revista processos quimicos, Notas de estudo de Engenharia Elétrica
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Processos Químicos

Revista científi ca da Faculdade de Tecnologia SENAI Roberto MangeRE

VIS TA

OPINIÃO: Os caminhos da biotecnologia industrial • O SENAI e a inovação tecnológica

Ano 1 nº 1

Jan/Jul 2007

As aplicações tecnológicas da Modelagem MolecularEm processos químicos tecnologicamente importantes, a qualidade do produto é determinada tanto em nível micro quanto nanométrico

Revista científi ca da Faculdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange

Processos Químicos

Goiânia, v.1, n.1, ano 1, jan/Jul 2007.

ISSN 1981-8521

RE VIS

TA

Processos Químicos

Ano 1 nº 1

jan/Jul 2007

Paulo Afonso Ferreira Presidente do Conselho Regional do SENAI Paulo Vargas Diretor Regional do SENAI Manoel Pereira da Costa Gerente de Educação Profi ssional Francisco Carlos Costa Diretor da Faculdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange Joana Darc Silva Borges Coordenadora da Área de Química

Corpo Editorial Ademir João Camargo Ancelmo Eucana de Oliveira Angelma Genaro Carlito Lariucci Eliane Vieira Rosa Eurípedes de Almeida Ribeiro Júnior Gilberto Lúcio Benedito Aquino Guilherme Roberto de Oliveira Hamilton Barbosa Napolitano Joana Darc Silva Borges José Daniel Gonçalves Vieira Manoel Pereira Costa Maria Assima Bittar Gonçalves Roberta Signini Solemar Silva Oliveira

www.senaigo.com.br

Revista Processos Químicos / SENAI. Departamento Regional de Goiás - v.1, n.1 (jan/jul, 2007). Goiânia: SENAI/DR. Gerência de Educação Profi ssional / Faculdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange, 2007. v.: il.

Semestral Editada pela Assessoria de Comunicação e Marketing do Sistema FIEG

ISSN 1981-8521

1. Educação Profi ssional - Periódicos. 2. Processos Químicos.

I. SENAI. Departamento Regional de Goiás

CDD - 540

Tiragem: 1.500 exemplares

Faculdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange Av. Engenheiro Roberto Mange, n° 239 Bairro Jundiaí - CEP 75113-630 - Anápolis-GO Fone: (62) 3902-6200 - Fax: (62) 3902-6226 e-mail: revistapq.senai@sistemafi eg.org.br

RE VIS

TA

ARTIGO CONVIDADO Aplicações tecnológicas da Modelagem Molecular Por Anselmo E. de Oliveira

ARTIGOS GERAIS Determinação do tamanho amostral para a validação de processo de produtos estéreis na indústria farmacêutica Por Emerson Wruck e Fabio S. Julião

Estudo teórico químico-quântico das propriedades geométricas e físico-químicas das Ftalocianinas de Co, Cr, Cu, Mn, Ni, Fe, Sc, Ti, VO Por Ademir Camargo, Hamilton Napolitano e Solemar Oliveira

Análise da difração dos Raios X Por Hamilton Napolitano, Ademir Camargo, Yvonne Mascarenhas, Ivo Vencato e Carlito Lariucci

Processos biocatalíticos como fonte de fármacos Por Gilberto Aquino, Bruna de Oliveira, Aline da Silva, Lívia Braga, Renata Alves

Aplicação farmacológica e metodologias de síntese para o Alcalóide Fenantridínico Quelidonina Por Guilherme de Oliveira e Carlos de Andrade

OPINIÃO A pertinência do Latino Gás 2007 Por José Everardo Sobral Ramos

Inovação tecnológica no SENAI Por Joana Darc Silva Borges

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Sumário

Apresentação

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) é uma instituição privada, criada e administrada pelas indústrias. Atualmente é uma das mais importantes organizações nacionais na geração e na difusão de conhecimento aplicado ao desenvolvimento industrial. A Faculdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange (Fatec RM), estabelecida em Anápolis, com a missão de promover a inovação e a transferência de tecnologias industriais, contribui para a competitividade da indústria goiana e para o desenvolvimento sustentável do Estado de Goiás. As atividades de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) realizadas na Fatec RM englobam a pesquisa em ciências básicas e aplicadas, visando obter novas aplicações inovadoras e a instalação de novos processos, sistemas e serviços. Goiás é um Estado que oferece grande potencial para o desenvolvimento do setor produtivo. Localizado no Centro-Oeste brasileiro, é uma área privilegiada e eqüidistante tanto dos mercados consumidores e fornecedores quanto dos principais portos de escoamento do Atlântico. O Governo do Estado vem desenvolvendo uma política industrial que visa ao crescimento e à modernização das empresas já instaladas no Estado. Nesse contexto, o periódico científi co Processos Químicos objetiva a publicação de artigos científi cos e tecnológicos, abordando temas experimentais e teóricos, oriundos de trabalhos originais de pesquisa em áreas afi ns a processos químicos e suas aplicações. O veículo pretende ser, portanto, um instrumento qualifi cado de transferência de tecnologias industriais e de divulgação das atividades de PD&I na referida temática,

predominantemente no setor produtivo. A revista Processos Químicos objetiva publicar, semestralmente, artigos com resultados originais de pesquisa, trabalhos de revisão e ainda divulgar novos métodos ou novas técnicas. A Fatec RM espera, com a implantação desse periódico, (1) promover a difusão do desenvolvimento e da inovação tecnológica para empresas de bases biotecnológicas; (2) estimular e promover processos de transferência de tecnologia para as empresas dos setores produtivos; (3) promover ainda o desenvolvimento de novos produtos biotecnológicos de interesse do setor produtivo; (4) fortalecer as condições acadêmicas institucionais para a elaboração e a implantação de mestrados próprios na Fatec RM. Cabe destacar que a revista é mais um instrumento de consolidação acadêmica desta unidade do SENAI em Goiás, e fortalecerá sua vocação institucional em Química Industrial. Neste primeiro volume da revista Processos Químicos, pretende-se divulgar um pouco das potencialidades científi cas e tecnológicas de interesse do setor industrial. O articulista convidado para a primeira edição descreve as Aplicações Tecnológicas da Modelagem Molecular. Na seção Artigos, cinco textos abordam temas como a aplicação estatística na validação de processos na indústria farmacêutica, métodos de química quântica computacional, cristalografi a, processos biocatalíticos e aplicações industriais da síntese orgânica. Todos esses temas estão incluídos na pesquisa moderna em biotecnologia industrial. Na seção Opinião, dois artigos abordam temas como a pertinência da Latino Gás 2007 e a importância da inovação tecnológica para o SENAI.

Francisco Carlos Costa - Diretor da Fatec RM Anápolis, julho de 2007

Artigo convidado

Modelos matemáticos têm sido usados não apenas para validar hipóteses obtidas a partir de dados experimentais, mas também no desenvolvimento de novos materiais. Em processos químicos tecnologicamente importantes, a qualidade do produto é determinada tanto no nível micro quanto nanométrico. Um produto com uma determinada propriedade deve ser inverstigado por métodos de modelagem molecular com o fi m de uma melhor compreensão na relação estrutura-propriedade. Áreas como polímeros, nanomaterias e catálise já empregam, há muito tempo, metodologias teóricas, baseadas na mecânica quântica, para o desenvolvimento de tecnologia de ponta.

Palavras-chave:química computacional; novos materiais; catálise, polímeros. Not only mathematical models have been used to validate hypotheses made from experimental data, but also to develop new materials. In Chemical process technology the product quality is determined at the micro and nano level. A product with a desired property must be investigated by molecular modeling methods for both structure and function. Polymers, catalysis and nanomaterial science researchers have been using theoretical methodologies based on quantum theory to develop state-of-the-art technologies.

Keywords: computational chemistry; material design; catalysis, polymers.

Aplicações tecnológicas

da Modelagem Molecular

Por Anselmo E. de Oliveira

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Introdução Novos processos químicos, cada vez mais efi cientes, são necessários para manter o crescimento industrial e econômico em um mundo cada vez mais globalizado, e a criação de novos mercados depende desses avanços tecnológicos e de seus impactos ambientais. Tecnologias computacionais como a modelagem molecular são identifi cadas como essenciais para a indústria do futuro1, onde os pontos mais críticos que dizem respeito à indústria química estão relacionados à ciência molecular computacional e à dinâmica de fl uídos2. A grande importância que tem sido dada às técnicas computacionais nos cálculos de estruturas de compostos químicos, e de suas propriedades físico-químicas, decorre do baixo custo relativo da computação de alto-desempenho. Clusters de PCs3 podem ser montados para cálculos em paralelo utilizando softwares livres, como Linux4 e FreeBSD5, além dos centros de computação de alto-desempenho disponíveis no Brasil6. As indústrias de processos químicos como petróleo, petroquímica, betuminosa, farmacêutica e saúde, agrícola e alimentos, têxtil, aço e ferro, materiais de construção, vidros, surfactantes, cosméticos e perfumes, eletrônicos, são confrontadas, do ponto de vista tecnológico e científi co, por dois desafi os: a) Pesquisar processos inovadores para a produção de commodities e produtos intermediários; e b) Progredir, a partir da química tradicional, para o desenvolvimento de novos materiais. Esse último inclui a interface química/biologia no projeto proteoma, degradabilidade, atividade química, biológica e terapêutica, entre outros. Já para a cadeia de fornecimento, a qualidade do produto é determinada nos níveis micro e nano. Um produto com uma qualidade desejável deve ser investigado, tanto pela sua função quanto pela sua estrutura química, com base na relação estrutura/propriedade. Cerca de 60% de todos os produtos vendidos por companhias químicas são sólidos amorfos, poliméricos ou cristalinos7, e precisam ter suas formas físicas, ou texturas, defi nidas conforme os padrões de qualidade necessários. E isso também se aplica aos produtos emulsifi cados. A modelagem molecular pode ser entendida com base nas componentes teórica e computacional. A primeira é defi nida pela descrição matemática, enquanto que a segunda resulta do desenvolvimento de um método

matemático de modo a ser automatizado e implementado em um computador8. Do ponto de vista teórico, podem ser considerados os fundamentos em termodinâmica9, mecânica quântica10 e mecânica estatística11. Já do ponto de vista computacional, existe uma variedade de metodologias computacionais implementadas em softwares gratuitos (por exemplo: GAMESS12, NWChem13 e GROMACS14) ou pagos (por exemplo: Gaussian15, Molcas16 e Trident17). Dentre as várias aplicações tecnológicas da modelagem molecular computacional, tem-se as pesquisas em nanomateriais, polímeros, catálise, biologia celular e estrutura-atividade, onde se combinam os estudos em teoria molecular, simulação computacional e medidas experimentais, com o fi m de se obter uma melhor compreensão das relações estrutura-propriedade.

Polímeros O uso de técnicas computacionais de simulação molecular, no estudo da estrutura e das propriedades físico- químicas de um polímero, está relacionado à organização estrutural: fase amorfa ou fase cristalina. Modelos atomísticos podem ser gerados para estruturas amorfas a partir das confi gurações das cadeias poliméricas18,19, e simulações de Dinâmica Molecular (MD) podem fornecer acesso direto às estruturas poliméricas como um método mais preciso para interpretar as medidas espectroscópicas obtidas por PALS (Positronium Annealing Life-time Spectroscopy) em sistemas de poliestireno e policarbonato20. No desenvolvimento de materiais para a indústria de alimentos, pesquisas em MD têm sido empregadas para estudar as ligações de hidrogênio em alguns açúcares21,22; nos mecanismos de difusão, como em misturas água- carboidrato23; e na reologia dos policarboidratos24. Mudanças nas propriedades de interface, decorrentes das modifi cações no fi m da cadeia polimérica para bisfenol-A- policarbonato (BPA-PC), foram modeladas por cálculos ab initio, usando a teoria do funcional da densidade (DFT), para a adesão na superfície Ni (111)25. A Figura 1 mostra um exemplo de uma conformação possível para BPA-PC modifi cado com p-terc-butilfenol. Como a sub- molécula de benzeno não alcança uma distância ótima para a adsorção, essa conformação é puramente repulsiva.

Artigo convidado

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Nanomateriais Existe uma vasta aplicação das metodologias computacionais na área de novos materiais, buscando o entendimento das propriedades atômicas e moleculares em escala nanométrica – como na fabricação de fi os condutores bastante fi nos, decorrente da miniaturização de aparelhos eletrônicos –, e a criação de circuitos em nanoescala. Moléculas aromáticas empacotadas com tetratiofulvaleno (TTF), mantidas juntas por ligações covalentes, podem funcionar como conduítes. Cálculos de mecânica molecular das distâncias entre os fi os paralelos formados estão de acordo com as medidas experimentais obtidas por microscopia de varredura por tunelamento, e também foram empregados para quantifi car o acoplamento eletrônico entre moléculas adjacentes26. A modelagem computacional de nanotubos de carbono possibilita o estudo e o desenvolvimento de compósitos sem o gasto com os altos custos desses nanotubos purifi cados. Propriedades de compósitos polímero/nanotubo como ligação, estrutura e as propriedades térmicas e mecânicas podem ser avaliadas por modelagem computacional27-29. Como exemplo, tem- se a infl uência da funcionalização química no transporte térmico em nanotubos com grupos fenila quimicamente ligados, Figura 2.

Figura 2: Grupos fenila ligados ao nanotubo de carbono. Retirado de [29].

Catálise A possibilidade de prever e modifi car as etapas determinantes da velocidade em reações químicas, crucial no planejamento de novos catalisadores, está relacionada à estrutura superfi cial do catalisador. As barreiras de ativação e freqüências vibracionais para o estado de transição podem ser calculadas por métodos quânticos, o processo reativo pode ser modelado pela teoria do estado de transição, e a simulação cinética pelo método de Monte Carlo. Essa abordagem permite estimar velocidades de reações em superfícies sólidas sob condições similares às usadas em processos industriais30, como na oxidação catalítica de monóxido de carbono em presença de óxido de rutênio (reação que ocorre em catalisadores automotivos). Óxidos metálicos são promissores catalisadores em estudos ambientais sobre a interação desses óxidos com poluentes atmosféricos, como NO, H2S, SO2 e CO. Estudos teóricos são aplicados para estimar as energias de ligação dessas moléculas em várias superfícies (metais, óxidos metálicos e óxidos metálicos mistos), e os possíveis caminhos reativos31-33. A Figura 3 ilustra a quimissorção de NO2 em MgO (1 1 1) dopado com cromio. Os elétrons no nível 3d do cromo, acima da banda de valência do MgO, levam a uma forte ligação do poluente (NO2), facilitando a dissociação da ligação NO. Existe, ainda, uma série de aplicações da modelagem molecular em novos materiais como semicondutores34, 35, transistores feitos a partir de fi lmes orgânicos36, organocatálise enantiosseletiva em síntese orgânica37, extração de solventes38, aplicações em biologia molecular39, alimentos40 e no desenvolvimento de novas drogas41,42.

Figura 1: Possível conformação de BPA-PC terminado com p-terc-butilfenol. Retirado de [25].

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Conclusões Uma melhor compreensão das interações atômicas e moleculares leva a novas previsões experimentais e à disponibilidade de novas fronteiras tecnológicas. Diversos ramos da ciência, voltados diretamente à área tecnológica, já empregam a modelagem computacional, uma vez que as ferramentas disponíveis, assim como suas potencialidades, permitem novas descobertas nos campos da Química, Física, Biologia e Engenharia.

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Figura 3: Quimissorção de NO2 em MgO (1 1 1) dopado com cromio.

Artigo convidado

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Anselmo E. de Oliveira

Instituto de Química, UFG, CP 131, CEP 74001-970, Goiânia, GO, Brasil

E-mail: elcana@quimica.ufg.br

Jan / Jul de 2007 Revista Processos Químicos 13

Determinação do tamanho amostral para a validação de processo de produtos estéreis na indústria farmacêutica

Por Emerson Wruck e Fabio S. Julião

Este trabalho teve como objetivo propor uma metodologia para a determinação do tamanho amostral, que consiga inferir resultados para todo o lote inspecionado por amostragem, no processo de inspeção para a validação de processo de produtos estéreis na industria farmacêutica, considerando o problema como um teste de hipóteses, sendo priorizada a especifi cação do erro tipo II. Foi feita a avaliação dos possíveis erros estatísticos envolvidos nos procedimentos farmacopéicos atuais de inspeção e foi sugerida uma adaptação desses procedimentos segundo a metodologia exposta no trabalho.

Palavras-chave: amostragem de aceitação; teste de hipóteses; testes de esterilidade; validação de processos.

This work aims to suggest a methodology to assign the size sampling which preview the overcome parameter for every sample checked by case. The procedure will apply on the inspection to validate the sterilized products process in pharmaceutical companies taking in account the problem as hypothesis test, privileging the error specifi cation type II. The statistical errors were evaluated through the procedure of the pharmacopeia on the inspection, and it was suggested one small change on procedures as a result of the methodology proposed.

Keywords: sampling acceptance; hypothesis tests; sterility tests; validation of processes.

Artigo 1

Revista Processos Químicos Jan / Jul de 2007 14

Introdução Para o teste de segurança biológica de produtos estéreis são estabelecidos procedimentos de inspeção, com base no sorteio aleatório de uma amostra, sendo esta utilizada nas análises microbiológicas (Método de Inoculação Direta ou Filtração em membrana) que vão determinar se há contaminação1. Se a mesma estiver contaminada, o lote é rejeitado e o processo é não validado. Apesar desse procedimento estar baseado em uma amostra, não é especifi cado qual o nível de signifi cância estatística envolvido no problema. A Farmacopéia brasileira estabelece um tamanho padrão para esta amostragem que não garante a extrapolação dos resultados para todo o lote, mas apenas para a amostra inspecionada1. Os níveis para os erros tipo I e tipo II, envolvidos no processo, são desconhecidos. Não é estabelecido um nível de qualidade aceitável a priori condizente com o processo de amostragem e, dessa forma, esse procedimento se torna objeto de grande discussão entre profi ssionais da indústria farmacêutica e técnicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), pois a falta dessas especifi cações gera desconfi ança quanto à validação do processo, uma vez que os resultados são garantidos apenas para a amostra inspecionada. Esse trabalho teve como objetivo avaliar os possíveis erros envolvidos nesse processo de inspeção, considerando o problema como um teste estatístico de hipótese2 e a partir desse contexto, estabeleceu-se uma proposta para a determinação do tamanho da amostra, baseado na pré-defi nição de parâmetros como o erro tipo II e na escolha adequada dos níveis de qualidade do lote3, por parte da indústria, que seja coerente com as necessidades da validação do processo de produção de produtos estéreis, garantindo os resultados, para todo o lote de onde é retirada a amostra.

Materiais e Métodos O procedimento utilizado na determinação do tamanho amostral consistiu em associar os conceitos do teste de hipótese e amostragem de aceitação com o intuito de propor um melhor suporte teórico para o problema e facilitar seu entendimento.

