Sequencia Drifte da Bacia de Santos, Notas de estudo de Cultura
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Sequencia Drifte da Bacia de Santos, Notas de estudo de Cultura

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O objetivo deste trabalho é descrever os tipos de ambientes formados em cada Sequência Drift da Bacia de Santos, como também suas características de profundidade, origem e espessura de sedimentos, tipos de matéria orgânica, períodos de transgressão e regressão marinhas, entre outros fatores importantes para a formação desses ambientes.
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1

UNIMONTE CENTRO UNIVERSITÁRIO MONTE SERRAT

Autores:

CÁPRIO, LEANDRO

DANTAS, THIAGO

SILVA, CRISTIANO

SOARES, PAULO

VALENTINO, FERNANDO

SEQUÊNCIA DRIFT DA BACIA DE SANTOS

Santos

2009

2

Autores:

CÁPRIO, LEANDRO

DANTAS, THIAGO

SILVA, CRISTIANO

SOARES, PAULO

VALENTINO, FERNANDO

SEQUÊNCIA DRIFT DA BACIA DE SANTOS

Trabalho de Conclusão de Ciclo apresentado

ao Centro Universitário Monte Serrat

como exigência parcial para a obtenção

do Título de Tecnólogo em Petróleo e Gás.

Orientadora: Professora Maria Fernanda Palanch Hans

Santos

2009

3

Autores:

CÁPRIO, LEANDRO

DANTAS, THIAGO

SILVA, CRISTIANO

SOARES, PAULO

VALENTINO, FERNANDO

SEQUÊNCIA DRIFT DA BACIA DE SANTOS

Trabalho de Conclusão de Ciclo apresentado ao

Centro Universitário Monte Serrat como exigência

parcial para a obtenção do Título de Tecnólogo

em Petróleo e Gás.

Orientador: Professora ,Maria Fernanda Palanch

BANCA EXAMINADORA:

_______________________________________________________________

Nome do examinador:

Titulação:

Instituição:

_______________________________________________________________

Nome do examinador:

Titulação:

Instituição:

Local: Centro Universitário Monte Serrat – UNIMONTE

Data da aprovação: __/__/2009

Santos

2009

4

RESUMO

A bacia de Santos situa-se na região sudeste da margem continental brasileira

abrange os litorais dos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina,

limitando ao norte com a Bacia de Pelotas e teve sua formação iniciada no Neocomiano.

A fase drift (ou de margem passiva) é muito importante para o entendimento do sistema

petrolífero devido a este ter se formado quase que inteiramente nesse período e também

visa a compreensão do sistema da bacia em si. Realizou-se uma pesquisa a respeito

dessa fase em particular, pois a bacia se tornou um modelo de bacia de grande potencial

gerador. Para verificar os resultados, optou-se pela revisão bibliográfica através de

publicações da área de prospecção, geologia e de interesse econômico. Os resultados

mostraram a evolução tectono-sedimentar da fase drift da bacia, suas seqüências,

períodos de regressão e transgressão e suas formações.

Palavras-chaves: Drift, Bacia de Santos, Sistema Petrolífero.

ABSTRACT

The Santos Basin is located in the southeastern Brazilian continental margin; it

includes the coastal states of Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná and Santa Catarina,

bordering the north by the Pelotas Basin which started its formation in the Neocomian.

The drift phase (or passive margin) is very important to understand the petroleum

system because it formed almost entirely during this period and it also aims at an

understanding of the basin itself. A survey was carried out on this particular stage

because the basin has become a model of great potential generation. To verify the

results, literature from publications in the area of prospecting, geological and economic

interest was chosen. The results showed the tectonic-sedimentary evolution of the drift

phase of the basin, its sequences, periods of regression and transgression and their

formations.

Keywords: Drift, Santos Basin, Petroleum System.

5

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 7

2 ORIGEM ................................................................................................................................... 7

3 DEPÓSITOS ........................................................................................................................... 11

3.1 SEQUÊNCIAS .............................................................................................................. 15

4. RELAÇÃO COM O PETRÓLEO ....................................................................................... 20

4.1 Rochas geradoras da formação Itajaí-Açu ................................................................. 22

4.2 Reservatórios ................................................................................................................. 23

4.2.1 Rochas Carbonáticas da Formação Guarujá ..................................................... 23

4.3 Selos e Trapas ................................................................................................................ 24

4.3.1 Maturidade Termal ................................................................................................ 24

4.3.2 Migração e Acumulação ........................................................................................ 25

4.3.3 Modelos de Acumulações de Hidrocarbonetos na Bacia de Santos ................... 25

CONCLUSÃO ........................................................................................................................... 26

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA ELETRÔNICA ............................................................. 27

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA IMPRESSA ................................................................... 27

6

LISTA DE FIGURAS

Figura 01 - Rift com inicio de abertura continental . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 09

Figura 02 - Principais Campos de HC da Bacia de Santos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11

Figura 03 – Carta Estratigráfica da Bacia de Santos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14

Figura 04 – Seção Geológica da Bacia de Santos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24

7

1 INTRODUÇÃO

A bacia de Santos teve inicio com o rompimento do continente Gowdana, há

142 Ma. Neste período foi iniciado um rift que, em seguida, evoluiu para um mar

restrito e posteriormente, com o afastamento das placas, formou o Oceano Atlântico. A

Bacia de Santos, desde o rift, passou por diversas transformações, e mudanças tanto em

sua estrutura quanto em sua sedimentação, desde períodos lacustres, passando por mar

restrito até chegar a oceano. A bacia faz limite com outras 2 bacias, ao norte a Bacia de

Campos (Offshore) e ao Sul a Bacia de Pelotas (Offshore).

