Trabalho sobre Projeto Estrutural, Notas de aula de Engenharia Civil
mariane-de-pieri-5
mariane-de-pieri-5

Trabalho sobre Projeto Estrutural, Notas de aula de Engenharia Civil

37 páginas
50Números de download
1000+Número de visitas
100%de 0 votosNúmero de votos
8Número de comentários
Descrição
Trabalho sobre projeto estrutural apresentado na aula de introduçao a engenharia do curso de engenharia civil da UTFPR-PB
100 pontos
Pontos de download necessários para baixar
este documento
Baixar o documento
Pré-visualização3 páginas / 37
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 37 páginas
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 37 páginas
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 37 páginas
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 37 páginas

ALINE PAULA ASSMAN

ANA CAROLINA CURVINA UBALDO

JACKSON

JÉSSICA KLEMM NUERNBERG

PRISCILA DALMAGRO PENNA

PROJETO ESTRUTURAL

Pato Branco, Abril de 2010.

Ministério da Educação Universidade Tecnológica Federal do Paraná

Campus Pato Branco

PAGE 4

Curso de Engenharia Civil

PROJETO ESTRUTURAL

Pato Branco, Abril de 2010.

PAGE 4

RESUMO

Este trabalho aborda o conceito de estruturas para a engenharia, assim como os elementos estruturais indispensáveis num projeto, que envolve vigas, pilar, lajes, treliças, cabos e arcos, ou uma mistura destes. Inclui, também, os diferentes materiais que podem constituir um projeto estrutural (madeira, aço, concreto armado) e as vantagens e desvantagens de cada um. Abrange as forças atuantes nas estruturas e como agem nos diferentes elementos. Por fim, trás as patologias relacionadas com as estruturas e que representam um fator de risco. O trabalho apresenta textos e figuras referenciadas e tem como intuito o aprendizado e o compartilhamento dos conhecimentos adquiridos.

Palavras-chave: Projeto estrutural. Elementos estruturais básicos. Aço. Concreto Armado. Madeira. Patologias.

PAGE 4

SUMÁRIO

LISTA DE FIGURAS...........................................................................................5 LISTA DE TABELAS...........................................................................................6

PAGE 4

LISTA DE FIGURAS

PAGE 4

LISTA DE TABELAS

1.

PAGE 4

INTRODUÇÃO

Uma estrutura é criada para servir a um propósito definido. Os

requerimentos podem ser para: abrigar um espaço (coberturas), suportar

veículos (pontes) e máquinas, ou conter ou reter materiais (silos, barragens).

Uma estrutura pode ser projetada com o propósito de trafegar no espaço, estar

sobre o terreno ou enterrada, flutuar ou ser submergida.

Para que ela cumpra o seu propósito, distintos objetivos de projetos

devem ser especificados e satisfeitos, como por exemplo: segurança,

durabilidade, performance em serviço e conforto dos usuários. Além desses, a

estética ou aparência da estrutura deve ser seriamente considerada.

De maneira a cumprir com esses e outros objetivos de projeto, devemos

ter um entendimento aprofundado do comportamento dos materiais, dos

componentes estruturais e do sistema estrutural como um todo. Dentre os mais

importantes objetivos de um projeto ressalta-se a segurança estrutural.

Rupturas localizadas, distorções excessivas, fadiga do material, flambagem e

formação de mecanismos plásticos em um sistema estrutural são inaceitáveis

sob quaisquer circunstâncias, já que tais modos de colapso podem resultar em

pesadas perdas materiais e, acima de tudo, de vidas humanas.

Além da segurança contra o colapso, uma estrutura deve satisfazer os

critérios de utilização, isto é, todos os aspectos de performance devem ser

aceitáveis para o uso pretendido. O engenheiro estrutural almeja o melhor uso

dos materiais disponíveis e o menor custo possível de construção e

manutenção da estrutura.

O Projeto Estrutural, também chamado de Cálculo Estrutural é o

dimensionamento das estruturas, sejam elas de concreto armado, madeira ou

aço, que vão sustentar a edificação, transmitindo as suas cargas ao terreno.

Elaborado por um engenheiro civil, esse projeto é de fundamental importância,

pois é o responsável pela segurança do prédio contra rachaduras (trincas) e

desabamentos. Uma estrutura com lajes, vigas, pilares e fundações

superdimensionados representa custos altos e não significa obrigatoriamente

segurança.

2. DEFINIÇÃO DE ESTRUTURA

PAGE 4

À primeira vista a resposta a esta pergunta parece óbvia: estrutura é

tudo aquilo que sustenta, tal qual o esqueleto humano. No entanto, o conceito

de estrutura é mais amplo e encontra-se em todas as áreas do conhecimento

humano.

Segundo Rebello (2000), se perguntarmos a um músico o que ele

entende por estrutura, a resposta poderá ter palavras diferentes daquelas ditas

por um engenheiro ou um arquiteto, mas a idéia básica será a mesma. Assim,

estrutura é um conjunto, um sistema, composto de elementos que se inter-

relacionam para desempenhar uma função, permanente ou não.

No caso das edificações, a estrutura é o conjunto de elementos – lajes,

vigas e pilar – que se inter-relacionam – laje apoiando em viga, viga apoiando

em pilar – para desempenhar uma função: criar um espaço em que pessoas

exercerão diversas atividades.

3. ELEMENTOS ESTRUTURAIS BÁSICOS

Os principais tipos de elemento estrutural, de acordo com a geometria e

o tipo de esforço suportado, são:

3.1.. CABO

O cabo, geralmente feito de aço, é uma barra cujo comprimento é

predominante, o que o torna flexível, ou seja, não apresenta rigidez nem à

compressão nem à flexão. O cabo apresenta resistência apenas quando

tracionado, devendo ser usado em situações em que ocorra esse tipo de

esforço, como em pontes (REBELLO, 2000).

A Figura 1 demonstra como uma estrutura flexível, como um cabo, muda

drasticamente de forma, ao variar do carregamento.

FIGURA 1: Estruturas flexíveis (adaptado de SHODEK, 1992)

3.2.. ARCOS

PAGE 4

Arcos são elementos estruturais bastante usados em obras da

engenharia civil devido à sua capacidade de vencer grandes vãos sem colunas

intermediárias. Pontes, galpões, hangares e ginásios são alguns exemplos de

construções onde se verifica a aplicação desse elemento estrutural (REBELLO,

2000).

3.3.. VIGAS

As vigas são os elementos da estrutura que recebem as reações das

lajes, e eventualmente de outras vigas, e as transmitem para os pilares. São

elementos geralmente horizontais, sujeitos a cargas transversais ao seu eixo

longitudinal, trabalhando essencialmente à flexão.

As vigas numa estrutura de concreto armado podem ser revestidas ou

aparentes. Para edifícios residenciais e comerciais, com freqüência opta-se por

esconder a estrutura, ou seja, o revestimento cobre as vigas e pilares.

Há alguns anos atrás, era comum projetar vigas em quase todas as

posições de paredes, o que levava a um grande consumo de fôrmas.

