Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos, Notas de estudo de Engenharia Ambiental
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1. DEFINIÇÕES 1.1 LIXO

Conjunto de resíduos sólidos resultantes das atividades diárias do homem e dos animais domésticos.

1.2. RESÍDUOS SÓLIDOS

Segundo a NBR 10004/87 da ABNT “Resíduos Sólidos – Classificação” , Resíduos Sólidos são definidos como: “ resíduos nos estados sólidos e semi-sólidos, que resultam de atividades da comunidade de origem: industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e varrição. Ficams incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e intalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos d´água, ou exijam para isso soluções técnicas e economicamente inviáveis em face à melhor tecnologia disponível.

2. BREVE HISTÓRICO No Brasil, o serviço sistemático de limpeza urbana foi iniciado oficialmente em 25 de novembro de 1880 na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, então capital do Império. Nesse dia, D. Pedro II assinou o Decreto nº 3024 aprovando o contrato de “limpeza e varrição” da cidade, que foi executado por Aleixo Gary e, mais tarde, por Luciano Francisco Gary, de cujo sobrenome origina-se a palavra gari.

Fonte: Manual Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos – IBAM 2001

3. PANORAMA DOS RESÍD. SÓLID. NO BRASIL 4. CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS 4.1 QUANTO AOS RISCOS POTENCIAIS A NBR 10004/87 classifica os resíduos sólidos quanto aos seus riscos potenciais ao meio ambiente e à saúde pública. Baseia-se nas características dos resíduos, em listagem dos resíduos

reconhecidamente perigosos e em listagem de padrões de concentração de poluentes. Ver listagem

4.1.1 CLASSE I – PERIGOSOS

Aqueles que em função de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade, apresentam riscos à saúde e ao meio ambiente.

2.. CASSE II – NÃO INERTES

Aqueles que podem apresentar características de combustibilidade, biodegradabilidade ou solubilidade, com possibilidade de acarretar riscos à saúde e ao meio ambiente, não se enquadrando nas Classes I – Perigosos ou Classe III – Inertes.

3.. CLASSE III – INERTES

Aqueles que não oferecem riscos à saúde e ao meio ambiente, e que, ensaiados segundo o teste de solubilidade da NBR 10006/87 (listagem 8), não apresentam qualquer de seus constituintes solubilizados em concentrações superiores aos padrões de potabilidade da água, exceto cor, turbidez, sabor e aspecto.

1. QUANTO À NATUREZA OU ORIGEM

1.. LIXO DOMÉSTICO OU RESIDENCIAL 2.. LIXO COMERCIAL 3.. LIXO PÚBLICO 4.. LIXO DOMICILIAR ESPECIAL

Entulho de obras Pilhas e Baterias Lâmpadas Fluorescentes Pneus

5.. LIXO DE FONTES ESPECIAIS Lixo Industrial Lixo Radioativo Lixo de Portos, Aeroportos e Terminais Rodoferroviários Lixo Agrícola Resíduos dos Serviços de Saúde

5. CARACTERÍSTICAS DOS RESÍDUOS SÓLIDOS As características do lixo podem variar em função de aspectos sociais, econômicos, culturais, geográficos e climáticos. A análise do lixo pode ser realizada segundo suas características físicas, químicas e biológicas.

5.1. CARACTERÍSTICAS FÍSICAS 5.1.1 GERAÇÃO PER CAPITA

Relaciona a quantidade de resíduos gerados diariamente e o número de habitantes de determinada região.

2.. COMPOSIÇÃO GRAVIMÉTRICA

Traduz o percentual de cada componente em relação ao peso total da amostra.

3.. PESO ESPECÍFICO APARENTE

É o peso do lixo solto em função do volume ocupado livremente, sem qualquer compactação, expresso em kg/m3.

4.. TEOR DE UMIDADE

Representa a quantidade de água presente no lixo, medida em percentual de seu peso.

5.. COMPRESSIVIDADE

É o grau de compactação ou a redução do volume que uma massa de lixo pode sofrer quando compactada.

5.2 CARACTERÍSTICAS QUÍMICAS

1.. PODER CALORÍFICO

Indica a capacidade potencial de um material desprender determinada quantidade de calor quando submetido à queima.

2.. POTENCIAL HIDROGENIÔNICO (pH)

Indica o teor de acidez ou alcalinidade dos resíduos.

3.. COMPOSIÇÃO QUÍMICA

Consiste na determinação dos teores de cinzas, matéria orgânica, carbono, nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, resíduo mineral total, resíduo mineral solúvel e gorduras.

