ORATÓRIA E COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL, Outro de Comportamento Organizacional. Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)
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debora-carvalho-124 de novembro de 2017

ORATÓRIA E COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL, Outro de Comportamento Organizacional. Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)

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APOSTILA D E COMUNICAÇÃO E ORATÓRIA
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1

COL ÉGIO TÉCN

10CO MU

INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO

1. INTRODUÇÃO O que é informação? O que é comunicação? Informar é formar? Temos o direito e o dever de comunicar todo e qualquer tipo de conhecimento? O que é realmente relevante saber para poder comunicar? 2. CONCEITO Informação significa, originariamente, dar forma a alguma coisa que por esta forma se torna cognoscível e, como tal, transmissível. Liga-se a todo o processo de criação, conservação e comunicação do conhecimento humano. Comunicação vem do lat. communicatio de communis = comum significa a ação de tornar algo comum a muitos. É o estabelecimento de uma corrente de pensamento ou mensagem, dirigida de um indivíduo a outro, com o fim de informar, persuadir, ou divertir. Significa, também, a troca de informações entre um transmissor e um receptor, e a inferência (percepção) do significado entre os indivíduos envolvidos. 3. CONSIDERAÇÕES INICIAIS A informação tornou-se, nos dias que correm a mercadoria mais valorizada. Hoje, fala- se da tecnologia da informação, em que se dá mais valor aos serviços prestados por um bem do que a sua produção. Em se tratando da informática, o software (programa) tem mais valor do que o hardware (máquina física). Segundo Richard S. Wurman, uma edição do The New York Times em um dia da semana contém mais informações do que um mortal comum poderia receber durante toda a vida na Inglaterra no século XVII; nos últimos 30 anos produziu-se um volume maior de informações novas do que nos 5.000 anos precedentes. Por esta razão, diz-se que "O conhecimento é ‘moeda’ de nosso tempo, e a velocidade de mudanças é a ‘taxa de inflação’. Quanto mais alta for essa taxa, mais rapidamente essa moeda perde seu valor. A reciclagem nada mais é do que a ‘correção monetária’ do ativo conceitual ‘depositado’ nos ‘bancos’ de memória humana”. Em vista do acúmulo das informações, tenhamos um cuidado especial para navegar e não naufragar, principalmente na Internet. 4. O PROBLEMA DA INFORMAÇÃO 4.1. IMPORTÂNCIA DA INFORMAÇÃO A liberdade humana está intimamente ligada à capacidade de obter informação. A determinação de fazermos isto ou aquilo supõe que tenhamos a informação necessária para tomarmos esta ou aquela decisão. A escolha de governantes, por exemplo, supõe a capacidade de juízo crítico, proveniente da informação adequada. Sem informação, não teríamos a propagação das descobertas científicas, tão necessárias à longevidade da vida humana. A informação é comparada à função que o sistema nervoso exerce no organismo, ou seja, a de regulação social. 4.2. DIREITO E DEVER DA INFORMAÇÃO O ser humano, pela sua característica comunicativa, tem o direito de informar e de ser informado. As nossas experiências e as nossas vivências podem ser úteis às experiências e vivências do próximo. O direito e o dever devem estar alicerçados na verdade, da verdade descoberta e da verdade a descobrir. Isto porque os livros, os jornais, e os meios de comunicação de massa podem transmitir tanto a verdade quanto o erro. Por isso, a máxima: "Nada transmitir de falso e nada a omitir de verdadeiro". Devemos ser

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fiéis à mensagem – recebida e captada –, porque todos têm a grandiosa tarefa de promover o bem comum do gênero humano. 4.3. A DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DO HOMEM (1948) No que diz respeito ao tema: Art. XVIII – "Todo homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião;..." Art. XIX – "Todo homem tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras". Art. XXVII – 1. "Todo homem tem direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do progresso científico e de seus benefícios". 2. "Todo homem tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor". 5. O PROBLEMA DA COMUNICAÇÃO 5.1. O SER SOCIAL Aristóteles, na Antigüidade clássica grega, falava que o ser humano é um ser social por excelência, e, por isso, deveria viver em sociedade. Viver em sociedade implica comunicação, relacionamento, aprendizagem. Em termos práticos, é a convivência com os contrários. Se nosso próximo é um enigma para nós, nós também o somos para ele. Por isso, a tolerância deve ser praticada em qualquer circunstância, mesmo quando tivermos que ouvir insistentemente os nossos supostos adversários. 5.2. TIPOS DE COMUNICAÇÃO Em linhas gerais, há dois tipos de comunicação: a comunicação interpessoal e a comunicação de massa. A comunicação interpessoal, mais estreita, é aquela praticada em casa, nas empresas e nos círculos de amigos. A comunicação de massa necessita de um aparelho multiplicador, mais conhecido como mídia. Quando o presidente da República se dirige à nação, ele utiliza-se este tipo de comunicação. Ou seja, ele não fala para atingir uma ou duas pessoas, mas todos os cidadãos estejam onde estiverem. 5.3. A SINTONIA ENTRE O EMISSOR E O RECEPTOR De acordo com J. Krishnamurti, "A comunicação implica termos de compreender as palavras ao ser transmitido alguma coisa. Ambos – receptor e emissor – temos de ser intensos no mesmo plano e ao mesmo tempo. Capazes de nos encontrar mutuamente nem um momento antes nem um momento após. Do contrário não será possível a Comunicação". A fidelidade de uma comunicação é medida pela compreensão da mensagem. Uma mensagem é tanto mais fiel quanto produza em nós uma ressonância idêntica ao emissor. O ruído perturba a fidelidade da comunicação. Pergunta: como posso me comunicar com os outros se não me comunico comigo mesmo? Este é o paradoxo da vida moderna. Assim, só deveríamos nos expressar em público quando tivermos convencidos a nós mesmos que aquilo que vamos dizer é verdade.

FIGURAS DE LINGUAGEM

Figuras de linguagem - diz respeito às formas conotativas das palavras. Recria, altera e enfatiza o significado institucionalizado delas. Incidindo sobre a área da conotação, as figuras dividem-se em:

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1) Figuras de construção (ou de sintaxe) tem esse nome porque interferem na estrutura gramatical da frase 2) Figuras de palavras (ou tropos) constituem-se de figuras que adquirem novo significado num contexto específico. 3) Figuras de pensamento, que realçam o significado das palavras ou expressões 1. Figuras de construção (ou de sintaxe) 1.1. Elipse - Omissão de um termo facilmente identificável. O principal efeito é a concisão. De mau cordo, mau ovo (De mau cordo só pode sair mau ovo) 1.2. Pleonasmo - Repetição de um termo ou idéia. O efeito é o reforço da expressão. Vi-o com meus próprios olhos. Rolou pela escada abaixo. 1.3. Onomatopéia - Consiste na imitação de um som. O tique-taque do relógio a enervava. Há ainda: zeugma, polissíndeto, iteração (repetição), anáfora, aliteração, hipérbato, anacoluto, e silepse. 2. Figuras de palavras (ou tropos) 2.1. Metáfora - Fundamenta-se numa relação subjetiva, ela consiste na transferência de um termo para um âmbito de significação que não é o seu e para isso parte de uma associação afetiva, subjetiva entre dois universos. É uma espécie de comparação abreviada, à qual faltam elementos conectores (como, assim como, que nem, tal qual etc.) Murcharam-lhe (assim como murcham as flores) os entusiasmos da mocidade. 2.2. Metonímia - Consiste na substituição de um nome por outro porque entre eles existe alguma relação de proximidade. O estádio (os torcedores) aplaudiu o jogador. 2.3 Catacrese - é um tipo especial de metáfora. A catacrese não é mais a expressão subjetiva de um indivíduo, mas já foi incorporada por todos os falantes da língua, passando a ser uma metáfora corriqueira e, portanto, pouco original. Pé de mesa, Cabeça de alfinete, Tronco telefônico 2.4 Antonomásia: é a substituição de um nome por outro ou por uma expressão que facilmente o identifique.

Exemplo: O Mestre= Jesus Cristo ; Águia de Haia= Rui Barbosa; A Cidade Luz= Paris; O Rei das Selvas= leão 3. Figuras de pensamento 3.1. Antítese - É a figura que evidencia a oposição entre idéias. Buscas a vida, eu, a morte. 3.2. Hipérbole - É uma afirmação exagerada para conseguir-se maior efeito estilístico. Chorou um rio de lágrimas. Toda vida se tece de mil mortes. 3.3. Eufemismo - Consiste no abrandamento de expressões cruas ou desagradáveis. Foi acometido pelo mal de Hansen (= contraiu lepra).O hábil político tomou emprestado dinheiro dos cofres públicos e esqueceu-se de devolver (=o hábil político roubou dinheiro). 3.4. Ironia - Consiste em sugerir, pela entonação e contexto, o contrário do que as palavras ou as frases exprimem, por intenção sarcástica. Que belo negócio! (= que péssimo negócio!) O rapaz tem a sutileza de um elefante.