O objetivo deste trabalho é descrever os tipos de ambientes formados em cada

Sequência Drift da Bacia de Santos, como também suas características de profundidade,

origem e espessura de sedimentos, tipos de matéria orgânica, períodos de transgressão e

regressão marinhas, entre outros fatores importantes para a formação desses ambientes.

Entender o processo gerador de petróleo em ambientes da plataforma continental, em

águas rasas e profundas, além de associá-los às áreas de ocorrência dos fenômenos

naturais, sua hidrodinâmica e sedimentação, relacionando os tipos de depósitos com os

ambientes. O objetivo é compreender melhor os sedimentos, suas características

favoráveis a formação de rochas geradoras de petróleo, bem como aqueles que não

influenciam diretamente em sua geração, mas colaboram para a formação de rochas

geradoras, reservatórios, selantes e respectivas armadilhas e suas estruturas.

2 ORIGEM

A Bacia de Santos teve sua formação iniciada no Neocomiano, desenvolvendo-

se a partir de uma bacia em rift, com intenso magmatismo basáltico associado, com

deposição, logo acima, fluvial e lacustre. Existem grandes extensões de basaltos

continentais Eocretácios, desde o sul da bacia (plataforma de Florianópolis) até o norte

(região do Cabo Frio). Em seguida, acima das extensões basálticas, temos uma

formação discordante siliciclástica, do Barremiano e Aptiano. E, então, na seqüência,

durante a fase transicional, temos a ampla deposição dos evaporitos, durante o Aptiano.

8

Ao Norte, a deposição do Terciário Inferior, é caracterizada pela presença de

progradações deltáicas associadas à sequências turbidíticas (ASSINE, CORRÊA &

CHANG, 2008; CHANG et al, 2008).

Figura 01 - Rift com inicio de abertura continental

Fonte : http://www.ibp.org.br

Durante o período compreendido como Jurássico Superior - Cretácio Inferior

houve a quebra do paleocontinente Gondwana, com a consequente, posterior, separação

das placas que hoje são conhecidas como Africana e Sul-Americana. O evento da

separação da Gondwana possibilitou a formação do Oceano Atlântico Sul durante o

Cretácio, após a formação do Oceano Atlântico Norte originário do rifteamento ocorrido

no Triássico e no Jurássico. Os diferentes ângulos de rotação / de movimento da deriva

continental, nas regiões compreendidas hoje como Brasil e Àfrica, apresentaram regiões

de maior resistência durante a ruptura da Gondwana. Esses movimentos, de deriva

continental, foram possíveis por intermédio de eventos divergentes e transformantes.

Especificamente, a região da bacia de Santos encontra-se na região do Atlântico Sul

(ASSINE, CORRÊA & CHANG, op cit; CHANG et al, op cit; MOHRIAK, 2003).

A fase rift - drift da Bacia de Santos é marcada por extravasamento de basalto,

em larga escala, formando o seu assoalho. Nessa região temos sedimentação lacustre

siliciclástica grossa avermelhada, com fragmentação basáltica do Neocomiano -

9

Eoaptiano, incluindo, ainda, depósitos de coquinas provenientes de carapaças de

Palecípodes. Essas seqüências são cobertas por depósitos evaporíticos do Aptiano,

formados por intercalações de halita e anidrita. Além disso, a movimentação salina, a

partir do Albiano, definiu a tectônica sedimentar do paleoambiente, gerando novas

formações salinas, em águas profundas, que alcançam quilômetros de altura. Essa

sedimentação evaporítica possui forma relativamente plana, sem grandes irregularidades

e, com a ruptura do Gondwana, aconteceu uma delineação, originando uma bacia

possuidora de uma fisiografia em forma de rampa (ASSINE, CORRÊA & CHANG,

2008; CHANG et al, 2008).

Figura 02 - Principais Campos de HC da Bacia de Santos

Fonte: http://www.blogspetrobras.com.br

O aporte sedimentar da Bacia de Santos, durante a fase de soterramento, é

representado por arenitos avermelhados, carbonatos e folhelhos negros / cinzas. Durante

o Cenozóico, temos sedimentação siliciclástica avançando sobre o sistema pelítico logo

abaixo. Durante o Cenomaniano - Eoturoniano, predominam os folhelhos marinhos

transgressivos. Durante o Neoturoniana - Eosantoniano, predominam os folhelhos

marinhos associados aos arenitos turbidíticos. Durante o Neosantoniano -

Maastrichitiano predominam os pelitos associados aos arenitos (CHANG et al, op cit).