Atualmente, dado ao custo das fôrmas e à agilidade construtiva, é comum se

considerar paredes descarregando seu peso próprio diretamente sobre lajes, o

que conduz a estruturas menos recortadas, lajes maiores e menos vigas.

As vigas não precisam descarregar diretamente sobre pilares, podendo

existir apoio de viga sobre viga. A viga de maior altura, sendo a de menor vão,

tem rigidez muito superior àquela de menor altura, de modo que a menor se

apoia na maior, denominada viga principal (UFV, 2010).

A viga é um elemento estrutural que se caracteriza por transmitir cargas

verticais ao longo de um vão através de um eixo horizontal. Dessa forma, o vão

sob a viga é totalmente livre e aproveitável, o que não ocorre no cabo e no

arco, cujos eixos são curvos e limitam parte do espaço sob eles. Graças a essa

virtude, a viga é o sistema estrutural mais usado. (REBELLO, 2000)

As edificações basicamente apresentam três tipos de vigas, que diferem

na forma em que são ligados aos seus apoios. As vigas podem ser:

• Viga em balanço ou em console: é uma viga de edificação com um só

apoio, como a da Figura 2. Toda a carga recebida é transmite a um único

ponto de fixação;

PAGE 4

FIGURA 2: Viga em balanço (Fonte: autoria própria).

• Viga biapoiada ou simplesmente apoiada: diz-se das vigas com dois

apoios, representada na Figura 3, que podem ser simples e/ou

engastados, gerando-se vigas do tipo simplesmente apoiadas, vigas

com apoio simples e engaste, vigas biengastadas;

FIGURA 3: Viga biapoiada (Fonte: autoria própria).

• Viga contínua: diz-se da viga com múltiplos apoios, de acordo com a

Figura 4 (WIKIPÉDIA).

FIGURA 4: Viga contínua (Fonte: autoria própria)

Há, ainda, um tipo especial de viga, chamada Viga Vierendeel, ilustrada

na Figura 5. A viga Vierendeel consiste num sistema estrutural formado por

barras que se encontram em pontos denominados nós, assim como as treliças.

As barras horizontais da viga Vierendeel são chamadas de membruras e as

verticais, montantes.

FIGURA 5: Viga Vierendeel. (Fonte: MUBE)

1.. PILARES

Um pilar é um elemento estrutural vertical usado normalmente para

receber os esforços verticais de uma edificação e transferi-los para outros

elementos, como as fundações. Desta forma, é considerado o elemento

estrutural de maior importância dentro do sistema de estruturas (VIDEO

LIVRARIA).

A distribuição do carregamento nos pilares de um edifício ocorre

conforme a representada na Figura 6.

PAGE 4

FIGURA 6: Distribuição do carregamento nos pilares de um edifício. (Fonte: REBELLO,

2000).

A princípio, seria interessante colocar pilares em todos os cruzamentos

de vigas, o que faria com que as cargas percorressem o caminho mais curto

entre o ponto de aplicação e a fundação. Entretanto, uma estrutura pode se

tornar antieconômica e, até mesmo, restritiva sob o ponto de vista funcional,

caso sejam projetados pilares muito próximos uns dos outros. Os pilares devem

se localizar em pontos que não interfiram no conjunto arquitetônico e não

comprometam a circulação de halls, salas, pilotis, garagens, etc. (UFV, 2010).

2.. LAJES

São elementos estruturais planos onde as dimensões em duas direções

prevalecem sobre uma terceira. Normalmente se apresentam na posição

horizontal, e são elas que recebem as cargas que agirão sobre a estrutura. As

lajes podem ser tetos e pisos (CESEC).

3.. TRELIÇA

A treliça, representada na Figura 7, é um sistema estrutural formado por

barras que se unem em pontos denominados nós. Constitui um sistema

estrutural muito econômico em termos de consumo de material, sendo,

portanto, útil para vencer grandes vãos. Por este motivo, a treliça é muito

empregada em coberturas e pontes (REBELLO, 2000).

A treliça pode ser feita com qualquer material que ofereça alguma

resistência mecânica como o aço, o alumínio, a madeira, o plástico rígido. Até

com tubo de papelão é possível construir uma treliça.

Encontramos a treliça nas coisas mais simples, como num suporte de

parede para vasos de flores, uma montanha russa, torre de transmissão de

energia elétrica, etc.

FIGURA 7: Modelo de treliça (Fonte: FEC).

PAGE 4

4. RELAÇÃO ENTRE SISTEMAS ESTRUTURAIS E OS MATERIAIS

A Tabela 1 tem como objetivo facilitar a visualização da compatibilidade

entre os sistemas estruturais e os materiais disponíveis – o aço, o concreto

armado e a madeira. A tabela mostra, em princípio, o aço como o material mais

versátil, seguido pelo concreto armado, e a madeira como o mais limitado. As

notas de 1 a 5 são resultados da avaliação de 5 pontos, ou seja:

1 = Péssimo, 2 = Ruim, 3 = Regular, 4 = Bom e 5 = Ótimo. (REBELLO, 2000).

Sistemas estruturais

Aço Concreto Madeira

Cabo 5 1 1

Arco 4 4 4

Viga 4 4 3

Treliça 5 2 4

Viga Vierendeel 4 4 3

Total 22 15 14

TABELA 1: Relação entre os materiais e os sistemas estruturais. (Fonte: REBELLO, 2000)

5. ESTRUTURAS E AS FORÇAS QUE AGEM SOBRE ELAS

Antes de iniciar o estudo da estrutura e de como a força atua sobre a

mesma será necessário conceituar o que é força. “Denomina-se força ao

resultado de uma massa submetida a uma aceleração. Pode traduzir este

fenômeno pela relação F= MxA, onde F é a força, M a massa e A a aceleração”

Sendo que a força possui intensidade, direção e sentido. Para o exemplo será

utilizado à força gravitacional ou força peso e que muito interessa ao cálculo

estrutural. Para se definir a força peso de algum objeto é necessário conhecer

sua massa e sua aceleração no caso a da gravidade terrestre em torno de 9,8

m/s² para assim aplicar na expressão matemática vista acima em geral a força

é expressa em Newton (REBELLO, 2000).

PAGE 4

A estrutura é um conjunto de elementos (laje, viga, pilar) que tem por

finalidade construir espaços. Esses elementos interagem entre si de maneira a

garantir a estabilidade ou equilíbrio da edificação. De um modo geral essa

relação ocorre da seguinte forma: as lajes depositam suas cargas nas vigas,

estas por conseqüência levam as cargas recebidas das lajes mais as suas até

os pilares que finalmente distribuem suas cargas nas fundações que levam ao

solo, destino final das forças que atuam em toda a estrutura.

Como se pode perceber a estrutura se comporta como um “caminho”

uma “estrada” por onde as forças “trafegam” até chegarem ao solo, seu destino

final. Mas que forças são essas e qual a necessidade de seu entendimento?

Segundo Rebello (2000), é de estrema importância que se conheça

todas as forças que atuam na estrutura, em sua intensidade direção e sentido,

e de que forma elas se relacionam com o complexo estrutural. Assim, podem-

se dimensionar as componentes estruturais de forma a responder bem a todas

as cargas quem irão agir na estrutura até seu caminho final, o solo, garantido

dessa forma a segurança e confiabilidade da edificação.

