PATOLOGIAS DAS FUNDAÇÕES, Dissertações de Mestrado de Engenharia Civil. Universidade Paulista (UniP)
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PATOLOGIAS DAS FUNDAÇÕES, Dissertações de Mestrado de Engenharia Civil. Universidade Paulista (UniP)

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Numerosos sinistros em edifícios têm por origem uma deficiência de fundações. O Autor redigiu este artigo depois de ter compilada os relatórios que foram estabelecidos, no decurso de vistorias, pelo Serviço de Patologia ...
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ANNALES DE L’INSTITUT TECHNIQUE DU BATIMENT ET DES TRAVAUX PUBLICS

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ANNALES DE L’INSTITUT TECHNIQUE DU BATIMENT ET DES TRAVAUX PUBLICS

Nº 280 ABRIL 1971, SÉRIE : OBRAS DE ESTRUTURA, Nº 8

CRÓNICAS DO BUREAU SECURITAS E DA SOCOTEC

PATOLOGIAS DAS FUNDAÇÕES

FUNDAÇÕES SUPERFICIAIS

FUNDAÇÕES PROFUNDAS

por

Louis LOGEAIS Engenheiro de Artes e Manufacturas Secretário Geral do Bureau Securitas Relator da Comissão «Fundações»

INSTITUT TECHNIQUE DU BATIMENT ET DES TRAVAUX PUBLIQUES

tradução de António de Borja Araújo Engenheiro Civil, IST

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RESUMO

Numerosos sinistros em edifícios têm por origem uma deficiência de fundações. O Autor redigiu este artigo depois de ter compilada os relatórios que foram estabelecidos, no decurso de vistorias, pelo Serviço de Patologia do BUREAU SECURITAS e da SOCOTEC. A primeira parte é consagrada às fundações superficiais. Depois de ter classificado os sinistros em famílias e indicado as percentagens de desordens imputáveis a cada família, o Autor passa em revista cada categoria de sinistros (fundações sobre aterros insuficientemente assentes, modificações das características do terreno por infiltrações de água, fundações heterogéneas, etc.) ilustrando cada caso com exemplos reais, e tentando deles retirar ensinamentos. A segunda parte trata do problema das fundações profundas. Redigida no mesmo espírito e abundantemente ilustrada, aborda sucessivamente os sinistros imputáveis a uma ausência de reconhecimento prévio ou a um desconhecimento das leis da Mecânica dos Solos (atrito negativo, impulsos laterais), e ainda as desordens devidas a defeitos de construção. A conclusão chama a atenção sobre a necessidade, para os responsáveis por obras, de assegurarem, na fase do projecto prévio, a colaboração de técnicos competentes.

Palavras chave : Desordem. Fundação superficial. Fundação profunda. Patologia. Estudo. Execução.

As teses e o método de exposição adoptados pelos autores podem, por vezes, ferir certos pontos de vista habitualmente admitidos. Mas deve ser compreendido que essas teses, a propósito das quais o Institut Technique não saberia tomar partido, não visam em nada as pessoas ou os princípios das Instituições.

A presente crónica foi redigida depois do exame de cerca de 1200 relatórios de

sinistros recenseados durante vistorias técnicas pelo Serviço de Patologia do Bureau Securitas e da Socotec. Pensamos portanto termos uma ideia bem completa de todas as desordens imputáveis às fundações.

Percorrendo este estudo, o leitor terá talvez a impressão que todos os sinistros

resultam de culpas inadmissíveis que ele mesmo nunca teria cometido. Todavia, que fique prevenido : existem desordens nas quais não se pensa nunca na altura de concepção dos projectos; mesmo se essas desordens são consequência lógica de disposições defeituosas, as relações de causa – efeito não são imediatas, ou parecem pouco prováveis à primeira vista, e é sempre fácil, recuando no tempo, criticar disposições que não pareceriam curiais se tivéssemos estado no lugar do Projectista, na época em que o edifício apenas existia sob a forma de planos.

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FUNDAÇÕES SUPERFICIAIS

1. AS PRINCIPAIS CAUSAS DE SINISTROS Ainda que, em geral, uma desordem imputável às fundações não tenha uma só causa única, tentamos classificar os sinistros em fundações num certo número de famílias. Três causas predominam : elas representam, só por si, perto de dois terços de todas as desordens registadas, e ficam aqui enumeradas.

• Cerca de um sinistro em cada quatro é causado por aterros insuficientemente assentes, quer se trate de aterros recentes ou mal compactados, quer o assentamento tenha sido acelerado por uma presença sazonal ou acidental de água.

As presenças de água não apresentam consequências catastróficas somente para os aterros : muitos terrenos, e em particular os terrenos argilosos, vêem as suas características profundamente modificadas pela água, que provoca ainda um sinistro em cada cinco.

• Um por cinco, é igualmente a proporção das desordens imputáveis às fundações heterogéneas, quer o terreno não apresente as mesmas características em todo o volume afectado, quer as fundações tenham sido realizadas a níveis diferentes, sem precauções especiais, quer tenham sido utilizados diversos tipos de fundação, sob uma mesma obra, ainda então sem precauções especiais (não é de excluir, com efeito, poder-se recorrer a diversos tipos de fundação diferentes para suportar diversas partes de um mesmo edifício).

Ao lado destas três causas predominantes, outras encontram-se frequentemente. Citaremos estas quatro :

A edificação de um novo edifício provoca, frequentemente, perturbações nas

construções adjacentes e mais que um sinistro em cada dez pode ser atribuído ao assentamento provocado pela nova obra.

Se o terreno de fundação é muito compressível, numerosas desordens (10% do total) são devidas ao facto de que a construção é incapaz de poder, quer seja resistir, quer seja adaptar-se, sem danos, aos assentamentos diferenciais que daí resultam.

• Num caso em cada dez, as fundações foram levadas a uma profundidade insuficiente, o que as torna sensíveis à acção do gelo ou ao desenterramento pelas águas (sem contar com os exemplos, menos raros que se possa pensar, em que estas fundações pararam sobre a terra vegetal).

• Enfim, um sinistro em cada doze, é devido ao facto de se ter construído sobre solo instável, quer se trate de galerias de minas ou de pedreiras não consolidadas, quer seja a inclinação do terreno a provocar um escorregamento do conjunto.

Vamos agora estudar sucessivamente as diversas causas dos sinistros.