10

Os pacotes sedimentares, da Bacia de Santos, estão diretamente associados a

três seqüências principais de deposição: a continental, a transicional e a marinha. A

seqüência continental é produto da fase rift, do Neocomiano - Barremiano, do Cretáceo

Inferior. A seqüência transicional é resultante do Aptiano - Eoptiano, do Cretáceo

Médio. A seqüência drift pertence ao Albiano - Maastrichtiano - Campaniano associado

ao sistema regressivo marinho do Maastrichtiano - Campaniano - Plioceno - Paleoceno -

Terciário. Dessa forma, além da citada camada de evaporitos, a parte mais superior da

Bacia de Santos é composta por folhelhos e calcilutitos, especialmente em regiões que

hoje são caracterizadas por águas profundas. Atente para o fato de que houve uma

grande sobrecarga, de aporte sedimentar, entre o Cretácio Médio - Superior. Assim, a

mega-sequência transicional da bacia de Santos é caracterizada pela deposição de

evaporitos Aptianos, depositados acima da discordância siliciclástica, em um ambiente

caracterizado como marinho restrito, registrando-se, ainda, a presença de carbonatos

(ASSINE, CORRÊA & CHANG, op cit; CHANG et al, op cit).

No que se refere à fase drift da Bacia de Santos, é válido citar que foi uma fase

muito importante, visto que, durante a tal fase, formou-se praticamente todo o sistema

petrolífero presente na Bacia de Santos. Assim, podemos especificar que, a transgressão

marinha, ocorrida na Bacia de Santos, durante o Cenomaniano – Turoniano, originou a

rocha geradora composta por folhelhos; então, a regressão marinha, ocorrida a seguir,

na Bacia de Santos, durante o Senoniano, originou a deposição dos arenitos da

plataforma; assim, na seqüência, durante o Cretácio, os arenitos turbidíticos presentes na

Bacia de Santos, formam a rocha reservatório; dessa forma, uma nova transgressão

marinha origina, durante o Terciário, calcilutitos, margas e folhelhos, os quais,

juntamente dos evaporitos, formam as rochas capeadoras (MIO, CHANG & CORRÊA,

2005).

11

3 DEPÓSITOS

A litoestratigrafia da Bacia de Santos foi inicialmente estabelecida com um

excelente arcabouço crono-estratigráfico em termos de sequências deposicionais.

O embasamento cristalino da Bacia de Santos aflorante na região de São Paulo

é caracterizado por granitos e gnaisses de idade pré-cambriana definido pelos basaltos

da Formação Camboriú, que cobrem discordantemente o embasamento pré-cambriano.

Uma importante feição do embasamento da bacia é a charneira cretácica ou charneira de

Santos que limita os mergulhos suaves do embasamento a oeste, dos mais acentuados a

leste. A sedimentação cretácica ocorre somente costa afora dessa feição. O limite da

crosta oceânica com a crosta continental estirada ocorre imediatamente a leste da feição

fisiográfica denominada de platô de São Paulo.

O registro sedimentar da fase rifte na Bacia de Santos, a exemplo da Bacia de

Campos, inicia-se no Hauteriviano (rio da Serra e Aratu) e prolonga-se ao início do

Aptiano (Jiquiá), sendo subdividido em três sequências deposicionais.

12

Figura 03 – Carta Estratigráfica da Bacia de Santos

Fonte : http://www.cprm.gov.br

13

A primeira seqüência rift é composta por derrames basálticos eocretáceos

sotopostos ao preenchimento sedimentar de praticamente toda a Bacia de Santos. Trata-

se de basalto cinza-escuro, holocristalinos, de granulação média, com textura ofítica

(diabásio) tendo por constituintes principais o plagioclásio e o piroxênio (augita),

comumente pouco alterados.

A segunda seqüência rift é informalmente conhecida como seqüência talco-

estevensita na Bacia de Campos. Seu limite inferior é a discordância no topo dos

basaltos da primeira seqüência e o limite superior a discordância da terceira seqüência.

Litologicamente é composta por leques aluviais de conglomerados e arenitos

polimíticos constituídos de fragmentos de basalto, quartzo, feldspato, nas porções

proximais, e por arenitos, siltitos e folhelhos de composição talco-estevensítica nas

porções lacustres.

A terceira seqüência rift é informalmente denominada seqüência das coquinas

na Bacia de Campos, cujos sedimentos depositaram-se desde o Neobarremiano ao

Eoptiano.

Seu limite inferior é a discordância Intrabarremiano de 126,4 Ma e o limite

superior é a discordância da base do Alagoas na Bacia de Campos. É caracterizada por

apresentar intercalações de calcirruditos e folhelhos escuros. Nas porções mais distais

ocorrem folhelhos escuros, ricos em matéria orgânica.

O registro sedimentar da fase pós-rift da Bacia de Santos também está dividido

em três sequências.

