Parte II livro "Fio das Missangas", Esquemas de Literatura. Liceo classico Dante Alighieri
Lucianna19984
Lucianna1998410 de setembro de 2015

Parte II livro "Fio das Missangas", Esquemas de Literatura. Liceo classico Dante Alighieri

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A INFINITA FIADEIRA

Narrado em terceira, o conto nos apresenta a história de uma aranha estranha à sua

espécie, pois fiava e fiava sem dar uso ao fio que tecia. Em resposta, ela dizia não fazer teias

por instinto, fazia-as por arte. Os pais, preocupados com o estranho comportamento, procuram

orientá-la a admitir os desígnios naturais à espécie, mas esbarram na decidida forma dela se

fazer distinta daqueles a quem deveria parecer.

Tentam dobra-la à força, arquitetando situações que nela despertassem aquilo que

entendia-se ser o natural comportamento, mas ela mantinha-se, estranhamente, diferente no

portar-se. A família leva o caso, então, ao Deus dos bichos, que instado a agir, transfigura a

jovem aranha em humana criatura.

Já transformada, a aranha conversa com os humanos e descobre não haver, entre

eles, quem faça arte. Os últimos que ainda demonstravam possuir o estranho comportamento

foram transformados em aranha, o que responde à questão do estranho comportamento da

nossa protagonista, certamente uma aranha de estranhos modos por ter sido, em outra vida e

forma, uma humana criatura. A cíclica situação fica construída, com indefinido princípio: a

aranha artista, transformada em humana criatura, apresentou ao mundo humano a arte ou a

humana criatura, transformada em aracnídeo ser, inseriu no mundo das teias a arte de tecer?

2.15- ENTRADA NO CÉU

Narrado em primeira pessoa por um negro que demonstra dúvida na catequese,

arguindo Padre Bento, que recrimina os questionamentos do inquieto fiel. Resta claro que a

incerteza acerca da sua entrada no paraíso, angustia e incomoda o narrador. Ele então se

entrega à recordação de uma noite do seu passado. Um baile no Ferroviário (clube) e a certeza

da presença da mulata Margarida, por quem ele era apaixonado, o fez tentar a entrada que,

pela sua condição, julgava ser impossível. O sofrimento que o martirizava era tanto que o levou

à desesperada ação: “Porque o que acontece, caro excelentíssimo Padre, é que eu estou

morrendo, escoando em sangue, por vontade do meu desviver. Vê este punhal? Não foi

com ele que me golpeei. Há muito que pego na faca não pelo cabo, mas pela navalha. De

tanto segurar em lâmina, minhas mãos já cortam sozinhas. Eu dispenso instrumento

para decepar. Aliás, o senhor conhece esta minha deficiência, estes dedos que não me

obedecem, esta minha mão que não é minha, como se ela concedesse gesto apenas à

minha alma já morta. Se me matei, desta vez, foi por acutilância de meus dedos.”

Ele conta que no Baile, ao ver Margarida deixar cair um copo, recolheu todos os cacos

na mão, auxiliando-a, imaginando diminuir o constrangimento da amada pelo acidente. Foi

quando um segurança, instado pelos brancos doutores, apertou-lhe a mão com tanta força e

vigor que os cacos cortaram tudo o que havia ali de cortável. Expulso do baile e gravemente

ferido, não foi a dor, entretanto, que mais lhe machucou, mas sim a frieza e o distanciamento

de Margarida, que a tudo assistiu complacente. Agora, morto, ele imagina o baile no qual a

reencontrará: “Agora que pouco me resta, meu peito já não escuta senão a música desse

baile onde a mulata Margarida me aguarda, braços estendidos a dar razão ao meu adiado

viver. Estou entrando no salão de dança e, desculpe o contradito desrespeitoso, já não

tenho força de mais falar. Só o desfazer dessa sua certeza: a vida, sim, tem segunda via.

Se o amor, arrependido de não ter amado, assim o quiser.”

2.16- O MENDIGO SEXTA-FEIRA JOGANDO DO MUNDIAL

Narrado em primeira pessoa pelo protagonista que afirma ser conhecido como SextaFeira,

o conto principia com a referência às constantes idas dele ao hospital, deixando claro

que mais a companhia dos doentes o estimula que qualquer outra coisa. Sozinho e carente de

presença e amizade, as idas ao hospital se transformavam em oportunidades para entabular

relações e aproximar-se das pessoas que ali estivessem. Ele afirma, porém, que desta vez o

motivo era grave. Ele de fato se machucara. Uma pancada na altura do ombro, ocorrida

enquanto ele e outros indigentes, reunidos, assistiam a uma partida do campeonato mundial de

futebol, diante de uma loja de Tvs do Dubai Shopping.

