Revisão bibliográfica das manifestações patológicas, Notas de estudo de Engenharia Mecânica
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abordagem sobre uma das principais manifestações patológicas em estruturas de concreto armado, que é a corrosão da armadura.
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SODEBRAS-N136 (2 artigos - CIVIL).pdf

Volume 12 – n. 136 – Abril/2017 ISSN 1809-3957

Revista SODEBRAS – Volume 12 N° 136 – ABRIL/ 2017

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA DAS MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS NAS ESTRUTURAS DE CONCRETO ARMADO POR CORROSÃO DAS

ARMADURAS

BIBLIOGRAPHICAL REVIEW OF PATHOLOGICAL MANIFESTATIONS IN REINFORCEMENT CONCRETE STRUCTURES BY STEEL REINFORCED

CORROSION

ALINE ANTONIA CASTRO1; MARCOS HOTOLANI BOLDRIM2; MARIA AUGUSTA MINGUTA DE OLIVEIRA3; MARIA DE LOURDES DE OLIVEIRA4; MARCUS ANTONIUS DA COSTA NUNES5,

WEVERTON PEREIRA DO SACRAMENTO6

1; 2; 4; 6 – INSTITUTO FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO; 3 - UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO; 5- UNIVERSIDADE VALE DO CRICARÉ

mariadelourdes@ifes.edu.br,Coordenador Mestrado [munivc@gmail.com], wsacramento@ifes.edu.br

Resumo – Este artigo tem por objetivo fazer uma abordagem sobre uma das principais manifestações patológicas em estruturas de concreto armado, que é a corrosão da armadura. É sabido que alguns descuidos com as estruturas de concreto na fase de projeto ou de construção ou de utilização, contribuem para a despassivação da armadura, desencadeando o seu processo de corrosão. Daí a importância de vistorias e manutenções periódicas, que ao impedirem o avanço do processo de deterioração, contribuem para o aumento da vida útil das estruturas e da confiabilidade de utilização da edificação. Assim, desse trabalho propôs-se buscar informações sobre as formas de como prevenir tais problemas, tornando-as mais confiáveis do ponto de vista de utilização, segurança e apresentação estética.

Palavras-chave: Concreto. Patologias. Manutenção.

Abstract - This article aims to approach one of the main pathological manifestations in reinforced concrete structures, which is the corrosion of the reinforcement. It is well known that some neglects with the concrete structures in the design or construction or use phase contribute to the destabilization of the reinforcement, triggering its corrosion process. Hence the importance of periodic surveys and maintenance, which, by preventing the deterioration process from advancing, contributes to an increase in the useful life of the structures and the reliability of the use of the building. Thus, this work sought to find information on ways to prevent such problems, making them more reliable from the point of view of use, safety and aesthetic presentation.

Keywords: Concrete. Pathologies. Maintenance.

I. INTRODUÇÃO

Ter a consciência de que a população mundial só tende a aumentar (vide Figura 01), e que deste fato, o consumo por recursos naturais também crescerá, cabe se fazer reflexões sobre os métodos ainda artesanais empregados na construção civil, justificados pelo grande número de manifestações patológicas nas edificações e pelos desperdícios de materiais de construção historicamente comprovados. Na corrente preocupação

ambiental por técnicas menos agressivas ao meio ambiente e do esforço pela incorporação de práticas de sustentabilidade, se faz premente minimizar os impactos que uma construção causa ao espaço no qual está inserido.

Figura 1 - População estimada segundo previsão da U.S.A Census Bureau.

Fonte: Autor, adaptado U.S. Census Bureau, International Database, June 2011 Update.

O Conselho Internacional da Construção (CIB) aponta a indústria da construção civil como a atividade humana que mais consome recursos naturais e que utiliza energia de forma intensa, além de gerar consideráveis impactos, como os associados à geração de resíduos sólidos, líquidos e gasosos (OLIVEIRA, 2015).