A primeira seqüência pós-rift tem seu limite inferior dado pela discordância

conhecida como pré-alagoas na Bacia de Campos. Seu limite superior é dado pela

discordância de 117 Ma, onde derrames de composição basáltica datados pelo método

Ar/Ar em 117 Ma são síncronos a esta seqüência.

Seu ambiente deposicional é marcado por um ambiente transicional, entre

continental e marinho raso, bastante estressante, com a deposição de calcários

microbiais, estromatólitos e laminitos nas porções proximais e folhelhos nas porções

distais. Ocorrem também grainstone e packstones compostos por fragmentos dos

estromatólitos e bioclástos (ostracodes) associados.

A segunda seqüência pós-rift tem seu limite inferior dado pela discordância de

117 Ma, que corresponde a um refletor sísmico de forte impedância acústica positiva de

caráter regional. O limite superior é à base dos evaporitos de 113 Ma que marca a

passagem da seqüência sedimentar clástica/carbonática para um ambiente evaporítico.

14

É caracteriza pela ocorrência de calcários estromatolíticos e laminitos

microbiais, localmente dolomitizados.

O ambiente deposicional desta seqüência é semelhante ao da seqüência anterior

(ambiente transicional, entre continental e marinho raso bastante estressante).

A terceira seqüência pós-rift corresponde aos evaporitos da Formação Ariri,

que se depositaram no Neoptiano. Diferente das cartas anteriores, o tempo estimado de

deposição para os evaporitos é de 0,7 a 1 Ma, permanecendo, ainda, imprecisa a taxa de

acumulação devido à alta mobilidade da halita.

Seu limite inferior é dado pelo contato com os carbonatos da segunda

seqüência pós-rift (113 Ma), enquanto seu limite superior é dado pela passagem entre os

evaporitos e os sedimentos siliciclásticos/carbonáticos das formações Florianópolis e

Guarujá.

O registro sedimentar da fase drift da Bacia de Santos é composto por três

sequências deposicionais de 3ª ordem perfazendo uma duração total de 8,9 Ma.

Ocorrem três importantes folhelhos radioativos que representam três grandes períodos

de inundações marinhas desde o Albiano inferior até a porção basal do Albiano

superior. Esta seqüência é composta pela parte inferior da Formação Florianópolis,

corresponde às fácies proximais e está constituída por conglomerados, arenitos e

folhelhos associado a sistemas de leques aluviais e deltaicos.

A Formação Guarujá é caracterizada pela implantação de uma plataforma

carbonática ao longo do Albiano que fisiograficamente divide-se este ambiente em

plataforma interna, onde são encontrados folhelhos e calcilutitos de um sistema lagunar,

calcirruditos e calcarenitos oolíticos e/ou oncolíticos pertencentes ao banco raso em

borda de plataforma, e ambiente de plataforma externa onde há ocorrência de

calcilutitos e margas gradando ou interdigitando a folhelhos escuros nas porções

bacinais com ocorrência de intervalos potenciais geradores desde a seção basal da

seqüência e a porção basal da Formação Itanhaém. Seu limite inferior é o topo das

anidritas da Formação Ariri e o seu limite superior é marcado pela entrada dos primeiros

sedimentos arenosos da Formação Itanhaém, acima do marco estratigráfico folhelho

radioativo denominado Beta.

Seguindo o registro sedimentar da fase drift da Bacia de Santos temos mais 18

sequências que foram nomeadas e especificadas resumidamente abaixo.

15

3.1 SEQUÊNCIAS

SEQUÊNCIA K70

O limite inferior desta seqüência é dado pelo Marco Beta nas porções distais

e, nas porções proximais, é limitada pela discordância do topo dos sedimentos

carbonáticos e seu limite superior é marcado por uma discordância que coincide com a

passagem do Cretáceo inferior para o Cretáceo superior. Esta seqüência engloba o andar

Albiano superior. Esta seqüência apresenta um padrão retrogradante e seus depósitos

são resposta a uma progressiva subida relativa do nível do mar com afogamento da

plataforma rasa pelos sedimentos pelágicos.

SEQUÊNCIA K82-K86

Esta seqüência tem como limite inferior a discordância que marca a passagem

do Cretáceo inferior para o Cretáceo superior e seu limite superior é caracterizado pela

discordância de 91,2 Ma (Intraturoniana). Esta seqüência apresenta um padrão

retrogradante e seus depósitos marcam a maior ingressão marinha do registro

sedimentar (evento anóxico Turoniano). Essa unidade foi depositada em ambiente batial

superior, com registro de anóxias episódicas, representadas por folhelhos escuros

laminados.

O Marco Radioativo Turoniano corresponde à base do evento anóxico de

caráter global e está associada à presença de folhelhos radioativos.

SEQUÊNCIA K88

Esta seqüência, depositada ao longo de 5,4 Ma, possui como limite inferior a

discordância Intraturoniana e como limite superior a discordância Santoniana de 85,8

Ma. Sua formação ocorre sob a forma de sedimentos arenosos folhelhos, siltitos e

argilitos depositados desde os ambientes continentais até as porções mais distais da

plataforma.