Sexta-Feira afirma ao Doutor que o dono da loja, preocupado com a possibilidade dos

mendigos ali presentes espantarem a freguesia, deu ordens À força policial para que

retirassem dali todos.

A narrativa é articulada na forma de uma interlocução do narrador com o doutor: “O

Dono da loja me ameaçou que, caso eu insistisse, então é que seria um festival de

porrada. O que eu lhe peço, doutor, é que intervenha por mim, por nós os espectadores

do passeio da Avenida Direita. O proprietário do Dubai shopping não vai dizer que não,

se for um pedido vindo de si, doutor.”

Saindo do hospital, o narrador retorna ao ponto de encontro dos mendigos, julgando ter

sido atendido pelo doutor, ao ver o seu lugar reservado entre os que ali já se encontravam.

Solta a imaginação, ele imagina que a turma que o envolve atua com ele no próprio mundial,

defendendo algum selecionado. Ele, de posse da bola e carregando-a ofensivamente rumo à

vitória é alvejado por um golpe agressivo, pouco depois por mais outro, sendo revelado, no

final, o que verdadeiramente ocorria: “Afinal, o vermelho é do cartão ou será o meu próprio

sangue? Não há duvida: necessito de assistência, lesionado sem fingimento.

Suspendessem o jogo, expulsassem o agressor das quatro linhas. Surpresa minha- o

próprio árbitro é quem me passa a agredir. Nesse momento, me assalta a sensação de

um despertar como se eu saísse da televisão para o passeio. Ainda vejo a matraca do

polícia descendo sobre a minha cabeça. Então, as luzes do estádio se apagam”.

Não é difícil ver a intenção crítica da narrativa, indicando a força do pode econômico do

dono da loja e a impotência do narrador e dos outros mendigos, vítimas do abismo que os

separa daqueles que visitam o Dubai Shopping com poder de compra, sempre solicitamente

tratados.

2.17- MARIA PEDRA NO CRUZAR DOS CAMINHOS

Narrado em terceira pessoa, o conto principia informando o leitor que certa vez, 27 de

Dezembro, com 22 anos e virgem, Maria da Pedra quedou-se deitada em um cruzamento na

estrada à espera de algum que a possuísse: “E assim ficou cinco dias e cinco noites,

destapada e oferecia até que um vizinho a trouxe inanimada. Depositou o corpo à porta

de casa, ali onde a praça se enche de luz, avistosa de todos, redonda como a vozearia da

aldeia”.

Dúvidas e controvérsias acerca de ter sido ou não possuída Maria da Pedra enquanto

ficou na estrada tomaram conta das conversas de todos dali. Mesmo a família não estava

certa de ter ou não havido algo, ficando à espera de uma gravidez que confirmasse o fato ou

da passagem do tempo a desfazer tal expectativa. De Maria, que por certo poderia desfazer

todo o mistério, nenhuma palavra saía, encerrada em inabalável mutismo.

No último dia de Setembro, Maria fez com panos na cintura um ventre de grávida e

rumou para o mesmo lugar de meses antes. Avisada a mãe, e temerosa ela de um novo

ataque ela segue ao encontro da filha: “Alisava o ventre que engordara, fruto das

preocupações que a filha lhe trouxera. O que ela sofrera, naqueles nove meses de

angústia! E como se ganhasse mais decisão repetiu: Vou lá antes que seja tarde.”

Surge uma primeira referência ao pai de Maria, que inválido e preso a uma cadeira de

rodas, maldiz a vida e parece se entregar à bebida. Surge também a figura de um vizinho, que

à primeira vista cuida do inválido como de um amigo. Chegando ao encontro da filha, a mãe

tenta em vão convencê-la a voltar para casa. Elas se engalfinham e se debatem com violência:

“Houve rasgo e unha: já sangue escorria pelas pernas da mãe. Foi quando se descortinou, por

entre o emaranhado das roupas, o corpo de um menino, recém-nado. E o choro inaugural de

um novo habitante. A mãe ficou aninchando o recém-recente no ofegante ventre. As duas

deitadas, lado a lado, alongaram um silêncio.

- Esse filho é seu, Maria Pedra!

- Sossegue, mãe. Eu digo que é meu.”

A mãe atribui à filha o filho. Esta o assume e diz que dirá que ele é seu. A questão se a

mãe insolitamente engravida ou se traia o marido parece resolver-se no sentido da traição, em

função da presença do vizinho em casa e da referência ao olhar que ambos trocam quando a

mãe sai à procura da filha.

2.18- O NOVO PADRE

Narrado em terceira pessoa, o texto apresenta a realidade de uma colônia em

Moçambique, administrada e conduzida pela vontade imperiosa do engenheiro Ludmilo

Gomes, que logo ao entrar na Igreja foi informado, pelo secretário Olinto Machado, que um

novo padre havia chegado ao local. A nova presença em nada perturbou o engenheiro,

acostumado às idas e vindas de religiosos àquele paradeiro, onde nenhum permanecia,

deixando intacta a sua autoridade.

