Potencial das contruÇÕes degradadas para melhoria ambiental, social e econÔmica de timÓteomg., Pesquisas de Arquitetura. Universidade Metodista de São Paulo (Umesp)
analuisamreis
analuisamreis22 de Junho de 2015

Potencial das contruÇÕes degradadas para melhoria ambiental, social e econÔmica de timÓteomg., Pesquisas de Arquitetura. Universidade Metodista de São Paulo (Umesp)

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Monografia apresentada à disciplina de Atelier preparatória para a produção de TFG, do Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix, como requisito parcial para obtenção de um conteúdo para proposta de conclusão de cur...
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CENTRO UNIVERSITÁRIO METODISTA IZABELA HENDRIX ARQUITETURA E URBANISMO

ANA LUÍSA MARCIANO DOS REIS

POTENCIAL DAS CONTRUÇÕES DEGRADADAS PARA MELHORIA AMBIENTAL,

SOCIAL E ECONÔMICA DE TIMÓTEO/MG.

Belo Horizonte MG

2013

Ana Luísa Marciano dos Reis

POTENCIAL DAS CONTRUÇÕES DEGRADADAS PARA MELHORIA AMBIENTAL,

SOCIAL E ECONÔMICA DE TIMÓTEO/MG.

Monografia apresentada à disciplina de Atelier

preparatória para a produção de TFG, do Centro

Universitário Metodista Izabela Hendrix, como

requisito parcial para obtenção de um conteúdo

para proposta de conclusão de curso: concepção

de um Centro Cultural no Forno Hoffmann em

Timóteo/MG.

Orientadora: Anna Miana.

Belo Horizonte MG

2013

Sumário

1.INTRODUÇÃO ......................................................................................................................... 5

1.1 COLOCAÇÃO PROBLEMA ........................................................................................... 5

1.2 JUSTIFICATIVA ............................................................................................................... 6

1.3 OBJETIVO GERAL ........................................................................................................ 12

1.4 OBJETIVO ESPECÍFICO ............................................................................................. 12

1.5 METODOLOGIA ............................................................................................................ 12

2. CONCEITOS E DEFINIÇÕES ........................................................................................... 13

3. O FORNO HOFFMANN ...................................................................................................... 16

3.1 LOCALIZAÇÃO .............................................................................................................. 17

3.2 ESTRUTURA FÍSICO AMBIENTAL ............................................................................ 18

3.2.1 Relevo da região:.................................................................................................... 18

3.2.2 Relevo e hidrografia da região: ............................................................................ 19

3.3 ESTRUTURA FÍSICO AMBIENTAL ............................................................................ 20

3.3.1 Impactos ambientais: ............................................................................................. 20

3.3.2 Forno Hoffmann Passado: .................................................................................... 21

3.4 ESTRUTURA FÍSICO FUNCIONAL ........................................................................... 22

3.4.1 Mapa fluxos: ............................................................................................................ 22

3.4.2 Sinalização: ............................................................................................................. 23

3.4.3 Fotos sinalização: ................................................................................................... 24

3.4.5 As vias: ..................................................................................................................... 25

3.4.6 Drenagem: ............................................................................................................... 26

3.4.7 Calçadas: ................................................................................................................. 27

3.5 ESTRUTURA MORFOLÓGICA ................................................................................... 28

3.5.1 Mapa usos: .............................................................................................................. 28

3.5.2 Tipologia casas: ...................................................................................................... 29

3.6 ESTRUTURA SÓCIO AMBENTAL ............................................................................. 30

3.7 ESTRUTURA SÓCIO ECONÔMICA: ......................................................................... 31

3.8 VISTAS E VISADAS ...................................................................................................... 32

3.9 LOCALIZAÇÃO DA PROPOSTA: ............................................................................... 33

3.10 FOTOS INTERNAS DO FORNO HOFFMANN: ..................................................... 34

3. 11 LAUDO GERAL DA ESTRUTURA .......................................................................... 35

3.11.1 Cobertura ............................................................................................................... 35

3.11.2 Alvenarias .............................................................................................................. 36

3.11.3 Pisos ....................................................................................................................... 36

