O que é Inflamação  - Apostilas - Farmácia, Notas de estudo de Farmácia. Faculdade Medicina Estadual (ISEP)
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Aquarela4 de abril de 2013

O que é Inflamação - Apostilas - Farmácia, Notas de estudo de Farmácia. Faculdade Medicina Estadual (ISEP)

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Apostilas de Farmácia sobre o estudo da Inflamação, definição, Como é a dor inflamatória, Como os tecidos inflamam.
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1. INFLAMAÇÃO E DOR

1.1 O que é inflamação?

Inflamação nada mais é do que uma resposta tecidual a um agente agressor. É caracterizada pelos sinais de rubor, calor, tumor e dor. A compreensão é facilitada quando pensamos numa espinha nascendo no rosto, ou no estado em que a pele fica quando nos expomos excessivamente ao sol.

1.2 Como é a dor inflamatória?

Quando um tecido fica inflamado, ele se torna muito mais sensível a estímulos, esse fenômeno é característico da dor inflamatória e ocorre em virtude da sensibilização dos neurônios nociceptivos (neurônios que transmitem a informação de dor). A dor inflamatória não ocorre imediatamente após ou durante um estímulo, mas sim após a ativação da “cascata de citocinas” que será discutida mais adiante.

1.3 Como os tecidos inflamam?

A partir de um estímulo são ativadas as células do sistema fagocitário, que iniciam uma cascata de eventos através da secreção de citocinas (IL-1 e TNF). Estas moléculas ativam outras células como fibroblastos e células endoteliais, causando a liberação de um segundo conjunto de citocinas que incluem, além dos próprios IL-1 e TNF, também IL-6 e IL-8 e proteínas inflamatórias. O endotélio vascular desempenha um importante papel na comunicação entre o sítio inflamatório e os leucócitos circulantes. Através da modificação do tônus vascular, mediada por metabólitos do ácido araquidônico (prostaglandinas, tromboxano e leucotrienos), é facilitada a migração de monócitos e neutrófilos até o local da inflamação.

O óxido nítrico e as cininas provocam vasodilatação (eritema) e aumento da permeabilidade vascular (edema).

A dor é mediada, além das prostaglandinas, pela bradicinina, que estimula as terminações nervosas do local afetado a conduzirem o estímulo doloroso por nervos até a medula espinhal. A partir desse ponto, o estímulo é levado até diferentes regiões do cérebro, onde é percebido como dor e transformado em respostas a este estímulo inicial.

2. FEBRE

2.1 Qual o conceito de febre?

A febre é definida como uma elevação da temperatura do corpo acima dos valores normais para o indivíduo (37,8°C). Ela ocorre quando algum corpo estranho invade o organismo. Não é considerada uma doença, mas sim um mecanismo importante de defesa contra agentes infecciosos, já que estimula o sistema imune a produzir mais substâncias que auxiliam na defesa do organismo, porém, vem normalmente acompanhada por dor muscular, irritabilidade, mal-estar, fraqueza e falta de apetite, quando é muito elevada pode até causar convulsões.

São vários os fatores que determinam alterações da temperatura corpórea, entre eles infecção, seqüela de dano tecidual, inflamação, rejeição a enxerto, câncer, outros estados de doença, medicamentos, excesso de atividade musculoesquelética e exposição a grandes temperaturas ambientais.

2.2 Como é o mecanismo da febre?

No hipotálamo está localizado o centro termorregulador, responsável por regular a temperatura corpórea.

Ele funciona como um termostato, mantendo o equilíbrio entre a produção e perda de calor para a manter a temperatura constante. Quando ocorre uma infecção ou contato com agentes alergênicos, as células fagocitárias são induzidas a produzir substâncias chamadas de pirógenos. Essas substâncias estimulam a produção de prostaglandinas, cuja função é elevar o patamar do centro termorregulador. Dessa forma, o organismo reconhece a temperatura mais elevada como “normal” e trabalha para mantê-la constante. A pessoa, então, passa a apresentar a temperatura do corpo elevada.

2.3 Como fazer a medida da temperatura?

O instrumento-padrão para a medida da temperatura corpórea é o termômetro clínico de vidro com mercúrio. A técnica consiste em enxugar a axila (se houver sudorese), colocar o termômetro na axila e manter o braço firmemente apertado contra o tórax por quatro minutos.

Observação: Em dias muito quentes, fazer a leitura imediatamente após a retirada do termômetro. Se a temperatura estiver acima de 37,8°C é considerado estado febril.

3. TRATAMENTO

3.1 Como aliviar dor, febre e inflamação?

Os antiinflamatórios não esteroidais (AINEs) são os medicamentos mais indicados para o alívio destes sintomas, seu mecanismo de ação possibilita essa multiplicidade de efeitos.

Os antiinflamatórios são classificados em esteroidais, representados pelos glicocorticóides, e em não esteroidais, sintetizados quimicamente. Ambos inibem a síntese de prostaglandinas, mas por diferentes mecanismos de ação.

3.2 Quais são as doenças que mais levam à utilização dos AINEs?

As doenças do aparelho locomotor, como osteoartrite, aparecem em destaque com 57% de uso dos AINEs, em seguida vêm as lombalgias com 20% em uso, os traumas esportivos e outros com 17% e a artrite reumatóide com 6%.