ETIMOLOGIA E SEMÂNTICA

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Etimologia - ciência que investiga as origens próximas e remotas das palavras e sua evolução histórica. Do grego étymon (étimo) vocábulo que é origem de outro. Semântica - estudo das mudanças que no espaço e no tempo, experimenta a significação das palavras consideradas como sinais das idéias: semasiologia; sematologia; semiologia. Do grego sëma-tos "sinal, marca, significação".

As contradições nos debates são muitas vezes fruto das diferentes interpretações que a mesma palavra oferece. Nesse sentido, Sócrates, filósofo grego da Antigüidade, orientava-nos para bem definir o termo antes de começarmos a discutir. Adquirindo o hábito de enunciar a terminologia correta, pouparemos o tempo que o grupo gasta na compreensão do seu significado.

A percepção do conceito pressupõe a superação do preconceito. Este se caracteriza pela cristalização de certas idéias, sem fundamento racional e científico. Se permanecermos "fechados" no passado, perderemos as oportunidades de evolução que o curso da vida nos oferece. Assim, uma postura aberta ao novo cria em nós uma mentalidade livre do espírito de sistema.

Etimologia e semântica vêm a calhar. Para bem exprimirmos o conteúdo do nosso pensamento, temos de consultar muitas obras literárias. Desta forma, a lembrança de que devemos ler com lápis, papel e dicionário à mão é muito oportuna. Isto porque , à medida que a dúvida surge, temos condições de dirimi-la e melhorar a compreensão daquilo que estivermos estudando.

Aprender o "sinal" correto da idéia é uma obrigação, desde que queiramos bem expressar o nosso pensamento. Contudo, não devemos nos fiar inteiramente neste objetivo, porque transmitimos muito mais pelo que somos do que pelo que dizemos. Reconheçamos que a linguagem do pensamento é universal e veiculada através das ondas mentais. Voz, gestos e dicção auxiliam, mas a essência é a nossa conduta moral. Eloqüência é uma palavra que perdeu o seu sentido original. Muitos falam dela de modo pejorativo. Há, porém, boas razões para vê-la dentro de um contexto mais amplo, em que se privilegiam o convencimento e a persuasão daqueles que falam em público. Isto porque, todo o orador, quando fala, quer ser ouvido. Caso contrário, para que falar em público? Na antiguidade clássica grega a palavra falada era muito exaltada. Os gestos, as posturas, a teatralização e as demais formas de se expressar nada mais eram do que modos diferentes de atrair o público. Naquela época havia um grande prazer em assistir a uma peça oratória, porque esta era a única forma de transmitir conhecimentos. Os livros e a gama enorme dos meios de comunicação de massa que temos nos dias atuais, principalmente os recursos da Internet, eram inexistentes. Deleitar o espírito dos ouvintes era o principal fim de todas as orações. Nesse mister, há o exemplo de Demóstenes, o imortal ateniense, muito citado nos livros e cursos de oratória. Desde o seu nascimento, fora tolhido por graves deficiências, inclusive a gaguez. Como tinha a ambição de transmitir aos outros os seus pontos de vista, andava na praia com pedrinhas na boca, no sentido de melhorar a nitidez de sua voz. O seu esforço foi tanto que não demorou muito tempo para se tornar o maior orador de todos os tempos. Observe o que alguns pensadores disseram sobre o tema: para Pascal, "A eloqüência é a pintura do pensamento"; para Dammien, "A eloqüência é a arte de dizer bem aquilo que é preciso, tudo quanto é preciso, e nada mais do que isso"; para Rui Barbosa, "A eloqüência é a sinceridade na ação".

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Ilustremos o tema com uma comparação entre o orador e o pintor. O pintor, ao dar vazão ao seu sentimento artístico, fá-lo para si mesmo, para agradar ao seu ego, à sua concepção de arte; o orador, não. Ele tem que falar para atingir a quem ouve, isto é, à platéia. Pergunta-se: como será ouvido se não conseguir prender a atenção de quem o escuta? Este deve ser o grande exercício do orador: agradar aos olhos e aos ouvidos do público. Para tal finalidade, precisa de persuasão e de eloqüência. A eloqüência não é falar fácil e corretamente, impressionar os sentidos alheios, mas expressar o pensamento próprio, com graça, equilíbrio, harmonia e muita perspicácia de tempo e lugar.

COMO ESCREVER MELHOR 1) INTRODUÇÃO TESE: ninguém nasce sabendo escrever, e todos, sem distinção, são capazes de produzir bons textos. Este livro mostra como projetar a imagem certa e como definir a linguagem mais adequada ao leitor, nas mais diversas situações do dia-a-dia, tais como escrever e-mails, relatórios, cartas e outros textos. Um bom comunicador organiza-se antes de escrever, adapta a linguagem ao leitor, controla a quantidade de informações passadas e revisa cuidadosamente o que foi escrito. Antes de começar a escrever, pergunte-se: o que o leitor precisa saber? Para que o leitor precisa dessas informações? Que tipo de conhecimento o leitor já tem sobre o assunto? Qual vai ser a utilidade do texto? Quem se pretende alcançar com este texto? A linguagem e o vocabulário estão adequados ao leitor? 2) ABERTURAS E FECHOS DO SUBMISSO Evite as seguintes aberturas:

• Sirvo-me da presente para... • Tem esta a finalidade de... • Temos a honra de informá-lo de... • Vimos por meio desta... • Por esta informamos... • Vimos submeter à alta apreciação de V.Sa...

Evite os fechos tradicionais de cortesia do tipo: • Sendo o que nos apresenta para o momento • Sem mais para o momento • Sem outro particular • No aguardo de suas luminosas críticas a respeito, subscrevemo-nos • Aproveitamos o ensejo para renovar os nossos protestos da mais elevada estima

e consideração 3) PALAVRAS E EXPRESSÕES DO MODERNOSO O modernoso gosta de "atingir patamares", "alavancar processos", "desenvolver atitudes proativas" e "otimizar resultados". Para ele, é preciso "tirar decisões", "priorizar espaços", "encontrar soluções" – "a nível de país". E mais:

• Ele não vive sem o "beach-soccer", o "delivery", o "coffee-break" e o evento "in-company", atividades que devem melhorar o "empowerment".

• Ele não convive; "vivencia". Ele não anexa; "atacha".

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• Para o perfeito "mix", falta-lhe adotar "randomicamente" atitudes emblemáticas "enquanto ser humano".

4) ABAIXO AS REDUNDÂNCIAS • Fica adiada para depois a decisão do jogo. • Necessário se faz startar o inicio do projeto. • Solicitamos manter as mesmas condições de pagamento. • Isso posto, concluímos finalmente que não é necessário recontratar a empresa. • Foi uma surpresa inesperada receber seu convite para a inauguração da loja. • Falta elo de ligação entre os setores da empresa. • Todos devem dedicar-se ao projeto full-time o tempo inteiro.

5) RELAÇÃO DE EVITE/PREFIRA

EVITE PREFIRA Durante o ano de 199... Em 199... As multas foram aplicadas em consonância com o regulamento.

Aplicamos as multas conforme o regulamento.

Servimo-nos da presente para informar que... Informamos que... Solicitamos efetuar a cobrança dos débitos... Solicitamos cobrar os débitos... Novos laboratórios estão sendo construídos pela Zuntec.

A Zuntec está construindo novos laboratórios.

A clínica não pode liberar o seu exame, pois o senhor não pagou a última mensalidade.

Seu exame não pode ser liberado, pois consta um débito em aberto.

Segue o orçamento para o reparo da vidraça que o seu filho quebrou na quarta-feira.

Aqui vai o orçamento para o reparo da vidraça quebrada na quarta-feira.

Marcelo vai dispensar três colaboradores a partir de amanhã.

Três colaboradores são dispensados a partir de amanhã.

O auditor responsável pelo levantamento constatou fraudes na contabilidade da empresa.

Constataram-se fraudes na contabilidade da empresa.

Antes de entrar no elevador verifique se o mesmo se encontra parado no andar.

Antes de entrar, verifique se o elevador se encontra parado no andar.

