RELATÓRIO DE FARMACOLOGIA: PRESSÃO ARTERIAL EM Canis familiares: EFEITOS DE FÁRMACOS PARASSIMPATICOMIMÉTICOS E BLOQUEADORES COLINÉRGICOS, Exercícios de Farmacologia
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RELATÓRIO DE FARMACOLOGIA: PRESSÃO ARTERIAL EM Canis familiares: EFEITOS DE FÁRMACOS PARASSIMPATICOMIMÉTICOS E BLOQUEADORES COLINÉRGICOS, Exercícios de Farmacologia

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A prática objetiva observar o efeito de fármacos mimetizadores da estimulação dos nervos parassimpáticos (parassimpaticomiméticos) e bloqueadores colinérgicos sobre a pressão intravascular em Canis familiares através da utilização de um software.
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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ-UFPI

CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE-CCS

DEPARTAMENTO DE BIOQUIMICA E FARMACOLOGIA

DISCIPLINA: FARMACOLOGIA BÁSICA PARA FARMÁCIA

PROFESSOR: PAULO MARQUES DA SILVA CAVALCANTI

CURSO: BACHARELADO EM FARMÁCIA E BIOQUÍMICA

PRESSÃO ARTERIAL EMCanis familiares:

AÇÕES E EFEITOS DE FÁRMACOS PARASSIMPATICOMIMÉTICOS E

BLOQUEADORES COLINÉRGICOS

ATRAVÉS DE SIMULAÇÃO COMPUTADORIZADA

ALEXANDRE XAVIER DE LIRA DA SILVA

08S14260

TERESINA-PI,

ABRIL DE 2010

INTRODUÇÃO

Walter Cânon, por volta de 1920, definiu que o sistema nervoso autônomo,

por meio de dois sistemas antagônicos (o simpático e o parassimpático), era

fundamental para manutenção do equilíbrio do organismo, definindo esta situação

com o termo homeostasia. O sistema nervoso autonômico influencia tônica e

reflexamente o sistema cardiovascular, uma vez que, tanto a noradrenalina como a

acetilcolina liberadas no coração, modificam o débito cardíaco por alterar a força de

contração das fibras miocárdicas e a freqüência cardíaca (ANGELIS et al ,2004)

“A acetilcolina é um neurotransmissor endógeno das sinapses e junções

neuroefetoras colinérgicas dos sistemas nervosos central e periférico. Suas ações

são mediadas por receptores nicotínicos e muscarínicos, que fazem a transdução de

sinais através de mecanismos diferentes. Os receptores muscarínicos no sistema

nervoso periférico são encontrados primariamente nas células efetoras autônomas

inervadas pelos nervos parassimpáticos pós-ganglionares, além de estarem

presentes nos gânglios e em algumas células endoteliais dos vasos sanguíneos, que

recebem pouca ou nenhuma inervação colinérgica. Os antagonistas dos receptores

colinérgicos inibem as ações da acetilcolina nos locais efetores, eles se subdividem

em: antimuscarínicos ou antinicotínicos, de acordo com os tipos de receptores que

são atingidos. A atropina constitui o protótipo deste grupo de fármacos” (GILMAN,

2003).

A prática objetiva observar o efeito de fármacos mimetizadores da

estimulação dos nervos parassimpáticos (parassimpaticomiméticos) e bloqueadores

colinérgicos sobre a pressão intravascular em Canis familiares através da utilização

de um software.

MATÉRIAS E MÉTODOS

A aula experimental foi realizada através de simulação computadorizada da

aplicação de três drogas colinérgicas: acetilcolina, nicotina e neostigmina e um

antagonista colinérgico: a atropina em canis familiaris.

Nessa simulação, observou-se a pressão arterial e o tônus dos vasos

musculares e viscerais antes e após a aplicação de cada droga, que seguiu a

seguinte ordem: aplicação de ACh (20 µg), aplicação de ACh (20 µg) após

aplicação de neostigmina (0,5mg), aplicação de nicotina (300 mg) e aplicação de

ACh (20 µg e 2 mg) após aplicação de atropina.

