O Tratamento Fisioterapêutico na Doença de Parkinson, Pesquisas de Neurologia. Universidade Paulista (UNIP)
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fercostacardoso28 de agosto de 2017

O Tratamento Fisioterapêutico na Doença de Parkinson, Pesquisas de Neurologia. Universidade Paulista (UNIP)

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O benefício da prática de atividade física regular no paciente com DP, melhorando sua qualidade de vida.
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Rev Neurocienc 2012;20(2):266-272

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RESUMO

A Doença de Parkinson (DP) é uma doença neurológica progressiva do sistema extrapiramidal caracterizada por bradicinesia, tremor de repouso, rigidez e instabilidade postural. O objetivo desta revisão é de- monstrar o benefício da prática de atividade física regular no paciente com DP, melhorando sua qualidade de vida. Método. Foi realizado uma revisão sistemática das publicações indexadas em bases de dados Pubmed, Scielo, Scopus, Capes e Cochrane, no período de 1996 a 2009 nos idiomas em inglês e português. Resultados. Embora não existam trabalhos científicos com tamanho de amostra muito signi- ficativo, as pesquisas até agora existentes demonstram que as inter- venções de exercícios físicos auxiliam, e que não devem ser em curto prazo, e sim tornar-se parte do estilo de vida diário. Conclusão. A fi- sioterapia, orientando a prática de atividade física regular é de extrema importância para manter, melhorar e prolongar a qualidade de vida do indivíduo, estando evidenciado que a administração de atividades físicas regulares em pacientes com DP merece consideração.

Unitermos. Doença de Parkinson, Fisioterapia Neurológica, Ativida- de Motora, Exercício.

Citação. Vara AC, Medeiros R, Striebel VLW. O Tratamento Fisio- terapêutico na Doença de Parkinson.

ABSTRACT

Parkinson`s Disease (PD) is a progressive neurological disorder of the extrapyramidal system characterized by bradykinesia, resting tremor, rigidity and postural instability. Method. It was conducted a sys- tematic review of publications indexed in databases such as Pubmed, Scielo, Scopus, Capes and Cochrane, in the period of 1996 to 2009 in English and Portuguese languages. Results. Although there are no scientific studies with sample size, previous studies have already demonstrated that chronic physical exercise are benefic, and should become part of daily lifestyle. Conclusion. Physical therapy, guiding the practice of physical activity is extremely important to maintain, improve and prolong quality of life of the individual, being shown that the administration of regular physical activity in PD patients de- serves consideration.

Keywords. Parkinson’s Disease, Neurological Physiotherapy, Motor Activity, Exercise.

Citation. Vara AC, Medeiros R, Striebel VLW. Physical Therapy in Parkinson’s Disease.

O Tratamento Fisioterapêutico na Doença de Parkinson

Physical Therapy in Parkinson’s Disease

Andressa Correa Vara1, Renata Medeiros2, Vera Lúcia Widniczck Striebel3

Endereço para correspondência: Renata Medeiros

Rua Miguel Ascoleze, Nº57, bairro Vila Nova CEP 91740-470, Porto Alegre-RS, Brasil.

E-mail: [email protected]

Revisão Recebido em: 18/10/10

Aceito em: 28/07/11 Conflito de interesses: não

Trabalho realizado no Laboratório de Fisiologia do Exercício do Centro Universitário Metodista – IPA, Porto Alegre- RS, Brasil. 1. Acadêmica do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário Metodista- IPA, Porto Alegre-RS, Brasil. 2. Acadêmica do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário Metodista- IPA, Porto Alegre-RS, Brasil. 3. Mestre, Professora do Centro Universitário Metodista- IPA, Porto Alegre- RS, Brasil.