4.. RELAÇÃO CARBONO / NITROGÊNIO (C:N)

Indica o grau de decomposição da matéria orgânica do lixo nos processos de tratamento/disposição final.

5.3 CARACTERÍSTICAS BIOLÓGICAS

Aquelas determinadas pela população microbiana e os agentes patogênicos presentes no lixo que, ao lado das suas características químicas, permitem que sejam selecionados os métodos de tratamento e disposição final mais adequados.

5.4 FATORES QUE INFLUENCIAM AS CARACTERÍSTICAS DOS RESÍDUOS SÓLIDOS

1.. CLIMÁTICOS • Chuvas • Outono • Verão

2.. ÉPOCAS ESPECIAIS • Carnaval • Natal/Ano Novo/Páscoa • Dia dos Pais/Mães • Férias Escolares

3.. DEMOGRÁFICOS • População urbana

4.. SÓCIOECONÔMICOS • Nível Cultural • Nível Educacional • Poder Aquisitivo • Lançamento de Novos Produtos • Promoções de Lojas Comerciais • Campanhas Ambientais

5.5 INFLUÊNCIA DAS CARACTERÍSTICAS DOS RESÍDUOS SÓLIDOS NO PLANEJAMENTO DO SISTEMA DE LIMPEZA URBANA

6. GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS 6.1 CONCEITOS BÁSICOS

O conceito de Gestão de Resíduos Sólidos abrange atividades referentes à tomada de decisões estratégicas com relação aos aspectos institucionais, administrativos, operacionais, financeiros, e ambientais, enfim à organização do setor, envolvendo políticas, instrumentos e meios.

Já o termo Gerenciamento de Resíduos Sólidos refere-se aos aspectos tecnológicos e operacionais da questão, envolvendo fatores administrativos, gerenciais, econômicos, ambientais e de desempenho e relaciona-se à prevenção, redução, segregação, reutilização, acondicionamento, coleta, transporte, tratamento, recuperação de energia, e destinação final de resíduos sólidos.

6.2 MODELOS DE GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS

Entende-se por Modelo de Gestão de Resíduos Sólidos como um conjunto de referências político-estratégicas, institucionais, legais, financeiras e ambientais capaz de orientar a organização do setor.

O gerenciamento integrado dos resíduos deverá articular as ações normativas, operacionais, financeiras e de planejamento para acompanhar todo o ciclo dos resíduos, da geração à disposição final, empregando as tecnologias mais compatíveis com a realidade local.

6.3.2 MODELOS INSTITUCIONAIS

De uma maneira geral,, as formas de atuação mais comuns podem ser categorizadas nos seguintes modelos básicos:

Entidade Municipal da Administração Direta Empresas Privadas Contratadas pela Prefeitura Entidade Municipal da Administração Indireta Sistemas Mistos Concessões Livre Concorrência

7. LIMPEZA DE LOGRADOUROS PÚBLICOS 7.1 A IMPORTÂNCIA DA LIMPEZA DOS LOGRADOUROS 7.1.1 ASPECTOS HISTÓRICOS

Durante o século XIX, com o desenvolvimento da medicina e engenharia sanitárias, reconheceu-se que os dejetos humanos deveriam ter coleta, tratamento e disposição adequados, pois eram uma importante fonte de doenças.

A substituição da tração animal pelos transportes a motor eliminou das ruas os dejetos de animais e a descoberta da relação entre ratos, moscas e baratas com o lixo e as doenças transmitidas por estes vetores foram importantes na redução do lançamento de resíduos nas ruas, determinando a sua coleta nos domicílios.

A pavimentação das vias públicas e o ensino de princípios de higiene e saúde pública nas escolas também contribuíram para a redução dos resíduos nos logradouros.

7.1.2 ASPECTOS SANITÁRIOS

• prevenção de doenças resultantes da proliferação de vetores em depósitos de lixo nas ruas ou em terrenos baldios;

• evitar danos à saúde resultantes de poeira em contato com olhos, ouvidos, nariz e garganta.

7.1.3 ASPECTOS ESTÉTICOS

• melhoria da aparência da comunidade, ajudando a atrair novos residentes e turistas;

• valorização dos imóveis com atração de novos negócios.

7.1.4 ASPECTOS DE SEGURANÇA

• prevenção de danos aos veículos, causados por galhadas e objetos cortantes;

• promoção da segurança do tráfego com redução de poeira e terra que podem causar derrapagens de veículos;

• redução do entupimento de galerias de águas pluviais, evitando inundações e enchentes.

