Paisagens Protegidas de Diamantina, Notas de estudo de Turismo
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ISSN 0103-8427 Caderno de Geografia, v.22, n.38, 2012

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A valoração das paisagens protegidas de Diamantina (MG): premissa para o

turismo cultural i

Valuating protected landscapes of Diamantina (MG): premise for the cultural tourism

Renata Salgado Rayel

Professora Especialista do Dep. de Desenvolvimento Social do SENAC-São Carlos

rerayel@gmail.com

Solange Terezinha de Lima Guimarães

Professora Livre Docente da Universidade Estadual Paulista “Julio Mesquita Filho” – UNESP - Rio Claro

hadra@uol.com.br

Artigo recebido para revisão em 26/03/2012 e aceito para publicação em 30/05/2012

RESUMO

A paisagem de Diamantina apresenta relevantes valores cênicos e estéticos, os quais constituem

seus atrativos turísticos, gerando fluxos de visitantes para favorecer o desenvolvimento local e

regional. Em decorrência da valoração ambiental, Diamantina obteve significativa conquista

direcionada à proteção patrimonial do centro histórico e de suas áreas naturais. Desse modo, o

patrimônio diamantinense representado pelas paisagens protegidas foi apropriado por parte da

comunidade que tem interesse pelo turismo cultural, ao valorar economicamente seus bens e

serviços.

Palavras-chave: Paisagens Protegidas. Valoração Ambiental. Turismo Cultural. Valores Cênicos e

Estéticos.

ABSTRACT

The Diamantina’s landscape presents significant scenic and aesthetic values, which constitute its

touristic attractions, generating visitor flows to promote local and regional development. As a result

of environmental valuation, Diamantina achieves significant accomplishments towards the patrimo-

nial protection of historic center and their natural areas. Therefore, the Diamantina’s patrimony rep-

resented by the protected landscapes was appropriated by part of the community which has interest

in cultural tourism, valuating economically their goods and services.

Keywords: Protected Landscapes. Environmental Valuation. Cultural Tourism. Scenic and Aes-

thetic Values.

1. INTRODUÇÃO

O município de Diamantina destaca-se

no cenário histórico brasileiro desde o ciclo do

ouro e, principalmente, da exploração diamantí-

fera nos caminhos da Estrada Real, em um perí-

odo compreendido pela interiorização e pelo

povoamento do país em buscas de riquezas mi-

nerais, que determinou o surgimento de núcleos

urbanos, alguns dos quais se transformaram em

ricas e esplendorosas cidades barrocas.

Machado Filho (1980), em seu livro

Arraial do Tijuco: cidade Diamantina” relata

que o ouro descoberto nos fins do século XVII,

em Serro Frio, chamou a atenção de bandeiran-

tes e de aventureiros das várias regiões do país.

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Desse modo, um grupo de exploradores seguiu

em direção ao Pico do Itambé, nas cercanias de

Serro Frio à procura de um local para minera-

ção. O povoamento dessa região desenvolveu-se

com a extração de ouro do leito dos rios até

1729, sendo as lavras do Tijuco consideradas

exclusivamente auríferas. Posteriormente, en-

trou em cena a extração de diamantes, e na pri-

meira década do século XVIII, no antigo Arraial

do Tijuco – atual Diamantina – foram encontra-

das, no Rio Jequitinhonha e no Rio Pardo, áreas

com grande quantidade de diamantes, segundo

Machado Filho (1980).

Na segunda metade do século XVIII, a

extração de diamantes deixou de pertencer à

realeza, tornando-se livre o arrendamento de

suas jazidas. Dessa maneira, o Distrito Diaman-

tino enriqueceu, possibilitando o acúmulo de

grandes fortunas. Esse período de esplendor, no

entanto, estendeu-se apenas até meados do sécu-

lo XIX, devido ao esgotamento das jazidas e à

concorrência internacional da extração de dia-

mantes da África do Sul, motivos que promove-

ram a estagnação econômica da região.

