Teoria da Inflação - Economia, Outro de Economia. Universidade Federal de Roraima (UFRR)
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LaisBianke27 de maio de 2018

Teoria da Inflação - Economia, Outro de Economia. Universidade Federal de Roraima (UFRR)

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Trabalho sobre a Teoria da Inflação
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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO .................................................................................................... 4

1. TEORIA DA INFLAÇÃO ................................................................................... 5

1.1 O QUE É INFLAÇÃO? ................................................................................... 5

1.2 CONSEQUÊNCIAS DA INFLAÇÃO ............................................................... 5

2. DESORGANIZAÇÃO DA ECONOMIA ............................................................. 6

3. CONCENTRAÇÃO DE RENDA ........................................................................ 6

4. DETERIORAÇÃO DAS CONTAS PÚBLICAS .................................................. 7

5. CAUSAS DA INFLAÇÃO .................................................................................. 7

6. TEORIAS DA INFLAÇÃO ................................................................................. 8

6.1 TEORIA MONETARISTA DA INFLAÇÃO ...................................................... 8

6.2 TEORIA ESTRUTURALISTA DA INFLAÇÃO ................................................ 8

7. CONCLUSÃO ................................................................................................... 11

8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................................10

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1. INTRODUÇÃO

O conceito econômico de inflação descreve como sendo um aumento contínuo,

generalizado e desigual do nível geral de preços, ou seja, uma perda progressiva

do poder de compra da moeda.

Antes de explanar sobre as teorias da inflação é necessário entender o que é a

inflação, como se chega a esse fenômeno, quais suas causas, suas

consequências e como combate-la. Posteriormente conhecer as duas escolas

teóricas que tentam explicar a inflação (monetarista e estruturalista), suas

ligações políticas e ideológicas.

O trabalho a seguir discorre sobre a inflação e suas teorias.

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2. TEORIA DA INFLAÇÃO

2.1 O QUE É INFLAÇÃO?

A inflação é o aumento contínuo e generalizado dos preços de bens e serviços em

uma economia. Não se deve confundir com fatos isolados, esporádicos, como por

exemplo o aumento de preço de apenas um determinado produto agrícola em razão

de uma quebra de safra, isso ainda não é inflação.

Alguns economistas como John Maynard Keynes (1883-1946), e atualmente, Paul

Krugman (ganhador do Nobel de 2008) consideram “saudável” a existência da

inflação na economia.

2.2 CONSEQUÊNCIAS DA INFLAÇÃO

As sociedades arcaicas não tinham moedas como as que usamos hoje, logo,

usavam do escambo (troca de uma mercadoria por outra), porém esse sistema

tinha algumas restrições no que se diz respeito aos interesses, exigia uma dupla

coincidência de desejos, o que não era muito comum.

Como forma de superar essas restrições, as civilizações criaram unidades

monetárias, produtos encontrados na própria região, como sal e conchas, depois

moedas, ou outras peças de metais preciosos. Porém, transportar essas moedas

trazia desconforto e riscos, por isso muitas civilizações criaram casas de custódia

(estabelecimentos que armazenavam os metais preciosos e emitiam certificados,

cujos portadores podiam resgatar). Surgia então, a moeda fiduciária (aquela que

vale pela confiança).

Atualmente, a moeda cumpre três funções na economia: meio de troca – a

moeda deve ser de aceitação geral, todos devem aceita-la para pagamento de

dívidas públicas e privadas; medida de valor – como explica Carlos José

Caetano Bacha (2004, p. 64), professor da Universidade de São Paulo, “essa

função surge da própria utilização da moeda como intermediária de trocas, pois à

medida que a moeda é usada ela surge como um denominador comum de

valores”. Desse modo, a moeda permite avaliar os diversos bens e serviços de

uma economia com preços relativos que a moeda permite estabelecer; reserva

de valor – pessoas, empresas, governo podem investir sua riqueza de diferentes

formas com carros, máquinas, imóveis etc. Todos esses bens são reservas de

valor, a moeda também, por ser mais transacionável.

A inflação diminui aos poucos a capacidade da moeda de exercer essas três

principais funções. Dependendo do processo inflacionário, há casos graves em

que a moeda perde totalmente essas funções. Não serve mais como reserva de

valor pois não consegue mais manter seu valor real, seu poder de adquirir bens e

serviços. Não funciona como medida de valor pois os preços sobem a todo

momento e as pessoas perdem a noção do que é caro/barato. A moeda pode até

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deixar de funcionar como meio de troca, sendo abandonada por unidades

monetárias mais estáveis.