O engenheiro vê, com estranhamento, a movimentação de negros no bairro dos

brancos, arrastando um canhão que estava posicionado próximo da igreja, mas não imagina,

vendo a cena, que algo inoportuno estava sendo engendrado: “O engenheiro ainda hesitou

em tomar as contramedidas. Atrasado que estava, optou por fazer isso mais tarde.

Obediência do negro que vale se é sempre falsa? Esse era o suspiro do colono. Em

África tudo é outra coisa: a mansa crueldade do leopardo, a lenta fulminância do mamba,

o eternamente súbito poente. E isto era o que se dava a ver, junto ao benzido espaço da

vila. O que dizer desses iletrados matos, terras que nunca viram cruz nem luz?

Já dentro da igreja, satisfeito por só haver brancos nela, Ludmilo deixou exposta a

língua longos instantes, à espera de uma hóstia que o secretário informou ter acabado. Após

ser informado que a farinha havia sido desviada para outros fins e que dali em diante as

hóstias seriam produzidas à base de farinha de mandioca, o engenheiro foi até o padre, que

estava no confessionário. Ludmilo narra uma ocorrência, na qual pecara seguindo uma negra e

invadindo sua cubata para possuí-la: “Essas pretas, não sei o que têm. A gente, de um

lado, tem-lhes asco, sabe-se lá se estão lavadas, que doenças nelas se escondem. Por

outro lado, os corpos delas saltam da natureza e agarram-nos pelos... entende padre?”

Seguindo no relato, Ludmilo diz que, enquanto se debatia com a negra resistente à

pecaminosa situação, o irmão dela invadiu a cabana e começou a agredi-la, indignado com o

fato ela criar conflito com a autoridade. Assustado, o engenheiro atingiu o invasor, que morreu,

dizem, em decorrência do golpe. Após pedir perdão, o engenheiro ou viu do Padre que não se

precisava se penitenciar, pois estava absolvido, ouvido e perdoado pelo próprio demônio.

Só ao ver o novo Padre sair do confessionário Ludmilo teve noção do que ocorria. O

padre era negro, como aqueles que ele oprimia.

“Como se fosse vindo de um outro tempo, escutou o ranger das rodas do canhão. E

depois, ouviu pés descalços cruzando os passeios do bairro branco. Em seguida, o

silêncio. Ludmilo ainda sorriu. Seria um sorriso? Se o silêncio é sempre um engano: o

falso repetir do nada em nenhum lugar. E em África tudo é sempre outra coisa.”

O novo Padre estimulou, se não organizou, a revolta que materializa o desejo de

liberdade e a rejeição à opressão representada por Ludmilo.

2.19- O PEIXE E O HOMEM

Construído sobre uma relação intertextual com o famoso Sermão de Santo Antônio aos

Peixes, do Padre Antônio Vieira, o conto é narrado em primeira pessoa e apresenta a estranha

história de Jossinaldo, um vizinho do narrador, que levava sempre a passear um peixe preso a

uma trela.

Certo dia, o inusitado bate à porta do narrador, com o vizinho pedindo-lhe que

conduzisse ao parque o peixe, pois uma doença o impediria de fazê-lo. Após uma referência

feita ao sermão de Vieira, por meio da qual ocorre uma crítica ao comportamento dos homens,

o narrador nos conta que caminhou junto ao vizinho, levando a passear o peixe, em um

primeiro contato com o trajeto e o animal, como que em aprendizado. Em sua direção, o

narrador via todos os olhares, estranhados com o fato de vê-o andando na companhia do

proscrito vizinho e seu estranho hábito.

Jossinaldo conversa com o peixe, instruindo-o a bem se conduzir na companhia do

novo condutor, na nova e, aos olhos dos outros, estranha situação: “Sou eu quem agora, pela

luz das tardes, passeia o peixe do lago. À mesma hora, uma misteriosa força me impele

para cumprir aquela missão, para além da razão, por cima de toda a vergonha. E me

chegam as palavras do vizinho Jossinaldo, ciciadas no leito em que desfalecia: Não

existe terra, existem mares que estão vazios.”

O texto aborda a questão do olhar julgador do outro, revelando, por meio da vivência

do narrador, que é possível viver e fazer algo como normal, mesmo que o olhar do outro veja

ali uma anormalidade, uma estranheza. Indiferente aos olhares e julgamentos, Jossinaldo fazia

o que julgava dever fazer, coisa que o narrador, antes um dos julgadores, também passa a

fazer.