3.11.5 Cercadura/fechamento do lote/gradil/muro ...................................................... 37

3.11.6 Torre: chaminé ...................................................................................................... 38

4. OBRAS ANÁLOGAS ........................................................................................................... 40

4.1 Centro de Arte Popular – Cemig (CAP) ..................................................................... 40

4.2 Centro de Exposição e Museu / Atelier Kempe Thill ................................................ 48

4.3 Sesc Fábrica da Pompéia ............................................................................................ 55

5. REQUALIFICAÇÃO FORNO HOFFMANN ...................................................................... 64

5.1 - Programa: ..................................................................................................................... 64

5. 2 Relação da área construída com as Leis de Uso e Ocupação do Solo ............... 67

5.3 Caracterização do Usuário: .......................................................................................... 67

5.4 Estudo do perfil do cliente/patrocinador ..................................................................... 68

5.5 Estudo prévio da inserção urbana: ............................................................................. 69

6. CONCLUSÃO ....................................................................................................................... 70

7. REFERÊNCIAS: ................................................................................................................... 71

8. ANEXOS ................................................................................................................................ 72

8.1 LEGISLAÇÕES APLICADAS AO TERRENO ........................................................... 72

8.2 PLANTAS TÉCNICAS: ................................................................................................. 76

4

RESUMO

O assunto a ser abordado incialmente são construções degradadas e

abandonadas na cidade de Timóteo, tendo como destaque o Forno Hoffman,

este reconhecido como patrimônio cultural de Timóteo. Várias cidades até as

mais bem desenvolvidas podem perceber a existência e a problemática desses

espaços. Dentro disso entra as questões ambientais, jurídicas, necessidade e

conforto da população.

Baseia-se em pesquisas e depoimentos sobre as condições das

construções degradadas. Timóteo mostrou estado grave em relação ao tema,

grandes construções centrais estão em estado de decadência mesmo

possuindo muita potencialidade.

Grande parte dessas construções abandonadas é causada pela

industrialização, as pessoas seguem onde as indústrias se localizam e quando

transferidas para outros locais o bairro começa a ser desocupado também,

deixando construções, praças e outros espaços urbanos. Aqui, vamos falar um

pouco desses espaços, como foi o processo de desocupação e motivos mais

específicos.

5

1.INTRODUÇÃO

1.1 COLOCAÇÃO PROBLEMA

O problema apresentado se trata das construções abandonadas,

degradadas do município de Timóteo - Minas Gerais. Dentre desses espaços

encontramos praças, ginásio, escola, casas e até patrimônio de grande valor

histórico.

Timóteo está cada dia crescendo com novas construções, principalmente

prédios residenciais. A grande empresa da cidade AcelorMittal, siderúrgica de

produção de aço está crescendo e surgindo muitas contratações, uma nova

população está surgindo em Timóteo. Porém, estão se adaptando em novos

locais, em novos bairros e acaba que os bairros mais antigos estão deixando

de ser ocupados. A população mais antiga na cidade também está mudando

para esses novos locais, com casas mais modernas. E acaba que nesses

locais sendo deixados também deixa pra trás importantes construções como

uma escola projetada por Éolo Maia e o famoso Forno Hoffman.

6

1.2 JUSTIFICATIVA

Figura 1: Vista Forno Hoffmann anos 80

Fonte: Jornal Vale do Aço

Figura 2: Vista Forno Hoffmann ano 2000

Fonte: Jornal Vale do Aço

O Forno Hoffman (figura 1), importante equipamento ligado á história da

construção da cidade de Timóteo foi reconhecido como patrimônio cultural de

Timóteo quando da elaboração do Primeiro Plano de Inventário de Proteção ao

Acervo Cultural do Município, conforme diretrizes do IEPHA MG- Instituto

Estadual de Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais. O primeiro

instrumento legal de proteção a este edifício foi o seu inventário, realizado em

2001.O Forno localiza-se na região nordeste do município, no Bairro Olaria,

área caracterizada historicamente por seu processo de formação e ocupação

diretamente ligada à instalação da Acesita. A usina instalou-se em 1944, com

recursos básicos em seus acampamentos e canteiro de obras. Na construção

dos primeiros bairros para abrigar seus funcionários, foi necessário que a

Acesita produzisse, na própria área de construção, o material necessário às

obras, devido à dificuldade de acesso da região a esses produtos. O Forno

Hoffmann foi um equipamento construído para a fabricação de tijolos usados

na construção da cidade. Em 2000, a estrutura do Forno foi adaptada para

abrigar uma casa de eventos e restaurante(figura 2), com área para receber até

4.000 pessoas. Esta foi a primeira mudança de uso do equipamento, já

chamando a atenção para a necessidade de requalificação do espaço voltada

para a afirmação de sua condição cultural.