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2. FUNDAÇÕES SOBRE ATERRO

Todas as pessoas sabem que os aterros assentam. E no entanto, muitas edificações são anualmente edificadas sobre aterros sem que haja a preocupação de se tomar as precauções elementares.

Certos aterros são particularmente perigosos :

o Os aterros recentes o Os aterros de espessura variável o Os aterros sobre terrenos compressíveis ou instáveis.

ATERROS RECENTES

Mesmo se foram compactados por

camadas regulares, na altura da sua execução, os aterros não adquiriram o seu assentamento definitivo e, naturalmente, assentam. Podem ser citados numerosos exemplos de desordens provocadas pela construção de obras sobre aterro; mencionaremos apenas alguns entre os mais característicos.

Este imóvel (fig. 1), construído em

1955, incluía dois corpos juntos : uma construção com doze níveis e uma construção com dois níveis. Durante os trabalhos de construção, manifestou-se um assentamento da construção mais baixa; a vistoria revelou que este tinha sido fundado em parte sobre aterro.

Fig. 1 – A construção baixa estava parcialmente

edificada sobre aterro A figura 2 mostra-nos uma importante fissura que apareceu na fachada de um pavilhão.

Aí, também, todas as condições mais desfavoráveis estavam reunidas : o terreno de fundação do pavilhão era constituído por aterros recentes e de qualidade medíocre, pois tratava-se de materiais que tinham servido para preencher uma antiga saibreira. A espessura deste aterro atingia 10 m nalguns pontos. É certo que a obra a construir só comportava um nível, e, à falta de outro terreno, não era talvez inconcebível fundar um pavilhão sobre um solo tão compressível e heterogéneo, mas na condição de se prever um sistema de fundações muito rígido, e uma superestrutura fortemente cintada. Ora a obra em questão foi fundada sobre simples caboucos em betão ciclópico não armado. As cintagens eram, por assim dizer, inexistentes. Este sistema não apresentava, portanto, nenhuma rigidez relativamente aos assentamentos diferenciais; o seguimento veio confirmá-lo. Foi necessário, antes de preencher as fissuras, consolidar a construção, executando trabalhos em galeria cujo preço foi considerável em relação ao que teriam custado, à partida, fundações bem concebidas.

5

Fig. 2 – Fissura, atingindo 6 cm, nas

paredes de um pavilhão fundado sobre aterro

Um terceiro exemplo mostra o risco que se

corre ao edificar-se, com vários anos de intervalo, dois edifícios lado-a-lado, sobre um aterro insuficientemente consolidado : há uma dezena de anos, numa cidade do Sueste, iniciou-se a construção de um imóvel sobre um aterro de 3 a 4 m de espessura, com cerca de dez anos de execução. Dois anos mais tarde, encarou-se a edificação de um pavilhão no terreno vizinho e, depois de acordo entre os dois proprietários, decidiu-se que a empena do antigo imóvel passaria a ser comum e serviria de apoio aos pavimentos da construção nova. Para se ter em conta o acréscimo de cargas, a sapata dessa empena foi alargada por recalçamento, executado por troços. Pouco tempo depois da construção do pavilhão, apareceram fissuras no edifício antigo, na junção entre a empena comum e as paredes perpendiculares (fig.3).

Neste caso, sob a acção das cargas

transmitidas pelas fundações do edifício antigo, o aterro tinha realizado grande parte do seu assentamento. As novas cargas devidas ao pavilhão provocaram, apesar do cuidado em se executar o recalçamento, um assentamento suplementar sob as fundações da empena comum, onde a fissuração foi constatada.

Fig. 3 – Fundações sobre aterro : apareceram fissuras após a

construção de um pavilhão vizinho Estes dois exemplos mostram bem, caso fosse necessário, que a amplitude dos

assentamentos não tem nenhuma relação com o que se chama de taxa de trabalho do solo.

ATERROS DE ESPESSURA VARIÁVEL

Todos os aterros, já dissemos, assenta, e todas as pessoas aceitam que quanto maior é a espessura do aterro, mais importante será o assentamento. Se tivermos que construir sobre aterros de espessura variável, devemos considerar que os assentamentos diferenciais não são negligenciáveis. Teremos que estudar não somente a rigidez da obra a construir, mas ainda a estabilidade do conjunto, se não quisermos encontrar-nos em face de uma desventura análoga à que sucedeu na Torre de Pisa (fig. 4).

6

Fig. 4 – Exemplo de fundação sobre terreno compressível : a Torre de Pisa

Fig. 5 – Inclinação adquirida por um prédio fundado

sobre aterros (fossos das muralhas de uma cidade)

Foram situações destas,

ilustradas pela fig. 5, que sucederam há uma dúzia de anos numa cidade do centro de França. O edifício em questão tinha quatro níveis e a sua altura total era próxima dos 14 m. O terreno de fundação era constituído por um aterro argiloso de espessura importante, bastante antigo, pois tratava-se do entulhamento dos fossos das antigas muralhas da cidade. Infelizmente, as sondagens, que apesar de tudo tinham sido efectuadas m fase de estudos, não permitiram decifrar que se estava nas bordaduras dos fossos, quer dizer numa zona onde a espessura dos aterros varia rapidamente.

Sabendo que estavam a

construir sobre aterro, os construtores tomaram – ou pelo menos acreditaram ter tomado – todas as precauções necessárias : a soleira prevista exercia sobre o solo uma tensão «razoável», as paredes da cave foram bem rigidifica fissurou... mas começou rapidamente a desviar-se da vertical. Este desvio era já de 24 cm (em 14 m) no fim dos trabalhos. A inclinação continuou a acentuar-se, se bem que as autoridades municipais tenham feito um embargo por risco. Os proprietários foram condenados a demolir o seu prédio, cuja inclinação atingia já 79 cm no último dia da sua existência. Deve-se, para já, notar que mesmo no fim da sua vida o prédio não estava desorganizado : tinha-se inclinado em conjunto. Graças ao seu monolitismo, as técnicas actuais teriam, certamente, permitido recuperá-lo...

