Sociologia trabalho, Pesquisas de Pensamento Creativo. Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
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isac.karon8 de Maio de 2015

Sociologia trabalho, Pesquisas de Pensamento Creativo. Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

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As Metamorfoses do Mundo do Trabalho e os Reflexos no Brasil

Ana Patrícia Dias

Como dividimos o minicurso?

1)Primeiro momento (Aspecto Global):

Apresentar a crise estrutural do capital;

O Processo de Reestruturação Produtiva;

A emergência do Toyotismo;

Efeitos no mercado de trabalho.

2) Segundo Momento (Realidade Brasil);

As singularidades da crise no Brasil:

As repercussões no mundo do trabalho.

Caracterizando os “anos dourados”

O pós-guerra (50- 70), o capitalismo monopolista vive fase dourada, com crescimento econômico e taxas de lucro significativas;

A produção industrial dos países capitalistas desenvolvidos aumentou no seu conjunto;

Cresce a prática do crédito ao consumidor;

Ampliação do setor de serviços;

O fordismo, foi o modelo de acumulação predominante;

O fordismo foi o regime de acumulação que possuía como principais características:

1) A produção em massa;

2) Alto coeficiente de capital fixo per capita (acumulação intensiva);

3) Consumo em massa.

O modo de regulação que caracterizava o fordismo, o Estado de Bem Estar Social; Prevaleceu a regulação monopolista dos salários, ou seja, através de acordos coletivos um salário mínimo foi fixado pelo Estado;

O poder aquisitivo dos operários cresceu, bem como um sistema de previdência social foi garantido a eles;

Presença do Estado de Bem-Estar Social: assegurava a proteção social, possibilitava um consumo de massa, cujo símbolo era o automóvel;

Os anos dourados expressam uma onda longa de expansão econômica, durante a qual crescimentos econômicos e taxas de lucros mantiveram-se ascendentes

Quais os sintomas da crise?

A queda da taxa de lucro, que entre 1968-1973, começou a declinar na Alemanha Ocidental, Grã-Bretanha, Itália, EUA, Japão;

O choque do petróleo, com alta dos preços determinada pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo/OPEP;

O aumento do movimento sindical no países centrais, que demandou melhorias salariais e contestava a organização da produção nos moldes tayloristas-fordista;

O elevado nível de concorrência;

O advento da terceira revolução tecnológica;

Recessão generalizada que envolve todas as grandes potências imperialistas.

Instala-se à crise do modelo fordista de desenvolvimento adotado pelos países capitalistas centrais;

Quais as respostas do capital para conter a crise?

Momento:

A internacionalização da produção, que visou a busca de ganhos de produtividade através da ampliação da escala de produção e a procura de regiões oferecendo salários baixos;

Essa estratégia, seguiu duas lógicas diferentes:

A) A taylorização primitiva;

B) O fordismo periférico.

O que é o fordismo primitivo?

“Um deslocamento de determinados segmentos de circuitos de ramo/setores, para Estados que gozam de uma alta taxa de exploração (salário, duração e intensidade do trabalho), cujos produtos são reexportados principalmente para o centro (LIPIETZ, 1988, p. 92).

As regiões mais representativas dessa estratégia eram as zonas francas da Coréia e Taiwan, assim como os “Estados-feitorias” da Ásia (Singapura, Hong-Kong), onde a participação das mulheres no total dos empregos chegava a 80%, e cuja lógica objetivava extorquir a mais-valia máxima de uma força de trabalho que ninguém estava preocupado em reproduzir regularmente.

O que é o fordismo periférico?

O Seu surgimento está condicionado à existência de um mercado capaz de absorver parte da produção, pressupondo o consumo das classes médias modernas locais e o acesso parcial dos operários do setor fordista aos bens de consumo popular duráveis. Nesta categoria podem ser incluídos os “Novos Países Industrializados” (NPI´s) como a Coréia, México, Brasil, Espanha etc.

A internacionalização da produção não se constituiu em saída para a crise. Esse processo que objetivava resolver os problemas da rentabilidade por meio da redução do custo da força de trabalho e da ampliação da escala de produção, num primeiro momento se mostrou satisfatório, por outro, essa solução fez com que o problema surgisse pela demanda, pelo colapso do consumo.

Esse processo de internacionalização da produção ao provocar a diminuição do número de postos de trabalho e a estagnação dos salários nos países desenvolvidos, levou à crise de consumo das economias centrais, que não foi compensada pelo aumento do consumo ocorrido na periferia. Isso, por sua vez, explica o processo de reestruturação industrial ocorrido naqueles países.