O forno conta com uma área de aproximadamente 3.170 metros quadrados.

De acordo com relato de moradores, o terreno onde o mesmo está instalado

não possuía muros e o acesso à área era livre. Atualmente, o espaço, que já foi

7

ocupado por uma casa noturna na década de 90 (Hoffman 530), está cercado e

encontra-se desativado.

Infelizmente, as únicas pessoas que utilizam a construção atualmente são

marginais, andarilhos e usuários de drogas. Vizinhos reclamam da presença de

ratos, baratas, cupins, caramujos africanos e outros animais peçonhentos. O

abandono da edificação histórica, situada na Rua Maria Rodrigues de

Carvalho, 530, está provocando até mesmo a desvalorização dos imóveis à

sua volta e muitos estão se mudando do bairro, reclamam os vizinhos. E ainda,

segundo relato dos moradores, quando chove a água empoça em diversos

pontos da propriedade, fazendo com que se torne foco do mosquito da dengue.

Como dito anteriormente, as obras estruturais para adequar o antigo Forno

Hoffman a uma casa de shows foram iniciadas em 2001, havendo a

inauguração um ano depois. Com espaço de boate e área para chopperia e

restaurante (figuras 3 e 4), a falência do empreendimento foi decretada em

2005. O imóvel havia sido adquirido da antiga Acesita, hoje ArcelorMittal Inox

Brasil. Contudo, como o pagamento não foi efetuado, houve reintegração de

posse para a siderúrgica. Mas, em 2008 o imóvel foi adquirido pela Prefeitura

Municipal. E desde então a conservação, manutenção e a limpeza são de

responsabilidade do Executivo

Figura 3: Vista interna do anexo

Fonte: Jornal Vale do Aço

Figura 4: Vista interna do bar no Forno

Fonte: Jornal Vale do Aço

Outra construção com grande significado para Timóteo é a escola projetada

por Éolo Maia. O prédio foi projetado em 1983/1984 pelo famoso arquiteto Eólo

8

Maia e construído entre 1984 a 1985 a pedido da administração municipal da

época para funcionar como grupo escolar.

O imóvel já foi utilizado como escola por diversas vezes, mas pelo difícil

acesso do bairro, Vale Verde, todas depois de um certo tempo transferiram

para uma área mais central e com mais acesso ao transporte público.

O projeto do grupo escolar do Vale Verde(figuras 5 e 6)foi baseado em

pesquisas de uma tecnologia alternativa existente há muitos séculos no mundo.

A construção auto- portante em tijolos faz parte de diversas civilizações como

do arquiteto egípcio Hassan Fahty que desenvolveu diversas pesquisas nesta

área e dos mouros, povo árabe-berbere, que utilizavam da técnica na

Península Ibérica. O arquiteto identificou que esta técnica era bem

desenvolvida no município, usada em fornos para a queima de carvão. A

proposta foi aproveitar a cultura da região no prédio escolar, com oito salas de

aula e amplos espaços para o lazer.

Figura 5: Vista Escola Vale Verde Figura 6: Vista interna Escola Vale Verde

Fonte: Jornal Vale do Aço Fonte: Jornal Vale do Aço

Segundo relatos de moradores, o grupo escolar Percival Farquahar

funcionou no Vale Verde por alguns anos e depois foi transferido para o Centro

da cidade.

Com a desocupação, o imóvel chegou a ficar em situação de abandono,

sofrendo depredações e servindo como esconderijo para marginais.