das, e a estrutura foi bem cintada. O edifício não

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ATERROS REALIZADOS SOBRE UM TERRENO COMPRESSÍVEL OU INSTÁVEL

É um facto que, nos nossos dias, somos levados a construir , sobretudo na vizinhança das cidades, em terrenos que estavam desprezados, até então, pela sua pouca aptidão para receber construções. É o caso particular de numerosas zonas industriais situadas em antigos terrenos alagadiços ou na planície aluvionar dos cursos de água. Para proteger o terreno contra as inundações e para o entregar uma plataforma conveniente aos utilizadores, foi-se levado a aterrar com espessuras por vezes importantes. Frequentemente, é verdade, este aterros foram feitos com grande cuidado, muito bem compactados com meios poderosos. Não deixa de ser, apesar disso, extremamente perigoso construir-se edifícios de uma certa importância sobre esses aterros. Vamos examinar dois casos particularmente típicos. Aterro sobre terreno compressível Se o terreno natural é constituído por materiais muito compressíveis (turfas, vasas moles, argilas com forte teor de água, etc.), é totalmente desaconselhado sobrecarregá-los com aterros cuja influência só pode aumentar a amplitude dos assentamentos. A título indicativo, 2 m de aterro exercem uma pressão superior a 30 000 Pa, ainda que frequentemente, não se hesitasse a admitir esta carga para certos terrenos compressíveis. Iremos descrever em pormenor, no capítulo das fundações heterogéneas, um sinistro extremamente importante que afectou, há cerca de quinze anos, um pavilhão desportivo no Sudoeste. Em resumo, se nos terrenos muito compressíveis, a fraca importância das obras a construir não justificar fundações profundas, é necessário encontrar-se um modo de fundação que sobrecarregue ao mínimo o terreno, e evitar colocar-se aterros importantes, que são já, por si sós, compressíveis e que, por outro lado, trazem ao terreno um acréscimo de cargas geradoras de assentamento. Voltaremos a esta questão no capítulo das fundações sobre terreno compressível. Aterro sobre terrenos inclinados Os aterro sobre terrenos inclinados apresentam graves inconvenientes; citaremos os dois principais :

• Como, muitas vezes, o papel do aterro é o de permitir a realização de uma plataforma horizontal, esse aterro tem uma espessura variável e são, portanto, de temer assentamentos diferenciais se se utilizarem esses aterros como base para fundações;

• Se não for previsto nenhum dreno a montante, e sobretudo se não se tiver previamente decapado o terreno natural, as águas superficiais infiltram-se no aterro e podem, quer seja provocar o seu assentamento ou o seu escorregamento em conjunto, quer seja mesmo perturbar o terreno natural, que pode, assim, tornar-se instável.

Este caso está ilustrado pelo exemplo seguinte (fig. 6, 7, 9 e 10), que consta de um

escorregamento progressivo seguido de ruína por derrubamento de um simples telheiro de escola de piso único, edificado, na sua maior parte, sobre aterro.

O terreno natural, inclinado, era constituído por margas cinzentas muito compactas,

cuja camada superior estava um pouco remexida. O aterro que deveria permitir obter-se uma plataforma horizontal, tinha uma espessura variável de 0 a perto de 3 m (fig. 8).

Como o telheiro era uma obra ligeira, os construtores não consideraram necessário

descer as fundações até um terreno não remexido; as sapatas dos pilares foram, portanto, fundadas sobre aterro. No ponto mais alto, pelo contrário, algumas foram ancoradas na marga.

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Fig. 6 , 7, 9 e 10 – Estas ilustrações mostram a fissuração, e depois o

afundamento de um telheiro de escola fundado sobre aterros de espessura variável Após um muito prolongado período de chuva, abriram-se fendas no terreno e na laje do

telheiro. A princípio limitadas a 4 ou 5 cm, estas fendas aumentaram com a chuva; o deslocamento horizontal, rapidamente, atingiu os 30 cm. E o aterro assentou 80 cm, o que provocou a ruína do telheiro.

Fig. 7 O sinistro fui logo atribuído ao assentamento e ao escorregamento do aterro, em

consequência das chuvas; mas uma peritagem, acompanhada de sondagens em profundidade, mostrou que onde o escorregamento se verificou foi nas camadas superiores da marga,

9

plastificadas pela humidade que as chuvas mantiveram no aterro, e cuja importante carga favoreceu o escorregamento do terreno natural.

Recreio

ALÇADO DA EMPENA POENTE

ALÇADO DA EMPENA NASCENTE

Aterro

Fig. 8 – Cortes

verticais mostrando o terreno de fundação

do telheiro A ancoragem das sapatas de fundação na camada de marga, a uma profundidade

suficiente para se resguardarem da plastificação, teria permitido evitar-se a ruína do telheiro; a estabilidade do aterro, pelo contrário, só poderia ter sido assegurada pela dupla condição de se prever, a montante, um dreno, para evacuar as águas superficiais, e, sobre a plataforma, um revestimento suficientemente estanque, para impedir a infiltração das águas da chuva.

Fig. 9

CONCLUSÃO

À luz dos exemplos precedentes, podemos constatar que o facto de se executar uma edificação, por muito ligeira que seja, sobre um aterro recente arrisca sempre provocar desordens, qualquer que seja o cuidado observado na compactação desse aterro. Este, na verdade, só adquire a sua estabilidade definitiva passados alguns anos.

10

Fig

odemos, portanto, concluir que, se a construção sobre aterro pode ser encara

studaremos, no capítulo seguinte, a influência perniciosa das infiltrações de água no terreno

rimeiro porque – e principalmente nos terrenos inclinados – o aterro colocado em redor d

nte, no aterro que são colocadas as canaliza

3. DESORDENS CONSEQUENTES DE INFILTRAÇÕES DE ÁGUA JUNTO DAS

Acabamos de ver que os aterros, mesmo antigos, podem sofrer assentamentos

importa

as a presença da água é igualmente um elemento perturbador em certos terrenos naturais

. 10

P

da sem riscos exagerados em casos bem precisos (aterro homogéneo e de espessura sensivelmente constante, repousando sobre um terreno sólido, construção cujas dimensões horizontais são importantes relativamente à sua altura ...) – e na condição, evidentemente, que seja prevista uma obra suficientemente rigidificada – pelo contrário, devemos desconfiar de todos os outros casos, e em particular dos aterros de espessura desigual, dos aterros sobre camadas muito compressíveis, ou sobre terrenos naturais inclinados. Então, não se deve começar nada sem ser efectuado um estudo aprofundado do problema e sem estar assegurada a estabilidade do conjunto da construção, em função dos previsíveis assentamentos.