16

SEQUÊNCIA K90

Corresponde aos sedimentos siliciclásticos, dos andares Santoniano a

Campaniano inferior. Esta seqüência possui como limite inferior a discordância de 85,8

Ma e como limite superior a discordância de 79,2 Ma.

O evento erosivo de 85,8 Ma é o de maior intensidade na Bacia de Santos e

acredita-se que o limite da bacia tenha se deslocado para a região a oeste da Charneira

cretácica, evidenciado por onlap das sequências Campanianas e Maastrichtianas sobre

estas discordâncias. Este vulcanismo Santoniano está associado ao aumento da taxa de

subsidência na bacia e a outras feições vulcânicas e tectônicas presentes no continente

(Elevação do Rio Grande e a Zona de deformação Cruzeiro do Sul) com o surgimento

da Serra do Mar.

SEQUÊNCIA K100

Possui como limite inferior as discordâncias de 79,2 Ma e como limite superior

a discordância de 76,8 Ma. Esta seqüência apresenta um padrão regressivo englobando

os conglomerados continentais da Formação Santos, que se interdigitam com os arenitos

plataformais os costeiros e que passa gradualmente a sedimentos pelíticos, siltitos e

folhelhos, além de diamictitos e margas, depositados nas regiões de plataforma distal,

talude e bacia.

SEQUÊNCIA K110

Possui como limite inferior a discordância de 76,8 Ma e com limite superior a

discordância de 72 Ma. Assim como a seqüência anterior apresenta um padrão

regressivo deslocando a quebra da plataforma cerca de 100 km costa afora, ocorrem,

ainda, arenitos resultantes de fluxos turbidíticos densos fortemente canalizados e

relacionados a importantes escavações no talude e plataforma.

17

SEQUÊNCIA K120

Possui como limite inferior a discordância Neo-Campaniana de 72 Ma e como

limite superior a discordância de 68,8 Ma.

Continuando a tendência regressiva das supersequências anteriores, esta

seqüência mostra o avanço da quebra de plataforma caracterizada ainda pela presença

de expressivas escavações nas regiões de plataforma e talude (cânions) que serviram de

conduto para a passagem de grande quantidade de areia para as regiões mais profundas

da bacia onde há depósitos conglomeráticos ricos em material carbonático. Nas regiões

mais distais, se depositaram as areias confinadas nestes cânions ou como leques após o

desconfinamento do fluxo gravitacional turbidítico.

SEQUÊNCIA K130

Compreende os sedimentos siliciclásticos do andar Maastrichtiano. Possui

como limite inferior a discordância de 68,8 Ma e como limite superior o limite

Cretáceo-Paleógeno. O padrão regressivo também é característico desta supersequência

e, nesta unidade, a linha de costa apresenta seu máximo deslocamento durante o

Cretáceo, se posicionando cerca de 200 km costa afora.

SEQUÊNCIA E10

Engloba os sedimentos depositados durante a série Paleoceno (andares

Daniano e parte do Selandiano). Tem como limite inferior a discordância da passagem

do paleoceno para o Cretáceo e como limite superior a discordância do Eoceno inferior

(60,2 Ma), que pode ser relacionada a um importante rebaixamento relativo do nível do

mar.

SEQUÊNCIA E20

Tem como limite inferior a discordância de 60,2 Ma no Paleoceno superior e

como limite superior a discordância do Eoceno inferior de 54 Ma. Estudos baseados em

18

traço de fissão em apatitas apontam soerguimentos das Serras do Mar e Mantiqueira a

cerca de 60 Ma, coincidente com a discordância que limita esta seqüência.

SEQUÊNCIA E30-40

Compreende os sedimentos depositados entre o final do Eoceno inferior e o

Eoceno médio. Tem como limite inferior a discordância do Eoceno inferior (54 Ma) e

como limite superior a discordância do Eoceno médio, de 45 Ma. Esta seqüência

corresponde a um sistema progradante com desenvolvimento expressivo das

clinoformas de talude e o avanço da quebra da plataforma.

Durante a deposição desta seqüência um significativo vulcanismo extrusivo de

caráter basáltico-alcalino ocorre na bacia, permitindo o reconhecimento de cones

vulcânicos e derrames submarinos. Considera-se, ainda a existência de uma associação

entre aumento da população de radiolários e os eventos vulcânicos.

Ocorrem também corpos vulcânicos intrusivos sob a forma de soleiras de

diabásio, que sismicamente apresentam uma forma de “vitória-régia”.

SEQUÊNCIA E50

Compreende os sedimentos do Eoceno médio (parte superior). Tem como

limite inferior a discordância interna ao Eoceno médio de 45 Ma e o limite superior é a

discordância do Eoceno superior de 40,4 Ma.

SEQUÊNCIA E 60

Correspondem os sedimentos da parte superior do Eoceno Médio (Bartoniano)

e o Eoceno superior (andar Priaboniano). Possui como limite inferior a discordância de

40,4 Ma e como limite superior em torno de 33,9 Ma.