2.20- A CARTA DE RONALDINHO

O conto, narrado em terceira pessoa, conta a história de Filipão Timóteo, velho

frequentador do bar da Munhava e apaixonado por futebol. Quem passasse pelo local poderia

ver Filipão pulando e gritando em comemoração ao gol de sua equipe, fazendo cair dos

ouvidos o aparelho que lhe livrava da surdez e revelando o único e resistente dente que insistia

em permanecer na boca já quase totalmente vazia.

Os que frequentavam o mesmo bar sabiam não haver ali TV alguma, apenas o

desenho na parede, feito pelo próprio Filipão: “O que havia na parede era um desenho de

um ecrã rabiscado a carvão. Filipão desenhara o televisor com detalhe de engenheiro. E

ali estavam compostos com perfeição os botões, a antena, os fios. Pobre não festeja por

causa da alegria. A alegria é que nele se instala e faz a festa ter casa e causa.”

Sem aviso ou previsão chegaram da cidade os filhos de Filipão, dizendo não quererem

o pai tão sozinho ali. O velho resiste em sair, justamente agora que já se iniciava o campeonato

mundial, com o qual ele colaborava com instruções técnicas. Percebendo que argumentos da

realidade não surtiam efeito, os filhos decidem apelar para a mesma lógica que fazia sentido

para o velho. O filho entrega ao pai uma carta pela qual o pai era convocado pela Federação

Nacional de Futebol a seguir par a cidade para descanso merecido, em função dos grandes

serviços prestados ao selecionado nacional.

Mas o velho Filipão resiste em sua tranquila loucura, negando valor à carta entregue

pelo filho e apresentando outra, na qual constava um selo do Brasil e era assinada por

Ronaldinho Gaúcho.

O conto mostra o caráter positivo da imaginação, muitas vezes confundida com a

loucura, e mesmo quando loucura é, não compromete a realidade à sua volta, trazendo

somente a alegria e a realização a seu portador. Filipão em nada prejudica a tudo e a todos

que o cercam, realizando-se com sua imaginação.

2.21- O DONO DO CÃO DO HOMEM

O narrador protagonista do conto nos conta, em tom de lamento, ter sido abandonado

pelo seu cão. O narrador se diz comum, um qualquer, enquanto seu cão desfilava nobre

ascendência, importante pedigree. Dispensando ao animal tratamento superior ao dispensado

aos próprios filhos, o narrador nos reporta o estranho modo como as pessoas passaram a

tratá-lo.

Quem com ele se encontra faz perguntas e tece comentários que o colocam na posição

de guiado, tomando o cão como o guia, Perguntam se ele, o narrador, morde, como se fosse

ele o cão. Para evitar o constrangimento da situação, ele passa a levar o cão à noite para seus

habituais passeios.

As coisas, no entanto, não ocorrem como planejado, e na primeira noite de passeio, o

cão morde um gato. Mas a culpa pelo ocorrido recai sobre o narrador, a quem as pessoas

perguntam se era vacinado. Cansado de ser confundido como cão, ele decide abandonara

casa e viver na praça: “Feliz, me alojei em toca bruta, numa arrecadação vaga no jardim

público. Desfrutando autêntica vida de cão. Ali me deitavam uns restos. Às vezes, com

mais sorte, uns doggy-bags. Saudoso da minha pessoal existência de pessoa? É que

pensar já nem era verbo para mim. Homem que ladra não morde, eu ladrava e a caravana

passava.”

Em tom claramente irônico, o narrador diz que seu cão, chamado Bonifácio, o vê na

praça e demonstra incontida alegria trazendo uma trela à boca, com ao indicar que o narrador

outra vez o conduzisse pelos caminhos. As pessoas, encantadas com a cena, comentam o

quanto é esperto, referindo-se não ao cão, mas ao homem, como se fosse ele o animal em

cena. Mais frustrado ainda com o tratamento a ele dispensado, o narrador decide permanecer

em sua canídea condição, trocando pulgas com os outros quadrúpedes que com ele dividiam a

grama do parque.

Podemos ler no conto a ironia na referência à relação entre os homens e seus animais

domésticos, muitas vezes tão dedicada e carinhosa que quase chega a inverter os papéis entre

o humano e o animal. A reflexão pode ser estendida à diferença do tratamento dispensado aos

animais e a muitos humanos, não no sentido de tratarmos de pior forma os primeiros, mas de

dispensarmos melhores maneiras aos últimos.

2.22- OS MACHOS LACRIMOSOS

Narrada em terceira pessoa, a obra relata rotina em um bar de Matakuane, marcada

pelas risadas e pela desconstrução dos vários homens que ali se encontravam. O clima de

festa, de descontração e de gargalhadas é quebrado quando, em uma noite, Luizinho KapaKapa,

conhecido animador dos encontros, chega desenrolando uma história cuja tristeza o leva

às lágrimas, o que o impede de concluí-la. Para espanto de todos, o choro copioso persiste e

ninguém sabe exatamente o que acarreta tanto sofrimento.

