protocolo REMANE encalhe de mamiferos marinhos, Notas de estudo de Oceanografia
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procedimentos adotados a animais encalhados
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Protocolo de conduta para encalhes de mamíferos aquáticos — REDE DE ENCALHE DE MAMEROS AQUÁTICOS DO NORDESTE Mi Marina Silva stra do Meio Ambiente Presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - Ibama Marcus Luiz Barroso Barros Diretor de Fauna e Recursos Pesqueiros Rômulo José Fernandes Barreto Mello Coordenador-Geral de Fauna Ricardo José Soavinski Chefe do Centro Nacional de Pesquisa, Conservação e Manejo de Mamíferos Aquáticos - Centro Mamíferos Aquáticos (CMA/lbama) Régis Pinto de Lima Presidente da Fundação para Preservação e Estudos dos Mamíferos Aquáticos — Fundação Mamíferos Aquáticos (FMA) Cassiano Monteiro Neto Diretora-Executiva da Fundação para Preservação e Estudos dos Mamíferos Aquáticos — Fundação Mamíferos Aquáticos (FMA) Denise de Freitas Castro Ministério do Meio Ambiente Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis Protocolo de conduta para encalhesde mamíferos aquáticos MM À Rc eEBEAPE MMOs quo RT Edição Final Jociery Einhardt Vergara-Parente Pevisão Técnica Fernando C. Weber Rosas Compilação dos Originais Ana Carolina Oliveira de Meirelles Jociery Einhardt Vergara-Parente Catalogação na fonte Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis P967 Protocolo de conduta para encalhes de mamíferos aquáticos / Rede de encalhe de mamíferos aquáticos do Nordeste. — Recife: Ibama, 2005. 298p.: ilcolor.; 14,3cm x 21,6cm (fechado). Inclui bibliografia ISBN 85-73-183-6 1. Mamítero aquático. 2. Cetáceos. 3. Srenios. 4. Protocolo. |. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. Il. Rede de Encalhe de Mamíferos Aquáticos do Nordeste — Remane. III. Título. COMPONENTES DA Remane Coordenação Centro MamíferosAquáticoslbama Comité Gestor Coordenador: Régis Pinto de Lima Secretaria Executiva: Fabiana Bicudo César Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos-Aquasis Representante Institucional: Cristine Pereira Negrão Siva Representante Técnico: Ana Carolina Oliveira Meirelles Centro Golfinho Rotador Representante Institucional: José Martinsda Silva dinior Centro Mamíferos Aquáticos/lbama Representante Institucional: Fábia de Oliveira Luna Representante Técnico: Carolina Mattosinho de Carvalho Alvite Fundação Mamíteros Aquáticos Representante Institucional: Denise de FreitasCasro Representante Técnico: Jociery Einhardt Vergara-Parente Instituto Baleia Jubarte Representante Institudonal: Márcia H. Engel Representante Témnico: Milton César C. Marcondes Reserva Biológica do Atol das Rocasflbama Representante Institucional: Maurizóliade Brito Siva Representante Témnico: Thaisde Godoy Sociedade de Pesquisa é Conservação de Mamíteros Aquáticos Representante Institucional: Luciano Wagner Peis Representante Técnico: Adolfo Hubner de esus Universidade do Estado do Fio Grande do Norte Representante Institucional: Flávio bsé de Lima Shva Representante Técnico: Femanda Láffler Niemeyer Attademo Universidade Federal do Rio Grande do Norte Representante Institucional: Maria Emília Yamamoto Representante Técnico Lídio França do Nascimento SUMÁRIO Apresentação A Importância da Criação das Redes de Encalhes de Mamíferos Aquáticos no Brasil Introdução PeferênciaBibliográtia— Parte | - Resgate, Reabilitação e Soltura Misticetos Feferência Bibliográfica Odontocetos Feferência Bibliográfica Pinípedes Referência Bibliográfica Srênios Feferência Bibliográfica Mustelídeos Feferência Bibliográfica Saúde Pública Feferência Bibliográfica Parte II - Necropsia de Cetáceos é Srênios Misticetos Feferência Bibliográfica Odontocetos Feferência Bibliográfica Siênios Feferência Bibliográfica Anexo |- Relatório deNecropsa — og 17 23 27 39 4 dO o ag 83 lg 101 09 112 — 26 135 2>>>>>—>[>—[—[ e 166 a 185 203 204 Parte III - Coleta, Manipulação e Acervo de Material Biológico Curadoria 209 PeferênciaBiblogrática am Anexo!