Psicologia Social, Resumos de Psicologia Social. Universidade não é definido
da1709
da1709

Psicologia Social, Resumos de Psicologia Social. Universidade não é definido

ODT (183 KB)
49 páginas
6Números de download
266Número de visitas
100%de 1 votosNúmero de votos
Descrição
resumos de psicologia social
20 pontos
Pontos de download necessários para baixar
este documento
Baixar o documento
Pré-visualização3 páginas / 49
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 49 páginas
Baixar o documento
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 49 páginas
Baixar o documento
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 49 páginas
Baixar o documento
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 49 páginas
Baixar o documento

1ª Frequência Psicologia Social

Divisões tradicionais da Psicologia

 Psicologia do Desenvolvimento;  Psicologia Social;  Psicologia Clínica;  Neurociências;  Psicologia Cognitiva.

O que é a Psicologia Social?

Como? Através do método científico

O método da psicologia social inclui:

Descrição – observação precisa e fiável (elaboração de relatórios)

Explicação – desenvolvimento de teorias que relacionam e organizam as observações, nomeadamente em relações de causa- efeito.

Observações – Teoria – Previsões – Delineamento da pesquisa – Recolha de dados.

Os pensamentos, sentimentos e comportamentos são: cognição, afeto e comportamento.

“Presença real, imaginada ou implítica dos outros” – O quê? Importância da situação os outros.

“são influenciados” – sugere relações causais (outros – individuo)

“presença real dos outros” – o que muda no nosso comportamento por estarmos com outros.

“presença imaginada dos outros” – o que muda no nosso comportamento por imaginarmos a reação dos outros.

“presença implícita dos outros” – o que muda no nosso comportamento por supormos existirem outros.

1

O olhar da psicologia social é um triângulo em que os vértices representam: eu, outro e objeto.

O que estuda a Psicologia Social?

 Comportamentos: agressão, altruísmo, atração, grupos, persuasão, formação de impressões, estereótipos.

 Cognições: percepção, tomada de decisão, memoria, atenção, identificação.

 Afetos: emoções, motivação, estados afetivos.

História da Psicologia Social

Primeiros contributos

No fim do século XIX, há uma série de pensadores que começam a conceptualizar e a investigar uma nova área.

Existiram duas vias para se chegar a este ramo da Psicologia.

William McDougall – defende a origem instintiva dos comportamentos sociais.

Edward Alsworth Ross - Um sociólogo americano publica um artigo em que defende a necessidade de uma Psicologia Social, a um nível intermédio entre a Sociologia e a Psicologia.

Períodos de afirmação da Psicologia Social:

 Kurt Lewin (1890-1947)  Muzafer Sherif (1906-1988)  Stanley Milgram (1933-1984)  Solomon Asch (1909-1996)  Leon Festinger (1919-)  Philip Zimbardo (1933-)

Tendências na Psicologia Social:

 1940-70 Importância dos factores situacionais

 1970 - Importância da perspectiva cognitiva (Cognição Social) 2

- Importância crescente dos problemas intergrupais - Importância crescente das aplicações (ambiente, saúde, etc.).

 2000 - Importância crescente dos processos inconscientes e automáticos;

- Importância das questões de linguagem.

Conservadorismo - as ideias/comportamentos adquiridos são difíceis de mudar.

Acessibilidade - a informação que temos disponível no momento determina o nosso comportamento.

Funcionamento cognitivo dual - podemos agir baseados numa avaliação da situação superficial (automática) ou profunda (elaborada cognitivamente).

Níveis de análise em Psicologia Social

Teologia Filosofia

Sociologia Psicologia social

Psicologia Biologia Química

Física Niveis de explicação

As várias perspectivas sobre o mesmo fenómeno não são necessariamente contraditórias.

 Não há um único nível de explicação que é “verdadeiro”.  Os diferentes níveis de explicação articulam-se para formar um conjunto mais abrangente.  Devemos perceber a que nível nos situamos.

Nações, sociedades, culturas Grupos, organizações famílias, relações Atitudes, crenças, pensamento social

Memoria, cognição, percepção Neurónios, hormonas, genes

Niveís de explicação em Psicologia Social

 Psicologia Social como uma disciplina charneira;

3

 Diferentes níveis de explicação (intra-individual, interindividual ou situacional, posicional, ideológico).