Nessa direção, as manifestações patológicas que surgem nas construções, vão de encontro aos esforços e aos interesses de impactar o menos possível o meio ambiente, pois a recuperação de elemento da estrutura demanda consumo de materiais e energia, além daqueles já consumidos durante a etapa de construção. Daí a necessidade de buscar-se projetos mais eficientes, mais qualidade na mão de obra, escolha de materiais que agridam menos o meio ambiente, de origem certificada e com baixas emissões de CO2. Segundo publicação da

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ECYCLE, a previsão é que a produção de cimento dobre nos próximos 40 anos, quando as cimenteiras serão responsáveis por até 20% do total de emissões de CO2 no mundo. Acredita-se que o consumo do cimento não irá diminuir ou cessar, então nesse sentido, é necessária uma mão de obra melhor qualificada para que o uso de recursos naturais não se de forma indiscriminada. O homem para perenizar a sua existência terá que se preocupar com cada vez mais com a água potável (LIMA,2006), além de ser necessário aceitar que os recursos naturais não são infinitos e que com o tempo eles se esgotarão.

Cada material ou elemento de uma estrutura tem o seu tempo de vida útil, mas não é incomum ver-se esses elementos serem recuperados ou substituídos antecipadamente, devido a manifestações patológicas que surgem nas estruturas, provocadas por falta ou falha de projetos técnicos, pela qualidade duvidosa dos materiais aplicados, falhas de execução da obra, por utilização errônea do imóvel ou falta de inspeções e manutenções periódicas.

Observa-se que nas diversas estruturas de concreto que fazem parte do cotidiano da população, principalmente nos centros urbanos, um grande número de construções mostra-se em condições de conservação ruins.

Segundo Amorim (2010):

“Como na maioria das edificações não se tem um plano de inspeção e manutenção, as atenções são voltadas para as estruturas em concreto somente quando se encontram falhas graves, e que estão expondo vidas humanas ao risco (AMORIM, 2010).”

Além da péssima aparência de algumas construções, tem-se também grande dificuldade de recuperação para torná-las confiável novamente, por conta do estágio avançado de deterioração.

Assim, surge uma nova preocupação, que é a manutenção em obras acabadas, que deve ter como norteamento as inspeções prediais. Por definição, segundo a NBR 5674/2012 manutenção é “conjunto de atividade a serem realizadas para conservar ou

recuperar a capacidade funcional da edificação e de

suas partes constituintes a fim de atender às

necessidades e segurança dos seus usuários.”

II. PROCEDIMENTOS

Por tratar-se de uma revisão bibliográfica, buscou-se estudos relacionadas às patologias na construção civil, das principais manifestações patológicas advinhas da corrosão da armadura e sobre os tipos de manutenções em edificações. Como fontes de pesquisa foram utilizados livros, trabalhos acadêmicos, artigos publicados e sites relacionados ao tema proposto. De revisões de conceitos teóricos, buscou-se através de estudos descritivos, de forma a fazer uma avaliação crítica das condições de construção, utilização e precariedades de manutenções das edificações.

III. CONCRETO, PATOLOGIA E MANUTENÇÃO

O concreto é hoje o material de construção mais consumido no planeta e em sua fase final de

concretagem, após poucas horas, apresenta-se de forma sólida, passando a ideia de ser um produto resistente, indestrutível e durável. Segundo Amorim (2010), diante de tais fatos negligencia-se a sua fabricação, aplicação, manutenções e intervenções preventivas e corretivas antes da degradação das estruturas composta por este material. Ainda que sendo um material sólido, robusto, sofre ações nocivas ao longo dos anos, ocasionando assim, a sua deterioração. Sua durabilidade vai depender da maneira que foi elaborado, desde a fase de projeto até o produto final, seguindo as fases de observações e manutenções ao longo da vida útil.