5.1.. TIPOS DE FORÇAS

As forças externas que agem na estrutura são chamadas cargas e são

basicamente de dois tipos: de ventos e gravitacionais, a primeira em geral tem

direção horizontal enquanto a segunda tem direção vertical, podem ser

permanentes ou não. As forças permanentes são denominadas cargas

permanentes e as forças esporádicas são denominadas cargas acidentais.

5.1...1... Forças Permanentes

Forças permanentes, ou cargas permanentes, ocorrem durante toda a

vida útil da edificação, nunca deixam de existir a menos que a edificação seja

demolida, estas cargas podem ser determinadas com grande precisão em

intensidade, direção e sentido e são de origem exclusivamente gravitacional, ou

seja, o peso.

São exemplos de forças permanentes:

PAGE 4

• Peso da própria estrutura;

• Peso dos revestimentos de piso;

• Peso das paredes e cobertura.

Embora o efeito da chuva seja acidental é levado em conta no peso das

telhas e revestimentos já que estes são sempre considerados encharcados

(REBELLO, 2000).

1... Forças Temporárias

Forças temporárias, ou cargas acidentais, são cargas provenientes do

peso das pessoas, peso de móveis, peso de carros e forças de ventos entre

outras.

Vale salientar que a frenagem dos carros resulta em força e tem sentido

horizontal na estrutura da mesma forma que as forças de ventos, porém, essa

leva em consideração as dimensões da edificação. São estas forças de difícil

determinação e variam do tipo de edificação e por esse motivo seguem normas

da NBR 6120 da ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TECNICAS.

4.. DISTRIBUIÇÃO DAS CARGAS NOS ELEMENTOS ESTRUTURAIS

Todas as cargas se distribuem de maneira diferente entre todos os

elementos da estrutura e devem ser consideradas separadamente.

5.2.. Laje

Como a laje é uma superfície, logo, a carga que atua sobre esta se

distribui uniformemente sobre ela. As forças permanentes que atuam nas lajes

são seu próprio peso e o peso dos revestimentos. Também há as cargas

ocasionais que devem ser levadas em consideração nos cálculos para projetar

as lajes.

Como umas das forças em que esta sujeita é o seu próprio peso, deve

se calcular o peso do volume de concreto armado por metro quadrado de laje.

Para isso se deve conhecer a massa especifica do concreto armado e a altura

PAGE 4

da laje. Como se leva em conta o metro quadrado de laje multiplica-se apenas

a dimensão altura pela massa especifica do concreto armado utilizado, já as

cargas acidentais podem ser conhecidas pela NBR 2160.

• Peso especifico de 1m² de laje = H(altura da laje)*ϒ(massa especifica) • Peso do revestimento: Varia de acordo com o material e espessura do

contra piso, geralmente usa-se 100kgf/m².

• Peso de cargas ocasionais: É definido pela norma brasileira e depende

do tipo de uso das edificações como residenciais, comerciais ou

institucionais.

Então, para calcular todo o peso sobre a laje soma-se seu próprio peso

+ o peso do revestimento + cargas acidentais. Segue um exemplo deste

cálculo:

Peso específico do concreto armando: 2500 kgf/m³.

Altura de da laje: 0.12m

Peso específico do revestimento: 100 kgf/m²

Peso específico acidental: (definido pela NBR para escritório) 200 kgf/m².

Peso da laje (m²): altura*massa especifica

Peso da laje (m²): 0.12m * 2500kgf/m³

Peso da laje (m²): 300kgf/m²

Carga Total Incidindo na Laje por Metro Quadrado

Peso da laje + Carga do revestimento + Carga acidental

Carga da laje (m²): 300kgf/m² +100kgf/m²+200m²

Carga da laje (m²): 600kgf/m²

2... Vigas

As vigas diferentemente da laje são consideradas elementos lineares,

logo as forças que atuam sobre elas, são da mesma forma lineares.

PAGE 4

As cargas que atuam sobre uma viga são a soma de seu próprio peso +

peso de toda a carga da laje + peso das paredes e são calculadas por metro

linear. (Também o peso concentrado de uma viga que se apoia sobre a outra é

levado em consideração).

Cargas vindas do próprio peso da viga: Para calcular o peso da viga por metro linear basta conhecer o volume da viga de um metro linear e multiplicar

pela massa especifica do concreto armado.

Peso especifico de 1 m de viga = H(altura da viga)*B (base) *ϒ(massa especifica concreto)

Cargas provenientes das lajes: Antes da se calcular as cargas provenientes das lajes sobre as vigas, é necessário conhecer as dimensões da laje, já que

estas influenciam na forma em que as cargas se distribuem sobre a viga. A

relação entre o vão das lajes determina se elas serão armadas em cruz ou

apenas em uma única direção, assim quando um dos vãos da laje for muito

superior ao outro a laje será armada em uma única direção, quando essa

diferença não for tão expressiva ela será armada em cruz. Na pratica vale a

regra; Caso o vão maior seja maior do que o dobro do vão menor a laje será

armada em uma única direção e devido à rigidez do vão menor as cargas que

atuam no vão menor podem ser desprezadas, no entanto, se o vão maior for

menor ou igual do que o dobro do vão menor a laje será armada nas duas

direções (cruz) e os esforços sobre as vigas serão significativos nos dois vãos.

• Relação entre os vãos da laje:

Laje armada em uma única direção: L(lado maior da laje) > 2* l(lado menor)

Laje armada em cruz: L(lado maior da laje) ≤ 2* l(lado menor)

Cargas provenientes de lajes armadas numa única direção: Neste caso a distribuição das cargas nas vigas que a suportam acontecem apenas nas vigas

que sustentam o vão maior e as vigas do vão menor g+ não receberam outras

cargas senão a de seu próprio peso, cargas vidas de vigas que se apóiam uma

nas outras e as cargas das alvenarias, já que as cargas da laje não iram

interagir com elas. Para efeito de cálculo para se determinar a carga vinda laje

na viga por metro linear se utiliza uma faixa de um metro de largura da laje na

PAGE 4

direção do vão menor e multiplica-se pela metade comprimento do vão menor,

pois as cargas serão divididas em duas vigas.

Carga da laje sobre a viga: Peso específico da laje* (lado menor da viga/2)

Verificar Figura 8:

FIGURA 8: Cálculo da laje sobre a viga (Fonte: autoria própria).

Carga da laje sobre a viga por metro linear: Peso específico da laje* (lado

menor da viga/2)

Carga da laje sobre a viga por metro linear: 600kgf/m²* (3m/2)

Carga da laje sobre a viga por metro linear: 900kgf/m²

Cargas provenientes de lajes armadas em cruz: Coma já se sabe estas cargas se distribuem em todas as vigas que sustentam a laje, para uma forma

geral de lajes retangulares. As cargas se distribuem de maneira diferente entre

as vigas de cada vão, os vão maiores recebem um valor equivalente a área de

um trapézio de carga enquanto o vão menor recebe um valor igual a área do

triângulo, como se pode ver na figura abaixo. Essas relações foram

descobertas observando as linhas de rupturas das lajes, que são as mesmas

que delimitam os trapézios e os triângulos.