RESULTADOS

TABELA 01 – REGISTRO DA VARIAÇÃO DA PRESSÃO ARTERIAL E TÔNUS DO

VASO MUSCULAR E VISCERAL SIMULADA DE FORMA COMPUTADORIZADA

EM Canis familiaris ANTES E APÓS ESTÍMULOS DE DROGAS. TERESINA, 2009.

Parâmetros

Drogas

Pressão arterial

Tônus do vaso

muscular

Tônus do vaso visceral

AntesDepoisAntesDepoisAntesDepois

1- Ach Normal --- Normal Dilatado Normal Dilatado

2- Neostigmina Normal - Normal Normal Normal Normal

Ach -- ----- Normal Dilatado Normal Dilatado

3- Nicotina(300

mg)

--

-- Normal Dilatado Normal Dilatado

300 mg segundos depois

-- + Dilatado Constrição Dilatado Constrição

4- Atropina Normal Normal Normal Normal Normal Normal

Ach Normal Normal Normal Normal Normal Normal

Ach Normal + + + Normal Normal Normal Normal

LEGENDA: Diminuição ( - ) e Aumento ( + ) da pressão arterial FONTE: Laboratório de Farmacologia da UFPI, alunos de Farmácia -2010.1

GRÁFICO 01: REGISTRO DA PRESSÃO ARTERIAL OBTIDA APÓS A

ADMINISTRAÇÃO DE ACETILCOLINA NA DOSE DE 20 mcg EM Canis familiares

ATRAVÉS DE SIMULAÇÃO COMPUTADORIZADA. TERESINA, 2010

LEGENDA: Ach (Acetilcolina), PA (pressão arterial). FONTE: Laboratório de Farmacologia da UFPI. Alunos de Farmácia, 2010.1

GRÁFICO 02: REGISTRO DA PRESSÃO ARTERIAL OBTIDA APÓS A

ADMINISTRAÇÃO DE NEOSTIGMINA SEGUIDA DE ACETILCOLINA NA DOSE DE

(0,5 mg) EM Canis familiares ATRAVÉS DE SIMULAÇÃO COMPUTADORIZADA.

TERESINA, 2010

LEGENDA: Ach (Acetilcolina), Ne (Neostigmina) e PA (pressão arterial).

FONTE: Laboratório de Farmacologia da UFPI. Alunos de Farmácia, 2010.1

PA

Ach

PA NeAch

GRÁFICO 03: REGISTRO DA PRESSÃO ARTERIAL OBTIDA APÓS A

ADMINISTRAÇÃO DE NICOTINA NA DOSE DE 300 mcg EM Canis familiares

ATRAVÉS DE SIMULAÇÃO COMPUTADORIZADA. TERESINA, 2010

LEGENDA: Ni (Nicotina) e PA (pressão arterial). FONTE: Laboratório de Farmacologia da UFPI. Alunos de Farmácia, 2010.1

GRÁFICO 04: REGISTRO DA PRESSÃO ARTERIAL OBTIDA APÓS A

ADMINISTRAÇÃO DE ATROPINA, SEGUIDA DE ACETILCOLINA (DOSES DE 20

µg E 2 mg) E DE PILOCARPINA NA DOSE DE 300 mcg EM Canis familiares

ATRAVÉS DE SIMULAÇÃO COMPUTADORIZADA. TERESINA, 2010

LEGENDA: At (Atropina), Ach (Acetilcolina), Pi (Pilocarpina) PA (pressão arterial). FONTE: Laboratório de Farmacologia da UFPI. Alunos de Farmácia, 2010.1

PA 3

1 Ni

4

2

PA

At Ach Y Ach Pi

DISCUSSÃO

Os agonistas dos receptores colinérgicos muscarínicos podem ser divididos

em 2 grupos: (1) acetilcolina e vários ésteres sintéticos da colina e (2) alcalóides

colinomiméticos naturais (em particular pilocarpina, muscarina e arecolina) e seus

congêneres sintéticos. A acetilcolina (Ach), sintetizada pela primeira vez por Baeyen

em 1867, praticamente não tem aplicações terapêuticas porque suas ações são

difusas e sua hidrólise, catalisada tanto pela acetilcolinesterase (AChE) como pela

butirilcolinesterase plasmática, é rápida. Consequentemente foram sintetizados

vários derivados na tentativa de obter fármacos com uma ação mais seletiva e

prolongada (GILMAN, 2007).

