Tito Lívio, Notas de estudo de História
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Tito Lívio, Notas de estudo de História

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Tito Lívio - Historiadores Clássicos
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4 Tito Lívio (59/64 a.C.-17 d.C) Júlio César Vitorino* 1 O historiador e o seu tempo A historiografia é talvez o gênero que mais se modificou, no espírito mais que na forma, du- rante o curso dos séculos, tanto que no nosso tempo os textos de história devem ser considerados obras científicas mais do que literárias. Isso é devido à mudança radical dos critérios que guiam os estudiosos no seu trabalho. Hoje, o valor de uma obra historiográfica não consiste mais no modo em que é escrita (critério artstico-literário), mas na cientificidade com a gual sé entren- tam e se explicam os problemas relacionados com os acontecimentos estudados. Para o historiador antigo, essencial era narrar c expor, em belo estilo e em forma artística, as bi ps informações que encontrava nas fontes. A historiografia romana se propunha dois'objetivos: primeiro, fazer obra artística, especialmente no que concerne ao estilo (opus oratoriim); segun- do, narrar fatos, considerados verdadeiros, com objetivos moralista-educativos ou patriótico-fau- datórios“Um livro de história devia ser um livro bem escrito e voltado a ensinar ou a defeitar os lei- tores.“ ; Naliteratura latina, o gênero literário historiográfico compreende algumas subdivisões, ba- seadas em características, intrínsecas é extrínsecas, de cada obra. Os aunales são obras que nar- ram os acontecimentos ano a ano e representam a fase mais antiga da historiografia romana. O critério analístico é adotado também por Tito Lívio e, quase um século depois, por Tácito, am- bos com arte e maestria bem diferente daquelas dos primeiros escritores de annales. As Aistoriae narram os acontecimentos, não fragmentados ano à ano, mas em bloco e, geral- mente, não se limitam à exposição dos fatos, como nos exmales mais antigos, mas buscam as cau- sas e as relações entre os vários fatos e as suas consequências, tendendo einda ao aprofundamen- to psicológico dos personagens. Esse sabgêncro tem nas histórias de Tácito (1 séc. d.C.) o seu exemplo mais notável. “As monografias narrám vim só acontecimento Emi todos os seus episódios. Um exemplo de > monografia é o De coniuratione Catilinae, de Salústio (1 séc. a.C.) Às biografias narram a vida de determinados personagens do nascimento até a morte. Exemplos ilustres são o De virisillustribus de Cornélio Nepos (I séc. a.C.) e o De vita Cacsarum, de Suetônio (1 séc. d.C.). Os exempla reú- nem, com propósito geralmente moralista e pedagógico, episódios e exemplos variados, quase sempre agrupados por categorias. Os comentarii narram, em forma concisa, acontecimentos na maioria das vezes vividos pelo próprio escritor. São exemplos os Commentarii de bello Galfico e os Commentarii de bello cinili de César. Entim, os epítomes são exposições resumidas de momentos essenciais da história retirados de textos historiográficos mais extensos, como os de Tito Lívio. São escritas, geralmente, em língua clara e simples, adequada ao objetivo dos autores, isto é di- vulgação de uso escolar. Na literatura latina, os principais autores de epítomes são Floro (1-1 séc. d.C.) e Eutrópio (segunda metade do IV séc. d.C. Pairam dúvidas sobre dara de nascimento de Titus Lizius, cujo cognomen é desconhecido. Baseando-se na crônica de São Jerônimo, o ano seria 59 2.C., outra possibilidade, proposta por historiadores modernos, seria o ano de 64 2.C., o mesmo ano de nascimento de Valério Messala Coxvino. À datação tradicional adviria de um erro causado por uma confusão entre os nomes dos cônsules do ano 64, César e Fígulo, e os de 59, César e Bíbulo. “Tito Lívio nasceu em Patavium, atual Pádua. Segundo Fedeli, a aristocracia da cidade era considerada muito presa às tradições republicanas, pois depois do assassinato de César tomara partido pelos optimates, Há hipóteses de que esse ambiente tenha influído sobre a ideologia con- servadora c moralizante do historiador. Na sua cidade natal, o futuro historiador reccheu um: -.— Educação condizente com o seu nível social, sem ter a necessidade de se transferir a outro lugar para prosseguir os estudos. O mais provável é que ocurrizulum escolar de Lívio tenhasido o mes- ibilidade de ter sido enviado por seus pais, dos 12 aos 16 anos de idade, à escola de um gramático, na qual o mo seguido pelos meninos e jovens das famílias mais abastadas: não se exclui a poss futuro historiador aprendeu a falar é a escrever corretamente o latim e o grego, e sucessivamen- te, a um retor que o preparou para eloquência políticae judiciária. Terminados os estudos, mu- dou-se para Roma, a única cidade que poderia lhe oferecer os livros e as fontes indispensáveis para a composição da sua grande obra histórica, mas convém ressaltar que em todos os aspectos relacionados à sua vida, à sua família e à sua educação existem divergências entre os estudiosos Para Ogilvie, a sua falta de fluência em grego e o seu desconhecimento de problemas geográf- cos são usados como prova de que, com toda certeza, ele não usufruiu da formação educacional em Atenas ou Rodes. Durante a sua mocidade, é os scus interesses se voltaram para à filosofia, como re diálogos fi ficas compostas na juve histórico-filosóficos e as obras Elosó “ de umadata entre 27 e 25 2.