Atenção, passageiros do vôo 168! Informamos que o embarque do mesmo, quando autorizado, será realizado pelo portão nove.

Atenção, passageiros! O embarque do vôo 168, quando autorizado, será realizado pelo portão nove.

O filme Crash combina sexo bizarro, mutilações e violência. Isso vai dar o que falar.

O filme Crash combina sexo bizarro, mutilações e violência. Essa mistura vai dar o que falar.

Meu pai é louco por selos. Isso o deixa feliz.

Meu pai é louco por selos. Esse passatempo o deixa feliz.

Casório. Casamento, união, enlace. Pivete. Menor infrator Favela. Comunidade de baixa renda Retardadas. Crianças especiais Leprosos. Hansenianos Surdos. Deficientes auditivos

Dez erros graves da oratória

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Alguns erros revelam maior desconhecimento da língua que outros. Os dez abaixo estão nessa situação.

1 - Quando "estiver" voltado da Europa. Nunca confunda tiver e tivesse com estiver e estivesse. Assim: Quanto tiver voltado da Europa. / Quando estiver satisfeito. / Se tivesse saído mais cedo. / Se estivesse em condições.

2 - Que "seje" feliz. O subjuntivo de ser e estar é seja e esteja: Que seja feliz. / Que esteja (e nunca "esteje") alerta.

3 - Ele é "de menor". O de não existe: Ele é menor.

4 - A gente "fomos" embora. Concordância normal: A gente foi embora. E também: O pessoal chegou (e nunca "chegaram"). / A turma falou.

5 - De "formas" que. Locuções desse tipo não têm s: De forma que, de maneira que, de modo que, etc.

6 - Fiquei fora de "si". Os pronomes combinam entre si: Fiquei fora de mim. / Ele ficou fora de si. / Ficamos fora de nós. / Ficaram fora de si.

7 - Acredito "de" que. Não use o de antes de qualquer que: Acredito que, penso que, julgo que, disse que, revelou que, creio que, espero que, etc.

8 - Fale alto porque ele "houve" mal. A confusão está-se tornando muito comum. O certo é: Fale alto porque ele ouve mal. Houve é forma de haver: Houve muita chuva esta semana.

9 - Ela veio, "mais" você, não. É mas, conjunção, que indica ressalva, restrição: Ela veio, mas você, não.

10 - Fale sem "exitar". Escreva certo: hesitar. Veja outros erros de grafia e entre parênteses a forma correta: "areoporto" (aeroporto), "metereologia" (meteorologia), "deiche" (deixe), enchergar (enxergar), "exiga" (exija). E nunca troque menos por "menas", verdadeiro absurdo lingüístico.

GESTO E GESTICULAÇÃO

Ao gesticular, o orador deve sempre usar de naturalidade e elegância. Deve sempre se lembrar de que o gesto é apenas a essência do que se quer exprimir.

Deve, portanto, ter os seguintes cuidados:

O gesto deve sempre preceder, isto é, acontecer antes, adiantar-se à palavra, ou então, pelo menos, acompanhá-la. Nunca suceder, ou seja, acontecer depois.

Por que? Porque se acontecer antes, o gesto prepara o efeito da palavra: se acompanhá- la reforça a palavra, porém, se acontecer depois, faz a palavra perder a sua força.

Então, temos:

• Antes - dá força, maior efeito; • Acompanhando - dá-lhe reforço; • Depois - tira a força da palavra.

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POSTURA, OLHAR E MANEIRISMOS

O orador deve sempre evitar a postura displicente, por exemplo, falar sentado na cadeira ou encostado em alguma coisa, bem como, jamais sentar-se sobre a mesa.

O olhar do expositor deve percorrer sempre a platéia inteira, não se circunscrevendo, ou mantendo, a sua atenção para este ou aquele lado, em especial.

Deve, também, evitar os maneirismos, isto é, torcer os dedos, mexer na roupa, estalar os dedos, esfregar as mãos, bater palmas ou tocar amiudamente objetos sobre a mesa.

O orador deve sempre agir com espontaneidade. Não deve prender as mãos tornando-as imóveis, lançando-as para trás, imobilizando-as, nem adotar gesticulação teatral exagerada. A melhor atitude com relação aos próprios gestos, é esquecer as mãos, falando com naturalidade procedendo com elas, da mesma forma como quando conversamos comumente. GESTOS: COMPLEMENTO DA EXPRESSÃO VERBAL

Os gestos são o complemento da expressão verbal. Ao falar, todo o mundo gesticula. Na oratória o orador que não sabe gesticular torna a sua peça fria e inexpressiva.

O gesto se compreende como sendo um ato ou uma ação, por meio do qual se procura dar força às palavras, no sentido de se influenciar pessoas. Pode ser produzido pelo corpo todo - veja-se, por exemplo, a mímica tida como arte de dar expressão ao pensamento por meio de gestos, ou seja, da gesticulação.

Na oratória, eles como já foram dito, também se reproduzem pelo corpo todo, porém, mais pelo movimento da cabeça, dos braços e das mãos. Na dança ou no balé, os movimentos se reproduzem acompanhando as notas musicais, mas também através da mímica.

Então temos: os olhos, as mãos, a cabeça, os braços, o modo de andar, enfim, movimentos gerais que também são uma forma de expressão.

Agora, o que o orador não pode esquecer é que, ao discursar, os gestos devem ser extremamente comedidos, pois que, os gestos discursivos são algo diferente dos gestos que fazemos ao falar no nosso dia-a-dia, onde as pessoas não estão circunscritas às normas e regras da oratória. Isto quer dizer-nos que se deve gesticular sem exageros porque em oratória os gestos devem ser apenas, o esboço dos gestos reais.

Resumo do significado do gesto em oratória:

O gesto é a ação por meio do qual se dá força às palavras; Devem ser feitos sem exageros e sem excessos, isto é, com naturalidade e elegância; Lembrar sempre que eles são apenas a essência tão somente do que se quer exprimir. EXEMPLOS

Supondo que se queira dizer:

"E se foram para lugar distante..." • Estender o braço ligeiramente com o movimento da mão sendo jogada para frente.

"Foi lhe dado um sinal para que parasse..."

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• Mão aberta com a palma voltada para a frente.

"Foi lhe pedido para que não fizesse..." • Movimentar a cabeça para os lados ou movimentar a mão para os lados tendo

apenas o dedo indicador apontado para cima. -

COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL 1. INTRODUÇÃO O objetivo deste estudo é refletir sobre o processo básico da comunicação*, a fim de que haja maior exatidão na expressão e na compreensão do significado daquilo que se quer transmitir. 2. CONCEITO COMUM - Diz-se que é comum o que pertence a todos ou a muitos igualmente. Vem do latim cum e munus, que significa cargo, ofício, função, dever, propriedade. Assim, o centro de um círculo é comum a seus raios, pois todos os raios têm o mesmo centro. A atração é comum a todos os corpos, porque todos dela sofrem. (Santos, 1965) COMUNICAÇÃO - Do lat. communicatio de communis = comum significa a ação de tornar algo comum a muitos. É o estabelecimento de uma corrente de pensamento ou mensagem, dirigida de um indivíduo a outro, com o fim de informar, persuadir, ou divertir. (Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo). Significa, também, a troca de informações entre um transmissor e um receptor, e a inferência (percepção) do significado entre os indivíduos envolvidos. COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL é essencialmente um processo interativo e didático (de pessoa a pessoa) em que o emissor constrói significados e desenvolve expectativas na mente do receptor. 3. PROCESSO BÁSICO DE COMUNICAÇÃO Uma mensagem pode ser transmitida de modo: 1. VERBAL A comunicação verbal é o modo de comunicação mais familiar e mais freqüentemente usado. Divide-se em: A) VERBAL-ORAL Refere-se a esforços de comunicação tais como dar instruções a um colega, entrevistar um candidato a um emprego, informar alguma coisa a alguém, e assim por diante. B) VERBAL-ESCRITA Refere-se a memorandos, relatórios por escrito, normas e procedimentos. 2. SIMBÓLICA As pessoas cercam-se de vários símbolos, os quais podem comunicar muito a outras pessoas. O lugar que moramos, as roupas que usamos, o carro que dirigimos, a decoração do escritório e outras coisas mais expressam parte da nossa personalidade. 3. NÃO-VERBAL A comunicação não-verbal, que se refere à transmissão de uma mensagem por algum meio diverso da fala e da escrita, é uma das facetas mais interessantes da comunicação. Incorpora coisas como o modo com que usamos o nosso corpo, os nossos gestos e nossa voz para transmitir certas mensagens. Disso resulta que há maior ou menor exatidão daquilo que se quer transmitir. A exatidão na comunicação, por outro lado, se refere ao ponto até onde o sinal básico transmitido pelo emissor é recebido, sem distorções pelo receptor. Este processo se reflete no modelo de Shannon-Weaver, ilustrado na fig. 1. 4. MODELO SHANNON-WEAVER

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Figura 1. O modelo de Shannon-Weaver do processo de comunicação. Fonte: Adaptado de C. F. Shannon-Weaver, The Mathematical Theory of Communication (Urbana: University of Illinois Press, 1949), pp. 5 e 98.