1. DESORGANIZAÇÃO DA ECONOMIA

A desorganização da economia causada pela inflação está ligada à função da

moeda por ser medida valor. Uma economia estável tem uma alocação eficiente

dos recursos, os agentes econômicos investem seus recursos onde obterão o

adequado retorno, e o sistema de preços relativos, compara os diferentes bens,

propiciados pela moeda.

A teoria mais antiga sobre a causa da inflação atribui a alta contínua de preço a

um excesso de moeda em circulação (teoria quantitativa da moeda), e tem sua

origem formal em XVIII.

O controle da quantidade de moedas em circulação é de responsabilidade do

governo (Banco Central) que dispõe de diversos instrumentos de política

monetária que podem injetar e retirar moedas na circulação. Pode ocorrer do

governo se endividar junto ao público, e como também é emissor de moeda, é

importante que seu endividamento não provoque pressão inflacionária (emitir

moedas para cobrir despesas públicas). Deve ser financiado através de emissão

de títulos da dívida pública.

2. CONCENTRAÇÃO DE RENDA

O período que o Brasil atingiu seus níveis mais altos foi justamente o da

hiperinflação, década de 1980. Os efeitos da inflação são muito graves para quem

não tem como se proteger dela, pobres e assalariados.

Entretanto, houve quem lucrou, e muito, com a hiperinflação do Brasil. Um artigo

de 1993, o professor da Universidade de Campinas (Unicamp) Fernando

Nogueira da Costa calculou que, em 1989 (ano em que a inflação acumulada

chegou a 1782,90%), nada menos que 37% do lucro da iniciativa privada

brasileira derivou não da produção, e sim de aplicações financeiras (apud BAER,

2002). O chamado overnight, uma aplicação que rendia juros diariamente,

“compensando” a inflação. Apenas quem tinha intimidade com o mundo das

finanças beneficiou-se da operação. A maioria da população que não tinha sequer

conta corrente, sofreu com a inflação, os trabalhadores recebiam um salário no

início do mês e lá pela metade do mês o mesmo salário guardado valia menos

15%.

O empresário tinha mais chances de se proteger da inflação pois aumentava o

preço de seu produto para compensar o aumento de seu custo de vida. Já o

trabalhador tinha de esperar o fim do mês para essa compensação que nem

sempre acontecia.

Poucos conseguiam se proteger da inflação, os assalariados como maioria, não

conseguiam. Esse efeito também ocorre em situações de inflação moderada, por

isso a necessidade de manter o combate constante a esse fenômeno.

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3. DETERIORAÇÃO DAS CONTAS PÚBLICAS

Efeito conhecido como Oliveira-Tanzi, nome que se deve a estudos feitos pelo

argentino Julio Oliveira, da Universidade de Buenos Aires em 1960, confirmados

na década seguinte pelo italiano Vito Tanzi, do FMI. O efeito Oliveira-Tanzi diz

respeito a deterioração do orçamento público causada pela inflação e a

defasagem temporal entre o fato gerador do imposto e sua arrecadação.

Um exemplo seria uma loja que teve faturamento de R$ 1000,00 no mês de

janeiro, deve recolher 10% a título de imposto de renda. Caso o imposto seja

recolhido trimestralmente, deverá ser pago apenas em abril, em uma economia

estável isso não gera problemas. Entretanto, com a inflação, em abril o governo

receberá bem menos porque o valor a ser arrecadado está defasado.

4. CAUSAS DA INFLAÇÃO

Para fins didáticos, existem três tipos de inflação, de acordo com suas causas:

inflação de demanda, inflação de custos, inflação inercial.

Inflação de demanda: diz respeito a mais antiga lei da economia (oferta e

procura). Agentes econômicos – pessoas, empresas, governo – querem consumir

muito, e a oferta não é suficiente, os preços sobem. O “superaquecimento da

economia” pode levar à inflação. Para frear agentes econômicos que muitas

vezes usam capital financiado para comprar, o Banco Central eleva os juros,

tornando o capital mais caro.

Inflação de custos: quando preço de determinado insumo sobe e o setor produtivo

repassa esse aumento para o preço dos bens ou serviços finais. Por exemplo, o

petróleo, quando o preço aumenta, uma lista de produtos dela derivado (desde

combustíveis até chicletes) sofrem aumento de preço também.

