processamento de alimentos e formulação de rações , Outro de Nutrição. Universidade Federal de Rondônia (UNIR)
paolla-rozo
paolla-rozo10 de abril de 2018

processamento de alimentos e formulação de rações , Outro de Nutrição. Universidade Federal de Rondônia (UNIR)

PDF (450 KB)
11 páginas
8Número de visitas
Descrição
Arquivo baixado de terceiro medicina veterinária
20 pontos
Pontos de download necessários para baixar
este documento
Baixar o documento
Pré-visualização3 páginas / 11

Esta é apenas uma pré-visualização

3 mostrados em 11 páginas

Baixar o documento

Esta é apenas uma pré-visualização

3 mostrados em 11 páginas

Baixar o documento

Esta é apenas uma pré-visualização

3 mostrados em 11 páginas

Baixar o documento

Esta é apenas uma pré-visualização

3 mostrados em 11 páginas

Baixar o documento

PROCESSAMENTO DE ALIMENTOS E FORMULAÇÃO DE RAÇÕES,

CONCENTRADOS, NÚCLEOS, PREMIXES E SUPLEMENTOS.

INTRODUÇÃO

O foco desta edição é a abordagem sobre como os alimentos volumosos e seus

componentes podem afetar o teor de sólidos no leite. Da mesma forma, vamos avaliar

os reflexos do processamentos destes alimentos na saúde ruminal e suas

consequências na produção de leite e conteúdo de sólidos no mesmo.

Como melhorar a saúde ruminal e o teor de sólidos do leite manipulando a formulação

com o uso de volumosos e o seu processamento?

Sabemos que saúde ruminal adequada é pre-requisito básico para a produção de leite

com teor de sólidos adequado. Neste sentido, os alimentos volumosos e o

processamento dos mesmos desempenham um papel fundamental. Precisamos

oferecer às vacas leiteiras quantidade mínimas dos volumosos com características

específicas para que os mesmos contribuam para um adequado tamponamento

ruminal. No entanto, a quantidade de volumosos adequada para esta função vai

depender de uma série de fatores:

• Tipo, qualidade e processamento dos volumosos;

• Tipo, qualidade e processamento dos concentrados;

• Manejo da alimentação;

• Fase da lactação;

• Tamponamento adicional;

• Estresse térmico;

• Contaminação com micotoxinas;

• Tipo e quantidade de lipídios;

• Etc.

Como podemos observar, são muitos os fatores que devem ser observados e a ordem

com que cada um afeta o teor de sólidos no leite, pode ser extremamente variável.

De uma forma geral, os alimentos volumosos vão contribuir principalmente para a

formação de gordura no leite. Pelo menos metade da quantidade da gordura

sintetizada na glândula mamaria é proveniente dos ácidos graxos voláteis oriundos da

fermentação ruminal da fibra.

Os principais são o ácido acético e o ácido butírico. Qualquer fator que afete a

digestão da fibra ou a atividade das bactérias celuloliticas invariavelmente vai afetar a

produção destes dois ácidos graxos voláteis, comprometendo no curto prazo o

conteúdo de gordura no leite e no longo prazo, produção e saúde dos animais.

O principal fator que afeta a atividade dos microrganismos que diferem a fibra é o

baixo pH ruminal, podendo ser definido como acidose clinica ou subclinica, que não

são simplesmente resolvidos com o uso de tamponantes, mas sim com o uso deles

associados a praticas de manejo adequadas, ajuste em formulação, ajustem em

ambiencia e conforto, uso de aditivos melhoradores da saúde ruminal, entre outros.

ALIMENTOS VOLUMOSOS E OS PONTOS CRÍTICOS DA FORMULAÇÃO

Quando falamos em alimentos volumosos, estamos falando em alimentos com uma

série de características que nos vem em mente:

• São alimentos ricos em fibra (fibra em detergente neutra – FDN, fibra em detergente

ácido – FDA, etc);

• É a fibra destes alimentos que assegura o processo de mastigação e ruminação

(fibra de forragem);

• A fibra destes alimentos estimula a produção de uma saliva mais viscosa que, por ser

mais rica em tamponantes endógenos, ajuda a garantir uma melhor saúde ruminal;

• São alimentos com uma enorme variabilidade em termos de qualidade da fibra

(digestibilidade da fibra);

• São alimentos com enorme variabilidade em termos de conteúdo proteico;

• São alimentos ricos em potássio, principalmente quando oferecidos frescos ou

colhidos no estágio vegetativo;

• São alimentos baratos quando produzidos na fazenda e caros para serem

adquiridos;

• Etc.

Poderíamos ficar muito tempo enumerando as características dos alimentos

volumosos. De uma forma resumida, poderíamos dizer que são os alimentos que

contém a fração de carboidratos fibrosos da dieta e que são ESSENCIAIS para

garantir produção e qualidade do leite adequados.