De um a outro, as mergulhara, desde a inconclusa história de Luizinho: “E foi

sucedendo uma e outra noite. Uma e outra rodada de tristeza. Os baristas de Matakuane

foram deixando a piada e o riso. E passaram a partilhar lamentos, soluços e lágrimas.” E

o choro altera os hábitos. Bebe-se menos, volta-se mais cedo para casa, deixando no passado

a trajetória de longos encontros no bar.

E não somente no bar alterou-se a rotina, mas também nas casas: “As mulheres até

recearam ao ver tanta mudança: seus homens, inexplicavelmente, se revelavam mais

delicados e atenciosos. E palavras, flores, carinhos: tudo isso elas passaram a receber.”

O final, reflexivo, aponta a naturalidade do choro na nova rotina de Matakuane, com a lágrima a

recordar-nos nossa essência de água.

2.23- O RIO DAS QUATRO LUZES

O conto é narrado em terceira pessoa até o último parágrafo, quando uma voz em tom

pessoal faz referência à história contada como sendo a origem do nome do rio defronte ao qual

ele mora.

Um menino, vendo passar um cortejo fúnebre, diz à mãe que deseja ir em um caixão.

Após ser repreendido por ela ele segue externando a estranha vontade, mas logo percebe a

angústia brotando nas feições maternas e cala seu propósito. O pai procura o filho à noite para

uma conversa, informado pela mãe acerca da estranha conversa do dia.

“Que valia ser criança se lhe faltava a infância? Este mundo não estava para meninices.

Porque nos fazem com esta idade, tão pequenos, se a vida aparece sempre adiada para

outras idades, outras vidas? Deviam-nos fazer já graúdos, ensinados a sonhar com

conta medida. Mesmo o pai passava a vida louvando a sua infância, seu tempo de

maravilhas. Se foi para lhe roubar a fonte desse tempo, porque razão o deixaram beber

dessa água?”

Em busca de alguém que talvez lhe compreendesse o menino visitou o avô, que na

ânsia por aliviar a angústia do garoto prometeu-lhe que iria antes dele conversar com Deus em

pessoa para trocar de lugar com o neto. Daí em diante o menino passou a visitar o avô

constantemente, sempre perguntando se estava tudo bem e se ele não se esquecia de sempre

lembrar a Deus o que fora combinado. Enquanto a espera se prolongava o menino acabou

descobrindo prazeres que lhe eram olvidados: “O menino, sem saber, se iniciava nos

amplia territórios da infância. Na companhia do avô, o moço se criançava, convertido em

menino. A voz antiga era o pátio onde ele se adornava de folguedos. E assim sendo.”

Certa tarde o avô veio à casa do menino, mandou que ele saísse e conversou com seus pais,

dizendo-lhes que deviam se aproximar mais da realidade do menino, alcançar a sua estatura,

criançar com ele: “criancice é como amor, não se desempenha sozinha. Faltava aos pais

serem filhos, juntarem-se miúdos com o miúdo.”

Pouco após dizê-lo o velho passa mal e, acompanhado pelos pais do menino, retorna

à sua casa. Chegando a tempo de olhar o rio, ver e dizer que seu fluxo se invertera, fechando

as pálpebras logo após, não sem antes murmurar na orelha de seu filho: “Diga a meu neto

que eu menti. Nunca fiz pedido nenhum a nenhum Deus.”

No exato instante em que se fechavam os olhos do avô faltava luz também aos olhos

do neto, dando origem ao nome que o rio carrega: o rio das quatro luzes.

Com claro desfecho insólito em razão da súbita e inexplicável morte do garoto, exceção

feita à possibilidade de o pedido do avô ter sido de fato feito a Deus, a trama está centrada na

reflexão acerca da necessidade de viver a infância, tanto nela quanto retornando a ela na

condição de pais, oportunidade de retorno à menina condição.

2.24- O CAÇADOR DE AUSÊNCIAS

Narrado em primeira pessoa, o narrador principia antecipando fato que corresponde a

ponto avançado da história, mas em reflexão metalinguística ele se corrige e resolve narrar do

princípio dos fatos.

O narrador, tentando receber uma dívida que há tempos se arrastava, foi à casa do

compadre Vasco Além-Disso, que devia ao narrador e a muitos outros e não ameaçava pagar.

Vasco era casado com Florinha, uma linda moça com quem o narrador já tivera um

relacionamento. Chegando ao destino, um menino atende o visitante informando-o que Vasco

e a mulher se mudaram para lugar incerto, de certo somente a distância, que era muita. O

menino diz que Florinha havia fugido de casa, dando início a uma desesperada busca de

Vasco.