E de assentamento das fundações, mas não gostaríamos de concluir este capítulo sem

assinalar que os aterros são muito frequentemente a causa indirecta destas infiltrações : P a edificação, para encher a escavação ao longo das suas fundações, constitui, muito

frequentemente, um dreno natural sem saída, no qual se vêm acumular as águas superficiais, provocando uma alteração no terreno de fundação;

Enfim, e sobretudo, porque é, geralme ções para evacuação das águas pluviais ou domésticas. O assentamento desse aterro

provoca frequentemente a rotura das canalizações ou das suas juntas, a que se seguem fugas de água, tanto mais temíveis quanto é totalmente impossível adivinhà-las, sendo necessário esperar-se pela manifestação de desordens para que se possam detectar.

FUNDAÇÕES

ntes e brutais se forem submetidos à acção acidental da água, e que esta causa fortuita pode provocar desordens graves nos edifícios, fundados sobre aterro, e que até então se tinham comportado bem.

M , e mais particularmente, no caso de solos argilosos. Estes, com efeito, amolecem em

contacto com a água. Daqui resulta, em todos os casos, um acréscimo de assentamentos, portanto aparição de desordens nas construções. Além de que, nos terrenos inclinados, podem-se produzir escorregamentos, como o que atrás descrevemos.

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EXEMPLOS DE DESORDENS OBSERVADAS

amos citar 3 exemplos.

figura 11 mostra uma fissura inclinada, num pavilhão fundado, num terreno inclinado, por me

Fig. 11 – assentamento d

s figuras 12 e 13 mostram uma fracção das desordens que afectara, há pouco mais

de dez

V A io de sapatas contínuas assentes sobre argila. Nenhum dispositivo foi previsto para

afastar as águas de escoamento superficial das fundações. Estas acumularam-se ao longo de um ângulo do pavilhão. Toda a parte correspondente das sapatas assentou, provocando a fissuração das paredes térreas.

o ângulo de um pavilhão sob a

acção das águas de infiltração

Fig. 12 e 13 – Fissuras nas paredes de um grupo escolar fundado sobre um terreno argiloso e inclinado, sem nenhum dispositivo de evacuação das águas pluviais

A anos, um grupo escolar. Não só as paredes interiores, mas igualmente as lajes, foram

atravessadas por fissuras que atingiram os 4 cm. A edificação estava construída sobre um

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terreno argiloso inclinado, e não foi previsto nenhum ramal de escoamento para as águas pluviais, que eram assim rejeitadas ao longo da fachada a jusante. Foram, simultaneamente, um escorregamento e um assentamento do terreno de fundação das fundações, situadas sob esta fachada, que provocaram a fissuração dos pavimentos e das paredes. A construção de cintagens transversais ligando as duas fachadas, situadas sobre as paredes interiores teriam, certamente, diminuído em grande parte a importância das desordens. Faltou prever-se um sistema de escoamento para as águas pluviais e cintar a edificação com travamentos horizontais e verticais.

Terceiro exemplo : foi certamente a um aparecimento acidental de água que se deve

atribuir

moronamento de um armazém para trigo fundado sobre um terreno

Conclui-se que a humidade exerce uma influência perniciosa em grande número de terrenos

a ruína de um armazém de trigo no norte de França (fig. 14). Esta obra comportava um pavimento em betão armado repousando sobre uma quadrícula de pilares espaçados de 3 m, em ambos os sentidos. Estes pilares estavam fundados sobre sapatas isoladas em betão armado, que desciam até cerca de 80 cm abaixo do nível do solo, constituído por argila. É verdade que estas sapatas exerciam sobre o terreno de fundação uma carga bastante importante, mas esta razão não chega para explicar o sinistro. É mais certo que um aparecimento de água tenha deslavado o terreno sob uma sapata, a qual se afundou brutalmente. De pórtico em pórtico, o movimento estendeu-se às sapatas vizinhas, desorganizando o pavimento e produzindo a ruína total da obra.

Fig. 14 – Des

molhado por infiltrações de água

. Há lugar, então, para se tomar um certo número de precauções, sempre que o terreno de fundação apresente risco de ser perturbado pelas águas. Vamos enumerar algumas.

13

PRECAUÇÕ R

Águas de infiltração ou águas de len o

Nos terrenos inclinados, as águas de infiltração vêm naturalmente embater contra o bstácu

O problema é o mesmo se, em lugar das águas de infiltração, estivermos em presença

Da mesma maneira, as águas pluviais escorrem ao longo das fachadas podendo

ES A TOMA

çol freátic o lo que é constituído pela edificação recentemente construída. Estas águas encontram um encaminhamento ideal nos aterros de fraca compacidade – e frequentemente de medíocre qualidade – que acabam de ser executados para preencher as escavações das fundações, escavações cuja dimensão é sempre superior às dimensões da obra. Se não se tomar isto em consideração, as fundações da edificação estarão permanentemente banhadas em água – sem contar que se podem produzir infiltrações no subsolo. É, portanto, indispensável realizar-se, a montante da edificação, um dispositivo destinado a afastar as águas das fundações : este papel é reservada para a rede de drenagens. Não vamos insistir sobre a maneira de se realizar esta drenagem, que remetemos para a literatura especializada (Consultar em particular «L’assèchement des murs» publicado pelo U.T.L., editado pela S.D.T., 9, rue La Pérouse, Paris – 16º). A drenagem deve evacuar, a jusante longe da edificação a proteger, as águas que recolha. de um lençol freático. Pode acontecer que, ao abrir-se a escavação da obra, se atravesse uma camada de terreno na qual circulem águas subterrâneas. Ainda aqui, compete à rede de drenagem impedir estas águas de chegarem junto da edificação. penetrar no solo e molhà-lo. É desejável neste caso, prever-se, em redor da edificação, um pavimento periférico que afaste as águas e as conduza para a drenagem. Águas de aparecimento fortuito

Se é fácil, e relativamente pouco custoso, prever-se uma rede de drenagem que ponha s fund

Vimos atrás que estas roturas aparecem porque as tubagens estão, a maior parte das ezes,

Assentamentos devidos a uma variação do lençol freático

Existe uma outra categoria de sinistros, pouco numerosos mas sempre graves, rovoca

a ações da edificação ao abrigo das águas de infiltração, é bastante mais complexo tomarem-se precauções contra águas consequentes de roturas de tubagens, porque as consequências de tais acidentes não podem ser descobertas senão quando já é demasiado tarde. v assentes sobre um aterro, que assenta. É necessário, portanto, que estas tubagens assentem seja sobre «terreno firme», seja sobre suportes fundados sobre este. E como, apesar de tudo, sempre se podem produzir roturas acidentais, é importante que as canalizações de escoamento das águas pluviais ou domésticas saiam da edificação, o mais depressa possível, perpendicularmente às paredes exteriores que por elas são atravessadas. Não é, portanto, recomendado, que existam canalizações paralelas às fachadas e, sobretudo, colocar-se essas canalizações na própria vala circundante, consequente da construção do edifício. p dos por assentamentos devidos a uma variação do lençol freático. Com efeito, quando ocorra um abaixamento do nível do lençol, a pressão no terreno aumenta, porque a densidade do solo imerso é inferior à do mesmo solo não imerso. Este acréscimo de pressão pode provocar novos assentamentos. Estes são em geral fracos se o terreno abandonado pelas águas for constituído por areias ou saibros compactos, mas pode atingir valores muito importantes se estivermos em presença de uma argila. É bom, portanto, antes de se começar a construção, tomarem-se informações sobre possíveis variações do lençol e, em caso de dúvidas, prever-se uma estrutura suficientemente rígida para poder aceitar, sem excesso de problemas, assentamentos do terreno de fundação.