Em termos de nutrientes ou drivers para formulação de dieta, atualmente estamos

avaliando dentro da fração correspondente aos volumosos os seguintes:

• Fibra em detergente neutro;

• Fibra em detergente ácido;

• FDN proveniente de forragem;

• FDN digestível no rúmen;

• rH index.

Cada um deles tem o seu papel dentro do trato digestivo, mas de uma forma geral

visam o fornecimento de combustíveis para a fermentação ruminal (alimento para os

microrganismos ruminais), estrutura física para promover a ruminação e passagem

pelo trato digestivo como um todo e podem exercer função tampão de acordo com

algumas características químicas e físicas.

A fibra em detergente neutro (FDN), é a fração nutricional correspondente a soma de

hemicelulose, celulose e lignina.

Destes, sabemos que a hemicelulose tem alta digestibilidade, a celulose tem

digestibilidade variável (afetada principalmente pela maturidade das plantas) e a

lignina é praticamente indigestível.

A fibra em detergente ácido (FDA), é a fração correspondente a soma de celulose e

lignina. Pela diferença entre fibra em detergente ácido e fibra em detergente neutro

calculamos a quantidade de hemicelulose. Normalmente o conteúdo de FDA de um

mesmo alimento nos dá um indicativo muito fiel de como é a sua digestibilidade como

um todo. Quanto maior o seu conteúdo, maior a chance de ter teores elevados de

lignina e maior a chance de ter a digestibilidade reduzida. FDN proveniente da

forragem: como o próprio nome diz, refere-se a fração de FDN proveniente da

forragem. É uma referência ou fator de segurança normalmente usado na formulação

de dietas no sentido de garantir a saúde ruminal. A integridade da FDN dos volumosos

é considerada FDN de forragem.

FDN digestível ou degradável no rúmen: refere-se a fração do FDN que efetivamente

será degradada no rúmen. Neste caso, uma série de premissas e modelos

matemáticos devem estar envolvidos para estimar de forma precisa o real valor desta

fração. Envolve as características do alimento, da dieta, do animal e a interação de

todos. Rumem Health index (rH index) – é um índice totalmente inovador que busca a

avaliação da saúde ruminal. É um fator de segurança criado no sistema de formulação

da Cargill Animal Nutrition, o DairyMax, que visa fazer um balanço entre os fatores que

atuam positivamente e negativamente na saúde ruminal. Obviamente, os alimentos

volumosos, são os que contribuem positivamente para este balanço, junto com os

tamponantes de dieta.

PROCESSAMENTO DOS ALIMENTOS VOLUMOSOS

O processamento dos alimentos volumosos pode modificar completamente a sua

dinâmica dentro do trato digestivo. Existem alguns equipamentos que auxiliam o

nutricionista na avaliação do tamanho de partícula dos alimentos da dieta e na

dinâmica dos alimentos volumosos dentro do trato gastrointestinal:

• Penn State Shaker Box (A): mede o tamanho de partículas em forragens e dietas;

• Cargill Particle Scorer (B): mede o tamanho de partículas em forragens;

• Cargill Digestion Analizer (C): avalia a distribuição das partículas de alimento nas

fezes;

• Kernel Hardness Indicator (D): mede a dureza dos grãos na silagem de milho.

As ferramentas B e C são utilizadas no programa de formulação de dietas DAIRYMAX

como inputs dos alimentos. Por exemplo,

numa silagem de milho que sofreu excessivo processa-mento iremos encontrar uma

grande quantidade de partículas que passa a peneira da Cargill Particle Scorer. O

valor encontrado será incorporado as informações nutricionais do alimento obtida na

análise laboratorial.

Neste caso, uma maior

quantidade de amido estará disponível para a fermentação ruminal e o índice de

saúde ruminal estará mais baixo. Dependendo dos outros componentes da dieta, do

manejo da alimentação e de fatores ambientais diversos, isso poderá trazer um reflexo

negativo para a gordura no leite. Por outro lado,

pode contribuir para uma maior síntese de proteína microbiana (e produção de ácidos

graxos voláteis) e contribuir para produzir um leite com nível de proteína mais elevado.

Como pode ser observado, dependendo do contexto da dieta anterior, um

processamento excessivo pode prejudicar ou melhorar

o conteúdo de sólidos no leite. Na primeira situação, a dieta já estaria próxima do

limite do desafio ruminal (acidose) e, na segunda, muito longe do mesmo

(comprometendo a produção e o conteúdo de proteína no leite). Podemos observar

melhor esta comparação na tabela abaixo para a mesma silagem de milho utilizando a

Cargill Particle Scorer e o sistema de formulação de dietas DairyMax.

Numa dieta hipotética, onde a silagem de milho representa 40% da matéria seca da

dieta, com presença de feno

alfafa e com o uso de tamponantes, a simples substituição da silagem com 60% de

partículas finas pela silagem com 20% de partículas finas pode representar um

incremento de 0,10% na gordura do leite.