€.; concentrou-se inteiramente na sua-obra histórica. Alternoua sua vida em Roma com longas estadas em Pádua, onde morreu em 17 d.C. A produção literária de Tito Lívio situa-se na chamada época de Augusto, que se estende da mais específica, morte de César à morte de Augusto. Há também uma delimitação cronológi de 43 a.C., ano da morte de Cícero, ao 17 d.C., ano da morte de Ovídio. Entre 44 e 43, morrem César e Cícero, as duas grandes figuras da política e da cultura da o inato de Cé- época da República tardia. É justamente pouco antes de 44 a.C, marcado pelo assassin sat, que Tito Lívio terminou os seus estudos em Pádua. Marco Antônio e Otávio, o futuro Au- gusto, fizeram então uma aliança, fadada a não durar muito, pois ambos descjavam assumir completamente o poder. A Murco Antônio coube o controle da parte oriental do Império, a Otá- vio a Trália c a parte ocidental. Antônio preferia o Oriente porque lá estavam concentradas as tropas c os recursos da expedição contra'os partos, além disso, ele esperava formar, naquelas pro- víncias, uma clientela e um exército que lhe dessem apoio na obtenção do poder é nos embates contra Otávio. A partir de 33 a.C, tendo em mente um embate direto com Marco Antônio, Otávio não só procurou uma organização militar particular, equipando legiões e frotas, mas também buscou o consenso da opinião pública romana. Ele tentava, de todas as maneiras, denegrir a imagem de Marco Antônio, afirmando que vivia em modo dissoluto, não compatível a um cidadão romano, comportavase como um monerea ese fazia adorar como um dens. Otávio fez parecer que a guer- Ta contra Marco Antônio era sobretudo uma guerra contra Cleópatra e o Egito, pois, dessa for- ma, o que cra na verdade uma guerra civil parecia ser uma guerra externa. -— Otávio se faz representar como o defensor da Itália e dos seus interesses: procurow-incre-— a pequena c média propriedade agrícola, assumiu como próprios os valores da moral tra- me dicional romana, tais como a condenação do luxo desenfreado, à moralização da vida urbana, à lorização da vida sã nos campos. Com'esse procedimento, Otávio conseguiu reunir em torno de proprietários de terra itálicos, de habitantes de algumas províncias, de nobres romanos, de negociantes e, logicamente, do exército. Com o intuito de criar em torno de si um s, Otávio procurou traçar a sua própria ideologia, que devia desempe- consenso das forças soc s nhara função de divulgadora das diretrizes da política do princeps e de elucidar sobre quais valo- res essa política se fundamentave. resiabcupálo e em que me- sos ten Gidaos literatos eram utilizados pelo regime nessa ampla operação de organização com fins polf- sbras nos gêneros literários consi- de consenso. Me: | provavelmente os motivos teria: derados os mais impo 2 Percursos Os principais autores da época de Augusto, com exceção de Tito Lívio, são todos poetas Propércio, Tibulo, Horácio, Virgílio e Ovídio. Propércio (49-16 a.C), depois da publicação do seu primeiro livro de elegias (--29 ac), tem seu talento reconhecido por Mecenas que o convida a fazer parte do círculo e lhe sugeriu que escrevesse um poema épico que celebrasse o princaps; ele começa o segundo livro justamente Som uma recusatio da poesia épica, dizendo não ter competência para o estilo sublime e que a sua escolha é a pocsia refinada e sutil, ligada aos temas do amor; no livro IV (-15 a.C), porém, ele abandona os argumentos da lírica amorosa e compõe clegias com temas esmotivos ligados aos va- lores da ideologia do principado. Tibulo (55-19 2.C.) fazia parte do círculo literário de Messala e os elogios ao seu patronoe à Augusto existentes na sua obra estão relacionad s ao fato de que, graças às suas atividades, o poeta pode estar longe da política e viver na securitas e no otite; alguns temas muito próximos do programa de Augusto seriam o elogio à vida no campo, a censura à vida luxuosa em oposição à vida simples dos tempos antigos, referências a Eneias, ao tema da nova cra, à profecia sobre a eternidade de Rom: Horácio (65 a.C.-8 d.C.), na Batalha de Filipos, tinha militado entre as tropas de Bruto e Cássio, os assa inos do César, e tinha uma formação filosófica que o indispunha contra a tira- rias ao convidá-lo para o seu círculo, Messula não levou em conta 0 seu passado é geralmente “espeltou as Suas inclinações e o seu caráter hedonista que contrariava a política moralizadora de Augusto; pode-se dizer que a presença da i logia de Augusto transparece em várias de suas - obras: nos Epodos, Antônio é pintado como um dissoluto reduzido à condição de escrayro por ao uma mulher'tgípeia enquanto Ot vio é mostrado como o vencedor das perigosas tentações ori- entais que séduziram Antônio; nas Sátiras, censura a ambição ea avareza como males da épocae elogia 0 homo nous (Mecenas), a virtus, a vida simples do campo; na Epistuda ad Pisones (ou 4 Poetica) à sua recusa em relação ao teatro desaparece em parte, fato visto pelos estudiosos com tuma adequação do autor às exigências culturais do regime; nas Ode, poernas de caráter mais in- timista e de temas variados, alguns estão em plena sintonia com a ideologia do principado, fa- zendo elogios ao princefs e a seus feitos, como a batalha de Ácio, dignificando a terra itálica, pá- fria dos valores tradicionais de Roma, valorizando a audácia e a coragem do soldado romano eo Princeps que libera os cidadãos para sc dedic: m ao otium e à tranguilizas. O momento culminan- te da adesão de Horácio à propaganda política d Imperador é constituído pelo Carma cantado durante os Iudi sueculares, com invocação de Apolo e Diana, protetores de Au saeculare, o, para az 2 Roma prosperidadi e o domínio do mu os & reconhecem nascimento trará uma moviiilade de ouro, com paz e prosperidade nósmundio, As Geórgicas mar- cam a entrada do poeta no círculo de Mecenas (--38 .C.) e a sua adesão aos valores dos quais o círculo fazia propaganda e aos motivos, em fase de elaboração, da futura ideologia do Imperador, cujos reflexos na obra estão na valorização do trabalho nos campos, abandonados por causa da desordem e das guerras, a oposição entre a Itália e o Oriente, a admissão, no proêmio do livro TIL, do projeto de escrever um poema encomiástico em homenagem a Otávio. Mesmo tendo abando- hado o projeto original, voltando-se para as origens míticas de Rome, a Eneida constitui um can- to à grandeza de Roma, em que Augusto aparece, em sonho, identificado com a glória futura dos descendentes de Eneias. Enfim, Ovídio (43 1.C.