TESTE DE HIPÓTESES Em muitas situações temos interesse em tomar a decisão de aceitar ou rejeitar determinada afi rmação baseados em um conjunto de evidências2. No caso específi co do problema da validação de processo de produtos estéreis, o lote deverá ser aceito ou não baseado nas evidências geradas pela amostra retirada desse lote. Neste caso, pode- se formular duas hipóteses: a hipótese nula, defi nida por H0: “O lote está conforme” e a alternativa H1: “O lote não está conforme”. Com base nas evidências apresentadas na amostra, deve-se decidir entre rejeitar H0 (Aceitar H1), ou seja, rejeitar a condição de que o lote está conforme em favor da que o lote não está conforme, ou não rejeitar H0, ou seja, aceitar a condição do lote conforme. Ao tomar qualquer uma dessas decisões, existe a possibilidade de erros, pois o procedimento está baseado em amostragem4. O erro tipo I, é o cometido quando rejeitamos a hipótese nula quando na verdade ela é verdadeira, ou seja,

Erro Tipo I = α = P [ Rejeitar H0 | H0 é Verdadeira ]

e o erro tipo II é cometido quando não rejeitamos H0, quando H0 é falsa, ou seja,

Erro Tipo II = β = P [ Não Rejeitar H0 | H0 é Falsa ] A relação dos possíveis resultados do teste é ilustrada na Tabela 1: Tabela 1: Resultados de um teste de hipóteses

Situação Decisão H0 é Verdadeira H0 é Falsa Rejeitar H0 Erro Tipo I Sem Erro Não Rejeitar H0 Sem Erro Erro Tipo II

O teste de hipóteses ideal é aquele que minimiza de forma simultânea os dois tipos de erros. No entanto esse teste não existe, ambos dependem da regra de decisão adotada, de forma que a diminuição de um implica no aumento do outro. No geral, o pesquisador fi xa um tipo de erro para a formulação da regra de decisão e o outro erro é apenas monitorado4. Normalmente é fi xado o erro tipo I (α) e é construída a regra de decisão baseada nesse nível.

Jan / Jul de 2007 Revista Processos Químicos 15

Controlar diretamente o erro tipo II fi ca difícil, dada a falta de especifi cação que gera a condição de H0 ser falsa (qualquer condição que faça o lote não conforme). Utiliza-se para tal a função poder do teste defi nida por 1 - β, ou seja,

1- β = P [ Rejeitar H0 | H0 é Falsa ] Neste caso, quanto maior for o valor da função poder, quando H0 é falsa, maior a efi ciência do teste. Esta função pode ser generalizada como a probabilidade de rejeitar H0. Outra função usada para avaliação do teste, é a curva característica de operação, defi nida por 1 - α, ou seja,

1 - α = P [ Não Rejeitar H0 | H0 é Verdadeira ]

Também, neste caso, esta função pode ser generalizada como a probabilidade de aceitar H0. Em geral, valores grandes obtidos da função quando H0 é verdadeira, sinaliza bom teste. Dessa forma, procura-se buscar um procedimento de inspeção que apresente uma probabilidade alta de aceitação para níveis aceitáveis de fração de defeituosos no lote e uma probabilidade alta de rejeição (baixa aceitação) para níveis não aceitáveis de fração de defeituosos no lote.

AMOSTRAGEM DE ACEITAÇÃO Para os procedimentos de inspeção, normalmente a amostragem de aceitação3 é empregada. Uma classe particular dos planos de aceitação que se enquadra no problema é o plano de amostragem única para atributos. Neste, seleciona-se aleatoriamente uma amostra de n unidades do lote e defi ni-se um número de aceitação c. Se há c ou menos defeituosos na amostra, aceita-se o lote, e se há mais de c itens defeituosos na amostra, rejeita-se o lote5. Uma medida importante do desempenho de um plano de amostragem de aceitação é a curva característica de operação (CO) ou 1 - α a mesma usada para avaliar a qualidade de um teste de hipótese, só que aqui pensada para qualquer fração de defeituosos. No contexto da amostragem de aceitação, a curva plota a probabilidade de aceitação do lote versus a fração de defeituosos no

lote6. Aqui, a curva mede o poder discriminatório do plano amostral. Isto é, determina a probabilidade de que um lote, com certa fração de defeituosos, seja aceito. O complemento da curva CO é a probabilidade de rejeitar o lote para certos níveis de frações de defeituosos no lote, que pode ser vista como a função poder 1 - β só que avaliada para qualquer nível de fração defeituosa. Supondo o tamanho do lote (N) grande, onde a relação entre tamanho da amostra e o tamanho do lote seja menor

que 0.1, ou seja, 1.0<N n

a distribuição do número de

defeitos X em uma amostra aleatória n de itens pode ser bem aproximada pelo modelo binomial com parâmetros n e p, onde p é a fração de itens defeituosos no lote7. A probabilidade de aceitação é, a probabilidade do número de defeituosos ser menor ou igual a c, ou seja,

∑ =

−−⎟⎟⎠

⎞ ⎜⎜⎝

⎛ =≤=

c

x

xnx a ppx

n cXPP

0 )1(][

(1)

Dessa forma, a curva característica (CO) é construída para cada valor de c, variando o valor de p. Dois pontos específi cos da curva são o Nível de Qualidade Aceitável ou (NQA) e o Percentual Aceitável de Defeituosos do Lote ou (PADL)8. O Nível de Qualidade Aceitável representa o nível de qualidade aceitável pelo consumidor como média do processo, ou seja, o consumidor geralmente planejará o procedimento de amostragem de modo que a curva CO dê uma alta probabilidade de aceitação no NQA. O percentual aceitável de defeituosos do Lote é o mais baixo nível de qualidade que o consumidor está disposto a aceitar em um lote individual. Neste caso, o consumidor deverá estabelecer um plano que lhe dê proteção para lotes que tenham este nível de qualidade, ou seja, planos com baixa probabilidade de aceitação de lotes no PADL3. Uma abordagem para construção do plano de inspeção, é exigir que a curva CO passe por dois pontos designados, ou seja, atenda às especifi cações para o erro tipo I, tipo II e níveis de qualidade. Suponha que se deseje construir um plano amostral de inspeção tal que a probabilidade de aceitação do lote a um nível de fração defeituosa p1 (que pode ser pensada como NQA) seja 1 -α, e que a

Artigo 1

Revista Processos Químicos Jan / Jul de 2007 16

probabilidade de aceitação do lote a um nível p2 (que pode ser pensada com PADL) seja β. Supondo que o modelo Binomial seja apropriado, então este plano deverá ter n e c que satisfaçam:

=

=

−⎟⎟⎠

⎞ ⎜⎜⎝

⎛ =

−⎟⎟⎠

⎞ ⎜⎜⎝

⎛ =−

c

x

xnx

xnc

x

x

pp x n

pp x n

0 22

0 11

)1(

)1(1

β

α

(2)

No caso específi co do problema da validação de processo de produtos estéreis através do teste de esterilidade, este pode ser visto como um problema de aceitação com c = 0, pois se pelo menos uma unidade estiver contaminada na amostra, o teste detecta a contaminação, e o lote é rejeitado, ou seja, o processo não é validado. Ainda, pode-se associar o problema a um teste de hipóteses, considerando β o erro tipo II, probabilidade de aceitar o lote a um nível não satisfatório (PADL), e α o erro tipo I, probabilidade de não aceitar o lote a um nível satisfatório (NQA), assim considerando p1 como o NQA e p2 como o PADL, as Equações (2) são reescritas como:

n

n

PADL NQA

)1( )1(1

−= −=−

β α

(3)

Da Equação (3) podemos encontrar o tamanho amostral, que leva em consideração os erros tipo I e II, e os níveis de especifi cação NQA e PADL. Para este tipo de problema, deve-se notar que o pior erro será o erro tipo II, pois se um lote com nível de qualidade não satisfatório for aceito, as conseqüências envolvem risco sanitário. Dessa maneira a abordagem do problema deve ser estabelecida controlando o erro tipo II (β), e a especifi cação do PADL, que é de segurança para o consumidor fi nal, e observando as implicações no erro tipo I e no NQA.

Resultados e Discussão O procedimento atualmente adotado consiste, de forma simplifi cada, em selecionar uma amostra aleatória de unidades de tamanho 20 (vinte), e proceder a análise microbiológica – se ocorrer contaminação, rejeita-se o lote. Como a contaminação é observada se pelo menos uma unidade estiver contaminada na amostra o modelo de inspeção de aceitação é em único estágio com c = 0. A curva característica de operação e a função poder para este procedimento é ilustrada na Figura 1.

Para um tamanho amostral de 20 unidades, a curva característica de operação se mantém em um nível alto de aceitação para aumentos da fração de defeituosos no lote, fazendo com que o erro tipo II se mantenha alto. Perceba que considerando o PADL como uma fração de defeituosos de 0.01, a probabilidade de aceitar esse lote (erro tipo II) é de 0.8179 e o poder do teste é de 0.1821, ou seja, isso implica que para um lote com 1% de unidades contaminadas (1 a cada cem), a chance desse lote ser aceito, quando se usa uma amostra de tamanho 20 para inspeção, é de 81.79%. Perceba ainda que o ponto de equilíbrio para as funções poder e CO, é uma fração de defeituosos de 0.034, ou seja, somente para frações de defeituosos acima desse valor é que se rejeitaria lotes com maior chance que aceitaria. Com isto, pode-se concluir que o procedimento está muito propenso ao erro tipo II, ou seja, está muito propensa a aceitar lotes com níveis de qualidade baixa.

0

0,1

0,2

0,3

0,4

0,5

0,6

0,7

0,8

0,9

1

0, 00

00

0, 01

00

0, 02

00

0, 03

00

0, 04

00

0, 05

00

0, 06

00

0, 07

00

0, 08

00

0, 09

00

0, 10

00

0, 11

00

0, 12

00

0, 13

00

0, 14

00

0, 15

00

0, 16

00

0, 17

00

0, 18

00

0, 19

00

0, 20

00

0, 21

00

0, 22

00

0, 23

00

0, 24

00

Fração de Defeituosos no Lote

1-α

1-β

Ponto de equilíbrio

Figura 1: Curva característica de operação (1 - α) e função poder (1 - β) para o procedimento com n = 20

Jan / Jul de 2007 Revista Processos Químicos 17

Considerando um tamanho amostral de 40 unidades, que seria a maior amostra de inspeção sugerida pela farmacopéia, temos a seguinte curva CO ilustrada na Figura 2. Perceba que o poder discriminatório do procedimento aumentou com n = 40, aqui o ponto de equilíbrio é de 0.017 e perceba ainda que para o mesmo patamar do PADL (0.01) a probabilidade de aceitar o lote cai para 0.669, ou seja o erro tipo II seria de 0.669. Apesar de cair, para este nível de PADL, tem-se ainda um erro tipo II muito alto, ou seja, o procedimento se mostra não adequado.

Também, para avaliarmos um tamanho n especifi cado a priori, os demais parâmetros podem ser avaliados de forma recursiva, sempre tomando como base as Equações (3). Por exemplo, considerando um PADL = 0.01 (que por sinal é muito grande, para procedimentos que envolvem risco sanitário) e um nível de erro tipo II (β) de 0.05, ou seja, considerando a chance de aceitar um lote com 1% de fração de defeituosos que seja igual a 0.05 (5%), o tamanho amostral, necessário para garantir esta condição, será calculado pela Equação (4) como:

299 )0.01ln(

)0.0ln( ≅ −

=n

Considerando um nível para o erro tipo I, (α = 0.05), o NQA é calculado da Equação (5) como:

00017068.01 )0.0ln( )0.01ln()0.01ln(

≅−= ⎟⎟⎠

⎞ ⎜⎜⎝

⎛ −−

eNQA

Assim, usando um tamanho amostral de 299, a probabilidade de aceitar um o lote com 1% de fração de defeituosos será de 0.05 (erro tipo II) e rejeitar um com 0.0017% de fração de defeituosos será de 0.05 (erro tipo I). Essa situação é ilustrada na Figura 3.

5 5

1

5 1

0

0,1

0,2

0,3

0,4

0,5

0,6

0,7

0,8

0,9

1

0,0000

0,0100

0,0200

0,0300

0,0400

0,0500

0,0600

0,0700

0,0800

0,0900

0,1000

0,1100

0,1200

0,1300

0,1400

0,1500

0,1600

0,1700

0,1800

0,1900

0,2000

0,2100

0,2200

0,2300

0,2400

0,2500

Fração de Defeituosos no Lote

40 1-α

20 1-α

40 1-β

20 1-β

0

0,1

0,2

0,3

0,4

0,5

0,6

0,7

0,8

0,9

1

0, 00

00

0, 00

25 0

0, 00

50 0

0, 00

75 0

0, 01

00 0

0, 01

25 0

0, 01

50 0

0, 01

75 0

0, 02

00 0

0, 02

25 0

0, 02

50 0

0, 02

75 0

0, 03

00 0

0, 03

25 0

0, 03

50 0

0, 03

75 0

0, 04

00 0

0, 04

25 0

0, 04

50 0

0, 04

75 0

0, 05

00 0

0, 05

25 0

0, 05

50 0

0, 05

75 0

0, 06

00 0

0, 06

25 0

0, 06

50 0

0, 06

75 0

0, 07

00 0

0, 07

25 0

0, 07

50 0

0, 07

75 0

0, 08

00 0

0, 08

25 0

0, 08

50 0

0, 08

75 0

0, 09

00 0

0, 09

25 0

0, 09

50 0

0, 09

75 0

0, 10

00 0

Fração de Defeituosos no Lote

299 1-α 40 1-α

20 1-α

299 1-β

40 1-β

20 1-β

A sugestão é desenvolver um plano amostral onde os erros tipo II e o PADL sejam controlados, ou seja, estabelecidos a priori, e a partir desses, considerando as Equações (3), encontrar um tamanho compatível com um NQA e α aceitáveis. Assim, das Equações (3) têm-se que,

)1ln( )ln(

PADL n

− = β (4)

Encontrado o valor n da Equação (4), estabelecer um nível para o erro tipo I aceitável, e avaliar o NQA pela relação,

⎟⎟⎠

⎞ ⎜⎜⎝

⎛ −−

−= )ln( )1ln()1ln(

1 β α PADL

eNQA (5)

Figura 2: Curva característica de operação (1 - α) e função poder (1 - β) para o procedimento com n = 20 e n = 40

Figura 3: Curva característica de operação (1 - α) e função poder (1 - β) para o procedimento com n = 20, n = 40 e n = 299

Artigo 1

Revista Processos Químicos Jan / Jul de 2007 18

Perceba que para n = 299, o poder discriminatório do plano amostral aumentou de forma considerável, e o ponto de equilíbrio neste caso é uma fração de defeituosos de aproximadamente 0.0025, sendo que estes resultados são garantidos para todo o lote. Considerando alguns níveis para o PADL e fi xados os erros tipo II (β) e o tipo I (α) e utilizando as Equações (4) e (5) foram construídas tabelas indicativas para o tamanho amostral e o respectivo nível NQA, Tabela 2.

Conclusões Pela Tabela 2 e a Figura 3, percebe-se uma insufi ciência no tamanho da amostra para os procedimentos adotados atualmente, quando aplicados à validação de processos, desejando inferir os resultados para todo o lote produzido, principalmente quando se considera um nível PADL compatível com a problemática envolvida a questões relacionadas ao risco sanitário. Dessa forma sugere-se adequar os procedimentos farmacopéicos existentes,

Tabela 2: Tamanhos Amostrais e NQA para níveis PADL especifi cados a priori.

Jan / Jul de 2007 Revista Processos Químicos 19

aumentando o tamanho da amostra para a inspeção, utilizando a metodologia proposta, no sentido de melhorar a efi cácia do procedimento. Uma nova discussão deve ser feita quanto ao estabelecimento dos níveis PADL, erro tipo II (β), erro tipo I (α) e o NQA. Deve-se levar em consideração que os erros podem prejudicar os consumidores fi nais, quanto se aceita lotes com PADL altos, ou seja, se valida um processo não efi ciente. E para a indústria, quando rejeitamos lotes bons, ou seja, não se valida processos efi cientes. Nesse sentido, trabalhos voltados para a estimação da fração de defeituosos produzidos, devem ser propostos, auxiliando dessa forma no estabelecimento desses índices, e por conseqüência no aprimoramento dos processos de controle de qualidade existentes.

REFERÊNCIAS

Brasil. Comissão Permanente de Revisão da 1. Farmacopéia (Org.). Farmacopéia Brasileira: Parte I. 4. ed. Brasilia: Atheneu, 1988.

Bolfarine, H. E Sandoval, C. 2. Introdução à Inferência Estatística. Rio de Janeiro, IMPA. Coleção Matemática Aplicada, 2001.

Montgomery, D.C.3. Introdução ao Controle Estatístico de Qualidade, 4º edição. Rio de Janeiro,RJ, LTC, 2004.

Bussab, W.B. E Moretin, P.A. 4. Estatística Básica. São Paulo, Editora Atual, 1987

Hald,A. 5. Statistics Theory of Sampling Inspection by Attributes. New York, Academic Press, 1981.

DUNCAN,A.J. 6. Quality Control and Industrial Statistics. 5th edition, Chicago, Richard D. Irwin,Inc, 1986.

Johnson,N.L.; Kotz,S. & Balakrishnan,N. 7. Univariate Discrete Distributions. 2 ed.,New York, John Wiley & Sons, Inc (1992).

Costa, A.F.B.; Epprecht,E.K.;Carpinetti,L.C.R. 8. Controle Estatístico de Qualidade. São Paulo: Atlas,2004.

Emerson Wruck1,2 *, Fabio S. Julião2

1 Unidade Universitária de Ciências Exatas e Tecnológicas, UEG, CP 459, CEP 75001-970, Anápolis, GO, Brasil

2 Faculdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange, CEP 75113-630, Anápolis, GO Brasil.

* E-mail: wruck.senai@sistemafi eg.org.br

Revista Processos Químicos Jan / Jul de 2007 20

Estudo teórico químico- quântico das propriedades

geométricas e físico-químicas das Ftalocianinas de Co, Cr, Cu, Mn, Ni, Fe, Sc, Ti, VO

Artigo 2

Por Ademir Camargo, Hamilton Napolitano e Solemar Oliveira

As ftalocianinas constituem uma importante classe de materiais orgânicos com interessantes propriedades eletroativas e fotoativas, as quais são intensamente utilizadas como pigmentos na coloração de plásticos e tecidos, catalisadores, no desenvolvimento de sensores de gases e na terapia fotodinâmica. Neste artigo, são discutidos os resultados dos cálculos teóricos usando a teoria do funcional da densidade (DFT) e o método semiempírco INDO/s para os complexos for CoPc, CrPc, CuPc, MnPc, NiPc, FePc, ScPc1+, TiOPc, VOPc and CuTBP. Os cálculos das freqüências vibracionais, juntamente com os respectivos assinalamentos, foram realizados usando o nível de teoria DFT/B3LYP/6-31G* com o programa g98. A análise populacional e os espectros de UV/visível foram obtidos com o método semiempírico INDO/s implementado no programa ZINDO.