14

4. FUNDAÇÕES HETEROGÉNEAS

Não é raro que, em construções im ntes, certas partes da obra desçam a ofund

o Edificações muito pesadas com uma fraca capacidade de deformação, portanto

o

Nos dois casos – terreno heterogéneo, modos de fundação diferentes – há uma regra de ouro

Fig. 15 – Planta do pavilhâo desportivo

ratava-se de um pavilhão desportivo constituído por uma casta nave rectangular de 35,00 x 54

conjunto estava coberto por uma estrutura metálica composta por seis arcos de 54 m de vão

porta

pr idades muito diferentes : de facto, o terreno encontrado pode não ser o mesmo em toda a extensão da obra. Temos aqui uma dupla heterogeneidade : a do terreno e a da obra. Por outro lado, pode-se, também, encontrar lado a lado :

necessitando fundações profundas se o terreno superficial for de qualidade medíocre; Edificações muito ligeiras, em que não é rentável fundar em profundidade e que se podem assentar à superfície, tomando-se algumas precauções elementares.

que se deve respeitar : deve ser completa a dessolidarização entre as diversas obras. O desconhecimento desta prescrição deu lugar a alguns sinistros espectaculares. Vamos descrever um que se produziu, há quinze anos, numa cidade do Sudoeste e cujo custo se aproximou dos 100 milhões de francos da época. Este sinistro é rico de ensinamentos, porque mostra que é perigoso construir-se sobre aterro e, ao mesmo tempo, preverem-se, sem juntas, obras fundadas de maneiras diferentes.

PALCO Longarina - tirante

laje

Eixos dos arcos e dos tirantes Tribuna Tribuna

Longarina sob

Tribuna

Longarina

Longarina

f

a fachada

sob a achada

- tirante

T ,00 m, em que três dos seus lados estavam ocupados por tribunas em betão armado, e o

quarto por um grande palco. O , afastados de 7 m e articulados na base (fig. 15).

15

O terreno encontrado era particularmente mau (Fig. 16) : se tomarmos como cota 0,00 o nível do “limpo” da sala, encontramos 12 m de vasa mole, de (–)2,50 a (–)14,50, depois uma mistura de areia e saibro com 4,00 m de espessura, até à cota de (–)18,50. Estes aluviões sobrepunham-se a uma marga mole com 1,60 m; enfim, a marga compacta foi encontrada à cota (–)20,10. A vasa era particularmente instável, pois tinha uma densidade húmida de 1,25 para um teor em água de 70%. Sobre esta vasa, um aterro de 1,50 m de espessura tinha sido executado dois anos antes de ter sido iniciada a construção.

aterro recente

marga compacta

marga mole

areia e saibro

vasa mole

aterro com 2 anos

água

Fig. 16 – Corte do terreno no qual estava fundado o pavilhão desportivo

laje sem juntas

aterro feito durante a obra

estaca

vasa

areia e saibro

marga mole

marga compacta

fundações sobre um aterro recente sobreposto

a uma vasa mole

estacas sem atingirem uma

camada resistente

laje apoiada nas longarinas da fachada

laje

Sapata da tribuna CORTE A – A’

laje sem juntas solidarizada com as sapatas das tribunas e com os tirantes dos arcos

tirante

tirante

aterro préexistente

poente

Fig. 16 – Corte vertical da nave desportiva

16

A solução adoptada para as fundações foi a seguinte : os arcos repousavam sobre estacas perfuradas, ancoradas na camada de areia e saibro, e ligadas entre cabeças por tirantes destinados a equilibrar o impulso dos arcos; no sentido perpendicular, as estacas estavam ligadas por longarinas de suporte das fachadas. O palco estava igualmente fundado sobre estacas. Pelo contrário, por questões de economia, as tribunas foram realizadas sobre sapatas superficiais assentes à cota (-)1,13, quer dizer, sobre o aterro com dois anos. Uma laje geral em betão armado, sem juntas, estendia-se sob repousava sobre um outro aterro, com cerca de 1 m de espessura, aterro ao mesmo tempo muito pesado e muito deformável, onde se encontraram pedras de alvenaria inteiras, com vazios importantes entre si (fig. 18). Ainda por cima, esta laje estava bloqueada nas longarinas das fachadas, nos tirantes dos arcos e nas sapatas das tribunas, formando, assim, uma ligação rígida entre os elementos fundados sobre sapatas e os que repousavam sobre as estacas.

re toda a superfície do piso térreo. Esta laje

Fig. 18 – Grandes blocos de pedra

obre estas disposições construtivas, podem-se, a priori, formular quatro críticas :

o Em primeiro lugar, é contra-indicado sobrecarregar um terreno de vasa com aterros

o o realizado o último aterro em más condições, o seu

o cas terminavam num estrato de areia e saibro cuja

o ia sido essencial dessolidarizar totalmente, por um lado, a obra

existentes no aterro

S

tão pesados : o seu peso, exercendo uma tensão superficial de 0,320 kg/cm2, era suficiente, só por si, para constituir um risco de fluência da vasa, portanto um risco de deformação do solo; Em seguida, tendo sid assentamento ao longo do tempo deveria provocar inevitavelmente desordens, pelo menos, na laje geral; Terceira observação : as esta estabilidade era precária, pela presença de uma camada de marga mole subjacente; Por fim, ter metálica, as suas longarinas e os seus tirantes, e por outro, os elementos fundados superficialmente, a saber : as tribunas e a laje geral propriamente dita, a qual deveria comportar, além disso, dada a sua extensão, toda uma rede de juntas de dilatação ( NT : retracção, no texto original).

fectivamente, apareceram desordens muito rapidamente : o solo abateu lentamente sob a laje

s tribunas, sob as quais o solo de fundação se desnudava, sobrecarregadas também pela laje

s tirantes dos arcos metálicos foram puxados para baixo e sofreram importantes defo

E , que se afundou na parte central, mas ficou apoiada nos pontos rígidos constituídos pela

sapatas superficiais e pelas longarinas das fachadas. A , em consequência do assentamento próprio do aterro superficial, seguiram o movimento e

desceram, em certos pontos, 35 cm. O rmações (fig. 19).