-17 d.C.) cuja adesão ao programa cultural do regime permaneceu sempre superficial. Integrante do sas jamais totalmente esclarecidas, talvez pela imoralidade da sua poesia e pelo envolvimento em um escândalo, foi punido por Au- rculo de Messala, por : gusto com a relegatio, e teve de viver até a morte em Tomis, no Mar Negro. Muito discutida a questão das relações entre Tito Lívio e Augusto. Em um testemunho con- tido na obra de Tácito”, o historiador Cremúcio Cordo afirma que Augusto tinha dado a Tito Lí- vio a designação de Pompeianus, por cansa dos grandes elogios a Pompeu, mas acrescenta que a relação de amizade entre os dois não foi comprometida. Um outro historiador e homem político, Asínio Polião, ao dar uma avaliação negativa sobre as histórias de Tito Lívio, acusava o autor de patauinitas, isto é, segundo a interpretação dos críticos, de excessivo apego aos costumes antigos càtradição republicana. Os dois testemunhos foram tomados como provas do não alinhamento de Tito Lívio à política do regime. Essa interpretação não parece correta porque não leva cm conta a longa amizade entré Tito Lívio e Augusto é; principalmente, porque vê o filo-re- “publicanismo do historiador em evidente oposição à solítica do princeps. À intenção de inseriro principado em uma longa tradição republicana é salientada pelo próprio Augusto no início das Suas Res gestao. : Qutro inegável ponto de contato entre o historiador e o imperador é representado por sen ponto de vista frente à moral, pois do prefácio e de alguns trechos da obra pode-se verificar a adesão de Lívio à política restauradora do princeps. O modelo da ideologia de Augusto não se li- mita a criar uma linha direta entre o p elo de continuidade entre a Roma das origens e a Roma de Augusto, que, graças à obra de refor- cipado e a tradição republicana, mas quer instaurar um ma e de restauração dos valores tradicionais, poderá reencontrar a sua antiga pureza. Em suma, “Tito Lívio certamente participou da corte de Augusto, mas não incondicionalmente, Mesmo re- conhecendo os grandes serviços prestados por Augusto a Roma e à Itália com suas vitórias, ele “eclina de se associar uo regime que resúltou desses sucessos. Talvez tenha sido por essa inde- pendência que foi chamado de pompeiamus pelo Imperador. O que é certo é que o seu nome ja- mais é mencionado entre os componentes do círculo de Mecenas ou assaciado a qualquer dos crários de protegidos li ano! e que se ue é mencionado por Qui e, não há mn cado. Syme"vessahra que Quintiliano considera'que a afirmação de Asínio Polião seja úiimá à são à fatos lexicais e idiomáticos: a expressões transpadanas, comparáveis aos solecismos rúria, de Preneste c da Sabina. Uma posição mais cética é a defendida por Moreschini”, quem a patauinitas de Lívio não é algo que deva ser buscado no plano linguístico ou estilísr! permanecendo para nós, infelizmente, incompreensível. 3 Conceito-chave Lívio retoma o método de escrever a história ano a ano, uma característica dos primórd da historiografia romana, recusando o método monográfico de Salústio, o biográfico de Cor lio Nepose a forma dos Comentarii de César, seus antecessores mais ilustres. Pode-se afirmar « o objetivo principal do autor, apontado inicialmente no prefácio da obra, é o de infundir 1 novo rigor a um povo degenerado através das recordações das suas origens. Também no prefá se enfatiza a degradação moral do Império e, nessa questão, ainda que com ottro enfoque, o: tor se aproxima de Salústio. E se ele empreende a longa viagem no tempo histórico, é para é contra, naquele momento, a Confirmação c a ckplicação desse diagnóstico. A crítica consensualmente fixou por volta do ano 27 a.C. o início da composição da obra viana. O título de sua obra, Ab urbe condita libri, história de Roma a partir da sua fundação at época contemporânea, é transmitido pelos códices de maior prestígio e por outros testemunh antigos. O próprio autor indica a sua obra com o nome de Annales, às vezes genericamente cé libri. A narração iniciava à partir das origens míticas de Roma, isto é, com a fuga de Eneias Troia, e se conclufa com o livro 142, ano da morte de Druso, entendo de Augusto, ocorrida Germânia no ano 9 a.€., ou talvez com a derrota de Varo em Teutoburgo, no ano 9 d.C. Nãoé« cluída a possibilidade de Que Tito Lívio pretendesse escrever uma obra em 150 Hivros, que ct gasso até : morte de Augusto, em 14 d.C. A razão pela qual o autor tenha interrompido ne: ponto à redação da sua obra não nos é possível saber, mas provavelmente foi a sua morte. Us nota na periocha do livro 121 fornece a informação de que esse livro e os sucessivos foram pub cados depois da morte de Augusto em 14 d.C. Assim como boa parte dos historiadores latinos precedentes, Tito Lívio aumentava o vo! me da própria narração proporcionalmente à época da aproximação da era contemporânea: d 142 livros, 85 continham a história a partir da época dos Gracos (- 133 a.C.), ou seja, menos 150 amos. À dilat: no pre) cio geral da O título da obra Ab urbe condisa tibri consta de manuscritos que contêm cada década, c: io. Segundo Conte”, comenta-se que a divisão em O plano geral da obra séria assim”: Prefácio geral; Livro Livros LI (com preâmbulo-V: do início da República (509 4.C.) à destruição de Roma pelos gau- leses (390 a.C.); Livros VI (com preâmbulo)-X: lutas com os samnitas, etruscos e umbros até os anos sucessivos à batalha de Santinum (295 a.C.); origens de Roma e período monárquico; Livros XI-XV: guerra com os tarentinos e Pirro e conclusão da conquista da Itália; Livros XVI-XX: primeira guerra púnicas Livros XKL-XXX: segunda guerra púnica; Livros XXXI[-XL: guerras com a Macedônia e o Oriente até a morte de Felipe V da Macedônia (179a.C); Livros XLLKLV: até a derrota de Perseu, rei da Macedônia, e o triunfo de Lúcio Emílio Paulo (15740); A partir daí, a obra de Tito Lívio não se conservou, mas, através das periochae, epítomes compiladas em época imperial tardia, é possível conhecer os acontecimentos narrados que não chegaram até nós: Livros XLVI-XLVII: sistematização da siuação no Oriente depois da vitória na Macedônia; Livros XLVIILLII: terceira guerra púnica e destruição de Corinto (146 a.C); Livros LII-LXX: até o tribunado de Marco Lívio Druso (91 a.C), não sendo possível determi- “rar nênhumia distinção cronológica no interior desses livros; exceto que os livros LVINI-LXT tratam-das revoltas dos Grácos e os livros LXIV-LXVII da guerra contra Jugurta; Livros LKXI-LXXVI: a guerra social, isto é, a guerra contra os aliados itálicos que se rebelaram contra Roma para obter a cidadania romana e a equiparação política com Romas Livros LXXVIL-XC: lutas civis entre Mário e Sila, até a morto de Sila (78 a.C.) e os aconteci- mentos imediatamente sucessivos; Livros XCLXCVI Livros XCVII-CHI: d Magno; ; Livros CIX-CXVI: do início da guerra civil até o assassinato de César (44 a.C); até o fim das guerras de Pompeu na Hispânia: ja vitória de Crasso sobre os escravos à atribuição a Pompeu do título de CIVAGV II! Livros CKVII-CKXXITI: da chegada de Otávio a Roma até a batalha de Ácio e o fim das guerras civis (0920) Livros CXKXTV-CXLII: a época de Angusto sséas conguis Dos 142 hvros; féstaram apenas 35: 1-V: da vinda de Encias à Itália, datada no contexto da migração de alguns povos aproximada- mente no século XIT a.C. e da fundação de Roma (século VIH a.C.) até a invasão da cidade pelos gauleses; VI-XV: acontecimentos até 219 a.C.; XXL-XXX: segunda guerra púnica até 201 da um, um conjunto de cinco livros; a.C., tendo como figuras centrais Haníbal c Cipião, os quais ocupam, XXXI-XLV: guerra macedônica até o triunfo de Emílio Paulo (167 a.