Palavras-chave: Ftalocianinas, CoPc, CrPc, CuPc, MnPc, NiPc, FePc, ScPc1+, TiOPc, VOPc, CuTBP

Phthalocyanines (Pc) are an important class of electroactive and photoactive organic materials with a wide range of applications such as pigments for plastic and cloths, photocondoctors, catalysts, gas sensors and photodynamic therapy (PDT). This work describes the calculation results using the DFT and INDO/s theories for CoPc, CrPc, CuPc, MnPc, NiPc, FePc, ScPc1+, TiOPc, VOPc and CuTBP complexes. The vibrational frequencies and their assignments for CuPc and CuTBP were carried out using DFT/B3LYP/6-31G* theory with g98 program suite. The population analysis and UV/visible spectra were performed using the ZINDO program with INDO/s Hamiltonian.

Keywords:Phthalocyanines, CoPc, CrPc, CuPc, MnPc, NiPc, FePc, ScPc1+, TiOPc, VOPc, CuTBP

Jan / Jul de 2007 Revista Processos Químicos 21

Introdução As metaloftalocianinas (MPc) são complexos inorgânicos, não encontrados naturalmente, que apresentam alta simetria molecular com cerca de dezoito elétrons π. As MPc’s apresentam um anel formado por átomos de N e C, que se alternam, e um átomo metálico (M) no centro do anel coordenando com os átomos de nitrogênios (veja Figura 1). São complexos muito estáveis tanto quimicamente quanto termicamente. São largamente utilizadas como corantes em plásticos/ tecidos e em impressora de alta velocidade1,2,3,4,5,6,7,8. As ftalocianinas também estão sendo intensivamente investigadas quanto à suas potencialidades como agentes em terapia fotodinâmica (PDT), – uma nova modalidade no tratamento do câncer 9,10,11,12. Neste caso, as ftalocianinas são absorvidas pelos tecidos e, posteriormente, são fotossensibilizadas (excitadas) usando laser, gerando radicais livres citotóxicos e oxigênio singlete (1O2), matando seletivamente as células cancerosas. São também utilizadas em semicondutores, fotocondutores, catalisadores e sensores para gases 13,14,15. O presente trabalho tem por objetivo investigar, usando métodos de mecânica quântica molecular, as propriedades geométricas e físico-química das ftalocianinas de Fe Co, Cr, Cu, Mn, Ni, Sc, TiO, VO.

Procedimento computacional A teoria do funcional da densidade (DFT – Density Functional Theory) com o funcional de troca e correlação B3LYP foi usada na investigação teórica da tetrabenzoporfi rina de cobre (CuTBP) e da ftalocianina de cobre (CuPc). Neste estudo, empregaram-se os conjuntos de base 6-31G e 6-31G(d). Na investigação das demais metaloftalocianinas usou-se o método semi- empírico INDO (Intermediate Neglect of Differential Overlap) implementado no programa ZINDO16,17. Este programa tem apresentado bons resultados para o cálculo de propriedades moleculares envolvendo a primeira fi la dos metais de transição18,19,20. A versão empregada foi a 3.5, usando a interface gráfi ca Cerius 3.8 desenvolvida pela Molecular Simulation Inc. (MSI). O Hamiltoniano empregado para a otimização molecular foi o ZINDO/121, com a aproximação ROHF (Restric Open-Shell Hartree- Fock) para os estados com multiplicidade maior do que o singlete. Para o estado singlete, foi usada a aproximação RHF (Restric Hartree-Fock). As otimizações moleculares usando o programa ZINDO 3.8 foram feitas usando o algoritmo BFGS (Broyden Fletcher Goldfarb Shanno) com o procedimento de atualização da Hessiana e com critério de convergência de 10-8. Todos os cálculos de interações de confi gurações (CI – Confi guration Interaction) foram feitos usando o hamiltoniano ZINDO/S22 com a mesma multiplicidade empregada durante a otimização. Para estados com multiplicidades maiores do que o singlete, foi usado o Rummer CI. A simetria foi incluída nos cálculos e somente monoexcitações foram usadas.

Resultados e discussões TETRABENZOPORFIRINA DE COBRE (CuTBP) E FTALOCIANINA DE COBRE (CuPc)

As tetrabenzoporfi rinas possuem os quatro nitrogênios

Nβ substituídos por átomos de carbono, i.e., são porfi rinas com quatro anéis benzênicos ligados aos quatro pirróis. A Tabela 1 mostra os parâmetros geométricos calculados para a CuPc e CuTBP usando o nível de

Figura 1: Metaloftalocianinas (MPc)

Artigo 2

Revista Processos Químicos Jan / Jul de 2007 22

teoria B3LYP/6-31G(d). A nomenclatura adotada para os átomos é a mesma defi nida na Figura 1. Neste estudo, o cobre foi considerado em seu estado de oxidação +2, enquanto a ftalocianina e a tetraazobenzoporfi rina foram consideradas como sendo diânions. Ambos os compostos apresentaram simetria D4H.

CuPc CuTBP

CuLPlano 0,000 1,954 1,375 1,325 1,457 1,396 1,394 1,087 1,085 125,88 127,66 122,93 132,40 117,31

0,000 2,030 1,377 1,383 1,452 1,401 1,390 1,087 1,087 126,50 124,12 125,94 133,06 118,26

A análise dos dados da Tabela 1 mostra que a distância αLCu N no composto CuTBP é cerca de 3,89% maior

do que o valor calculado para o composto CuPc com o nível de teoria B3LYP/6-31G(d). A distância α ξLN C é similar para ambos os compostos. O comprimento da ligação

ξ βLC X , onde X=N para CuPc e X=C para CuTBP, é 4,38% maior no composto CuTBP do que o calculado para CuPc. Com exceção dos ângulos α ξ βN -C - X e ξ β µC - X -C , que apresentam uma variação em torno de 3° entre os dois compostos, os demais ângulos apresentam valores similares. As energias dos orbitais de fronteira calculadas com o programa ZINDO/s são mostradas na Tabela 2. A diferença LUMO-HOMO é maior para a CuTBP em 0,37eV do que a calculada para o composto CuPc. A população dos orbitais d’s é a mesma nos dois compostos.

EHOMO (a.u.)* ELUMO(a.u.)

H LE E E∆ = − (eV)

População dos orbitais d’s

CuTBP -0,212062 -0,053271 4,321 (dz2)2(dx2-y2)1(dxy)2

(dxz) 2 (dyz)

2

CuPc -0,206830 -0,061654 3,950 (dz2)2(dx2-y2)1(dxy)2

(dxz) 2 (dyz)

2

A Tabela 3 mostra as cargas atômicas derivadas da análise populacional de Mülliken calculadas no nível de teoria B3LYP/6-31G(d). A distribuição das cargas atômicas na região central das moléculas de CuTBP e CuPc não difere de modo signifi cativo. A carga calculada para o cobre no complexo CuPc é igual ao valor obtido para o cobre no complexo CuTBP. Entretanto, a carga sobre o ξC no complexo CuPc é aproximadamente 41% maior do que a calculada para ξC no complexo CuTBP. Valores diferenciados são também observados para os átomos βC e βN (ver Tabela 3). Os demais valores são similares em ambos compostos.

Átomo CuTBP Átomo CuPc

Cu 0,88 Cu 0,88

αN -0,77 αN -0,71 ξC 0,34 ξC 0,48 βC -0,27 βN -0,56 δC 0,06 δC 0,08 ϕC -0,19 ϕC -0,19 ηC -0,14 ηC -0,14

Espectros UV/visível dos compostos CuPc e CuTBP. Os cálculos das transições monoeletrônicas dos compostos CuPc e CuTBP, juntamente com os respectivos assinalamentos, são mostrados na Tabela 4. Estes cálculos

α−Cu N α ξ−N C ξ β−C X ξ δ−C C δ ϕ−C C ϕ η−C C η −C H ϕ −C H

α ξLCu N -C α ξ βN -C - X α β µC - X -C ξ δ ϕC -C -C δ ϕ ηC -C -C

Tabela 1: Parâmetros geométricos calculados para a CuPc e CuTBP usando o nível de teoria B3LYP/6-31G(d). Na tabela, X=N no composto CuPc e X=C no composto CuTBP. As distâncias são dadas em angstrom e os ângulos em graus.

Tabela 2: Energias dos orbitais de fronteira calculadas como o programa ZINDO/S sobre as geometrias obtidas com o método B3LYP/6-31G(d) e população dos orbitais d’s do cobre.

Tabela 3: Cargas atômicas derivadas da análise populacional natural (NPA) usando o nível de teoria HF/6-31G dos compostos CuTBP e CuPc.

α

Jan / Jul de 2007 Revista Processos Químicos 23

Orbitais excitados Peso da transição(%) Energia (cm-1) Força do oscilador Natureza da transição

CuPc

H (a1u) → L(eg) H(a1u) → L+1(eg)

76 14

14402,4 0.92 nπ → π*

H(a1u) → L+5(a2u) 96 28573,3 0,023 nπ → π*

CuTBP

H(a1u) → L(eg) H(a1u) → L+1(eg)

72 20

14607,7 0,38 nπ → π*

H-6(eg) → L+1(eg) H-8(a2u) → L+1(eg) H-5(eg) → L+3(b2u)

28 17 19

27793,9 0,07 π → π*

H-1(a2u) → L+1(eg) H(a1u) → L(eg)

68 19

28364,1 3,16 nπ → π*

H(a1u) → L+5(a2u) 90 30291,0 0.16 nπ → π*

foram feitos usando a rotina CI do programa ZINDO com o hamiltoniano INDO/s. Nos dois compostos, a transição correspondendo à banda Q (banda de mais baixa energia) é assinalada como sendo uma transição de natureza nπ → π*, à qual corresponde a excitação HOMO → LUMO, com um peso percentual de 76% para o composto CuPc e de 72% para o composto CuTBP. A excitação HOMO → LUMO+1 apresenta uma contribuição na banda Q de 14% para o CuPc e 20% para o CuTBP. Nota-se também que, a intensidade da força do oscilador da banda Q é 142,10% maior no composto CuPc do que o observado para o composto CuTBP. A posição do pico da banda Q da CuPc está deslocada para o vermelho em cerca de 10nm em relação ao pico da banda Q do composto CuTBP. O segundo pico, correspondendo à banda B do composto CuPc, apresenta a força do oscilador muito baixa. Comportamento inverso observa-se para o composto CuTBP, onde o segundo pico é o que apresenta a maior força do oscilador. Essa segunda transição é de natureza nπ → π* nos dois compostos. Espectros de infravermelho. A ftalocianina de cobre possui 165 modos vibracionais, com uma representação irredutível total dada por: Γvib=7b2u+8a2u+7b1u+13eg+14b2g+28eu+6a1u+14b1g+13a2g+ 14a1g

Dos 165 modos vibracionais calculados, apenas 64 modos são ativos no infravermelho, sendo os demais proibidos por simetria. Os modos ativos são: 8 modos a2u e 56 dos modos duplamente degenerados eu. Devido aos quatros hidrogênios ligados ao βC , a tetrabenzoporfi rina de cobre apresenta 177 modos vibracionais, i.e., 12 modos a mais do que a CuPc. A representação irredutível total para a CuTBP é dada por:

Γvib=7b2u+8b1u+15b1g+15b2g+6a1u+9a2u+15a1g+14a2g+14eg+30eu

Dos 177 modos vibracionais calculados, somente 69 são permitidos por simetria no espectro de infravermelho da CuTBP, i.e., 9 modos a2u e 60 modos duplamente degenerados eu. Os espectros apresentados na Tabela 5 são similares para ambos os complexos. Entretanto, as intensidades dos picos calculados são sensivelmente diferentes, principalmente na região que se estende de 700cm-1 a 1500cm-1. O estiramento αLCu N para os dois complexos é calculada como uma banda de baixa intensidade duplamente degenerada entre 300cm-1 e 350cm-1. Os estiramentos benzeno-H são calculados para ambos complexos em torno de 3200cm-1.

Tabela 4: Atribuições e energias das transições monoeletrônicas obtidas usando a rotina CI do programa ZINDO com o método INDO/s sobre as geometrias calculadas com o método B3LYP/6-31G(d).

Artigo 2

Revista Processos Químicos Jan / Jul de 2007 24

CuTBP CuPc

Modos (ω ) υ (cm-1) Ι (Km/mol) Modos (ω ) υ (cm-1) Ι (Km/mol) ω3 (a2u) 42,9 1,16 ω2(a2u) 39,7 1,09

ω10(eu) 125,7 1,05 ω7(eu) 122,2 3,34

ω13(a2u) 145,2 4,81 ω12(a2u) 135,9 9,83

ω21(eu) 255,8 2,59 ω22(a2u) 276,8 0,92

ω23(a2u) 280,1 3,18 ω25(eu) 290,6 3,68

ω27(eu) 293,7 0,57 ω27(eu) 304,8 3,29

ω29(a2u) 328,3 11,55 ω29(a2u) 358,7 2,73

ω34(a2u) 453,4 10,78 ω34(a2u) 459,5 8,27

ω38(eu) 518,1 1,70 ω38(eu) 522,1 7,13

ω42(eu) 588,4 0,71 ω42(eu) 596 6,31

ω50(eu) 654,0 14,05 ω50(eu) 665,1 4,44

ω58(a2u) 722,1 77,34 ω58(a2u) 746,9 174,52

ω60(eu) 766,7 64,78 ω60(eu) 778,2 33,45

ω65(a2u) 790,2 192,27 ω65(a2u) 805,2 118,79

ω71(eu) 822,9 0,84 ω71(eu) 824 2,46

ω78(a2u) 892,3 56,70 ω79(eu) 918,2 37,52

ω83(eu) 927,9 23,26 ω84(a2u) 996,8 5,62

ω88(a2u) 972,8 3,07 ω91(eu) 1045,4 8,75

ω95(eu) 1055,3 22,27 ω95(eu) 1103,5 1,19

ω99(eu) 1099,0 24,35 ω98(eu) 1116,1 207,21

ω102(eu) 1135,3 112,00 ω101(eu) 1164,8 127,40

ω107(eu) 1164,0 30,02 ω107(eu) 1221,7 24,55

ω111(eu) 1221,4 0,76 ω111(eu) 1235,9 2,64

ω115(eu) 1248,2 39,43 ω114(eu) 1344 47,13

ω119(eu) 1300,6 87,35 ω119(eu) 1351,1 41,77

ω122(eu) 1361,0 27,58 ω121(eu) 1397,8 216,48

ω127(eu) 1392,4 54,20 ω126(eu) 1476,6 90,27

ω131(eu) 1431,4 0,08 ω131(eu) 1528,1 28,93

ω134(eu) 1486,5 101,84 ω135(eu) 1540,2 0,19

ω139(eu) 1530,7 4,12 ω138(eu) 1565,4 53,05

ω143(eu) 1564,9 27,07 ω143(eu) 1642,4 1,67

ω147(eu) 1631,7 22,08 ω147(eu) 1669,9 10,95

ω150(eu) 1654,5 28,81 ω151(eu) 3198,9 8,48

ω154(eu) 1666,8 2,32 ω155(eu) 3214,5 60,93

ω159(eu) 3192,0 0,30 ω159(eu) 3232,5 15,46

ω163(eu) 3198,8 5,49 ω163(eu) 3236,7 74,53

ω167(eu) 3210,0 24,87

ω171(eu) 3214,3 32,47

ω176(eu) 3224,5 140,05

Tabela 5: Modos vibracionais (ω), freqüências (υ) e intensidades (Ι) de infravermelho obtidos usando o método B3LYP/6-31G para os compostos CuPc e CuTBP.

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INDO/1 HF/3-21G HF/6-31G B3LYP6-31G B3LYP 6-31G* Experm.

α−Cu N 1,913 1,961 1,984 1,967 1,954 1,939 α ξ−N C 1,384 1,364 1,362 1,388 1,375 1,351 ξ β−C N 1,346 1,309 1,317 1,330 1,325 1,335 ξ δ−C C 1,451 1,455 1,454 1,457 1,457 1,468 δ ϕ−C C 1,402 1,383 1,388 1,397 1,396 1,375 ϕ η−C C 1,389 1,380 1,383 1,398 1,394 1,397

α ξLCu N -C 127,66 125,53 125,21 125,99 125,88 127,6 α ξ βN -C -N 126,48 126,84 127,00 127,06 127,66 127,0 α β µC -N -C 121,72 125,27 125,57 123,88 122,93 122,0 ξ δ ϕC -C -C 121,27 132,08 132,23 132,22 132,40 132,2 δ ϕ ηC -C -C 118,05 117,52 117,67 117,72 117,61 117,6

FTALOCIANINAS DE Co, Cr, Cu, Mn, Ni, Fe, Sc, TiO, VO Os cálculos realizados para as ftalocianinas de Co, Cr, Cu, Mn, Ni, Fe, Sc, TiO e VO foram feitos com o programa semi-empírico ZINDO e os resultados foram analisados com a ajuda da interface gráfi ca cerius 3.8. As geometrias foram completamente otimizadas usando o método semi-empírico INDO/1. Nestes cálculos, a molécula de ftalocianina foi considerada como sendo um diânion e, conseqüentemente, a carga total resultante sobre o sistema depende do estado de oxidação do átomo metálico. A Tabela 6 lista os estados de oxidação dos metais usados nos cálculos. Com exceção do escândio, o estado de oxidação +2 foi considerado para todos os metais pesquisados, produzindo uma carga total igual a zero sobre as moléculas das metaloftalocianinas. Para o Sc foi adotado o estado de oxidação +3, o que resulta em uma carga total sobre o sistema de +1. As determinações das multiplicidades foram feitas com base nas energias CI, i.e., a multiplicidade adotada nos cálculos é aquela que corresponde à menor energia CI. A Tabela 6 também mostra os resultados dos cálculos da energia (CI) para os compostos em estudo considerando várias multiplicidades. Apenas os compostos NiPc e TiOPc apresentaram o estado fundamental com multiplicidade 1 (singlete). Os compostos CoPc, CuPc e VOPc foram assinalados com multiplicidade 2 (dublete) para o estado fundamental. Embora os metais Ti e V possuam, respectivamente, 2 e 3 elétrons no orbital 3d, a presença do átomo de oxigênio nos compostos TiOPc e VOPc faz com que

Metal Carga total Simetria Multiplicidade Energia CI

Co+2 CoPc D4H 2 -288,166448

4 -288,069176

Cr+2 CrPc D4H

1 -270,266524

3 -270,237454

5 -270,312992

Cu+2 CuPc D4H 2 -304,715294

4 -304,605177

Mn+2 MnPc D4H

2 -274,859970

4 -274,914644

6 -274,913945

Ni+2 NiPc D4H 1 -296,033080

3 -295,949715

Sc+3 ScPc+1 D4H 1 -260,416457

3 -260,417165

TiO+2 TiOPc C4V 1 -275,932053

3 -275,925559

VO+2 VOPc C4V 2 -279,006476

4 -278,999067

Fe+2 FePc D4H 1 -281,292383

3 -281,321311

Zn+2 ZnPc D4H 1 -313,367685

2 -313,343066

Tabela 7: Parâmetros geométricos calculados

para CuPc usando vários níveis de teoria. As

distancias interatômicas são dadas em angstroms

e os ângulos em graus.