Inflação inercial: a causa da inflação é a própria inflação, é aquela que persiste

por inércia. Em economias inflacionárias, os agentes sobem seu preços por

antecipação para evitar prejuízos. Por exemplo, a dona de uma loja de roupas

remarca seus preços no início do mês, visando não perder dinheiro por causa da

inflação.

Essas expectativas inflacionárias alimentam a própria inflação, que tende a

aumentar. Em economias fortemente indexadas, a inflação inercial torna-se de

difícil combate, pois a inflação de ontem, refletida no índice usado para reajustar

os preços, engendra a inflação de amanhã.

A classificação das inflação segundo sua causa é meramente para fins didáticos,

pois na prática é quase impossível diferenciar essas inflações, o mais comum é

que as causas do fenômeno coexistam. Foi a complexidade do fenômeno

inflacionário que levou a formulação de diversas teorias para explica-lo.

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5. TEORIAS DA INFLAÇÃO

A inflação é um fenômeno histórico e político, divide opiniões e oculta muitos

interesses. Ao atribuir a inflação a diferentes fatores, essas teorias sugerem

diferentes “remédios” para combate-la.

6.1 TEORIA MONETARISTA DA INFLAÇÃO

A inflação nasce do excesso de moeda na economia, e quem está por trás da

expansão monetária é sempre um governo que gasta mais que arrecada e assim

precisa financiar seu déficit emitindo mais moeda. A emissão de moeda não

costuma ser a primeira opção dos governantes, em geral emitem título de dívida

pública.

Esse instrumento de financiamento público funciona desta maneira: o governo

oferece diversos títulos, que podem ser comprados por pessoas físicas e

jurídicas, residentes no país ou no estrangeiro, desse modo, a quantidade de

moeda não aumenta, porque o dinheiro que sai do bolso das pessoas físicas e

jurídicas já estava em circulação.

Porém, se um país coloca títulos demais na praça, chegará o momento em que o

público questionará se o tal país tem, de fato, condições de pagar juros e o capital

daquelas dívidas, principalmente se a economia do país não estiver bem. Caso a

economia esteja nessa situação, o governo é obrigado a vender seus títulos para

o Banco Central, e como o Banco Central não tem dinheiro próprio, emite moeda.

Logo, chegamos à lógica monetarista: gastos público exagerados geram déficit

público, que geram emissão de moeda, que gera inflação.

A teoria monetarista reconhece apenas a inflação de demanda, para controla-lo é

preciso retirar a moeda de circulação, além de diminuir gastos públicos.

A retirada de moeda pode ser feita de três maneiras: aumentando da taxa de

juros – uma elevação na taxa de juros torna o capital mais caro e, por isso,

desestimula o consumo de pessoas e empresas; aumentando o percentual dos

depósitos compulsórios – depósito compulsório é a parcela do dinheiro

depositado pelos clientes que os bancos têm de recolher junto ao Banco Central.

Quando o Banco Central quer pôr mais liquidez na economia, diminui a exigência

de compulsórios, quando quer “enxugá-la”, aumenta a exigência; vendendo títulos

no open market – o Banco Central pode atuar no open market vendendo ou

comprando títulos públicos. Quando ele quer tirar liquidez da economia, vende

títulos: o dinheiro sai dos cofres dos bancos ou do público, o que diminui a

quantidade de moeda em circulação.

6.2 TEORIA ESTRUTURALISTA DA INFLAÇÃO

Essa teoria foi criada pelos economistas da Comissão Econômica para América

Latina e o Caribe (Cepal), órgão instituído pelas Nações Unidas em 1948. Para os

“Cepalistas”, a inflação na América Latina não poderia ser entendida como um

fenômeno puramente monetário, mas sim como um resultado das tensões

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socioeconômicas provocados pelo desenvolvimento tardio e irregular desse

continente. Essa teoria vê a raiz do problema na estrutura da economia.