Gonçalves (2010) alega que o termo “patologia”, no contexto da Construção Civil, apresenta basicamente a mesma definição encontrada na Medicina, na qual estudam-se as origens, os sintomas e a natureza das doenças. Na construção civil, portanto, o termo patologia é empregado quando o desempenho de uma estrutura, ou parte, dela não está conforme planejado, seja na capacidade mecânica, funcional ou estética.

Andrade (2005) complementa em relação à patologia na construção civil:

“São analisados também o tempo e condições de exposição, que remetem a associação a aspectos de durabilidade, vida útil e desempenho (ANDRADE, 2005).”

Devido ao grande número de manifestações patológicas no Brasil em estruturas de concreto, foi criado à partir da década de 1990 núcleos de estudos sobre a durabilidade das estruturas, e que teve grande avanço com a revisão da NBR 6118:2014, onde passou-se a considerar a classe de agressividade do meio e o cobrimento mínimo de armadura.

É sabido que a durabilidade das estruturas de concreto é altamente dependente das características do concreto, da sua espessura (dimensionamento) e do cobrimento mínimo de armadura (CARVALHO, 2013). Ainda segundo o autor, a NBR 6118:2014 exige que as estruturas de concreto sejam projetadas e construídas de modo que, sob influências da agressividade do meio ambiente, conservem sua segurança e estabilidade. Essa agressividade do meio ambiente é uma das responsáveis pela perda da qualidade e durabilidade das estruturas e está relacionada às ações físicas e químicas que atuam sobre as estruturas de concreto. A norma ABNT NBR 6118:2014, item 6.4, trata da agressividade do ambiente e na tabela 7.2 relaciona cobrimento nominal com a classe de agressividade ambiental.

As manifestações patológicas nas estruturas do concreto podem estar relacionadas por falhas no projeto estrutural, erros de execução do concreto, emprego de materiais inadequados, agressividade do meio ambiente no entorno da estrutura. As deteriorações nos elementos estruturais são do tipo evolutivo, o que quer dizer que em um prazo mais ou menos curto, poderão comprometer a estabilidade da estrutura (BAUER, 2008).

Como estudos mostram que as principais manifestações patológicas nas construções brasileiras são adquiridas na fase de execução (MARTINS, 2006 e OLIVEIRA, 2013), das falhas advindas por erros e deficiência da concretagem, destacam-se: transporte, lançamento, adensamento e cura. Nessa abordagem, das principais falhas de execução da armadura sobressaem: a

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má interpretação do projeto, mau posicionamento das barras de aço, cobrimento insuficiente da armadura. Vale ressaltar que o valor do cobrimento mínimo da armadura deve obedecer a ABNT, caso contrário pode facilitar o desencadeamento do processo de corrosão das armaduras. O uso de espaçadores é indispensável nesses casos, pois garantem o perfeito posicionamento da armadura dentro da forma, se primando pela boa técnica de construção (FIGUEIREDO, 2013).

Das manifestações patológicas mais comuns em estruturas de concreto armado, a mais generalizada é a corrosão das armaduras que tem, como consequência, uma diminuição da seção de armadura, a fissuração do concreto em direção paralela a esta e a perda de aderência entre o concreto e a armadura.

Os principais sintomas de deterioração de uma peça de concreto armado devido a corrosão da armadura são as fissuras. Essas fissuras são causadas porque o produto da corrosão provoca aumento de 3 a 10 vezes superiores ao volume original do aço da armadura. Os sintomas das fissuras são visíveis e podem ser facilmente constatados por inspeções periódicas à edificação.

As causas que provocam a iniciação da corrosão da armadura são principalmente pela carbonatação do concreto e pela ação dos íons cloreto. Essa iniciação da corrosão é caracterizada pelo transporte, para o interior da peça de concreto, de agentes agressivos capazes de desencadear a corrosão, em especial o gás carbônico, responsável pela carbonatação do concreto, e os íons cloretos, que migram para dentro da peça juntamente com a água e o oxigênio.