Com a expectativa de melhorar a situa-

ção socioeconômica dos moradores de Diaman-

tina, foram construídas a Fábrica de Tecidos de

Biribiri e sua Vila Operária que, por meio da

produção têxtil, deu um novo impulso à econo-

mia local. (MENDONÇA, 2005). Entretanto, a

situação econômica do município de Diamanti-

na, no século XX, foi tomando rumo mais prós-

pero, não somente no setor industrial, mas tam-

bém pelo fortalecimento do comércio. Os dois

últimos segmentos, bem como a atividade turís-

tica, são responsáveis por favorecerem, até os

dias atuais, o desenvolvimento da economia

local e regional.

O turismo em Diamantina fomenta e

conserva as raízes culturais do seu passado bar-

roco, em um processo de reconhecimento, pro-

teção e valorização do patrimônio arquitetônico

e urbanístico. A valiosa arquitetura diamanti-

nense em estilos barroco e eclético apresenta

riqueza de detalhes, representada pelos edifícios

destinados à administração pública, igrejas e

capelas, casarões residenciais e casas comerci-

ais, constituindo-se um acervo considerado pa-

trimônio histórico material, de acordo com a

inscrição no Livro de Tombo das Belas Artes,

sob nº 59, datado de 17 de fevereiro de 1938.

A cidade recebeu o título de Patrimônio

HistóricoNacional, através do processo de

tombamento do Conjunto Arquitetônico e Urba-

nístico do Centro Histórico de Diamantina, de-

clarado, em 1938, pelo Serviço do Patrimônio

Histórico e Artístico Nacional – SPHAN, atual

Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico

Nacional – IPHAN. Em 1999, entrou para o

cenário mundial ao receber o título de Patrimô-

nio Cultural da Humanidade, da Organização

das Nações Unidas para Educação, Ciências e

Cultura – UNESCO.

Em 14 de dezembro de 2000, foi

aprovado o tombamento provisório da Serra dos

Cristais, pelo Instituto Estadual do Patrimônio

Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA),

cujo tombamento definitivo ocorreu em 19 de

novembro de 2010, sendo aprovado pelo Conse-

lho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep),

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como medida de proteção e salvaguarda do con-

junto paisagístico natural, ameaçado pela ocu-

pação irregular e desordenada.

Figura 1 - Paisagem protegida de Diamantina com a

Serra dos Cristais ao fundo. Fonte: Divulgação IPHAN.

O patrimônio cultural diamantinense não

se resume nos atributos arquitetônicos, se esten-

de às manifestações artísticas e socioculturais.

Os aspectos culturais do município se encon-

tram disseminados no folclore, por meio da mú-

sica, produção poética e literária e artesanato,

além de outras expressões culturais que perma-

necem vivas e resistentes às mudanças históri-

cas.

A musicalidade de Diamantina destaca-

se no cenário cultural regional e nacional. A

cidade possui o Conservatório Estadual de Mú-

sica de Diamantina, além de grupos musicais

folclóricos, que abrangem vários estilos

musicais – barroco, sacro, popular –. Esses se

apresentam em igrejas, capelas, vilas e becos,

ruas, salões de festas, incluindo festivais de

música que atraem muitos visitantes do país e

do exterior. Nesse cenário, não podemos deixar

de destacar as Serestas e as Vesperatas – estas,

constituindo eventos realizados à noite, quando

os músicos se apresentam ao ar livre, nas

sacadas de antigos casarões – uma peculiaridade

da cultura musical de Diamantina, sendo um dos

atrativos do turismo cultural.

2. AS IMAGENS TURÍSTICAS DE PAISAGENS VALORADAS

O Turismo é um fenômeno que elabora

estéticas paisagísticas, a partir das percepções

humanas ou, então, utiliza cenários considera-

dos belos e atraentes para serem transformados

em mercadorias turísticas, como coloca Silva

(2000). Assim, é notório que o ser humano man-

tém uma relação com o ambiente e influencia na

dinâmica construtiva dos espaços e lugares, alte-

rando suas paisagens, mudando as imagens per-

cebidas para imagens concebidas. Essas ima-

gens são representações sociais e culturais que

nos revelam formas, elementos, símbolos e sig-

nificados, com determinadas funções que, por

ora, são selecionadas de acordo com os interes-

ses econômicos, políticos e sociais (RAYEL,

2011).