Os receptores muscarínicos são de cinco tipos: M1, M2, M3, M4 e M5. M1 no

gânglio, M2 no coração, M3 na musculatura lisa, M4 e M5 ainda são interrogações. As

ações da Ach e dos fármacos relacionados nos locais efetores autônomos são

denominados muscarínicas, com base na observação inicial de que a muscarina age

seletivamente nesses locais e exerce os mesmos efeitos qualitativos da Ach.

Consequentemente as ações muscarínicas ou parassimpaticomiméticas dos

fármacos relacionados são praticamente equivalentes aos efeitos dos impulsos

nervosos parassimpáticos pós-ganglionares como diminuição da frequência

cardíaca, dilatação das arteríolas, etc. todas as ações da Ach e de seus congêneres

nos receptores muscarínicos podem ser bloqueadas pela atropina. As ações

nicotínicas dos agonistas colinérgicos são atribuídas à sua estimulação inicial e

frequentemente em altas doses até o bloqueio subseqüente das células

ganglionares autônomas, da medula supra-renal e da junção neuromuscular, ações

comparáveis às da nicotina (GILMAN, 2007).

A Ach exerce 4 efeitos primários no aparelho cardiovascular: vasodilatação,

redução da frequência cardíaca (efeito cronotrópico negativo), diminuição da taxa de

condução nos tecidos especializados dos nodos sinoatrial (SA) e atrioventricular

(AV) (efeito dromotrópico negativo) e redução da força de contração cardíaca (efeito

inotrópico negativo). A aplicação intravenosa de uma pequena dose de Ach causa

uma queda fugaz da pressão arterial por vasodilatação generalizada (GRÁFICO 01),

em geral acompanhada de taquicardia reflexa. É necessária uma dose

consideravelmente maior para causar bradicardia ou bloqueio ou bloqueio da

condução do nodo AV por ação direta da Ach no coração (GILMAN, 2007).

As funções básicas dos receptores muscarínicos colinérgicos são mediadas

por interações com as proteínas G, e deste modo, por alterações induzidas por elas

na função de diferentes moléculas efetoras ligadas a diferentes membros da família.

Assim subtipos M1, M3 e M5 acoplam-se atravésdeG11 e G13 responsáveis pela

ativação da fosfolipase C que hidrolisa fosfatidilinositol 4,5-difosfato da membrana

para formar trifosfato de inositol (IP3) que causa a liberação de Ca 2+ responsáveis

pela ativação de fenômenos como contração do músculo liso e secreção. A

estimulação dos receptores M2 e M4 leva à interação com as proteínas G com a

resultante inibição da adenilciclase, ocasionando o decréscimo de AMPc, ativação

dos canais de influxo regenerador de K+ regulados por voltagem. Como

conseqüências funcionais desses efeitos tem-se hiperpolarização e inibição das

membranas excitáveis. Efeitos são mais claros no miocárdio, onde a inibição da

Adenilciclase e o aumento da condutância ao K+ respondem pelos efeitos

cronotrópicos e inotrópicos negativos da ACh (GILMAN, 2007).

A Neostigmina atua inibindo a hidrólise da acetilcolina por inibição da

atividade da acetilcolinesterase. O efeito da acetilcolina endógena é deste modo

prolongado e intensificado. No trato gastrointestinal, sistema geniturinário e outros

órgãos contendo musculatura lisa, a neostigmina facilita a transmissão dos impulsos

motores e sensoriais; restaura a função muscular normal durante várias horas.

Como os agentes anti-ChE entre eles a neostigmina, preservam a ACh endógena e

também atuam diretamente sobre a junção neuromuscular, podem ser utilizados no

tratamento da dosagem excessiva com agentes bloqueadores competitivos

(GRÁFICO 02). De forma semelhante, ao ser concluído o procedimento cirúrgico,

muitos anestesistas utilizam neostigmina ou edrofônio para reverter ou diminuir a

duração do bloqueio neuromuscular competitivo com neostigmina (GILMAN, 2007).