FIGURA 9: Laje formada por trapézios e triângulos (Fonte: autoria própria)

Por relações trigonométricas e de geometria plana é possível determinar

a área de cada uma das figuras representadas na Figura 9, para assim ser

possível determinar a carga de carregamento das vigas em cada um dos vãos.

Área do triângulo= (B(base)*H(altura))/2

Altura do triângulo= l(lado menor da laje)/2

Base: A base do triângulo é o lado menor da laje

Logo carga do triângulo pode ser obtida pela equação:

Carga total no triângulo: Peso específico da laje*área do triângulo

Carga total no triângulo: ϒkgf/m²*(l²m/4)

PAGE 4

Como foi aludido anteriormente que para efeito de cálculo considera a carga

por metro linear na viga divide a carga total do triângulo pelo comprimento da

viga menor, então se tem.

Carga por metro linear de viga (carga do triângulo): ϒkgf/m²*(lm/4) Exemplo:

Carga por metro linear de viga (carga do triângulo): 600kgf/m²*(5m/4)

Carga por metro linear de viga (carga do triângulo): 750kgf/m

Área do trapézio= [(B(base maior)+b(base menor)/2]*H(altura)

Altura do trapézio= l(lado menor da laje)/2

Base maior: A base maior do trapézio é o próprio lado maior da laje

Base menor = L(lado maior da laje) - l(lado menor da laje)

Logo carga do trapézio pode ser obtida pela equação:

Carga total no trapézio: Peso especifico da laje*área do trapézio

Carga total no trapézio: ϒkgf/m²*[(Lm+lm)/2) *lm/2 Como foi aludido anteriormente que para efeito de cálculo considera a carga

por metro linear na viga divide a carga total do trapézio pelo comprimento da

viga maior, então se tem.

Carga por metro linear de viga (carga do trapézio): ϒkgf/m²*lm/4*[2-(lm/ Lm)] Exemplo:

Carga por metro linear de viga (carga do trapézio): 600kgf/m²*5m/4*[2-(5m/6m)]

Carga por metro linear de viga (carga do trapézio): 875kgf/m

Cargas provenientes das alvenarias: Da mesma forma como as lajes as alvenarias (paredes e seus revestimentos), também depositam suas cargas

sobre as vigas. Como já foi visto anteriormente é interessante para efeito de

cálculo estrutural considerar a carga depositada na viga por metro linear. Para

determinar o peso das alvenarias é importante calcular o peso do volume de 1

metro de largura de alvenaria ao longo do comprimento da viga. Porém para

isso é necessário determinar antes o peso do metro cúbico da alvenaria

utilizada. Embora as alvenarias mudem de edificação para edificação abaixo

são apresentados as massas especificas das alvenarias mais utilizadas.

PAGE 4

Lava-se em consideração que os blocos e tijolos são revestidos (parede com

acabamento).

Tijolos de barro maciços 1680kgf/m³

Tijolos cerâmicos 1120kgf/m³

Bloco de concretos 1250kgf/m³

As cargas das alvenarias sobre as vigas são dadas pela função matemática.

Carga da alvenaria: ϒ(massa especifica da alvenaria)*B(base da parede)*H(altura) Carga da alvenaria: 1680kgf/m³*0,22m*2,80m

Carga da alvenaria: 1034,38kgf/m

Para um melhor entendimento será feita uma demonstração qualquer sobre as

cargas agindo nas vigas e lajes.

Serão utilizados os dados das cargas obtidas nas demonstrações acima.

Exemplo do calculo para laje armada em uma única direção (L> 2*l)

Peso específico da laje: 600kgf/m²

Dimensões da laje: 7m x 3m

Peso viga= H(altura da viga)*B (base) *ϒ(massa especifica concreto) Peso viga= 0,30m(altura da viga)*0,22m (base) *2500kgf/m²(massa especifica concreto)

Peso viga= 165kgf/m

Carga das alvenarias: 1034,38kgf/m

Dimensões das alvenarias: 0,22m(base da parede)*2,80(altura)

Cargas na viga do vão menor:

Carga da própria viga: 165kgf/m

Carga da laje sobre a viga: 900kgf /m

Carga da Alvenaria: 1034,38kgf/m

Carga total da viga: peso específico da viga + carga da laje + carga da

alvenaria

Carga total da viga: 165kgf/m + 900kgf/m + 1034,38kgf/m

PAGE 4

Carga total da viga: 2099,38kgf/m

Cargas na viga do vão maior:

Carga da própria viga: 165kgf/m

Carga da Alvenaria: 1034,38kgf/m

Carga total da viga: peso específico da viga + carga da alvenaria

Carga total da viga: 165kgf/m +1034,38kgf/m

Carga total da viga: 1199,38kgf/m

Exemplo do calculo para laje armada em cruz (L≤ 2*l)

Peso específico da laje: 600kgf/m²

Dimensões da laje: 6m x 5m

Peso viga= 165kgf/m

Carga das alvenarias: 1034,38kgf/m

Carga da laje por metro linear de viga (carga do trapézio): 875kgf/m

Carga da laje por metro linear de viga (carga do triângulo): 750kgf/m

Carga no vão menor:

Peso viga= 165 kgf/m

Carga das alvenarias: 1034,38 kgf/m

Carga da laje por metro linear de viga (carga do triângulo): 750kgf/m

Carga total por metro linear de viga: peso da viga + carga alvenaria + carga da

laje

Carga total por metro linear de viga: 165 kgf/m +1034,38 kgf/m +750 kgf/m

Carga total por metro linear de viga: 1949,38kgf/m

Carga no vão maior:

Peso viga= 165 kgf/m

Carga das alvenarias: 1034,38 kgf/m

Carga da laje por metro linear de viga (carga do trapézio): 450kgf/m

Carga total por metro linear de viga: peso da viga + carga alvenaria + carga da

laje

Carga total por metro linear de viga: 165 kgf/m +1034,38 kgf/m +875 kgf/m

PAGE 4

Carga total por metro linear de viga: 2074,38 kgf/m

Sabendo que todas as forças têm destino final no solo, as cargas das

lajes e vigas se somaram a dos pilares de sustentação e serão transmitidas ao

solo.

6. ESTRUTURAS DE AÇO

3... HISTÓRIA

Os metais já eram utilizados há cerca de 4000 a 5000 anos a.C., e o aço

já era conhecido desde a antiguidade (egípcios, romanos, chineses). Mas

apenas no século XIX, advindo da Revolução Industrial, as sociedades

alcançam um estágio de desenvolvimento tecnológico, econômico e social que

acaba por determinar certas necessidades, irrelevantes até então. Os novos

tempos exigem grandes espaços cobertos para mercados e estações de trem;

a supressão dos obstáculos visuais (paredes e pilares) – exigem grandes vãos.