4.1. EXPLICAÇÃO DO MODELO Do lado do emissor há um processo de codificação; do lado do receptor, a decodificação. Entre a mensagem enviada e a recebida há um hiato, em que diversos ruídos podem aparecer, afetando a mensagem. Assim, a comunicação não estará completa enquanto o receptor não tiver interpretado (percebido) a mensagem. Se o ruído for demasiadamente forte em relação ao sinal, a mensagem não chegará ao seu destino, ou chegará distorcida. Por ruído, entende-se tudo o que interfere na comunicação, prejudicando-a. Pode ser um som sem harmonia, um emissor ou receptor fora de sintonia, falta de empatia ou habilidade para colocar-se no lugar de terceiros, falta de atenção do receptor etc. Os recursos usados para anular ruídos são: a) redundância: é todo o elemento da mensagem que não traz nenhuma informação nova. É um recurso utilizado para chamar à atenção e eliminar possíveis ruídos. Nesse sentido deve-se repetir frases e informações julgadas essenciais à compreensão do receptor; b) feedback*: conjunto de sinais perceptíveis que permitem conhecer o resultado da mensagem; é o processo de se dizer a uma pessoa como você se sente em função do que ela fez ou disse. Para isso, fazer perguntas e obter as respostas, a fim de verificar se a mensagem foi recebida ou não. 4.2. FATORES CONSIDERADOS Como o simples ato de receber a mensagem não garante que o receptor vá interpretá-la corretamente (ou seja, como se pretendia), convém considerar: 1. quem está comunicando a quem, em termos de papéis que essas pessoas desempenham (por exemplo, administração e operariado, gerente e subordinado). 2. a linguagem ou o(s) símbolo(s) usados para a comunicação, e a respectiva capacidade de levar a informação e esta ser entendida por ambas as partes.

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3. o canal de comunicação, ou o meio empregado e como as informações são recebidas através dos diversos canais (tais como comunicação falada ou escrita).

4. o conteúdo da comunicação (boas ou más notícias, relevantes ou irrelevantes, familiares ou estranhas) 5. as característicasinterpessoais do transmissor e as relações interpessoais entre transmissor e o receptor (em termos de confiança, influência etc.). 6. o contexto no qual o comunicação ocorre, em termos de estrutura organizacional (por exemplo, dentre de ou entre departamentos, níveis e assim por diante). 5. BARREIRAS À COMUNICAÇÃO EFICAZ 1. Sobrecarga de Informações: quando temos mais informações do que somos capazes de ordenar e utilizar. 2. Tipos de informações: as informações que se encaixarem com o nosso autoconceito tendem a ser recebidas e aceitas muito mais prontamente do que dados que venham a contradizer o que já sabemos. Em muitos casos negamos aquelas que contrariam nossas crenças e valores.

3. Fonte de informações: como algumas pessoas contam com mais credibilidade do que outras (status), temos tendência a acreditar nessas pessoas e descontar de informações recebidas de outras. 4. Localização física: a localização física e a proximidade entre transmissor e receptor também influenciam a eficácia da comunicação. Resultados de pesquisas têm sugerido que a probabilidade de duas pessoas se comunicarem decresce proporcionalmente ao quadrado da distância entre elas.

5. Defensidade*: uma das principais causas de muitas falhas de comunicação ocorre quando um ou mais dos participantes assume a defensiva. Indivíduos que se sintam ameaçados ou sob ataque tenderão a reagir de maneiras que diminuem a probabilidade de entendimento mútuo. 6. COMO MELHORAR A COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL A) HABILIDADES DE TRANSMISSÃO 1. Usar linguagem apropriada e direta (evitando o uso de jargão e termos eruditos quando palavras simples forem suficientes). 2. Fornecer informações tão claras e completas quanto for possível. 3. Usar canais múltiplos para estimular vários sentidos do receptor (audição, visão etc.).

4. Usar comunicação face a face sempre que for possível. B) HABILIDADES AUDITIVAS 1. Escuta ativa.A chave para essa escuta ativa ou eficaz é a vontade e a capacidade de escutar a mensagem inteira (verbal, simbólica e não-verbal), e responder apropriadamente ao conteúdo e à intenção (sentimentos, emoções etc.) da mensagem. Como administrador, é importante criar situações que ajudem as pessoas a falarem o que realmente querem dizer.

2. Empatia. A escuta ativa exige uma certa sensibilidade às pessoas com quem estamos tentando nos comunicar. Em sua essência, empatia significa colocar-se na posição ou situação da outra pessoa, num esforço para entendê-la.

3. Reflexão. Uma das formas de se aplicar a escuta ativa é reformular sempre a mensagem que tenha recebido. A chave é refletir sobre o que foi dito sem incluir um julgamento, apenas para testar o seu entendimento da mensagem.

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4. Feedback. Como a comunicação eficaz é um processo de troca bidirecional, o uso de feedback é mais uma maneira de se reduzir falhas de comunicação e distorções. C) HABILIDADES DE FEEDBACK 1. Assegurar-se de que quer ajudar (e não se mostrar superior). 2. No caso de feedback negativo, vá direto ao assunto; começar uma discussão com questões periféricas e rodeios geralmente cria ansiedades ao invés de minimizá-las. 3. Descreva a situação de modo claro, evitando juízos de valor. 4. Concentre-se no problema (evite sobrecarregar o receptor com excesso de informações ou críticas).

5. Esteja preparado para receber feedback, visto que o seu comportamento pode estar contribuindo para o comportamento do receptor. 6. Ao encerrar o feedback, faça um resumo e reflita sobre a sessão, para que tanto você como o receptor estejam deixando a reunião com o mesmo entendimento sobre o que foi decidido. 7. CONCLUSÃO Esperamos que a discussão sobre os diversos tipos de comunicação e as várias técnicas para diminuir o ruído (interferência no significado do que se quer transmitir) possa capacitar-nos a transmitir as nossas idéias, sentimentos e emoções, com mais clareza e determinação. * Feedback é um termo emprestado da eletrônica ( parte da física dedicada ao estudo do comportamento de circuitos elétricos que contenham válvulas, semicondutores, transdutores etc.), e significa: 1) transferência de parte do produto de um circuito ativo ou esquema de volta ao fator, como um efeito desnecessário ou de uso intencional, como por exemplo, reduzir distorção; 2) processo pelo qual os fatores que produzem o resultado são por eles mesmos modificados, corrigidos, fortalecidos etc, pelo próprio resultado. * Entre as inúmeras causas da defesa na comunicação, citamos: a) timidez - os tímidos e aqueles que se sentem rejeitados têm tendência para se retraírem diante dos outros, criando uma barreira para a comunicação. Muitos escritores, cientistas, estadistas e pregadores religiosos foram levemente tímidos, sem que isso prejudique na tarefa de servir ao bem comum. É o excesso de timidez que dificulta a autenticidade de uma boa comunicação, pois colocando-nos na defensiva, perdemos a essência da comunicação verbal. b) egoísmo - é o principal responsável pela estrutura de defesa de uma personalidade. Querendo nos defender para não cairmos no ridículo, acabamos nos isolando dos nossos instrutores. c) insegurança - é um ruído nem sempre perceptível à primeira vista. Uma pessoa que está desempregada, por exemplo, pode sentir-se inútil e, por isso, fugir ao contato humano ou quando em sociedade, dificulta a autenticidade da comunicação. (Batista, 1971)

O ORADOR E A APRESENTAÇÃO EM POWERPOINT Tese central: você é o ator principal; todas as atenções devem estar voltadas para a sua pessoa. É você que tem de levar o script até o fim. Parta do princípio de que não existe uma apresentação ideal; quando muito, conseguimos uma adequação ideal à nossa apresentação. Tenha sempre em mente que o

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recurso visual é um auxiliar. Faça o seguinte teste: e se meu tempo de exposição fosse reduzido pela metade, o que eu faria? Dê preferência aos fundos claros: se fosse para aparecer não seria fundo seria frente. Não apague as luzes. Lembre-se de que numa peça teatral o holofote ilumina o ator. A fonte do título deve ser tamanho 32; o texto, tamanho 24. Nada de espremer para que caiba tudo em uma única tela. Evite textos inteiros com maiúscula. Tudo o que você fizer tem que ser visto de longe. Tela não é para ler textos. Elimine sem piedade; as palavras precisam ser explicadas e não lidas. Escolha tópicos, palavras soltas, figuras e gráficos para que você possa explicar durante a sua apresentação. Uma excelente apresentação de meia hora deve conter entre 6 e 10 telas. Ensaie várias vezes para assimilar o conteúdo de sua exposição. Para refletir: as pessoas enxergam você e a tela ou somente a tela?