As paisagens nos revelam cenários e

imagens em constante processo de

transformação, cujas formas e conteúdos, de

maneira dinâmica, representam a identidade de

um povo, do espaço natural ou vivido, segundo

Rayel (2011). As imagens paisagísticas nos

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trazem sensações agradáveis ou de receio do

desconhecido, porém as paisagens turísticas são

imagens escolhidas, com conteúdo estético

significativo, não somente para os olhos do

indivíduo que as aprecia, mas para o olhar

coletivo, que faz referência aos signos da

paisagem em um contexto interpretativo do

conhecimento das representações sociais e das

características identitárias.

Como afirma Augustin Berque (1995) “a

paisagem não é universal” e sim, as formas e

elementos que assumem e compõem os espaços

em nosso planeta. Um fator que distingue essas

formas é a estética, a beleza que recebe “valor

mutável, variável ao longo do tempo e do

espaço”.

Nesse sentido, as formas ou os

elementos paisagísticos recebem o termo de

landmark, conceituado por Allen (1979) como

ponto de referência ambiental, definido com

base nas implicações perceptuais cognitivas e

ambientais, que podem servir de indícios

formativos da identidade social. São marcos

paisagísticos referenciais, urbanos ou naturais,

simbolicamente destacados pela sociedade. As

landmark, consideradas marcas da paisagem,

atuam como referenciais do passado e do

presente, oferecendo subsídios materiais para

conduzir ao entendimento físico da paisagem e

do modo organizacional de uma sociedade.

Diamantina apresenta, em suas paisa-

gens, símbolos de patrimônio material e imate-

rial representados como códigos histórico-

culturais de uma sociedade multicultural, for-

mada por antepassados portugueses, africanos,

indígenas e brasileiros. A representatividade

social diamantinense sobressai nos prédios e

casarios barrocos com características da arquite-

tura medieval portuguesa, além de manifesta-

ções artísticas tradicionais que marcam o cená-

rio cultural e as ambiências do centro histórico.

Para este artigo, selecionamos algumas land-

marks relevantes no âmbito regional e interna-

cional.

Figura 2 – Paisagem da cidade de Diamantina, MG. Fonte: Renata Salgado Rayel, julho de 2010.

Lugar simbolicamente representado na

paisagem da cidade, constituindo significativa

marca de sua paisagem urbana, o Mercado Mu-

nicipal de Diamantina – conhecido como Mer-

cado Velho – foi construído em 1835, no antigo

Largo da Cavalhada Nova, atual Praça Barão de

Guaicuí. Apresenta-se como uma das mais im-

portantes construções coloniais brasileiras no

Estado de Minas Gerais (MG), sendo tombado,

em 1950, pelo Instituto do Patrimônio Histórico

Nacional (IPHAN).

Referência no espaço urbano histórico, o

Mercado Velho é uma landmark, ícone por sua

característica arquitetônica, cuja localização

propiciou a formação do centro urbano e sua

função socioeconômica para a população local.

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O Mercado Velho, no século XIX, sempre mui-

to utilizado, favoreceu o dinamismo urbano. O

edifício foi construído para ser de residência do

Tenente Joaquim Casimiro Lages; serviu, no

entanto, também, como rancho, conhecido como

“Intendência dos Lages” para os tropeiros que

precisavam descansar, realizar trocas comerciais

e abastecer suas tropas de cavalos ou mulas.

Esse local, antigo entreposto, passou a atrair

tropeiros e mineradores que estavam de passa-

gem e outros moradores do município ou arre-

dores, tornando-se referência regional desde

tempos passados.

Figura 3 – Mercado Velho de Diamantina.

Fonte: Renata Salgado Rayel, julho de 2010.

Considerada como outra destacada

landmark arquitetônica, o Passadiço da Glória

evidenciou-se como um símbolo das

construções barrocas de Diamantina,

especialmente na época em que a cidade se

preparava para a conquista do título de

Patrimônio Cultural da Humanidade, em 1999,

pela UNESCO, unindo interesses

governamentais aos sentimentos topofílicos da

comunidade local.