-Fichade PegistrodoAcenoBiológio o interaçõesAntrópias 202 PeferênciaBibliográfia 28 Anexo!- FichadeDadossobreInteraçõesAntrópicas .. o87 Biometria 239 PeferênciaBiblogática o Anexol-FichaBiométricaparaCetáoeos — om Anexoll-FidhaBiométricaparaPnípedes — 245 Anexoll-FichaBiométricaparaSrênios — omg Anexolv-FidaBiométricaparaMustelideos— 947 Histopatologia 248 PeferênciaBibliográtca om Hematologia 255 ReferênciaBibliogrática mm Contaminmtes — om ReferênciaBibliogrática 978 Parastologia 280 PeferênciaBibliográfica — 29 Anexo!-Fichapara NecropsaParastológia — 098 Virologia 294 FeferênciaBibliográfia — 298 APRESENTAÇÃO O Brasil tem avançado muito nos aspectos científicos e normativos relacionados à conservação dos mamíferos aquáticos, tanto nasuniversidadese organizações não -governamentais, quanto nasprópriasinstituiçõesresponsáveis pela proteção e manejo dessas espécies. Para Ibama, a criação do Grupo de Trabalho Especial para os Mamíferos Aquáticos (GTEMA), em 1994; a participação efetiva como membro da delegação Brasileira na Comissão Internacional da Baleia (CIB), a partir de 1997, e atransformação do Centro Peixe-Boi em Centro Nacional para Pesquisa, Manejo e Conservação dos Mamíferos Aquáticos (CMA); em 1998, foram marcosimportantes na construção de uma política nacional relacionada aos mamíferos aquáticos. Estamos, agora, procedendo à revisão da 3º. Versão do Plano de Ação para os Mamíferos Aquáticos do Brasil, lançado em 1997 e único na América do Sul. Com a criação de um Centro Especializado na estrutura do Ibama, iniciou-se um processo inovador, ousado, e, sobretudo, participativo, no qual as instituições que já trabalhavam com mamíferos aquáticos puderam ajudar a construir um modelo para atendimento em eventos cada vez maiscrescentesna costa brasileira, como o encalhe de mamíferos marinhos. Em 1999, na sede do CMA, em Itamaracá, Pernambuco, foi dado o primeiro passo para construção de uma Rede de Encalhes de Mamíferos Aquáticos no Brasil. Onze instituições do Nordeste, abrangendo 2600 km de costa, discutiram e propuseram a criação da Rede de Encalhes de Mamíferos Aquáticos do Brasil (REM AB), que abrangeria quatro redesregionais. Como forma de atuação, criou- se, primeiramente, a Rede de Encalhes de Mamíferos Aquáticosdo Nordeste (Remane), portaria No. 39 de 28 de junho de 2000. Em consequência de todo esse trabalho, torna-se um privilégio, de nossa parte, apresentar a vocês: profissionais, estudantes, professores, gestorese curiosos, o primeiro produto técnico oriundo da participação de vários pesquisadores nacionais de mamíferos aquáticos, o Protocolo de Conduta para Encalhes de Mamíferos Aquáticos. Este documento, organizado por membros da Remane e sob Coordenação do CMA/lbama, não poderia deixar de lembrar aqueles profissionais pioneiros, que acreditaram na formação das Redes de Encalhes, como, por exemplo, o oceanógrafo Prof. Dr. Cassiano Monteiro, o Eng. de Pesca Cristiano Leite Parente, A Bióloga e Diretora Executiva da Fundação Mamíferos Aquáticos Denise de Feitas Castro, a Veterinária e ex-Chefe do DEVISIbama, lolita Bampi e o Oceanógrafo e Chefe do CMA/lbama, Régis Pinto de Lima. Rômulo José Fernandes