PERSUASÃO E RETÓRICA 1. INTRODUÇÃO O presente trabalho oferece-nos subsídios para uma análise da nossa capacidade de expressão verbal e a influência que o nosso discurso possa exercer sobre os ouvintes. Os sub-temas são: a persuasão, a retórica e a questão da forma e do conteúdo. 2. CONCEITO Persuasão – Etimologicamente vem de "persuadere", "per + suadere". O prefixo "per" significa de modo completo, "suadere" = aconselhar (não impor). É o emprego de argumentos, legítimos e não legítimos, com o propósito de se conseguir que outros indivíduos adotem certas linhas de conduta, teorias ou crenças. Diz-se também que é a arte de "captar as mentes dos homens através das palavras". (Polis – Enciclopédia Verbo da Sociedade e do Estado) Retórica – Em sentido amplo, designava a teoria ou ciência da arte de usar a linguagem com vistas a persuadir ou influenciar. Ainda podia significar a própria técnica de persuasão. Em sentido restrito, alude ao emprego ornamental ou eloqüente da linguagem. Do grego rhetor = orador numa assembléia. É a arte de bem falar, mediante o uso de todos os recursos da linguagem para atrair e manter a atenção e o interesse do auditório para informá-lo, instruí-lo e principalmente persuadi-lo das teses ou dos pontos de vista que o orador pretende transmitir. (Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo) 3. HISTÓRICO A arte da retórica nasceu na Sicília, em meados dos séc. V a.C., quando a política dos tiranos cedeu lugar à democracia. No mundo grego, a oratória veio a ser uma necessidade fundamental do cidadão, que teria de defender seus direitos nas assembléias. Pouco a pouco, começaram a surgir profissionais da retórica – os primeiros advogados (gr. synegoros ou syndikos) –, que ainda não representavam seus clientes na tribuna, mas orientavam os seus discursos, quando não os escreviam totalmente, obrigando os clientes a decorá-los, para realizar uma exposição correta e obter ganho de causa.

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Naturalmente, o ensino da dialética e os trabalhos dos sofistas no uso consciente da linguagem para convencer sempre o opositor de suas idéias prepararam o campo de desenvolvimento da retórica. A arte da retórica foi sistematizada por Aristóteles (384-322 a.C.) no tratado Teknerhetorike (Arte retórica), em que recomenda como qualidades máximas para o estilo a clareza e a adequação dos meios de expressão ao assunto e ao momento do discurso. Em Roma, houve também muitos estudiosos da arte de falar em público. Citam-se Catão, Cícero e Júlio César. (Enciclopédia Mirador Internacional) Na primeira metade do século XX, em razão do abuso tradicional das regras da Retórica, esta ganhou o sentido pejorativo de arte de falar bem mas sem conteúdo, ou com o intuito escusos. Nos últimos anos, mercê do progresso experimentado pelos estudos lingüísticos, a Retórica voltou à ordem do dia, porém numa nova acepção: a pesquisa do discurso literário, tendo em vista não a arte da eloqüência, senão as leis, normas e "desvios" que regem a expressão do pensamento estético através da palavra escrita. 4. PERSUASÃO 4.1. OS TRÊS GÊNEROS DA PERSUASÃO Persuadir é gênero e compreende três espécies, três modos de persuadir, a saber, convencer, comover, agradar. Cícero chama de "Tria officia". A primeira se diz lógica, a segunda afetiva, a terceira estética. Convencer vem de "cum + vincere" = vencer o opositor com sua participação. E tecnicamente denota persuadir a mente através de provas lógicas: indutivas (exemplos) ou dedutivas (argumentos). Assemelha-se ao docere (ensinar), que é a tentativa de persuasão partidária no domínio intelectual. Comover vem de cum + movere persuadir através do coração. Pela excitação da afetividade, a vontade arrasta o intelecto a aderir ao ponto de vista do orador. Ethos (moral) é usar um grau de intensidade mais suave. Movere (mover) é intensidade mais violenta, correspondendo ao pathos (paixão). Agradar corresponde na terminologia latina a "placere" = agradar. Delectare (deleitar) é a persuasão no domínio afetivo. (Tringale, 1988) 4.2. DIRETRIZ GERAL DA PERSUASÃO O pressuposto básico da persuasão é o amplificatio (amplificação). O nosso discurso deve ampliar-se nas pessoas que nos ouvem. É como "captar as suas mentes" para aquilo que queremos modificar. A veiculação de nossas palavras é uma tentativa de mostrar que temos o conhecimento da verdade e queremos outros partidários. Isto não significa fazer proselitismo, mas simplesmente expor sem impor. Allan Kardec, o codificador do Espiritismo, aplicava esta técnica quando tinha que dar explicações aos seus contraditores. 4.3. AS REPETIÇÕES De acordo com as teorias de comunicação de massa, a repetição tem a incumbência de estimular o desejo de compra no consumidor. Para tanto, os técnicos em propaganda servem-se da teoria do reflexo condicionado, descoberta por Pavlov. Cria-se um slogan (idéia força) e, repete-se intensivamente, a fim de penetrar na mente do consumidor, no sentido de direcioná-lo para a compra do seu produto. O orador, consciente e lúcido, deve evitar essa técnica, conhecida como lavagem cerebral. O correto é termos ligação com a verdade dos fatos, mesmo porque, para haver persuasão, é preciso haver credibilidade, pois a liderança social é essencialmente dinâmica e criadora, sendo condição vital do líder o prestígio, que se alicerça nas qualidades da persuasão.

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5. RETÓRICA 5.1. A PREMISSA BÁSICA DA RETÓRICA Para haver persuasão, qualquer que seja o discurso, é preciso haver credibilidade. Deve- se, entretanto, distinguir a credibilidade da matéria em si da credibilidade atingida graças à habilidade do orador. "Tornar crível" vem a ser, portanto, uma tarefa partidária do discurso. 5.2. A ELABORAÇÃO DE UM DISCURSO PODE SER DIVIDIDA EM CINCO PARTES 1. Inventio (invenção) é o ato de encontrar pensamentos adequados à matéria, conforme o interesse do partido representado. 2. Dispositio (disposição) é a escolha e a ordenação dos pensamentos, das formulações lingüísticas e das formas artísticas para o discurso, sempre visando a favorecer a persuasão partidária. Há liberdade, mas não completa arbitrariedade. A dispositio divide-se em: a) a bipartição, que opõe uma parte à outra, acentuando a tensão da totalidade; b) a tripartição, que acentua a linearidade, como estado completo, com princípio, meio e fim. O meio refere-se à matéria propriamente dita. Subdivide-se em: a) numa parte instrutiva, propositio (proposição) ou narratio (narração); b) numa parte probatória, a argumantatio (argumentação). A argumentação pode ser subdividida em: a) numa probatio (provação) em que se prova o ponto de vista partidário; b) numa refutatio (refutação), em que se refuta o ponto de vista do partido adversário. 3. Elocutio (elocução) é a expressão lingüística dos pensamentos encontrados pela inventio. Traz em seu bojo o estilo e a gramática. Puritas refere-se à gramática correta e exige que a sintaxe seja idiomaticamente correta. A hipérbole é a substituição de um verbumproprium por outro que exagere para além dos limites da credibilidade a idéia que se deseja realçar 4. Memoria (memória) é a memorização de um discurso, o que também apresenta uma teoria, para facilitar o trabalho do orador. 5. Pronunciatio (pronunciação) é o ato de enunciação do discurso que engloba, além dos recursos vocais, a métrica necessária. (Enciclopédia Mirador Internacional) 5.3. A RETÓRICA PLATÔNICA EVIDENCIAVA A VERDADE A "verdadeira retórica", para Platão, nada mais é que o modo de levar e de transmitir a verdade aos homens. "Em especial, Platão, no Fedro, quer tirar a retórica do nível das regras do falar com o único objetivo de convencer o interlocutor jogando em ampla medida com a mera opinião (o "considerar verdadeiro") para transformá-la na arte de dizer a verdade. E justamente por isso quer fundamentá-la na dialética, que é o único método capaz de chegar à verdade e exprimi-la de modo adequado. A arte dizer, portanto, deve segundo Platão, basear-se nestes três pontos fundamentais: 1) deve conhecer a verdade acerca do que se deseja falar; 2) deve conhecer a natureza da alma em geral e especialmente das almas às quais se dirige para poder convencê-las de modo adequado;