O Passadiço da Glória ficou cristalizado

como marco paisagístico urbano, transformado

em cartão-postal pelos seus significados e fun-

cionalidades distintos de outros símbolos arqui-

tetônicos das cidades barrocas mineiras. A cam-

panha publicitária para tombamento como Pa-

trimônio Cultural da Humanidade foi responsá-

vel por consolidar a imagem do Passadiço da

Glória como recorte da arquitetura diamantinen-

se, utilizado como fator de inspiração para os

visitantes conhecerem a cidade de Diamantina e,

assim, promover o turismo local.

Figura 4 – Passadiço da Glória.

Fonte: Renata Salgado Rayel, julho de 2010.

Observa-se que a religiosidade se consoli-

dou em Minas Gerais e continua viva nos mora-

dores de Diamantina, principalmente nos mais

idosos, que prezam pelos seus espaços sagrados,

impregnados pela espiritualidade, de valoriza-

ção ao patrimônio eclesiástico, desde as pare-

des, afrescos e adornos, até às imagens de peças

sacras. As igrejas, antes de exercerem o papel de

atrativo turístico, representam um lugar sagrado

para a realização das práticas religiosas do cato-

licismo romano, onde os fiéis demonstram e

vivenciam sua fé, servindo também de espaço

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de convívio social durante a realização dos en-

contros comunitários.

Figura 5 – Igreja de Nossa Senhora do Carmo.

Fonte: Renata Salgado Rayel, fevereiro de 2011.

A Casa de Chica da Silva (figura 6) apa-

rece também como referência em Diamantina,

por ter se transformado em atrativo turístico,

alterando seu valor de uso e função, de residên-

cia para escritório do IPHAN e museu. Assim,

passou a emergir como elemento da atividade

turística, contribuindo, ainda, para a salvaguarda

da memória diamantinense. Entretanto, observa-

se uma valorização exacerbada da história de

vida de Francisca da Silva, conhecida como

Chica da Silva, convertendo-a em um ícone da

cultura local. Sua história é capaz de movimen-

tar pessoas interessadas em desvendar os misté-

rios vividos pela ex-escrava, a “Rainha Negra

do Tijuco”. Uma mulher negra que chocou a

sociedade da época por adotar costumes restri-

tos às mulheres brancas e, ainda, por viver um

romance com o importante Desembargador e

contratador de diamantes, João Fernandes de

Oliveira.

Figura 6 – Interior do Museu - Casa da Chica da Silva.

Fonte: Renata Salgado Rayel, julho de 2010.

Na figura do Ex-Presidente do país, Jus-

celino Kubitschek de Oliveira, conhecido por

JK, temos outra personalidade diamantinense

destacada no cenário nacional. Por vontade e

pedido do próprio Juscelino, sua antiga casa

(figura 7) foi transformada em museu inaugura-

do em 12 de setembro de 1985, e mantido em

funcionamento até os dias de hoje, para preser-

var sua memória: a de um cidadão diamantinen-

se que amava suas origens.

Figura 7 – Casa de Juscelino, Museu JK.

Fonte: Renata Salgado Rayel, julho de 2010.

Atualmente, o museu Casa de Juscelino

tem como função principal, mostrar um pouco

de sua infância e trajetória política, com a inten-

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ção de resguardar a imagem emblemática, a

memória social e os ideais do ex-Presidente

Juscelino Kubistchek de Oliveira, falecido em

22 de agosto de 1976, em um acidente rodoviá-

rio.

Ainda no inventário dos atrativos turísti-

cos, no campo imaterial, o Carnaval em Dia-

mantina foi, ao longo dos anos, tomando dimen-

são maior, tornando-se um dos mais conhecidos

do Brasil, além de gerador de um dos maiores

fluxos de visitantes da região do Alto Vale do

Jequitinhonha. É festa popular tradicional de

caráter turístico, muito valorizada pelos brasilei-

ros, ao misturar a criatividade e a alegria dos

foliões nas apresentações de blocos carnavales-

cos caricatos, tais como Rato Seco (Figura 8),

Sapo Seco, Chega Chegando. Cabe lembrar, que

alguns desses blocos têm mais de 80 anos, sen-

do esses compostos por crianças, jovens e adul-

tos. As batucadas e repiques dos grupos de sam-

ba oficiais diamantinense como Bartucada e

Bat-caverna, contagiamos os participantes com

suas percussões.

