, ou nossas mentes foram quase sempre agitadas por emoções como ódio, apego ou medo. Assim, se queremos morrer bem, devemos aprender a viver bem: “se esperamos morrer em paz, devemos cultivar a paz em nossa mente e modo de vida (RINPOCHE, p.25, 1999).

Mas, no morrer, todos nós somos insubstituíveis. Esta possibilidade

extrema e mais íntima do existir do homem, a de morrer, é por ele percebida,

desde cedo, como sendo a mais certa de todas as suas possibilidades,

entendida como ser mortal. Ele, o homem, é provavelmente o único ser vivo

que sabe com certeza do seu ser mortal e do seu ter que morrer (BOSS, 1988).

No processo de negação em falar da morte, a maioria de nós só se

preocupa em se preparar para ela quando já parece tarde demais, “os que

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crêem ter muito tempo, preparam-se somente na hora da morte. Aí são

devastados pelo remorso” (RINPOCHE, 1999).

O estudo da morte nos faz revisar constantemente o conceito de

vida. Esta definição inclui nossas epistemologias e etimologias de quem é o ser

humano. Muitos mitos foram construídos para tentar responder a pergunta pela

existência. Pode-se afirmar que o tema da morte elucida a ética, e deixa vigas

que constroem o saber cultural reconhecido por olhares das esferas sociais.

Percebe-se que o tema da morte apreende expressões que procuram explicar

a vida nas suas variadas formas de construção.

É neste sentido, em buscar no morrer a dimensão maior que nos faz

sermos humanos, que Leloup traz o sentido da espiritualidade como a

dimensão que se destaca na hora da morte. Para Hennezel e Leloup, (1999), a

espiritualidade é dar um passo a mais. Dar um passo a mais na aceitação da

minha fadiga, na aceitação de meus limites, limites de minha inteligência, de

minha incompreensão diante do sofrimento.

A temática da morte está tão imbricada na vida das pessoas que,

paradoxalmente, não se percebe a sua presença. A literatura sobre o assunto

tem crescido, mas ainda não há uma preocupação em dialogar sobre o tema

da morte nas várias dimensões das ciências de uma forma contínua. Ela está

presente no simbólico, na cálida atmosfera dos museus, na beleza inaudita das

artes, nas notas musicais das canções. A trama da morte libera nossos

pensamentos e sentimentos contidos nas vias respiratórias de corpos que não

se reduzem ao seu funcionamento biológico, mas ao sentido do mesmo em

contato com o ar da vida (HENNEZEL; LELOUP, 1999).

2.1 As concepções sobre a morte nos tempos primitivos e na antiguidade

Segundo Assumpção (2003, p.23):

O Homem de Neanderthal, que existiu há mais de 100.000 anos tinha um comportamento de significado perante a morte. Esse ancestral do homem, que já vivia em pequenas comunidades, enterrava seus mortos em posição fetal e com objetos de utilização pessoal, juntamente com flores e alimentos.

Este comportamento demonstrava que apesar deste primitivo não ter

nenhuma influência de ideologias, religiões, nem de meios de comunicação, já

16

intuía a possibilidade da existência de uma vida após a morte, como se a vida

não terminasse com a morte. Pois, ao colocarem os corpos em posição fetal,

estariam reproduzindo a vida intra-uterina que aguarda o momento da

passagem através do nascimento, para outra vida, a vida fora do útero, repleta

de oportunidades.

Este fato, também é interpretado como se a terra recebesse os

corpos como um grande útero materno e no renascimento, os objetos deixados

juntos ao morto serviriam para a sua nova vida (BOSS, 1988).

Através dos achados arqueológicos evidencia-se que na história da

humanidade, em todas as civilizações que foram surgindo, a morte era

significativa, senão predominante em suas culturas.

Para Assumpção (2003, p.32):

Os Sumérios e os Egípcios, entre os anos 8.000 e 3.000 a.C., tinham uma atenção muito especial com a morte. Ao observar as múmias, os sarcófagos, onde eram depositados, os tesouros e a quantidade de objetos colocados próximos a elas, evidenciava a crença de que a morte não era o fim, mas uma passagem. Dois textos muito antigos, de duas civilizações distintas referentes à morte comprovam isso, que são: o Bardo Thodol, livro dos mortos tibetanos, e o Livro dos Mortos, do antigo Egito, cujo texto está em hieróglifos, vistos até hoje num dos mais antigos túmulos, a pirâmide de Unas, localizada numa cidade próximo a capital de Cairo.

