Psicologia social, Resumos de Psicologia Social. Universidade não é definido
da1709
da170923 de Outubro de 2016

Psicologia social, Resumos de Psicologia Social. Universidade não é definido

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Psicologia Social

Psicologia Social Licenciatura em Psicologia

1º ano - 1º semestre - 2014/15

Psicologia Social

  

O que é a psicologia social?  1

Psicologia Social Licenciatura em Psicologia

O que é a psicologia social?

“Ramo da psicologia que tenta compreender e explicar como é que os

pensamentos, sentimentos e comportamentos dos indivíduos são influenciados

pela presença real, imaginada ou implícita dos outros.” GORDON ALLPORT (1954)

Método da psicologia social

COMO QUALQUER CIÊNCIA INCLUI:

Descrição: observação precisa e fiável (e elaboração de relatórios);

Explicação: desenvolvimento de teorias que relacionam e organizam as observações,

nomeadamente em relações de causa-efeito.

Método da

psicologia social

Observações

Teoria

Previsões (hipóteses)

Delineamento da pesquisa

Recolha de dados

Psicologia Social

  

O que é a psicologia social?  2

“Presença real, imaginada ou implícita dos outros”

O que muda no nosso comportamento por estarmos com outros.

“Presença imaginada dos outros”

O que muda no nosso comportamento por imaginarmos a reação dos outros.

“Presença implícita dos outros”

O que muda no nosso comportamento por supormos existirem outros.

“A ciência do conflito entre o indivíduo e a sociedade” SERGE MOSCOVICI (1984)

“A psicologia social trata da dependência e da interdependência das condutas

humanas, ou seja, trata das interações humanas.” JACQUES PHILIPPE LEYENS (1981)

Outro

ObjetoEu

Psicologia Social

  

O que estuda a psicologia social?  3

O que estuda a psicologia social?

Comportamentos

• Agressão, altruísmo, atração, grupos, persuasão, formação de impressões, estereótipos

Cognições

•Perceção, tomada de decisão, memória, atenção, identificação

Afetos

•Emoções, motivação, estados afectivos

Psicologia Social

  

História da psicologia social  4

História da psicologia social

Primeiros contributos

 No fim do século XIX, há uma série de pensadores que começam a conceptualizar e a investigar

uma nova área.

1908 – Existiram duas vias para se chegar a este ramo da Psicologia.

WILLIAM MCDOUGALL – defende a origem instintiva dos comportamentos sociais.

EDWARD ALSWORTH ROSS -Um sociólogo americano publica um artigo em que defende a

necessidade de uma Psicologia Social, a um nível intermédio entre a Sociologia e a Psicologia.

Períodos de afirmação da Psicologia Social

KURT LEWIN (1890-1947)

MUZAFER SHERIF (1906-1988)

STANLEY MILGRAM (1933-1984)

SOLOMON ASCH (1909-1996)

LEON FESTINGER (1919-)

PHILIP ZIMBARDO (1933-)

Tendências na Psicologia Social

 1940-70 Importância dos fatores situacionais

 1970 - Importância da perspetiva cognitiva (Cognição Social)

 Importância crescente dos problemas intergrupais

 Importância crescente das aplicações (ambiente, saúde, etc.).

 2000 - Importância crescente dos processos inconscientes e automáticos;

 Importância das questões de linguagem.

CONSERVADORISMO: as ideias/comportamentos adquiridos são difíceis de mudar;

ACESSIBILIDADE: a informação que temos disponível no momento determina o nosso

comportamento.

FUNCIONAMENTO COGNITIVO DUAL: podemos agir baseados numa avaliação da situação superficial

(automática) ou profunda (elaborada cognitivamente).

Psicologia Social

  

Níveis de análise em psicologia social  5

Níveis de análise em psicologia social

As várias perspetivas sobre o mesmo fenómeno não são necessariamente contraditórias:

 Não há um único nível de explicação que é “verdadeiro”;

 Os diferentes níveis de explicação articulam-se para formar um conjunto mais abrangente;

 Devemos perceber a que nível nos situamos.

 A psicologia social deve ser vista como uma disciplina charneira;

 Diferentes níveis de explicação (intra-individual, inter-individual, posicional, ou ideológico).

Explicação Elementar

E.G.: AS DIFERENÇAS HOMEM-MULHER

Porquê é que as mulheres ganham menos/têm mais dificuldade em arranjar emprego/têm melhores

notas/ são mais românticas que os homens?

 Sexo – diferenças biológicas

 Género – diferenças sociais

 Explicação biológica – resultados de diferenças biológicas (sexo)

 Explicação sociobiológica – (sexo e evolução) diferenças biológicas adaptativas.