Figura 8 - Bloco Rato Seco.

Fonte: Divulgação/Prefeitura de Diamantina, 2010.

Outro evento tradicional é a Vesperata

(figura 9) resgatado de antigos e tradicionais

encontros musicais dos finais de tardes diaman-

tinense, acompanhados do chá das cinco, num

cenário de luz crepuscular. Com a chegada da

luz elétrica, no início do século anterior, em

1910, as retretas idealizadas pelo Maestro Pirur-

uca, falecido em 1895, e realizadas pela Banda

de Música do 3º Batalhão da Polícia Militar,

passaram a se apresentar à noite, nas sacadas

dos casarões, em volta do largo da Quitanda,

sob a regência de outros maestros. As apresen-

tações ocorreram até 31 de dezembro de 1966,

com a execução da peça La Mezza Notte.

(FERNANDES, 2007).

Figura 9 - Noite de Vesperata, 2007.

Fonte: Maria Luar Mendes de Souza.

Para comemorar o lançamento do Pro-

grama Nacional de Turismo Cultural do Minis-

tério da Cultura, em 1997, com vistas ao título

de Patrimônio Cultural da Humanidade, houve a

recuperação dessa tradição musical, com os mú-

sicos das Bandas Mirins “Prefeito Antônio de

Carvalho Cruz” e do 3º Batalhão da Polícia Mi-

litar, transformando-se em produto turístico,

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pôde atrais muitos visitantes para conhecer a

musicalidade diamantinense.

Evento criado em 2001, o Café no Beco

(figura 10) também é considerado produto turís-

tico cultural de Diamantina. Seu principal obje-

tivo é o de movimentar e alegrar as manhãs de

domingo, com a apresentação de músicos seres-

teiros. Percebe-se maior interação da população

local com os visitantes, nos momentos de canto-

rias, quando os músicos seresteiros permitem

que turistas toquem os instrumentos junto com

eles, cantem ou, mesmo, quando tiram as moças

para dançar, como é o caso do Sr. Hélio.

Os seresteiros tocam em um dos becos

mais conhecidos e pitorescos da cidade – Beco

da Tecla – que se estende para o Largo da Qui-

tanda, cujo nome recorda o passado das negras

forras que ali vendiam seus quitutes. Dos tem-

pos pretéritos para o presente, voltam a esse

local as quituteiras, vendendo bolos, biscoitos,

pães caseiros, pão de queijo, acompanhados do

tradicional café e chá servidos por Lena e João,

proprietários da loja Canastra e idealizadores do

Café no Beco. Como atrativo cultural, também

há a presença de artesãos, que comercializam os

seus produtos artesanais em mesas dispostas em

uma das entradas do Beco junto ao Largo da

Quitanda.

O Café no Beco é um exemplo de apro-

priação do espaço vivido diamantinense, da arte

exposta na rua, da expressividade da cultura

local, da identidade popular, para que a comuni-

dade e visitantes possam celebrar unidos mo-

mentos de lazer. Esses são indícios que auxiliam

no fortalecimento da formação da cultura imate-

rial, que recentemente tem sido descoberto e

valorado no mercado turístico, assim denomina-

do, turismo de experiência.

Figura 10 – Café no Beco da Tecla.

Fonte: Renata Salgado Rayel, fevereiro de 2011.

Nesse contexto, observa-se que os

cenários turísticos de Diamantina, representados

pelas imagens de suas paisagens culturais,

derivam, principalmente, dos elementos

histórico-culturais característicos do lugar, mas,

geralmente, moldados de acordo com os

interesses de construção da identidade turística

local, em uma visão dos aspectos que precedem

na atração de turistas, geração de valores dos

atrativos turísticos e formação de estereótipos

culturais para serem comercializados como

produtos do turismo. Desse modo, as paisagens

urbanas de Diamantina despertam motivações

nas diversas dimensões do imaginário dos

visitantes, ao conhecerem essa localidade que

remete a um retorno ao passado barroco, às

vivências imbuídas da hospitalidade mineira, o

contato com a cultura popular ao mesclar

momentos de lazer e prazer, evidenciados

mediante a proteção de seus cenários estéticos e

valorização cultural.