Os estruturalistas mencionam quatro fatores como causa da inflação latino-

americana: Desenvolvimento irregular dos diferentes setores da economia – os

países de Primeiro Mundo tiveram séculos para se adaptar ao capitalismo

industrial, enquanto os de Terceiro Mundo viram suas economias industrializarem-

se em poucas décadas, o que provocou um desenvolvimento irregular entre os

setores;

Deterioração dos termos de troca – esse fator estava ligado à estrutura da

economia global, pois os países tinham diferentes níveis de desenvolvimento, os

latino-americanos, exportadores, exportadores de bens primários, cujo preço

relativo é inferior aos bens industrializados, ficavam em posições desprivilegiadas

nas trocas internacionais. À medida que a população ia se urbanizando, ia

também consumindo mais bens industrializados, logo, era necessário importá-los

em maior quantidade. A saída era investir em indústria nacional para substituir

importações, seria preciso conviver com uma indústria ineficiente, que precisava

ser protegida da concorrência estrangeira e pelos dois motivos cobrava preços

altos, que contribuía para a inflação.

Conflito distributivo: pela ótica da renda, o PIB é igual à soma dos salários,

impostos, lucros de empresas, juros e aluguéis, se cada um dos agentes ligados à

esses fatores quiser abocanhar uma fatia maior da renda, não haverá PIB para

todo mundo. A respeito disso, Lanzana (2009, p.111) recorda a discussão sobre

salários, lucros e preços:

“Os sindicatos dos trabalhadores demandam aumento salarial as incompatíveis com os ganhos de produtividade, visando aumentar sua “fatia no bolo”. Os empresários concedem o aumento nominal e para manter sua participação repassam para os preços causando inflação, que “come” o reajuste nominal concedido. O resultado final é a manutenção das participações com mais inflação.”

Necessidade de gastos públicos – segundo os estruturalistas os gastos públicos

dos países pobres eram elevados em primeiro lugar porque seus governos

precisava investir pesadamente na infraestrutura urbana, à medida que a

população desses países deixava os campos rumo às cidades em ritmo

acelerado; e, em segundo lugar, porque nesses países um grande número de

pessoas dependia exclusivamente de pagamento sociais e previdenciário.

Para cada um desses fatores estruturais geradores de inflação, os estruturalistas

propunham um “remédio” específico. A falta de dinamismo do setor agrícola deve

ser compensada com créditos, subsídios investimentos estatais na infraestrutura

do setor (programas de irrigação e construção de rodovias para escoamento da

produção, por exemplo). A ineficiência da indústria nacional seria sanada à longo

prazo, com economias de escala e o desenvolvimento da tecnologia. Para

resolver o conflito distributivo, os teóricos dessa linha propunham que o estado

tentasse compatibilizar os diversos interesses, interferindo na formação de preços

e nos reajustes salariais, por exemplo.

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No Brasil, alguns dos principais nomes da escola estruturalista foram Celso

Furtado, Maria da Conceição Tavares, Carlos Lessa, Luiz Gonzaga Belluzzo e

Luciano Coutinho. Eles se opunham aos liberais ou monetaristas, representados

no País por Eugênio Gudin (1886-1986), Roberto Campos (1917-2001) e Otávio

Bulhões (1906-1990), entre outros.

Os monetaristas eram chamados de “ortodoxos”, por seguirem os princípios

clássicos da economia; os estruturalistas, de “heterodoxos”, por procurarem

caminhos específicos para a América Latina.

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7. CONCLUSÃO

Inflação é o aumento generalizado dos preços dos bens e serviços em uma

economia. Ela pode ser baixa, moderada, crônica ou, no pior caso, pode se

transformar em uma hiperinflação, estágio normalmente precedido por uma

aceleração inflacionária.

A inflação causa a perda gradual da capacidade da moeda de exercer suas três

funções na economia: meio de troca, medida de valor e reserva de valor.

As principais consequências da inflação são desorganização da economia,

concentração de renda e deterioração das contas públicas.

A inflação é classificada em três tipos, de acordo com suas causas: inflação de

demanda, infração de custos e inflação inercial.

As escolas teóricas explicam a inflação, são elas monetarista e estruturalista.

Para a monetarista, a inflação é sempre causada pelo excesso de moeda e

circulação na economia. Para os estruturalistas o excesso de moeda na economia

é consequência, não causa da inflação. Segundo eles, as políticas monetárias de

contração da moeda podem até baixar a inflação no curto prazo, mas não atacam

suas raízes. Além disso, tem um custo social elevada demais, em termos de

recessão, desemprego e cortes nos gastos públicos.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BACHA, Carlos José Caetano. Macroeconomia aplicada à análise da economia

brasileira. São Paulo: Edusp, 2004

SOUZA, Jobson Monteiro de. Economia Brasileira. São Paulo: Pearson Education

do Brasil, 2009. p. 43 a 65

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