Ex: as diferenças homem-mulher

Porquê é que as mulheres ganham menos/têm mais dificuldade em arranjar emprego/têm melhores notas/ são

mais românticas que os homens?

 Sexo – diferenças biológicas  Género – diferenças sociais  Explicação biológica – resultados de diferenças biológicas (sexo)  Explicação sócio-biológica – (sexo e evolução) diferenças biológicas adaptativas.

Nível intra-individual

 Não é uma questão de sexo, mas de género: as mulheres têm personalidades diferentes dos homens.

 As características psicológicas das mulheres normalmente seriam menos adaptadas ao mundo do trabalho.

A Teoria da Androginia Psicológica defende que existem duas dimensões da personalidade:

- Masculinidade (traços instrumentais – independente, ativo, competitivo);

- Feminilidade (traços expressivos – meiga, emotiva, prestável).

Nível inter-individual

 É uma questão do contexto relacional em que as pessoas são colocadas.

 Como se esperam coisas diferentes de um homem e de uma mulher: o desempenho é afetado e a avaliação que se faz do resultado também.

 A História de Abbie Conant e da sua entrada para a Orquesta Filarmónica de Munique como trombonista. A audição por detrás de um ecran permitiu que fosse vista como a melhor.

Nível posicional

4

As expectativas relativamente às mulheres não são apenas diferentes das relativamente aos homens: espera-se coisas piores das mulheres do que dos homens.

 Atributos relacionais são menos importantes do que os atributos instrumentais.

 Á partida tem-se expectativas mais positivas dos homens do que das mulheres.

 É mais fácil a identificação com a categoria dos homens do que com a das mulheres.

Fabio Lorenzi-Cioldi (1988)

Homens como grupo dominante:  vistos como pessoas mais autónomas e heterogéneas;  Identidade social mais positiva;  normas sociais mais largas.

Mulheres como grupo dominado:  vistos como pessoas mais dependentes e homogéneas;  Identidade social ameaçada;  normas sociais mais estreitas.

Nível ideológico (sociológico)

 As expectativas assimétricas de homens e de mulheres estão associadas a diferenças na estrutura social e servem para manter essas diferenças.

 Em particular, na nossa sociedade a masculinidade hegemónica.

Teoria Social do género (Connell, 1987) – Masculinidade hegemónica como o ideal masculino nas sociedades atuais:

 atributos: heterosexualidade, força, estoicismo, racionalidade, competência e controlo

 conjunto de práticas sociais que justificam a dominação das mulheres.

 Os homens que se desviam desta ideologia são vistos como inferiores (e.g., homosexuais).

A interação como objeto da Psicologia Social A formação de impressões

A importância da construção social dos significados

5

As pessoas criam a sua própria realidade através da interação com outros: importância das normas sociais e das diferenças culturais na definição do que é normal/bonito/desejável.

A importância da situação para os psicólogos sociais

O comportamento social é em grande parte resultado do contexto e não da personalidade dos indivíduos: agimos de forma diferente em contextos diferentes.

Necessidade de pertencer

Precisamos de relações fortes e estáveis com os outros

 Necessidade de afiliação (desejo de estabelecer e manter muitas relações interpessoais positivas) como um motivo humano fundamental.

 O relacionamento social está associado à saúde (quem tem amigos vive mais tempo e tem menos doenças).

 Sofremos quando os outros nos excluem, tanto como uma dor física.

Necessidade de compreender

Precisamos dos outros para dar significado ao que nos rodeia

 A interação com os outros ajuda-nos a compreender o mundo na validação das nossas opiniões e na adaptação situações novas e difíceis.

 Com outros damos sentido a situações difíceis.

Necessidade de auto-estima

Só conhecemos o nosso valor por comparação com outros. Procuramos comparações com outros em dimensões que nos favorecem.

Optimismo comparativo: achamos que temos mais controlo sobre as doenças que os outros.

Queremos pertencer e ser iguais, mas queremos também ser diferentes. O feedback positivo de outros é uma forma de nos sentirmos muito bem.

Precisamos dos outros para nos sentirmos bem.

A formação de impressões

O estudo de como formamos impressões e fazemos inferências sobre as pessoas.

6

O nosso conhecimento sobre as características das pessoas e a forma como essas características se relacionam é uma forma de representação cognitiva.

Formar uma impressão significa organizar a informação disponível acerca de uma pessoa de modo a podermos integra-la numa categoria significativa para nós.