Barreto Mello Diretor de Fauna e Recursos Pesqueiros/lbama A Importância da Criação | éois Pinto de Lima Oceanógrato das Redes de Encalhes de , ui . al de Pesquisa, Mamíferos Aquáticos no Brasil vação e Manejo de Mamíferos Aquéticos- Ibama Chefe do CMA/lbama Fabiana Bicudo Cesar Bióloga Centro Nacional de Pesquisa, Conservação e Manejo de Mamíteros Aquéticos- Ibama Analista Ambiental CMA/lbama Trinta e sete das50 espéciesde mamíferos aquáticos listadas no Plano de Ação para Mamíferos Aquáticos do Brasil (lbama, 2001) estão classificadasna categoria DD (Data deficient). Essa categoria indica que não existem informações adequadas para avaliação do statusde conservação, ameaças sofridase outrascaracterísticasdessas espécies. Paralelamente, eventos de encalhe (solitários ou em massa) desses animais ocorrem durante todo o ano no litoral brasileiro. Os principais registros de encalhes, em todo litoral brasileiro, são de espécies da Ordem Cetacea, cuja grande maioria se encontra na categoria de Dados Insuficientes (Ibama, 1999). Muito dessa carência de informações deve-se a doisfatores principais: 1. A inexistência de instituiçõese pessoal técnico especializado em mamíferos aquáticos/marinho para atendimento a encalhesem grande parte das áreas de ocorrência desseseventos; 2. O material biológico (carcaças) resultante dos encalhestinha como destino final o depósito de lixo. O estudo de encalhes desses animais pode nosproporcionar o conhecimento necessário para direcionar osesforços de conservação e fornecer dados para uma avaliação anual da taxa de mortalidade dosgrupostaxonômicos, causasdosóbitos, sazonalidade doseventos e associação com atividadeshumanas potencialmente perturbadoras aos mamíferos aquáticos. A determinação de áreas críticas à conservação e à elaboração de estudos que visem subsidiar e aprimorar as técnicas de reabilitação empregadas são outras informações relevantes que podem ser obtidas a partir desse acompanhamento (Ibama, 1999). No Plano de Ação para Mamíferos Aquáticos do Brasil, encontram-se sugestões para maximizar a conservação desse grupo da fauna, as quais estão diretamente relacionadas aos eventos de encalhe. Entre elasencontramos: - Estabelecimento de Centrosde Reabilitação de mamíferos aquáticos, visando posterior reabilitação e soltura no ambiente natural; - Incentivo à formação de pessoal para atuar em eventos de encalhes e emalhamentosem redesde pesca; - Criação de redes de informação sobre mamíferos aquáticos. Desde 1998, o Centro Nacional de Pesquisa, Conservação e Manejo de Mamíferos Aquáticos - CMA/Ilbama, criado através da Portaria Ibama Nº 143/98, vem trabalhando em busca de técnicas para o melhor atendimento a eventos de encalhes, assim como na formulação de planosde reintrodução e soltura de animaisreabilitados. Esse trabalho vem considerar, ainda, o compromisso do Brasil firmado anualmente junto à Comissão Internacional da Baleia, o qual propõe a proteção e conservação dosgrandes cetáceos em águasjurisdicionais brasileiras. Em 1999, foi criada a proposta de implementação da Rede de Encalhes de Mamíferos Aquáticos do Brasil - Remab (lbama, 1999) com o objetivo de organizar as informaçõesdas redesregionais de todo o território brasileiro. A Remab foi idealizada para receber e sistematizar informaçõesnacionaisreferentesá pesquisa e conservação dos mamíferos aquáticos de águas brasileiras, facilitando assim a tomada de decisões no estabelecimento de diretrizes para a conservação das espécies. Além disso, a Remab também prevê a elaboração de protocolos para o registro de encalhese reabilitação de