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INTRODUÇÃO A Doença de Parkinson (DP) é uma doença neuro-

lógica progressiva do sistema extrapiramidal caracterizada por bradicinesia, tremor de repouso, rigidez e instabili- dade postural. Outros achados clínicos importantes são: distúrbio da marcha, fácies em máscara, alteração da voz, disartria, sialorréia, disfunção olfatória, hipotensão or- tostática, hiperidrose, seborréia, disfunção sexual, câim- bras, dores, parestesias, disfagia, incontinência urinária, micrografia, distúrbios do sono, bradifrenia, depressão e demência1-3.

O início do quadro clínico ocorre geralmente en- tre 50 e 70 anos de idade. Contudo, podem-se encontrar pacientes com início da doença mais precoce, antes dos 40 anos e até mesmo abaixo dos 21 anos de idade4.

Esta enfermidade degenerativa cursa com uma perda progressiva de células da substância negra do me- sencéfalo. A degeneração de neurônios da zona compacta da substância negra resultará numa diminuição da pro- dução de dopamina, com disfunção da via nigroestriatal e subsequente perda da dopamina estriatal. Quando apro- ximadamente 80% dos neurônios da substância negra forem perdidos, a DP torna-se evidente e os indivíduos começam a experimentar uma grande variedade de difi- culdades5,6.

Existem fases durante o período de síntese, libera- ção e metabolismo da dopamina dentro do sistema ner- voso central, cuja intervenção medicamentosa é aumen- tando os níveis de dopamina, que podem influenciar as manifestações clínicas da DP2.

Mesmo antes do diagnóstico de DP ter sido confir- mado por um neurologista, a maioria das pessoas com a doença terá a consciência de que estão caminhando mais vagarosamente que o usual e com passos menores. Previa- mente ao início do uso de levodopa, neste estágio mais inicial, há uma oportunidade de acessar os níveis mais básicos, iniciais, dos prejuízos, limitações de atividades e restrição de participação antes do início das medicações. A variação natural na capacidade da pessoa, portando, pode ser medida, sem os efeitos da terapêutica farmacoló- gica. Dados de base podem ser registrados para posterior uso na avaliação da progressão da doença7.

O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na história médica e exame físico. Com o desenvolvimen-

to de novos tratamentos para a DP, tornou-se necessário criar e desenvolver escalas para avaliar a doença. Essas escalas avaliam desde a condição clínica geral, incapaci- dades, função motora e mental até a qualidade de vida dos pacientes. Tais instrumentos são importantes, pois permitem monitorar a progressão da doença e a eficácia de tratamentos e drogas8.

Entre os indivíduos com DP, as quedas são muito frequentes. Cerca de 65% dos que caem irão experimen- tar uma injúria secundária a suas quedas, 33% sofrerão uma fratura e 75% das quedas conduzirão o paciente a procurar um serviço de saúde. Queda com fratura é a causa mais comum de atendimento hospitalar para estes indivíduos. Estas quedas têm consequências devastado- ras e são acompanhadas de dor, redução da mobilidade e elevados níveis de estresse. Estas quedas desenvolvem um temor, o qual determina restrição das atividades e comprometimento da qualidade de vida, predispondo a redução secundária na força muscular e na capacidade cardiovascular9.

O tratamento da DP é baseado no uso de tera- pia medicamentosa que influencia marcadamente a de- sempenho motor, contudo o tratamento com drogas não pode abolir todos os sintomas, e fisioterapia é então re- comendada. Dependendo da concentração sérica do me- dicamento, o paciente terá um período “on” (com efeito máximo da droga) e um período “off” (com o mínimo efeito da droga). Pacientes no período “on” estão mais capacitados a realizarem exercícios físicos, portanto o uso da medicação deve ser ajustado ao inicio de uma ativida- de de maior esforço10.

A abordagem cirúrgica da DP tem quase um século, mas é usada somente quando o paciente não é responsivo às medidas farmacológicas ou desenvolvem reações adversas intoleráveis a medicações antiparkin- sonismo. As medidas não farmacológicas compreendem uma série de hábitos e medidas de valor especial na do- ença, por minimizarem algumas de suas complicações. Tais medidas são a educação, tratamento de suporte, exercício e nutrição4.