17

Fig. 19 – Danos sofridos pelos tirantes dos arcos, solidarios com as sapatas das tribunas

Fig. 20 – Fissuração nas paredes divisórias transversais

Como uma zona, cada vez mais vasta,

da laje pesava sobre as longarinas das fachadas, as estacas acabaram por punçoar, por sua vez, toda a camada de areia e saibro e afundaram-se de forma irregular, até um máximo de 18 cm. Assim, as paredes exteriores fissuraram e desligaram-se da estrutura metálica, ao mesmo tempo que fendas – algumas atingindo 5 cm – afectaram as paredes divisórias, feitas em tijolo furado (fig. 20), e que desordens de todas as naturezas apareceram nas instalações interiores (rotura de canalizações...).

Nem sequer mencionamos, nem

representamos nos esquemas as obras anexas circundantes da grande nave, obras cuja cobertura (laje em betão armado) se apoiava por um lado em consolas solidárias com a nave, e do outro sobre paredes fundadas à superfície. No seguimento dos assentamentos diferenciais, a inclinação desta laje, para o exterior, foi tal que era de temer que escorregasse sobre os seus apoios.

18

A estabilidade geral da obra ficou muito cedo em perigo e foi necessário tomarem-se medidas de urgência.

A primeira consistiu em libertar as estacas das cargas que lhes provinham da laje, a qual

foi cortada, por conseguinte. O seu afundamento no solo provocou muito rapidamente um assentamento suplementar deste, da ordem dos 20 cm. Demoliu-se igualmente, pelo mesmo motivo, um certo número de alvenarias e de condutas de ventilação. Desocultaram-se rapidamente os tirantes dos arcos, para se examinar a gravidade das suas deformações e evitar-se uma rotura cujas consequências poderiam ser catastróficas (certos tirantes foram efectivamente encontrados interrompidos, mas a laje de betão armado aguentava o peso dos arcos...). Foi necessário igualmente escorar as obras anexas, nas quais alguns pilares tinham sofrido rotura, e prover de contrafortes os terraços em balanço.

Os trabalhos de reposição da segurança (em sub-escavação para construção de estacas,

etc.) foram particularmente delicados e onerosos, já que se estimaram num número respeitável de dezenas de milhões de francos antigos.

5. EDIFICAÇÕES ENCOSTADAS, CONSTRUÍDAS EM ÉPOCAS DIFERENTES Quando se constrói uma edificação, o terreno sob as suas fundações só adquire o seu

assentamento definitivo ao fim de um período de tempo mais ou menos longo, podendo este assentamento ser quase instantâneo em caso de solos muito permeáveis, como as areias e os saibros, e podendo, no outro extremo da escala, demorar um ano ou mesmo mais no casos das argilas gordas muito pouco permeáveis (o caso dos aterros, está evidentemente excluído).

É, portanto, evidente que se tivermos que construir um novo imóvel encostado a outro

construído anteriormente, o efeito de assentamento do solo sob a acção das cargas da nova construção pode, por interacção, provocar o abatimento do terreno sob as fundações do edifício antigo, e, por consequência, causar desordens nesta edificação.

Só falaremos, bem entendido, dos casos em que as fundações dos dois imóveis foram

descidas ao mesmo nível, e não de desordens provocadas por um recalçamento não efectuado ou mal efectuado, quando a nova edificação for fundada a um nível inferior ao que tinha sido a obra precedente.

Por consequência de um erro bastante difundido, algumas pessoas pensam que basta

prever-se uma junta de dilatação entre os dois edifícios para se evitarem desordens. Infelizmente, o problema é bastante mais complexo, e o simples facto de se preverem novas fundações (forçosamente descentradas) ao longo das do imóvel anterior, chega para provocar neste último fissurações nas paredes principais ou divisórias ligadas à empena adjacente.

Se este antigo edifício comporta fundações superficiais sobre terreno compressível, podem

ser encaradas, a priori, duas soluções :

o Seja preverem-se, para a empena encostada ao antigo edifício, fundações tão afastadas quanto possível da edificação antiga, o que pode trazer problemas técnicos e financeiros, porque implica suportar em consola a parte da obra situada para lá dessas fundações;

o Seja, eventualmente, fundar o novo edifício sobre estacas, sem qualquer ligação com o anterior.

Apoiados nestes conselhos, vamos descrever as desordens que se passaram, há uma

dezena de anos, numa cidade dos Alpes. Este exemplo mostra como é difícil classificarem-se os sinistros em famílias bem distintas porque se foi mesmo a construção no novo edifício que provocou as desordens no antigo, este sinistro é, igualmente, um caso-tipo do perigo apresentado pelas fundações heterogéneas.

19

Por outro lado, este exemplo, que está ilustrado pelas figuras 21 (vista de conjunto) e 22 (pormenor), é diferente do caso geral que atrás descrevemos, porque não se tratou de um assentamento sob a parede de empena divisória : com efeito, se o solo sob a parede do edifício antigo tivesse assentado, as fissuras estariam inclinadas no sentido contrário das que se podem notar nas fotografias. Vejamos, então, este caso :

Fig. 21 e 22 – Vista de conjunto e

de pormenor das desordens que afectaram um edifício depois da construção de uma edificação vizinha fundada de forma diferente

O edifício situado à direita na figura

21 tinha sido construído anteriormente sem prévio reconhecimento do solo. A escavação tinha sido efectuada na sua globalidade de uma só vez : o terreno encontrado comportava, à superfície, um fina camada de argila, depois areias e saibros, nos quais foi fundado o edifício, por intermédio de sapatas exercendo, sobre o solo, uma tensão de 3 kg/cm2. O rés-do-chão deste edifício estava sobreelevado em relação à rua, e tinha- se-lhe acesso por degraus situados no hall de entrada, tal como a cave era semi- enterrada.