animais, assim como para coleta etransporte de material biológico. No entanto, o Brasil possui aproximadamente 8.000km de extensão de litoral e um vasto complexo fluvial na região norte. A grande extensão territorial facilita a dispersão dos dados que permanecem em poder de diferentesinstituições. Por outro lado, a implementação de ações sem integração regional contribui também para a baixa socialização do conhecimento e das pesquisas em andamento. Como forma de amenizar estes problemas, sobretudo, adquirir experiência na criação e desenvolvimento do trabalho com mamíferos marinhos na forma de rede, foi proposta a divisão da Remab em redesregionais (Ibama, 1999). Dessa forma, o Ibama criou primeiramente a Pede de Encalhes de Mamíferos Aquáticos do Nordeste-Remane, aproveitando o trabalho em parceria com instituiçõesna região Nordeste, sobretudo quanto ao encalhe de filhotes de peixes-bois marinhos (Trichechus manatus) naquela região costeira. A Remab, para abranger todasas regiõesde ocorrências de mamíferos aquáticosno país, é composta pelasseguintesredesregionais(lbama, 1999): - Rede Encalhes de Mamíferos Aquáticos do Norte (Remanor) — envolvendo asinstituiçõesdos Estadosdo Pará, Amapá, Amazonase Maranhão (apesar de estar geograficamente na região nordeste); = - Rede Encalhes de Mamíferos Aquáticos do Nordeste (Remane) — abrangendo instituições dos Estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. - Rede Encalhes de Mamíferos Aquáticos do Sudeste (Pemase) — abrangendo instituições dos Estados do Espírito Santo, São Paulo e Rio de Janeiro; - Rede Encalhes de Mamíferos Aquáticos do Sul (Remasul) — abrangendo instituições dos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Dentre as redes descritas, a Remane foi a primeira rede re- gional a ser oficialmente instituída, através da Portaria Ibama Nº 039 de 28 de junho de 2000. Na data de sua criação, foi instituído um Comitê Gestor composto pelasinstituiçõesfundadoras, para organizar e gerenciar o funcionamento da Remane. De acordo com seu Artigo 4º, o Centro Nacional de Pesquisa, Conservação e Manejo de Mamíferos Aquáticos - CM A/lbama foi determinado para coordenar esta Rede Regional. A Remane, composta atualmente por nove instituições licenciadas para coleta/transporte de material biológico, tem por finalidade realizar, coordenar e prover, em âmbito regional, estudos oriundosde resgates, reabilitação, reintrodução e soltura de mamíferos aquáticos. Dessa forma, são objetivos dessa rede regional: - Desenvolver, implantar e manter um banco de dadosregional sobre pesquisas oriundasdosencalhes de mam iferosaquáticos; - Fornecer subsídios técnicos na adoção de medidas de conservação e manejo das espécies que ocorrem naregião; - Apoiar projetos de pesquisa, conservação e manejo deste grupo da fauna; - Participar de fóruns nacionais internacionais que tratem de questões relativas a encalhes de mam ferosaquáticos. Apósquatro anosde criação da primeira Rede de Encalhes, as instituiçõesque compõem a Remane e colaboradores de todo o país disponibilizaram um guia básico para a padronização de procedimentos técnicos relacionados ao encalhe de mamíferos aquáticos. A junção da experiência prática de vários pesquisadores nacionaiscom os conhecimentosinternacionais disponíveis deu vida ao Protocolo, demonstrando o grau de envolvimento dasinstituições e pessoasque fazem a pesquisa e conservação dos mamíferos aquáticos no Brasil. O Protocolo deve otimizar a implementação das demais redes, preparando, com profissionalismo e otimismo, o caminho até aimplantação da Remab. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA Ibama, Proposta de Criação da Rede de Encalhe de Mamíferos Aquáticos do Brasil, Centro Mamíferos Aquáticos, Cristiano Leite Parente. Ilha de Itamaracá/PE. 1999. 11p. . Mamíferos aquáticos do Brasil: plano de ação, versão II2º ed. Brasília: Ibama, 2001. 102p. — INTRODUÇÃO — (irremem Bióloga Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos Aquasis Joclery Enhardt Vergara-Parente Médica Veterinária Fundação Mam iterosAquáticos Milton César C. Marcondes Médico Veterinário Instituto Baleia Jubarte São mamíferos aquáticos os animais das Ordens Cetacea e Sirenia, da Sibordem Pinnipedia e da Família Mustelidae da Ordem Carnívora, que possuem dependência direta do meio aquático para o desenvolvimento dassuas atividades vitais, tais como alimentação e/ou reprodução (Portaria Ibama Nº 98, de 14/04/2000). Segundo o Plano de Ação para Mamíferos Aquáticos (Ibama, 2001), existem 50 espécies presentes em águasbrasileiras, sendo 39 Cetáceos, sete Pinípedes, dois Mustelídeose doisSirênios. A distribuição dos mamíferos marinhosno Brasil é de extrema amplitude, ocorrendo de forma contínua nos seus8.000 km de litoral, conforme pode ser comprovado pelos registros de avistagens e encalhes. Os encalhes desses animais ocorrem todos os anosno litoral brasileiro (Lodi et al., 1990; Alves-Junior et al., 1996; Higa et al., 1998), e em número expressivo, o que demonstra a importância da criação, em 28 de junho de 2000, da Rede de Encalhesde Mamíferos Aquáticos do Nordeste-Remane (Portaria Ibama Nº 39 de 28/06/ 2000). A Remane tem como finalidade realizar, coordenar e prover, em âmbito regional, estudos oriundos de resgate, reabilitação, reintrodução e soltura de mamíferos aquáticos. Atualmente nove instituições compõem essa Rede, são elas: Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Costeiros — Aquasis, Centro Golfinho Rotador, Centro Mamíferos Aquáticos/lbama, Fundação Mamíferos Aquáticos, Instituto Baleia Jubarte, Reserva Biológica Atol das Rocas/ Ibama, Sociedade de Pesquisa e Conservação dos Mamíferos Aquáticos, Universidade Federal do Rio Grande do Norte — Departamento de Fisiologia e Universidade Estadual do Rio Grande do Norte. Osdadosobtidos, atravésdos mamíferos aquáticosencalhados, são fontesimportantesde informações sobre os animais. A espécie Mesoplodon pacificus, por exemplo, só foi descrita a partir de crânios encontrados encalhados (Jefferson et al., 1993). O conteúdo estomacal oferece informações sobre a dieta desses animais; dados de biometria possibilitam avaliar a categoria a que pertence o ani- mal; amostras de pele permitem análises de DNA mostrando a variabilidade genética da população, sua distribuição e análise da viabilidade a longo prazo; interações com o ser humano como emalhe em redes de pesca, colisão com embarcações, tiros e arpões. Tudo pode ser avaliado a partir das carcaçase servir como orientação para esforçosconservacionistas; doenças emergentes e contaminação por poluentes persistentese metais pesados. Eles podem ser detectados e servir como indicadores da saúde do meio ambiente. Visando à padronização dasinformações e materiais oriundos dosencalhesatendidos pelasinstituições pertencentes à Remane, foi elaborado o Protocolo de Conduta para Encalhes de Mamíferos Aquáticos, o qual está divido em três partes: Resgate, Reabilitação e Soltura; Necropsia; e Coleta, Manipulação e Acervo de Material Biológico. Neles se encontram as principais técnicas de manejo utilizadas nas espécies de mamíferos aquáticos presentesno Brasil, tanto em ambiente natural como em cativeiro eorienta, ainda, quanto aos