Esta seqüência contempla o final de uma série de pacotes progradacionais, que

passa a agradacional no final dessa seqüência e que deslocaram a quebra da plataforma

19

continental para dezenas de quilômetros além da quebra atual, representando a maior

queda na variação relativa do nível do mar durante o Paleógeno.

SEQUÊNCIA E70

Corresponde aos sedimentos do Oligoceno Inferior, andar Rupeliano. Possui

como limite inferior a discordância de 33,9 Ma e como limite superior a discordância de

28,6 Ma.

Esta seqüência encontra-se melhor preservada na porção sudeste da bacia. A

seqüência tem pouca espessura na plataforma externa e talude, mas aumenta bastante de

espessura na região de bacia. Possui um caráter progradante após uma grande elevação

relativa do nível do mar, que propiciou um expressivo recuo da borda da plataforma em

relação à seqüência anterior.

SEQUÊNCIA E80

Corresponde aos sedimentos da porção superior do Oligoceno (andar Chatiano)

e Mioceno Inferior (Aquitaniano). Possui como limite inferior a discordância de 28,6

Ma e como limite superior em torno de 20,4 Ma.

SEQUÊNCIA N10-N30

Corresponde aos sedimentos da porção superiores do Mioceno Inferior

(Burdigaliano) e médios (Serravaliano). Possui como limite inferior a discordância de

20,4 Ma e como limite superior em torno de 11 Ma, que corresponde a uma importante

discordância que representa uma queda eustática global, conhecida informalmente na

Bacia de Campos como Marco Cinza, facilmente reconhecível em linhas sísmicas.

Esta seqüência representa a maior variação relativa do nível do mar desde o

Mioceno até o recente responsável pela deposição de um grande volume de sedimentos

nas poções costeira e interior da placa sul-americana.

20

SEQUÊNCIA N40

Englobam os sedimentos do Mioceno superior, andares Tortoniano e

Messiniano, e parte inferior do Pleoceno, andar Zancleano. Possui como limite inferior

a discordância de 11 Ma, que é relacionada à queda eustática global e como limite

superior a discordância em 4,2 Ma. É possível correlacionar os eventos de erosão no

Mioceno, com a formação da “Capa de Gelo do Leste da Antártica” (11 Ma) e do início

das glaciações Plio-pleistocênicas (aproximadamente 5,8 Ma).

SEQUÊNCIA N50-N60

Corresponde aos sedimentos do Pleistoceno e Plioceno, englobando os andares

Gelasiano, Piacenziano e a parte superior do Zacleano. Possui como limite inferior a

discordância de 4,2 Ma do Plioceno Inferior e como limite superior são os sedimentos

atuais do fundo marinho.

Uma importante discordância de cerca de 1,6 Ma (limite inferior do

Pleistoceno) está relacionada à queda eustática global. Porém, a cunha progradante que

estabelece a posição atual da borda da plataforma já estava formada desde o Plioceno.

4. RELAÇÃO COM O PETRÓLEO

Segundo análise do potencial do sistema petrolífero da Bacia de Santos, foram

identificados dois sistemas petrolíferos, são eles: Guaratíba – Guarujá e Itajaí – Acú –

Ilhabela, cujas rochas geradoras apresentam características de deposição em ambientes

lacustres e marinhos, respectivamente. Sendo a formação Guaratiba considerada sua

principal fonte geradora de hidrocarbonetos, e a formação Itajaí- Açú, como a mais bem

estudada, devido à passagem de praticamente todos os poços exploratórios por esse

sistema.

Neste trabalho daremos ênfase ao sistema petrolífero Itajaí – Açú, pois este se

encontra na seqüência Drift da Bacia de Santos.

21

Figura 04 – Seção Geológica da Bacia de Santos

Fonte: http://www.anp.gov.br

Em 1980, a Pecten, fez a primeira descoberta na Bacia de Santos, em arenitos

turbidíticos da Formação Itajaí- Açu (Pereira & Macedo 1990, Pereira 1994), no campo

de Merluza. Após a criação da Lei do petróleo em 1997 a Bacia de Santos voltou a

receber atenção exploratória por parte da Petrobras e outras empresas nacionais e

estrangeiras, novas descobertas foram realizadas, como os campos de Tubarão, Coral,

Estrela do Mar e Caravela em reservatórios carbonáticos albianos no sul da Bacia, a

partir da década de 80, aumentaram as expectativas de esta ser uma grande bacia

petrolífera, o que se confirmou nos últimos anos, com as descobertas de Mexilhão, Tupi

e Júpiter (estes já na porção superior da seção rift, logo após a espessa camada de

evaporítos).

As análises sismo-estratigráficas para interpretação de sistemas deposicionais,

com ênfase à exploração de petróleo, foram feitas por Brown ET al. (1975) apud

Gonçalves ET al. (1979). Essa análise foi complementada por técnicos da Petrobras,

com a integração de dados geofísicos e geoquímicos para um modelo geológico da

plataforma sul, visando objetivos favoráveis à prospecção de hidrocarbonetos.