Maria de Lourdes Cruz, aposentada, 56, que mora há 27 anos em frente ao

prédio está preocupada com o futuro da edificação que se tornou uma

referência para o bairro. ―Quando ficou fechado tinha gente quebrando tudo,

quebrando a parede, o piso, tava abandonado e se não vier outra escola pra cá

eu acredito que o prédio vai cair no abandono novamente‖, lamenta.

9

O filho do aposentado João Batista Machado, 58, se formou no curso

técnico em Metalurgia e acredita que a mudança da instituição será uma perda

para o bairro. ―Acho que tem que vir outra escola para cá ou se não vai

acontecer outra invasão, parado o prédio não pode ficar‖, reivindica.

A população está muito preocupada com a volta do abandono da escola,

atualmente funciona o Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET), a

diretoria da instituição anunciou novos investimentos para a transferência de

suas instalações para o prédio da primeira escola de Metarlugia, no centro-

norte de Timóteo, a população teme com a perda que o bairro vai sofrer com a

mudança e, principalmente, pela preservação do patrimônio.

Já o Ginásio Poliesportivo Iorque José Martins (figura 7), localizado na

Alameda 31 de Outubro se localiza no Centro Comercial da cidade e nem por

isso não deixa de ser encontrado em estado de abandono e depredação.

Muitos moradores de Timóteo recordam com saudosismo os eventos

ocorridos durante os quase 20 anos de atividade do ginásio. Sem utilização há

cerca de um ano, quando abrigou as vítimas do temporal de dezembro de

2005, o antes majestoso prédio é consumido pelo tempo e sua imagem é

ofuscada pelo mato que cresce à sua volta. A fachada do ginásio tem se

tornado depósito de material inutilizado como caixotes de madeira e carteiras

escolares quebradas. Diferentes setores da sociedade se beneficiavam com o

funcionamento do ginásio, que, estima-se, possui capacidade para cerca de

4000 pessoas e foi palco de campeonatos esportivos, shows e feiras

empresariais.

Figura 7: Vista inteira do Ginásio Iorque Martins

Fonte: Jornal Vale do Aço

10

Figura 8: Vista Interna do ginásio abandonado Figura 9: Vista interna do ginásio

Fonte: Jornal Vale do Aço Fonte: Jornal Vale do Aço

Em 2005, depois de meses fechado, sem receber nenhum evento

significativo, o prédio voltou ao noticiário da regional, mas por motivos

completamente avessos à sua real funcionalidade. O ginásio passou a servir de

abrigo às famílias da chamada ―Invasão do Recanto Verde‖ que haviam

perdido suas casas no temporal de dezembro. Tomado por barracas de

camping doadas pela administração municipal, por um ano o Iorque José

Martins foi a moradia de dezenas de pessoas e chegou a ser apelidado de

―Favelão Coberto‖. Durante a permanência das famílias no local, a depredação

do ginásio começou a vir à tona. Fios desencapados, infiltrações e falta de

manutenção na estrutura do prédio eram claramente percebidas(figuras 8 e 9).

Projeto com as vistorias realizadas no local, a Prefeitura informou, no início

do ano, que grande parte da estrutura do ginásio estaria comprometida e

apontou falhas técnicas na planta do prédio. A arquiteta Soraya Simões Sales,

que participou do projeto de construção do ginásio, confirma que algumas

correções seriam necessárias, mas que não são um impedimento para a

utilização do prédio. ―Realmente, algumas partes não foram bem projetadas.

Um exemplo é a falta de espaço para um estacionamento. Uma reforma seria

importante para realizar adequações‖, declara. ―Mas falar em demolição não

justifica, nem mesmo inutilizar o prédio que foi projetado para ser

multifuncional‖, argumenta, em tom de lamento. A arquiteta ainda informa que o

projeto do Ginásio Iorque José Martins foi realizado em completa conformidade

com as normas técnicas e chegou a ser revisado por professores do curso de

Arquitetura do Instituto Metodista Izabela Hendrix, de Belo Horizonte.