Representação cognitiva – conhecimento armazenado na memória.

Formação de impressões a partir de atributos físicos

O que usamos para formar impressões?

Pistas visuais – aparência, comunicação não-verbal, comportamento visível.

Ex: aparência

Beleza física associada com:  Mais comportamentos de ajuda;  Maior expectativa de inteligência;  Vantagem na seleção para emprego;  Salário mais elevado;  Na justiça: penas menores.

Formação de impressões a partir da informação que recolhemos

Que pistas usamos para formar impressões?

As informações que recebemos sobre uma pessoa.  A primeira informação (efeito de primazia);  A ultima informação (efeito de recência);  Nem todas as informações têm o mesmo valor.

Inferir um traço a partir de outro

 Warm – carinhoso, sociável, popular;  Cold – irritável, pessimista, auto-centrado.

Há determinados traços que são centrais na formação de impressões.

Temos a ideia de que alguns traços estão associados ‘vão juntos’. Geralmente pensamos que se uma pessoa tem um traço positivo, também terá outros e se tem um traço negativo, também terá outros.

7

Formação de impressões a partir do contexto

O contexto importa:  Pistas que são salientes num contexto atraem mais atenção:

e.g., brilho, ruído, movimento, novidade.  As pessoas atendem à ‘figura’ (indivíduo) mais do que ao

‘fundo’ (ou contexto).

Ex: picnic no infantário – fato – pessoa formal.

Almoço de trabalho – criança – pai devotado.

As pistas salientes dominam as impressões.

Formação de impressões a partir das associações e categorias

As pistas que observamos não têm sentido por elas próprias. São interpretadas à luz do conhecimento que temos armazenado sobre pessoas, situações, etc.

As primeiras impressões baseiam-se em processos cognitivos rápidos e que requerem pouco esforço:

 Associações aprendidas entre representações cognitivas armazenadas na memória.

 Acessibilidade no momento das representações cognitivas que temos armazenadas.

Associações

Quando olhamos para uma pessoa incluímo-la automaticamente numa categoria (sexo, raça, idade). Este processo faz com que esperemos a partida que a pessoa partilhe uma série de atributos com a sua categoria (se é idoso deve ser doente; se é jovem deve ser irresponsável).

Os estereótipos sociais (crenças socialmente partilhadas sobre a forma como são os membros de um grupo social) são uma fonte de informação inicial sobre a pessoa.

Acessibilidade

É a facilidade (ou velocidade) com que uma representação cognitiva vem à mente e é usada.

Conhecimentos acessíveis tendem a vir à mente de forma automática (vs. deliberada) e guiam a interpretação que fazemos das pistas disponíveis.

Factores que a influenciam

8

 Motivos – se temos um conflito, vemos o outro como hostil;  Mood - A boa disposição leva a que vejamos os outros da

melhor forma (e a má…).  Contexto – torna uma interpretação mais plausível que outras.

A situação em que nos encontramos

Os contextos ambientais, caracterizados por temperaturas amenas, distancias máximas e odores agradáveis promovem avaliações mais positivas de alvos sociais.

9

Formação de impressões a partir do comportamento (atribuição causal)

Inferências correspondentes

Justificadas se:  O comportamento é livremente escolhido;  O comportamento não é socialmente desejável;  O comportamento é pouco comum.

Tem um comportamento agressivo, logo é agressivo.

Mas muitas vezes fazemos inferências correspondentes mesmo quando não há justificação: erro fundamental da atribuição.

Atribuições na formação de impressões

Uma forma de ir para além das primeiras impressões é perguntar ‘porquê’ quando observamos um comportamento de outra pessoa. O julgamento que fazemos sobre causa de um comportamento é uma atribuição causal.

Fazemos atribuições porque nos ajudam a ganhar controlo sobre o ambiente e principalmente quando o acontecimento é negativo ou inesperado.

Atribuição causal – processo de inferência que consiste em utilizar uma dada informação para suscitar um suplemento que lhe está associado por uma causalidade do tipo indutivo.

Ex: vizinho da mesa não para de rir e exagera a servir-se de batatas, consideramo-lo como comilão, mais guloso que apreciador de boa comida.

Tipos de atribuições:

Locus de controlo ou internalidade:  Disposicional ou interna - traços de personalidade, atitudes,

estados internos duráveis.  Situacional ou externa – ambiente, outras pessoas.