Quais as respostas do capital para conter a crise?

2) Momento:

As respostas decorreram de uma estratégia articulada sobre um tripé:

1) A reestruturação Produtiva;

2) A financeirização da economia;

3) A Ideologia neoliberal

O primeiro passo do capital: implementação do programa neoliberal

Implementação de uma estratégia política global,

o ataque ao movimento sindical, um dos suportes do sistema do capital encarnado nos vários tipos de welfare State;

O ataque se dá por meio de medidas legais restritivas, que reduzem o poder de intervenção do movimento sindical;

O mercado desponta como instância mediadora que propõe o Estado Mínimo;

O Estado redefinido assumiu as função de criador das condições sistêmicas de valorização para os setores de ponta, garantindo infraestrutura básica, força de trabalho qualificada, recursos científicos e tecnológicos, etc.

Passo 2: Reestruturação Produtiva

Esgota-se a modalidade de acumulação denominada rígida, própria do taylorismo- fordismo;

a reestruturação da produção se impôs enquanto um imperativo necessário ao combate à rigidez que caracterizava esse modelo de desenvolvimento

Mudanças nos circuitos produtivos;

A reestruturação se desenvolveu impulsionada pela mundialização do capital;

O modelo japonês, o toyotismo, por ser portador de um modo de extração de ganhos de produtividade, demonstra uma maior tendência à universalização.

Inicia-se a instauração da Acumulação flexível;

A reestruturação se alastrou nas corporações , instaurando uma base de natureza flexível;

O novo paradigma se apoia na flexibilidade dos processos de trabalho, dos mercados de trabalho, dos produtos e padrões de consumo;

Uma nova lógica de pensar a produção de mercadorias, coadunadas a novos princípios de organização da produção flexível se instalou nas empresas.

O essencial a reestruturação produtiva é uma intensa incorporação à produção de tecnologias ;

Introdução da microeletrônica e dos recursos informáticos e robóticos nos circuitos produtivos.

Substituição do trabalho morto pelo vivo;

Quais os efeitos imediatos da incorporação das tecnologias?

Às exigências postas à força de trabalho diretamente envolvida na produção (qualificada e polivalente);

A gestão da força de trabalho (apelo a participação e envolvimento dos trabalhadores);

Desemprego

Uso da Terceirização (Ex. Nike).

O trabalho regular e industrial foi reduzido;

Práticas flexíveis de gestão foram adotadas nos vários setores da economia;

Formas pretéritas de trabalho ganharam vigor, como a terceirização;

Acentuação do desemprego “estrutural”, subemprego e enfraquecimento salarial da classe trabalhadora.

O setor de serviços foi ampliado e a ela agregado um maior número de jovens e mulheres que vendem sua força de trabalho por um determinado tempo;

O trabalho regular garantidor da seguridade social, tem sido substituído cada vez mais por ocupações precárias.

Benefícios e vantagens adquiridos pelos trabalhadores foram reduzidos tais como: renda, regularidade do trabalho e do salário, proteção social, representação de interesses, risco de acidentes, entre outros.

Desregulamentação das leis trabalhistas;

Reconfiguração do mercado de trabalho (Grupos e Subgrupos/HARVEY);

Crise do movimento sindical.

As singularidades da crise no Brasil: repercussões no mundo do trabalho

País periférico e de um desenvolvimento tardio;

Caracterizado por um mercado de trabalho atípico;

País centrado na dinâmica industrial do mercado interno;

A crise do capitalismo brasileiro, localiza-se inicialmente em meados dos anos 1970 e aprofunda-se na década seguinte;

A difusão do toyotismo Brasil teve início sob a égide de dois movimentos: a adoção de um plano de estabilização sustentado em uma política monetária , provocando o aprofundamento da recessão, a ampliação da concentração de renda e a diminuição do mercado interno; o segundo, a política de abertura da economia ao capital estrangeiro, desencadeada pelo acirramento da concorrência internacional.

Durante os governos de Fernando Collor de Mello e Fernando Henrique Cardoso, os setores econômicos mais integrados à globalização econômica adotaram estratégias de racionalização, objetivando a redução dos custos, tornando-os mais competitivos no mercado internacional.

Consequências?

Para Mattoso (2001), o modelo adotado no país, promovendo a desestruturação do mercado de trabalho, reduziu acentuadamente a capacidade de geração de empregos formais, fazendo com que, ao longo dos anos 1990, fossem eliminados cerca de 3,3 milhões de postos de trabalho;

No que tange e à reestruturação produtiva no país, se observa o confronto de teses que vão desde a que defende a existência de um paradigma predominante de organização do trabalho até a da inexistência de estudos empíricos comprovando que os novos métodos flexíveis substituíram completamente a antiga base técnica fordista.