Assim, segundo descrição de Figueiredo (2013):

“O processo de corrosão do aço no concreto envolve uma fase inicial, na qual os agentes agressivos alteram as condições do concreto no entorno da barra, despassivando a armadura, seguindo-se da formação de uma célula de corrosão, responsável pela propagação da corrosão (FIGUEIREDO, 2013).”

Para que de fato haja o processo da corrosão é preciso da presença de três fatores: presença de oxigênio e umidade, e o estabelecimento de uma célula eletroquímica. Formado o efeito pilha, a corrosão terá início pela corrente elétrica que se dirige do ânodo para o cátodo, através da solução aquosa e do cátodo para o ânodo por meio da ddp (diferença de potencial). A Figura 2 mostra como acontece o processo de corrosão do aço.

Figura 2 - Processo de corrosão da armadura.

Fonte: Fusco (2008) apud Trindade (2105).

O concreto produzido com cimento Portland comum é um material bastante alcalino. Logo após a sua produção, apresenta um pH em torno de 12,5, situação que não

favorece o desencadeamento de reações de corrosão nas armaduras. Nessas condições, diz-se que as armaduras encontram-se passivadas. Porém da insuficiência do recobrimento da armadura poderá resultar na despassivação da armadura, uma vez que após ser adicionado ao cimento a água de amassamento, reações químicas iniciarão a hidratação do mesmo. Como o cimento hidratado possui um pH de aproximadamente 12,5, este pH protege o aço contra a corrosão. Porém ao longo do tempo, o hidróxido de cálcio do concreto reage com o gás carbônico da atmosfera, reduzindo para 9 o pH da massa do concreto, tornando possível a corrosão da armadura. Com a penetração de ar nos poros do concreto, através de fissuras ou nos espaços oriundos da lixiviação de cal hidratada, ocorre contato do CO2 do ar, Figura 3, com Ca(OH)2 e Mg(OH)2. Em meio úmido, ocorrem reações químicas que darão origem a carbonato de cálcio - CaCO3 e a carbonato de magnésio - MgCO3. A transformação dos hidróxidos em carbonatos recebe o nome de carbonatação.

Figura 3- Representação esquemática do processo de carbonatação.

Fonte: Figueiredo (2013) apud CEB, 1984.

O tempo em que a carbonatação do concreto leva para atingir a profundidade onde se encontra o aço depende da espessura do recobrimento do concreto e de sua permeabilidade. Esta permeabilidade do concreto está associada à resistência mecânica do concreto, que depende do fator água /cimento e de seu grau de compactação. Dobrando-se a espessura do recobrimento, multiplica-se por quatro o período de tempo que a carbonatação levará para atingir a armadura. Em oposição está o crescimento do fator água/cimento que provoca uma elevação exponencial na velocidade de carbonatação do concreto.

Os íons cloretos podem chegar até o concreto através de diversas formas, como uso de aceleradores de pega que contêm CaCl2, impurezas na água de amassamento e nos agregados. Basicamente os parâmetros que influenciam a penetração de cloretos são os mesmos que influenciam a penetração do CO2. Sabe-se que o tipo de cimento utilizado também influencia na concentração de ions cloretos tendo aqueles com teores mais elevados de C3A desempenho superior aos cimentos com baixos teores de C3A. A relação água/cimento, adensamento e cura do concreto são outros fatores significativos que influenciam na qualidade do concreto e têm relação direta com a penetração de cloretos. Além destes, as fissuras no concreto igualmente favorecem a penetração dos cloretos, sendo que velocidade depende da abertura das fissuras e da qualidade do concreto produzido.

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Nessa ordem de ideias, não menos importante é o cuidado que deve-se ter com a qualidade da água de amassamento do concreto, devido à presença de cloretos. Esses cloretos além de serem integrantes dos aceleradores de endurecimento do cimento baseados em cloreto de cálcio, podem estar presentes na água de amassamento e também eventualmente, nos agregados. Dada à importância do assunto, a NBR 6118:2014 limita o teor de cloretos presentes na água de amassamento do concreto a 500mg/l por saber-se que são prejudiciais a estabilidade química das armaduras. Em concreto armado, sempre que for necessário usar cloretos é recomendável diminuir o fator água /cimento e aumentar a espessura do recobrimento da armadura.