Entre os anos 3.000 e 500 a.C, na civilização hebraica, um novo

valor foi introduzido: o monoteísmo, que é a crença de um Deus único, criador

de todas as coisas (ÁRIES, 1977).

Neste mesmo período, encontram-se os povos Védicos que, sendo

nômades e vivendo em religiões inóspitas, introduzem a idéia de reencarnação

como a possibilidade de renascerem, após a morte, em lugares mais

favoráveis.

O Budismo, surgido em torno do ano 500 a.C., não admitia a

existência de alguma coisa no paraíso celestial dos hebreus ou de outras

culturas, mas sim o Nirvana, onde a alma se desfaria num vazio total, depois

de existências bem vividas, em completo desapego às coisas mundanas

(ÁRIES, 1977).

O Cristianismo surgido em torno do ano 30 d.C. baseados nos

ensinamentos de Jesus Cristo, tem em sua morte e ressurreição, a base para a

redenção da humanidade. Para o cristianismo, só se morre uma vez, e

17

imediatamente após sua morte vem o momento da decisão e julgamento, onde

o ser humano, na sua totalidade corpo-mente-espírito retorna a Deus, redimido

pelo sangue de Cristo, ou então recusa esse retorno, renegando a redenção

(ÁRIES, 1977).

O falar sobre a morte no ambiente cristão vem imbuído de imagens

e conceitos vinculados à esperança. No mundo protestante, a morte está

relacionada com salvação e encontro com o divino. Busca- se, contudo, nas

palavras bíblicas, suporte para essa dimensão de vínculo entre morte e

salvação. A fé das pessoas expressa um arcabouço teológico de experiência

pessoal e familiar. Expressões como fé e liberdade também estão presentes na

conceituação de morte (ASSUMPÇÃO, 2003).

É importante destacar que, no cristianismo, falar sobre morte é

desvendar ruas e vielas culturais e antropológicas que influenciaram o

pensamento de cristãos (ãs). Na literatura cristã, encontramos uma riqueza de

saberes que se entrelaçam e buscam unir os mais diversos posicionamentos

relativos à vida e à morte. Temas como perdão, vida eterna, libertação, fé,

podem acrescentar aprofundamentos no estudo sobre a elaboração religiosa

do luto.

Com todas as diferenças entre culturas e crenças, em todas as

civilizações e ideologias as idéias da morte como passagem e da evolução

espiritual do homem, sempre estiveram presentes, mesmo que os caminhos

para alcançá-los sejam diversos (ASSUMPÇÃO, 2003).

Por isso, a morte representa, para todos os povos e em todos os

tempos, alguma coisa fascinante e ao mesmo tempo ameaçadora,

influenciando a qualidade de vida e o comportamento dos indivíduos.

2.2 Representação da morte: Sepulturas

Este fenômeno diz respeito aos túmulos ou, mais precisamente, a

individualização das sepulturas.

Na Roma antiga cada indivíduo tinha um local de sepultura e este

era marcado por uma inscrição. Isto significava o desejo de conservar a

identidade do túmulo e a memória do falecido. Por volta do século V essas

inscrições tornaram-se escassas, desaparecendo com certa rapidez, segundo

18

a localidade. Isto se explica por ser o defunto abandonado à Igreja, que dele se

encarregava até o dia em que este ressuscitava.

Para Ariès (1977, p.28):

A partir do século XII reencontraram-se as inscrições funerárias quase desaparecidas por 800 a 900 anos. Principalmente, reapareceram sobre os túmulos, inicialmente muito raros, tornando-se mais freqüentes no século XIII. Com a inscrição, reaparece a efígie, sem que esta chegue a ser realmente um retrato. Evoca a beatitude ou o leito descansando à espera do Paraíso. No século XIV, levará o realismo a ponto de reproduzir uma máscara modelada pelo rosto do defunto. Para uma certa categoria de personagens ilustres, clérigos ou leigos, os únicos que possuíam grandes túmulos esculpidos, passou-se então do completo anonimato à inscrição curta e realista. A arte funerária evoluiu no sentido de maior personalização até o início do século XVII e o defunto pode ser, então, duplamente representado sobre o túmulo: jazendo e orando.