O narrador diz ter sentido que era seguido, talvez por alguém que soubesse do seu

intento de resgatar uma dívida e, ansioso por roubá-lo em meio à solidão do mato, o

acompanhasse de perto. Repentinamente o bandoleiro salta sobre ele e, quando já se

avizinhava o destino fatal, um leopardo saltou sobre o criminoso e ouviu-se um tiro: “E eis que

um leopardo se subitou entre os ramos das árvores. E soou o disparo, tangenciando o

instante. Tombei no meio da gritaria. Que se passara? O bandido, tomado de susto,

disparou em seu próprio corpo. Tudo se passou em fração de um “oh” e, no rebuliço,

ainda acreditei ver um dedo maiúsculo voando, avulsamente pelo ar. Mas eu já me

desencadeara dali, correndo tanto que os quilômetros se juntaram às léguas. Em pulos e

tropeços, a distância me foi escudando.”

Passando a noite e a madrugada no meio do mato, oprimido pelo medo, o narrador diz

ter amanhecido. Ele despertou com outro susto. O leopardo focinhava o seu rosto em

intimidade de animal doméstico, o que lhe permitiu olhar os olhos da felina criatura. Não sem

espanto ele reconhece neles os olhos de Florinha.

“E mesmo debaixo de tontura entreguei meu rosto, meu pescoço ao afago. Tanto que

não senti nem dente, nem sangue. Os outros dizem que foi milagre o bicho não

consumar em mim sua matadora vocação. Só eu guardo meus secretos motivos.”

Fica-se com a interpretação de todos, segundo a qual um milagre salvara o narrador do

ataque fatal, ou admite-se que Florinha, sumida no mato, se transformou em um leopardo e,

tanto o salvou do bandoleiro quanto acarinhou-o na manhã seguinte, poupando-o da morte.

2.25- ENTERRO TELEVISIVO

Narrado em terceira pessoa, conta a história de Estrelua uma avó que no enterro do

marido, o avô Sicrano, pede uma televisão. Segundo ela, a televisão que possuíam havia sido

enterrada junto ao falecido. A antena deveria ser montada presa à lápide, enquanto o corpo do

avô enterrado mais junto à superfície, para que os sinais fossem capturados mais

satisfatoriamente.

A avó começa a procurar, em meio aos que presenciaram o velório e o enterro,

personagens das novelas, causando indignação nos filhos, que embora ali presentes, em

compungida condição, eram solenemente ignorados.

“Aquela noite, ainda viram a avó Estrelua atravessar o escuro da noite para se sentar

sobre a campa de Sicrano. Deu um jeito na antena como que a orientá-la rumo à lua.

Depois passou o dedo pelos olhos a roubar uma lágrima. Passou essa aguinha pela

tampa da panela como se repuxasse brilho. De si para si murmurou: é para captar

melhor. Ninguém a escutou, porém, quando se inclinou sobre a terra e disse baixinho:

Hoje é você a ligar, Sicrano. Você ligue que eu já vou adormecendo.”

O conto apresenta nítida referência ao grau de conexão existente entre muitas pessoas

e a televisão, essa que passa a fazer parte, quando não de solitariamente constituir, o

imaginário dessas pessoas. Antecedendo o texto há uma citação, sob a forma de epígrafe,

dizendo: Uns olham para a televisão. Outros olham pela televisão. O que corrobora a tese

da influência, às vezes grande, às vezes total, da TV sobre o indivíduo.

2.26- A AVÓ, A CIDADE E O SEMÁFORO

O narrador do conto, manifestando-se em primeira pessoa, comunica a avó, com quem

vive, que irá à cidade, mas ela não consegue admitir que ela fique em uma casa sem um dono,

ou seja, um hotel. São muitas as preocupações dela acerca da estranha habitação, como quem

seria o responsável pela comida: “Cozinhar é um ato privado e arriscado acto. No alimento

se coloca ternura ou ódio. Na panela se verte tempero ou veneno. Quem assegurava a

pureza da peneira e do pilão? Como podia eu deixar essa tarefa, tão íntima, ficar em mão

anônima? Nem pensar, nunca tal se viu, sujeitar-se a um cozinhador de quem nem o

rosto se conhece.”

A avó parece representar uma visão mais conservadora e antiga da realidade, centrada

em valores mais pessoais e domésticos, de um tempo em que tudo tinha um rosto e uma

identidade que se responsabilizavam por fazer e atender, algo distinto da impessoalidade e

institucionalização contemporâneas. Deveras preocupada com a condição que o neto

encontraria, a avó decide e o comunica que irá com ele à cidade.

A avó causa um rebuliço na chegada ao hotel, com as inúmeras galinhas vivas que

trazia consigo, para certificar-se da procedência da carne que consumiriam. Vai até a cozinha e

só volta de lá após, com um sorriso no rosto, verificar que o cozinheiro é da mesma região que

eles.