A fisioterapia voltada para a DP tem como objeti- vo minimizar os problemas motores, ajudando o paciente a manter a independência para realizar as atividades de vida diária e melhorando sua qualidade de vida. Com o

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exercício, o aumento da mobilidade pode de fato modi- ficar a progressão da doença e impedir contraturas, além de ajudar a retardar a demência4. Assim, o objetivo desta revisão é descrever os efeitos da fisioterapia na DP.

MÉTODO Realizou-se no período de março a julho de 2009

uma revisão sistemática das publicações indexadas nas bases de dados Medline, Scielo, Scopus, Capes e Cochra- ne, no período de 1996 a 2009, nos idiomas inglês e por- tuguês. Utilizou-se as seguintes palavras-chave: Doença de Parkinson, Parkinson’s Disease, exercício físico, phy- sical exercise, training, maximal oxygen. Os critérios de inclusão foram estudos que abordavam a fisiopatologia, o

tratamento medicamentoso, a atividade física e a fisiote- rapia. Critérios de exclusão foram artigos com animais e aqueles que não apresentavam clareza quanto ao método utilizado e resultados.

RESULTADOS Neste estudo de revisão de literatura foram en-

contrados 39 estudos no total. Destes, 11 artigos foram excluídos por se tratarem de temas que não abordavam interesse fisioterapêutico. Entre os 28 artigos restantes, 3 foram excluídos por praticarem exercícios em modelos animais, restando assim, 21 artigos encontrados na base de dados Pubmed, Scielo, Scopus, Capes e Cochrane. A Tabela 1 apresenta um breve resumo dos artigos usados.

Tabela 1 Resumo dos artigos encontrados

ARTIGO AUTOR ANO OBJETIVO CONCLUSÃO

Locomotor Training in People With Parkinson

Disease.

Morries ME.7 2006 É considerar o papel do fisioterapeuta no treinamento motor de portadores da DP.

Parte do programa de treinamen- to deve otimizar a qualidade de

vida e vida social.

Movement disorders in people with Parkinson di- sease: a model for physical

therapy.

Morries ME.11 2000 Apresentar um modelo de gerenciamento da fisioterapia para pessoas com DP idiopá- tica baseado no conhecimento da patogênese dos distúrbios de movimento desta doença.

A intervenção fisioterapêutica junto ao medicamento tem o

potencial de reduzir os sintomas da DP. Melhorando a qualidade

de vida destes indivíduos.

Therapeutic value of exer- cise training in Parkinson`s

disease.

Reuter I.12 1999 Investigar a influência de um treinamento intensivo na

incapacidade motora, humor e bem-estar na DP.

Os portadores de DP através da realização de exercícios físicos podem melhorar seu humor,

bem- estar e incapacidade moto- ra na doença.

Conhecimento e percepção sobre exercício físico em uma população adulta urbana do sul do Brasil.

Domingues MR.13 2004 Avaliar o conhecimento e a percepção sobre exercício físi- co em uma população adulta

urbana.

Independente do sexo existe uma forte associação entre este conhecimento e o nível social e a

escolaridade.

The Impact of Exercise Rehabilitation and Physical

Activity on the Mana- gement of Parkinson´s

disease.

Johnson AM.14 2007 Estudar o uso de exercícios motores na DP.

Os portadores de DP devem ser incentivados a manter uma atividade física juntamente com o tratamento farmacológico.

Benefícios do treinamento resistido na reabilitação da marcha e equilíbrio nos portadores da Doença de

Parkinson.

Braga A.15 2003 Mostrar que a reabilitação da marcha e equilíbrio do doente de Parkinson requer vários recursos e abordagens.

Concluiu-se que exercícios resistidos devem ser aplicados no tratamento dos portadores

de DP.

Nonpharmacologic management of Parkinson

disease.

Tarsy D.16 2008 Analisar o tratamento não farmacológico na DP.