7.3 SERVIÇOS DE LIMPEZA DE LOGRADOUROS

Os serviços de limpeza de logradouros costumam cobrir atividades como:

• varrição; • capina, raspagem e roçagem; • limpeza de feiras; • limpeza de córregos e canais; • limpeza de praias; • serviços de remoção (entulhos, animais mortos, utensílios

abandonados nas vias públicas); • outros serviços, como: poda de árvores, pintura de meio-fios,

lavagem e desinfecção de ruas, desobstrução de ralos, bueiros e galerias de águas pluviais, etc.

3. SERVIÇOS DE VARRIÇÃO

7.3.1 ASPECTOS GERAIS

A varrição compreende o conjunto de atividades e procedimentos através do qual se coleta, manual ou mecanicamente, os detritos espalhados em locais públicos. Representa parte significativa dos custos com a limpeza pública em muitas localidades.

Nos logradouros, a maior parte dos detritos é encontrada nas sarjetas (até 60cm do meio-fio), devido ao deslocamento do ar causado pelos veículos, que “empurra” o lixo para o meio-fio e também as águas de chuva que escoam pela sarjeta, devido à forma abaulada da seção transversal do leito das ruas.

2.. TIPOS DE VARRIÇÃO

I. Varrição Manual

Realizada por um conjunto de varredores munidos de utensílios e ferramentas do tipo: vassourão, vassouras pequenas, pás, chaves para abertura de ralos, lutocar e sacos para lixo.

Recomendada principalmente nas cidades que precisam criar empregos, gerar renda no local e têm pouca capacidade de investimentos iniciais.

II. Varrição Mecanizada

Realizada por varredeiras mecânicas que aumentam a produtividade do serviço de varrição, porém demandam investimentos iniciais bem maiores e pisos adequados das vias públicas.

Comparação entre varrição manual e mecânica

Características Tipos de varrição Manual Mecânica

tipo de pavimento qualquer um asfalto ou similar, bem conservado, com pequeno declive

velocidade de trabalho baixa alta mão-de-obra não qualificada qualificada outras possibilidades varrição das calçadas remoção de terra, areia e lama observações traz riscos de acidentes,

ocorrem faltas por doenças e rotatividade de mão-de-obra

requer manutenção sofisticada, causa barulho, traz incômodos ao tráfego e requer necessidades de uso de água para abater a poeira

3.. DIMENSIONAMENTO DA VARRIÇÃO

O dimensionamento da quantidade de varredores(as) em um sistema de varrição manual é função de :

• extensão total das sarjetas a serem varridas; • área total a ser varrida, quando a varrição incluir os passeios; • freqüência da varrição; • produtividade do varredor.

Como atividade complementar à varrição, a conservação da limpeza constitui um serviço de recolhimento de todos os detritos que aparecem após a primeira varrição.

3. CAPINA, RASPAGEM E ROÇAGEM

7.4.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS

Quando não é efetuada varrição regular, ou quando chuvas carreiam detritos para logradouros, as sarjetas acumulam terra, onde em geral crescem mato e ervas daninhas.

Torna-se necessário, então, serviços de capina e roçagem do mato e de raspagem da terra das sarjetas, pra restabelecer as condições de drenagem e evitar o mau aspecto das vias públicas.

3.2.. TIPOS DE CAPINA I.Capina Manual Quando utilizada para vegetação mais rasteira como capim e ervas daninhas. Empregam-se enxadas, chibancas, ancinhos e raspadeiras. Quando o mato encontra-se mais alto utiliza-se a roçagem, empregando-se neste caso, ferramentas como: foices e alfanges.

II. Capina Mecanizada

Utilizada na roçagem do mato com emprego de equipamentos mecânicos do tipo:

• roçadeiras mecânicas portáteis (carregadas nas costas dos operadores)

• roçadeiras mecânicas montadas em tratores de pequeno, médio e grande portes

• motoserras (utilizadas para poda de árvores)

III. Capina Química

Realizada com aplicação de herbicidas, é indicada principalmente em vias públicas pavimentadas com paralelepípedos, lajotas sextavadas e outros tipos para eliminar a vegetação que cresce entre seus interstícios.

Muito combatida pela poluição que pode provocar ao meio ambiente e riscos aos operadores. Sua produtividade, porém, é bem superior à capina manual e acentuadamente mais econômica.

4.. DIMENSIONAMENTO DA CAPINA

O nº de capinadores é função de: • área a ser capinada • produtividade de cada empregado (que depende do tipo de

capina, do equipamento empregado, do tipo de terreno,etc.)