€.). Como fragmentos isolados restam: 1) Sêneca, o Velho, indica dois fragmentos. O primeiro narra, ao menos parcialmente, a morte de Cícero e pertence ao livro CXX; o segundo apresenta o julgamento de Tito Lívio sobre Cíco- ro; 2) um fragmento do livro XCI, descoberto em um palimpsesto da Biblioteca Vaticana, faz refe- rência à guerra de Pompeu contra Sertório, na Espanha; 3) poucos outros fragmentos descobertos no século XIX; 4) algumas frases descobertas em 1850, que não têm colocação segura. Alguns extratos de autores de épocas posteriores também trazem testemunhos sobre o texto de Lívio, como Júlio Osseguente (IV séc.) que descreve fenômenos extraordinários ocorridos entre 190 c 12 a.C., todos referidos por Lívio, Aurélio Cassiodoro, que utiliza dados de Lívio é Aufídio Basso na composição da sua Tóbula dos cônsules, e ainda o papiró de Oxírinco 668, que contém trechos dos livros perdidos KLVIII-LV e dos XXVIII-XL coúservados, que demons- tram a autenticidade das informações. Entre os testemunhos indiretos, as periochae indicam o conteúdo de cada livro, desempenhando também a função de índice, apresentando os fatos con- siderados importantes pelo autor. São de diversos tamanhos, que vão das duas linhas utilizadas para o livro CXXXVIII, até algumas páginas para os livros XLVIII e XLIX. Mesmo nesse tipo de documento há uma grave lacuna, sendo que muitos estudiosos tentaram em vão explicar a falta de periochae para os livros CXXXVI e CKXXVIL O enorme volume da obra, 142 livros, é apontado como uma das principais causas da perda de 107 livros, pois esse fator provavelmente gerava dificuldades para a transcrição e consulta dos rolos. Além disso, criou-se o hábito de se elaborar extratos de obras muito volumosas, inclusive a de Tito Lívio. Há informações sobre esse procedimento em Marcial (XIV, 90) e em Plínio, o Jovem, nas epístolas (VI, 20, 5). O desaparecimento de grande parte da obra é também explicado pela sua subdivisão em grupos separados que foram submetidos a diversos acidentes ao longo da sua transmissão. Não há um consenso na determina a 5 fontes utilizadas por Tito Lívio, principalmente m 8 de out tescertas, aparecem-Fábio Píctor, Cíncio Alimento; Acílio; Calpúrnio Pisão; Cláudio Quadrigá- rio, Valério Anciate, Licínio Macro, Élio Tuberão, Terêncio Varão, Catão, Célio Antípatro, César, Asínio Polião e Rutílio Rufo. Dentre os historiadores gregos, é marcante a presença de Arato de Sicião, Sileno de Calas, Timagenes de Alexandria e Políbio. Fábio Píctor (254 4.C.-2) narrava a história de Roma das origens c da sua fundação, fixada por ele no ano 747 a.C. até o fim da segunda guerra púnica, em uma obra escrita em grego. Cín- cio Alimento (pretor em 210 a.C.) foi o antor de uma história, em grego, na qual eram narrados os acontecimentos de Roma, desde a fundação, por cle estabelecida nos anos 729-728, até o seu tempo. Acílio, historiador romano do século II a.C., foi um autor de Annales, cm grego. A última referência a eles, em ordem cronológica, refere-se a acontecimentos do ano 184 a.C. Calpúrnio Pisão, cônsul em 133, foi autor de Annales, em pelo menos sete livros, dos primórdios da história de Roma até o século IT a.C. (ao menos até q ano 146). Também Cláudio Quadrigário foi autor de “Annales referentes à época de Sila. Sua obra narrava a história de Roma, do incêndio gaulês da época de Sila até a luta contra Sertório (78-72); a novidade por ele acrescentada à historiografia foi o aprofundamento dos fatos e personagens, distanciando-se da tradição analística. Valério Anciate foi autor de, pelo menos, 75 livros de Annales, das origens de Roma até a morte de Sila (78 a.C.); segundo uma tendência helenística, gostava das descrições ricas de efeito, com cenas dramáticas de batalha, inserções de discursos, acontecimentos miraculosos. Licínio Macro (110-66 a.C.) foi um historiador romano, narrando nos Annales Rerum Romanarum a história de Roma partir das origens; a crítica literária romana o atacou por exaltar a gens Licinia, mas não o considerava desprovido de um certo senso crítico. Élio Tuberão, do século 1 a.C., escreveu obra histórica em pelo menos 14 livros. Tetêncio Varrão (116-27 a...) escreveu um número ina- credirável de obras, em aprosimadamente 600 livros, dentre cles obras de história, geografia, história dos costumes e instituições antigas, O seu Antiquitates rerum umanarum et dininarum, perdido, retratava todo o patrimônio da civilização latina, fornecendo um quadro sistemático da vida romana, Catão (234-149 2.C.) iniciou a historiografia romana em Jatim com a obra Origenes, dividida em sete livros que tratavam: da furidação de Roma (T), das origens das cidades itálicas GI e TIL) da primeira guerra púnica (1V), da segunda (V), de acontecimentos até o ano de 152 aC. (Vie VIT) Célio Antíparro (180/170 a.C.) foi o autor de uma obra em sete livros sobre a se- gunda guerra púnica, sendo considerado o fundador da monografia histórica romana. César (100-443..) deixou duas obras historiográficas, conservadas, cujos títulos são Comentar de bel- lo Gallico, em sete livros que narram a sua campanha na Gália, e Comentarii de bello ciuili, em três ontecimentos da guerra civil, Asínio Polião (76-48.C.) escreveu Historias is guerras civis, de 60 a.C, até a batalha de Filipos, em 42 a.C. Ruxílio Rufo, cônsul em 105, escreveu Commentarii de caráter autobiográfico. livros, que tratam de que tratavam todo o periodo Enfim, Das fontes gregas há poucas notícias sobre Araro de Sicião. Sileno de Calas acompanhou na núbal durante a expedição contra Rema, campanha sobre a qual escreveu um livro de