Tabela 6: Estado de oxidação, simetria e multiplicidade. As multiplicidades usadas nos cálculos são aquelas sublinhadas na tabela. As energias são dadas em hartree.

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Revista Processos Químicos Jan / Jul de 2007 26

estes compostos apresentem baixa multiplicidade. Os compostos CrPc, MnPc e FePc tiveram seus estados fundamentais assinalados com as multiplicidades 5, 4 e 3, respectivamente. A diferença energética entre os estados de multiplicidade 1 e 3 para o composto ScPc+1 é de apenas 0,44 Kcal/mol (0,00071 hartree). Geometrias. A Tabela 7 mostra uma seqüência de cálculos usando vários níveis de teoria para CuPc. Os resultados obtidos foram comparados com os dados experimentais. Os cálculos das otimizações, com o subseqüente cálculo das freqüências vibracionais, mostraram que a geometria encontrada por meio do método Hartree-Fock (HF), com os conjuntos de bases 3-21G e 6-31G, não era uma estrutura geométrica de mínima energia, pois os resultados apresentaram uma freqüência negativa duplamente degenerada de alta intensidade, correspondendo a um estiramento assimétrico ξ β µ−C N -C . Isto ocorre porque as ftalocianinas são moléculas com grande quantidade de elétrons π e, neste caso, a inclusão explícita da correlação eletrônica é importante para melhor descrever o sistema. A

teoria do funcional da densidade com o funcional híbrido B3LYP mostrou ser a simetria D4H um ponto de mínimo local, em acordo com os resultados experimentais23, não apresentando nenhuma freqüência negativa. Como o programa ZINDO não faz cálculo de freqüências, não foi possível verifi car se a geometria obtida com o método INDO/1 apresentava ou não alguma freqüência imaginária. Para o comprimento da ligação αM-N , o maior erro absoluto (0,045Å) em relação ao experimental ocorreu com o método HF/6-31G, enquanto que o menor erro absoluto (0,015Å) é previsto pelo método B3LYP/6- 31G*. O maior erro absoluto médio (0,020 Å) em relação aos dados experimentais ocorre com o método INDO/1 do programa ZINDO, ao passo que o menor erro absoluto médio (0,014 Å) é obtido com o método B3LYP/6-31G*. Em relação aos ângulos interatômicos, o método INDO/1 é o que apresentou o menor erro absoluto médio (0,62°). Vale lembrar que o método INDO/1, por ser um método semi-empírico (inclui parâmetros experimentais), contém alguma informação sobre a correlação eletrônica.

CoPc CrPc CuPc MnPc NiPc ScPc+1 TiOPc VOPc FePc ZnPc

OLM ......... ....... ........ ....... ....... ....... 1,628 1,604 ........ ........

MLPlano 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,651 1,072 0,742 0,000 0,000

α−M N 1,936 2,054 1,913 2,038 1,897 2,145 2,141 2,155 1,971 1,984

α ξ−N C 1,384 1,383 1,384 1,388 1,385 1,392 1,384 1,384 1,383 1,382

ξ β−C N 1,347 1,351 1,346 1,367 1,346 1,351 1,350 1,351 1,347 1,348

ξ δ−C C 1,452 1,454 1,451 1,433 1,451 1,450 1,452 1,452 1,449 1,453

δ ϕ−C C 1,401 1,401 1,402 1,413 1,402 1,402 1,402 1,402 1,400 1,401

ϕ η−C C 1,389 1,390 1,389 1,380 1,389 1,389 1,389 1,390 1,391 1,390

η −C H 1,096 1,096 1,096 1,096 1,096 1,096 1,096 1,096 1,096 1,096

ϕ −C H 1,095 1,096 1,095 1,096 1,095 1,095 1,096 1,096 1,098 1,095

α ξLM N -C 127,26 125,02 127,66 125,30 127,95 124,11 125,24 123,67 126,43 126,32

α ξ βN -C -N 126,36 126,18 126,48 126,34 126,58 125,71 126,33 126,25 126,75 126,33

α β µC -N -C 122,76 127,62 121,72 126,09 120,94 128,31 125,49 125,93 123,64 124,69

ξ δ ϕC -C -C 133,82 133,06 133,97 133,14 133,98 132,63 133,40 133,22 132,67 133,52

δ ϕ ηC -C -C 118,17 118,72 118,05 118,80 117,84 118,35 118,40 118,41 116,86 118,36

Tabela 8: Parâmetros geométricos calculados para as metaloftalocianinas com o programa ZINDO.

Jan / Jul de 2007 Revista Processos Químicos 27

A completa otimização molecular utilizando o método INDO/1 para todas as metaloftalocianinas foi feita sem restrição de simetria. As estruturas moleculares otimizadas apresentaram simetrias D4H, com exceção dos compostos ScPc, TiOPc e VOPc, cujas simetrias calculadas foram C4V. A Tabela 8 lista os parâmetros geométricos calculados para as várias metaloftalocianinas. Para as ftalocianinas TiOPc e VOPc, a distância calculada do átomo de oxigênio ao metal foi bastante similar entre ambas, cerca de 1,6Å. No entanto, a projeção do átomo de Ti para fora do plano é 44,47% maior do que a projeção do átomo de V: 1,072 Å e 0,742 Å, respectivamente. O átomo de Sc, no composto ScPc+1 no estado triplete, apresenta uma projeção de 0,651Å para fora do plano molecular. Os cálculos não mostram diferenças signifi cativas nos parâmetros geométricos para ScPc+1 entre os estados singlete e triplete. Os menores valores

para as distâncias αM-N são observados para os compostos CoPc, CuPc e NiPc, enquanto que os maiores valores são observados para os compostos ScPc+1, TiOPc e VOPc (ver Tabela 8). Estes valores mais altos são esperados devido à projeção do átomo metálico para fora do plano. Os parâmetros geométricos dos anéis pirrólicos e dos anéis benzênicos não sofrem alterações com a permutação dos metais. Análise populacional. A Tabela 9 apresenta os resultados dos cálculos das cargas atômicas derivadas da análise populacional de Mülliken usando o programa ZINDO com o método semi-empírico INDO/s. Os dados da Tabela 9 mostram uma forte transferência de carga do metal para os nitrogênios ligados αN . O vanádio no composto VOPc é o que apresenta a maior carga atômica parcial enquanto que a menor carga atômica é observada para o Cr no composto CrPc. A carga sobre o αN varia de -0,36 (TiOPC, VOPc) a -0,46 (CuPc).

CoPc CrPc CuPc MnPc NiPc ScPc+1 TiOPc VOPc FePc ZnPc O ....... ..... ...... ....... ....... ....... -0,39 -0,44 ....... ....... M 0,85 0,65 0,94 0,72 0,84 1,07 0,86 1,08 0,82 0,67 αN -0,43 -0,39 -0,46 -0,40 -0,43 -0,42 -0,36 -0,36 -0,42 -0,39 ξC 0,28 0,23 0,28 0,28 0,28 0,30 0,30 0,23 0,28 0,29 βN -0,41 -0,42 -0,42 -0,41 -0,41 -0,45 -0,41 -0,27 -0,41 -0,41 δC 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 -0,01 0,00 0,00 ϕC -0,04 -0,04 -0,04 -0,04 -0,04 -0,02 -0,04 -0,07 -0,04 -0,04 ηC -0,05 -0,05 -0,05 -0,05 -0,05 -0,04 -0,05 -0,07 -0,05 -0,05

CoPc CrPc CuPc MnPc NiPc ScPc+1 TiOPc VOPc FePc ZnPc OLM ...... ....... ...... ....... ....... ........ 2,61 2,53 ....... .......

α−M N 0,73 0,76 0,62 0,73 0,73 0,91 0,75 0,68 0,71 0,64 α ξ−N C 1,23 1,23 1,22 1,22 1,22 1,20 1,21 1,23 1,23 1,23 ξ β−C N 1,36 1,36 1,36 1,32 1,36 1,34 1,36 1,37 1,36 1,36 ξ δ−C C 1,12 1,11 1,12 1,14 1,12 1,11 1,12 1,10 1,11 1,12 δ ϕ−C C 1,36 1,37 1,36 1,33 1,35 1,37 1,36 1,37 1,36 1,36 ϕ η−C C 1,48 1,47 1,48 1,50 1,48 1,46 1,47 1,48 1,47 1,47 ηC -H 0,98 0,98 0,98 0,98 0,98 0,98 0,98 0,98 0,98 0,98 ηC -H 0,98 0,98 0,98 0,98 0,98 0,98 0,98 0,98 0,98 0,98

Tabela 9: Cargas atômicas derivadas da análise populacional de Mülliken para as metaloftalocianinas.

Tabela 10: Ordens de ligação derivadas da análise populacional de Mülliken.

Artigo 2

Revista Processos Químicos Jan / Jul de 2007 28

Os demais átomos das metalftalocianinas não alteram os valores das cargas atômicas quando são permutados os átomos metálicos. A Tabela 10 descreve os resultados dos cálculos das metaloftalocianinas para as ordens de ligação. As ordens de ligação calculadas entre os átomos metálicos e o oxigênio, nos compostos TiOPc e VOPc, são 2,61 e 2,53, respectivamente. Estes valores caracterizam ligações triplas. Os valores das ordens de ligação α−M N situam-se entre 0,62 (CuPc) e 0,91 (ScPc+1). Estes valores indicam ligações simples, embora valores pequenos da ordem de ligação indicam um maior caráter iônico da ligação, i.e., mais polarizada. As ordens de ligação entre os demais átomos das metalftalocianinas não sofrem alterações com o intercâmbio do átomo metálico. Os resultados dos cálculos para orbital ocupado de mais alta energia (HOMO) e para o orbital virtual de mais baixa energia (LUMO) são apresentados na Tabela 11. As energias dos orbitais de fronteira são importantes em muitas propriedades físico-químicas das moléculas, tais como potencial de ionização, eletroafi nidade, eletronegatividade, condutividade, reações químicas, banda de condução, etc. Observa-se, a partir dos dados da Tabela 11, que o orbital LUMO, para todas as metaloftalocianinas, apresenta energia negativa, sendo que o valor calculado para a ScPc+1 no estado triplete é de -4,49 eV, indicando ser este

composto um forte agente oxidante. A maior diferença LUMO-HOMO é calculada para a CrPc. As Figuras de 2 a 6 mostram uma representação diagramática dos níveis de energia dos orbitais moleculares das metaloftalocianinas, conforme indicação do programa ZINDO. As energias dos orbitais nos diagramas são dadas em hartree e estão plotadas no lado esquerdo de cada diagrama. Os orbitais totalmente preenchidos são indicados por ++, e os semipreenchidos são indicados por + -. Do lado esquerdo de cada diagrama orbital encontra- se a representação majoritária do caráter do orbital. No caso em que os orbitais são degenerados (orbitais com mesma energia), o assinalamento do caráter dos orbitais segue a mesma ordem, por exemplo: supondo que apareça no diagrama os seguintes orbitais ++ +- ++ px dx2 pz, então o primeiro ++ é assinalado com o caráter px, o segundo +-, é assinalado com o caráter d z2 e o terceiro, ++, com o caráter pz. O orbital molecular HOMO não é degenerado para nenhuma das metaloftalocianinas estudas, no entanto, com exceção da ScPc+1 e da MnPc, cujo LUMO não é degenerado, todas as outras metaloftalocianinas apresenta o LUMO duplamente degenerado. Existe uma considerável diferença de energia entre o HOMO e HOMO-1, aproximadamente 4.0eV, para todas as metaloftalocianinas, com exceção da ScPc+1, cuja diferença é de 0,82 eV. A Tabela 12

EHOMO ELUMO ΔΕ = ELUMO - EHOMO hartree eV hartree eV eV

ScPc+1 -0,309754 -8,43 -0,165175 -4,49 3,934

TiOPc -0,204730 -5,57 -0,062213 -1,69 3,878

VOPc -0,204242 -5,56 -0,061800 -1,68 3,876

CrPc -0,205303 -5,59 -0,057862 -1,57 4,012

MnPc -0,206396 -5,62 -0,067624 -1,84 3,776

FePc -0,206543 -5,62 -0,061059 -1,66 3,959

CoPc -0,206539 -5,62 -0,061195 -1,67 3,955

NiPc -0,206420 -5,62 -0,061627 -1,68 3,940

CuPc -0,207058 -5,63 -0,063538 -1,73 3,905

ZnPc -0,203220 -5,53 -0,059631 -1,62 3,907

Tabela 11: Energias dos orbitais moleculares de fronteira (HOMO e LUMO).

Jan / Jul de 2007 Revista Processos Químicos 29

Mult Carga total População

ScPc 1 +1 (dz

2)0 (dx 2

-y 2)0,5 (dxy)

0 (dxz) 0,2 (dyz)

0,2

3 +1 (dz 2)0,2 (dx

2 -y

2)0,5 (dxy) 0 (dxz)

0,2 (dyz) 0,2

TiOPc 1 0 (dz 2)0,5 (dx

2 -y

2)0,5 (dxy) 0 (dxz)

0,5 (dyz) 0,5

VOPc 2 0 (dz 2)0,5 (dx

2 -y

2)0,5 (dxy) 1 (dxz)

0,5 (dyz) 0,5

CrPc 5 0 (dz 2)1 (dx

2 -y

2)0,5 (dxy 2)1 (dxz

2)1 (dyz 2)1

MnPc 4 0 (dz 2)1 (dx

2 -y

2)0,5 (dxy) 1 (dxz)

2 (dyz) 1

CoPc 2 0 (dz 2)1 (dx

2 -y

2)0,5 (dxy) 2 (dxz)

2 (dyz) 2

NiPc 1 0 (dz 2)2 (dx

2 -y

2)0,5 (dxy) 2 (dxz)

2 (dyz) 2

CuPc 2 0 (dz 2)2 (dx

2 -y

2)1 (dxy) 2 (dxz)

2 (dyz) 2

FePc 3 0 (dz 2)1 (dx

2 -y

2)0,5 (dxy) 1 (dxz)

2 (dyz) 2

ZnPc 1 0 (dz 2)2 (dx

2 -y

2)2 (dxy) 2 (dxz)

2 (dyz) 2

mostra a população eletrônica, derivada da análise populacional de Mülliken, para os orbitais metálicos. Para os compostos com multiplicidade maior do que 1, os orbitais com forte caráter metálico são os que acomodam os elétrons desemparelhados. Com exceção do ScPc+1, as metaloftalocianinas em estudo não apresentam, no orbital molecular HOMO, contribuições dos orbitais d dos metais. No caso da ScPc+1, o HOMO possui uma pequena contribuição do orbital metálico dxy. O orbital molecular HOMO apresenta caráter nπ (não ligante) para todas as ftalocianinas não importando qual seja o metal, e são formados quase que exclusivamente por orbitais pz dos carbonos

ξC . Os orbitais LUMO possuem caráter predominante π* e são formados principalmente por orbitais atômicos do tipo pz dos carbonos pirrólicos. Observam-se, em alguns casos, pequenas contribuições dos orbitais p’s dos metais.

Tabela 12: Populações dos orbitais d dos metais segundo indicação do programa ZINDO.

Figura 2: Diagrama dos níveis de energia para os complexos VOPc e CrPc. Figura 3: Diagrama dos níveis de energia para os complexos ScPc+1 e TiOPc.

Artigo 2

Revista Processos Químicos Jan / Jul de 2007 30

Figura 4: Diagrama dos níveis de energia para os complexos MnPc e CoPc. Figura 6: Diagrama dos níveis de energia para os complexos ZnPc e FePc.

Figura 5: Diagrama dos níveis de energia para os complexos NiPc e CuPc.

Espectros de absorção UV/visível. Os espectros UV/visível são mostrados grafi camente nas Figura 7. Os respectivos assinalamentos podem ser vistos na Tabela 13. Os espectros calculados para as CoPc, CuPc e VOPc são bastante similares. Estes são constituídos de duas bandas bem características: uma banda de baixa energia (banda Q) com alta força do oscilador, e uma outra de alta energia e baixa força do oscilador (banda B). A banda Q é assinalada como uma transição de natureza nπ → π*, correspondendo à excitação HOMO → LUMO com um peso percentual superior a 85%. A banda B, para estes compostos, também é assinalada como uma transição de natureza nπ → π*, correspondendo a uma excitação HOMO → LUMO+5 para os compostos CoPc e CuPc, e HOMO → LUMO+4 para o composto VOPc. Embora a diferença de energia entre os estados singlete e triplete do composto ScPc+1 seja pequena (0,44 Kcal/mol), os seus espectros são signifi cativamente diferentes e relativamente mais complexos do que os espectros das outras metal-ftalocianinas. A ftalocianina de ferro apresenta, nos cálculos, apenas uma banda de alta intensidade em 14482 cm-1, cujo vetor momento de

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Orbitais excitados Peso daTransção(%) Energia (cm-1)

Força do oscilador

Natureza da transição

CoPc H → L 84 14251,8 0,89 nπ → π

*

H → L+5 98 28475,7 0,03 nπ → π *

MnPc H → L 91 14131,3 1,08 nπ → π

*

H → L+1 89 15262,5 0,81 nπ → π *

NiPc

H → L H → L+1

59 34 14165,8 0,89 nπ → π

*

H → L+5 60 28240,5 0,02 nπ → π *

H-4 → L+1 64 33140,7 0,29 π→ π*

H-1 → L 60 33572,2 2,42 π→ π*

H-1 → L+1 72 33827,5 2,74 π→ π*

H → L+9 46 34895,0 0,5 nπ → π *

ScPc+1 Singlete

H → L H → L +1

54 35 12784,5 0,72 nπ → π

*

H → L +5 83 21309,2 0,12 nπ → π *

H – 2 → L +1 56 29842,6 0,48 π→ π*

H → L + 9 72 31330,6 0,58 π→ π*

H – 2 → L + 1 H – 1 → L

27 22 31558,5 2,19 π→ π

*

H – 2 → L 35 31779,0 1,16 π→ π*

H – 9 → L H – 5 → L

24 33 35603,1 0,18 π→ π

*

TiOPc

H → L+1 87 14080,9 0,92 nπ → π *

H-2 → L 39 32214,7 0,41 π→ π*

H-1 → L 32 32869,7 1,7 nπ → π *

H-1 → L+1 46 33275,5 2,55 nπ → π *

H → L+9 24 34492,0 0,96 nπ → π *

H-8 → L+1 H-7 → L+1

21 18 35568,0 0,17 nπ → π

*

VOPc H → L+1 89 13986,9 0,89 nπ → π

*

H → L+4 94 28418,0 0,02 nπ → π *

ZnPc

H → L 90 14189,0 0,93 nπ → π *

H → L+4 96 28404,8 0,02 nπ → π *

H-2 → L 70 32748,6 0,15 π→ π*

H-1 → L 67 33441,6 2,15 π→ π*

H → L+8 43 34755,7 0,51 nπ → π *

H-3 → L+3 H-8 → L

14 14 44045,9 0,34 π→ π

*

Tabela 13: Assinalamento das transições eletrônicas calculadas com o programa ZINDO/s para as ftalocianinas metálicas.