O neto se angustia quando um dia, após chegar ao quarto, não encontrando ali a avó

vai achá-la, após intensa busca, em uma esquina próxima aos mendigos. Mais surpresa

quando, chegado o tempo do regresso à aldeia, a avó comunica o desejo de ficar ali na cidade.

Passado um tempo, o narrador recebe uma encomenda na qual havia, além de umas notas

velhas de dinheiro, uma carta, na qual a avó solicitava uma visita: “... agora, neto, durmo aqui

perto do semáforo. Faz-me bem aquelas luzinhas, amarelas, vermelhas. Quando fecho os

olhos até parece que escuto a fogueira, crepitando em nosso velho quintal...”.

A narrativa mostra o quanto a avó Ndzima rapidamente adaptou-se aos modos e

características da cidade, contra os quais ela tinha tantas reservas, indicando o poder de

resiliência e adaptação inerente a nós, humanos.

2.27- O MENINO QUE ESCREVIA VERSOS

Narrado em terceira pessoa, este conto apresenta a história de um menino que

abismou a família com o estranho hábito de escrever versos. A prática era de tal forma

estranha aos costumes da família, que o espanto os fez levar o garoto a um médico. O pai do

garoto era um mecânico de automóveis e seus olhos nunca alcançaram as páginas de um livro.

Seu maior e talvez único elogio à esposa foi dizer que ela cheirava a óleo castrol.

A grande preocupação do pai era com a possibilidade dos versos apontarem para o

que o narrador traduz como “mariquice intelectual”. Já nos primeiros contatos, devido às

respostas do menino às perguntas que fizera, o médico julgou tratar-se de caso psiquiátrico.

“A mãe, em desespero, pediu clemência. O doutor que desse ao menos uma vista pelo

caderninho dos versos. A ver se ali catava o motivo de tão grave distúrbio. Contrafeito, o

médico aceitou e guardou o manuscrito na gaveta. A mãe que viesse na próxima

semana. E trouxesse o paciente.”

Na semana seguinte, o médico insiste em dizer à mãe que o caso do garoto era

gravíssimo, mas agora demonstrando interesse em relação à escrita do menino, chegando a

perguntar-lhe se havia mais versos como os que deixara a mãe. À negativa da mãe em relação

à internação do menino, em razão dos altos custos a que não poderia fazer frente, o médico

contrapõe com a iniciativa de assumir os custos tratando ali mesmo o caso: “Que ele mesmo

assumiria as despesas. E que seria ali mesmo, na sua clínica, que o menino seria sujeito

a devido tratamento. E assim se procedeu. Hoje quem visita o consultório raramente

encontra o médico. Manhãs e tardes ele se senta num recanto do quarto onde está

internado o menino. Quem passa pode escutar a voz pausada do filho do mecânico que

vai lendo, verso a verso, o seu próprio coração. E o médico, abreviando silêncios: - Não

pare, meu filho. Continue lendo...”.

Fica clara a intenção de Mia Couto em valorizar a poesia e a sensibilidade em um

tempo seco e árido. A começar pelo espanto e consequente rejeição à excessiva sensibilidade

do garoto e o seu sem lugar, tanto na família quanto no mundo. A atitude do médico, de fingir

tratar do garoto somente para tê-lo consigo, reforça a tese da necessidade de lirismo e

emoção, de sensibilidade e sentimento em um mundo ressequido e de relações necrosadas

pelo utilitarismo.

2.28- UMA QUESTÃO DE HONRA

Narrado em terceira pessoa, o conto apresenta uma sólida rotina de encontros entre

dois senhores aposentados, Quintério Luca e Esmerado Fabão, no bar da vila. Jogavam

damas e trocavam ironias que levavam às gargalhadas. Quando o jogo não terminava antes do

fechamento do bar eles ali deixavam o tabuleiro e as peças, guardando na memória posições e

quantidades para o retorno no dia seguinte.

Tudo seguia assim até o dia em que as peças apareceram inexplicavelmente em

posição distinta, favoráveis a Esmerado Fabão. Após longa e tensa discussão os dois decidem

levar a questão ao juiz. Após ouvir o relato o juiz responde ser possível, devido aos fenômenos

paranormais, que as peças se apresentassem em distinto lugar sem que qualquer dois

interviesse. Fabão demonstrou alívio, enquanto Quintério não engolia a paranormal explicação:

“E separaram-se, cada um conforme sua solidão. Quintério Luca deitou-se em seu

quarto, calado, mal digerido. Para ele, aquilo tinha sido um irrevogável rasgão. Já não

lhe apetecia voltar ao bar, não lhe apetecia viver. Em sua consciência não havia reverso:

confiança manchada, amizade desmanchada.”