As necessidades emocionais e psi- cológicas do paciente e da família

devem ser abordadas.

Multidiciplinary rehabi- litation for people with

Parkinson`s disease: a ran- domized controlled study.

Wade DT.17 2002 Determinar se um programa de reabilitação multidisci- plinar e grupo de apoio tem benefício para portadores da DP ou seus cuidadores.

Um curto período de reabilitação multidisciplinar pode ampliar sua mobilidade. Seguir o trata- mento pode ser necessário para

manter algum benefício.

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DISCUSSÃO A DP afeta e prejudica as estruturas e as funções

do corpo, causando limitações nas atividades de vida diária, bem como o caminhar em casa e na comunida- de, trocas de posturas, como para a postura ortostática, girar-se sobre o corpo, etc. Atividades funcionais que re- querem desempenho nas habilidades motoras tornam-se comprometidas, mesmo que as habilidades para realizar movimentos simples permaneçam. Isto ocorre porque movimentos simples são controlados pelas regiões fron- tal, cerebelar e do tronco encefálico, mais do que pelos gânglios da base, e estas regiões não são afetadas nos está- gios iniciais da DP7.

Secundário à idade, imobilidade e desuso, a loco- moção também pode ser afetada por prejuízos musculo- esqueléticos, tais como a fraqueza muscular, diminuição

da amplitude de movimento (ADM), tanto quanto a re- dução da capacidade aeróbica. Ao mesmo tempo, estas alterações e limitações restringem a capacidade da pessoa de participar em atividades sociais, como no trabalho, na educação, no lazer e até mesmo na vida pessoal7.

Como essa doença é progressiva, as intervenções de exercícios não devem ser em curto prazo, mas se tornar parte do estilo de vida diário. Muitos clínicos e pesquisa- dores acreditam que a fisioterapia deve começar tão cedo quanto o estabelecimento do diagnóstico, para prevenir a atrofia muscular, a fraqueza e a capacidade de exercício reduzida11,12.

O sedentarismo é visto atualmente como um pro- blema mundial de saúde. Entre as razões que levam à ina- tividade, está o desconhecimento sobre como se exercitar, as finalidades de cada exercício, limitações de alguns gru-

ARTIGO AUTOR ANO OBJETIVO CONCLUSÃO

Delaying mobility disabili- ty in people with Parkinson

disease using a senso- rimotor agility exercise

program.

King LA.18 2009 Desenvolver um programa de exercícios para minimizar a incapacidade funcional em

pessoas com DP.

Um programa de mobilidade, como o apresentado neste artigo, teria de ser sustentada e modi- ficados ao longo do curso da

doença para manter o benefício máximo.

Uma análise do compro- metimento da fala em portadores de doença de

Parkinson.

Barros ALS.19 2004 Analisar a fala, enquanto pro- cesso articulatório em sujeitos

com DP.

O tratamento precoce em sujei- tos em estágio inicial possibilita a atenuação das alterações da

articulação da fala.

Physiotherapy for patients with Parkinson’s disease.

Deane K.20 2001 Comparar a eficácia e a efeti- vidade de algumas técnicas de

fisioterapia .

Não foi possível comprovar qual técnica da fisioterapia apresenta melhor resultado para a DP.

The effectiveness of exercise interventions for people with Parkinon`s disease: a systematic review and

meta-analysis.

Goodwin VA.21 2008 Revisar sistematicamente ensaios clínicos randomizados sobre a efetividade das inter- venções sobre os resultados do exercício para pessoas com DP.

Foi evidenciado os benefícios do exercício para portadores da DP.

Fisioterapia respiratória na doença de Parkinson idiopática: relato de caso.

Alves LA.22 2005 Relatar a evolução do caso de um paciente parkinsonia- no no estágio IV da Escala de Hoehn e Yahr em que a

intervenção fisioterapêutica foi especificamente direcionada às

disfunções respiratórias.