Psicologia Social

  

Níveis de análise em psicologia social  6

Nível intra-individual

 Não é uma questão de sexo, mas de género: as mulheres têm personalidades diferentes dos

homens.

 As características psicológicas das mulheres normalmente seriam menos adaptadas ao

mundo do trabalho.

A Teoria da Androginia Psicológica defende que existem duas dimensões da

personalidade:

 Masculinidade (traços instrumentais – independente, ativo, competitivo);

 Feminilidade (traços expressivos – meiga, emotiva, prestável).

Nível inter-individual

 É uma questão do contexto relacional em que as pessoas são colocadas.

 Como se esperam coisas diferentes de um homem e de uma mulher: o desempenho é afetado

e a avaliação que se faz do resultado também.

Nível posicional

 As expectativas relativamente às mulheres não são apenas diferentes das relativamente aos

homens: espera-se coisas piores das mulheres do que dos homens.

 Atributos relacionais são menos importantes do que os atributos instrumentais.

 Á partida tem-se expectativas mais positivas dos homens do que das mulheres.

 É mais fácil a identificação com a categoria dos homens do que com a das mulheres.

Nível ideológico (sociológico)

 As expectativas assimétricas de homens e de mulheres estão associadas a diferenças na

estrutura social e servem para manter essas diferenças.

 Em particular, na nossa sociedade a masculinidade hegemónica.

Teoria Social do género (Connell, 1987) – Masculinidade hegemónica como o ideal

masculino nas sociedades atuais:

 Atributos: heterossexualidade; força, estoicismo, racionalidade, competência e controlo

 Conjunto de práticas sociais que justificam a dominação das mulheres.

 Os homens que se desviam desta ideologia são vistos como inferiores (e.g., homossexuais).

Psicologia Social

  

Selfies e psicologia social  7

Selfies e psicologia social

Necessidade de pertencer

Precisamos de relações fortes e estáveis com os outros:

 Necessidade de afiliação (desejo de estabelecer e manter muitas relações interpessoais

positivas) como um motivo humano fundamental.

 O relacionamento social está associado à saúde (quem tem amigos vive mais tempo e tem

menos doenças).

 Sofremos quando os outros nos excluem, tal como uma dor física.

Necessidade de compreender

Precisamos dos outros para dar significado ao que nos rodeia:

 A interação com os outros ajuda-nos a compreender o mundo na validação das nossas opiniões e

na adaptação situações novas e difíceis.

 Com outros damos sentido a situações difíceis.

Necessidade de autoestima  Só conhecemos o nosso valor por comparação com outros. Procuramos comparações com outros

em dimensões que nos favorecem.

AUTOENGRANDECIMENTO: achamos que temos mais controlo sobre as doenças que os outros.

 Queremos pertencer e ser iguais, mas queremos também ser diferentes. O feedback positivo de

outros é uma forma de nos sentirmos muito bem. Precisamos dos outros para nos sentirmos bem.

Auto-imagem, a forma como nos definimos

Para sermos apreciados e valorizados

Identificam-nos com um interesse, o que reforça a nossa identidade social

Servem para validar opiniões

Psicologia Social

  

Selfies e psicologia social  8

Necessidade de padrões para agir  Queremos saber o que devemos fazer.

 Precisamos dos outros para nos orientarmos.

Como se forma? Como se forma?

Auto-imagem

• Totalidade do conhecimento que cada individuo tem de si próprio

Auto-estima

• Efeito ligado a este conhecimento

Auto-conceito

• Diferença entre aquilo que somos e aquilo que apresentamos aos outros

Valorizamo-nos pelos sucessos e não

pelos fracassos

Esquecemo-nos mais dos feedbacks

negativos do que dos positivos

Observando o meu comportamento,

quando este é escolhido livremente

Comparando-me com os outros e com

os pensamentos/emoções que sentimos.

Reações dos outros e o que eles esperam

de nós

Psicologia Social

  

Formação de Impressões  9

Formação de Impressões O estudo de como formamos impressões e fazemos inferências sobre as pessoas.

 O nosso conhecimento sobre as características das pessoas e a forma como essas

características se relacionam é uma forma de representação cognitiva.

 Formar uma impressão significa organizar a informação disponível acerca de uma pessoa de

modo a podermos integra-la numa categoria significativa para nós.

Representação cognitiva – conhecimento armazenado na memória.

Pistas visuais – aparência, comunicação não-verbal, comportamento visível.