11

O ginásio já realizou diversos campeonatos regionais de judô, futebol de

salão, além dos JET‘s (Jogos Estudantis de Timóteo). Projetos Sociais Berço

do projeto ―Ajudôu‖, importante trabalho social desenvolvido há 12 anos em

Timóteo, o Ginásio Coberto foi fundamental para as primeiras aulas gratuitas

de judô oferecidas. ―Em 1995 nós começamos a dar as aulas de judô para as

crianças da Fumic (Fundação Mineira da Criança) e o ginásio era o nosso

espaço para colocar o projeto em prática‖, recorda o idealizador e coordenador

do Ajudôu, Júlio César Lana Jaques. Ele também relembra com saudosismo de

momentos importantes do Iorque José Martins. ―Lembro que o Ginásio Coberto

já foi sede de um Campeonato Brasileiro de Judô, com a presença do campeão

Aurélio Miguel. Meu coração até dói quando vejo o prédio fechado. Se voltasse

a funcionar, eu iria querer realizar um evento todo dia, com campeonatos de

nível municipal e até estadual‖.

12

1.3 OBJETIVO GERAL

O objetivo geral da pesquisa é procurar soluções para proporcionar à

população de Timóteo a volta da utilização dos espaços degradados e vazios

urbanos existentes, mas especificadamente o Forno Hoffmann. Criando

espaços mais agradáveis para uso público, procurando ao máximo resolver os

problemas ambientais, como infestação de pragas e questões de iluminação,

cultura, lazer e marginalização desses espaços.

1.4 OBJETIVO ESPECÍFICO

. Pesquisar as causas das áreas degradadas e vazias em Timóteo.

. Pesquisar, estudar como as pessoas utilizavam os espaços vazios e

degradados.

. Procurar saber a necessidade da população da região.

. Analisar questões ambientais que o espaço apresenta.

. Analisar a infraestrutura decadente.

. Levantar a legislação vigente.

. Pesquisar a história das áreas.

. Buscar referências.

1.5 METODOLOGIA

Buscou-se na prefeitura de Timóteo leis urbanas e dados sobre os locais

em geral. Em seguida foi feita entrevistas com funcionários da prefeitura sobre

o tema e procurou-se saber deles se já existem propostas para soluções.

Obteve-se a informação que um arquiteto já foi contratado para restauração do

Forno Hoffmann, então o arquiteto Rogério foi procurado, também professor de

arquitetura da Unileste e foi perguntado sobre diagnósticos e mais informações

da construção e do bairro.

Pesquisou-se na biblioteca da cidade sobre história da cidade e dos

patrimônios. A população local foi entrevistada para chegar à conclusão de sua

necessidade.

Visitou-se os locais a serem estudados para fazer o levantamento dos

problemas e o que será necessário para reforma/revitalização/ restauração.

Estudou-se obras análogas.

Foi entrevistado arquitetos conhecidos da região sobre o tema.

13

2. CONCEITOS E DEFINIÇÕES

O conceito de restauração sofreu evolução através dos tempos, como visto

nas teorias de restauração apresentadas:

Segundo Castro (1991, p. 5), os conceitos de preservação e tombamento

muitas vezes são usados como sinônimos, mas deve-se distingui-los, já que no

mundo jurídico os seus efeitos se diferem. Desta forma, preservação é um

conceito mais genérico que visa proteger de algum dano futuro, defender,

resguardar, conservar. No caso do patrimônio cultural, é compreendido como

toda e qualquer ação do Estado com o objetivo de manter a memória de fatos

ou valores culturais de uma Nação. A preservação engloba várias ações como:

inventariação, conservação, consolidação, restauração, tombamento e outras

formas de acautelamento.

Como patrimônio, encontra-se uma dupla associação com paterno e pátria

na sua raiz latina, patrimonium. Implica herança, legado, posse. Bem de

herança, que é transmitido, dos pais aos filhos segundo as leis (MOORE, 1996,

apud MEIRA, 2001, p. 23). Patrimônio é o que se considera como herança

comum, o conjunto de elementos culturais e naturais, materiais e imateriais,

herdados de seus antepassados ou criados no presente, em que uma

comunidade reconhece e se identifica e que deve ser transferido a gerações

futuras.