Neste momento que a utilização do metal nas construções se faz

importante, principalmente por sua resistência (e também pela

incombustibilidade). Surgem diferentes sistemas estruturais para a execução

de edifícios com grandes vãos livres e grandes alturas que ampliam as

possibilidades oferecidas pelo material.

O primeiro material siderúrgico utilizado em estruturas foi o ferro fundido.

Em meados do século XVIII, é aplicado um grande exemplo: a ponte

Coalbroockdale, na Inglaterra, com 30 m de vão, ilustrada na Figura 10. Nesse

período são construídas diversas pontes usando sistemas estruturais em arcos

e treliças. Seus componentes eram de ferro fundido, trabalhando

principalmente com a compressão.

FIGURA 10: Ponte de Ferro sobre o rio Severn, na Inglaterra. (Fonte: ARQUITETURA DO

FERRO)

PAGE 4

O final do século XIX caracteriza-se pela difusão do ferro fundido, do

ferro laminado e do vidro como materiais construtivos. Sobressai-se o Palácio

de Cristal, de Joseph Paxton, para a Exposição Universal de Londres, em

1851,projeto vencedor de um concurso principalmente em razão do seu

processo construtivo. Paxton propôs um sistema de unidades moduladas pré-

fabricadas e padronizadas. Ele foi o precursor da pré-fabricação total em

grande escala.

Apesar de ser conhecido desde a antiguidade, é apenas após 1856, com

a invenção pelo inglês Henry Bessemer de um forno apropriado, que o aço

começa a ser produzido em escala industrial. A primeira utilização estrutural do

aço acontece em 1867, na Ponte Eads, sobre o Rio Mississipi, em St Louis.

4... COMPOSIÇÃO DO MATERIAL

O aço é uma liga metálica constituída fundamentalmente de ferro e

carbono. Além desses elementos, dependendo do tipo de aço que se quer

obter, são adicionados outros elementos como: manganês, silício, fósforo,

enxofre, cobre, níquel, nióbio, entre outros, que modificam as propriedades

físicas da liga, como resistência mecânica, resistência a corrosão, ductilidade e

muitas outras. A produção do aço é descrida na Figura 11.

FIGURA 11: Produção do aço. (Fonte: GERDAU)

5... VANTAGENS DO USO DE ESTRUTURAS DE AÇO

A escolha do aço como material estrutural de vê ser embasada em

critérios que o confirmem como mais indicado.

Resistência a compressão: Resistência a tração:

ợ aço = 1500 kg/cm ³ ợ aço = 1500 kg/cm²

ợ concreto = 100 kg/cm³ ợ aço = 1500 kg/cm²

ợ madeira = 85 kg/cm³ ợ madeira = 90 kg/cm²

TABELA 2: Resistência a compressão e a tração. (Fonte: GERDAU)

PAGE 4

A grande resistência a grandes esforços, descrita na Tabela 2, talvez

seja a maior vantagem do aço, e como conseqüência disso, o aço permite

peças estruturais com menores dimensões. Com menor dimensão dos

elementos da estrutura, obtém-se menor peso próprio da estrutura, o que

resulta em menor carga na fundação. A grosso modo, uma estrutura de aço

pesa seis vezes menos que uma de concreto armado.

Outra vantagem é que a solução estrutural com aço apresenta um

resultado muito próximo ao modelo teórico e o comportamento real. O aço é um

material mais confiável quanto a suas propriedades, podendo ser aplicado

coeficientes de segurança mais baixos, o que resulta obviamente em

economia.

Uma estrutura de aço consome aproximadamente 60% do tempo necessário

para a execução de uma estrutura equivalente de concreto armado.

Em virtude do sistema de industrialização, as dimensões das peças de

aço são muito precisas, e em razão disso, os elementos estruturais podem ser

perfeitamente alinhados, aprumados e nivelados.

Com as ligações parafusadas, as estruturas de aço podem ser

facilmente desmontadas para uma reutilização, ou como sucata, pode ser

reaproveitada na fabricação de aço novo. Caso uma edificação tenha seu uso

alterado, ao serem solicitadas por cargas maiores, é possível facilmente

reforçar as estruturas de aço.

6... DESVANTAGENS DO USO DE ESTRUTURAS DE AÇO

As estruturas metálicas, em nosso país, apresentam um custo inicial

maior se comparada com estruturas de concreto armado. No Brasil, a produção

de aço ainda é baixa e a utilização do aço em estruturas é pequena.

A estrutura de aço necessita de mão-de-obra mais qualificada,

conseqüentemente mais cara e também mais informada, o que nem sempre é

bem vista pelos maus empregadores.

Outro problema sério sobre o aço é que ele perde sua resistência acima

de 550°C, situação em que pode ocorrer o colapso da estrutura, porém o aço

PAGE 4

possui uma característica favorável em relação ao fogo, quando cessada sua

exposição, o aço recupera a resistência inicial.

Um aspecto negativo que pode ser levantado para utilização do aço é a

possibilidade de sua deterioração com o contato com o ambiente. O aço

enferruja, e a ferrugem causa a diminuição na espessura do elemento

estrutural. Há aços especiais, fabricados com a adição de cobre, cromo ou

níquel em sua liga, que apresentam uma camada de oxidação chamada pátina,

que aumenta muito a resistência do aço a corrosão. Em virtude desse

processo, esses aços apresentam o preço mais alto.

7. ESTRUTURAS DE CONCRETO ARMADO

O concreto armado teve como precursor a argamassa reforçada com

aço, como seus inventores não eram ligados à execução de edificações, os

primeiros usos então, foram em estruturas de barcos e vasos de plantas, em

1855 e 1861, por Joseph Talbot e Joseph Monier. Só algum tempo depois que

o material foi usado em vigas, pelo inglês Wilkson.

Antigamente usava-se a pedra como principal material de construção.

Ela era muito útil em templos, moradias e pontes, por exemplo. Quando usada

como pilares era muito durável e resistente a compressão. Já quando usada

como viga, sofrendo esforços de tração podia ser facilmente rompida

dependendo a carga externa. Pode-se pegar como exemplo uma ponte, a parte

de cima da viga tende a comprimir e a parte de baixo a tracionar, como na

Figura 12 e 13. Se ela for pequena os esforços também serão e então a pedra

agüentará. Mas se ela precisa ser muito grande, sofrerá muito mais esforços,

então se usava um recurso que fazia com que cada pedra sofresse só

compressão, foi o incremento de arcos. Sua curva natural e capacidade de

dissipar a força para fora reduzem em muito os efeitos de tração sobre a parte

de baixo do arco. Os precursores dessa técnica eram os romanos.

FIGURA 12- Compressão e Tração em Vão Pequeno (Fonte: BOTELLO, 1998)

PAGE 4

FIGURA 13- Arcos em Vãos Maiores (Fonte: BOTELLO, 1998).

O concreto também sofre essa limitação, ou seja, é mais resistente à

compressão que à tração. Em números, a tração representa 10% da

compressão. Eis que houve a ideia de misturar um material resistente à

compressão na parte comprimida com outro resistente à tração na parte

tracionada, o concreto com o aço, respectivamente.

FIGURA 14: Seção Transversal da viga (Fonte: BOTELLO, 1998).