Beleza física associada com:

 Mais comportamentos de ajuda;

 Maior expectativa de inteligência;

 Vantagem na seleção para emprego;

 Salário mais elevado;

 Na justiça: penas menores.

A partir de associações a categorias

A partir do contexto

A partir da interpretação do comportamento (Atribuição Causal)

Pistas visuais

Formar impressões

Psicologia Social

  

Formação de Impressões  10

As informações que recebemos sobre uma pessoa.  A primeira informação (efeito de primazia);

É a mais importante e aquela que damos mais valor, porque queremos dar sentido a algo.

Construímos significados e a imagem dessa pessoa desde o início.

 A última informação (efeito de recência);

NOTA

Nem todas as informações têm o mesmo valor.

Inferir um traço a partir de outro

 Warm – carinhoso, sociável, popular;

 Cold – irritável, pessimista, autocentrado.

Há determinados traços que são centrais na formação de impressões.

Temos a ideia de que alguns traços estão associados ‘vão juntos’. Geralmente pensamos que se uma

pessoa tem um traço positivo, também terá outros e se tem um traço negativo, também terá outros.

Formação de impressões a partir do contexto

O contexto importa:

 Pistas que são salientes num contexto atraem mais atenção: e.g., brilho, ruído, movimento,

novidade.

 As pessoas atendem à ‘figura’ (indivíduo) mais do que ao ‘fundo’ (ou contexto).  As pistas salientes dominam as impressões.

Formação de impressões a partir das associações e categorias

As pistas que observamos não têm sentido por elas próprias. São interpretadas à luz do

conhecimento que temos armazenado sobre pessoas, situações, etc.

 As primeiras impressões baseiam-se em processos cognitivos rápidos e que requerem pouco

esforço:

 Associações aprendidas entre representações cognitivas armazenadas na memória.

 Acessibilidade no momento das representações cognitivas que temos armazenadas.

ASSOCIAÇÕES

 Quando olhamos para uma pessoa incluímo-la automaticamente numa categoria (sexo, raça,

idade).

 Este processo faz com que esperemos a partida que a pessoa partilhe uma série de atributos

com a sua categoria (se é idoso deve ser doente; se é jovem deve ser irresponsável).

 Os estereótipos sociais (crenças socialmente partilhadas sobre a forma como são os

membros de um grupo social) são uma fonte de informação inicial sobre a pessoa.

ACESSIBILIDADE

 É a facilidade (ou velocidade) com que uma representação cognitiva vem à mente e é usada.

 Conhecimentos acessíveis tendem a vir à mente de forma automática (vs. deliberada) e

guiam a interpretação que fazemos das pistas disponíveis.

Psicologia Social

  

Formação de Impressões  11

Factores que a influenciam

 Motivos – se temos um conflito, vemos o outro como hostil;

 Mood - A boa disposição leva a que vejamos os outros da melhor forma (e a má…).

 Contexto – torna uma interpretação mais plausível que outras.

A situação em que nos encontramos

Os contextos ambientais, caracterizados por temperaturas amenas, distâncias máximas e odores

agradáveis promovem avaliações mais positivas de alvos sociais.

Formação de impressões a partir do comportamento (atribuição causal)

Inferências correspondentes Justificadas se:

 O comportamento é livremente escolhido;

 O comportamento não é socialmente desejável;

 O comportamento é pouco comum.

“Tem um comportamento agressivo, logo é agressivo.”

Mas muitas vezes fazemos inferências correspondentes mesmo quando não há justificação:

ERRO FUNDAMENTAL DA ATRIBUIÇÃO.

Atribuições na formação de impressões

 Uma forma de ir para além das primeiras impressões é perguntar ‘porquê’ quando

observamos um comportamento de outra pessoa. O julgamento que fazemos sobre causa de

um comportamento é uma atribuição causal (processo de inferência que consiste em utilizar

uma dada informação para suscitar um suplemento que lhe está associado por uma

causalidade do tipo indutivo).

 Fazemos atribuições porque nos ajudam a ganhar controlo sobre o ambiente e

principalmente quando o acontecimento é negativo ou inesperado.

E.g: vizinho da mesa não para de rir e exagera a servir-se de batatas, consideramo-lo como

comilão, mais guloso que apreciador de boa comida.

Tipos de atribuições:

LOCUS DE CONTROLO OU INTERNALIDADE:

 Disposicional ou interna - traços de personalidade, atitudes, estados internos duráveis.

 Situacional ou externa – ambiente, outras pessoas.

ESTABILIDADE:

 Estável – inteligência, personalidade.

 Instável – motivação, sorte.