O pcte apresentou melhora importante dos sintomas res- piratórios e da prova de função pulmonar após tratamento

fisioterapêutico direcionado às disfunções respiratórias.

Effects of treadmill training on walking economey in Parkinson`s disease: a pilot

study.

Pelosin E.23 2009 Avaliou os efeitos do treina- mento na esteira e cicloergô-

metro.

O treinamento melhorou signi- ficativamente o desempenho da

caminhada.

Exercise performance in those having Parkinson`s

disease and healthy normal.

Stanley RK.24 1999 Avaliar e comparar a função cardiopulmonar de indivíduos com DP com a de indivíduos

saudáveis.

Os indivíduos com DP foram menos eficientes durante o

exercício.

Tabela 1 Continuação

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pos populacionais e percepções distorcidas em relação aos benefícios do movimento13.

Exercícios com treinamento repetitivos, ao serem realizados na fase inicial da doença, permitem um contro- le motor mais próximo do fisiológico e adequado quan- do houver maior deterioração da atuação dos gânglios da base, na evolução natural da doença7.

Pelo menos um grande estudo epidemiológico de- monstrou que pacientes fisicamente ativos tiveram uma menor taxa de mortalidade, melhor qualidade de vida e aumento das funções para as atividades de vida diária quando comparados com indivíduos com DP com me- nor atividade14.

Entre os vários benefícios promovidos pelo treina- mento, o aumento do tônus e força dos músculos en- volvidos na marcha e também o equilíbrio promoveram ao indivíduo com DP melhora em suas passadas, ficando estas mais alargadas e com utilização dos membros supe- riores. Este estudo demonstrou melhora no alinhamento biomecânico da sua postura, diminuição do tempo de execução de suas tarefas, aumentou a capacidade respi- ratória e a força dos músculos pulmonares, consequen- temente, houve melhora no desempenho das funções pulmonares15.

Um parâmetro prático da Academia Americana de Neurologia, de 2006, concluiu que várias modalidades terapêuticas físicas são provavelmente efetivas em melho- rar o resultado funcional para pacientes com DP. Essas modalidades incluem: reabilitação multidisciplinar com componentes de fisioterapia e terapia ocupacional, trei- no na esteira com suspensão parcial de peso, treino de equilíbrio e de resistência de alta intensidade, exercícios sinalizados com audição e visão e feedback tátil e musi- coterapia16,17.

No momento, já existem profissionais que visam o acompanhamento multidisciplinar, contando com neu- rologistas experientes, fisioterapeutas doutores na área de DP e educadores físicos, indicando abordagens de tratamento domiciliares com exercícios físicos baseados em movimentos de diversas modalidades, tais como tai chi, boxe, canoagem e pilates. Este programa contempla a evolução da doença, com diferentes intensidades de exercícios, os quais são executados em um período de 60 minutos18.

Os pacientes com DP também possuem uma rigi- dez muscular global, acarretando alterações da articulação dos fonemas e inteligibilidade de fala. Estas não podem ser evitadas, mas atenuadas com o encaminhamento pre- coce ao fonoaudiólogo, possibilitando ao paciente uma maior qualidade de vida com condições mais satisfatórias de comunicação19.

Algumas revisões sistemáticas e artigos conceituais mostraram que a fisioterapia tem como objetivo ensinar as pessoas com DP como minimizar os efeitos debilitan- tes músculo-esquelético e deficiências sensoriais, a fim de proporcionar uma melhor qualidade de vida e inclusão social7.

Em uma revisão realizada em 2001, mostra-se evi- dente que a fisioterapia contribuiu na reabilitação dos indivíduos com DP, diminuindo os efeitos debilitantes do comprometimento sensório-motor de maneira a me- lhorar a participação em atividades sociais e na qualidade de vida20.