Assim, uma vez analisado sobre os principais processos que desencadeiam a corrosão da armadura, volta- se a atenção para a manutenção predial, a qual impacta diretamente na vida útil de uma edificação.

Nesse contexto, pela ideia equivocada de ser o concreto um material durável e indestrutível, AMORIM (2010), muitas edificações não passam por vistorias periódicas, quando desse fato, muitos sintomas patológicos poderiam ser detectados logo no início e que culminaria em um plano de recuperação, evitando assim a evolução do problema. Desta falta de manutenções resulta-se em um grande número de construções em condições de conservação ruins e em alguns casos, a recuperações se tornam inviável, havendo a necessidade da demolição do elemento estrutural.

Uma medida eficiente na proteção do concreto é a aplicação de barreiras espessas como rebocos, revestimentos como cerâmicas, além de pinturas, que evitam a entrada do CO2, (SILVA LAPA, 2008), protegem a estrutura contra o desgaste por abrasão contra o crescimento de plantas em fendas no concreto, contra as chuvas ácidas, além de evitar variações grandes de temperatura.

A Figura 4, que aponta desprendimento do concreto devido à corrosão e expansão da armadura, poderia ter sido evitada, ou inibida de evoluir, se procedimentos de inspeções prediais e manutenções periódicas fossem adotadas. Observa-se que o desprendimento do concreto acontece paralelamente ao posicionamento das barras dos vergalhões, que é um sintoma característico da corrosão e expansão da armadura, pois a corrosão cria produtos expansivos que geram esforços no concreto na direção radial das barras, provocando desplacamento do mesmo, como ilustrado na Figura 5.

Figura 4 – Desplacamento do concreto na base do pilar e no concreto da marquise.

Fonte: Próprio autor.

Figura 5- Esforços produzidos na peça de concreto armado devido à corrosão das armaduras que levam à fissuração e

destacamento do concreto.

Fonte: Autor, adaptado CASCUDO, 1997.

As atividades de manutenção em uma edificação podem ser do tipo preditiva, preventiva, corretiva e detectiva (IBAPE/SP,2005), e segundo a NBR 5674/2012 é medida obrigatória, destacando que a responsabilidade pela manutenção é do proprietário ou do representante legal do imóvel. Alerta-se que adiar uma intervenção, significa aumentar os custos. Assim a exemplo, sabe-se que algumas patologias adquiridas durante a fase de execução podem ser falhas na fase de projetos, daí qualquer medida extra projeto, tomada durante a execução implicará num custo 5 (cinco) vezes superior ao custo se esta medida tivesse sido tomada a nível de projeto (vide Figura 6). Uma vez ciente da necessidade da recuperação dos problemas patológicos, pode-se afirmar que as correções serão mais duráveis, mais eficientes, mais fáceis de executar e muito mais baratas quanto mais cedo forem executadas (OLIVEIRA, 2013).

Figura 6 - Lei de evolução de custos- Lei de Sitter.

Fonte: Oliveira (2013).

O tempo de vida útil de uma estrutura pode ser entendido até o tempo em que a estrutura desempenha o papel para a qual foi projetada, considerando procedimentos de manutenções regulares. Assim, a vida útil pode ser interpretada em períodos que compreendem a vida útil de projeto, vida útil de serviços, vida útil total.

A vida útil residual segundo Gonçalves (2015):

“Corresponde ao período de tempo em que a estrutura ainda será capaz de desempenhar suas funções, contado nesse caso a partir de uma data qualquer, correspondente a uma vistoria. Essa vistoria e diagnóstico podem ser efetuados a qualquer instante da vida em uso da estrutura (GONÇALVES, 2015).”