O conceito de patrimônio histórico diz respeito ao conjunto de bens com

valor para a história da construção e das artes, constituído por peças e objetos

explicativos de uma civilização em um dado momento (INTERNATIONAL

COUNCIL OF MONUMENTS AND SITES2, 1989).

cultura, segundo Cuéllar (1997), é o conjunto de estruturas ( por

exemplo, sociais ou religiosas), de manifestações (como as intelectuais ou

artísticas por exemplo), que caracterizam uma sociedade. Este conceito vem

ao longo do tempo se aperfeiçoando, para definir que a cultura de um povo são

seus bens tangíveis e intangíveis, que compõem a memória coletiva das

comunidades e proporciona sentido de identidade. Dentre os bens tangíveis, os

bens edificados compõem o patrimônio histórico e cultural de uma sociedade.

Os conceitos referentes aos tipos de intervenções que podem ser realizadas

sobre o bem patrimonial histórico, são apresentados por alguns autores,

14

podendo ocorrer em níveis diferentes, como a manutenção, a conservação e a

restauração.

Segundo Seele (2000 apud LERSCH 2003, p. 32), a manutenção é o

gênero mais simples e cuidadoso de preservação de monumentos. Deve-se ter

pequenos cuidados com a edificação.

As atividades de manutenção são as que visam repor parcialmente o

desempenho, de maneira a adiar o momento em que o limiar do desempenho

mínimo é atingido. Quando, eventualmente, o desempenho se torna

inaceitavelmente baixo, o processo de restauração é necessário,

frequentemente incluindo substituição de certas partes (Conseil International du

Bâtiment pour la Recherche L'étude et la Documentation, 1982). Segundo a

Carta de Burra (editada em 1980), é a proteção contínua da substância, do

conteúdo e do entorno do bem e não deve ser confundido com reparação.

Segundo o ICOMOS (1989), a conservação é a ação de resguardar do

dano, da decadência e da deterioração, amparando, defendendo e

salvaguardando. Curtis (1982) define que é a atitude permanente de

manutenção e vigilância, sempre mais vantajosa do que as intervenções

corretivas. Ainda a Carta de Burra define como os cuidados a serem

dispensados a um bem para preservar suas características que apresentem

significação cultural e implicará ou não na preservação ou na restauração.

As intervenções frequentemente utilizadas nos dias atuais, em prédios e

áreas de valor histórico, são a reciclagem, a revitalização e a reutilização,

além da consolidação. Para Jantzen (1996 apud LERSCH 2003, p. 33), a

reciclagem ocorre quando se quer mudar o uso original do edifício, devendo

haver uma adaptação às condições atuais sem prejudicar a volumetria, a

tipologia e a linguagem formal original do prédio.

Conforme Cabrita et al. (1992 apud LERSCH 2003, p. 33), revitalização é

um termo aplicado para operações desenvolvidas em áreas urbanas

degradadas ou conjuntos arquitetônicos de valor histórico, procurando a

melhoria das estruturas sociais, econômicas e culturais do local.

Citando Curtis (1982), a reutilização é a consequência natural dos

investimentos feitos na restauração, indispensável para evitar a rápida

deterioração. O alto custo social da conservação impõe cuidados no sentido de

que o novo uso do monumento seja compatibilizado com sua tipologia funcional

15

e que consulte aos interesses de um maior número de pessoas possível. Para

consolidação o mesmo autor define como a intervenção necessária à garantia

de estabilidade da edificação ou das ruínas.

Outros conceitos também são importantes para o melhor entendimento do

trabalho e são os seguintes: conforme a Carta de Burra (1980), o termo bem

designa um local, zona, edifício ou obra construída, ou ainda um conjunto de

edificações ou obras que possuam valor cultural, compreendidos em cada

caso, o conteúdo e o entorno a que pertence. Já reconstrução é o

restabelecimento, com o máximo de exatidão, de um estado anterior conhecido

e se distingue pela introdução de materiais diferentes, novos ou antigos.

16

3. O FORNO HOFFMANN

Apresentação do diagnóstico do bairro, do terreno e do Forno Hoffmann.

Primeiro mostrando a localização da proposta, desde Minas Gerais até o

terreno. Timóteo se localiza na região leste de Minas Gerais, dentro do

conjunto de cidades chamado Vale do Aço (Ipatinga, Coronel Fabriciano,

Timóteo). Por serem muito próximas, a população se locomove facilmente de

uma cidade para outra, quase se tornando uma só cidade.