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Os lugares e as paisagens turísticos não

se constroem de forma espontânea, mas são

percebidos, interpretados, valorados e

deliberadamente construídos, principalmente

para o visitante considerado seu consumidor, de

modo tal que proporcionem o desfrutar dos

espaços naturais e culturais, da oferta de

equipamentos de lazer, e por convertê-los em

um bem “mercantilizável”.

3. A SUBJETIVIDADE NA VALORAÇÃOAMBIENTAL E TURÍSTICA

Os procedimentos metodológicos adota-

dos neste estudo foram de caráter exploratório,

investigativo, fundamentados na pesquisa quali-

tativa, segundo González Rey (2010) e partici-

pativa, conforme Brandão (1985), buscando um

aprofundamento na compreensão sobre a reali-

dade em análise, por parte do pesquisador ou

sujeito cognoscente.

A pesquisa qualitativa emergiu do “estu-

do científico da subjetividade” sob a necessida-

de de “conhecer os fenômenos psicológicos

compreendidos na esfera mental e permeados

nos diversos campos das ciências, de acordo

com González Rey (2010, p. 98). Contudo, as

análises obtidas das visitas de campo na cidade

de Diamantina resultaram de um trabalho de

pesquisa que utilizou dois parâmetros, a obser-

vação do patrimônio histórico-cultural aliado às

consultas de gabinetes. Em segunda instância,

foram analisadas sob a ótica dos saberes subje-

tivos, as informações de residentes considerados

representativos no conjunto da comunidade di-

amantinense, sobre a temática de valoração pa-

trimonial pelo uso turístico.

A perspectiva do turismo, analisada de

forma racional direciona a valoração dos lugares

turísticos. O crescimento e o desenvolvimento

da atividade turística têm se fundamentado na

lógica de valor de mercado e, por sua vez, as

paisagens naturais e culturais são transformadas

em mercadoria. Nesta contextualização, Lacoste

(1977) apud Bley (1990) sugere que “a paisa-

gem não é somente um valor estético, simbóli-

co, um procedimento de valoração ideológico,

mas, também, um valor de mercado. A paisa-

gem que se consagra por sua beleza, geralmente

desperta a especulação imobiliária, porém ou-

tras formas paisagísticas consideradas não tão

belas podem ser transformadas, modificadas,

realçadas por arquitetos e paisagistas, no intuito

de destacar a aparência estética e valorar eco-

nomicamente o ambiente construído, exercendo

a função catalisadora do turismo.

A teoria “subjetiva” do valor, base da te-

oria neoclássica, defende o valor do meio ambi-

ente pela apreciação de sua utilidade de consu-

mo dos recursos naturais e de contemplação

desses recursos, principalmente ao ser humano.

(VIVIEN, 2011). Esse autor afirma que a valo-

ração ambiental é o “conjunto de serviços ambi-

entais assegurados gratuitamente pelo ecossis-

tema e pela biosfera, permitindo a constituição e

a manutenção de um meio vital”, de acordo com

Vivien (2011, p. 23).

No entanto, Sêroa da Motta (2006) defi-

ne o valor econômico ambiental como sendo o

somatório dos valores de uso, de opção e de

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existência. Para o autor, o valor de uso é aquele

atribuído pelas pessoas que despendem um va-

lor monetário para usufruir dos recursos ambi-

entais do ambiente físico. No caso do turismo,

pode-se considerar o valor de uso como usufru-

to de um bem natural ou um bem cultural, como

a visitação de um museu. O valor de opção é

atribuído à Natureza, conservação de uso futuro

ao inverso do uso presente, como por exemplo,

o investimento financeiro destinado a uma área

pertencente à Unidade de Conservação ou Insti-

tuição Cultural. O valor de existência representa

o valor monetário atribuído à existência dos

recursos ambientais que têm um valor “em si”

por existir e beneficiar – independente do seu

uso atual e futuro – as gerações humanas.