Quando foi decidida a construção do

segundo edifício (à esquerda na figura 21), a presença de uma loja na qual se deveria entrar directamente a partir da rua e a necessidade de se respeitar na cave o mesmo pé direito, fizeram prever-se, para a nova edificação, fundações cerca de 80 cm abaixo das da antiga obra. Foi durante dos movimentos de terras do segundo edifício que a empresa constatou que a camada de areias e saibros, na qual se tinha fundado o edifício vizinho, se tornava muito fina por baixo da nova obra, e que se situava sobre uma camada de argila mole e turfa com 6 a 8 m de espessura. Mais abaixo, ou seja, cerca dos 10 m de profundidade, foi revelada, por sondagens, a existência de uma espessa camada de areias e saibros nos quais foi decidido fundar o novo edifício, por intermédio de estacas.

Os construtores, pensando aliviar a extremidade mal fundada do edifício vizinho e,

receando mais particularmente a empena deste, decidiram realizar ligações entre os dois imóveis. Estas ligações funcionaram bem demais : enquanto que o novo edifício, fundado sobre estacas, nem buliu, o outro, solicitando um terreno compressível, assentou, e a solidarização com o edifício novo provocou fissurações que se podem constatar nas fotografias. É de notar que este movimento demorou cerca de quinze anos até estabilizar (os rebocos foram refeitos em 1968).

20

Fig. 22

Este último exemplo mostra-

nos igualmente a necessidade de se mandarem executar sondagens sempre que se não conheça a natureza do solo.

Estas sondagens são

absolutamente indispensáveis se o terreno é presumivelmente heterogéneo e se comportar – como é o caso do exemplo precedente – alternância de camadas compressíveis e pouco compressíveis cujas espessuras respectivas podem variar muito rapidamente de um ponto para outro. Daqui resultam diferenças de compressibilidade e, portanto, assentamentos.

E isto leva-nos naturalmente

ao capítulo seguinte.

6. FUNDAÇÕES SOBRE TERRENOS MUITO COMPRESSÍVEIS O que dissemos para os aterros continua válido para os terrenos naturais muito

compressíveis : consideramos que é perfeitamente possível fundar-se superficialmente, em muitos casos, sobre tais terrenos, na condição de se terem tomado algumas precauções.

A primeira precaução consiste em se reconhecer as camadas de terreno que se

encontram sob a edificação a erguer : e quanto mais pesada for a edificação, mais profundo deverá ser o reconhecimento. Com efeito – e já o deixamos escrito («Bâtir», nº 176, Junho de 1969. Chroniques de l’Assistance Technique, pág. 17 e seguintes : « A estrutura, primeiro elemento do problema fundação”) – as edificações solicitam tanto mais camadas de terreno quanto mais intensas forem as cargas. Portanto, não é único critério para se determinar a profundidade dos estudos, a implantação da edificação no solo : a título de exemplo, um armazém de 120 x 120 m, fundado sobre sapatas de 4 m2 , afastadas de 15 m em ambos os sentidos, é, a priori, qualquer que seja a sobrecarga de utilização, menos susceptível de assentar do que uma torre de vinte andares, cuja implantação seja apenas de 20 x 20 m. Inversamente, para tensões idênticas, uma sapata de 4m2 provocará menos assentamentos que uma soleira de 150 m2, porque ela solicita em profundidade uma camada de terrenos menos espessa.

Não existe nenhuma regra empírica para se determinar a profundidade das

sondagens. Só um especialista em solos pode fixar a sua importância, mas é evidente que se deve ser muito prudente em obras pesadamente carregadas.

Por todas estas razões, seria temerário, portanto, encarar-se uma construção em terreno

de qualidade medíocre sem se ter encomendado sondagens e, eventualmente, ensaios in situ

21

ou em laboratório. As investigações têm por objectivo reconhecer-se a importância e a regularidade das camadas de terreno encontradas, e de se fixar a amplitude aproximada dos assentamentos. O que é perigoso, com efeito, não é o assentamento propriamente dito, se for regular (na condição, decerto, de ser tomado em linha de conta, em fase de estudo prévio, para quantificação do número de pisos), mas são as suas possíveis variações entre um ponto e outro.

Se as sondagens evidenciarem diferenças muito sensíveis na espessura da camada de

terreno compressível sob a implantação da futura edificação, e se as camadas terminarem em forma de cunha, como se diz em linguagem comum, é muito perigoso adoptarem-se fundações superficiais; com efeito :

o Se a obra for monolítica, ela inclinar-se-á em conjunto, como já vimos, no capítulo

dos aterros, para o imóvel da fig. 5; o Se a construção não for rígida, fissurará, podendo mesmo partir-se; o Se tiver uma junta de dilatação, esta poderá abrir como mostra a figura 23 : no

imóvel em questão, a junta abriu cerca de 1 m , ao nível do terraço.

Fig. 23 – Abertura da junta de dilatação de um imóvel fundado superficialmente

sobre terrenos muito compressíveis

22

Pelo contrário, se as camadas compressíveis forem muito regulares, ou se poder ser tolerada uma ligeira inclinação, sem que resulte qualquer perigo para a estabilidade da edificação (caso de construções cuja altura é fraca em relação à sua dimensão em planta), não só é possível, como é mais económico, encarar-se fundações superficiais, na condição de se prever para a construção uma estrutura muito rígida; esta última condição pode facilmente ser realizada graças a uma judiciosa distribuição de paredes de fundação. Conhecemos numerosos exemplos de edificações que, graças a esta precaução elementar, se comportaram muito bem, apesar da mediocridade dos terrenos de fundação poder ter incitado os projectistas a preverem fundações profundas, perfeitamente injustificadas e muito mais dispendiosas.

Portanto, é a ausência de rigidificação que provoca o maior número de sinistros no

caso de terrenos muito compressíveis. Na maior parte dos casos que examinamos, o simples facto de ter sido prevista uma quadrícula de sapatas contínuas, armadas e ligadas entre si por longarinas igualmente armadas, teria evitado o aparecimento de desordens, e por uma quantia muito razoável, pois as longarinas podem ser parte constituinte das paredes enterradas dos contrafortes das caves. A cintagem da superestrutura por travamentos horizontais e verticais é igualmente uma boa precaução.

Independentemente da falta de rigidez, a insuficiência de ancoragem das fundações no

terreno provoca um bom número de sinistros que serão estudados no capítulo seguinte.