Vale do Aço tornou-se conhecida internacionalmente em virtude de grandes

empresas que se encontram na região, a exemplo da Cenibra, Aperam South

America (antiga Acesita e ArcelorMittal Inox Brasil) e Usiminas, todas com um

crescente volume de produtos exportados.

Município Área (km²) 6

População

(2010) 7 3

PIB (2008) 5 IDH (2000)

5

Distância

a Ipatinga (Km)

Ipatinga 166 239.177 6.182.516,210 0,806 elevado

Coronel Fabriciano 221 103.797 661.950,666 0,789

médio

9,6

Timóteo 145 81.119 2.350.882,545 0,831 elevado

12,6

Total808551.3519.346.029,9140,803 elevado

O bairro onde localiza-se o Forno Hoffmann é o Novo Horizonte, porém

como é muito próximo e um pouco misturado com o bairro vizinho(Olaria),

alguns relacionam como Olaria e outros como Novo Horizonte. Sua população

foi contada pelo censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

(IBGE) em 1 921 habitantes, representando 2,4% do total da cidade. 919

pessoas eram homens e 1 002 mulheres, sendo que existiam 603 domicílios.

Chegando ao Forno Hoffmann, apresenta-se nesse diagnóstico o estado em

que se encontra a construção e os problemas causados pela sua degradação.

Este diagnóstico também contém informações iniciais sobre o entorno do bem

17

e sobre estado dos sistemas estruturais, de cobertura, vedação, identificando o

nível de gravidade das lesões existentes em peças estruturais.

3.1 LOCALIZAÇÃO

Figura 10: mapa minas gerais Fonte: sisema,2013

Figura 11: Mapa relevo Vale do Aço Fonte: sistema, 2013

Figura 12: Mapa relevo Timóteo Fonte: Google Maps, 2013

Figura 13: Mapa bairro Olaria, Fonte: Google

Maps

Figura 14: Vista Quarteirão Forno

Fonte: Google Maps

VALE DO AÇO

TIMÓTEO

BAIRRO OLARIA/ NOVO HORIZONTE

QUARTEIRÃO E TERRENO

18

3.2 ESTRUTURA FÍSICO AMBIENTAL

3.2.1 Relevo da região:

O bairro onde o forno se encontra é bastante plano em relação com as

outras áreas da cidade (figura 15), podemos perceber que são utilizadas até

para andar de patins e skate. Mas analisando o quarteirão do Forno Hoffmann

tem bastante declividade, principalmente em algumas partes como em seu

contorno.

Figura 15: Mapa topográfico, bairro Olaria Fonte: sisema,2013

Figura 16: Mapa da topografia quarteirão Forno Hoffmann Fonte: Prefeitura de Timóteo,2012

19

3.2.2 Relevo e hidrografia da região:

Timóteo está localizada junto à bacia do rio Piracicaba e próximo ao Doce,

tendo em seu território várias sub-bacias de pequenos e médios córregos com

papéis importantes em sua configuração. Timóteo tem a altitude média de 315

m. O ponto culminante do município é o Pico do Ana Moura, que mede 864 m,

localizado no bairro Ana Moura. A altitude mínima se encontra na foz do Rio

Piracicaba, com 220 m. A cidade possui 207 nascentes cadastradas, sendo

130 perenes, 61 secas e dezesseis intermitentes.

O município de Timóteo está inserido na depressão interplanáltica do Vale

do Rio Doce, que tem 200 km de comprimento e 50 km de largura. O relevo é

resultado de uma dissecação fluvial atuante nas rochas granito-gnáissicas do

período pré-cambriano.No município predomina um relevo montanhoso. Cerca

de 50% do território timotense é de terras onduladas, 30% são formados de

mares, morros e montanhas, e nos 15% restantes o terreno é plano.

Figura 17: Mapa hidrográfico Vale do Aço e entorno.