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3) deve ter a consciência da natureza e do alcance dos meios de comunicação, especialmente a diferença entre escrita e oralidade." (Reale, 1999, p. 251) 6. FORMA E CONTEÚDO 6.1. O SENTIDO PEJORATIVO DA RETÓRICA Como vimos anteriormente, na Antiguidade clássica, a palavra retórica era usada exclusivamente para a disseminação da verdade. No decurso do tempo, acabamos exercitando mais a forma do que o conteúdo, o que nos propiciou maior preocupação com o malabarismo da voz e dos gestos do que com o tema em si mesmo. Observe a propaganda política dos nossos dias: promete-se além daquilo que se pode cumprir; enfatiza-se o lado emotivo; cria-se um salvador da pátria. Mas, quando estão no poder, acabam fazendo o que os seus antecessores faziam. Os Sete Quês O cientista político Harold Lasswell propõe um paradigma destinado a orientar o exame científico dos variados aspectos da comunicação de massa. Segundo Lasswell o estudo de cada uma dessas questões (conhecidas como os setes quês) implica modalidades específicas de análise do processo comunicacional.

Quem disse o quê a quem? Em que canal? Com que intenções, em que condições, com que efeitos? 1) Quem (fatores que iniciam e guiam o ato da comunicação). 2) Diz o quê – implica uma análise de conteúdo. 3) Em que canal (meios interpessoais ou de massa) – implica uma análise de meios. 4) A quem (pessoa atingida por esses meios) – implica uma análisede audiência. 5) Com que efeitos (impacto produzido pela mensagem sobre a audiência) – implica uma análise de efeito.

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Podemos ainda acrescentar ao modelo original de Lasswell uma questão referente às causas, aos antecedentes ou intenções da mensagem (questão sugerida por O. Holsti), e outra referente às condições em que foi recebida.

A SINTONIA ENTRE O ORADOR E O PÚBLICO

Sintonia - do grego syntonia - significa acordo mútuo, reciprocidade. Em Psicologia é o estado de quem se encontra em correspondência ou harmonia com o meio. Orador - do lat. oratore -, aquele que ora um discurso em público. Auditório - do lat. auditoriu -, conjunto de ouvintes que assiste a algum discurso.

A indutância, a capacitância a ressonância e a própria sintonia em eletricidade oferecem-nos campo para a analogia. Valendo-nos da ressonância, coloquemos quatro pêndulos (dois de comprimento curto e dois de comprimento longo) e movimentemos um deles. Imediatamente, o pêndulo de mesmo comprimento começará a oscilar querendo entrar na mesma freqüência daquele que foi acionado, enquanto os outros dois permanecem fixos. Como interpretar psicologicamente esse fenômeno mecânico?

O discurso oratório pressupõe o emissor, a mensagem e o receptor. O orador é o indutor, ou seja, o pêndulo emissor. À sua frente os ouvintes. Para que seja ouvido deve entrar em sintonia com o auditório. Mas, o que é entrar em sintonia com o público? é captar o ponto médio dos ouvintes e trabalhar em cima dele. Pois, se estiver muito acima da média não será entendido e, muito abaixo, tornar-se-á desinteressante.

O impacto interpessoal define o ajustamento entre o orador e o público. Para que o orador desperte a atenção consciente dos ouvintes, deve falar somente aquilo que interessa ao auditório. Pressupor público inteligente e falar como se estivesse na condição de ouvinte auxilia sobremaneira a preparação de nossa peça oratória. Conseqüentemente, criaremos um campo mental harmonioso entre nossa pessoa e aqueles que nos ouvem.

A manutenção do interesse durante a exposição exige diversos cuidados. Primeiramente, o preparo do orador. Este deve ter em mente a sintonia com Deus, consigo próprio e com aqueles que irão ouvi-lo. Em segundo lugar, a preparação do tema. Montar e seguir um roteiro, deixando brechas para a criatividade do momento, em que os Benfeitores Espirituais poderão inspirar-nos o pensamento correto para atender às necessidades do ambiente.

Apliquemos todas as nossas potencialidades para a compreensão do tema a ser exposto. A naturalidade de nossa expressão garantirá a verdadeira sintonia com o público que nos assiste.

Vantagens de se Falar em Público 1) Projeta a Personalidade Ao nos colocarmos diante do público, favorável ou não, estaremos expondo o nosso pensamento, a nossa maneira de ser e o nosso modo de interpretar as coisas, ou seja, o nosso caráter e a nossa personalidade. 2) Propicia a Auto-Estima Conforme formos desenvolvendo um tema, tratando de uma determinada questão e prestando esclarecimentos sobre um assunto qualquer, vamos também ajudando a nossa auto-estima, porque cada um de nós influencia o outro e é influenciado pelo outro.

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3) Fortalece a Imagem Pessoal Proferindo palavras convincentes, vamos criando uma imagem pessoal positiva na cabeça dos ouvintes. Para fortalecê-la ainda mais, utilizemos a reflexão e o feedback, ferramentas valiosas para corrigir os erros e ratificar os acertos. 4) Desenvolve o Raciocínio Lógico Nada mais valioso do que a coerência dos raciocínios. Tratemos da verdade dos fatos e não do esforço para demonstrar que estamos certos. Sejamos claros, objetivos e sintéticos; as muitas palavras podem distorcer a compreensão do que queremos expor. 5) Estimula a Argumentação Criativa Há uma grande diferença entre discussão e argumentação. A argumentação busca a verdade dos fatos; a discussão procura extravasar opiniões, ideologias e preconceitos. Quem argumenta com fatos, conquista confiança na exposição. À primeira vista, pode até ser incompreendido; depois, porém, o público reflete e adere à ideia emitida. 6) Contribui para a Disciplina Mental Quando nos propomos a expor, somos obrigados a pensar profundamente no tema escolhido. Temos que encontrar a ideia central, os tópicos a serem desenvolvidos e a formar um elo entre eles. Nesse caso, o discurso em público é sumamente superior à simples conversação. 7) Constitui um Poderoso Instrumento de Persuasão A persuasão é a arte de "captar as mentes dos seres humanos através das palavras". De posse de uma verdade, queremos transmiti-la aos outros seres humanos. Para isso, valemo-nos da persuasão, no sentido de querer que o outro participe de nossa descoberta interior. 8) Intensifica o Autoconhecimento Para falarmos aos outros, temos que pensar primeiramente em nós mesmos. Muito se fala que quando apontamos um dedo para o próximo, há três apontando para nós. Na época da codificação da Doutrina Espírita, não foram as pessoas mais moralizadas que saíram para pregar o Espiritismo, mas as mais cultas, porque falando ao outros poderiam corrigir a si mesmas. 9) Gera Cooperação A palavra tem uma força extraordinária: quando dita por um homem de prestigio, soa como uma ordem. Façamos com que as palavras saídas de nossa boca sejam de paz, harmonia, concórdia e progresso da humanidade. Você sabe o que é tautologia?

Esse é o termo utilizado para definir um vício de linguagem, que consiste na repetição de uma ideia, de maneira viciada, com palavras diferentes, mas com o mesmo sentido.

Como exemplos clássicos temos os famosos 'subir para cima' e 'descer para baixo'. Mas há outros, como você pode ver na lista a seguir: - elo de ligação - acabamento final - certeza absoluta - quantia exata - nos dias 8, 9 e 10, inclusive - juntamente com - expressamente proibido - em duas metades iguais

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- sintomas indicativos - há anos atrás - vereador da cidade - outra alternativa - detalhes minuciosos - a razão é porque - anexo junto à carta - de sua livreescolha - superávit positivo - todos foram unânimes - conviver junto - fato real - encarar de frente - multidão de pessoas - amanhecer o dia - criação nova - retornar de novo - empréstimotemporário - surpresa inesperada - escolhaopcional - planejarantecipadamente - abertura inaugural - continua a permanecer - a última versão definitiva - possivelmente poderá ocorrer - comparecer em pessoa - gritar bem alto - propriedade característica -demasiadamente excessivo - a seu critério pessoal - exceder em muito.