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Na Figura 7 está representado graficamente o conceito de vida útil das estruturas, tomando-se por referência o fenômeno da corrosão das armaduras. Vida útil de projeto é o período de tempo que vai até a despassivação da armadura.

Neste foco, nas palavras de Figueiredo (2013):

“À partir do momento em aparecem manchas de corrosão na superfície do concreto, ou ocorrem fissuras no concreto de cobrimento adjacentes à armadura, ou ainda quando há o destacamento do concreto de cobrimento, tem-se o término da vida útil de serviço ou de utilização da estrutura (FIGUEIREDO, 2013).”

Figura 7 - Conceito de vida útil das estruturas, tendo como referência o fenômeno das corrosões das armaduras.

Fonte: HELENE, P. R. L 1993.

Objetivando ilustrar manifestações patológicas por corrosão da armadura em edificações, procedeu-se a 01(um) estudo de caso, onde foi entendido que o surgimento dessa manifestação deu-se por falha de projeto ou de execução ou por falta de manutenção.

Após início dos serviços de recuperação da estrutura, foi verificado que no pilar analisado, a armadura já apresentava sinais de corrosão e que o recobrimento desta era insuficiente, estando em desacordo com as recomendações da norma ABNT NBR 6118:2003, que era a norma vigente na ocasião da construção. Esta norma apontava como cobrimento mínimo da armadura do pilar, em Classe de agressividade I, e=2,5cm, mas durante execução dos serviços, o valor do cobrimento encontrado foi de e=1cm, deixando, portanto, de garantir o cobrimento mínimo recomendado.

Acredita-se, no entanto, que outros fatores podem ter contribuído para a evolução do problema investigado. A falta de impermeabilização do alicerce, efetivamente contribuiu para o agravo do problema, quando um sistema da impermeabilização teria impedido que a umidade, por capilaridade, alcançasse a estrutura.

Figura 8 - Base de pilar apresentando corrosão e expansão da armadura provocando o desprendimento do concreto.

Fonte: Próprio autor.

A sequência da recuperação da base do pilar, representado pela Figura 8, se deu, de forma sucinta, da seguinte forma:

● retirada da pintura existente, do reboco juntamente com o concreto até exposição da armadura;

● escovação da armadura, limpeza e aplicação de produto anti ferrugem, sem a necessidade de substituição da mesma pois a sua perda não foi superior a 10%;

● colocação de forma para o grauteamento;

● aplicação do graute;

● reconstrução do chapisco e reboco;

● pintura do elemento recuperado.

Pode-se observar na Figura 9, o elemento estrutural após interferência e recuperação.

Figura 9 - Estrutura do pilar de concreto.

Fonte: Próprio autor.

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IV. CONCLUSÃO

O presente trabalho procurou fazer uma breve análise de como descuidos dentro da construção civil, levam ao insucesso de uma edificação e que por conta da falta da boa técnica construtiva ou de precárias manutenções periódicas, acabam resultando em manifestações patológicas, que conduzem para as reformas antecipadas, quando não inviabilizando a recuperação do elemento estrutural.

Acredita-se que alguns cuidados, como respeitar o cobrimento mínimo da armadura, produção de um concreto de melhor qualidade, sistemas de impermeabilizações para melhor proteção do elemento estrutural contra as umidades e vistorias e manutenções periódicas, poderiam melhorar consideravelmente a vida útil de uma edificação.

De pequenas manifestações patológicas que fossem detectadas logo no início, caberia interferências com os reparos necessários, evitando-se assim, a evolução do problema, de forma a não levar a um ponto em que, de um estágio avançado de deterioração, não fosse mais viável a recuperação do elemento estrutural, quando não, com a recomendação a restrição de uso ou demolição da estrutura danificada.