procedimentosa serem adotadosnoscasosde reintroduções. Parafacilitar a metodologia, foram adotadosalgunscritériose o conceito de reintrodução: RPeintrodução (IUCN, 1998): Atividade para tentar estabelecer uma espécie numa área ou parte de sua distribuição histórica, onde sua população vem se tornando reduzida ou se tornou extinta; Critérios que determinam o grau de ameaça a que estão submetidas as espécies, segundo o Plano de Ação para Mamíferos Aquáticosdo Brasil (lbama, 2001): Em perigo crítico (Critically Endangered) CR - Risco extremamente alto de extinção na natureza em futuro imediato. Em perigo (Endangered) EN - Risco muito alto de extinção na natureza em futuro próximo. Vulnerável (Vulnerable) VU - Alto risco de extinção na natureza a médio prazo. Baixo risco (Lower Risk) LR - Quando a espécie, tendo sido avaliada, não se enquadra nas categorias acima. Dados insuficientes (Data Deficient) DD - Quando não existem informações adequadas para se fazer uma avaliação. A classificação DD não significa uma categoria de ameaça, ou de ausência de ameaça, mas apenas a constatação de que os dados conhecidosnão permitem uma avaliação e corresponde à classificação Indeterminado (Il) no critério adotado pela IUCN antes de 1994. (Ibama, 2001) Não Avaliado (Not Evaluated) NE- Quando a espécie não foi avaliada sob nenhum doscritériosacima. Critérios para a avaliação do estado dascarcaças, baseados na classificação estabelecida por Geraci & Lounsbury (1993): Código 1 — Animais Vivos. Usos: biometria; patologia externa; parasitologia e microbiologia; biópsias; hematologia (bioquímica sérica e hemograma); análise de DNA; limitado para histórico do animal (idade, alimentação, etc). Código 2 — Carcaça em boas condições (fresca). Usos: biometria; análise de DNA; parasitologia e microbiologia; histopatologia; toxicologia; histórico do animal (dente, barbatana, conteúdo estomacal, condição reprodutiva, etc); uso limitado para hematologia. Características: aparência normal, geralmente com poucos danos causados por animais necrófagos; cheiro fresco; mínima desidratação e pouco enrugamento da pele, olhos e mucosas; ausência de inchaço da carcaça, língua e pênis não se encontram protundidos; gordura firme e clara; músculosfirmes, bem definidos edecoloração vermelho-escura; célulassangúíneas intactas, passíveis de serem coletadas em tubo de ensaio; soro não hemolisado; vísceras intactase bem definidas; intestino contendo pouco ou nenhum gás; cérebro firme, sem descoloração, com formato superficial distinto e passivo de ser removido intacto. Código 3 — Carcaça em estado razoável (decomposta, mas órgãosainda intactos). Usos: biometria; análise de DNA; parasitologia; patologia macroscópica; uso restrito para toxicologia (útil para metais, limitada paraorganocioradose pobre para biotoxinas); histo patologia da pele, gordura, músculos, pulmão e possíveis lesões consistentes; limitada para histórico do animal. Características: carcaça intacta; inchaço evidente (língua e pênis protundidos); pele rachada e despregada; possíveis danos por necrófagos; odor moderado característico; mucosas desidratadas, olhos fundos ou faltando; gordura tingida de sangue e oleosa; musculatura macia e mal definida; sangue hemolisado, vermelho- escuro; vísceras macias, friáveis, manchadas, mas ainda intactas; intestino dilatado pela presença de gás; cérebro mole, aspecto su- perficial distinto, frágil, mas geralmente ainda pode ser removido intacto. Código 4 — Carcaça decomposta (decomposição avançada). Usos: biometria limitada; análise de DNA limitada; parasitologia; patologia