FIGURA 15 - Seção Longitudinal da viga (Fonte: BOTELLO, 1998).

Diz-se então que concreto armado é uma mistura de concreto, aço e a

forte ligação entre eles que é chamada de aderência. Essa aderência se dá

pelo atrito entre os materiais e o efeito colante do cimento.

O concreto é uma mistura de materiais que fazem volume, chamados

agregados e materiais colantes, chamados aglomerantes.

Os agregados são a areia e a pedra, o aglomerante é o cimento, que com a

presença da água, produz o efeito de cola.

Outros elementos podem ser adicionados para alterar algumas

características do concreto, por exemplo, a sílica ativa, um material

extremamente fino, podendo ser comparado com as partículas na fumaça do

cigarro e que aumenta até oito vezes a resistência do concreto, diminui os

vazios e deixa o material mais impermeável e durável. Esse tipo de concreto é

conhecido pela sigla CAD, significa Concreto de Alto Desempenho.

Infelizmente a resistência aumentada significa redução de ductibilidade,

propriedade essa que é de muita importância nos materiais estruturais. Os

materiais dúcteis deformam antes de romper, denunciando problemas na

estrutura.

5.3.. RESISTÊNCIA DO CONCRETO

PAGE 4

A resistência do concreto é dada pela proporção de água adicionada ao

cimento. Concreto com pouca água é mais resistente e apresenta menos

vazios, porém é de difícil manuseio. Já o concreto com mais água é de fácil

manuseio, mas de resistência reduzida. A resistência por sua vez, é medida em

ensaios de compressão com corpos de prova, eles são cilindros com 15 cm de

diâmetro e 30 cm de altura, padronizados. A operação consiste em aplicar a

carga paralela à geratriz do cilindro. Os corpos de prova usados são de 28 dias.

A unidade de medida da resistência é em mega Pascal (mPa). A resistência do

concreto mais usado nas edificações é de 20 mPa. Com resistências a partir

de 50 mPa, o concreto pode ser considerado CAD.

A resistência à tração também pode ser medida pelos ensaios com

corpos de prova, a carga é então aplicada perpendicularmente à geratriz do

cilindro. Esse procedimento de medir tração no concreto foi criado por um

brasileiro, o Eng. Lobo Carneiro.

5.4.. TRANSFORMAÇÕES NO CONCRETO

O concreto apresenta algumas transformações que podem não ocorrer

por aplicação de cargas externas, elas podem ser: Retração, Dilatação Térmica

e Deformação. A retração é a diminuição do volume do concreto ocorrido

durante o processo de endurecimento, chamado de cura, é causado pela

rápida perda de água, então se recomenda manter o concreto úmido durante o

processo e mais três dias após.

Dilatação térmica também ocorre em muitos outros materiais, e faz

aumentar o volume do concreto com o aumento de temperatura, e diminuir com

a sua diminuição. Existe então juntas de dilatação que permitem a livre

movimentação de estrutura, o recomendado pela norma brasileira é junta de

dilatação a cada 30 m.

Deformação ocorre em todo concreto logo que submetido a um

carregamento, isso se chama deformação imediata. Sem o acréscimo de carga

ao longo do tempo ele continua a se deformar, isso se chama deformação

lenta.

A deformação lenta é devido aos vazios no concreto que vem da mistura

da água e cimento, por isso deve-se tomar cuidado com a quantidade aplicada.

PAGE 4

5.5.. AÇO USADO NO CONCRETO ARMADO

O aço usado para o concreto armado deve ser de grande ductibilidade,

ele se apresenta em forma cilíndrica, podendo ter de 2 mm a 40 mm de

diâmetro. A resistência dessas barras é medida em ensaios de tração. Nesse

ensaio o corpo de prova é submetido a um esforço que tende a alongá-lo ou

esticá-lo até a ruptura. Os esforços ou cargas são mensurados na própria

máquina, e, normalmente, o ensaio ocorre até a ruptura do material.

5.6.. VANTAGENS E DESVANTAGENS DO CONCRETO ARMADO

Vantagens:

• É moldável, permitindo grande variabilidade de formas e de concepções

arquitetônicas.

• Apresenta boa resistência à maioria dos tipos de solicitação, desde que

seja feito um cálculo correto e um adequado detalhamento das

armaduras.

• Os materiais são de baixo custo – água e agregados, graúdos e miúdos.

• Mão de obra barata, pois, em geral, a produção de concreto

convencional não exige profissionais com elevado nível de qualificação.

• Processos construtivos conhecidos.

• O concreto é durável e protege as armaduras contra corrosão.

• Se bem projetado e adequadamente construído, os gastos de

manutenção são poucos.

• É pouco permeável à água, quando dosado corretamente e executado

em boas condições de plasticidade, adensamento e cura.

• Possui resistência significativa a choques e vibrações, efeitos térmicos,

atmosféricos e a desgastes mecânicos.

Desvantagens:

• Ocorrência de fissuras.

• Próprio peso elevado.

• Retração.

• Baixa resistência à tração.

PAGE 4

• Pequena ductilidade.

• Corrosão das armaduras.

8. ESTRUTURAS DE MADEIRA

Na historia da construção a madeira foi o primeiro e, durante muito

tempo, o mais importante para as construções portantes. Na Revolução

Industrial, a Inglaterra como grande potencia implantou o uso de metal como

estrutura, e mais tarde com a invenção do concreto armado, o conhecimento

sobre usos de madeiras foi ficando restrito as estruturas de telhados. Mas, uma

serie de propriedades especificas fundamentam a eleição deste material:

• Produção com baixo impacto ambiental;

• Elaboração e transformação sem custo significativo de energia fóssil;

• Relação favorável entre peso e resistência

• Durabilidade;

• Resistência ao ataque de xilófagos (Cupins, brocas), as madeiras

brasileiras usadas em estruturas (Ipê, Maçaranduba, Jatobá)

demonstram alta resistência, os xilófagos apenas atacam se a madeira

apresentar sinais de apodrecimento, por isso é importante seu

tratamento antes da construção.

• Alta resistência térmica junto a uma inércia térmica muito apreciável;

• Disponibilidade de uma vasta tabela de densidades e resistências

características;

• Grande número de espécies e tipos de madeira, com cores e texturas

características e bem diferenciadas;

• Disponibilidade de colas e tipos de uniões de alta qualidade e múltiplas

aplicações;

• Ampla oferta de produtos semi-elaborados em madeira maciça e

produtos derivados múltiplos usos;

• Manutenção: Pode-se evitar o apodrecimento precoce da madeira com

alguns detalhes de projeto, tais como: evitar pontos de condensação de

água; aplicar impermeabilizantes nos encaixes e nos apoios; utilizar

madeira sempre 20 cm ou mais acima do solo; os telhados devem ter

PAGE 4

beirais maiores que um metro; as calçadas laterais serão sempre

inclinadas para evitar o acumulo de água junto às paredes ou alicerces;

deixar espaço livre entre o assoalho e o solo para ventilação; uso de

produtos que combatem e previnem umidade, fungo, cupim, broca, etc.