Psicologia Social

  

Formação de Impressões  12

Enviesamentos nas atribuições O erro fundamental da atribuição

 As pessoas sobrestimam o peso dos fatores internos e subestimam o peso da situação. Muitas

vezes fazemos inferências correspondentes mesmo quando não há justificação.

 Em relação aos outros, tendemos a justificar o seu comportamento pelos fatores internos

(chumbou por não ser inteligente (personalidade)), enquanto os nossos comportamentos

tendem a ser justificados por fatores externos (chumbei porque estava com pouca

motivação/sorte).

O erro ator-observador

 Tendemos a atribuir o comportamento dos outros às suas disposições (internamente) e o

nosso à força da situação (contexto).

 Percetual – atores olham para a situação, observadores olham para atores;

 Acesso a informação diferente: atores sabem mais sobre si próprios e os seus

constrangimentos.

 O ator dará mais atenção ao contexto, à situação, enquanto o observador concentra o seu

interesse no comportamento do ator.

A exatidão das impressões

 Para ir para além de uma primeira impressão é preciso esforço: o que nos motiva a fazer esse

esforço?

 Motivação para ser preciso/exato (colaboração);

 Motivação para formar uma impressão positiva/negativa (competição);

 Consciência do enviesamento da impressão.

Impressões e julgamentos

 As impressões podem ser usadas em julgamentos sobre os outros. Depende do tipo de

processamento de informação que usamos.

 PROCESSAMENTO SUPERFICIAL: Processamento que usa pouco esforço e que se baseia em

informação acessível para fazer inferências ou julgamentos acerca dos outros. É mais

provável quando estamos com pressa ou falta de atenção.

 PROCESSAMENTO PROFUNDO/SISTEMÁTICO: Processamento que envolve esforço e atenção a uma

série de informação relevante quando se faz um julgamento. É mais provável quando há uma

dependência do alvo e exatidão da responsabilização.

 Uma série de processos conspira para que as primeiras impressões sejam mantidas:

 EFEITO DE PRIMAZIA – as primeiras impressões determinam a impressão geral.

 PROFECIAS AUTO CONFIRMATÓRIAS – as impressões que temos criam comportamentos no outro

que acabam por confirmar a nossa impressão.

Limites das profecias Auto confirmatórias

 Somos menos vulneráveis a estas profecias quando:

 Nos apercebemos de quais são as expectativas que os outros têm sobre nós (ele acha que eu

sou pouco esperta!).

 Estamos certos do que pensamos sobre nós próprios (eu acho que sou inteligente!).

Psicologia Social

  

Influência Social. O efeito da mera presença de outros  13

Influência Social. O efeito da mera presença de outros

Facilitação Social

 O comportamento de alguém foi influenciado socialmente quando ele se manifesta na

presença de outrem, que não tem de ser necessariamente real.

TRIPLETT (1889): - crianças enrolavam canas de pesca mais rapidamente quando estavam na

presença de outros do que quando estavam sozinhas (coação).

- Ciclistas pedalam mais rápido quanto têm audiência (efeitos de audiência).

 Por vezes a presença de outra melhora o comportamento, como no caso das tarefas motoras,

enquanto noutras situações a presença de pessoas diminui a qualidade do desempenho,

como em operações complexas.

ALLPORT (1924)

 Realizou vários estudos e verificou que os indivíduos tinham melhores desempenhos

quando se encontravam numa situação de grupo que sozinhos.

ZAJONG E A HIPÓTESE MOTIVACIONAL

 Nem todos os estudos de facilitação social produzem melhoria no comportamento. A

presença de outros da mesma espécie aumenta a motivação. A dominância da resposta é

uma variável moderadora.

Facilitação em tarefas simples ou em com comportamentos bem aprendidos

Presença de outros – aumento da motivação – reforço das tendências dominantes. Impedimento em tarefas complexas ou em comportamentos mal aprendidos

Psicologia Social

  

Influência Social. O efeito da mera presença de outros  14

Facilitação social por receio da avaliação

 Não é apenas a presença, mas o receio de sermos mal avaliados.

COTTRELL apresentou 3 situações: só, audiência vendada e audiência interessada. Quando se sabe

que os observadores são especialistas há efeitos mais acentuados de facilitação social.

Ameaça vs Desafio (Bolscovich et al., 1999)

Padrão psicofisiológico diferente em situações de desafio e ameaça.

 Desafio – ativação cardíaca;

 Ameaça – ativação cardíaca e aumento da tensão arterial.