história. TE magenes de Alexan a História dos sobel las 5 ia, do século T a.C. cómo obra prifcipál as Historiái, que compresiidiá 40 livros) dos quais o primeiro e o segundo constituíam uma introdução com a exposição dos acontecimentos compreendidos entre 264 e 220 8.,, no terceiro e quarto, os acontecimentos até a batalha de Cannes (206). A partir do livro VIL inicia-se à narração propriamente analística dos acontecimentos do Oriente e Ocidente e que, no livro XKIX, chega à batalha de Pidna (168) e, com o último livro, até o ano de 145. Moreschini” resume o procedimento utilizado por Lívio no emprego das fontes da seguinte forma: ele expõe um fato, um acontecimento seguindo com fidelidade o que encontra na fonte; no fim do segmento narrativo, introduz sua consideração pessoal, de caráter político, religioso, ético, ou cita também as opiniões de outros escritores nas ocasiões que sejam divergentes da fon- te principal. É ponto pacífico entre os estudiosos que Tito Lívio faz um uso escusso da documentação contida em manuscritos c antigas inscrições, como também dos dados e pesquisas escrupulosas de Ático e Varrão. No entanto, deve-se levar em conta que não se pode exigir do historiador anti- go, como se exige do moderno, a confrontação de fontes literárias com outros documentos ofici- rídicos ou religiosos e com ou- ais existentes em arquivos públicos ou particulares, com texto tras ciências como a arqueologia, numismática, geografia c topografia. Além disso, deve ser res- saltado que a história de Roma, até o início do IV século, pode se basear apenas na tradição, pois vários documentos desapareceram depois do incêndio de Roma provocado pelos gauleses. 4 Considerações finais Ê Para concluir, é imprescindível salientar que Tito Lívio trabalha o material que toma dus suas fontes do acordo com o princípio da unidade de tempo e espaço, aplicando os cânones da construção dramática tale qual definidos por Aristóteles, O retultado pode carecer de significa- do histórico, ias tem grande efeito sobre o leitor. Desde o início, ele impóe um ritmo, alterman- do acontecimentos internos e externos, e também, mais sutilmente, uma alternância entre “tempo fraco” e “tempo forte” que permite isolar as unidades, desenvolver as personagens c, principalmente, dar uma dimensão literária à história, extrapolando o ritmo seco dos anais, transformando e produzindo, com os seus dotes retóricos, o seu talento de historiador. Considera-se como iniciador da prática de escrever um proêmio em obras de historiografia o historiador e geógrafo grego Hecareu de Mileto, do século VI a.C, um costume seguido por Heródoto e Tucídides e canonizado por historiadores do período helenístico sob a influência de Isócrates”, Desde então, é através do prefácio que o autor elucida as bases teóricas do seu discur- so histori gráfico, e assim faz também Tito Lívio. Nas primeiras linhas do seu prefácio, o auior informa q romano desde os seus primórdios c que esse procedimer sois fora utilizado por vários escritores anterioresa ele. O ay do de inícios bastante modestos, eresceu a tal pontó guê'vivencia dificuldades devido à sua'pró-" = Roma é cul- pria grandeza. Com tal afirmação, ele retoma um tema presente em vários autore pada da sua própria ruína, se autodestruin. O autor ressalta o interesse des romanos do tempo pela história contemporânea. Por sua vez, ele se contrapõe, enfaticamente, ao gosto do tempo: Eu, do contrário, procurarei também nisso uma recompensa ao meu esforço, ou seja, hei de me afastar do exame dos males que nossa geração presencia há tantos anos, enquanto, com certeza, durante esse longo tempo, em meu pensamento recupero to- talmente aquele passado, livre de toda preocupação que, embora não possa desviar da verdade a conduta de um escritor, poderia contudo pertubá-lo!!, Através do prefácio, apresenta uma outra característica do seu método: “Não tenho o pro- pósito de assegurar nem de refutar os futos que, anteriores à fundação de Roma ou mesmo à pró- pria intenção de fandá-la, são transmitidos ornados com elementos poéticos mais do que basea- dos em fontes fidedignas”?, E acrescenta que a concessão de misturar ações humanas com as di- vinas, isto é, adotar Marte como fundador de Roma é completamente bem aceita, sem atirdes antagônicas de outros povos. Para Tito Lívio, a lição que a história, magistra vitae, deve dar é: “que cada um por si questione profundamente que vida e costumes tiveram, por quais homens e em quais condições, na paz e PB, às condições de vida e os costumes, a mentali- na guerra, o Império foi criado e engrandecido dade que constituem a essência da romanidade que expressaram os homens, os heróis, que leva- ram à criação das artes próprias da romanidade, sendo o termo artes usado no sentido de caracre- xísticas da civilização romana. Ele insiste, reiteradamente, que a ganância, a ambição, o desejo excessivo por divertimentos e luxo são as causas fundamentais da decadência morale da dissota- ção dos costumes em Roma “ A descrição do prefácio, embora sucinta; revela as características fundamentais da aborda- gem historiográfica do autor. À posição de Lívio em relação à interpretação da história romana é, em boa parte, influenciada pela filosofia estoica, principalmente pelos seus conceitos de fortu- na e de farum"*, A sua posição nos confrontos das lendas antigas é semelhante àquela dos estoi- cos da época de Cícero, que aceitavam os mitos mais antigos, mesmo se evidentemente absur- dos, porque os interpretavam de maneira alegórica. Em relação aos mitos antigos de Roma, Tito Lívio afirma, no prefácio da sua obra, que não irá defendê-los nem refutá-los. Quanto à concepção de formna, Lívio se diferencia de uma longa tradição historiográfica que remontava à época | ai o tonceito era geralinente empregado parailasirara mudança ocorrida nos a de Roma, as suas ER porâncos suscitam cautela na abordagem:de certos assuntos. Tito Lívio afirma preferir a narra-. ção das origens porque graças a isso pode se afastar da visão dos males gerados pelas guerras ci- vis. À narração do glorioso passado de Roma é, para cle, um refúgio em relação à preocupação (curaz) que nele provoca o relato dos acontecimentos mais recentes e contemporâneos. Ele apresenta um aparente pessimismo diante da crise, mas se recusa a se