7. FUNDAÇÕES LEVADAS A UMA PROFUNDIDADE INSUFICIENTE

Fundar um edifício muito superficialmente apresenta um risco duplo :

o Os assentamentos são acrescidos seguidamente, pela possibilidade de fluência do terreno sob a sapata se esta estiver demasiado perto da superfície – apercebemo-nos disto quando pomos um pé em cima de lodo. Por outro lado, a capacidade de carga de um terreno homogéneo cresce em profundidade;

o Sob uma sapata insuficientemente profunda, as características do terreno podem ser alteradas por agentes externos tais como a água e o gelo.

Nos terrenos inclinados, aparece um terceiro possível perigo : pode haver escorregamento da sapata.

Devemos igualmente mencionar que nos dossiers dos sinistros devidos a insuficiência

de fundações, constatamos que um grande número de fundações que não foram levadas ao «solo de boa qualidade», quer dizer, ficaram pela terra vegetal. Não insistiremos nisto, porque o remédio é evidente, e iremos agora enunciar as precauções a tomar para se evitarem os efeitos do gelo, os deslavamentos pela água e os escorregamentos em terrenos inclinados.

PRECAUÇÕES A TOMAR

Efeitos do gelo O gelo pode manifestar-se logo no decurso dos trabalhos de fundação : com efeito, aparece frequentemente quando, no inverno, uma queda brusca de temperatura aparece quando as fundações acabaram de ser betonadas, e o solo pode congelar sob o betão de limpeza. Uma protecção do betão fresco pelos meios habituais permite, ao mesmo tempo, prevenirmo-nos contra o congelamento do terreno. Aconselha-se, ainda, desde que o betão tenha endurecido o suficiente para não se correr o risco de ser conspurcado pela terra, de se proceder rapidamente ao preenchimento do aterro em cima e ao redor das sapatas.

23

Para se proteger definitivamente as fundações contra o gelo, consegue-se enterrando- as a uma profundidade suficiente. Conforme as regiões, esta profundidade pode variar de 70 cm a 1 m. Pode ser reduzida em terrenos totalmente insensíveis ao gelo, mas inversamente, pode ser insuficiente para regiões de montanha onde as temperaturas no inverno sejam muito baixas. Devemo-nos, portanto, informar junto de especialistas locais. Deslavamento pela água

Já vimos, no capítulo 3, que, se as fundações forem demasiadamente superficiais ou não protegidas por uma drenagem, as águas superficiais ou de infiltração podem conseguir levar consigo o terreno de fundação. Em muitos destes casos, se os caboucos ou as sapatas forem insuficientemente enterradas, podem ser deslavadas e completamente descalçadas. Foi o que aconteceu, há uma quinzena de anos, numa moradia fundada numa praia do Mediterrâneo : esta obra, cujas desordens aparecem de uma forma suficientemente explícita nas figuras 24 e 25, repousava em caboucos ancorados apenas a 30 cm na areia . Bastou a invasão da praia pelas águas, durante um temporal (e sem ondas excepcionais) para provocar roturas muito importantes. Naturalmente, a moradia teve que ser demolida. Fig. 24 e 25 – Moradia fundada a uma profundidade insuficiente, junto a uma praia

24

Deslizamento das fundações Todos sabem que quando temos que fundar a níveis diferentes, se devem tomar precauções para evitar as interacções entre sapatas vizinhas e para se impedir o deslizamento das sapatas superiores : trata-se da regra definida no artigo 2.53 do Document Technique Unifié 13-1 relativo às fundações superficiais, regra que é recordada na figura 26.

Fig. 26 – Regra a respeitar no caso de sapatas fundadas em níveis diferentes

m terrenos inclinados (é o caso da figura 26), as mesmas precauções devem ser tomadas ara se evitar um acidente análogo ao que sucedeu, há dez anos, na Suíça e de que a figura 7 mostra os resultados : os escombros que se vêem nesta fotografia pertencem a um hotel ue ruiu durante a sua construção, quando dois pisos estavam construidos; depois da vistoria, sinistro foi atribuído ao deslizamento de uma sapata de fundação.

Fig. 27 – O deslizamento de uma sapata sobre um terreno inclinado provocou a ruina

total deste hotel em construção

Pendente máxima :

3 de base por 2 de

altura

E p 2 q o

25

O caso que citamos só diz respeito aos escorregamentos de fundações em terre sar de inclinados, eram considerados estáveis. Os movimentos do próprio terre

serão evocados a seguir.

8. CONSTRUÇÕES SOBRE SOLOS INSTÁVEIS

Ao redor do caso particular dos sismos, que não diz respeito apenas às fundações to de recomendações especiais, distinguiremos dois casos :

Os solos superficialmente instáveis, quer dizer cuja causa de instabilidade resid superfície : por exemplo terrenos argilosos sobre uma base em rocha, mas inclin Os solos cuja instabilidade tenha uma causa profunda, quer dizer, os terrenos sobre pedreiras ou explorações mineiras.

INSTABILIDADE SUPERFICIAL ESCORREGAMENTO DE TERRENOS

nos no

e é objec

o a à ada;

o situados

a escorregar, porque, por muita ados têm esta propensão. Só um estud pa

Pelo contrário, alguns acidentes ão previsíveis : são numerosos os scorregamentos ocorridos após a bertura, a jusante, de uma escavação

importante. Neste c prudente e, se um estudo geológico

révio mostrar que existe risco de scorre

reventivas necessárias (muro de sup terreno presenç escorre

r quase nula.

Foi devido a uma instabilidade superficial do solo à superfíc produziu um sinistro, há anos, na zona da Côte d’Azur, que fez 11 mortos e 35 feridos. Os prejuízos

ateria

getação arrancada ig. 28). O terreno, em pendente

acentuada, era constituído por grês compacto cuja camada superficial tinha sofrido as alterações provocadas pelo tempo. Foi nesta última camada que foram fundadas as casas, construídas na

que, ape

Nem sempre é fácil apercebermo-nos, a priori, da tendência que um terreno tenha par sorte, nem todos os terrenos inclin

o geológico profundo permite determinar se um terreno é estável ou não. É assunto ra um especialista.

s e a

aso, deve-se ser

p e gamento do solo a montante, devem-se tomar todas as medidas p

orte, drenagem, etc.) porque, em s argilosos, uma simples a de água provoca um gamento, mesmo se a pendente

Fig. 28 – Deslizamento de terrenos na sequência de chuvas torrenciais

fo

ie que se

perto de vinte

m is também foram consideráveis : 15 casas inteiramente destruídas, 40 parcialmente, sem contar com as culturas levadas e com a ve (f

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