Hipóteses:

 Com audiência aumenta a ativação;

 Se a tarefa estiver bem aprendida, a audiência é um desafio (ativação cardíaca unicamente);

 Se a tarefa estiver mal aprendida, a audiência é uma ameaça (ativação cardíaca e vascular).

Facilitação social por distração

 Mesmo que não nos possam avaliar, a presença de outros distrai-nos. Isso faz com que haja

um conflito entre concentrarmo-nos na tarefa ou darmos atenção aos outros.

 A presença de outros faz com que haja receio da avaliação e aumento da distração da pessoa

que realiza a tarefa.

 Ambas as consequências levam ao aumento da motivação, que por sua vez, faz com que

exista um reforço das tendências dominantes.

Apatia social

 É a indiferença perante as pessoas/acontecimentos

 O caso Genovese tornou-se um símbolo da apatia social não apenas para os americanos dos

anos 60, mas para toda uma geração consciente de que a aglomeração das grandes cidades

favorece a desumanização 'dos outros’, favorece a inércia dos espectadores e acerba a

indiferença para com quem não lhe é próximo.

DARLEY & LATANÉ (1986) dizem que quanto maior é o numero de espetadores presentes, menor é

a probabilidade de ajuda e maior é o tempo de espera, caso decidam realmente ajudar.

STANLEY MILGRAM (1970) - “The experience of living in cities”

 Isto consistia em comparar os comportamentos de ajuda na cidade e em zonas rurais. A

experiência era então pedir para usar o telefone porque não estava a encontrar a casa de um

amigo que morava na zona. Os resultados foram muito diferentes, sendo que em Nova

Iorque apenas houve 27% de ajuda, enquanto em cidades pequenas a ajuda foi de 72%.

Psicologia Social

  

Influência Social. O efeito da mera presença de outros  15

STEBLAY, 1987, meta-análise

 Foram realizados 65 estudos em que se compara o comportamento de ajuda em cidades e em

zonas rurais. Apenas 9 dos estudos mostravam resultados maiores de ajuda nas cidades.

LATANÉ E NIDA, 1981, meta-análise

O comportamento de ajuda:

 Não aparece associado sistematicamente com variáveis de personalidade;

 Varia de forma previsível em função de variáveis da situação, nomeadamente o número de

observadores presentes.

Porquê a apatia social?

Quanto maior é a audiência menor é a ajuda. O que importa é o número de participantes e não o seu

comportamento.

1. É preciso reparar que alguém precisa de ajuda;

2. Validar as hipóteses com os outros e interpretar a situação como uma emergência;

3. Responsabilidade de ajudar e consciência do que acontece se não agirmos;

4. Saber o que fazer e implementar ajuda.

Psicologia Social

  

Introdução aos grupos  16

Introdução aos grupos

O que é um grupo?

 Unidade social constituída por pessoas com papéis interdependentes orientados para

objetivos comuns e que regulam o sue comportamento por um conjunto de normas.

 Só há um grupo quando há interação entre as pessoas que estão num determinado lugar e ao

mesmo tempo, ou seja, há permanência no tempo.

 Necessitam de existir interdependências entre estas mesmas pessoas e objetivos comuns. Há

ainda uma estrutura nos grupos, que pode ser formal (trabalho) ou informal (amigos).

 Quando há uma formação de um grupo, a tendência é para a desmobilização ou preguiça

social. RINGELMANN fez uma experiência com uma corda da qual concluiu que quanto mais

pessoas a puxavam, menor o esforço individual.

 A exceção é quando existe tarefa envolvente, uma vez que não existem perdas de

coordenação (papéis bem definidos), o contributo individual é relevante e identificável para

o grupo.

Fases de desenvolvimento do grupo:

 Formação – orientação: troca de informação, exploração das semelhanças;

 Agitação – conflito: desacordos e influência;

 Normalização – coesão: formação de regras e estabilidade;

 Formalização – desempenho: centralização na tarefa;

 Suspensão – dissolução.

Diferenciação de papéis

 A interação nos grupos leva ao desenvolvimento de expectativas diferentes sobre os seus

membros. A divisão de tarefas dá estabilidade e ordem ao grupo, bem como identidade aos

membros, facilitando a comparação social.

Estrutura de poder no grupo

Poder – capacidade de influenciar o comportamento de um membro do grupo.

 Modelos universais de liderança: o que faz um líder?

 Modelos contingenciais: que líder para esta situação?

Psicologia Social

  

Introdução aos grupos  17

Estrutura da tarefa a realizar

Tipos de objetivos:

Independentes – individualista: trabalho em benefício pessoal sem preocupação com o resultado dos

outros.