Depois de alguns anos, ao lado desses túmulos monumentais,

apareceu a multiplicação de pequenas placas, que eram aplicadas de encontro

à parede da Igreja ou de encontro a um pilar (ASSUMPÇÃO, 2003).

Contudo, essas placas tumulares não eram o único meio, nem talvez

o mais difundido de perpetuar a lembrança. Do século XII ao XVII, os

moribundos previam em seu testamento serviços religiosos perpétuos para a

salvação da alma. Os testadores ou seus herdeiros mandavam gravar numa

placa de pedra ou cobre os termos da doação e os compromissos do padre e

da paróquia. O que importava era a evocação da identidade do defunto e não o

reconhecimento do lugar exato da colocação do corpo.

Assumpção (2003) fala ainda que, no espelho de sua própria morte,

cada homem redescobria o segredo de sua individualidade. Essa relação,

entrevista pela Antiguidade greco-romana e logo a seguir perdida, nunca

deixou depois de impressionar nossa civilização ocidental.

Desde meados da idade média, o homem ocidental rico, poderoso

ou letrado reconhece a si próprio em sua morte, descobriu a morte de si

mesmo.

2.3 Representação da morte: A morte do outro

O homem das sociedades ocidentais tinha a tendência a dar a

morte, um novo sentido, que mais tarde se tornou um dos traços do

19

Romantismo. Mas, ao mesmo tempo, já se ocupa menos de sua própria morte,

e, assim, a morte romântica, retórica, é antes de tudo a morte do outro, o outro

cuja saúde e lembrança inspiram, nos séculos XIX e XX, o novo culto dos

túmulos e dos cemitérios (ARIÉS, 1977).

Para Áries (1977), a morte no leito de outrora tinha a solenidade,

mas também a banalidade das cerimônias sazonais. Esperava-se por ela e

todos se prestavam, então, aos ritos previstos pelo costume. Já, no século XIX,

uma nova paixão arrebatou os costumes dos processos de morte e pós-morte.

Ela é agitada pela emoção, choro, suplica e gestos.

Já para Assumpção (2003, p. 21):

Até o século XVIII, a morte dizia respeito aquele a quem ameaçava, e unicamente a quem estava à beira da morte. Também cabia a cada um expressar suas idéias, seus sentimentos, suas vontades. Para isso, dispunha-se de um instrumento: o testamento, do século XIII ao XVIII. Este era mais que um simples ato de direito privado para a transmissão da herança, um meio para cada um afirmar seus pensamentos profundos e suas convicções. O objetivo das cláusulas piedosas, que por sua vez constituíam a maior parte do testamento, era o de prometer publicamente o executor testamentário, o padre da paróquia ou monges do convento, e, assim, obrigá-los a respeitar as vontades do defunto. Sendo assim, o testamento testemunhava uma desconfiança ou ao menos uma indiferença para com os herdeiros e o clero.

A partir do século XVIII, aconteceu uma mudança considerável na

redação dos testamentos. Pode-se admitir que essa mudança foi generalizada

em todo o Ocidente Cristão, Protestante ou católico. As cláusulas piedosas, as

escolhas de sepulturas, as instituições de missas e serviços religiosos e as

esmolas desapareceram dos testamentos até hoje, ficando apenas o ato de

distribuição legal das fortunas. Sendo este, um sinal de descristianização da

sociedade, como também, um sinal do resgate da confiança do testemunho

aos que lhe eram próximos, pois este comunicava oralmente suas devoções e

afeições.

Assumpção (2003), fala ainda que, a complacência romântica

acrescentou muito mais ênfase às palavras e aos gestos do moribundo. Mas a

atitude da assistência foi o que mais mudou. Se o moribundo manteve o papel

principal, os assistentes não são mais figurantes de outrora, passivos e

refugiados nas preces. O luto do fim da Idade Média ao século XVIII possuía

dupla finalidade. Por um lado induzia a família do defunto a manifestar, por

20

certo tempo, uma dor que nem sempre experimentava.

Pode-se dizer que quase todos os fenômenos apresentados

aconteceram da mesma forma para todo o ocidente, para as religiões católicas

e protestantes e para as diferentes revoluções socioeconômicas, salvo por

alguns aspectos mais específicos.