Estabilidade:  Estável – inteligência, personalidade.  Instável – motivação, sorte.

Enviesamentos nas atribuições

10

O erro fundamental da atribuição

As pessoas sobrestimam o peso dos fatores internos e subestimam o peso da situação. Muitas vezes fazemos inferências correspondentes mesmo quando não há justificação.

Em relação aos outros, tendemos a justificar o seu comportamento pelos fatores internos (chumbou por não ser inteligente (personalidade)), enquanto que os nossos comportamentos tendem a ser justificados por fatores externos (chumbei porque estava com pouca motivação/sorte).

O erro ator-observador

Tendemos a atribuir o comportamento dos outros às suas disposições (internamente) e o nosso à força da situação (contexto).

 Perceptual – atores olham para a situação, observadores olham para atores;

 Acesso a informação diferente: atores sabem mais sobre si próprios e os seus constrangimentos.

O ator dará mais atenção ao contexto, à situação, enquanto o observador concentra o seu interesse no comportamento do ator.

A exatidão das impressões

Para ir para além de uma primeira impressão é preciso esforço: o que nos motiva a fazer esse esforço?

 Motivação para ser preciso/exato (colaboração);  Motivação para formar uma impressão positiva/negativa

(competição);  Consciência do enviesamento da impressão.

Impressões e julgamentos

As impressões podem ser usadas em julgamentos sobre os outros. Depende do tipo de processamento de informação que usamos.

 Processamento superficial;  Processamento profundo/sistemático.

Superficial - Processamento que usa pouco esforço e que se baseia em informação acessível para fazer inferências ou julgamentos acerca dos outros. É mais provável quando estamos com pressa ou falta de atenção.

Profundo - Processamento que envolve esforço e atenção a uma série de informação relevante quando se faz um julgamento. É mais provável quando há uma dependência do alvo e exatidão da responsabilização. 11

Uma série de processos conspira para que as primeiras impressões sejam mantidas:

 Efeito de primazia – as primeiras impressões determinam a impressão geral.

 Profecias auto-confirmadoras – as impressões que temos criam comportamentos no outro que acabam por confirmar a nossa impressão.

Limites das profecias auto-confirmatórias

Somos menos vulneráveis a estas profecias quando:  nos apercebemos de quais são as expectativas que os outros

têm sobre nós (ele acha que eu sou pouco esperta!).  estamos certos do que pensamos sobre nós próprios (eu acho

que sou inteligente!).

Self e Identidade Auto-conceito e Auto-estima

Defendendo o Self

Self e identidade na história

Self próprio como tendo características únicas é uma ideia relativamente nova: secularização, industrialização, idade das luzes, psicanálise.

O self seria o produto de processos dinâmicos que asseguram a unidade e a totalidade do sujeito.

Self coletivo – atributos partilhados com os membros dos grupos a que pertencemos.

Self individual – atributos que nos tornam únicos.

Self relacional – atributos associados às relações que mantemos.

Self e cultura

Culturas interdependentes, coletivistas: Dificuldade em definir-se de forma isolada do contexto,

preferindo indicar o papel ou relação (pai, filho, amigo, etc). É importante pertencer (Self relacional e colectivo).

Culturas independentes, individualistas:

12

As definições abstractas e os traços únicos e independentes do contexto são predominantes. É importante ser (self individual).

Auto-conhecimento

Auto-conceito – a totalidade do conhecimento que o individuo tem sobre si próprio.

Auto-estima – o afeto ligado a este conhecimento.

Ambos em constante mudança, devido a mudanças nas experiências que temos, contextos, etc.

O auto-conceito

Parte da identidade de um individuo que consiste no conjunto de ideias e representações que ele tem de si próprio-

A identidade dual do sujeito assenta na capacidade para formar uma imagem ao self na sua percepção consciente do self corporal. Numa pessoa saudável, as duas identidades sao congruentes. A imagem ajusta-se à realidade do corpo, mas quando existe falta de congruência entre a imagem do self e o self, ocorre então um distúrbio da personalidade.

Autoconsciência – como estado transitório e nem sempre agradável.

O autoconceito inclui dois lados:  I, eu, self privado – sujeito social, como somos.  Me, mim, self publico – objeto social, como os outros nos

veem.

Auto-esquemas:  Temos representações estáveis dos nossos atributos.  Em dimensões especificas (ex: importar-se com a moda,

intelectual, ótimo cozinheiro e péssimo músico).  Estamos particularmente atentos às dimensões relevantes do

self.