3.3 Qual é o mecanismo de ação dos AINEs?

Esses medicamentos agem inibindo a atividade das ciclooxigenases. As ciclooxigenases (COX) são enzimas responsáveis por fazer a conversão do ácido araquidônico em prostaglandinas. Duas isoformas da ciclooxigenase são bem conhecidas, a COX-1 e a COX-2. Uma terceira isoforma (COX-3) recentemente foi descrita, porém, seus mecanismos ainda não estão esclarecidos. A COX-1, diferente da COX-2, está relacionada à produção de prostaglandinas não apenas nos sítios inflamatórios, mas também em alguns mecanismos fisiológicos do organismo. As prostaglandinas estão relacionadas ao processo inflamatório, aos mecanismos de dor, febre, citoproteção gástrica, atividade plaquetária e à função renal, entre outros.

Os AINEs em geral atuam de forma instantânea e reversível sobre a COX-1, mas há exceções como o ácido acetilsalicílico – que promove inativação irreversível. A inibição de COX-2 é dependente do tempo,

quanto maior o tempo de ação, maior o efeito.

4. QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS DIFERENÇAS ENTRE ANALGÉSICOS, ANTIPIRÉTICOS E ANTIINFLAMATÓRIOS?

Antiinflamatórios: Reduzem a inflamação através da redução das prostaglandinas vasodilatadoras, minimizando a vasodilatação e o edema. Não reduzem o acúmulo de células inflamatórias.

Analgésicos: Diminuem a sensibilização das terminações nervosas através da redução da síntese de prostaglandinas. O alívio da cefaléia está relacionado a uma redução da vasodilatação mediada pelas prostaglandinas.

Antipiréticos: Minimizam a produção de prostaglandinas no hipotálamo. As prostaglandinas, como visto anteriormente, são responsáveis pela elevação do ponto de ajuste hipotalâmico para o controle da temperatura.

*Dependendo da dose também pode ter efeito antiinflamatório.

** Meia-vida do principal metabólito.

6. QUAIS SÃO OS EFEITOS ADVERSOS E RISCOS DE USO DOS AINEs?

Os efeitos adversos para a maioria dos antiinflamatórios estão relacionados à ação de inibição das COX. Quando ocorre sua inibição, é interrompida a atividade de proteção gástrica e ação das plaquetas, promovida pelas prostaglandinas. Logo, os efeitos mais comuns são: irritação do trato gastrointestinal e inibição da agregação plaquetária, podendo causar sangramentos.

Estão mais susceptíveis a apresentar complicações pelo uso dos antiinflamatórios não esteroidais idosos com mais de 65 anos, pacientes com histórico de úlcera gastroduodenal, sangramento ou obstrução intestinal, diabéticos, hipertensos, doentes renais, ou que fazem uso de corticosteróides ou anticoagulantes.

7. INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS

Os antiinflamatórios, de forma geral, apresentam mecanismo de ação muito parecido, dessa forma, as interações entre eles não variam muito, salvo algumas exceções.

As interações mais comuns com os AINEs são:

anti-hipertensivos: os antiinflamatórios podem reduzir a ação desses medicamentos por inibição da síntese de prostaglandinas vasodilatadoras.

metotrexato: interagem com os antiinflamatórios por elevar acentuadamente as enzimas hepáticas – que podem causar problemas hepáticos em seus usuários.

antiácidos: diminuem o efeito terapêutico dos AINEs através da diminuição da sua absorção.

anticoagulantes orais: associados podem provocar hemorragias através da potencialização do efeito anticoagulante por inibição da agregação plaquetária.

cefalosporinas: aumentam o risco de sangramentos por inibirem a coagulação sangüínea.

penicilinas: pode ocorrer um aumento do efeito tóxico de ambos os fármacos pelo mecanismo de competição dos AINEs e das penicilinas por sítios de união das proteínas plasmáticas.

diuréticos: risco de insuficiência renal aguda em pacientes desidratados. Ocorre através do mecanismo dos antiinflamatórios em inibir a síntese renal de prostaglandinas que favorecem a filtração glomerular.

etanol: o uso concomitante aumenta o risco de sangramento gástrico. O uso de paracetamol em pacientes usuários crônicos de álcool pode resultar em aumento da conversão do paracetamol em um metabólito altamente tóxico, podendo provocar danos graves ao fígado. Essa associação deve ser evitada.

glicocorticóides: a associação pode aumentar o risco de úlcera gastrointestinal. Há risco de hemorragia digestiva alta. 8. DICAS DE ATENÇÃO FARMACÊUTICA

O farmacêutico pode orientar seus consumidores sobre a necessidade de avaliação médica para o uso contínuo dos antiinflamatórios. Existem, no mercado, inúmeros antiinflamatórios com diferentes perfis terapêuticos, mecanismos de ação, potenciais e efeitos colaterais.

É importante orientar sobre as interações medicamentosas e alimentares que podem ocorrer quando utilizados concomitantemente aos medicamentos antiinflamatórios.

Além disso, os antiinflamatórios, em sua maioria, causam irritação gástrica e devem ser evitados por pacientes com úlcera gástrica sob o risco de agravar o problema. É recomendável que sua administração seja realizada após as principais refeições ou em conjunto com protetores gástricos.

É extremamente importante orientar que os antiinflamatórios não devem ser usados sob suspeita de dengue, pois, além de mascarar os sintomas, aqueles a base de ácido acetilsalicílico podem piorar o quadro. Ao menor sinal, é importante que a pessoa procure um médico para que ele indique o melhor tratamento.

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