Artigo 2

Revista Processos Químicos Jan / Jul de 2007 32

transição está contido no plano molecular. A ftalocianina de cromo, em seu estado quintoplete, apresenta a banda Q com alta intensidade e uma série de transições de baixa força do oscilador entre 20.000cm-1 e 30.000cm-1. O composto MnPc apresenta duas bandas bastante próximas uma da outra em 14.131cm-1 e 15.262cm-1, respectivamente. Ambas são de natureza nπ → π*, sendo que a primeira corresponde a uma excitação HOMO → LUMO e a segunda a uma excitação HOMO → LUMO+1. O espectro eletrônico da ftalocianina de zinco lembra bastante o espectro do TiOPc. Os dois espectros apresentam seis bandas calculadas, sendo duas mais intensas e três de mais baixa intensidade. O composto cujo o pico se encontra mais deslocado para o vermelho é a ftalocianina de escândio no estado singlete. Enquanto que a ftalocianina de escândio no estado triplete é a que se encontra mais deslocada para o azul. As demais ftalocianinas metálicas apresentam o pico da banda Q calculado no intervalo entre 690nm e 715nm.

Conclusões A teoria do funcional da densidade com o funcional de troca e correlação B3LYP mostrou ser efi ciente no estudo das propriedades eletrônicas e estruturais da tetrabenzoporfi rina (TBP) e da ftalocianina de cobre. As geometrias moleculares das ftalocianinas metálicas, completamente otimizadas sem restrição de simetria, usando o programa ZINDO com o método INDO/1, mostraram que as simetrias destas ftalocianinas é D4H com exceção dos compostos ScPc, TiOPc e VOPc, cujas simetrias calculadas foram C4V, havendo uma considerável projeção do átomo metálico para fora do plano molecular nestes últimos casos. As análises populacionais das ftalocianinas metálicas feitas com o método INDO/s mostrou que a carga sobre o átomo metálico varia de 0,65 (CrPc) a 1,08 (VOPc). As cargas sobre os αN variam de -0,36 (TiOPC, VOPc) a -0,46 (CuPc). As ordens de ligação LO M calculadas nos compostos TiOPc e VOPc são, respectivamente: 2,61 e 2,53. Enquanto que a ordem de ligação MLNα varia de 0,62 a 0,91, caracterizando uma ligação simples. A diferença LUMO – HOMO calculadas com o programa ZINDO situa-se entre

Figura 7: Simulação dos espectros eletrônicos das metaloftalocianinas calculados com o programa ZINDO/INDO/s.

Jan / Jul de 2007 Revista Processos Químicos 33

3,876 eV (VOPc) e 4,012 (CrPc). Os assinalamentos dos espectros de UV/visível também foram feitos para as ftalocianinas metálicas usando o método INDO/s e a interface gráfi ca cerius 3.8.

Agradecimentos Os autores agradecem à pró-reitoria de pesquisa e pós-graduação da Universidade Estadual de Goiás pelo suporte à realização deste trabalho.

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* E-mail: ajc@ueg.br

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Análise da difração dos Raios X

Por Hamilton Napolitano, Ademir Camargo, Yvonne Mascarenhas, Ivo Vencato e Carlito Lariucci

Apresentamos neste trabalho aspectos teóricos da difração de raios X procurando discutir os principais conceitos envolvidos neste fenômeno a partir da interação entre radiação e matéria. Desenvolve-se uma formulação da lei de Bragg para a difração considerando a interação da radiação X com a matéria cristalina. Aplicamos ainda a lei de Bragg em um exemplo cotidiano para estimular o aprendizado e o uso desse fenômeno amplamente aplicável.

Palavras-chave: Difração dos raios X; cristalografi a; estrutura molecular.

We present in this paper theoretical aspects of X-ray diffraction aiming the discussion of the main concepts of this phenomenon from the interaction between radiation and matter. One formulation of Bragg’s law to diffraction is obtained considering interaction between X radiation and crystalline matter. Additionally we apply this formulation to one simple and daily example in order to stimulate students go ahead to learn and use the large possible application of this phenomenon.

Keywords:X ray diffraction, crystallography and molecular structure.

Artigo 3

Jan / Jul de 2007 Revista Processos Químicos 35

Introdução A Química é um ramo da ciência interessado em entender a matéria e suas transformações e, quando aplicada ao entendimento da matéria a nível atômico, o conhecimento do arranjo dos átomos nas moléculas e no cristal é extremamente útil para o entendimento, por exemplo, das propriedades químicas, físico- químicas e biológicas dos compostos. Como não somos capazes de ver a matéria a nível atômico, precisamos necessariamente de algo que nos auxilie, se de fato queremos obter informações a esse nível de resolução. Talvez o primeiro auxílio que nos venha à mente seja imaginar um microscópio ótico que ampliasse sucessivas vezes o tamanho do objeto de forma tal que pudéssemos olhar diretamente a imagem, podendo ver, por exemplo, a distribuição atômica. Infelizmente isto não é possível. A razão está na incompatibilidade entre o comprimento de onda que nossos olhos podem ver (λ ≈ 4000 a 7000 Å), e daquele que seria necessário para construirmos tal microscópio (λ ≈ 0,5 a 2,5 Å), ou seja, não podemos construir um “microscópio ótico de resolução atômica”. Se estivermos decididos a conhecer a estrutura a nível atômico, precisamos então lançar mão de alguma alternativa que nos permita ver, mesmo que indiretamente, a correspondente imagem. Felizmente tais alternativas existem, e uma das mais frutíferas é aquela que faz uso da difração dos raios X. A difração é um fenômeno de utilidade diversa na pesquisa científi ca. Suas implicações sustentam o arcabouço teórico das técnicas difratométricas como, por exemplo, a cristalografi a de raios X. É um assunto bem conhecido de todos que estudam fenômenos ondulatórios, sendo abordado por vários livros texto e ilustrado por diversas experiências de Química e/ou Física. Pode ser utilizada para explicar desde a localização dos máximos e mínimos na experiência de fenda única até a descrição de padrões observados em sólidos cristalinos quando expostos à radiação X. A difração é verifi cada, por exemplo, quando um feixe de fótons incide sobre um obstáculo contendo um ou mais orifícios com dimensões da ordem de seu comprimento de onda, sendo assim uma evidência conclusiva da natureza ondulatória da luz. Quando verifi camos a difração de elétrons ou nêutrons temos, por outro lado, uma evidência do caráter

ondulatório da associação onda-partícula atribuída à matéria. Essas ondas associadas a partículas materiais por de Broglie devem satisfazer à conhecida e útil relação

λ ν hchE == (1)

onde h é a constante de Planck e c é a velocidade da luz, que corresponde à velocidade de propagação de qualquer onda eletromagnética no vácuo. A descrição a seguir dará ênfase ao caráter ondulatório deste fenômeno, uma vez que estará restrita à difração por ondas eletromagnéticas. Podemos destacar três fenômenos na interação entre a radiação e a matéria: absorção, emissão, e espalhamento. Enquanto a absorção está associada principalmente às transições de estados eletrônicos para níveis de mais alta energia, chegando em alguns casos à ionização de átomos, a emissão é a radiação resultante do retorno desses estados excitados para os níveis de menor energia. O espalhamento é a radiação emitida pelas cargas aceleradas sob ação do campo elétrico da onda incidente sendo, ao lado da interferência, o fenômeno de interesse para analisarmos a difração. As diversas técnicas espectroscópicas e/ou difratométricas disponíveis utilizam esses fenômenos, em alguma banda do espectro eletromagnético, para extrair indiretamente informações sobre a estrutura da matéria, uma vez que a absorção, a emissão e o espalhamento do feixe incidente são específi cos para cada composto. A divisão do espectro eletromagnético em intervalos de comprimento de onda é uma conveniência prática para distinção das espectroscopias, sendo todas estas regiões (ou bandas) corretamente descritas pelas equações de Maxwell. O que caracteriza as diversas regiões deste espectro é o intervalo de comprimento de onda λ (ou de energia E, ou então de freqüência ν), devendo satisfazer a Equação (1). Portanto energia, freqüência e comprimento de onda são três diferentes opções para caracterizarmos uma onda. Todo espectro eletromagnético é constituído de ondas em que os campos elétrico e magnético desempenham o papel de transportadores de energia. Se considerarmos um feixe de luz com comprimento de onda muito maior que as distâncias interatômicas (λ ≈ 5000Å, por exemplo), e ainda muito menor do que as dimensões do objeto macroscópico com os quais interage, podemos estudar a interação desta radiação com

c

Artigo 3

Revista Processos Químicos Jan / Jul de 2007 36

a matéria através da aproximação da óptica geométrica que, no sentido restrito do termo, refere-se à explicação geométrica das leis da refração e da refl exão. O raio luminoso é, assim, uma reta orientada no espaço que indica a direção e o sentido de propagação da luz. Nesse contexto, a refração e a refl exão podem ser extraídas somente a partir do espalhamento. Quando o feixe desta radiação tem comprimento de onda da ordem das distâncias interatômicas (λ ≈ 1Å = 10- 10 m, por exemplo), devemos distinguir duas situações: (1) quando o arranjo atômico é aleatório (gás, por exemplo) ou (2) quando o arranjo atômico é ordenado periodicamente (cristal). No primeiro caso, a interferência entre as ondas espalhadas não segue nenhuma regularidade, não sendo totalmente construtiva ou destrutiva para todas direções, pois a diferença de fase entre elas é aleatória. No segundo caso, a interferência obedece a regularidades, sendo destrutiva ou construtiva para todas direções. Este fenômeno é conhecido como difração. A condição de interferência construtiva em amostras cristalinas foi analisada por W. L. Bragg1 que propôs uma equação relativamente simples, que informa a direção dos feixes difratados. Estabelece- se assim a lei de Bragg. A Figura 1 apresenta em forma de organograma os principais fenômenos e conceitos envolvidos na difração da radiação X, quando pensada a partir da interação entre radiação e matéria, conforme descrita anteriormente. No fi nal do século XIX, em 1885, o físico alemão W. Röntgen descobriu uma nova radiação muito penetrante, denominando-a raios X, sendo por este feito o ganhador, em 1901, do primeiro prêmio Nobel de Física. Como não foi possível inicialmente constatar os fenômenos da refl exão e da refração, sua natureza ondulatória foi na época questionada. A difração de raios X pelos cristais foi descoberta em 1911 pelo físico alemão Max von Laue2 que, em 1914, ganhou o prêmio Nobel de Física pela detecção da interferência destas ondas difratadas. Este trabalho é uma evidência tanto da natureza ondulatória dessa nova radiação quanto da periodicidade tridimensional da matéria cristalina, com períodos da ordem do tamanho das distâncias interatômicas. Max von Laue verifi cou que o fenômeno do espalhamento discreto poderia ser descrito em termos da difração por uma rede tridimensional, demonstrando assim que os cristais constituem uma rede natural para difração dos raios X.

Uma discussão ainda presente no fi nal do século XIX era a continuidade versus atomicidade da matéria. Suspeitas baseadas no número de Avogadro e densidade de alguns materiais (NaCl, por exemplo)3 apontavam para a hipótese da estrutura corpuscular ou atômica da matéria. A prova experimental defi nitiva da atomicidade da matéria é um outro triunfo desse experimento de Laue. Assim, as hipóteses de cela unitária e retículo3 fi caram também confi rmadas. Cela unitária é a unidade básica estrutural, constituída por um paralelepípedo, que se repete por translação, a partir do qual todo volume do cristal pode ser construído pelo empilhamento regular do conjunto destes. Retículo é uma rede tridimensional de pontos, gerada pelos vértices das celas unitárias, o que implica em que cada um desses pontos tenha exatamente a mesma vizinhança para todas as direções. A proposta da existência desses retículos data do século XIX, sendo os mesmos conhecidos como retículos de Bravais, em homenagem ao seu criador Augusto Bravais (1811 – 1863). A dedução da fórmula fundamental por W. L. Bragg para análise estrutural da matéria ocorreu em 1912,

Figura 1: Fenômenos e conceitos apresentados hierarquicamente em forma de organograma para a difração de raios X, organizados a partir da interação entre radiação e matéria.

Jan / Jul de 2007 Revista Processos Químicos 37

sendo uma forma analítica de extrairmos informações do fenômeno da difração. A partir de sua descrição e da intensidade associada a cada direção difratada podemos obter diversas informações sobre a estrutura da matéria, como: (1) conhecimento do tipo de retículo cristalino associado ao ordenamento dos átomos; (2) estrutura molecular; (3) simetria envolvida no empacotamento; (4) estrutura cristalina, entre outros. A utilidade prática desta teoria pode ser avaliada pela quantidade de estruturas moleculares resolvidas, atingindo a ordem de centenas de milhares, disponíveis, por exemplo, nos bancos de dados do Cambridge Crystallographic Data Centre4, para estruturas de moléculas pequenas, e do Protein Data Bank5, para estruturas de macromoléculas. Antes de entrar diretamente na descrição da difração dos raios X é válido alertar ao estudante que existe uma diferença entre o modelo analítico desenvolvido por W. L. Bragg (através da “refl exão” especular pelas famílias de planos) e a realidade física. O objetivo deste trabalho é descrever o fenômeno da difração a partir dos principais conceitos envolvidos, sempre buscando uma adequação entre nosso pensamento e a realidade física.

Difração de Raios X e a Lei de Bragg O raio X é uma radiação eletromagnética situada na região entre os raios gama e ultravioleta, com intervalo de comprimento de onda de particular interesse para o fenômeno da difração por cristais variando entre 0,4 e 2,0 Å. Do ponto de vista da teoria quântica, os raios X podem ser vistos como um feixe de fótons com energia . Pela alta freqüência desta radiação, fi ca evidente que possuem alta energia, conforme a Equação (1). Quando um feixe de raios X atinge algum material, seus elétrons são forçados a oscilar devido ao campo elétrico da radiação incidente, tornando-se uma nova fonte espalhadora em todas as direções6, uma vez que carga acelerada emite radiação. Devido à forte interação entre o campo elétrico e os meios materiais, quando comparada com as interações de campos magnéticos com estes meios, pode-se afi rmar numa primeira aproximação, que apenas o campo elétrico aparece na interação dos raios X com a matéria quando estamos analisando o espalhamento. Quando o comprimento de onda dessa

radiação espalhada for o mesmo comprimento de onda da radiação incidente, temos o espalhamento elástico. Nossa análise está restrita ao espalhamento elástico e coerente. Como o comprimento de onda λ dos raios X é da ordem das distâncias entre os átomos que constituem a matéria, ocorrerá a difração desta onda espalhada pelos diversos espalhadores (átomos ou elétrons) no interior da amostra. Esses espalhadores discretos são uma das conseqüências da atomicidade da matéria3,7. Essa difração pode ser explicada pelo princípio de Huygens que, qualitativamente, diz que “todos os pontos de uma frente de onda de luz podem ser considerados fontes puntiformes que produzem ondas secundárias”. Claro que, se a disposição dos átomos na amostra for aleatória, não haverá relações fi xas de fase entre as ondas espalhadas (espalhamento incoerente, portanto), e o efeito combinado das diversas ondas espalhadas será difuso. No entanto, se a distribuição dos átomos obedecer a algum padrão regular, o efeito combinado dessas ondas difratadas também obedecerá a um padrão regular, recíproco ao padrão de distribuição dos átomos. Com o objetivo de localizar geometricamente as direções de interferência construtiva, representamos um cristal por uma distribuição discreta de densidade eletrônica8, parcialmente representada na Figura 2. Esta fi gura mostra um átomo a2 posicionado em M, que está a uma distância r do átomo a1, posicionado na origem O. Os átomos a1 e a2 são dois centros espalhadores, o vetor unitário s0 representa a direção do feixe incidente enquanto o vetor s, também unitário, representa uma direção particular do feixe espalhado.

Figura 2: Espalhamento decorrente de uma distribuição discreta de carga. As direções dos feixes de raios X incidentes e espalhadas estão representadas pelos vetores unitários s0 e s, respectivamente. Os átomos a1 e a2 ilustram dois centros espalhadores da amostra.

Artigo 3

Revista Processos Químicos Jan / Jul de 2007 38

A diferença de caminho ótico entre as duas ondas espalhadas pelo conteúdo eletrônico dos átomos a1 e a2 é: δ = OBAM = r•(s - so). Considerando a radiação incidente monocromática com comprimento de onda λ, a diferença de fase entre essas duas ondas será

Sr ss

r 0 ⋅≡ −

⋅== π λ

πδ λ πφ 2

)( 22

(2)

mostrando que o cálculo da interferência entre as ondas espalhadas não depende explicitamente dos três parâmetros s, so e λ, mas unicamente da combinação

S ss 0 =

− λ

. Para que as duas ondas espalhadas estejam

em fase, é necessário que a diferença de caminho entre elas seja zero ou um número inteiro de comprimento de onda, ou seja, r.S ≡ (inteiro ou zero). Para o espalhamento elástico, cada feixe de raios X espalhado na direção S possui o mesmo comprimento de onda λ do feixe incidente, porém é uma onda que tem fase e amplitude própria. Conforme descrito na Equação (2), a fase depende da mudança de direção S em relação ao feixe incidente, e da posição r do espalhador. A amplitude do feixe espalhado depende da densidade eletrônica ρ(r) dos espalhadores, ilustrado pelos átomos a1 e a2 na Figura 2. O espalhamento a partir de uma região com densidade eletrônica ρ(r) pode ser expresso a partir da função espalhamentoF(S). Quando ρ(r) representa a densidade eletrônica de um único átomo, a função espalhamento nos fornece o fator de espalhamento atômico, normalmente identifi cado pela letra f, que é igual à amplitude da onda espalhada pelo átomo dividida pela amplitude da onda espalhada por um único elétron nas mesmas condições. A Figura 3 ilustra o comportamento da amplitude dessa onda resultante espalhada por um único átomo em função do ângulo θ, que é a metade do intervalo angular defi nido pelos vetores s e s0, conforme pode ser visto através da Figura 4. Dentre as várias características relevantes do fator de espalhamento atômico para o fenômeno da difração, podemos destacar: (1) depende de senθ/λ, justifi cando às vezes sua representação por f(S), de forma que f decresce com o aumento de senθ/λ; (2) todos os elétrons do átomo espalham em fase para o ângulo de espalhamento θ = 0, onde f = f(0) corresponde ao número

de elétrons no átomo, pois não há diferença de caminho ótico entre os diversos elétrons conforme ilustrado na Figura 2; (3) depende da temperatura, ou seja, quanto maior o movimento térmico dos átomos, maior o seu raio médio, e mais acentuado será o decaimento com senθ/λ; (4) se considerarmos um átomo pontual, todos seus elétrons estarão no mesmo ponto e não haverá diferença de caminho ótico entre as ondas espalhadas por cada elétron, e assim f = f(0) = Z para todas as direções de espalhamento. Portanto a amplitude do feixe de raios X espalhado para um átomo particular j é descrita pelo fator de espalhamento atômico fj.