O auto-conceito como se forma?

Forma-se de forma semelhante à formação de impressões sobre os outros: observação do próprio comportamento, inferências , comparação com outros, etc.

Também sofre de enviesamentos.

Formação a partir de inferências do comportamento

13

Teoria da auto-percepção – usamos o nosso comportamento para percebermos o que somos, especialmente quando se trata de dimensões pouco usadas por nós.

Ex: sou introvertido? Não gosto de sair, logo devo ser introvertido.

Mas isto só acontece quando as pistas são fracas:  não se houver um factor externo que claramente justifique o

comportamento (ex: não saio porque não me deixam.).

 quando o comportamento é livremente escolhido deduz-se que há motivação intrínseca.

 Quando o comportamento é visto como guiado por pressões ou recompensas externas, deduz-se baixa motivação intrínseca (fiz a tarefa porque pagaram, não porque gosto!).

Formação através de pensamentos e emoções

É feita através dos nosso pensamentos e emoções a que temos acesso, o que nem sempre acontece com os outros.

Anderson (1984): informação sobre os pensamentos e emoções de um alvo levou a impressões mais semelhantes ao autoconceito do próprio alvo.

Formação a partir das reações dos outros

As reações dos outros fazem com que o self seja o espelho das suas reações.

Shrauger & Schoeneman (1979): maior ligação entre o auto- conceito e o que pensamos que os outros pensam de nós (do que com o que realmente pensam).

Formação através da comparação social

Teoria da comparação social – aprendemos sobre nós próprios por comparação com os outros.

Quando não existem standards objectivos, as pessoas comparam -se com os outros.

O que nos distingue dos outros é frequentemente parte central da nossa auto-definição (e.g., raça, ser canhoto, tocar flauta, etc).

Objetivos da comparação social

14

 Conhecimento exato de nós próprios: comparações com outros semelhantes ou de forma saliente (e.g., género, idade), ou de forma relevante (e.g., qualificações quando o tema é o sucesso).

 Self-enhancement: comparações com outros com menos sucesso, mais doentes, etc.

 Self-improvement: comparações com outros com mais sucesso, com melhor estado de saúde, etc.

O autoconhecimento vs o conhecimento dos outros

Temos maior quantidade e variedade de informação sobre nós próprios do que têm os outros: leva a maior certeza e rigidez na impressão que fazemos sobre os outros do que sobre nós.

Fazemos atribuições diferentes: para comportamento negativo, fazermos atribuições internas para os outros e externas para nós. O contrário para o comportamento positivo.

Isto não quer dizer que o autoconhecimento seja mais exato.

A complexidade do self

Temos diferentes ideias sobre nós próprios em diferentes contextos e papéis: ‘como amigo sou divertido, mas como advogado sou sério’.

Estas ideias são organizadas de acordo com contextos, papéis e relações. O número e diversidade de aspectos do self que desenvolvemos em diferentes papéis, atividades e relações constituem a nossa ‘self-complexity’.

Um self coerente

As pessoas tentam encaixar os diferentes elementos que possuem acerca de si próprios de forma a construir um self coerente.

 Acessibilidade limitada;  Memoria seletiva;  Atribuições;  Seleção de traços.

Auto-estima

A nossa avaliação de nós próprios:  Global – gosto de mim próprio.  Especifica – sou boa a matemática (desempenho); acho que

sou popular (social)...  Traço (sou assim ...) vs Estado (estou assim ...).

15

Formação da autoestima a partir de autoengrandecimento

A tendência para colher ou interpretar informação acerca do self que leva a uma avaliação exageradamente positiva.

As pessoas tendem a descrever-se como acima da média numa série de características, sendo isto mais comum em característica vagas (sensibilidade, genorisidade), do que em características especificas (pontual).

As pessoas também tendem a ver o seu futuro como melhor do que o dos outros: maior probabilidade de serem bem sucedidos, menor vulnerabilidade à pobreza, doença, etc.

Fontes de autoestima

 Experiências pessoais: sucesso ou insucesso;  Comparações sociais;  Standards internos. 

Formação a partir de experiencias pessoais

Escolhemos situações em que podemos brilhar: dedicamos tempo aquilo em que somos relativamente bons.