2.4 Medo da Morte

• As origens do medo da morte: “dualidade e apego”

Segundo Almeida e Nascimento (2004), a dualidade e o apego

trazem duas realidades humanas, que se não trabalhadas, podem proporcionar

grande parte dos conflitos de existência.

A dualidade é manifestada no homem através dos opostos desta

divisão em duas partes, como por exemplo: o bom (positivo) e o mau

(negativo); a dor e o prazer; o corpo e a alma. A relação dupla da criança a um

só tempo com o pai e a mãe é um símbolo desta divisão, que mais tarde,

tentando resolver essa questão a criança pode projetar essa dualidade primária

em seus relacionamentos e atitudes.

Segundo Ferreira (2003) para mudar essa situação é necessário que

o indivíduo se torne consciente dessas transferências e projeções o tornando

responsável pelo seu próprio processo de transformação, para só assim poder

retornar ao Self, ou seja, seu Eu Real.

Quando o indivíduo escolhe uma das polaridades, de qualquer de

suas dualidades, internamente está negando e matando a outra polaridade,

negando e matando uma parte de si. Esta polaridade negada vai

conseqüentemente cobrar essa falta, muitas vezes com experiências sofridas e

doloridas para que a pessoa possa desta maneira vê-la, compreendê-la e

aceitá-la.

De acordo com Ross (2000), apenas quando o homem se torna

consciente de suas mortes diárias, em todas as suas dimensões, ele será

capaz de viver plenamente a felicidade que o cotidiano lhe traz e caminhar com

segurança para a sua morte física.

Em relação ao apego, este é o responsável por quase toda a grande

causa do sofrimento humano. Sofre quando se apega a algo e o perde, como

21

por exemplo, um carro ou uma pessoa querida (não querendo comparar o grau

de intensidade deste sofrimento).

O indivíduo, deste modo, acaba por entrar em um circulo vicioso de

apego, perda e dor, pois por medo da entrega, ele se apega ao conflito da

dualidade, reforçando o seu medo, o seu apego e a dualidade (ALMEIDA E

NASCIMENTO, 2004).

Portanto, morte e vida são opostos para a dualidade humana, que

conseqüentemente cria um apego a uma dessas partes. Porém, morte e vida

podem se transformar num único aspecto quando o indivíduo se torna inteiro,

integrando e vivenciando todas as dimensões do seu ser.

 A evolução do desenvolvimento humano nas quatro dimensões:

De acordo com Ross (1996), a história do desenvolvimento humano

se dá por quatro dimensões: física, emocional, intelectual e espiritual. É no

desenvolvimento destas dimensões que se forma o medo visceral e irracional

da morte.

Dimensão física:

A dimensão física começa na concepção do bebê e vai até os seis

meses de idade, período em que todo o registro é sensorial. Qualquer

sensação que ameace a vida física é percebida como uma ameaça de morte e

como neste estágio o desenvolvimento do sistema nervoso humano não está

todo formado, esse medo é registrado na memória celular e não elaborável

intelectualmente. É a introdução do medo visceral e irracional da morte. O

objetivo principal desta fase é crescer com saúde e segurança, sendo

necessário para que a criança possa contactar, conhecer e se expressar neste

plano dual. Já a necessidade básica desta fase é a sobrevivência, expressos

através dos instintos de sobrevivência e auto-preservação, como por exemplo,

a criança que chora quando está com fome.

Portanto, o medo básico desta fase é o de danos que causem

ameaça a vida física, sendo qualquer experiência sensorial, percebida como

ameaçadora registrada como uma experiência de morte. Por fim, existem duas

maneiras de concluir esta fase: positivamente, quando o ser humano integra as

experiências traumáticas peri-natais e ameaçadoras da vida física, adequando-

as à realidade subseqüente, tornando-se seguro; negativa, quando o ser

humano congela estas experiências, transformando-as em imagens que se

22

repetirão continuadamente na realidade subseqüente, tornando-a uma pessoa

insegura e instável.