A halocinese foi o principal agente causador das estruturas adiastróficas que

modelaram a seção pós-rift da Bacia de Santos. Essas estruturas apresentam importante

influência nas acumulações de petróleo, especialmente com relação à migração e à

geração de trapas (Pereira & Macedo 1990, Demercian & Szatmari 1993, Szatmari ET

al. 1994, Demercian 1996 e Ge ET al. 1996).

22

Pereira & Macedo (1990) apontaram como os principais plays petrolíferos as

acumulações descobertas em calcarenitos oolíticos da Formação Guarujá e em arenitos

turbidíticos do Membro Ilhabela. Também indicaram como plays os arenitos

costeiros/marinhos rasos da porção inferior da Formação Juréia, sobre almofadas de sal;

os arenitos continentais/marinhos da porção superior da Formação Juréia, em ápice de

domos; os arenitos turbidíticos da porção médioinferior da Formação Santos (águas

profundas); e os arenitos turbidíticos terciários da Formação Marambaia (águas

profundas).

Através de um projeto intitulado ¨ Interpretação e Mapeamento dos Sistemas

Petrolíferos da Bacia de Santos” (convênio UNESP-ANP 2002), foi possível fazer a

interpretação sísmica de 11 horizontes que constituem o arcabouço geológico-estrutural

da bacia; A análise estratigráfica de 145 poços por meio de seções-geológicas que

permitiram a subdivisão vertical da bacia em 14 seqüências deposicionais separadas por

discordâncias regionais; O processamento e a interpretação de dados magnetométricos e

gravimétricos que nortearam a construção do arcabouço estrutural do embasamento da

bacia; e as análises geoquímicas de óleos provindos dos campos de produção, que

auxiliaram na interpretação da origem da rocha geradora e nas modelagens geoquímicas

de maturidade, geração e expulsão de hidrocarbonetos.

Através da integração de tais informações, geofísicas, geoquímicas e

geológicas, aliadas a ferramentas de processamento, permitiu-se a obtenção de dados

sobre a época de geração e expulsão de hidrocarbonetos, bem como a definição dos

principais modelos de acumulações responsáveis por reservas da ordem de 120 Mbbl,

na seção pós-rift, e da ordem de seis a oito Bbbl, na seção rift.

Após a sedimentação evaporítica instala-se um sistema deposicional misto, com

acumulação de siliciclásticos na borda (Formação Florianópolis) e de carbonatos na

porção mais distal (Formação Guarujá).

4.1 Rochas geradoras da formação Itajaí-Açu

Composta por Folhelhos geradores, em sua porção inferior, este intervalo é o

que apresenta maior quantidade de dados geoquímicos disponíveis, uma vez que boa

parte dos poços da bacia atravessou esta unidade. Esta, porém, encontra-se nos estágios

iniciais de maturidade térmica, podendo apresentar condições de expulsão de

23

hidrocarbonetos em baixos localizados, adjacentes aos grandes domos e diápiros de sal.

A deposição da unidade ocorreu em ambiente marinho anóxico, durante o

Cenomaniano/Meso-Turoniano, período correlacionável ao segundo evento anóxico do

Cretáceo (OAE-2). O valor de TOC médio para este intervalo encontra-se ao redor de 1

%, com máximo de 6 %. Já os valores médios de S1 e S2 são 0,41 Mg HC/g de rocha e

2,19 Mg HC/g de rocha, respectivamente.

4.2 Reservatórios

A Bacia de Santos possui boa variedade de rochas-reservatório, desde os

carbonatos de água rasa da Formação Guarujá, até os arenitos turbidíticos eocênicos da

Formação Marambaia. Os carbonatos oolíticos da Formação Guarujá constituem o

reservatório mais importante da seção pós-rift, devido ao maior volume de óleo

descoberto nestas rochas, aglutinando os campos de Tubarão, Estrela do Mar, Coral,

Caravela e Cavalo-Marinho. Por sua vez, o Membro Ilhabela da Formação Itajaí-Açu,

composto por arenitos turbidíticos de idade neo-turoniana a eo-santoniana, que formam,

entre outras acumulações sub-comerciais, os campos de Merluza e Lagosta, também

constituem importante alvo exploratório.

4.2.1 Rochas Carbonáticas da Formação Guarujá

Os carbonatos depositados em ambiente de águas rasas constituem importante

reservatório na porção sul da Bacia de Santos. Foi nesta região que se desenvolveu

extensa plataforma carbonática (Formação Guarujá) durante o Albiano Inferior-Médio e

onde se localizam os campos de Tubarão, Estrela do Mar, Coral, Caravela e Cavalo-

Marinho. Este reservatório é constituído de calcarenitos oolíticos de variada gama

textural, essencialmente grainstones. O Campo de Tubarão, posicionado na porção sul

da Bacia de Santos, é o principal exemplo deste tipo de reservatório. As zonas porosas

estão posicionadas no topo da Formação Guarujá, em profundidades superiores a

4.500m, sendo constituídas por grainstones oolíticos e oolíticos-oncolíticos, depositados

em ambiente de alta energia, comprovado por amostras de calha, o que mostra que

mesmo em ambientes de elevada profundidade, cerca de 5000m, pode existir uma

24

porosidade também elevada, e só a partir desse ponto há um declínio mais acentuado da

porosidade.