Interpretamos situações de forma a que reflitam o melhor possível em nós: “acabar a corrida é tão bom como ganhar!”.

Inflacionamos as nossas contribuições: mas só se o projeto foi bem sucedido…

 Responsabilizamo-nos pelos sucessos e não pelos fracassos.  Esquecemo-nos mais de feedback negativos do que de

elogios.  Somos menos críticos de elogios do que de críticas.  Achamos os nossos defeitos traços humanos e as nossas

qualidades como raras.

A personalidade tem impacto na forma como respondemos a situações e no impacto que elas têm na nossa autoestima.

Formação a partir de comparações sociais

Modelo da manutenção da auto-avaliação (Tesser): A autoestima na comparação com os outros depende:

De quem escolhemos para nos compararmos (comparações para baixo aumentam a AE, comparações para cima têm o efeito contrário).

Do domínio em que a comparação é feita (domínio relevante tem impacto na AE, domínio irrelevante não tem).

Formação a partir da pertença a grupos sociais

16

Teoria da Identidade Social (tajfel & Turner) - a autoestima depende o valor social dos grupos a que pertencemos.

 Grupos socialmente prestigiados – tendência a aumentar a AE.  Grupos socialmente desvalorizados – baixa a AE.

Formação através padrões internos

Teoria da auto-discrepância (Higgins) – temos padrões internos (self- guides) que guiam as nossas auto-avaliações:

 Self normativo – o que achamos que deveríamos ser. Orienta- nos em direção às nossas obrigações.

 Self ideal – o que gostaríamos de ser. Orienta-nos aos nossos ideais e aspirações.

Auto-discrepâncias:  Diferenças entre o self atual e o self ideal (gostaria de ser um

aluno mais aplicado). Leva ao desapontamento, depressão.

 Diferença entre o self atual e o self normativo (deveria ser desportista). Leva ao sentimento de culpa, ansiedade.

 Discrepâncias – emoções – efeitos a longo prazo (doença física).

Ameaças ao self

 Insucessos  Inconsciências (no autoconceito)  Fatores de stress

 Bem estar emocional  Saúde física

 Crucial: sentimento de controlo. Falta de controlo leva a desanimo aprendido e depressão.

Coping com as ameaças

Coping - conjunto de estratégias usadas para reduzir as consequências negativas de eventos que ameaçam o self.

Coping focalizado na emoção: tentativa de reduzir a emoção negativa, e.g., escape,

distração, atribuição de menos importância ao evento, etc.

17

 Álcool, drogas;  Redução da importância da escola como resposta a

estereótipo.

Coping focalizado no problema: tentativas de remover o problema ou ameaça, e.g.,

reinterpretando a situação, recorrendo a desculpas (self- handicapping), procurando maior controlo sobre a situação (autoeficácia), resolvendo o problema diretamente.

influência social – o efeito da mera presença de outrem e introdução aos grupos

Facilitação social

o comportamento de alguém foi influenciado socialmente quando ele se manifesta na presença de outrem, que não tem de ser necessariamente real.

Triplett (1889): crianças enrolavam canas de pesca mais rapidamente quando estavam na presença de outros do que quando estavam sozinhas (coação).

Ciclistas pedalam mais rápido quanto têm audiência (efeitos de audiência).

Por vezes a presença de outros melhora o comportamento, como no caso das tarefas motoras, enquanto que noutras situações a presença de pessoas diminui a qualidade do desempenho, como em operações complexas.

Alport (1924) Realizou vários estudos e verificou que os indivíduos tinham

melhores desempenhos quando se encontravam numa situação de grupo que sozinhos.

Zajong e a hipótese motivacional Nem todos os estudos de facilitação social produzem melhoria

no comportamento. A presença de outros da mesma espécie aumenta a motivação. A dominância da resposta é uma variável moderadora.

18

Presença de outros – aumento da motivação – reforço das tendências dominantes

Facilitação social por receio da avaliação

Não é apenas a presença, mas o receio de sermos mal avaliados. Cottrell apresentou 3 situações: só, audiência vendada e audiência interessada. Quando se sabe que os observadores são especialistas há efeitos mais acentuados de facilitação social.

Ameaça vs Desafio

Padrão psicofisiológico diferente em situações de desafio e ameaça.

Desafio – ativação cardíaca; Ameaça – ativação cardíaca e aumento da tensão arterial.