Dimensão emocional:

A dimensão emocional vai dos seis meses aos seis anos de idade. A

vivência básica desta fase é a experimentação dos sentimentos e das

emoções. A criança passa a reconhecer pai e mãe, a responder de forma

emocional aos estímulos externos, passando a aceitar ou rejeitar

circunstancias em função do princípio do prazer e da dor. O propósito desta

fase é relacionar-se. É nela que a criança amplia o processo de relacionamento

tão importante para o desenvolvimento do ser, tornando-se capaz de partilhar

informações, sentimentos e sensações.

Sua necessidade básica é ser amada e aos poucos, com este

aprendizado, surge a necessidade de também amar. As experiências de amor

nesta fase que as pessoas passam, distorcidas ou não, serão determinantes

para a crença futura do que é o amor, reconhecendo ou não o amor.

Habitualmente o homem cresce aprendendo um amor totalmente condicionado,

através da típica relação: ‘amo você se... você fizer tal coisa’, com isso o

indivíduo fica o tempo todo tentando comprar, vender, trocar ou barganhar

amor.

Desta maneira, o medo básico nesta fase é o do abandono e da

rejeição. Todos os seres humanos já passaram por alguma experiência

relacionada a esses medos, por mais amorosos que os pais tenham sido.

Então, há duas formas de concluir esta fase: positiva quando da integração,

permissão e expressão dos sentimentos o resultado será o amor próprio, auto-

estima, a habilidade de dizer não e de não suportar a frustração; negativa,

quando ocorre a auto-desqualificação. São registrados vários mecanismos de

defesa para suportar a morte emocional, entre eles: a repressão, negação,

introjeção, projeção, etc.

Dimensão intelectual ou mental:

A dimensão intelectual ou mental vai dos seis anos até a

adolescência. Sua vivência básica é o desenvolvimento do pensamento e da

racionalidade. O sistema nervoso humano só conclui seu desenvolvimento

completo por volta dos sete anos de idade. Todos os medos sentidos até essa

fase são registrados de forma visceral na memória celular, e na forma de

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crenças na dimensão emocional, ambas anteriores a este desenvolvimento.

O propósito desta fase é compreender a si mesmo e ao mundo. O

homem é o único ser vivente capaz de ser sujeito e objeto em ação. A

racionalidade, diferente da racionalização (mecanismo psicológico de defesa),

é a capacidade do ser humano de analisar, situar, classificar, julgar e discernir

sobre seus fatos e do mundo. Já a sua necessidade básica é conhecer e

organizar a realidade para lidar com as questões que a vida impõe ao homem.

Neste momento da evolução é onde se aprende a estabelecer relações entre

suas crenças com a realidade de suas circunstâncias.

Sendo o medo do desconhecido, do insondável, do inquestionável e

de entrega, o medo básico desta fase. Então, existem duas formas de concluir

esta fase: positiva, a integração das experiências vividas nesta fase, a

valorização da estrutura racional do discernimento, do reconhecimento de sua

própria capacidade intelectual são importantes agentes transformadores da

realidade; a negativa, a não integração das experiências desta fase leva a

inadequação da realidade, a inabilidade de escolhas pertinentes e ao

congelamento em falsas auto-imagens, mantendo padrões de negatividade.

Dimensão espiritual:

A dimensão espiritual tem seu início na adolescência e vai até a

morte. Esta dimensão só será possível de ser desenvolvida conscientemente

no homem, se estiver integrada às três dimensões anteriores e este estiver

avançado no processo de individuação. Assim, pode-se alcançar uma

dimensão além do ego e do inconsciente pessoal, entrando no campo do Self

ou Eu Real.

A vivência básica desta fase é a vontade de saber ouvir a voz

interior, mesmo que inconscientemente tenha como propósito alcançar a

unidade. Como o homem veio da unidade, este quer sempre retornar a ela,

através da busca pela integração física (cuidando da alimentação, ambiente,

conforto), integração emocional (vivenciando e aceitando os seus sentimentos,

as suas rejeições e abandonos) e integração mental (reescrevendo a sua

própria história e transformando as suas realidades). Essa necessidade básica

de querer retornar a unidade somente se realiza quando o indivíduo se torna

co-criador de seus próprios processos e quando assume a responsabilidade

pela suas próprias circunstâncias.

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O medo desta dimensão é o de submeter-se (entende-se por

humilhação, fraqueza, perda). Quando o homem consegue ser dono de seu

próprio ego é que vai poder se desprender dele e submetê-lo ao seu Eu Real.