4.3 Selos e Trapas

De maneira geral, os selos para as diversas rochas reservatório da Bacia de

Santos são constituídos por pelitos e calcilutitos intercalados aos próprios reservatórios.

No caso da Formação Guarujá, as rochas selantes são tanto os calcilutitos intercalados

aos calcarenitos porosos, que formam os ciclos de coarsening-upward, quanto, na

porção mais superior, os calcilutitos e pelitosda Formação Itanhaém. Considerando os

reservatóriossiliciclásticos, as rochas selantes são os pelitos intercaladosaos arenitos

das formações Itajaí-Açu, Santos/Juréia e Marambaia.

As principais acumulações da bacia mostram trapas de caráter estrutural e

misto. A grande maioria das armadilhas geradas está associada a domos ou diápiros

salinos. Assim sendo, mesmo quando são observadas feições estratigráficas passíveis de

armazenamento, estas encontram-se deformadas pela halocinese, gerando trapas mistas.

O período de formação das trapas ligadas à halocinese estende-se desde o Neo-Albiano,

em águas rasas, até o Oligoceno, na região de águas profundas. Como já mencionado

anteriormente, a intensa movimentação halocinética transformou armadilhas

eminentemente estratigráficas em mistas. No entanto, não se deve descartar a

importância destas trapas estratigráficas, que podem ocorrer principalmente nas

unidades mais recentes, principalmente no Terciário e, em menor grau, no

Maastrichtiano. As trapas mais comuns em regiões com intensa halocinese, que deve ser

considerada para a região de águas profundas, é o acunhamento de corpos arenosos

contra a parede de domos e diápiros salinos (pinch-out).

4.3.1 Maturidade Termal

Modelagens numéricas multidimensionais da maturidade termal da Bacia de

Santos apontam o intervalo de 70 a 90 Ma como o pico máximo da geração e expulsão

de hidrocarbonetos provindos da Formação Guaratiba. Porém, pela grande extensão

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geográfica, as rochas da Formação Guaratiba não entraram na janela de geração de óleo

de maneira uniforme, podendo a geração ter-se estendido até o Paleoceno.

4.3.2 Migração e Acumulação

No caso dos hidrocarbonetos gerados na Formação Itajaí-Açu, estes migraram

preferencialmente pelas falhas lístricas ou de transferência originadas pela halocinese.

As modelagens realizadas indicam que a fase de geração e expulsão de hidrocarbonetos

da seção rift iniciou-se por volta de 100 Ma. tendo seu pico entre 90e 70 Ma,

estendendo-se até o Eoceno, aí já com menor intensidade. Desta forma, tais condições

viabilizaram o trapeamento em todos os reservatórios citados, tanto os carbonatos da

Formação Guarujá quanto os arenitos do Membro Ilhabela (Formação Itajaí-Açu), do

Neo-Cretáceo (Formação Juréia) e do Eoceno (Formação Marambaia). Por outro lado,

para as rochas geradoras da porção basal da Formação Itajaí-Açu, cujas modelagens

indicam geração a partir do Maastrichitiano, verifica-se a existência de sincronismo para

todos os reservatórios da seção pós-evaporítica.

4.3.3 Modelos de Acumulações de Hidrocarbonetos na Bacia de Santos

A exploração petrolífera na Bacia de Santos passou por várias fases, desde a

perfuração do primeiro poço em 1971, no litoral do Estado do Paraná. Desde então,

vários modelos de acumulação de petróleo surgiram e foram perseguidos em mais de

190 poços perfurados até hoje, que resultaram na descoberta de 17 campos de óleo, gás

e condensado, além de várias acumulações subcomerciais.

26

CONCLUSÃO

Como a Bacia de Santos se trata de uma bacia tipo Margem Passiva, apresenta

uma variação sedimentar muito rica, devido aos eventos episódicos de regressão e

transgressão marinha. Essa mudança de sedimentação permite uma bacia com um

sistema petrolífero bem definido, com a formação de rochas geradoras (folhelhos

marinhos e lacustres), coletoras (calcilutitos e turbiditos) e selantes (evaporitos). Os

resultados mostraram a evolução tectono-sedimentar da fase drift da bacia. Suas

seqüências, períodos de regressão e transgressão e suas formações são um modelo de

sucesso que fornece grande riqueza de informações a respeito desse tipo de ambiente.

Antes de ser descoberto o pré-sal a seqüência drift era a mais importante descoberta

petrolífera de que se tinha conhecimento. Só com novas tecnologias e estudos é que se

pode hoje afirmar que o pré-sal da Bacia de Santos se tornou o sistema petrolífero mais

promissor do Brasil.

27

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261X2007000500005&lng=en&nrm=iso&tlng=pt

salvou a vida
brigadãooooooooooo
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