Hipóteses:

 Com audiência aumenta a ativação;  Se a tarefa estiver bem aprendida, a audiência é um desafio

(ativação cardíaca unicamente);  Se a tarefa estiver mal aprendida, a audiência é uma ameaça

(ativação cardíaca e vascular).

Facilitação social por distração

Mesmo que não nos possam avaliar, a presença de outros distrai-nos. Isso faz com que haja um conflito entre concentrarmo- nos na tarefa ou darmos atenção aos outros.

A presença de outros faz com que haja receio da avaliação e aumento da distração da pessoa que realiza a tarefa. Ambas as consequências levam ao aumento da motivação, que por sua vez, faz com que exista um reforço das tendências dominantes.

Apatia social

É a indiferença perante as pessoas/acontecimentos

O caso Genovese tornou-se um símbolo da apatia social não apenas para os americanos dos anos 60, mas para toda uma geração consciente de que a aglomeração das grandes cidades favorece a desumanização 'dos outros’, favorece a inércia dos

19

espectadores e acerba a indiferença para com quem não lhe é próximo.

Darley & Latané (1986) dizem que quanto maior é o numero de espetadores presentes, menor é a probabilidade de ajuda e maior é o tempo de espera, caso decidam realmente ajudar.

Stanley Milgram (1970) - “The experience of living in cities”

Isto consistia em comparar os comportamentos de ajuda na cidade e em zonas rurais. A experiência era então pedir para usar o telefone porque não estava a encontrar a casa de um amigo que morava na zona. Os resultados foram muito diferentes, sendo que em Nova Iorque apenas houve 27% de ajuda, enquanto que em cidades pequenas a ajuda foi de 72%.

Steblay, 1987, meta-análise

Foram realizados 65 estudos em que se compara o comportamento de ajuda em cidades e em zonas rurais. Apenas 9 dos estudos mostravam resultados maiores de ajuda nas cidades.

Latané e Nida, 1981, meta-análise

O comportamento de ajuda:  não aparece associado sistematicamente com variáveis de

personalidade;  varia de forma previsível em função de variáveis da situação,

nomeadamente o número de observadores presentes.

Porquê a apatia social?

Quanto maior é a audiência menor é a ajuda. O que importa é o numero de participantes e não o seu comportamento.

1. É preciso reparar que alguém precisa de ajuda; 2. Validar as hipóteses com os outros e interpretar a situação

como uma emergência; 3. Responsabilidade de ajudar e consciência do que acontece se

não agirmos; 4. Saber o que fazer e implementar ajuda.

O que é um grupo?

Unidade social constituída por pessoas com papéis interdependentes orientados para objetivos comuns e que regulam o sue comportamento por um conjunto de normas.

Só há um grupo quando há interação entre as pessoas que estão num determinado lugar e ao mesmo tempo, ou seja, há 20

permanência no tempo. Necessitam de existir interdependências entre estas mesmas pessoas e objetivos comuns. Há ainda uma estrutura nos grupos, que pode ser formal (trabalho) ou informal (amigos).

21

Quando há uma formação de um grupo, a tendência é para a desmobilização ou preguiça social. Ringelmann fez uma experiência com uma corda da qual concluiu que quanto mais pessoas a puxavam, menor o esforço individual. A exceção é quando existe tarefa envolvente, uma vez que não existem perdas de coordenação (papéis bem definidos), o contributo individual é relevante e identificável para o grupo. Fases de desenvolvimento do grupo:

Formação – orientação: troca de informação, exploração das semelhanças;

Agitação – conflito: desacordos e influência; Normalização – coesão: formação de regras e estabilidade;  Formalização – desempenho: centração na tarefa;  Suspensão – dissolução.

Diferenciação de papéis

A interação nos grupos leva ao desenvolvimento de expectativas diferentes sobre os seus membros. A divisão de tarefas dá estabilidade e ordem ao grupo, bem como identidade aos membros, facilitando a comparação social.

Estrutura afetiva dos grupos

Jacob Levy Moreno, 1932 : Sociometria

Todos os grupos têm uma estrutura afectiva informal que determina os comportamentos dos indivíduos em relação aos outros.

 Sócio e psicodrama  Psicoterapia do grupo  Sociometria – dizer qual a relação entre os indivíduos.

Perceber a personalidade social de cada elemento do grupo.