Se agora analisarmos a Figura 2, veremos que o espalhamento da radiação por um átomo aj em relação à origem da cela unitária é dado por

)2exp(. Srf ⋅= jjj if π . Como a1 está na origem, (r1 = 0), f1 = f1, onde f1 é o fator de espalhamento atômico do átomo a1, que depende do número total de elétrons desse átomo e da direção do feixe espalhado. Uma forma conveniente de estudar o espalhamento por todos os átomos dentro do cristal é identifi carmos o espalhamento resultante para a cela unitária (por ser o menor espaço físico que se repete por translação). A amplitude total da onda espalhada pela cela unitária, F(S), será a soma das contribuições dos N átomos da cela unitária

)2exp(.)( 1

SrS ⋅= ∑ =

j

N

j j ifF π (3)

Figura 3: Dependência do fator de espalhamento atômico f com senθ/λ. fj(0) = Z corresponde ao número de elétrons do átomo. (A) Comportamento qualitativo para um átomo qualquer; a reta horizontal tracejada refere-se a um átomo hipotético pontual e estacionário. (B) Ilustração quantitativa do fator de espalhamento atômico para alguns átomos típicos em estruturas cristalinas.

Jan / Jul de 2007 Revista Processos Químicos 39

onde fj é o fator de espalhamento atômico do j-ésimo átomo da cela unitária. Podemos caracterizar inúmeras famílias de planos reticulares (planos que passam por pontos do retículo) através de três números inteiros hkl, denominados índices de Miller, e por suas respectivas distâncias inteplanares dhkl. É de grande utilidade defi nirmos o espaço recíproco ao espaço do retículo já defi nido, que passa a ser denominado espaço recíproco, e cujos parâmetros reticulares são

100

* 1 d

a = , 010

* 1 d

b = e 001

* 1 d

c = , e que

vetorialmente são dados pelas seguintes relações

VVV bacacbcba ** ×=×=×= ; ;* (4)

onde V é o volume da cela unitária do espaço direto dado por V = ab× c. A quantidade rj•S na Equação (3) corresponde ao produto escalar entre o vetor posição de cada átomo rj = xja + yjb + zjc e o vetor do espaço recíproco

7 S = ha* + kb* + lc*, onde xj, yj e zj são as coordenadas fracionárias para o átomo particular j da cela unitária. Assim os índices de Miller podem ser utilizados para indicar: (1) um conjunto de planos paralelos reticulares, (2) um plano reticular desta família, (3) uma face do cristal paralela a este plano e (4) a direção perpendicular a esse plano que é coincidente com o vetor de espalhamento S, como se vê na Figura 4.

Conforme já mencionado e ilustrado na Figura

4, a direção do vetor λ

0ssS

= é perpendicular ao

plano reticular que forma um ângulo θ com os feixes incidente e espalhado, coincidindo com a direção de ON, que bi-secciona o ângulo formado entre s e so. Como o ângulo entre a direção de observação e o feixe incidente é 2θ, temos que o módulo do vetor S é dado por

θ λ

sen 2

sS = . Como |s| = 1, por ser unitário, temos

λ θsen2=S (5)

A Equação (5) nos informa qual a magnitude do vetor espalhamento S. Agora veremos quais são as direções permitidas para que o vetor S satisfaça a condição indicada na Equação (2). Max von Laue apresentou uma explicação para o padrão de difração, exemplifi cado na Figura 5, considerando o arranjo de átomos igualmente espaçados no cristal. Para isto o cristal é visto como uma rede ideal de difração tridimensional, de forma a constituir um arranjo tridimensional infi nito de pontos uniformemente espaçados ao longo de a, b e c. Assim o máximo de difração ocorrerá apenas para algumas direções particulares defi nida pelo vetor S. Como o produto rS é nulo ou inteiro, então esse requerimento deve satisfazer às condições:

h=⋅aS k=⋅bS (6) l=⋅cS

onde h, k, e l são inteiros. As Equações (6) são conhecidas como equações de Laue que, satisfeitas simultaneamente, estabelecem a condição para a existência de um feixe difratado na direção perpendicular ao plano defi nido pelos índices hkl. O signifi cado físico da primeira condição h=⋅aS nas Equações (6), em uma dimensão, é que a extremidade do vetor recíproco S está restrita a um conjunto de planos no espaço recíproco que são perpendiculares à direção de a com espaçamento igual a h/a. Os planos sucessivos

Figura 4: Dependência do vetor espalhamento S com s e so. O diagrama demonstra o espalhamento da onda incidente para um ângulo particular 2θ. Por defi nição, o vetor S indica a direção que satisfaz a condição de interferência construtiva para o feixe espalhado; seu módulo |S| é dado por 2senθ/λ. P representa o plano reticular e N é a normal a esse plano reticular.

Artigo 3

Revista Processos Químicos Jan / Jul de 2007 40

eqüidistam h/a a partir da origem, conforme mostrado na Figura 6. Estendendo esta idéia para três dimensões, para que todas as condições de Laue das Equações (6) sejam satisfeitas, a extremidade do vetor S está agora restrita à intersecção dos três conjuntos de planos no espaço recíproco, espaçados h/a, k/b e l/c para as direções a, b e c, respectivamente. O padrão de difração será então a intersecção desses três planos, que produz um arranjo tridimensional de pontos no espaço recíproco, correspondendo à rede formada pelas Equações (4).

Uma forma alternativa para compreender estas condições de Laue é analisar o cristal como sendo constituído por um empilhamento tridimensional de celas unitárias. Isto equivale, por exemplo, a n1 translaçõesna direção a, n2 na direção b e n3 na direção c. A amplitude total da onda espalhada K(S) por esta pilha de celas unitárias será

)2exp()2exp()2exp()()( 321

000 ∑∑∑ ===

⋅×⋅×⋅×= n

v

n

u

n

t iviuitFK ScSbSaSS πππ

(7)

onde F(S) é a onda espalhada pela cela unitária que contém a origem do vetor S, dado pela Equação (3). Como o cristal é composto por uma grande quantidade dessas

celas, a somatória ∑ =

⋅ 1

1 )2exp(

n

t it Saπ

é igual a zero a

menos que o argumento da exponencial seja um número inteiro de 2π, ou seja, aS≡ inteiro. O mesmo argumento vale para as outras duas somatórias. Dessa forma, as únicas condições em que K(S) é diferente de zero são as equações de Laue, representadas pelas Equações (6).

A equação fundamental λ

0ssS

= pode ser

representada através de uma construção geométrica dada pela equação de Bragg, conforme representado na Figura 7.

Figura 5: Figura de difração do Sulfato de Cobre. Diagrama de Laue [2]. Esta fi gura histórica ilustra um padrão de difração produzido pelos feixes difratados por uma amostra cristalina. A disposição geométrica dos pontos é explicada pelas condições de Laue das Equações (6).

Figura 6: Representação geométrica do signifi cado físico da condição de Laue S·a = h. (A) As retas tracejadas são uma família de planos no espaço recíproco perpendiculares à direção a, com espaçamento interplanar igual a 1/a; as direções representadas para o vetor S satisfazem a relação S·a = h. (B) Representação tridimensional da parte (A) para facilitar a visualização.

Figura 7: Representação esquemática (fora de escala) da equação de Bragg. θ é o ângulo entre o feixe de raios X incidente e o plano difrator hkl. A diferença de caminho entre as duas ondas espalhadas por A e C é BC + CD = 2d

hkl senθ. A condição de difração é verifi cada quando a

diferença de caminho for um múltiplo inteiro do comprimento de onda λ. O módulo do vetor S

hkl é o inverso da distância interplanar d

hkl .

Jan / Jul de 2007 Revista Processos Químicos 41

O vetor recíproco S = ha* + kb* + lc* é perpendicular ao plano difrator hkl. O módulo do vetor S é igual ao inverso da distância interplanar dhkl. Assim o módulo

de S 1 é interpretado geometricamente como a distância

interplanar dhkl entre planos hkl 7,9. A Equação (5) fi ca então

λθ =sen2 hkld (8)

que é a equação de Bragg1, onde dhkl corresponde à distância entre os planos hkl, θ ao ângulo de incidência, λ ao comprimento de onda do feixe incidente. É importante notar que a equação de Bragg é uma conseqüência da periodicidade do retículo e, conforme mostrado, a condição para que ocorra interferência construtiva em um feixe espalhado por duas camadas adjacentes de planos reticulares é que a diferença de caminho óptico seja um múltiplo inteiro do comprimento de onda do feixe incidente. É importante notar também que se 2dhkl for menor do que λ não ocorrerá a difração, porque senθ tem valor máximo 1, e se 2dhkl for maior do que λ poderemos observar diferentes ordens de difração n, com n = 1,2,3..., para diferentes ângulos θ. Se a radiação tiver um λ fi xo, o número de direções com interferência construtiva será limitado.

Exemplo de determinação da estrutura de um cristal cúbico Abordamos até aqui os principais conceitos que nos permitiram apresentar a lei de Bragg para o fenômeno da difração dos raios X. A utilidade prática desse fenômeno é de amplo espectro no estudo científi co, e a compreensão desses conceitos á apenas um primeiro passo para o correto entendimento de técnicas como a cristalografi a de raios X. Apesar do caráter introdutório, passamos agora a ilustrar através de um exemplo relativamente simples e familiar uma aplicação dos conceitos até aqui apresentados, na esperança que sirva de estímulo ao estudante. Se pegarmos um porção do sal de cozinha NaCl de forma tal que possamos pulverizá-los apropriadamente em pequenos cristais com dimensões da ordem de 10-6

m, e então colocarmos esta amostra em forma de pó na frente do feixe raios X (por exemplo, λ = 1,54 Å), teremos a difração do feixe incidente para todas as direções que satisfazem a Equação (8). Se agora registrarmos os feixes difratados segundo a metodologia do Método do Pó6, obteremos um difratograma semelhante ao apresentado na Figura 8. Nossa intenção é extrair informações estruturais da amostra a partir do difratograma da Figura 8, fazendo uso das informações até aqui descritas. Isto é possível porque cada material cristalino produz um espectro do pó característico, com posições e intensidades das linhas que dependem do arranjo estrutural de seus átomos. Para simplifi car nossa análise, vamos aceitar a priori que a cela unitária do NaCl é cúbica (a = b = c e α = β = γ = 90º). Mas a indagação que queremos responder é: qual o valor do parâmetro a? Note que conhecendo apenas o valor de a, podemos univocamente e de forma completa descrever a cela unitária desse sistema e, portanto, seu respectivo empacotamento. O módulo do vetor recíproco S = ha* + kb* + lc* para uma cela unitária cúbica é dado por

2 1

222 )l k .(h|*| || ++= aS , de forma que a distância

interplanar dhkl para o sistema cúbico é dado por

222 lkh adhkl

++ = . Se combinarmos essa expres-

são com a Equação (8) obteremos a seguinte expressão

( ) 2 2

2

2

222

2

4aN sen

lkh sen λθθ ==

++ (9)

onde N2 = (h2+k2+ l2) é sempre um número inteiro e λ2/4a é uma constante para o padrão de difração. Assim a Equação (9) correlaciona os índices hkl com os parâmetros da cela do cristal cúbico. O problema de encontrar o valor do parâmetro cristalino a para o composto NaCl pode então ser resolvido se encontrarmos um conjunto de números inteiros N2, que forneçam um quociente constante, quando dividimos os valores observados de sen2θ pelos correspondentes valores de N2. Para nosso exemplo específi co, a combinação dos índices hkl que satisfazem uma condição de interferência construtiva, F(h) ≠ 0, são apenas aqueles que satisfazem a condição12 N2 = (h2+k2+

Artigo 3

Revista Processos Químicos Jan / Jul de 2007 42

Figura 8: Difratograma do pó teórico obtido para o composto NaCl utilizando λ = 1,54 Å.

l2) = 3, 4, 8, 11 etc. Podemos assim correlacionar o ângulo de difração com os respectivos índices hkl, conforme ilustrado na Tabela 1.

Tabela 1: Exemplo de como indexar o padrão de difração do NaCl.

Índice hkl N2 sen2θ λ2/4a Parâmetro a

111 3 0,0560 0,0187 5,64 Å

200 4 0,0747 0,0187 5,64 Å

220 8 0,1496 0,0187 5,64 Å

311 11 0,2055 0,0187 5,64 Å

No exemplo apresentado pudemos encontrar o parâmetro cristalino a = 5,64 Å, para o cristal NaCl. A Figura 9 ilustra o empacotamento dos íons Na+ e Cl- de forma que cada espécie iônica está coordenada por seis outros íons de carga oposta. Agora podemos calcular, por exemplo, o volume da cela unitária e, através da massa molar e da constante de Avogadro NA, calcular massa

Figura 9: Representação esquemática do empacotamento dos íons Na+ (esfera cheia) e Cl- (esfera vazia) na cela unitária cúbica de face centrada. As esferas que representam os íons estão fora de escala. Como pode ser visto, cada íon de Cl- está coordenado por seis outros íons de Na+, e vice-versa.

Jan / Jul de 2007 Revista Processos Químicos 43

total dentro da cela, e assim podemos estimar a densidade volumétrica do composto NaCl. O volume da cela unitária será V = a3 = 179,40 Å3 = 1,794x10-22 cm3. Considerando que cada cela unitária contém quatro íons Na+ e quatro Cl-, correspondendo a uma massa molar total dentro da cela de 233,76 g/mol, obtemos a massa total dentro cela, cujo valor é 233,76/NA = 3,882x10

-22 g. A densidade do composto será então

3 32

2

cela

cela 2,16g/cm cm1,794x10

g3,882x10 volume massad === −

Para uma análise mais rigorosa e aplicável ao problema geral de encontrar as posições dos átomos na cela unitária, que possibilita o conhecimento de quantas ligações cada átomo está envolvido e de qual suas distâncias e ângulos, dentre outras informações de interesse químico, é necessário uma análise mais cuidadosa das intensidades medidas, e será objeto de um próximo artigo.

Considerações fi nais A intenção dos Bragg era a determinação das características estruturais dos sólidos cristalinos a partir dos padrões de difração obtidos da interação da radiação com a matéria. Assim o artifício utilizado na descrição da difração por W. H. Bragg e seu fi lho W. L. Bragg foi fenomenológico1,10. É uma descrição simplifi cada do diagrama de von Laue apresentado na Figura 5. Podemos dizer que o trabalho dos Bragg marca o nascimento da difratometria de raios X, de grande interesse para identifi cação dos elementos químicos presentes em uma amostra, e o uso da difração para obtenção de estruturas moleculares e cristalinas. Assim como através da difração da luz visível podemos observar as franjas de Young e calcular a separação entre as fendas3, também podemos, através da difração de raios X, observar o padrão de difração e reconstruir o retículo associado ao ordenamento dos átomos no cristal. Os méritos e qualidade desse trabalho deram a eles, pai e fi lho, o Prêmio Nobel de Física de 1915. Uma análise cuidadosa da Figura 2 nos convence que

somente em algumas direções particulares a diferença OB - AMserá um número inteiro de comprimentos de onda e portanto suas contribuições serão construtivas. O uso corrente do modelo analítico de Bragg como tal deve incluir a ênfase de conceitos como: (1) partículas carregadas aceleradas emitem radiação em todas as direções; (2) princípio de Huygens; (3) princípio de superposição linear representado pela Equação (3); (4) interferência construtiva e destrutiva, entre outros. Assim fazemos uma distinção entre modelo e realidade, e de forma contextualizada e potencialmente signifi cativa, deixamos claro que são restritos aos modelos: (1) a refl exão dos raios X pelos planos reticulares e (2) a distribuição dos átomos em famílias de planos. Do ponto de vista educacional, um recurso que pode ser útil na ênfase correta dos conceitos são os mapas conceituais11. Essa técnica sugere a construção de um mapa de conceitos em forma de organograma, onde organizamos, de forma lógica e com signifi cados bem estabelecidos, um layout do assunto em questão. Um exemplo ilustrativo encontra-se na Figura 1. Dessa forma, cada hierarquia estabelecida no organograma de conceitos tem signifi cado, e pode facilitar a distinção entre o que é modelo e o que é realidade. Claro que este recurso instrucional é uma entre as muitas técnicas disponíveis que objetivam facilitar a assimilação correta e precisa dos conceitos envolvidos.

Agradecimentos Os autores agradecem à FAPESP, ao CNPq e à PrP/ UEG pelo apoio fi nanceiro.

REFERÊNCIAS

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m

2

2

Artigo 3

Revista Processos Químicos Jan / Jul de 2007 44

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Moreira, M. A. 11. Atividade docente na universidade: alternativas instrucionais. FURG. Porto Alegre, 1985.

Alguns inteiros não são permitidos para12. N2, tais como 7, 15, 23, 28, 31 etc., porque não podem ser formados pela soma de três inteiros quadráticos. Adicionalmente, o conjunto de números inteiros permitidos é particular para o tipo do retículo de Bravais do sistema cristalino. No exemplo em questão, o retículo é cúbico centrado

na face com inteiros permitidos N2 = 3, 4, 8, 11, 12,16 etc.