Interdependentes – quando existem objetivos comuns.

Competitivos: só um pode ganhar.

Cooperativos: em conjunto para um objetivo.

A cooperação leva a:

 Melhores resultados, mais envolvimento e retenção;

 Mais persistência e motivação;

 Raciocínio mais motivado;

 Mais tempo;

 Mais interações positivas e mais apoio;

 Clima mais positivo.

Psicologia Social

  

Processos de Influência Social  18

Processos de Influência Social

INFLUÊNCIA SOCIAL – processo pelo qual as pessoas direta ou indiretamente influenciam os

pensamentos, sentimentos e ações dos outros.

 Sobrestimamos a nossa influência: Tendemos a explicar comportamentos recorrendo a

atributos, disposições ou traços de personalidade, ignorando a importância das forças da

situação no mesmo comportamento. Erro fundamental da atribuição

Processos de influência social:

 Formação de normas (normalização);

 Conformismo;

 Submissão à autoridade;

 Influência minoritária.

Normas sociais

 São quadros de referência consensuais num grupo que indicam o que é considerado certo e

errado numa determinada situação (valores, atitudes, comportamento) e permitem-nos saber

o que devemos fazer e o que esperar dos outros.

 São quadros de referência que:

o Estabilizam e simplificam o meio;

o Permitem alcançar objetivos, facilitando a comunicação;

o Mantêm um grupo e diferenciam-no de outro (s) (identidade).

NORMAS EXPLÍCITAS – que são ditas abertamente ou escritas (ex: direitos humanos).

NORMAS IMPLÍCITAS – normas não ditas, que só sabemos que as transgredimos depois (ex: regras que

os pais impõem).

Exemplos de normas sociais

Norma da reciprocidade

 Obrigação de reciprocar aos outros os bens, os serviços/favores e as concessões que nos

fazem.

 Beneficia o indivíduo (assegura justiça) e o grupo (reforça ligações interindividuais).

 Apenas alguns membros não são obrigados a esta norma: crianças muito novas, doentes,

idosos.

A técnica da porta-na-cara: quem influência faz um pedido inicial tão grande que sabe ser rejeitado.

De seguida, faz um pedido mais pequeno (“concessão”), tornando mais provável que o outro

conceda igualmente (reciproque), acedendo executar o pedido.

Psicologia Social

  

Processos de Influência Social  19

Norma do compromisso

 Exige que os indivíduos cumpram o prometido, os acordos, as obrigações.

 Permite que os membros de um grupo confiem uns nos outros, que os acordos sejam

duradouros e que se possam fazer planos.

A técnica do golpe baixo: o influenciador assegura que o alvo concorde com um pedido. Só depois

revela todos os custos envolvidos no cumprimento desse pedido.

SHERIF – formação de normas

 Temos necessidade da existência de quadros de referência na avaliação do mundo para

termos confiança nas nossas posições.

 Numa situação ambígua e incerta, definimos a realidade em conjunto com os outros: os

quadros de referência são construídos em interação social.

 O resultado de um grupo não é a soma das contribuições individuais. A norma do grupo

tende a manter-se para além da interação grupal.

Quando é que as normas de grupo se mantêm?

 Quando os membros participaram na sua formação (Lewin, 1943);

 Quando a sua existência facilita a sobrevivência do grupo, ou evitam conflitos

interpessoais;

 Quando simplificam ou tornam previsível o comportamento que é esperado dos

membros de um grupo;

 Quando expressam os valores centrais do grupo e clarificam a identidade grupal.

Processos de homogeneização: conformismo, submissão à autoridade e às normas

sociais

CONFORMISMO – processo de alteração do comportamento individual como resposta à pressão do

grupo para a uniformidade (maioria quantitativa).

Fatores que influenciam o conformismo:

 Unanimidade do grupo: A existência da unanimidade dentro de um grupo tende a

aumentar a sua influência, dificultando a existência de acções, opiniões e valores

contrários aos do grupo.

Psicologia Social

  

Processos de Influência Social  20

 Natureza da resposta / contacto visual: O conformismo aumenta quando a resposta é

dada publicamente; a resistência à aceitação da opinião da maioria é maior quando a

privacidade é assegurada.

 Ambiguidade da situação: Quando a opinião de um elemento do grupo sobre

determinado assunto se encontra pouco fundamentada ou não existe, aumenta a

ambiguidade da situação, visto que o indivíduo não tem a certeza sobre o que é correto.

Assim sendo, aumenta o conformismo devido à falta de domínio do assunto.