• Segurança: a madeira não oxida. O metal, quando é levado a altas

temperaturas deforma-se perdendo função estrutural. O mesmo

acontece com o fero do concreto armado se ele não estiver com

revestimento adequado. A madeira tem uma alta inflamibilidade, no

entanto, peças robustas desta, quando expostas ao fogo, formam uma

camada superficial de carvão, que age como uma espécie de isolante,

impedindo a rápida saída de gases inflamáveis e propagação de calor

para interior da secção, resultando tanto num aquecimento quanto

degradação do material a uma velocidade menor, colaborando

favoravelmente para melhorar a capacidade de sustentação das cargas

da edificação. A madeira na natureza já desempenha função estrutural.

Depois de serrada, quando utilizada como estrutura de uma edificação,

funciona como um elemento pré-moldado, de fácil montagem (leve,

macio) que não passou por processos de fabricação que determine sua

resistência. Sua resistência depende apenas da espécie a qual pertence.

A madeira pode ser considerada um material de construção universal

(devido à possibilidade de combiná-la com outros materiais, sem acarretar

nenhum problema), sendo capaz de cumprir quase todas as exigências.

Na sua pré-fabricação trabalha-se e preparam-se partes completas em

oficinas, sem impedir o avanço do serviço por fatores climáticos, assegurando-

se dessa forma a qualidade dos mesmos. A possível utilização de maquinários

de cortes computadorizados de alta precisão e dispositivos de precisão

proporcionam um trabalho rápido, prolixo e limpo. A conveniente relação entre

peso próprio e resistência, proporciona elementos individuais leves e que não

necessitam transporte e nem equipamentos especiais na obra.

O alto grau de pré-fabricação reduz de sensivelmente o prazo da obra.

A cobertura limita-se a basicamente a montagem dos elementos estruturais.

Isto reduz notavelmente os prazos de financiamento para o proprietário.

PAGE 4

A madeira é um bom isolante térmico e, portanto, diminui os custos de

calefação e reduz notavelmente a emissão de dióxido de carbono. Há

facilidades para as instalações, entre as esquadrias e sem provocar nenhuma

debilidade na estrutura. A construção de caixas ou instalações exteriores se

realiza sem nenhum inconveniente.

A madeira economiza matérias primas, pois sua produção não precisa

de energias fósseis e tão pouco grandes superfícies para fabricas. A madeira

em seu crescimento retira do ar dióxido de carbono e o acumula de forma

estável. O beneficiamento e manufatura da madeira não necessitam de

grandes tecnologias. Não libera substancias prejudiciais e é totalmente

aproveitável. Ao desmontar-se uma construção em madeira, pode-se aproveitar

o total do material para realizar novas construções, para transportá-la a outro

local ou mesmo como combustível neutro de dióxido de carbono.

Madeira armada: criada em 1998 pelos engenheiros calculistas italianos

Giovani Cenci e Giovani Noseda Pedraglio. É um sistema que adiciona

ferragens “negativas” no topo e na base da viga de madeira laminada tornando-

a mais resistente a flexão. Criam-se dois frisos no to pó e na base da viga e

adiciona-se a base metálica colocando-a com adesivo epóxi. Funciona

basicamente como as vigas de concreto armado, só que com uma estética

muito mais aprazível.

Portanto, a madeira é um ótimo material a ser usado como elemento

estrutural e alem de ter uma grande resistência possui um estético de uma

robustez e elegância incomparável, deixando, assim, a obra que se utiliza dela

muito aprazível e confortável.

9. PATOLOGIAS EM EDIFICAÇÕES

Desde os primórdios da civilização já era possível observar uma

preocupação da sociedade com o desempenho das obras construídas. Em

1700 a.C, o Código de Hamurabi impunha regras básicas para a punição dos

responsáveis, caso algum colapso na estrutura viesse a ocorrer. Com tamanha

intimidação os riscos de ruína eram praticamente nulos.

PAGE 4

As edificações são voltadas ao mercado consumidor, logo, devem

atender as exigências do cliente, assim, atendendo um desempenho

satisfatório, proporcionando segurança, conforto e bem estar.

Todo o edifício tem um ciclo de vida útil, de acordo com a durabilidade

do material empregado na construção, das condições de exposição e uso do

mesmo e também da manutenção periódica.

A falta de manutenção de pequenas manifestações patológicas, que

teriam baixo custo de recuperação, faz com que evolua para uma situação de

possível insegurança estrutural e de alto custo de recuperação.

Certas patogenias causam nas pessoas sensações desagradáveis do

tipo: mau cheiro, aspecto desagradável, sensação de insegurança, falta de ar,

calor, etc. (UFSM). A seguir apresentam-se alguns tipos de patogenias

7... LIXIVIAÇÃO

Lixiviação é um processo patológico em que o cimento é dissolvido pela

chuva e é carregado para fora da laje. As causas são diversas, podendo ser

desde acidez da água da chuva ate certos detergentes aplicado na lavagem do

piso. Devido a isso, as placas de revestimento começam a soltar-se. Há

também como conseqüência a formação de carbonato, que gruda firme no piso

sendo praticamente impossível removê-lo. Veja, a exemplo desse caso, a

Figura 16.

FIGURA 16: Lixiviação. (Fonte: EBANATAW).

8... TRINCAS, RACHADURAS E FISSURAS

São aberturas em forma de linha, classificados de acordo com a

espessura, e não quanto ao comprimento:

• Fissura: abertura de até 0,5 milímetros;

• Trinca: de 0,5 mm a 1 mm;

• Rachadura: de 1 a 1,5 mm;

PAGE 4

• Fenda: superior a 1,5 mm.

Fissura é o estado em que um determinado objeto ou parte dele apresenta aberturas finas e alongadas na sua superfície. Exemplo: A aplicação de uma argamassa rica em cimento apresentou, após a

cura, muitas fissuras em direções aleatórias.

As fissuras são, geralmente, superficiais e não implicam,

necessariamente, em diminuição da segurança de componentes estruturais.

As trincas, em geral, são ocorrências muito comuns nas casas e nos

prédios. Surgem em função de muitas causas diferentes. A trinca é o estado

que um determinado objeto ou parte dele apresenta-se partido, como

demonstrado na Figura 17.

FIGURA 17: Trincas. (Fonte: EBANATAW)

Tem-se como alerta do perigo de descuido de trincas o Edifício Palace II,

no Rio de Janeiro, que caiu matando diversas pessoas. Uma semana antes um

dos moradores havia solicitado a opinião de um engenheiro e este havia lhe

dito que a existência de trincas era normal. Nessa situação pode-se dizer que

houve certa falta de profissionalismo do engenheiro quanto a analise feita sobre

as condições do prédio.

Há vários fatores que podem levar ao aparecimento de trincas. Os raios

solares que incidem diretamente sobre lajes de cobertura, por exemplo,

produzem muito calor. Em dias quentes de verão, principalmente em latitudes

baixas, isto é, entre a linha do Trópico e a do Equador, a laje da cobertura

atinge altas temperaturas, 70ºC ou mais. Isso faz com que a laje dilate, e como

ela esta solidamente engastada nas paredes, ao dilatar leva junto parte da

parede, surgindo trincas inclinadas nos cantos das paredes, como na Figura

18.