Fonte: Prefeitura de Timóteo

20

3.3 ESTRUTURA FÍSICO AMBIENTAL

3.3.1 Impactos ambientais:

O próprio Forno Hoffmann se encontra como um impacto ambiental na

região. Abandonado por mais de 10 anos, a construção degradada causa

várias consequências ambientais, uma delas são as presenças de ratos,

baratas, cupins, caramujos africanos e outros animais peçonhentos. Entulhos

estão sendo deixados ao redor do lote ou jogados dentro (figura 20). A

vegetação do lote está crescendo muito e alçando os muros vizinhos e

incomodando (figuras 18 e 19). Os imóveis da região estão sendo

desvalorizados por essas causas.

Figura 18: Vista Forno Hoffman área com vegetação Fonte: arquivo pessoal

Figura 19: Vista Forno Hoffmann, segundo andar degradado com entulhos. Fonte: arquivo pessoal

Figura 20: Vista Forno Hoffmann entrada com muita vegetação Fonte: arquivo pessoal

21

3.3.2 Forno Hoffmann Passado:

O Forno Hoffman, foi construído em 1945 para fabricar os tijolos

necessários para a implantação da Companhia de Aços Especiais de Itabira

(Acesita, hoje Aperam) no município. Foi construído por operários da própria

empresa e as primeiras residências nos bairros Olaria, Vila dos Técnicos e

Bromélias foram construídas com tijolos produzidos no Forno Hoffman(Figura

22). Desativado há cerca de cinco décadas, o forno conta com uma área de

aproximadamente 3.170 metros quadrados. De acordo com relato de

moradores, o terreno onde o mesmo está instalado não possuía muros e o

acesso à área era livre(figura 23). Atualmente, o espaço, que já foi ocupado por

uma casa noturna na década de 90 (Hoffman 530), está cercado e encontra-se

desativado.

Figura 22: Foto das primeiras residências construídas com os tijolos fabricados no Forno Hoffmann; Fonte: levantamento realizado pela autora em Fevereiro de 2013 com moradores do entorno do forno.

Figura 23:Fotografia do forno da olaria (fábrica de tijolos cerâmicos) em funcionamento; Fonte: levantamento realizado pela autora em Fevereiro de 2013 com moradores do entorno.

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3.4 ESTRUTURA FÍSICO FUNCIONAL

3.4.1 Mapa fluxos:

O trânsito em geral do bairro tem pouco fluxo, somente a Rua Rodrigues de

Carvalho mostrado com setas laranja no mapa que apresenta um fluxo um

pouco maior que as demais ruas do bairro. E as avenidas de setas pretas são

as principais entradas para o bairro Novo Horizonte, uma atravessando a área

(Av. Acesita) e a outra no entorno (Av. Vinte).

Ao redor do terreno (ponto vermelho), tem pouco fluxo de carros em geral,

só a Rua Rodrigues de Carvalho que podemos perceber uma maior passagem

de veículos e é aonde se encontra a fachada principal do Forno Hoffmann.

Figura 24: Mapa bairro Olaria Fonte: Google Maps, 2013, modificado pela autora

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3.4.2 Sinalização:

Se tratando de adequação e acessibilidade pode-se dizer que o entorno do

terreno é bem adequado a essas questões. Existem rebaixos na calçada para o

acesso de cadeirantes e a calçada também encontra-se em excelente estado

de conservação. As ruas são todas sinalizadas, com pistas de rolamento

corretas e indicações com placas. As ruas são todas muito bem iluminadas.

Figura 25: Desenho entorno Forno Hoffman com sinalização Fonte: arquivo pessoal

adequado a essas questões. Existem rebaixos na calçada para o acesso de cadeirantes e a

calçada também encontra-se em excelente estado de conservação. As ruas são todas

sinalizadas, com pistas de rolamento corretas e indicações com placas. As ruas são todas muito

bem iluminadas.

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3.4.3 Fotos sinalização:

Figura 26: Av. Rod Carvalho, faixa contínua, orelhão e sinal vertical. Fonte: arquivo pessoal

Figura 27: Av. Rod Carvalho, telefone público. Fonte: arquivo pessoal

Figura 29: Av. Rod Carvalho. Fonte: arquivo pessoal

Figura 28: Esquina Av. Rod Carvalho com Rua Setenta e Seis. Fonte: arquivo pessoal

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