 Autoestima: - autoestima, - confiança na sua opinião, + conformismo

 Importância do grupo: o grupo ser mais atrativo para um indivíduo aumenta a

probabilidade de se conformar.

ASCH (1955)

Situação base:

 Em 11 ensaios os comparsas davam unanimemente o que era claramente uma resposta errada

antes do sujeito ingénuo dar a sua resposta.

 37% de respostas erradas

 75% pelo menos 1 R conformista (25% independentes)

 33% seguia a maioria em 6 ou mais respostas

Porque respondiam assim?

Conformistas preceptivos: diziam que tinham respondido como tinham visto (menos

frequente);

Conformistas ao nível do julgamento: deram respostas em desacordo com os que viam mas

achava que se calhar ele é que tinha percebido mal as instruções e não queria interferir com a

experiência (o mais frequente).

Conformistas ao nível do comportamento: Sabiam que estavam certos e que a maioria

estava errada, mas não quiseram sobressair ou “fazer figuras” (categoria intermédia).

Falsos independentes: pensavam que se calhar estavam errados, mas quiseram fazer o que o

experimentador lhes tinha dito.

Verdadeiramente independentes: Diziam que tinham sentido o conflito, tiveram a tentação

de seguir a maioria, mas não queriam errar.

Conclusões:

 Apesar de na maior parte dos casos a resposta ser a independência, a influência da

maioria foi indiscutível.

 o conformismo (convergência das posições individuais para a norma do grupo) existe

mesmo em situações não ambíguas.

Psicologia Social

  

Processos de Influência Social  21

 O indivíduo não é um ser passivo e a tensão induzida pelo conflito faz-se sentir tanto

para os conformistas como para os independentes.

Quando nos conformamos?

 em tarefas intelectivas simples (Asch, Sherif), a qualquer grupo, porque consideramos

terem as mesmas capacidades que nós;

 em tarefas intelectivas complexas, a grupos de especialistas;

 em tarefas avaliativas (preferências, opiniões), aos grupos a que pertencemos;

 em qualquer tipo de tarefa, quando um grupo é muito coeso.

Porquê que isto acontece assim?

Existem teorias que identificam duas necessidades que os grupos suplementam:

 O consenso do grupo nos dá confiança na avaliação da realidade: dependência

informativa do grupo.

 Porque o consenso do grupo nos dá um sentimento de pertença ao grupo: dependência

normativa do grupo.

Dependência informativa (teoria da comparação social, Festinger)

 Queremos ter confiança nas posições que temos sobre o mundo, queremos que sejam

válidas e corretas.

 Em muitos casos é difícil saber qual é a resposta correta, porque não se pode testar a

realidade.

 A validação do conhecimento faz-se por comparação social com outros (que

respeitamos).

 O conformismo por dependência informativa seria uma forma de aceitar a posição dos

outros como critério de realidade.

Aumenta com (juntamente com o conformismo):

 A ambiguidade e dificuldade da tarefa

 A situação de medo ou crise

 A subjetividade da resposta (opiniões vs. factos)

 A incompetência do sujeito (e os outros serem especialistas)

 A unanimidade da maioria (consenso como prova de realidade)

Induz mudança de opinião privada.

Dependência normativa

 Acontece essencialmente quando queremos ser aceites pelos outros.

Psicologia Social

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Processos de Influência Social  22

 Gostamos de quem é parecido connosco e por isso não queremos ser diferentes para não

suscitarmos rejeição, temos medo de sermos rejeitados se formos diferentes.

 O conformismo por dependência normativa seria uma forma de aceitar a posição dos

outros como forma de ser aceite no grupo.

Aumenta com:

 a importância do grupo para a pessoa

 o poder de punição e de recompensa do grupo

 a identificabilidade do indivíduo na situação

 a necessidade de interações cooperativas para a realização da tarefa

Induz conformismo apenas público.

Obediência – processo pelo qual um indivíduo mudam seu comportamento para seguir uma

instrução de alguém que tem (ou é percebido como tendo) poder (maioria qualitativa).

OS ESTUDOS DE MILGRAM

 Pessoas eram colocadas por sorteio na posição de “aluno” ou de “professor” numa tarefa de

aprendizagem de pares de palavras, em que o experimentador pedia-lhes que punissem com

choques elétricos o aluno sempre que ele errasse.

 O nível de choque devia ir subindo gradualmente desde 15 volts até 450 volts. À medida que

o choque fica mais forte os alunos protesta e depois recusa-se a responder. O experimentador

manda continuar.

 Objetivo: Compreender um fenómeno básico na estruturação da nossa sociedade, a

obediência, em situações extremas.