FIGURA 18: Exemplos de trincas a 45º. (Fonte: EBANATAW)

As trincas, por representar a ruptura dos elementos, podem diminuir a

segurança de componentes estruturais de um edifício, de modo que mesmo

que seja quase imperceptível deve ter as causas minuciosamente pesquisadas.

PAGE 4

Abaixo se apresenta outras causas do aparecimento de trincas:

• Retração: A argamassa de revestimento, a tinta e outros materiais que são aplicados úmidos, diminuem de tamanho (retração) ao secar;

• Aderência: As pinturas e os revestimentos que precisam ficar bem fixados na parede, por algum motivo, apresentam perda de aderência e começam a descascar;

• Dilatação: Os materiais aumentam e diminuem de tamanho em função da variação da temperatura e umidade do meio ambiente;

• Muito cimento: A argamassa de revestimento, quando tiver muito cimento sofre uma grande retração e fica toda fissurada;

• Amarração: As paredes devem ficar bem “amarradas” na estrutura do prédio;

• Trepidação: Elevadores, compressores e mesmo os veículos que trafegam, produzem vibrações que afetam a estrutura do prédio;

• Recalque: O excesso de peso, a acomodação do prédio, a fraqueza do material ou do terreno fazem com que a peça se deforme ou afunde;

• Capacidade: Por erro de calculo ou por deficiência na hora da confecção, as peças podem ficar fracas;

• Mudança de uso: Um prédio que foi projetado para definido uso (exemplo: residencial) estar sendo usado para outros fins (exemplo: comercial);

• Vizinhança: Uma construção consideravelmente grande, por exemplo, que altera o fluxo de água subterrânea de uma região;

• Erro de projeto: Falha na concepção da estrutura do prédio, tendo algumas partes em desarmonia com o resto.

• Colapso de materiais: Materiais desprotegidos, pode-se citar como exemplo trincas decorrentes de Corrosão Galvânica (EBANATAW).

Rachadura é o estado em que um determinado objeto ou parte dele apresenta uma abertura de tal

tamanho que ocasiona interferências indesejáveis. Exemplo:

• Pela rachadura da parede entra vento e água da chuva.

• Fundação (estacas, alicerces, sapata, broca) são coisas serias. Um

pequeno descuido põe toda a construção a perder.

• Muitas vezes é feita a construção sobre terreno aterrado sem que a

compactação tenha sido executada conforme as boas técnicas de

drenagem, compactação e adensamento.

• Outras vezes se constrói sobre terreno saturado (cheio de água ou com

água rasa) sem que haja uma análise do adensamento que vai ocorrer

devido ao peso da casa. Esses processos de adensamentos são muito

PAGE 4

lentos e podem levar mais de 10 anos e nesse período surgem muitos

problemas na construção, levando-a a ruína.

As rachaduras, por proporcionar a manifestação de diversos tipos de

interferências, devem ser analisadas caso a caso e serem tratadas antes do

seu fechamento.

Há também outros problemas que podem surgir comprometendo uma

construção como, por exemplo, a corrosão em armaduras (ferragem), podendo-

se citar também a flambagem (fato de o pilar não agüentar os esforços e vir a

envergar) como sendo conseqüência da outra (UFSM).

10.

PAGE 4

CONCLUSÃO

Neste trabalho foram apresentados os elementos básicos de um projeto

estrutural, as forças atuantes sobre eles, assim como os materiais estruturais

mais coerentes com cada finalidade de projeto. O “esqueleto” de uma obra

representa uma fase muito importante para as demais que a seguem, pois um

erro de compatibilização estrutural poderá resultar numa construção doentia ou

imprópria para os fins previstos.

Para este trabalho, além do auxílio de livros e sites, foi indispensável o

auxílio de um profissional na área, que ajudou-nos com a indicação de alguns

livros referentes ao assunto, assim como apontou os assuntos em que as

dificuldades seriam maiores.

PAGE 4

11. REFERÊNCIAS

ARQUITETURA DO FERRO, Histórico. Disponível em: <http:// arquiteturadoferro.blogspot.com/2008_10_27_archive.html> Acesso em: Abril

de 2010.

BOTELHO, Manoel H. C. Concreto Armado Eu Te Amo. 2ª Edição. São Paulo: Edgard Blücher, 1998.

CESEC, Centro de Estudos de Engenharia Civil, Desenho Estrutural de Concreto Armado. Disponível em: <http://www.cesec.ufpr.br/~tc407/01/aulas/ 16.html> Acesso em: Abril de 2010.

EBANATAW, Patologias e Outros Problemas. Disponível em: <http:// www.ebanataw.com.br/roberto/index.php> Acesso em: Abril de 2010.

FEC, Faculdade de Engenharia Civil. Vetor-Ativo. Disponível em: <http:// www.fec.unicamp.br/~fam/novaes/public_html/iniciacao/sistemas/vetor.htm>

Acesso em: Abril de 2010.

GERDAU, Produção do Aço. Disponível em: <http://www.gerdau.com/ produtos-e-servicos/processo-de-producao-do-aco.aspx?language=pt-BR>

Acesso em: Abril de 2010.

MUBE, Museu Brasileiro da Escultura. Viga Vierendeel. Disponível em: <http:// www.macamp.com.br/variedades/Mube.htm> Acesso em: Abril de 2010.

Rebello, Y. C. P. A Concepção Estrutural e a Arquitetura. São Paulo: Zigurate Editora, 2000.

REBELLO, Y. C. P. Bases Para Projetos Estruturais. 2ª Edição. São Paulo: Zigurate, 2008

Shodek, D. Structures, 2nd ed. Prentice Hall, Inc., New Jersey, 1992.

PAGE 4

UFSM, Universidade Federal de Santa Maria, Patologias. Disponível em: <http://www.ufsm.br/engcivil/TCC/2008/II_Semestre/

19_Juliana_P_Antoniazzi.pdf> Acesso em: Abril de 2010.

UFV, Universidade Federal de Viçosa, Estruturas Usuais das Construções – Parte II. Viçosa, Minas Gerais. Disponível em: <www.ufv.br/Dec/EngCivil/ Disciplinas/civ352/cap04-r3.pdf> Acesso em: Abril de 2010.

VIDEO LIVRARIA, Estruturas. Disponível em: <www2.videolivraria.com.br/ pdfs/7632.pdf> Acesso em: Abril de 2010.

WIKIPÉDIA, A ENCICLOPÉDIA LIVRE. Pilar.Disponível em: <http:// pt.wikipedia.org/wiki/Banana#Cultura> Acesso em: Abril de 2010.

PAGE 4

obrigado
Gostei do trabalho, aprendi muita coisa.
Otimo material, obrigado por complartilhar.
Parabéns pela socialização do material, um excelente trabalho.Luciani Vitelli Arquiteta e Urbanista
parabéns pelo trabalho Eng° Civil Leandro Pablo
1-5 de 8
Esta é apenas uma pré-visualização
3 mostrados em 37 páginas