Além do transtorno para o proprietário, o meio ambiente sofre mais esta ação provocada por descuidos do “saber edificar”. Qualificar a mão de obra da construção civil, através de cursos com orientações de técnicas construtivas e uma fiscalização mais rigorosa dos órgãos competentes no sentido de responsabilizar o proprietário pelo descuido com o seu imóvel, acredita-se atenuar as patologias que põe em risco a segurança da estrutura e o conforto de habitabilidade.

Assim, as manifestações patologias além do aspecto antiestético, e da sensação de pouca estabilidade, provocam desconforto aos usuários, com grandes impactos psicológicos, financeiros e de sustentabilidade.

V. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABNT-Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 5674:2102: manutenção de edificações. Rio de Janeiro, 2102.

ABNT-Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 6118:2003: projeto de estrutura de concreto- Procedimentos. Rio de Janeiro, 2014.

AMORIM, Anderson Anacleto de: “Durabilidade das estruturas de concreto armado aparentes” 2010.

BAUER, L. A. Falcão; revisado por DIAS, João Fernando. Materiais de Construção. 5 ed. Revisada, [reimpr.]. Rio de Janeiro: LTC, 2008. 488p.

CARVALHO, Roberto Chust. FIGUEIREDO FILHO, Jasson Rodrigues de. Cálculo e detalhamento de estruturas usuais de concreto armado: segundo a NBR 6118:2003. 3. Ed. São Carlos: EdUFSCar, 2013.

ENIO J. PAZINI FIGUEIREDO, Asociación Latinoamericana de Control de Calidad, Patología y Recuperación de la Construcción Corrosión de armadura de estructuras de hormigón. 2013 Corrosão das armaduras de concreto: Boletim Técnico.

GONÇALVES, Eduardo Albuquerque Buys. Estudo de Patologias e suas Causas nas Estruturas de Concreto

Armado e Obras de Edificações. Monografia, UFRJ. Rio de Janeiro, 2015.

HELENE, P. R. L. Corrosão em armaduras para concreto armado. São Paulo: PINI, 1986. Contribuição ao estudo da corrosão em armaduras de concreto armado. São Paulo: USP, 231 p. (Tese de Livre Docência), Universidade de São Paulo, São Paulo, 1993.

IBAPE/SP: Instituto de Avaliações e Perícias de Engenharia de São Paulo, SP. Norma de Inspeção Predial, 2003.

MARTINS, M. S.; HERNANDES, A. T.; AMORIM, S. V. Ferramentas para melhoria do processo de execução dos sistemas hidráulicos prediais. 2003. In: III Simpósio Brasileiro de Gestão e Economia da Construção, Anais, p 16-19, 16-19 setembro de 2003, São Carlos.

OLIVEIRA, Daniel Ferreira. O Conceito de Qualidade Aliado às Patologias na Construção Civil: Monografia. Rio de Janeiro: UFRJ / Escola Politécnica, 2013.

LIMA, Sandra Maria de. Concreto de alto desempenho em ambientes com baixas temperaturas. Dissertação (Mestrado) – Escola de Engenharia de São Carlos, 2006.

SILVA LAPA, José: Patologia, recuperação e reparo das estruturas de concreto. Monografia apresentada como requisito para obtenção de título de especialização em Construção Civil da Universidade Federal de Minas Gerais.2008.

TRINDADE, Diego dos Santos da. Patologia em estruturas de concreto armado. Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Curso de Engenharia Civil da Universidade Federal de Santa Maria, como requisito parcial para obtenção do grau de Engenheiro Civil, 2015.

www.ecycle.com.br/component/content/article/35/1569- processo-de-producao-do-cimento-gera-emissoes-e-pode- diminuir-biodiversidade. html: acesso em 05 de setembro de 2016.

http://sindiracoes.org.br/wpcontent/uploads/2015/04/edicao_ abril_2015_revista_feed_food.pdf: acessado em 27 de novembro de 2016

VI. COPYRIGHT

Direitos autorais: Os autores são os únicos responsáveis pelo material incluído no artigo.

Submetido em: 30/11/2016 Aprovado em:25/01/2017

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