Uma característica comum aos alimentos é o poder tampão intrínseco deles, seja pela

capacidade de troca de cátions ou pelas propriedades bioquímicas das proteínas. O

feno de alfafa é um exemplo de forragem com grande poder tampão, uma das razões

pela qual o uso de tamponantes não tem resposta quando ela é o principal volumoso

da dieta.

Jasaitis et al. (1987) avaliou vários alimentos e os classificou de acordo com a

capacidade tampão:

• Baixa para alimentos energéticos;

• Intermediária para alimentos protéicos (<35% de PB) e forrageiras gramíneas;

• Alta para alimentos com proteína superior a 35% e forrageiras leguminosas.

Finalmente, diversos autores vem demonstrando que o tamanho de partícula das

forragens interfere na atividade mastigatória e na saúde ruminal.

Neste momento, o uso da ferramenta da Penn State Shaker Box nos auxilia a

determinar o ponto ótimo entre o sub e o superprocessamento das forragens, o ponto

que garante adequada saúde ruminal sem que haja seleção de alimentos no

comedouro entre os tratos.

DINÂMICA DE CARBOIDRATOS FIBROSOS EM VACAS LEITEIRAS

A FDN proveniente de forragem passou a ser avaliada na formulação de dietas com

mais intensidade a partir do NRC de 2001, que sugere os níveis abaixo de acordo com

a fração de carboidratos não fibrosos, FDN e FDA da dieta.

A fração de FDN é talvez a mais antiga das referências em termos de atender os

requerimentos de fibra das vacas em lactação, sobretudo, das vacas de alta produção.

Na verdade, buscamos com a fração fibrosa a formação do conhecido "mat ruminal",

que vai garantir que o animal tenha uma camada grosseira de fibra na parte superior

do rúmen, estimulando a ruminação e a produção de saliva. No entanto, esta

informação isolada por vezes pode nos levar a "equívocos" na hora da formulação.

Não sabemos qual a origem deste FDN, por quanto tempo ele permanece contribuindo

para a formação do mat ruminal e qual o tamanho de partículas dos alimentos que

contribuem para o mesmo. Esta preocupação foi demonstrada num trabalho feito por

Bailey (1959), onde comparou diversos alimentos com a sua capacidade de estímulo a

produção de saliva.

Neste ponto, podemos começar a avaliar a fração do FDA, que por um lado separa a

fração de alta digestibilidade que é a hemicelulose, mas deixa ainda a dúvida com

relação ao tempo que esta fração vai permanecer contribuindo para a formação do

mat ruminal, pois a celulose tem digestibilidade variável, sendo muito afetada pela

maturidade em que a planta está ou foi colhida.

Além disso, temos a variável referente ao tamanho de partículas que não é

solucionado apenas com a informação desta fração nutricional.

Na seqüência podemos informar o % deste FDN que é proveniente de forragem,

informação que ajuda a diferenciar fibra de forragem de fibra de não forragem. De uma

forma geral, fibra de forragem ajuda a formar o mat ruminal e fibra de não forragem

não. No entanto, existe ainda uma enorme variação dentro da FDN de forragem. Os

sistemas consideram qualquer fonte de FDN sem distinção com relação a

processamento e qualidade. Não há distinção entre a fibra proveniente de um azevém

tenro e de uma palha de trigo. Não há um indicativo de que uma é melhor do que a

outra. Obviamente, junto com as frações de fibra anteriormente citadas acaba tendo

uma grande importância. Já a FDN digestível ou degradável no rúmen é uma

informação mais robusta, que além de considerar a fração que efetivamente

contribuirá como combustível para a fermentação ruminal, nos dá um indicativo do

tempo de permanência no rúmen, colaborando na formação do mat ruminal. Ela nos

dá um indicativo da qualidade da fibra.

Finalmente, quando trabalhamos com a informação do Rumem Health index (rH index)

conseguimos uma maior segurança, pois conseguimos ter uma referência segura de

que os alimentos volumosos, nas condições química e física encontradas na fazenda e

na quantidade ofertada para as vacas, podem garantir a saúde ruminal necessária

para ótima produção e conteúdo de sólidos no leite, considerando os demais

nutrientes da dieta (principalmente os carboidratos não fibrosos).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A fração de carboidratos fibrosos desempenham um papel muito importante dentro da

dieta de vacas leiteiras. É de fundamental importancia avaliar as suas caracteristicas

físicas para que possamos ter certeza que estão colaborando para a manutenção da

saúde ruminal sem comprometer a produção e o conteúdo de sólidos do leite. Para

isso, são necessários conceitos inovadores como FDN digestível e Rumem Health

index (rH index) e ferramentas diferenciadas para a busca incansável da nutrição de

precisão.

comentários (0)

Até o momento nenhum comentário

Seja o primeiro a comentar!

Esta é apenas uma pré-visualização

3 mostrados em 11 páginas

Baixar o documento