Através do conhecimento desta estrutura podemos:  compreender a "personalidade social" dos diferentes membros

do grupo;  compreender as tensões internas no grupo;  delinear estratégias de modificação do comportamento

individual e da dinâmica grupal.

Teste sociométrico

 de que pessoas deste grupo gosta?  De que pessoas não gosta?

Classificação dos membros do grupo em 2 dimensões:  Impacto social= nº escolhas + nº rejeições  Preferência social = nº escolhas – nº rejeições

22

1. Popularidade e poder; 2. Estrelas, cliques e Marginais; 3. Tensões internas; 4. Grau de coesão.

As pessoas mais populares tendem a ser as preferidas. Uma pessoa poderosa é aquela que é preferida entre os populares, ou seja, é a “escolha” das pessoas que são as preferidas das outras. Cliques são um pequeno grupo (3 pessoas +/-) que apenas se escolhem umas às outras.

Estrutura sociométrica e a produtividade grupal

Resultados iniciais: Os grupos com melhor desempenho são aqueles em que a coesão é elevada e os membros se sentem muito atraídos pelo grupo.

Resultados atuais: A relação entre produtividade e coesão também depende dos objetivos do grupo, da estrutura da tarefa.

Estrutura de interação nos grupos

Robert F. Bales, 1951 Análise do processo de interação

O comportamento dos indivíduos nos grupos podem dividir-se em dois tipos:

 comportamento instrumental (tarefa);  comportamento expressivo (emoções).

O desenvolvimento dos grupos opera-se por um processo de procura de equilíbrio. Os comportamentos expressivos servem como forma de resolver tensões e facilitar a evolução dos comportamentos dirigidos para a tarefa.

Análise do Processo de Interação, Bales 1951

23

Tipos de estrutura de comunicação

 cruz  y  circulo  cadeia  estrela

Em tarefas simples as estruturas centralizadas encontram a solução correta mais rapidamente. Em tarefas mais complexas, o circulo e a estrela são mais eficazes.

Estrutura de poder no grupo

Poder – capacidade de influenciar o comportamento de um membro do grupo.

 Modelos universais de liderança: o que faz um líder?  Modelos contingenciais: que líder para esta situação?

Modelos universais da liderança

Modelos de traços – encontra apenas correlações fracas com inteligência, dominância e sociabilidade.

Bass distingue 2 tipos de relações líder-membros:

 Transformacionais: o líder tem carisma, ideias novas, dá visão e inspiração ao grupo (estímulo intelectual, propõe coisas novas). Mais eficaz principalmente em alturas de crise;

 Transacionais: o líder estrutura as tarefas, coordena os subordinados e só se envolve quando há problemas.

Modelos de comportamento Lippitt and White (1943) compara os resultados de lideres

democráticos, autocráticos e laissez faire.

Modelos contingenciais da liderança

24

Fiedler, 1964: Modelo da contingência

Dois estilos fundamentais da motivação:  Para as relações humanas – a sua autoestima depende do

relacionamento com os outros  Para a tarefa – a sua autoestima depende dos resultados

obtidos.

As teorias contingenciais têm maior apoio empírico que as universais:

 não há líderes excepcionais em todas as situações;  a eficiência da liderança depende da adequação das

características do líder às características da situação (mudando a situação ou mudando as competências do líder).

Estrutura da tarefa a realizar

Tipos de objetivos:

Independentes – individualista: trabalho em benefício pessoal sem preocupação com o resultado dos outros.

Interdependentes – quando existem objetivos comuns.  Competitivos: só um pode ganhar.  Cooperativos: em conjunto para um objetivo.

A cooperação leva a:  Melhores resultados, mais envolvimento e retenção;  Mais persistência e motivação;  Raciocínio mais motivado;  Mais tempo;  Mais ineracções positivos e mais apoio;  Clima mais positivo.

Tipos de tarefas:

Aditivas - resultado do grupo é a soma das contribuições individuais (ex: vender rifas; jogo da corda) soma das partes do grupo.

Conjuntivas – resultado do grupo depende de todos realizarem a sua parte (ex: assaltar um banco; jogar futebol).

Disjuntivas – resultado do grupo é a melhor resposta (ex: tarefas tipo eureka). 1 tem uma ideia e os outros compreendem melhor.

Compensatórias – resposta do grupo é a média dos desempenhos individuais (ex: lugar das escolas secundarias na avaliação anual).

25

Até o momento nenhum comentário
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 49 páginas
Baixar o documento