Note que todas essas repetições são dispensáveis, pois na maioria das vezes só apresentam ideias óbvias. Assim, além de empobrecer o texto, demonstram inabilidade de seu autor. Devemos evitar o uso das repetições desnecessárias. Fique atento às expressões que utiliza em seu dia a dia. Cuidado com esta armadilha!

DICIONÁRIO DE ORATÓRIA

Ambigüidade - Não deixar claro o sentido de uma palavra ou de uma frase que podem ser interpretadas pelo menos de duas maneiras diferentes. Antítese - Figura de linguagem que faz uso de expressões opostas: "De repente do riso fez-se o pranto" (Vinícius de Morais) Aparência - Uma boa aparência ajuda a aumentar a autoconfiança e a confiança que as pessoas têm no orador. Isto mostra que o orador os respeita e se esforçou para se vestir adequadamente. Apresentação - É uma ferramenta de comunicação muito poderosa que deve ser adequada à personalidade do orador. As imagens devem ser usadas com parcimônia.

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Embora se diga que uma figura vale por 1000 palavras, é preciso verificar se ela não está deixando a inteligência inativa. Arcaísmo - Emprego de palavras ou construções antigas, que já caíram em desuso. Antanho por no passado. Antelóquio por prefácio. Argumento - Ao nível da Retórica, o argumento consiste no emprego de provas, justificativas, arrazoados, a fim de apoiar uma opinião ou tese, e/ou rechaçar uma outra. Auditório - Tecnicamente, é o conjunto de todos aquelas pessoas que o orador quer influenciar mediante o seu discurso. Barbarismo - Consiste em grafar ou pronunciar uma palavra em desacordo com a norma culta. Eles ocorrem: 1) na grafia: analizar por analisar 2) na pronuncia: rúbrica por rubrica 3) na morfologia: deteu por deteve 4) na semântica (sentido das palavras): o iminente jurista presidiu a seção (por eminente sessão). Bene Dicere - Dado que a virtude mais geral do discurso se encontra contida no advérbio bene dicere,e o fim mais geral do discurso consiste em persuadere, o objetivo específico do desenvolvimento reside no ensinar (docere), agradar (delectare) e comover (movere).

Brain storming - Deixar espaço para a criatividade, onde cada aluno é livre para falar o que quiser, sem medo de reproche. Cacoetes Lingüísticos - São palavras ou partículas usadas com muita insistência para encerrar a frase ou para continuá-la. Eis alguns: Tá, né? Entende? Sabe? Percebe? Uai... Da mesma forma, há quem abuse de a gente isso, a gente aquilo, a gente chegou, a gente pediu, etc. Evitar o uso constante de a nível de, enquanto que, de repente, etc. Cacofonia - Qualquer seqüência silábica que provoque som desagradável como "A boca dela é enorme" por "Sua boca é enorme". A cacofonia compreende: a) Cacófato – Encontro de sílabas que forma uma palavra obscena. Envie-me os catálogos. Polícia federal confiscagado de fazendeiros. b) Eco – Repetição desagradável de terminações iguais. Freqüentemente o presidente sente dor de dente. c) Colisão – Repetição de consoantes iguais ou semelhantes. O monstro medonho mede, mais ou menos, um metro e meio. d) Hiato – Seqüência ininterrupta de vogais. Ou eu o ouço ou eu o ignoro. Carismáticos - As pessoas descrevem como "carismáticos" aquelas de quem gostam sem nenhuma razão aparente. Comparação - Figura de linguagem que consiste em atribuir a um ser características presentes em outro ser, pelo fato de haver entre os dois uma determinada semelhança. "Minha dor é inútil como uma gaiola numa terra onde não há pássaros". (Fernando Pessoa) Comparações, analogias e metáforas - Enquanto uma analogia geralmente faz uma comparação relativamente completa, mostrando explícita ou implicitamente muitos pontos em comum, uma comparação acentua um só ponto e nela costuma-se usar as palavras como ou igual a. Já a metáfora é uma comparação que, ao invés de mostrar explicitamente as semelhanças entre duas coisas, aceita-as implicitamente, dizendo que uma coisa é outra, sob certos aspectos. Além disso, na metáfora não se usam as palavras como ou iguais.

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Comunicação - É freqüentemente definida como a troca de informações entre um transmissor e um receptor, e a inferência (percepção) do significado entre os indivíduos envolvidos. Crase - É a fusão de duas vogais da mesma natureza, ou seja, iguais. Regra geral: haverá crase se existirem duas situações. O termo regente exigir a preposição A O termo regido aceitar o artigo A/As.

Debate Orientado - O debate é o método no qual os oradores apresentam seus pontos de vista e falam pró ou contra uma determinada proposição. Use-o quando os assuntos requeiram sutileza; para estimular a análise; para apresentar diferentes pontos de vista. Vantagens - Apresenta os dois aspectos de um problema; aprofunda os assuntos em discussão; desperta o interesse. Limitações - O desejo de "ganhar" pode ser demasiadamente enfatizado; requer muita preparação; pode produzir demasiada emoção.

Desenvolvimento - Quanto ao desenvolvimento, o discurso bifurca-se em: a) Narração - Consiste na exposição minuciosa, parcial, encarecedora, do que de modo sintético e direto se expressa na proposição: o orador seleciona os fatos que convém à sua causa e focaliza-os da perspectiva que mais lhe favorece o intento, emprestando relevo a alguns e minimizando outros, de acordo com o interesse do momento. b) Argumentação- É a parte nuclear e decisiva do discurso, e vem já preparada pelo exórdio e pela narração. Para exercer seu efeito no conjunto do discurso, a argumentação deve conter uma ou mais provas, ou seja, um ou mais argumentos, calcados no raciocínio e no princípio da dedução: o silogismo, a dialética e o paradoxo. A argumentação pode conter exemplo, ou melhor, prova trazida de fora. Dialética - Na boa visão de Hegel, é o diálogo dos opostos. Quer dizer, o bem existe porque é comparado ao mal, a liberdade à escravidão e a verdade ao erro. Dicção - Modo de dizer; arte de dizer, de recitar. Dinâmica de Grupo - É a divisão de um grupo grande em diversas equipes. Estas equipes discutem problemas já assinalados anteriormente, geralmente com o propósito de informar depois ao grupo maior. Use-o quando o grupo é demasiadamente grande para que todos os membros participem; quando se exploram vários aspectos de um assunto; quando o tempo é limitado. Vantagens - Estimula os alunos tímidos; desperta um sentimento cordial de amizade; desenvolve a habilidade para dirigir. Limitações - Pode ser o resultado de um conjunto de deficiência; os grupos podem desviar-se do assunto em questão; a direção pode ser mal organizada. Discurso - Do latim discursu(m). Ação de correr por ou para várias partes. Discorrer sobre vários assuntos. No plano da oratória, designa a elocução pública, que visa a comover e persuadir. Trata-se de um termo de largo uso e de sentidos diversos: a) O discurso pode ser verbal – centrado nas palavras – e não-verbal – centrado na imagem nos gestos etc. b) O discurso verbal pode ser oral ou escrito – também chamado texto. c) Considerando que a unidade máxima do sistema da língua é a frase, podemos dizer que o discurso está centrado nas seqüências frasais – eventualmente numa frase. d) O discurso implica um esforço expressivo do eu – o que irá configurar o estilo – no sentido transitar uma mensagem para alguém.

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Discurso direto - O narrador reproduz o discurso com as próprias palavras do interlocutor. As duas características do discurso direto são: a) Vem introduzido por um verbo dicendi (verbo que anuncia a fala da personagem); b) Antes da fala da personagem há, geralmente, dois pontos e travessão. Exemplo: O ministro disse: — O Brasil precisa de técnicos.