concentrar nela e reconhece que, apesar de a corrupção e a decadência dos costumes terem sc introduzido em Roma, isso ocorreu mais tarde do que em qualquer outro lugar e que, no conjunto, nenhum ou- tro povo pode oferecer exemplos mais célebres de grandeza moral e de integridade de costumes. Para Tito Lívio, a história deve tratar mais das virtudes e vícios dos homens envolvidos em política do que das instituições políticas. Deve tratar do desempenho dos líderes e exércitos na guerra, com ênfase particular na prudentia cu temerizas dos comandantes e a coragem ou covardia dos combatentes. O objetivo principal é demonstrar o impacto decisivo desses fatores nogacon- tecimentos. Assim, a história de Titó Lívio é sobretudo, uma história psicológica em que se de- fincia aatitude mental com a qual indivíduos e comunidades conírontam as suas obrigações e os seus triunfos. Não há preocupação pela busca das causas, mas a indicação dos costumes, dos ho- mens c das habilidades que proporcionaram aos romanos a condição de superioridade em várias partes do mundo. Segundo Fedeli”, os vários acontecimentos e personagens, sobretudo os relacionados ao passado mítico, não são tratados para discernir o verdadeiro do falso e sim para fornecer exempla visando a um objetivo pedagógico. Essa preocupação didática e pedagógica sempre presente nas histórias de Tizo Lívio faz com que entre ele e Políbio, uma de suas fontes, existam diferenças, pois, em Políbio, são preponderantes os interesses estratégico-políticos e os acontecimentos mi- “litares, aos quais Tito Lívio não dá tanta importância, para se deter de preferência na caracteri- zação dos gragdes personagens individuais, fornecendo, assim, ao homem exemplos a serem imitados ou eyitados. O alvo da historiografia é o de guiar e sustentar os governantes e os povos, mediante modelos de empresas heroicas a fim de que nas suas escolhas políticas e na expansão do imperium tenham como fundamento um estilo de vida e estruturas políticas capazes de dire- cionarem outras nações a uma forma de civilização superior”. Como é natural, as opiniões dos críticos antigos de Tito Lívio dizem respeito ao cstilo mais do que à sua qualidade de historiador. Por outro lado, os antigos não admitiam uma clara distin- ção entre forma e conicúdo. Alguns julgamentos literários que chegaram até nós vão além do es- tilo e da redação. No gosto estilístico, Lívio se opôs claramente à tendência de Salústio, aproxi- mando-se do estilo que Cicero tinha proposto para a historiografia romana, Quintilian quere- conhecia a grandeza superior de Salústio como historiador“, contrapunta a sua breuilas à lactec recorrer a ubertas de Lívio, querendo, com essa expressão, criticar o que julga defeito do autor: expressões e estruturas mais longas do que o necessário. As características fundamentais da narrativa em urna leitura su tendência, iniciada ainde em época helenística, denominada “historiografia dramática”. Mas a sua imitação dessa historiografia é mais uma filiação a uma longa tradição retórica e cultural é não uma imitação específica de determinados autores. A predileção pelo anedótico e pelo pathos a qualquer custo está, sem dúvida, muito distante do gosto de Tito Lívio, que também recusa todo embelezamento de tipo erótico tão apreciado em época helenística. Outra característica pe- culiar é a limitação dada aos excursus erográficos e geográficos. O hábito de inserir discursos, em forma direta ou indireta, em uma narração histórica não era uma novidade do autor; ao contrário constituía um dos elementos obrigatórios da própria narrativa, remontando a Tucídides. É evidente que esse meio retórico tinha para o autor a sua importância, principalmente para a reconstrução da psicologia dos personagens. Por esse moti- vo, pode-se dizer que na sua obra os discursos não são clementos estranhos, mas aparecem bem inseridos no contexto. O discurso indireto, particularmente, é utilizado por parecer menos ar- riscado ao autor, na medida em que não gera uma ruptura do tom narrativo. É interessante mencionar um outro ponto da estrutura narrativa de Tito Lívio: a composi- ção por episódios. A narração, assim, tende a se consolidar em torno de um núclco central e a se desenvolver em função desse centro. No episódio de Lucrécia, por exemplo, a narração se con- centra em torno de uma personagem que tem a função de se constituir em um exemplum, ou seja, a construção artística se coaduna com o propósito moralizante. Ele evita, de propósito, a cons- trução em períodos, recorrendo ao uso de parênteses que lhe permitem economizar as frases se- cundárias, sobretudo as de narureza causal ou relativa. Qutra marca é a presença de frases cx- pressivas, breves, cheias de concisão, bem como o uso do ussíndeto, além da utilização de muitas palavras e construções sintáticas próprias da poesia, sobretudo da poesia arcaica. Tito Lívio sabe conferir 29 próprio estilo uma admirável maleabilidade e variedade; na primeira década são mais visíveis os elementos de gosto arcuizante, conforme a remota solenidade dos eventos narra- dos; enquanto nas partes sucessivas predominam os cânones do novo classicismo. A linguagem da obra liviana parece ser caracterizada por um forte colorido poético, no sen- tido de que muitas palavras c construções sintáticas próprias da pocsia, particularmente da poe- sia arcaica, tornam mais precioso o léxico do historiador é contribuem para manter a narrativa em um nível de sustentação e de pathos. Observa-se o emprego frequente de palavras e de termos o artística pode ser comprovada no prefácio, uma vez que o autor parece arcaicos, Essa pretens escrever movido mais por interesse literário do que por razões políticas ou morais. Ele considera asi próprio mais como um artista criativo do que como um pesquisador, o que fica claro no inf- cio e no fim do prefácio, aparecendo primeiro na estrutura dactílica da abertura” e no encerra- »xm uma velada invocação aos deuses, comum no início de grandes obras e poemas. giado por muitos autor zes. Delo-háteferências diretas em Sêneca, o Velho (Suesbrize VI, 22), Quintiliano (Tastifito Ora- oria 1,5, 19), Sêneca (Deira 1, 26, 6) e Tácito (Vita Agricolas 4, 34). Pela análise do conteúdo das suas obras, fica evidente que Lívio exerceu uma atração irresistível em autores como Ovídio (43 aC.