Hamilton B. Napolitano1,2*, Ademir J. Camargo1, Yvonne P. Mascarenhas3, Ivo Vencato1,4 e Carlito Lariucci4

1 Unidade Universitária de Ciências Exatas e Tecnológicas, UEG, CP 459, CEP 75001-970, Anápolis, GO, Brasil

2 Faculdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange, CEP 75113-630, Anápolis, GO, Brasil

3 Centro de Biotecnologia Molecular Estrutural, Instituto de Física de São Carlos, USP, Av. Trabalhador São Carlense, 400, CEP 13560-970, São Carlos, SP, Brasil

4 Instituto de Física, UFG, Caixa Postal 131, Campus Samambaia, CEP 74001-970, Goiânia, GO, Brasil

* E-mail: hamilton@ueg.br

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Processos biocatalíticos como fonte de fármacos

Por Gilberto Aquino, Bruna de Oliveira, Aline da Silva, Lívia Braga, Renata Alves

O número de processos industriais utilizando catalise biológica para preparação de compostos sintéticos, intermediários para as indústrias farmacêutica e agro química e drogas tem crescido consideravelmente. Este trabalho busca mostrar alguns exemplos interessantes da Biocatálise na indústria farmacêutica e perspectivas para o futuro na área, através da aplicação de métodos biocataliticos na biotransformação da Ivermectina com intuito de obter novos fármacos a partir de seus metabólitos.

Palavras-chave:biotransformação, ivermectina

The number of industrial processes for the synthesis of fi ne and commodity chemicals, pharmaceutical and agrochemical intermediates and drug substances utilizing biological catalysts continues to grow. In this manuscript we intend to show some valuable examples of biotransformation in pharmaceutical industry and perspectives for the future of the fi eld in the development of the drugs from the metabolites of the Ivermectin.

Keywords:biotransformation, ivermectin.

Artigo 4

Revista Processos Químicos Jan / Jul de 2007 46

Figura 1: Numero de processos biocataliticos em escala industrial5. Retirado de [3].

Figura 2: Numero de processos biocataliticos em escala industrial5. Retirado de [3].

Introdução Os termos biocatálise ou biotransformação abrangem os processos em que um catalisador biológico é utilizado para converter um substrato num número limitado de etapas enzimáticas.1 De acordo com o dicionário de termos da IUPAC (International Union of Pure and Applied Chemistry), Biotransformação é a modifi cação de substâncias químicas pela ação de organismos vivos ou enzimas isoladas2 . A Biocatálise tem evoluído a uma tecnologia de grande aplicabilidade na indústria de química fi na, o que pode ser evidenciado pelo uso de processos de biotransformação em escala industrial (Figura 1). Os processos biocataliticos geralmente geram análogos de produtos naturais ou seus derivados. Estes processos são quimicamente atrativos por serem versáteis, substratos seletivos, regiosseletivos, quimiosseletivos, enantiosseletivos e por ocorrer à temperatura e pressão ambiente3,4. Biotransformação inclui um vasto número de reações, tais como síntese de lactonas a partir de cetonas cíclicas, transformação de glicose em 1,3-propanodiol, carboxilação aromática, entre outras. Em termos de números de processos, a indústria farmacêutica é aquela que mais aplica o bioprocesso (Figura 2). Entretanto, entre os nove produtos produzidos em larga escala (> 20 toneladas por ano), nenhum provém da indústria farmacêutica, sendo que a maior parte destes compostos são carboidratos. Uma das principais aplicações do bioprocesso na indústria farmacêutica é na obtenção de produtos enatiomericamente puros, seja através da aplicação na síntese assimétrica, ou em processos de resolução cinética de misturas racêmicas. Síntese assimétrica é realizada geralmente por oxi-redutasses e liases, e a resolução cinética ocorre geralmente por ação de hidrolases. Em processos de Biotransformação encontramos processos catalisados por liases e transferases com relativo sucesso. Mas a maior parte dos processos envolve reações redox, cuja maioria envolve células onde são utilizadas enzimas de todas as classes, incluindo oxi-redutases. Células podem ser utilizadas para um vasto número de biotransformação, além de reações redox. Em geral, o uso de células isoladas é mais difundido, enquanto o uso de enzimas isoladas supera o uso de enzimas imobilizadas (Figura 3).

Figura 3: Uso de enzimas e células em biotransformação industrial (134 processos analisados). Retirado de [3].

Jan / Jul de 2007 Revista Processos Químicos 47

Com o desenvolvimento dos bioprocessos tem se tornado possível a elaboração de rotas para o planejamento de novas drogas explorando a evolução da atividade enzimática5 (Tabela 1).

Tabela 1: Alguns bioprocessos desenvolvidos por indústrias farmacêuticas

Composto Alvo Industria Reação Biocatalisador

Paclitaxel BMS hidrólise Pseudomonas

Lamivudine Glaxo hidrólise E. coli

Inibidor da ECA Ciba-Geigy redução S.epidermis

Lotrafi bran Glaxo hidrólise C. Antarctica

Xemilofi ban Monsanto hidrólise E. coli

Inibidores de Renina Hoffman La Roche hidrólise B. licheniform

Omapatrilato BMS redução T. intermedius

Exemplos de métodos aplicados na indústria para obtenção de fármacos, o Omaprilato, um antihipertensivo, foi obtido pela ação de uma nova L-lisina ε-amino transferase expressa pelo microorganismo E. coli. Esta enzima foi utilizada na oxidação do dipeptideo 1 para formar o aldeído intermediário 2. O glutamato obtido como subproduto foi reciclado pela ação da gluatamato oxidase a α-cetoglutamato, obtida por fermentação por Streptomyces lividans6 (Figura 4). A ciclização estereosseletiva para formação do anel de sete membros e a inserção da cadeia lateral ocorreram por ação de enzimas isoladas. No caso do Taxol, duas enzimas isoladas de cepas de espécies de Norcadeoides, C-13 taxolase e C-10 deacetilase são capazes de clivar seletivamente as cadeias laterais. Além da capacidade de hidrolisar éster a enzima C-10 deacetilase intracelular pode catalisar reações de esterifi cação, como no caso da acilação do composto 9 (Baccatatine III; Figura 3), um intermediário na semi- síntese do Taxol 117 (Figura 5).

Figura 4: Método desenvolvido pela Bristol-Meyers Squib para produção do Omapatrilato7.

B M

S: B

ris to

l-M ye

rs S

qu ib

b;

Artigo 4

Revista Processos Químicos Jan / Jul de 2007 48

Figura 5: Método desenvolvido pela Bristol-Meyers Squib para produção do Taxol7.

Figura 6: Uso de bioprocesso na síntese da Fluoxetina8.

Figura 7: Uso de bioprocesso na síntese da Fluoxetina8.

Jan / Jul de 2007 Revista Processos Químicos 49

A Fluoxetina, droga utilizada como antidepressivo, pode ser sintetizada dois procedimentos que são iniciados por processos de bioconversão utilizando a levedura S. Cerevisae (Figuras 6 e 7).8 Dentro destas perspectivas temos vislumbrado o uso de processos biocataliticos para obter derivados de produtos naturais como potenciais fármacos e aplicação em processos industriais.

Uso do Processo Biocatalítico na obtenção de metabólicos ativos da Ivermectina A Ivermectina (IVM) é um produto sintético da hidrogenação da Avermectina B1 , que pertence a uma série de compostos constituídos de um anel macrolídeo condensado a unidades espirocetal e hexaidrobenzofurano, com um dissacarídeo ligado ao carbono 13, produzidas por Streptomyces avermitilis, sendo a primeira mais potente e mais segura como antiparasitário. Elas têm sido utilizadas para este propósito desde 1981, e como pesticida na agricultura desde 1985,9-12 e vem sendo utilizada em seres humanos no tratamento da Oncocerticercose, Estrongiloidíase e Filariose linfática13 (Figura 8). A Ivermectina é comercializada para o tratamento de várias parasitoses humanas, como Oncocerticecose, Filariose linfática, Estrongiloidíase, Ascaridíase e algumas parasitoses cutâneas.14 A Ivermectina e seus metabólitos são excretados quase exclusivamente pelas fezes e menos de 1% da dose administrada é excretada pela urina. Sua meia-vida plasmática no homem é de 12 a 24 horas, e de seus metabólitos é de aproximadamente três dias15. A complexa arquitetura das lactonas macrocíclicas derivadas da Avermectina, o remarcado espectro de bioatividade e o sucesso da IVM como agente antiparasitário, estimularam um intenso interesse científi co em diversos campos, levando ao desenvolvimento de mais de 50 sínteses totais de vários derivados de Avermectinas, o que resultou em compostos com melhor perfi l de atividade biológica, além de possibilitar um acesso sintético a cada sítio da molécula.16,17

Estes estudos evidenciaram que pequenas variações na estrutura destas lactonas levam a pronunciadas mudanças na bioatividade18-20, entretanto, métodos de síntese orgânica aplicados para obtenção de derivados da Ivermectina, por síntese parcial ou total, mostram-se muito complicados e de difícil adaptação para produção em larga escala. Não obstante, vários metabólitos da Ivermectina podem ser obtidos pela ação enzimática, levando à formação de produtos com bom rendimento de maneira regiosseletiva e enantiosseletiva. Assim sendo, a biocatálise pode ser utilizada como uma poderosa ferramenta para gerar derivados, mais potentes e menos tóxicos da Ivermectina, para otimização e determinação da relação estrutura-atividade,21 e adaptação do processo para produção em escala industrial.

Figura 8: Estrutura das Avermectinas.

Artigo 4

Revista Processos Químicos Jan / Jul de 2007 50

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Gilberto L. B. Aquino*1,2,3, Bruna de Oliveira1, Aline C. da Silva2, Lívia F. Braga2, Renata X. Alves4

1Faculdade de Farmácia, Unidade de Ciências Exatas e Tecnológicas, UEG, CP 459, CEP 75001-970, Anápolis, GO, Brasil

2 Faculdade de Farmácia, Unievangélica, CEP 75070-290, Anápolis, GO, Brasil

3 Faculdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange, CEP 75113-630, Anápolis, GO, Brasil

4.Faculdade de Ciências Farmacêuticas, UNESP, CEP 14800-901, Araraquara, SP, Brasil

* E-mail: gilberto.benedito@ueg.br

Jan / Jul de 2007 Revista Processos Químicos 51

Aplicação farmacológica e metodologias de

síntese para o Alcalóide Fenantridínico Quelidonina

Por Guilherme de Oliveira e Carlos de Andrade

A Chelidonium majus é uma planta da família Papavaracea. Seu extrato é utilizado no tratamento de várias doenças. O poder medicinal dessas plantas está associado à presença de uma variedade de alcalóides isoquinolínicos e benzofenantridínicos. Dentre os alcalóides fenantridínicos, a quelidonina tem sido utilizada com sucesso no tratamento de diversos tipos de câncer e, apesar de seu interesse farmacológico, poucas sínteses surgiram para essa molécula. Nesse artigo, fazemos uma breve revisão da literatura sobre a aplicação farmacológica desse alcalóide, assim como de algumas metodologias para sua síntese.

Palavras-chave:chelidonium majus, quelidonina, farmacológica, síntese.

The Chelidonium majus is a plant that belongs to the Papavaracea family. Its extract is used in the treatment of some illnesses. The medicinal uses of these plants are associated with a range of isoquinolines and benzophenanthridines alkaloids. Among phenanthridines alkaloids, the chelidonine has been used successfully in the treatment of differents kinds of cancer and, although its pharmacologic interest, this molecule have only a few syntheses. In this article, a brief revew of literature is made on the pharmacologic application of this alkaloids, as well as of some syntetics methodologies for its synthesis.

Keywords:chelidonium majus, chelidonine, pharmacologic, synthesis.

Artigo 5

Revista Processos Químicos Jan / Jul de 2007 52

Introdução A Chelidonium majus1 é uma planta nativa da Europa e Ásia ocidental.2 Esta é a planta da família Papavaracea atualmente mais estudada. Isso se justifi ca pela variedade de alcalóides isoquinolínicos e benzofenatridínicos que podem ser isolados da mesma, conforme exemplo mostrado na Figura 1.

Estas moléculas apresentam signifi cativa atividade biológica e estão distribuídos de forma heterogênea na planta.3 A disponibilidade desses e outros compostos nessa planta, justifi ca a sua utilização da para fi ns medicinais.4 Comercialmente, essa erva é comercializada sob a forma de extratos,5 obtidos de acordo com os procedimentos descritos em várias farmacopéias européias, sendo utilizados, posteriormente, no tratamento de várias doenças.6 Os chineses foram um dos primeiros povos a fazerem uso desse fi toterápico e, dessa forma, acumularam ao longo do tempo um grande conhecimento a respeito dos constituintes químicos e aplicações farmacológicas da Chelidonium majus.7 Dentre as aplicações farmacológicas, pode-se citar a ação anti-micbrobiana da sanguarina 1b e a atividade anti-câncer da quelidonina 1a.8 Dentre os constituintes

químicos, este último tem sido amplamente estudado. Esta molécula foi isolada pela primeira vez no ano de 1839 e tornou-se o primeiro alcalóide benzofenantridínico a ter sua estrutura elucidada.9 Ambos os enantiômeros,10 assim como a mistura racêmica,11 podem ser obtidos de diferentes plantas da família Papaveracea. Sua estrutura e a confi guração relativa foram deduzidas com base em evidências químicas12, raio-X13 e RMN 1H.14 Em plantas da família Papavaracea, a quelidonina é encontrada principalmente nas raízes (376 mg/100 g).15 Essa molécula apresenta grande interesse farmacológico, em virtude de sua signifi cativa atividade anti-câncer.16 Um exemplo da aplicação tecnológica desse alcalóide é o desenvolvimento do Ulkrain, uma molécula semi-sintética, obtida a partir de três moléculas da quelidonina (Figura 2).

A literatura descreveu o sucesso da aplicação desse composto como uma droga quimioterápica, destacando- se que o diferencial dessa molécula é a sua seletividade tóxica para as células malignas e a ausência de efeito colateral grave.17

Figura 1: Exemplos de alcalóides obtidos a partir de plantas da família Papavaracea.

Figura 2: Estrutura do composto semi-sintético Ulkrain.

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Diante do exposto, apesar do interesse farmacológico da quelidonina, poucos esforços foram direcionados na síntese total desta molécula.

Metodologias sintéticas descritas para a quelidonina A primeira síntese dessa molécula ocorreu em 1971.18 A etapa-chave desta síntese baseou-se na preparação estereosseletiva de sistemas heterocíclicos através do rearranjo térmico de benzociclobuteno (Esquema 1). Neste caso, a preparação da lactama 4 envolveu a formação do intermediário 3 que, por meio de uma reação de cicloadição [4+2] intramolecular, levou à formação desse produto.

Na aplicação desta metodologia na síntese da quelidonina, o composto 6 foi transformado em 7, que segundo os autores envolveria uma reação de Diels-Alder intramolecular entre um intermediário o-quinodimetano e uma ligação tripla (Esquema2). De acordo com os autores, os baixos rendimentos obtidos nas transformações de 5 em 6 e de 7 em 8 inviabilizavam esta rota sintética. Outro aspecto descrito como relevante nesta seqüência de síntese é a ausência de estereosseletividade na conversão de 7 em 8. Este problema foi contornado aplicando uma etapa de cicloadição sob controle conformacional, onde se esperava que o carbamato 11 levasse seletivamente ao estereoisômero cis via uma cicloadição endo, por outro lado a lactama 12 levaria ao produto exo (Esquema 3).

De posse dos resultados acima, Oppolzer et al19 descreveram uma rota sintética cuja etapa central é mostrada abaixo (Esquema4).

Nota-se, nesse caso, que ao invés de uma tripla ligação utilizou-se uma olefi na funcionalizada com oxigênio. Com esta rota, obteve-se a (±) quelidonina com 100% de estereosseletividade. Para potencializar a etapa descrita no Esquema 4, os esforços iniciais direcionaram-se na construção dos intermediários 22 e 28 (Esquemas 5 e 6).

Esquema 1 Esquema 3

Esquema 2

Esquema 4

Artigo 5

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De posse dos intermediários 22 e 28, o estireno 5 foi sintetizado e posteriormente convertido na quelidonina e norquelidonina (Esquema7). Os autores descreveram que o alto controle regioquímico alcançado e a ausência de produtos derivados de um hipotético (Z)-quinodimetano são consistentes com uma reação de cicloadição intramolecular irreversível do intermediário (E)-quinodimetano 30. Acredita-se que uma forte preferência pelo estado de transição A (exo-NO2) sobre o estado de transição B (endo-NO2) seja responsável pelo controle da estereosseletividade (Esquema8). Entretanto, Oppolzer et al.19 descreveram que estes resultados contrastaram com a adição térmica do benzociclobutenilcarbamato 28 com ω-nitroestireno 33, onde a adição bimolecular ocorreu em direção oposta, obtendo-se uma mistura diastereomérica de 34, na proporção de 2:1 (Esquema 9). Depois deste trabalho, poucas publicações surgiram descrevendo a síntese total desta molécula, sendo que estas

Esquema 5

Esquema 6

Esquema 7

Esquema 8

Esquema 9

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sínteses geralmente ocorrem via reações de cicloadição e todas racêmicas. Cushman et al.20 propuseram a segunda síntese total deste alcalóide. A metodologia sintética teve como etapa-chave a condensação do anidrido 35 com a base de Schiff 36,levando-se à isoquinolona 37, que posteriormente foi convertida na quelidonina racêmica (Esquema10).

O anidrido 35 foi obtido por duas vias sintéticas diferentes, a partir do piperonal 39, ambas em sete etapas. A síntese desta molécula está descrita abaixo (Esquema11).

Nesta rota sintética, a condensação do anidrido 35 com a base de Schiff 36 desempenhou o papel de etapa chave na síntese da quelidonina (Esquema12). A baixa estereosseletividade desta etapa restringe parcialmente sua aplicação na síntese, uma vez que a reação de condensação entre 35 e 36 leva à formação de uma mistura diastereomérica de isoquinolonas (67% cis; 33% trans). Outro aspecto a ser considerado é que o diastereômero 37 (cis) é termodinamicamente menos estável, podendo ser interconvertido no isômero trans.

Em 1986, Hanaoka et al. 21descreveram uma nova metodologia de síntese para esta substância (Esquema 13). Nessa rota de síntese, os autores partiram da coptisina 49, como precursor da quelidonina. Assim como a quelidonina, esse alcalóide também é encontrado em plantas da família Papavaracea, sendo usualmente encontrado em concentrações superiores (509 mg/100 g nas folhas; 970 mg/100 g nas raízes) às encontradas para quelidonina, justifi cando, dessa forma, a sua utilização como matéria-prima para a síntese desse último. Paralelamente, deve-se destacar que todas as etapas de síntese, excetuando-se a última, foram obtidas em rendimentos superiores a 90%. Uma aparente limitação dessa síntese estaria associada à etapa de redução de 51, a qual levou a uma mistura de isômeros (80% cis, 15% trans). Entretanto, o tratamento de ambos com ácido sulfúrico, em ácido acético, forneceu 53, que foi então convertido na quelidonina racêmica. Desde então, nenhuma outra síntese foi descrita para esse alcalóide.