Segundo GILMAN, 2007, quando administrada por via intravenosa a cães, a

nicotina tipicamente aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial, a última

constituindo, habitualmente uma resposta mais persistente. Em geral, as respostas

cardiovasculares à nicotina devem-se à estimulação dos gânglios simpáticos e da

medula adrenal, juntamente com a descarga de catecolaminas das terminações

nervosas simpáticas. A ativação dos quimiorreceptores dos corpos aórtico e

carotídeo também contribui para a resposta simpaticomimética à nicotina, resultando

reflexamente em vasoconstrição, taquicardia e elevação da pressão arterial

(GRÁFICO 03). A nicotina estimula transitoriamente os receptores nicotínicos

presentes nos gânglios, porém é mais conhecida pelas suas propriedades aditivas

que decorrem de suas ações pré-sinápticas que influenciam a liberação de

neurotransmissores no cérebro. O uso de agentes bloqueadores ganglionares para o

controle da hipertensão foi superado por fármacos mais apropriados apesar de

constituírem, algumas vezes, alternativas úteis quando outros agentes não

conseguem controlar a pressão arterial.

Ainda de acordo com GILMAN, 2007, se forem aplicadas grandes doses de

ACh após a administração de atropina, observa-se aumento da pressão arterial

(GRÁFICO 04), provocado pela estimulação da medula supra-renal e dos gânglios

simpáticos para a liberação de catecolaminas para a circulação e pelas terminações

nervosas simpáticas pós-ganglionares. A atropina e os compostos relacionados

competem com a ACh e outros agonistas muscarínicos por um local comum de

ligação no receptor muscarínico. Como o antagonismo da atropina é competitivo,

pode ser anulado se a concentração de ACh nos receptores do órgão efetor

aumentar suficientemente. Os antagonistas dos receptores muscarínicos inibem as

respostas à estimulação nervosa colinérgica pós-ganglionar com menos facilidade

que a resposta aos ésteres injetados de colina. Tal diferença pode ser devida à

liberação de ACh pelas terminações nervosas colinérgicas tão próximas dos

receptores que concentrações muito altas do transmissor tem acesso aos receptores

na junção neuroefetora.

As ações cardiovasculares dos agentes anti-ChE são complexas, visto que

refletem efeitos tanto ganglionares quanto pós-ganglionares da ACh acumulada no

coração e nos vasos sanguíneos. O efeito predominante da ação periférica da ACh

acumulada sobre o coração consiste em braquicardia, com conseqüente queda do

débito cardíaco. A administração de doses maiores geralmente provoca queda da

pressão arterial, muitas vezes em consequência dos efeitos dos agentes anti-ChE

sobre os centros vasomotores medulares do SNC. Os agentes anti-ChE aumentam

as influências vagais sobre o coração, o que diminui o período refratário efetivo das

fibras musculares atriais aumenta o período refratário e o tempo de condução nos

nodos AS e AV. Em nível ganglionar, o acúmulo de ACh é inicialmente excitatório

sobre os receptores nicotínicos; todavia, em concentrações maiores, ocorre bloqueio

ganglionar em decorrência da despolarização persistente da membrana celular

(GILMAN, 2007).

CONCLUSÃO

Pode-se constatar através do experimento por simulação

computadorizada em Canis familiaris, o efeito parassimpaticomimético nos

receptores muscarínicos da acetilcolina, neostigmina e nicotina sobre a pressão

arterial como também o da atropina, que é um antagonista competitivo reversível

dos receptores muscarínicos da Acetilcolina (ACh).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

GILMAN, A. G. As Bases Farmacológicas da Terapêutica. 11a ed. Rio de Janeiro: Mcgraw-Hill Interamericana, 2007.

ANGELIS, K. DE SANTOS, M. S.B. IRIGOYEN M. C. Sistema nervoso autônomo e doença cardiovascular, Revista da Sociedade de Cardiologia do Rio Grande do Sul - Ano XIII nº 03 Set/Out/Nov/Dez 2004

SUPIMPA DE PROVIDENCIAL ....;-)
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