-8 d.C.) Lucano (39-65 d.C) e Sílio Itálico (26-101 d.C), autor da Punica, poema que trata sobre as guerras púnicas e apresenta como modelo evidente Tito Lívio, chegando a parafrasear vários trechos do Ab urbe condira. No principado de Domiciano (81-96 d.C.), Mécio Pomusianum reviu discursos de reis e co- mendantes, retirados de Tito Lívio. Além dele, recorreram à obra liviana o historiador e crítico titerário Asconio Pediano (I séc. d.C.), Valério Máximo, contemporâneo do Imperador Tibério, que escreveu em nove livros a obra Faciorum ez dictorum memorabilium Libri, que consta de uma sé- rie de exemplos de vícios e virtudes, mas também de instimuições e costumes, Frontino (30-103 AC), Floro (LI séc. d.C.) autor de uma Epitoma de Tito Livio bellorum omnium annorum DOC, é Eutrópio (segunda metade de séc. IV), que escreveu o famoso Breuiarium ab urbe condita, cuja fonte principal, para os primeiros livros, é Tito Lívio. Quanto aos autores gregos, recorre- ram a Lívio Dion Cássio (155-235 d.C), antor de uma Zfistória Romana, e Plutarco (45-125 d.C.) autor de Vidas paralelas, biografias de homens ilustres gregos é romanos. No início da Idade Média, a fama de Tito Lívio se reduziu bastante, mas elementos da obra liviana podem ser observados, por esemplo, no cronista francês Eginardo (-- 770-840) e em Lambert von Hersfeld (morto depois de 1080), autor de Amnales (1073-1077). Moreschini? res- salta que pesquisas recentes sobre a história de Tito Lívio na Idade Média, pelo menos até Pe- trgrca, não existem, somente monografias sobre problemas particulares, O conhecimento sobre Tito Lívio ultera-se bastante a partir do início do século XV, devido a iniciativas do próprio Pe- trarca e dos seus colaboradores eamigos. A difusão e a multiplicação das cópias que continham a otra liviana foram incrementadas pelo renascimento carolíngio, mas apesa disso a fama de Tito 1 ívio era ainda bastante limitada nos últimos decênios do século IX. | A retomada notável do autor é atestada por Dente, com o segundo livro so Ds monarchia. Dante colócou Tito Lívio entre os grandes prosadores no De uulgari eloguentia, composto apro- ximadamente em 1304e não concluído, em que repensa e rcelabora o trabalho artístico que o ha- via levado dos primeiros versos juvenis às grandes canções doutrinais. É o ponto de chegada da paixão retórica que estimulava os escritores do século XII e do seu gosto por uma expressão que não se prende de imediato aos dados da realidade e do sentimento, mas os filtra através de uma complexa rede de mediações cultarais e estilísticas e de uma intensa elaboração intelecrual, A importância bisrórica e cultural de Tito Lívio aumenta no período compresadido entre osúltimos decênios do século XI cos primeiros do século XIV. Nessa época, Albertino Mussa- co (1262-1329) compõe as su Salústio e César. Além deter reanido em um único corpus toda a obra de Tito Lívio conhecid Hlistoriae, tendo como modelo Lívio. yros XLI-XLV. terceira e quarta di jão contra Cartago. O conteúdo aparente é a Segunda Guerra esta grandeza, as- nove livros, narra 68 feitos dé Cip: Púnica, mas o conteúdo real é a admiração de Petrarca pela Roma Antiga e pel s antigos, principalmente Tito Lívio. Essa sim como aparece nas obras dos grandes historiador: divulgação da obra resultou na tradução da obra liviana em vulgar durante o século XIV, uma empreitada em que se destacou Giovanni Boccaccio, responsável pela divulgação das décadas terceira e quarta em italiano. No século seguinte, as histórias da República Florentina compostas em latim por Poggio Bracciolini, célebre descobridor de textos desconhecidos como a Znstiturio oratoria de Quintiliano eo Detesum natura de Lucrécio, o Leonardo Bruni devem muitos dos seus elementos à influência de Lívio. Leonardo Bruni (1370-1444) compôs uma obra vasta, principalmente traduções do la- tim e do grego, e a sua obra historiográfica Historiarum Plorentini populi libri XII apresenta muitos pontos em comum com a obra de Lívio, visto que Bruni começa a sua narrativa com as origens lendárias de Florença, chegando até o ano de 1404. Também o Rerum suo tempore sestarum commen- sariê imita os historiadores latinos. Outro grande admirador de Lívio, mesmo assinalando muitas vezes os seus esros, foi Lorenzo Valla. O célebre humanista visa alguns clementos estílísticos de Lívio, como a inserção de diálogos e cenas de caráter dramático, na composição da sua única obra no gênero historiográfico, os Gesta Ferdinandi regis Avagonum Libri, além de escrever as Emendatio- nes sex librorum “ii Livi, que compendiam os livros XXI-XXVIa partir do texto de um manuscrito já anotado por Petrarca, entre outros códices, por volta de 1446 e 1447. Os humanistas se esforçaram particularmente na busca dos livros perdidos, mas os resulta- dos só aparecem no século seguinte, em 1527, quando foram encontrados os livros 41-45, e depois, em 1615, com o livro 33. Além de influenciar vários historiadores, nas árias épocas da sua recep- ção, OS seus personagens se projetaram para outros gêneros literários, em prosae em pocsia, sen- do que temas e situações de tragédias foram levados aos palcos da Ttáia e da França a partir do texto do Ab urbe condita. Os Discorsisopra la prima deca de Tito Livio, de Maquiavel, foram compostos, provavelmente, no período entre 1513 (ou 1512) e 1519 (ou 1517), e pertencem à épúca de insucesso político do 512, O liveo faz um confronto entre a história florentina, ita autor que perdeu o seu cargo em 1 interpretação e de discriminação liana e europeia ea história de Roma, tomada como critério de do Sbem? e do “mal” políticos. É a primeira reflexão moderna sobre Roma que se propõe a reti- rar ensinamentos históricos de valor duradouro e universal. No proêmio da livro primeiro dos Discorsi, Maquiavel ressalta que a proposta de escrever sobre política e históriaa partir dos livros que restaram de Tito Lívio é tirar os homens do erro de considerar difícil ou impossível a imita- ção dos exemplos antigos: ário escrever sobre julguei aee Desejando, portanto, retizar os homens desse err pele ação maligna do todo o livros de Tito Lívio que não foram trucida aqui que es, segundo as coisas antigas e modernas julgar ão ler est ose modo que aqueles que & pela qual 1 ad discursos possam estrair