Em uma meta-análise comparando os achados em 14 estudos, também concluiu pela significância estatística da realização de exercícios físicos sobre a melhora na qua- lidade de vida, capacidade funcional, melhora na força muscular, no equilíbrio e na marcha. Da mesma maneira, não foi possível identificar melhoras no número de que- das e na depressão. Não foi possível quantificar o tipo, frequência e intensidade dos exercícios que auxiliam nos diferentes estágios da doença21.

Em um relato de caso o paciente com diagnóstico de DP, realizou durante cinco meses fisioterapia respirató- ria que consistia em exercícios respiratórios, mobilizações e alongamentos. Foi realizado provas de função pulmonar (espirometria e manovacuometria) antes e após o período de tratamento e verificaram melhora da função respirató- ria com aumento nos valores de capacidade vital forçada, volume expiratório forçado no 1º segundo, pico de fluxo expiratório, pressão inspiratória e expiratória máxima e ventilação voluntária máxima22.

Outro aspecto importante a ser considerado é a função cardiorrespiratória. A atividade física, em particu- lar, exercícios aeróbicos são de grande valia para pacientes com DP. Autores relatam que indivíduos com DP gas- tam aproximadamente 20% mais energia quando com- parados a sujeitos sem o diagnóstico de DP, durante os

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exercícios na esteira e com ciclo ergômetro. Ao mesmo tempo em que descrevem uma melhora na economia de energia quando submetidos a treinamento de exercícios resistidos, em seu estudo com dez pacientes submetidos a treinamento em esteira durante quatro semanas, demons- trou uma melhora significativa na economia de energia e no pico de VO2 máximo23.

As anormalidades cardiovasculares, que são fre- quentemente vistas em pacientes com DP, incluem hi- potensão ortostática, arritmia cardíaca, e menos frequen- temente hipertensão. Em relação à arritmia cardíaca, os idosos, que são mais frequentemente afetados pela DP também têm a maior probabilidade de doença cardiovas- cular. Portanto, a diferenciação entre sintomas relaciona- dos à idade e aqueles que podem ser associados à DP não são facilmente identificados. Arritmia cardíaca em indiví- duos tendo DP também tem sido associada à quase todas as medicações antiparkinsonianas. Embora essas medica- ções possam causar arritmia, até o momento os estudos não obtiveram conclusões definitivas sobre medicações antiparkinsonianas causando toxidade cardíaca24,25.

Outro problema cardíaco associado com a DP é o comprometimento dos reflexos cardiovasculares, os quais podem causar respostas cardíacas anormais. Uma das res- postas anormais naqueles com comprometimento severo dos reflexos cardiovasculares é uma frequência cardíaca fixa. Em casos individuais, onde há uma frequência car- díaca fixa, a taquicardia que ocorre em resposta a certos estímulos tais como o exercício, não ocorrerá. Portanto é de grande importância identificar aqueles indivíduos de maneira a monitorar restrições cardíacas10.

Diversas alterações fisiológicas em indivíduos com DP influenciam o sistema respiratório diretamente ou indiretamente. A rigidez muscular progressiva, que fre- quentemente acontece, não somente prejudica a mus- culatura das extremidades, mas também a musculatura esquelética axial. Consequentemente a rigidez da muscu- latura vertebral e do tórax, incluindo a caixa torácica e os músculos respiratórios, pode ter um efeito direto ou indireto na respiração normal. Outro adicional é envol- vimento dos músculos faciais e cervicais, tanto quanto da região da garganta e do esôfago, podendo também afetar a respiração normal10,25.

CONCLUSÃO A fisioterapia, orientando a prática de atividade

física é de extrema importância para manter, melhorar e prolongar a qualidade de vida do indivíduo. Embora a limitação no tamanho das amostras não garanta de forma conclusiva que a aplicação de qualquer um desses exer- cícios em outros pacientes com DP terá o mesmo resul- tado, havendo pouca evidência científica encontrada na literatura sobre o condicionamento físico em indivíduos com DP. Sugere-se que estudos com amostras maiores se- jam realizados, os quais possam ou não corroborar com os achados na referida revisão.

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