O valor utilitário de um recurso ambien-

tal como, por exemplo, a paisagem turística,

“será maior ou menor, quanto maior ou menor

for a necessidade que ela puder satisfazer”, “em

termos de utilidade a paisagem tem valor recrea-

tivo. Esse valor é atribuído pelo grau em que ela

é usufruída pelos moradores e visitantes”

(BLEY, 1990, p. 200-201). Quanto maior sua

utilidade, maior será seu valor econômico, ava-

liado sob uma visão quantitativa e qualitativa.

Há uma preocupação por parte dos estu-

diosos, em verificar os reais interesses da valo-

ração de um ambiente e de seus bens ou recur-

sos, transformados em atributos turísticos, para

que não se explorem somente os fins econômi-

cos, sem levar em consideração a intenção de

conservar os valores socioculturais da localida-

de. De acordo com Mota (2001), o estudo sobre

valoração ambiental é relevante, uma vez que os

recursos ambientais não têm preço estimado no

mercado convencional. Os ativos da natureza ou

culturais necessitam ser avaliados de modo ho-

lístico e sistêmico, e não simplesmente como

uma forma de apropriação como uma mercado-

ria disponível no mercado.

Dessa maneira, o valor da paisagem é

uma questão complexa que vai além dos

interesses monetários, pois, segundo Lemos

(2005, p. 28), “o processo de valorização é a

esfera que captura em que medida o turismo

contribui para o crescimento e o

desenvolvimento econômico e social”.

Os homens “em todos os atos e ante

todos os fatos, define, analisa, aceita ou rejeita,

isto é, realiza uma valoração. Essa valoração é

uma apreciação de valores, um juízo de valor”

Bley (1996, p. 18). Por essa afirmação, percebe-

se a relevância da subjetividade nas questões

sobre a valoração individual e coletiva

concernentes à paisagem observada e vivida,

levando em consideração os valores éticos e

morais.

De acordo com Lemos (2005) o valor tu-

rístico é criado, mensurável por meio de um

conjunto de elementos que o formam como sis-

tema organizado, baseado na dinâmica de pro-

dução e consumo de bens e serviços ambientais.

Pode resultar das relações sociais e subjetivas

entre visitante-visitado, da possibilidade de tro-

ca de experiências, de conhecimentos, incorpo-

rando a cultura do outro, como forma de adqui-

rir outros saberes, ressignificar suas vidas, ine-

rente a uma convivência harmônica e enrique-

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cedora cultural e ambientalmente. (RAYEL,

2011)

As paisagens valoradas incentivam o de-

senvolvimento do turismo em um universo de

simbologia, de representações arquitetônicas,

artísticas e humanas acerca das pré-concepções,

percepções de imagens e valores de significado

cultural. Essa atividade ou fenômeno socioeco-

nômico induz ao plano real, objetivo, ao poten-

cializar a diversidade dos atrativos e valorá-los

para o plano virtual, do imaginário, do subjetivo

que pode ou não coincidir totalmente com a

realidade dos lugares turísticos, conforme colo-

ca Coriollano (2003).

Diante dessas considerações, observa-

mos neste artigo que o processo de valoração

ambiental em Diamantina iniciou-se com o

tombamento de áreas relevantes à preservação

patrimonial cultural e natural, sob legislação de

âmbito municipal, estadual, federal e internaci-

onal, como instrumento orientador das políticas

públicas que favorecem a organização das áreas

protegidas em face aos diversos usos pela co-

munidade. Deste modo, o valor de uso do pa-

trimônio cultural tem recebido maior atenção

desde a obtenção do título de Patrimônio Cultu-

ral da Humanidade pela UNESCO. Levando,

assim, aumentar consideravelmente o fluxo tu-

rístico, colocando Diamantina no cenário inter-

nacional do turismo cultural.

Neste sentido, foi observado que as pai-

sagens protegidas de Diamantina vêm adquirin-

do um valor ambiental maior, tanto subjetiva

como objetivamente, ao se definirem como des-

tino turístico cultural e de ecoturismo. As paisa-

gens diamantinenses são veiculadas na mídia,

em uma proposta mercadológica de valoração

dos atrativos turísticos, que são considerados

elementos promotores do desenvolvimento so-

cioeconômico local e regional, ao reafirmarem a

relevância dos atrativos turísticos pertencentes

aos roteiros turísticos da Estrada Real, do Cir-

cuito dos Diamantes e Circuito Vale do Jequiti-

nhonha. (RAYEL, 2011).