Esquema 10

Esquema 11

Esquema 12

Artigo 5

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Conclusões O levantamento feito nessa breve revisão nos permite concluir: (1) a quelidonina, assim como outros alcalóides presentes em plantas da família Papavaracea, surgem como fármacos promissores para o desenvolvimento de medicamentos efi cazes no tratamento de diversas doenças, entre elas o câncer; (2) a utilização de extratos de Chelidonium majus ainda é o método mais efi ciente de acesso à quelidonina, uma vez que as metodologias de síntese descritas para essa molécula, com exceção ao de Hanaoka, são longas e trabalhosas. Todas levam a quelidonina racêmica; (3) uma alternativa para obter um método de síntese mais efi ciente para a quelidonina seria partir de um precursor natural, abundante e com alguma semelhança estrutural com o alcalóide, em um caso análogo ao utilizado por Hanaoka, que partiu da coptisina.

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Esquema 13

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Guilherme R. de Oliveira1,2*, Carlos Kleber Z. de Andrade3

1 Faculdade de Tecnologia SENAI Roberto Mange, CP 355, CEP 75113- 630, Anápolis, GO, Brasil

2 Unidade Universitária de Ciências Exatas e Tecnológicas, UEG, CP 459, CEP 75001-970, Anápolis, GO, Brasil

3 Instituto de Química, UnB, CP 355, CEP 70904-970, Brasília, DF, Brasil

* E-mail: guilherme.senai@sistemafi eg.org.br

Revista Processos Químicos Jan / Jul de 2007 58

A Pertinência do Latino Gás 2007

José Everardo Sobral Ramos

Em janeiro deste ano, após reunião de trabalho em Caracas, os presidentes Hugo Chávez e Luis Inácio Lula da Silva, anunciaram mais um projeto binacional Brasil- Venezuela, desta feita o Gasoduto Del Sur, cujo tramo inicial ligará os campos produtores ao Norte de Caracas, ao Porto do Pecém no litoral brasileiro do Ceará e segundo declarações do presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrieli, os estudos preliminares estarão concluídos até o início de dezembro deste ano. A partir de então, os efeitos sobre a geopolítica da América Latina se fi zeram sentir com maior intensidade, cujos, desdobramentos mais visíveis junto aos mercados brasileiros, foram os seguintes:

► Detentores das maiores reservas de gás natural, conhecidas da Latinoamérica, Venezuela e Bolívia por seus laços históricos, sob a égide das idéias do Libertador Simon Bolívar (1783-1830), em total e completa simetria, com os principais produtores mundiais, começam a cumprir o que lhes cabe para consolidar a OPEG, ou seja, o cartel do gás, lançado pelo Irã na rodada de Doha, no mês de maio último, no Catar, ao lado da Rússia (maior produtor mundial), Irã, Iraque, Argélia, Arábia Saudita, perfazendo um total de 14 países membros. A OPEG, já vem tirando o sono dos países consumidores e o Brasil sentiu na pele os primeiros sintomas de um relacionamento turbulento, com o tradicional vizinho, a Bolívia, debaixo das idéias estatizantes de Chávez e Evo Morales. O Gasoduto Del Sur, coloca em defi nitivo o gás natural, até então uma espécie de “patinho feio”, em relação ao petróleo, na matriz energética de todos os países

da América Latina, sem exceção, em lugar de destaque, impensável há poucos anos atrás, se levarmos em conta por exemplo, que no caso brasileiro começamos a pensar GN, somente a partir de 1974 do século passado, quando das tratativas por parte da BR Distribuidora (subsidiária da Petrobrás), e da Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos, que deu origem ao acordo de Cochabamba, que por sua vez possibilitou a construção do Gasoduto Bolívia-Brasil, que entrou em operações a partir de 1998, com a Bolívia fornecendo ao Brasil 30 milhões de metros cúbicos dia, dos quais só consumimos atualmente 25 milhões, mas, sufi cientes para colocar o gás natural em um patamar de consumo de 9,1% na matriz energética brasileira, esperando a Petrobrás que este percentual possa elevar-se a 12-13% até 2011, quando começarão a entrar em produção os campos promissores da bacia de Santos. Segundo os dados da ABEGÁS, consumimos atualmente entre 45 e 47 milhões de metros cúbicos dia, com o segmento industrial utilizando em seu processo de

Opinião

“O Gasoduto Del Sur, coloca em defi nitivo o gás natural, até então uma espécie de “patinho feio”, em relação ao petróleo, na matriz energética de todos os países da América Latina,”

Jan / Jul de 2007 Revista Processos Químicos 59

produção mais de 30% dessa oferta, vindo em seguida o segmento automotivo que coloca o Brasil ao lado da Argentina, com frotas de veículos leves e utilitários que já ultrapassam a marca de 1,5 milhão, de veículos cada, como as maiores do Planeta.

► O Chile, que tem na produção de cobre, o principal item de sua pauta exportadora, precisa cada vez mais de energia para garantir a sustentabilidade de seu desenvolvimento econômico e social, dependendo fortemente do fornecimento de gás dos campos da Argentina, que por sua vez, precisa também do energético para fazer crescer seu parque industrial. O resultado dessa interface, de tantos interesses é um relacionamento conturbado em meio à desconfi ança entre os dois países.

► O Peru, com grandes reservas na região de Camisea, não vê em seus horizontes, maiores problemas para exploração em parceria com as petroleiras Internacionais e em virtude de seu reduzido mercado, incorporará sem maiores problemas o gás natural à sua matriz energética.

► A Venezuela, detentora de reservas superiores a 4 trilhões de metros cúbicos tem assento garantido e lugar de destaque, nas demárches, iniciadas a partir do encontro de Doha, na consolidação, do cada vez mais presente Cartel do Gás, levando sobre suas costas, a Bolívia de Evo Morales.

► Na América Central e Caribe, só Trinidad e Tobago tem em sua empresa estatal, reservas e capacidade instalada para se inserir com maior densidade no contexto da Latinoamérica, com posição garantida na formação do Cartel.

Convém lembrar que a Venezuela que já integra o poderoso Cartel da OPEP, composto por 11 membros, implanta agressiva política de nacionalização de seus hidrocarbonetos, com a moral e disposição de quem detém as maiores reservas mundiais de óleos pesados, com destaque para o Oremulsion, que prolifera nos campos do Rio Orenoco, na Amazônia Venezuelana, na fronteira com o Brasil. Pelo menos em um horizonte de cinco anos 2010/2011,

não poderemos, para crescer a uma taxa de 5%, como prevê, e deseja a equipe econômica do atual Governo, nos privar do gás boliviano oriundo das regiões de San Izidro e San Martin, nacionalizados desde 1º de maio último, agora de propriedade exclusiva da YPFB, com a orientação e a completa cobertura da poderosa PDVSA, a estatal venezuelana de petróleo e gás. Chávez também adotou o mesmo procedimento de seu colega boliviano. Ao diminuir a participação das petroleiras na exploração, distribuição e refi no, dos derivados de petróleo transformou seus antigos sócios em meros prestadores de serviços. No cenário boliviano, por exemplo, não restou outro caminho à Petrobrás se não vender suas refi narias de Cochabamba e Santa Cruz de La Sierra, ao governo boliviano. De olho no pólo gás químico na região de Corumbá, a Petrobrás não sairá da Bolívia. A partir de agora, a diplomacia comercial brasileira vai ter que ousar todo seu talento e competência, minimizando os traumas que levaram a Petrobrás a entregar à YPFB, o refi no e a distribuição de um mercado consumidor, de 40 mil barris diários, com vistas à implantação do pólo gás químico na fronteira com a Bolívia, com investimentos previstos para 6 bilhões de dólares. A matriz energética brasileira precisa também das hidrelétricas do Rio Madeira em Rondônia, na fronteira com a Bolívia que vão aumentar em mais de 6000 MW a oferta de energia no país, cuja construção vem enfrentando problemas no seio dos ambientalistas, apesar dos insistentes pronunciamentos do presidente Lula, defensor deste mega-projeto. A partir de agora, segundo analistas e estudiosos do setor, as preocupações dos Governos em todos os continentes, principalmente entre os países emergentes,

“De olho no pólo gás químico na região de Corumbá, a Petrobrás não sairá da Bolívia.”

Latino Gás 2007

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terão em caráter permanente, em suas agendas, discussões sobre sustentabilidade e energia, razão pela qual vão se tornar cada vez mais tensas e demoradas as discussões e os relacionamentos, entre países produtores e consumidores. A maior prova disso, foi o que aconteceu recentemente, entre os membros, cerca de 27, que compõem a Comunidade Econômica Européia. A poderosa Gázprom, suspendeu unilateralmente e sem qualquer aviso, o fornecimento de gás aos mais densos e importantes mercados europeus, e durante três ou quatro dias a Europa tremeu. O relacionamento diplomático do Brasil com a Venezuela teve início logo após a guerra do Paraguai, por volta de 1870, com a instalação do Consulado Venezuelano em Belém. Por mais de cento e cinqüenta anos, nos mantivemos distantes da chamada América espanhola. Nossos interesses e nossa visão de uma economia internacionalizada voltaram-se para o Conesul, com o Barão de Mauá no fi nal do reinado de Dom Pedro II, concentrando seus investimentos na bacia do Rio da Prata. Á época Irineu Evangelista de Souza, desempenhava na globalização de nossa economia, com seus portentosos investimentos, mais ou menos o que a Petrobrás, desempenha atualmente, marcando presença em mais de 30 países, à procura de petróleo e gás, no cenário energético Internacional. Debaixo da fi gura e das idéias de Simon Bolívar, as Repúblicas Bolivarianas, Venezuela, Colômbia, Peru, Equador e Chile, aglutinaram-se, formando a Comunidade Andina de Nações. Convém lembrar que a Venezuela, sentada nas maiores reservas de petróleo e gás, é o único país que faz parte da CAN, do Mercosul, e do poderoso Cartel da OPEP, que ajudou a fundar em setembro de 1960, nas magnífi cas instalações do Hotel Tamanáco, na cidade de Caracas. Ao mesmo tempo em que se professa católico apostólico romano, perpetua-se no poder como democrata e se consagra no congresso unicameral de seu país com Lei Habilitante que lhe concede poderes discricionários, o presidente Chávez prepara-se para assumir o socialismo de Fidel Castro, e joga seus elevados cacifes na criação do cartel do gás.

Compreender e interpretar, seus gestos e idéias não é tarefa para amadores, no jogo pesado do comércio internacional. Pelo visto, nossos futuros presidentes e a competente diplomacia, alojada no Palácio do Itamaraty, em Brasília, vai ter que produzir muita saliva, nas futuras conversas e encontros com o Simon Bolívar do novo milênio. Neste contexto, o Latino Gás 2007, que acontecerá em Goiânia em agosto vindouro, e que tem nos presidentes Carlos Maranhão da Goiasgás, Paulo Afonso Ferreira do Sistema FIEG e no Senador Marconi Perillo, presidente da Comissão de Infra-estrutura do Senado Federal, seus principais articuladores, prestará inestimáveis serviços ao incremento no consumo do GNL, que tem em Goiás seu mercado pioneiro na América Latina e que começa a despertar interesse em outros países Latinoamericanos, como alternativa que aos poucos deixa de ser transitória para se tornar cada vez mais defi nitiva.

José Everardo Sobral Ramos Jornalista, especializado em Petróleo e Gás, Coordenador Geral do Latino Gás 2007.

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Inovação Tecnológica no Senai

Joana Darc Silva Borges

A inovação tecnológica é a introdução no mercado de um novo produto ou processo, ou de uma versão melhorada de um produto ou processo existente e, de forma geral, compreende: (1) as atividades internas e externas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), (2) a aquisição externa de P&D e outros conhecimentos externos, (3) o projeto industrial e (4) outras preparações técnicas para a produção e a distribuição. Inovação tecnológica, portanto, pode ser vista como sinônimo de geração de riqueza para uma região, especialmente para seus Arranjos Produtivos Locais (APL) de algum segmento produtivo, e para a sociedade e suas entidades privadas e públicas. As atividades de P&D englobam a pesquisa em ciências básicas e aplicadas visando obter novas aplicações inovadoras, a instalação de novos processos, sistemas e serviços, e ainda a melhora substancial do que já existe ou está instalado, com base no conhecimento disponibilizado através das pesquisas básica e aplicada. O SENAI, com a missão de promover a inovação e a transferência de tecnologias industriais, contribuindo assim para a competitividade da indústria e o desenvolvimento sustentável do Brasil, tem assumido o pensar soluções para demandas socialmente defi nidas de qualifi cação, P&D e inovação tecnológica. Nesse contexto, os projetos de mestrado tornam-se uma importante possibilidade de transferência de tecnologia para os diversos setores produtivos que fazem uso da biotecnologia em seus processos produtivos.

Segundo a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoa de Nível Superior (CAPES), os mestrados profi ssionais devem: (1) expressar associação entre conhecimento fundamental e prática técnico-profi ssional, nas respectivas áreas de concentração; (2) representar a convergência do interesse comum entre os setores acadêmico- tecnológicos e produtivos e (3) ter uma implantação e um desenvolvimento respaldados em esquemas efi cientes de atividade comum do programa de mestrado profi ssional com o setor produtivo. O SENAI é uma instituição privada, criada e administrada pelas indústrias. Surgiu em razão da necessidade da indústria brasileira que, devido à sua expansão, tinha carência de um contingente cada vez maior de mão-de-obra especializada. Atualmente é um dos mais importantes pólos nacionais de geração e difusão

Opinião

“Os projetos de mestrado tornam-se uma importante possibilidade de transferên- cia de tecnologia para os di- versos setores produtivos”

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de conhecimento aplicado ao desenvolvimento industrial. O SENAI apóia as indústrias por meio da formação de recursos humanos e da prestação de serviços como assistência ao setor produtivo, serviços de laboratório, pesquisa aplicada e informação tecnológica. Considerando a abertura econômica, o processo de privatização e de internacionalização de empresas exige, num mundo de intensas e rápidas mudanças tecnológicas, esforços crescentes de capacitação tecnológica, tanto no que diz respeito à realização de atividades de pesquisa e desenvolvimento, quanto à absorção de tecnologia com vistas ao processo de inovação. Observado o contexto econômico do Estado de Goiás, propostas de mestrado profi ssional propõem-se em atuar na formação de recursos humanos altamente qualifi cados, contribuindo assim para a consolidação de áreas estratégicas do conhecimento, fundamentais para o desenvolvimento de Goiás e do Brasil, uma vez que têm correlação direta com os setores produtivos. Outro aspecto relevante é a correlação direta entre mestrados profi ssionais e a contemporaneidade da missão do SENAI.

Podemos destacar os seguintes objetivos macros de tais mestrados: (1) promover o desenvolvimento e a inovação tecnológica para empresas de bases tecnológicas; (2) estimular e promover processos de transferência de tecnologia para as empresas dos setores produtivos; (3) formar recursos humanos altamente competentes numa área da tecnologia industrial; (4) agregar valor monetário aos produtos. Nesse sentido, podem-se formar profi ssionais que, em vez de apenas acumularem experiência, poderão ser aqueles que pensarão a experiência e a elevarão ao status de experiência compreendida; (5) promover o desenvolvimento de novos produtos proprietários de interesse para os setores produtivos.

Joana Darc Silva Borges Coordenadora Técnica do Curso de Tecnologia em Processos Químicos.

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Prezado(a) autor(a),

Para que seu artigo possa entrar em nosso processo de avaliação para possível publicação na revista Processos Químicos, o mesmo deverá satisfazer as seguintes condições:

► Utilizar somente o editor Microsoft Word, numerando todas as páginas;

► Conter no máximo 40 laudas, incluindo Figuras, Tabelas, Esquemas etc;

► Conter Resumo e Abstract, ambos com até 100 palavras;

► Conter Palavras-chave e Keywords, ambos com até 3 palavras;

► Título com no máximo 20 palavras;

► Titulação do autor (créditos). Dados pessoais do autor: endereço, telefone, e-mail;

► As fi guras, tabelas, esquemas etc devem ser colocadas após as referências e devidamente identifi cadas. Se escaneadas, devem ser em alta resolução (800 dpi/ bitmap para traços) com extensão TIF ou JPEG. As fotos ou desenhos com cor (300 dpi/grayscale) devem ser enviadas com extensão tif/jpg, para não termos problemas ao aplicá-las no padrão da Revista. Outras extensões possíveis: cdr, eps, cdx ou opj. No caso particular de esquemas contendo estruturas químicas, estas deverão ter sempre a mesma dimensão, para que possam ser reduzidas uniformemente. Considerar que as fi guras deverão ter largura máxima de uma coluna (8,5 cm) ou, excepcionalmente, de 2 colunas (17,5 cm).

Instruções para envio de artigos para a revista

Processos Químicos

Normas

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► As fi guras (gráfi cos, esquemas, etc.) deverão ter qualidade gráfi ca adequada (usar somente fundo branco).

► A primeira página deverá conter o título do trabalho, nome e endereço dos autores (para a revista, a menor unidade é o departamento). Havendo autores com diferentes endereços estes deverão se seguir imediatamente ao nome de cada autor. Os autores devem ser agrupados por endereço. Indicar com asterisco(*) o autor para correspondência, colocando seu e-mail no rodapé desta página (um só e-mail). A segunda página deverá conter o título, o resumo e o abstract do trabalho;

► As referências bibliográfi cas deverão ser numeradas e todas citadas no fi nal do artigo. Será utilizada a abreviatura da revista como defi nida no Chemical Abstracts Service Source Index (ver http://www.cas.org/sent.html). Caso a abreviatura autorizada de uma determinada revista não puder ser localizada e não for óbvio como o título deve ser abreviado, deve-se citar o título completo. Exemplos de citações: 1. Varma, R. S.; Singh, A. P.; J. Indian Chem. Soc.1990, 67, 518. 2. Provstyanoi, M. V.; Logachev, E. V.; Kochergin, P. M.; Beilis, Y. I.; Izv. Vyssh. Uchebn. Zadev.; Khim. Khim. Tekhnol.1976, 19, 708. 3. Lemos, T. L. G.; Andrade, C. H. S.; Guimarães, A. M.; Wolter-Filho, W.; Braz- Filho, R.; J. Braz. Chem. Soc.1996, 7, 123; 4. Ângelo, A. C. D.; de Souza, A.; Morgon, N. H.; Sambrano, J. R.; Quim. Nova2001, 24, 473. 5. Regitz, M. Em Multiple Bonds and Low Coordination in Phosphorus Chemistry; Regitz, M.; Scherer, O. J., eds.; Georg Thieme Verlag: Stuttgart, 1990, cap. 2. 6. Cotton, F.A.: Wilkinson, G.; Advanced Inorganic Chemistry, 5th ed., Wiley: New York, 1988.

► Espaço duplo entre linhas;

► Fonte: Times New Roman 10;

► Enviar uma cópia do artigo, acompanhada de carta de encaminhamento à Editoria da revista Processos Químicos, para o seguinte endereço eletrônico: revistapq.senai@sistemafi eg.org.br;

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LEGAL A REVISTA O/
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