Incomodado com a dúvida, Quintério saiu ainda altas horas e foi de roupão bater à

porta do juiz. Sua pergunta ainda era a mesma de antes, já que aquela dúvida o consumia:

enganara-o ou não Esmerado Fabião? Mais uma vez o juiz deu-lhe uma evasiva resposta,

envolta em filosofismos e apuros linguísticos que nada resolviam ou respondiam ao que lhe

fora perguntado.

Porque, afinal, nunca tinha sido às damas que eles jogavam. O que faziam,

repartidamente, era distraírem a espera do fim. E o compadre Fabião era a quem

confiava sua única e última riqueza: gordas lembranças, magras confidências.”

O juiz percebe, espantado, que Quintério trazia consigo uma espingarda. Seu recuo

antecedeu a pergunta do visitante:

- Se eu matar Esmerado Fabião terei desculpa de sua excelência?

- Não. Terei que o culpar.

- Então, com a devida desculpa, acho que tenho que matar primeiro o senhor doutor juiz.

Certamente nervoso, Quintério erra o alvo. Seu corpo recebe o disparo efetuado pelo

guarda-costas do juiz, que surge de trás da casa, tombando já sem vida. Após esse dia, Fabião

voltava todos os dias ao bar e sentava diante da cadeira vazia, repetindo ser a vez do

compadre jogar.

O texto é, sem dúvida, uma bela narrativa sobre a irreversibilidade da perda de

confiança e o doloroso vazio da ausência.

2.29- PEIXE PARA EULÁLIA

Após anos sem chuva, assolados por uma seca inclemente, habitantes de Nkulumadzi

pedem parecer a um tal Sinhorito, figura incapaz de resolver qualquer questão, andarilho que

todos desqualificavam: “Sinhorito era conhecido por não ter sabedoria de nada. Única

especialidade que dele se dizia: seus olhos seriam portáteis, de tirar e aplicar.”

A única dali que acreditava no que Sinhorito dizia era Eulália, funcionária dos correios.

Quanto mais perguntam a Sinhorito, mais frases em resposta ele dá. Seus ditos soam risíveis,

mas permitem leitura que neles veja ótimas e profundas reflexões. Seu papel pode ser,

também, o de salvar todos da loucura, com a sua. Sinhorito diz que talvez a chuva esteja

caindo do lado de lá do céu, razão pela qual não pingava aqui. Eulália continuava a crer nos

seus ditos.

Com a persistência da seca tudo começa a minguar. Pássaros, plantas e até Eulália,

que emagrecia a olhos vistos. Informado do estado da moça ele reúne a aldeia e informa seu

projeto de tornar-se pescador, para que não mais faltassem peixes nas panelas. Inquirido em

que águas ele navegaria seu barco, Sinhorito responde que pescará nas águas do lado de lá

do céu.

Para espanto de todos, que reunidos assistiram à partida de Sinhorito, seu barco,

inclinado para o alto, ganhou altura e rumou na direção das nuvens. Após o estranho

fenômeno, todos voltaram às suas casas, menos Eulália, que permaneceu de olhos fitos no

alto, esperando um sinal do audaz navegante. Como ele demorava a voltar, a espera de

Eulália começou a incomodar seus familiares, que tratam de impedir que ela continue a esperar

pela louca criatura.

Mas, por dentro, ela arrumara segredo: construiria um barco, ao modo que Sinhorito

fizera. Foi juntando pau e tábua, às escondidas.

Seu plano, no entanto, foi descoberto. Tudo Foi queimado como se com as chamas se

fizesse desaparecer a loucura de que a julgavam tomada.Certo dia ela entra alvoroçada na

cozinha dizendo ter caído duas chuvinhas do céu.

Riram-se. Como se chovem só duas unidades, gotas de contar por dedos de camaleão?

A mulher insistiu, gritou, empurrou. Já todos na varanda, apontou entre os capins os

dois olhos de Sinhorito. Haviam caído do céu como dois frutos de carne. E estavam

esbugalhados, espantados com coisa vista lá de onde tombaram.

Antes que Eulália pudesse alcançar os olhos em cuja busca se lançou, relampejos e

chuva rasgaram o céu, fazendo despencar embaixo a água que por tanto tempo ficara

represada.

É esta história que, agora, Eulália conta quando, na aldeia, os outros lhe pedem para

falar do dia que choveu peixe. E riem-se do pasmo e espasmo. Com a fartura de quem

sabe da magreza de suas vidas. Vale não haver escassez de loucos. Uns seguindo-se

aos outros, em rosário. Como contas de missanga, alinhadas no fio da descrença.

O texto faz uma bela reflexão acerca da utilidade do louco e da loucura como

contraponto à estreita racionalidade. O louco é escape e expurgo, é também expiação. Como

em tantas outras obras e autores, a loucura é vista positivamente, como um espaço para o

sonho, para o contrassenso, para que nos libertemos da opressão dos conceitos, dos

paradigmas e das definições.

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