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Coordenadoria de Turismo de Dia-

mantina, conforme entrevistas realizadas no ano

de 2011, reconhece os diversos segmentos de

turismo e o seu papel no desenvolvimento soci-

oeconômico local. Há, porém, a necessidade de

coordenar e integrar ações que devem ser im-

plementadas no sentido de sensibilizar, envolver

a comunidade local, principalmente no que tan-

ge à relevância dos sítios protegidos e as neces-

sidades de apropriação embasadas na conserva-

ção e preservação ambiental. Isso porque, é a

partir do reconhecimento da cidade em que vive

e do aguçar o sentimento de pertencimento, que

o cidadão poderá contribuir para a difusão de

melhores práticas de inclusão comunitária nas

ações patrimoniais e turísticas. (RAYEL, 2011).

Entretanto, quando os recursos naturais e

culturais recebem a tutela como bens

patrimoniais do Estado, com intuito de

salvaguardar a sua integridade contra a perda da

originalidade ou a destruição da memória de um

povo, estes se evidenciarão como patrimônios

ambientais protegidos. Isso ocorre, para

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preservar o legado de um lugar ou de um país,

mesmo quando revelados e explorados pelas

atividades turísticas. Se uma área é decretada

como de preservação ou conservação, também

são criados os instrumentos de gestão pública

que buscam regulamentar a exploração do

patrimônio paisagístico, tornando-se necessário

saber se as atividades econômicas, como o tu-

rismo, estão fazendo jus aos princípios éticos de

uma valoração pró-ambiental.

Contudo, Rayel (2011) pontuou algumas

proposições como sugestões para atuação da

Secretaria Municipal de Cultura, Turismo e Pa-

trimônio de Diamantina, de acordo com o estu-

do realizado, as quais, por sua vez, poderão ofe-

recer subsídios às políticas públicas que não

somente favoreçam a seleção das áreas protegi-

das, em face ao uso turístico pela comunidade,

mas que, também, promovam a sua inclusão de

todos (comunidade e visitante) na atividade tu-

rística. Deste modo, consideramos importantes

as seguintes recomendações:

 Potencializar outros ativos locais, a partir da criação de novos atrativos turísticos e de

roteiros culturais com ênfase lúdica e

educativa, buscando aliar a pluralidade

cultural encontrada no artesanato, na

gastronomia, na música, na religiosidade e

nas festas populares, e no patrimônio natural

e construído.

 Valorizar os saberes e fazeres populares que estão subutilizados no cenário do turismo

local e regional, integrando o patrimônio

humano vivo nos roteiros turísticos, com

intuito de valorizar o conhecimento cultural

baseado nos princípios de educação e

inclusão social para o desenvolvimento

sustentável;

 Difundir efetivamente ações e programas educativos sobre o patrimônio ambiental

diamantinense para despertar atitudes e

comportamentos pró-ambientais e éticos da

população local e dos visitantes, de modo a

estimular a percepção dos valores

socioculturais e a participação na conserva-

ção da identidade local.

As propostas apresentadas neste artigo,

de acordo com Rayel (2011), buscam uma visão

integrada para a prática do autêntico turismo

cultural, a partir do foco educacional embasado

no desenvolvimento local e regional. O turismo

como um fenômeno socioeconômico e cultural é

um indutor do desenvolvimento local em escala

de efeito multiplicador, uma vez que estimula a

geração de oportunidades empreendedoras. Ao

dinamizar as relações sociais, potencializa a

capacidade humana de prover melhorias nos

níveis de qualidade ambiental e de vida para as

suas comunidades, por meio da participação

ativa nas ações de interesse coletivo.

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i i Texto elaborado a partir da monografia de conclusão de

Especialização em Interpretação e Valoração de

Paisagens, junto ao IGCE-UNESP, da primeira autora.

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