Resultados:

 62.5% dos participantes chegaram ao fim (450volts 4 vezes).

 80% continuou a dar choques depois do “aluno” pedir para sair porque se estava a sentir

mal do coração.

Conclusões:

 Há condições situacionais que forçam os participantes a entrar em estado “agêntico”

(prestigio, proximidade, justificação, aumento gradual, custos de saída).

KASSIN E KIECHEL

 Nesta experiência, os participantes pensavam que estavam num estudo sobre a

velocidade de escrita em computador.

 Existiam dois elementos em cada situação: um individuo que ditava (velocidade rápida

ou lenta) e que era o comparsa e um individuo que escrevia o texto no computador, que

era o sujeito ingénuo.

Psicologia Social

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Processos de Influência Social  23

 Todos os participantes eram avisados para NÂO TOCAREM NA TECLA ALT, porque

isso faria o computador crashar e perdiam-se os dados.

 Dois minutos depois o computador crasha, o experimentador entra em stress e acusa o

participante de tocar na tecla ALT, mas todos os participantes o negam.

 O experimentador então pergunta ao seu comparsa se viu alguma coisa, e este afirma que

viu o sujeito a tocar na tecla (ou não). O experimentador pede ao participante para

assinar uma confissão.

Variáveis observadas:

Submissão – nº de pessoas que assinavam;

Internalização – nº de pessoas que assumem a culpa a um comparsa (gravação de

conversa posterior na sala de espera);

Confabulação – nº de pessoas que reconstroem o percurso que os levou a “tocar no ALT.

Conclusões:

 Há condições situacionais que levam a que as pessoas se submetam a autoridades,

confessando o que não fizeram e internalizando essa culpa.

Porque obedecem?

 Norma social de obediência a autoridade (estado agêntico, responsabilidade pela

execução e não pelo conteúdo da ordem);

 Nessa situação é difícil comutar de norma social (não devemos fazer mal aos outros);

 A situação era gradual;

 Havia distanciamento físico relativamente à vítima.

O poder dos papéis e das normas sociais

Criação de uma prisão experimental (ZIMBARDO)

 Num domingo de manhã, os Polícias chegam a casa de estudantes universitários, como

parte de uma operação em massa e dão ordem de prisão por violação do código penal

211.

 Leem-lhes os direitos e levam-no dali no carro da polícia, com a sirene a tocar.

 Na esquadra são-lhes lidos novamente os direitos e são identificados.

 Em seguida são conduzidos a uma cela onde ficam de olhos vendados, a pensar no que

tinham feito para estar naquela situação. O que fizeram foi responder a um anúncio de

jornal.

70 candidatos entrevistados e 24 selecionados:

 Sem problemas psicológicos;

 Sem problemas médicos;

Psicologia Social

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Processos de Influência Social  24

 Sem passado de crimes ou drogas.

 A prisão foi construída dentro do espaço do Departamento de Psicologia da Universidade de

Stanford, com base nas entrevistas realizadas a diversos expressos.

 A filmagem foi realizada permanentemente através de um buraco no corredor. Houve

gravação do que se passava nas celas sem relógio nem luz natural.

Procedimentos para:

 Humilhar;

 Acabar com a individualidade;

 Lembrar a sua situação de prisioneiros.

 Na segunda feira foram acordados para a primeira das “contagens”. Estavam ambos a testar

os seus papéis: os prisioneiros querendo mais independência e os guardas adaptando-se ao

poder.

 Na manhã seguinte os prisioneiros revoltaram-se, tiraram os números e as meias da cabeça e

barricaram as camas contra a porta da cela e insultaram os guardas.

 Quando o novo turno de guardas chegou, teve de resolver o problema.

 Deram privilégios especiais aos prisioneiros menos envolvidos na rebelião: uniforme, camas

e comida quando a tinham tirado aos outros, de forma a quebrar as solidariedades.

 Depois misturaram de novo os prisioneiros “bons” e “maus” nas celas.

 Os guardas estavam mais unidos, e sentiam-se ameaçados pelos presos, pelo que

aumentaram o controlo.

As estratégias dos prisioneiros:

 Pequenas rebeliões;

 Quebras emocionais;

 Problemas psicossomáticos;

 Tentativa de ser um “bom prisioneiro”.

Desintegrados tanto como pessoas como como grupo.

O fim do estudo:

 Pais contactados pelo padre;

 A violência dos guardas e a passividade dos prisioneiros;

 Christina Maslach considerouinaceitável o estado dos prisioneiros;

 Acabou ao fim de 6 dias (planeado para 15).

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