macroscópica. Características: a carcaça pode estar intacta, mas colapsada; pele solta, a epiderme dos cetáceos pode estar completamente perdida; frequentemente se encontram danos severos ocasionados por necrófagos; odor forte; gordura macia, frequentemente com bolsasde gáse poçasde óleo; musculatura próxima da liquefação e facilmente rasgável, destacando-se facilmente dosossos; sangue ralo e escuro; víscerasfrequentemente podem ser reconhecidas, masestão friáveis, facilmente rasgáveis e de difícil dissecação; intestino preenchido com gás; cérebro mole, vermelho-escuro, contendo bolsas de gáse consistência semelhante a um pudim; limitado histórico do animal. = Código 5 — Carcaça mumificada ou restos de esqueleto. Usos: biometria limitada; análise de DNA limitada; limitado para histórico do animal (dentes, barbatanas). Características: pele pode estar cobrindo partes do esqueleto remanescente; qualquer tecido restante está desidratado. Deve-se ter em mente que esta classificação procura descrever, de modo geral, o estado da carcaça, mas que este pode sofrer influência de fatoresexternos (presença de recifesrochas, atrito, calor etc.), bem como de fatores internos (doença prolongada, febre, infecção generalizada), podendo ocorrer em casos em que a carcaça apresente característicasintermediárias entre duascategorias. Deve- se ter o bom senso de analisar essesfatorese procurar a classificação que melhor se adapte ao caso em questão. O uso de fichas padrão para registro das ocorrências e dos dadosobtidos dos encalhestambém são fundamentais para evitar a perda de dadose garantir a obtenção detoda ainformação de forma padronizada. Neste sentido, foram incluídos também neste Protocolo, modelos de planilhas, que posteriormente contribuirão para a formação e alimentação de um banco de dados informatizado da Remane, osquais poderão ser acessados pela sociedade científica e também pelo público em geral. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALVESJÚNIOR T. T.; ÁVILA, F. J G.; OLIVEIRA, J. A.; MONTEIRO-NETO, C. Registro de cetáceos para o litoral do estado do Ceará, Brasil. Arquivo de Ciências do Mar, v. 30, n. 1/2, p. 79-92, 1996. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Portaria n. 39 de 28 de junho de 2000. Diário Oficial da União, Brasília. - Portaria n. 98, de 14 de abril de 2000. Estabelecimento de normas para a manutenção de mamíferos aquáticos em cativeiro. Diário Oficial da união, Brasília. GERACI, JR; LOUNSBURY, V. Marine mammals ashore: a field guide for strandings. Texas: Texas A&M Sea Grant Publications, 1993. 305p. HIGA, A.; SOUSA, L.D.; ZERBINI, A. N.; RADWANSI, A.; MELO, G.P.M .B. Encalhes de cetáceos em Ubatuba, litoral norte de São Paulo: dezembro/1996 a março/1998. In: REUNIÃO DE TRABALHO DE ESPECIALISTAS EM MAMÍFEROS AQUÁTICOS DA AMÉRICA DO SUL, 8., 1998. Olinda, Resumos... Olinda, 1998, p. 98. IBAMA. Mamíferos aquáticos do Brasil: plano de ação, versão Il. 2.ed. Brasília: Ibama, 2001. 102p. IUCN. Guidelines for re-introductions. Prepared by the IUCN/SSC Re-introduction Specialis Group. IUCN: Gland, Switzerland and Cambridge, UK. 1998. 10p. JEFFERSON, T.A.; LEATHERWOOD, S.; WEBBER, M.A. Marine mammais of the world: FAO Species Identification Guide. Rome: UNEP/FAO. 1993. 320p. Disponível em: . Acesso em: 05 de Julho de 2004. LODI, L.; SICILIANO, S; CAPISTRANO, L. Mass stranding of Peponochephala electra (Cetacea, Globicephalinae) on Piracanga Beach, Bahia, northeastern Brasil. Sc. Rep. Cetacean Res, n. 1, p. 79-84, 1990. ec TAS Resgate, Reabilitação e Soltura
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