aquela utilid se pe Segundo Canfóra”, Maquiavel constitui-se no herdeiro e iniciador de uma tradição huma- nista inclinada a estabelecer uma relação mimética de renovatio no que diz respeito aos antigos, principalmente a Tito Lívio, cuja obra é uma das mais importantes a serem consultadas. À obra, ao contrário daquela dos primeiros humanistas, é escrita em italiano, ou seja, visa a uma difusão realmente ampla dos exemplos livianos que demonstram as causas da grandeza do Império Ro- mano, que Maquiavel, através da restauração das antigas virtudes, deseja que sejam renovadas pelos novos cidadãos. O florentino assume assim o principal propósito do grande historiador ro- mano, que é o de estimular a emulação dos exemplos antigos mais notáveis que elevaram a dig- nidade de um povo através do incremento da sua força social, política, militar e intelectual, pois asua cidade é ao mesmo tempo à herdeira e a continuação dos valores que impulsionaram o po- derio dos romanos. Voltando aTito Lívio, deve-se recordar sempre que o historiador antigo não é um pesquisa dor científico, é, antes de tudo, um escritor. O termo historia que designava o gênero literário é importado da Grécia. A matéria histórica são as res gestae, as empresas dos homens ilustres. So- mente depois do século XIX, a história se Lorna uma disciplina científica que propõe como úni- ca tarefa analisar o passado, não contá-lo. O homem antigo ignora essa concepção de verdade histórica, mas isso não significa que ele omita a interrogação sobre a realidade dos fatos e dos acontecimentos; mas os critérios dessa realidade são simples: o testemunho concordante dos autores que o precederam, a persistência de uma tradição oral sólida, a verossimilhança dos atos e das personageas. Os conhecimentos arqueológicos de Tito Lívio deviam ser escassos, mas se- ria excessivo exigir de um historiador antigo um conhecimento científico da arqueologia que, por fulta de instrumentos adequados, bassava-se geralmente na tradição oral ou nas obras dos autores dos Annalss. A credibilidade de Tito Lívio não sestênta o confronto com a crítica histórica moderna que conta com procedimentos de análise ignorados pelos historiadores antigos, todavia não se pode não reconhecer a sinceridade de inspiração liviena em querer oferecer aos contemporâncos e à posteridade um quadro do conjunto da realidade histórica do povo romano desde o seu advento. Sob esse aspecto, Tito Lívio foi o grande historiador a apresentar, através de um grande número de personagens, as características distintivas da romanidade na sua essência genuína c no seu desenvolvimento através dos séculos. “A história dos fatos mais antigos, para ele, pertence à área da tradição; o que importa é como as coisas foram contadas a partir do acontecido. O historiador é um cidadão, ele se preocupa em realçar a dignidade do seu povo, mantendo laços aferivas muito profundos com o passado dos us antecessores, entendido dentro da sua própria tradição, que cle repete e renova, dando-lhe “sia historiográfica; torha-se claró que muitos dos defeitos « elearribuídos são falhas 'da própria tradição romana, que o desvia da análise dos processos da guerra e da política para a preocupação central com o caráter humano. Mais do que Políbio, ele nos ajuda a compreender o tempera- mento romano, com sua mistura de razão e de superstição, ou ainda as relações entre as questões internas e externas. A tradição historiográfica sobre as origens de Roma e sobre o período monárquico funda-se basicamente na narrativa de Lívio e naquela do seu contemporâneo Dionísio de Halicarnasso. fontes mais recentes, assu- Moreschini? afirma que enquanto este último se mantém preso mindo uma posição retórica, Tito Lívio constitui o mais fiel intérprete do patrimônio historio- gráfico nacional, estando a sua história intimamente ligada aos dados transmitidos por Cícero, fator que o torna o principal cânone para a história das origens de Roma c da monarquia. Posi- ção semelhante assume Martin? ao dizer que Tito Lívio realiza uma verdadeira metamorfose daquela forma dos annales que lhe parecia excessivamente sucinta, dando-lhe uma forma mais conforme às realidades romanas e mais apta a oferecer uma visão mais fiel da história. Notas ! FEDELI, P. Letteratura latina. Nápoles: Il Tripode, 1995, p. 283. 2 OGILVIE, RM. A Commentary om Livy, EV. Oxtord: Clarendorm, 1965, p. 1. 3 TAC, Annals, 4, 34 = QUINT, Fase or 1,5,56. + VIL 1,13 3 SYME, R. Livio e Augusto. In: TITO LIVIO. Storia di 1998, p. 84. s MORESCHINÊ C. Livio nella Roma Augustea. In: TITO LIVIO. Storia di Roma datla sua fondasione, LI. Milão: Rizzoli, 1998, p. 162. 7 CONTE, G.B. Loscratura latina. Virenze: Le Monnier, 1993, p. 310. j SBAYET,]. (org) Histoire romaine -T: MORESCHINI, €. Op. cit, p. 129. 1º OGILVIE, R.M. Op. cit. p. 23. 1 TITO LÍVIO. Praef., 5. As tradações aqui citadas foram extraídas de Vitorino, M.€. História de Roma, 1. Belo Horizonte álida, 2008. foundation de Rome. Paris: Les Belles Lettres, 1961, p. xii-xiii. Ed, Proof 6. Id. Progfo 8. “Ido 142,2. * V,36,6.º 16,110 VII 8 Id V, 19,8. * VL,9,3.* MORESCHINI, C. Op. cit. p- 106. “FEDELI P.Op.cis p. 2 TITO LIVIO. St SOLINAS, F. Iniroduzione. In: dada sua fonduzione, LIL. Milão: Rizzoli, 18 QUINT. Jus. or.5X, 1, 39.0 ones sm 1º Facturusne operas prezium... corresponderia a um hemistíquio de hexâmetro, mas a melhor tradição direta traz Faciurusne sim operas pretisem.. É * MORESCHINI, C. Op. cit, p. 163. » MACHIAVELLL Discorsi. proem. B, 7; texto quase idêntico em proem. 4, 9. 2CANFORA, L. Il pensiero storiografico. Im: CAVALLO, G.; FEDELI, P. & GIARDINA, A. (orgs). Lo Spazio letterario di Roma Antica, V. TV. Roma: Salerno, 1999, p. 48-49. = MORESCHINI, C. Op. cit, p. 179. MARTIN, R. & GAILLARD, J. Les genres listéraires à Rome, 2. Paris: Nathan, 1990, p. 127. Referências Livros publicados nas principais coleções Collection des Universités de France (Collection Budé): 1 IZ,IIZ,IV, V, VT e VIT: org. por] Ba- yet. * VIT: org. por Ch. Guittard e R. Bloch. * XXT, XXIII, XXTV, XXVI, XXVII e XKVII: org, por P. Jal. + XX: org. por F. Nicolet-Croizat. * XXIX: org. por P. François. « XXXT: org. por A. Hus. + XXXII: org. por B. Mino. * XXXIII: org. por G. Achard. * XXXV: org, por R. 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