Discurso indireto - O narrador usa suas próprias palavras para comunicar o que as personagens disseram. As características principais do discurso indireto são: a) Vem introduzido por um dicendi. Exemplo: Diógenes disse a Alexandre que não tirasse o sal. b) Vem introduzido por uma conjunção subordinativa integrante (que, se) Exemplo: O general bradou que não fizessem aquilo. Elipse – Omissão de um termo facilmente identificável. O principal efeito é a conclusão. Exemplo: No céu, dois fiapos de nuvens. [No céu, aparecem (existem/há) dois fiapos de nuvens.] Equívoco - Mudar o significado ou a conotação de uma palavra. Estereótipo - Frase ou expressão modelar que de tanto ser usada perdeu sua força inicial. Trata-se de um clichê, de uma fórmula muitas vezes vazia. Exemplo: "Não tenho palavras para agradecer", "A memorável vitória" etc. Estilo - É a maneira peculiar de que se servem cada ser humano para expressar suas próprias idéias. Não se deve confundir o estilo com as palavras e as idéias empregadas por um homem, que as pode usar justas e corretas, apesar de ser vicioso, duro ou frio, frouxo ou afetado o seu estilo. Estrangeirismo - Quando usados desnecessariamente também constituem barbarismo 1) Galicismo: garçon por garçom 2) Anglicismo: cocktail por coquetel; week-end por fim de semana. Etimologia - É a ciência que investiga as origens próximas e remotas das palavras e sua evolução histórica. Do grego etymon (étimo) vocábulo que é origem de outro. Eufemismo - Figura de linguagem que consiste no abrandamento de expressões cruas ou desagradáveis. Foi acometido pelo mal de Hansen (= contraiu lepra). Os funcionários da limpeza pública estão em greve (= lixeiros).

Exórdio - Contendo a introdução do discurso, objetiva "ganhar a simpatia do juiz (ou, em sentido mais amplo, do público) para o assunto do discurso". Não obstante o exórdio apresentar-se ora simples e direto, ora impetuoso e veemente, ora insinuante e humilde, há de ater-se imediatamente ao tema em questão e observar a doutrina do decorum, isto é "a harmônica concordância de todos os elementos que compõem o discurso ou guardam alguma relação com ele". No geral, o exórdio encerra duas partes: a) A proposição: que consiste no enunciado do tema ou assunto, e b) A divisão, vale dizer, a enumeração das partes que totalizam o discurso e, portanto, assinalam o caminho a seguir pelo orador. Falar bem e dizer bem - Há uma diferença essencial entre o falar bem (utilizar com eficiência os recursos gramaticais, as metáforas e os argumentos criativos) e o dizer bem (sintonizar-se com os ouvintes de forma natural, persuasiva e empática).

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O líder empresarial deve ser um facilitador da aprendizagem e canalizador da energia do grupo. Por isso, espera-se que em suas comunicações o falar e o dizer se harmonizem perfeitamente. Gestos - Ato ou ação por meio do qual se dá força às palavras. Deve ser feito sem exagero e sem excessos, isto é, com naturalidade e elegância. Lembrar sempre que ele é apenas a essência, tão somente, do que se quer exprimir. Deve preceder à palavra ou acompanhá-la, nunca sucedê-la. Se anteceder, prepara o efeito da palavra; se acompanhá-la, reforça-a; se suceder, perde sua força. Gestualidade - É o comportamento do corpo que abrange gestos (em movimento) e atitudes ou posturas (parados). É a linguagem do corpo: "sermo corporis" O Corpo fala através de gestos e atitudes que acompanham significativamente a pronunciação. Dentro da gestualidade se destaca uma nova área de investigação: a proxêmica. Hipérbole - É uma afirmação exagerada para conseguir-se maior efeito estilístico. - Chorou um rio de lágrimas. - Toda a vida se tece de mil mortes. - Um oceano de cabeças ondulava à sua frente.

Idéia central - É um pensamento único, expresso numa frase simples, clara e, se possível, direta, e que resuma a essência do que se quer provar ou demonstrar através da palestra inteira. Em torno dela e/ou em direção a ela se encaminharão todos os assuntos e ilustrações. Obs.: A idéia central não deve ser confundida com o tema, que é o assunto da palestra. A idéia central é a definição, objetivo específico dentro do tema. Sinônimo: idéia-mãe. Ironia - Consiste em sugerir, pela entonação e contexto, o contrário do que as palavras ou as frases exprimem, por intenção sarcástica. Que belo negócio! (=que péssimo negócio) O rapaz tem a sutileza de um elefante. Língua - O conhecimento da língua portuguesa é muito importante para o orador, pois as incorreções gramaticais não são perdoáveis a quem se atreve a falar em público. Alguns erros que causam má impressão: Me vejo na obrigação... Tenho a súbida honra... Se ele intervir... acabo de assistir um espetáculo.

Linguagem - É a expressão de nossas idéias por meio de certos sons articulados que lhes servem de sinais. É a expressão da evolução espiritual e mental do homem, e a verbalização do comportamento faz parte dela. Maiêutica – Método socrático, onde o instrutor desenvolve sua exposição fazendo perguntas aos alunos. Deve-se evitar o pseudo-diálogo; Medo - Reflete a sensação de se expor a uma situação nova com a condição de enfrentar ou escapar. Os oradores se beneficiam disso: a adrenalina se transforma em energia; suas mentes parecem mais alerta; surgem novos pensamentos, fatos e idéias. Cícero disse que todo discurso de mérito autentico se caracteriza pelo nervosismo. É uma forma de autopreservação comum a todas as pessoas, contra aquilo que consideramos ser a concretização de uma ameaça dolorosa. Ele aumenta desproporcionalmente a sensação de perigo: é a forma que o corpo e a mente encontram para se protegerem das ameaças.

Memória - É a capacidade de fixar, reter, evocar e reconhecer impressões ou acontecimentos passados. A memória pode ser comparada a uma câmara fotográfica: "a atenção é, para a mente, o que o poder de focalizar a lente é para a câmara". Exercício para a memória:

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a) Olhar um objeto, fechar depois os olhos e passar a descrevê-lo mentalmente. Abrir logo após os olhos, e verificar o que esquecemos e o que lembramos. b) Abrir as páginas de um jornal, ler os cabeçalhos; fechar em seguida os olhos, e rememorar mentalmente. c) Ler um pensamento, duas, três, quatro vezes. Depois, repita-o de cor. Obtida a memorização, medite sobre ele. d) Há à sua frente um grupo de pessoas. Observe-as. Imediatamente procure recordá-las na ordem em que estão da direita para a esquerda e vice-versa. Verifique logo depois se acertou ou errou. e) Ao assistir a uma palestra ou conferência, ou ao ler um artigo, etc., faça logo, de memória, uma síntese, e preferentemente a escreva.

Metáfora - É a mudança do sentido comum de uma palavra por outro sentido possível que, a partir de uma comparação subentendida, tal palavra possa sugerir. Costuma-se distinguir a metáfora pura da metáfora impura: Metáfora impura: aquela em que os dois termos de comparação vêm expressos. Metáfora pura: aquela em que não está presente nenhum termo de comparação. Esquematizando: Essa mulher é perigosa qual uma cascavel (= comparação). Essa mulher é uma cascavel (= metáfora impura). Convivo com uma cascavel (= metáfora pura).

Método - Do grego méthodos - "caminho para chegar a um fim". Processo ou técnica de ensino. O método depende dos propósitos que se tenha, da habilidade do professor ou líder, da disposição do aluno, do tamanho do grupo, do tempo disponível e dos materiais de trabalho. Metonímia - É a substituição de uma palavra por outra, quando entre ambas existe uma relação de proximidade de sentidos que permite essa troca. Exemplo: O estádio aplaudiu o jogador. Estádio está substituindo torcedores (a troca foi possível porque o estádio contém os torcedores).

Monossemia - Palavras ou expressões que remetem é um mesmo sentido. O signo monossêmico é fechado, impede uma leitura plural. Ou ainda, a cada significado corresponde um único significante. Opinião - É preciso ultrapassar a preguiça do: "Vou dar minha opinião sobre..." A palavra "opinião" é eminentemente reveladora: pois a opinião é muito subjetiva. Ela pode ser um sinal de humildade, as na maioria das vezes revela um grande empobrecimento do pensamento. Palavras que revelam insegurança – Evite usar: "quem sabe", "talvez seja", "aliás", "pode ser", "assim parece", "quero crer", "julgo que", "tudo parece indicar que". Substituí-las por palavras afirmativas. Parábola - É um relato que possui sentido próprio, destinado, porém, a sugerir, além desse sentido imediato, uma lição moral. É um tipo de comparação construído em forma de narrativa. Conta-se uma história para se extraírem ensinamentos que possam ilustrar outra situação. No fundo do parabole grego há a idéia de comparação, enigma, curiosidade. As parábolas evangélicas contadas por Jesus são imagens tomadas das realidades terrestres para serem sinais das realidades reveladas por Deus. Elas precisam de uma explicação mais profunda.

Peroração – É a conclusão de um discurso e encerra duas partes: a) A recapitulação, mediante a qual o orador "refresca a memória" da audiência, e

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