Alves (2002) ressalta que a implantação do modelo japonês no Brasil, iniciado em meados da década de 1980, assumiu, primeiramente, uma dimensão restrita, sendo que, somente na década seguinte, a de 1990 (designada de neoliberal), é que se observa o seu aprofundamento, de forma mais sistêmica, no país

inicialmente o processo de inovação tecnológica era algo incipiente, ocorrendo de forma restrita em alguns ramos e setores da indústria na região sudeste do país.

Para Alves (2002), desde 1985, categorias assalariadas como a dos metalúrgicos do ABC e os bancários vivenciaram o processo de reestruturação produtiva, cujo "momento predominante" foi a lógica toyotista.

Segundo o autor, a política de abertura da economia ao capital estrangeiro teria possibilitado inicialmente a adoção dos métodos flexíveis, caracterizados, por um lado, pela aplicação de tecnologias microeletrônicas, e por outro lado, pela utilização de técnicas de gestão da produção, tais como justin-time, kanban, terceirização, trabalho em equipe, programas de qualidade total etc.

As singularidades da crise no Brasil: repercussões no mundo do trabalho A crise do capitalismo brasileiro, obrigou os setores dominantes a promoverem uma profunda reestruturação da economia e do Estado, permitindo inserir de modo competitivo o país no sistema mundial do capital.

A evidência mais concreta dessa reestruturação só se tornou visível quando foi iniciada a ruptura, sob o impacto das medidas adotadas primeiramente pelo governo de Fernando Collor de Melo (1990-1992), com o modelo de industrialização assentado na substituição de importações.

Para Reinecke (1999), o processo de reestruturação produtiva põe em movimento as mais diversas formas (atípicas) de contratação da força de trabalho, quais sejam: o trabalho em tempo parcial, o trabalho temporário, o trabalho domiciliar, a subcontratação ou a terceirização.

Essa tendência é utilizada como mecanismo de pressão para que os governos mais conservadores, de inspiração neoliberal, produzam mudanças no conteúdo das leis trabalhistas.

QUAIS OS EFEITOS NO MERCADO DE TRABALHO?

Impactos sobre o ritmo e a estrutura do mercado de trabalho no país;

Altas taxas de desemprego;

Crescimento dos subempregos, da precarização do trabalho e da informalidade;

A insegurança do emprego, manifestada por meio do crescimento das taxas de desemprego no país. O emprego por tempo integral, de longa duração, protegido pela legislação trabalhista e pelos contratos de trabalho acordados pelos sindicatos, que antes era um paradigma de relações de trabalho, passa, na década de 1990, por um desmonte implacável.

Os vínculos vulneráveis aumentaram a sua participação no mercado de trabalho;

O assalariamento sem carteira assinada, os trabalhadores por conta própria que operam geralmente em condições precárias cresceram;

O emprego doméstico aumentou e o núcleo protegido dos empregos diminui.

A utilização extensiva da terceirização/subcontratação, nessa conjuntura, conduziu ao agravamento das condições de trabalho e ao aumento do grau de informalidade do mercado de trabalho;

Segundo Antunes, atualmente o capital necessita cada vez menos de força de trabalho estável e cada vez mais do trabalho part-time, e terceirizado.

Na década de 1990 percebeu-se um aumento das modalidades flexíveis de contratação, resultando num amplo processo de desestruturação do mercado de trabalho em que se constata o alargamento do segmento de trabalhadores informais, em detrimento do segmento formal.

No contexto de desemprego elevado e precarização do trabalho, o governo federal e, principalmente, os capitalistas nacionais inserem, no debate nacional, o tema da educação profissional como saída para os problemas de emprego e competitividade no país. Em função disso, passou-se a advogar a tese de que o desemprego teria como pressuposto o descompasso entre oferta e demanda de trabalho qualificado.

Foi disseminada a ideia de uma ilusória necessidade, cada vez maior, por parte dos empresários, de força de trabalho com maiores requisitos de qualificação, para atender às exigências dos novos padrões produtivos, haja vista que não haveria oferta de força de trabalho com o perfil ideal, pois a população trabalhadora no país apresentaria baixo nível de escolaridade e qualificação.

Por fim, infere-se que as transformações no mundo do trabalho, embora diferenciadas entre países considerados centrais e periféricos, apresentam de um modo geral, como efeito, o desemprego e a precarização do trabalho.

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