Então, os maiores impedimentos de sua vida poderão se transformar nas suas

maiores potencialidades, introduzindo para uma realidade maior, no aqui e

agora. Integrando as experiências da dimensão espiritual à ampliação da

consciência pode-se alcançar a paz interior, o conhecimento do propósito da

vida. Caso contrário, não integrando as três dimensões anteriores: física,

mental e emocional não se pode alcançar o desenvolvimento espiritual,

podendo resultar em desorientação de despropósito de vida.

Portanto, o medo é conhecido pelo ser humano em todas as suas

dimensões de seu desenvolvimento e as experiências desses medos

constituem-se na vivência de mortes diárias.

Na dimensão física o homem percebe e reage instintivamente a

estas perdas. Na dimensão emocional ele rejeita ou aceita estas mesmas

perdas. Na dimensão intelectual ele alcança o conhecimento destas mortes

diárias. E na dimensão espiritual ele transcende o conhecimento, ampliando

sua consciência e alcançando a sabedoria. Quanto mais consciente ele estiver

de suas pequenas mortes diárias, se preparando para a sua morte, alcançará

uma melhor qualidade de vida (ROSS, 1996).

Ross (1996) ressalta ainda que a morte se revela ao ser humano a

todo o instante e em todas as circunstâncias, pois o seu registro está em suas

células, em suas emoções, em seu racional. O homem pode até retardá-la,

mas não pode escapar dela.

2.5 Reflexos do medo da morte na atualidade

É indiscutível o fato de que grande parte das pessoas até hoje tem

medo da morte. O assunto sobre morte é um tabu. Evita-se falar nela. E, se

caso alguém se refere ao tema numa conversa, o assunto é rapidamente

desviado.

Mesmo na Medicina, que tem como principal objetivo evitá-la ou

atrasá-la o máximo possível, não existe nenhuma disciplina no seu currículo

25

que trate sobre as maneiras de lidar com a morte. Quando os médicos

constatam que a morte se aproxima, passam o caso para as enfermeiras (que

também não recebem nenhum tipo de instrução ou conhecimento para lidar

com a morte) e a família, só voltando para dar o atestado de óbito, pois não

sabem lidar com a morte (PIERRE, 2001).

Na moderna sociedade ocidental, a morte é ocultada. Tirou-se a

naturalidade dela ao ser transferido o morrer do moribundo da sua casa para

os hospitais. Criaram-se as UTIs (unidade intensiva de tratamento) onde os

enfermos podem receber condições médicas mais sofisticadas. Apesar dos

avanços da medicina, o que acontece é que os pacientes acabam ficando

isolados da família, e estas não participam de seus momentos finais. Em vez

de mãos carinhosas, de pessoas conhecidas e queridas, o moribundo passa a

contar apenas com eletrodos e outros tipos de maquinas.

Para Assumpção (2003), neste ambiente se esquece de que a vida

de cada ser humano só a ele pertence, cabendo apenas a própria pessoa

decidir sobre a sua vida. Diante deste quadro, é fundamental para o homem

saber que a ciência e a tecnologia só se justificam se estiverem a serviço da

dignidade do ser humano.

Nas enciclopédias acha-se pouca informação sobre o assunto, se

limitando ao diagnóstico clínico da morte. Nos cemitérios e velórios faz-se de

tudo para camuflá-la, seja na construção de túmulos homéricos ou na

maquiagem do defunto, para este ficar com um aspecto mais saudável. No

caso de um velório, as pessoas evitam ir, onde só comparecem por estrita

obrigação social (ASSUMPÇÃO, 2003)

Ficam numa roda de amigos falando sobre tudo, menos sobre a

morte. Quando chegam perto do morto lançam um olhar curioso e perplexo,

recusando-se a acreditar que aquele conhecido ou amigo que há pouco tempo

estivera em plena vitalidade, agora está ali, inerte, sem vida.

Normalmente evitam ficar sozinhos, pois quando isso acontece, são

inundados por pensamentos indesejáveis. Se não encontram nenhum

conhecido no velório, logo após os cumprimentos tradicionais, retiram-se

rapidamente (ASSUMPÇÃO, 2003).

Muitas pessoas têm necessidade de experimentar todas as fórmulas

mágicas lançadas no mercado, a fim de aumentar o seu tempo de vida, a fonte

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