8. ACONDICIONAMENTO 1. CONSIDERAÇÕES GERAIS

Acondicionamento é a fase na qual os resíduos sólidos são preparados de modo a serem mais facilmente manuseados nas etapas de coleta e de destinação final.

A qualidade da operação de coleta e transporte do lixo depende da forma adequada do seu acondicionamento e da disposição dos recipientes no local, dia e horários estabelecidos pelo órgão de limpeza urbana para a coleta.

A importância do acondicionamento adequado está em:

• evitar acidentes; • evitar a proliferação de vetores; • minimizar o impacto visual e olfativo; • reduzir a heterogeneidade dos resíduos (na coleta seletiva); • facilitar a realização da etapa da coleta.

2. RECIPIENTES PARA ACONDICIONAMENTO

2.1.. CARACTERÍSTICAS

Os recipientes adequados para acondicionar o lixo domiciliar devem ter as seguintes características:

• peso máximo de 30kg, incluindo a carga, para coleta manual; • dispositivos que facilitem seu deslocamento até o local da coleta; • serem herméticos para evitar derramamento e exposição do lixo; • serem seguros, para evitar que lixo cortante ou perfurante possa

acidentar os usuários ou os trabalhadores da coleta; • serem econômicos, para facilitar a aquisição pela população; • possam ser esvaziados sem deixar resíduos no fundo;

Há ainda outra característica a ser levada em conta: recipientes com ou sem retorno.

1.. TIPOS DE RECIPIENTES

A escolha do recipiente mais adequado deve ser orientada em função: • das características do lixo; • da geração do lixo; • da freqüência da coleta; • do tipo de edificação; • do preço do recipiente.

Nas cidades brasileiras a população utiliza os mais diversos tipos de recipientes para condicionamento do lixo domiciliar:

• vasilhames metálicos (latas) ou plásticos (baldes); • sacos plásticos de supermercados ou especiais para lixo; • caixotes de madeira ou papelão; • latões de óleo, algumas vezes cortados ao meio; • contêineres metálicos ou plásticos, estacionários ou sobre rodas • recipientes feitos de pneus velhos.

2.. ACONDICIONAMENTO DE RESÍDUO DOMICILIAR

• Sacos plásticos

• Contêineres de plástico • Contêineres metálicos

3.. ACONDICIONAMENTO DE RESÍDUO PÚBLICO

• Papeleiras de rua • Cesta coletora plástica para pilhas e baterias • Sacos plásticos e contêineres

4.. ACONDICIONAMENTO DE RESÍDUOS DOMICILIARES ESPECIAIS

• Resíduos da construção civil • Pilhas e baterias • Lâmpadas fluorescentes • Pneus

5.. ACONDICIONAMENTO DE RESÍDUOS DE FONTES ESPECIAIS

• Resíduos sólidos industriais • Resíduos radioativos • Resíduos de portos e aeroportos • Resíduos de serviços de saúde

9 COLETA E TRANSPORTE DE RESÍD. SÓLIDOS

9.1 RESÍDUOS SÓLIDOS DOMICILIARES

9.1.1 CONCEITUAÇÃO

Coletar o lixo significa recolher o lixo acondicionado por quem o produz para encaminhá-lo, mediante transporte adequado, a uma possível estação de transferência, a um eventual tratamento e à disposição final.

Considera-se como coleta domiciliar comum ou ordinária o recolhimento dos resíduos produzidos nas edificações residenciais, públicas e comerciais, desde que não sejam, estas últimas, grandes

geradoras (estabelecimentos que produzem mais de 120 litros de lixo por dia)

9.1.2 REGULARIDADE DA COLETA

A coleta domiciliar deve ser efetuada em cada imóvel, sempre nos mesmos dias e horários, regularmente. Essa regularidade pode ser verificada matematicamente, comparando- se os pesos e/ou as distancias percorridas pelos veículos de coleta em duas ou mais semanas consecutivas.

9.1.2 FREQUÊNCIA DE COLETA

Por razões climáticas, no Brasil, o tempo decorrido entre a geração do lixo domiciliar e seu destino final não deve exceder uma semana para evitar proliferação de moscas, aumento do mau cheiro e a atratividade que o lixo exerce sobre roedores, insetos e outros animais.

A freqüência mínima de coleta admissível em um país de clima quente como o Brasil é de três vezes por semana.

Com relação à freqüência de coleta é comum adotar-se: • coleta diária: em áreas centrais ou comerciais, onde a produção

de lixo é grande (geralmente noturna nas cidades maiores); • coleta em dias alternados: em áreas residenciais, menos

adensadas ( reduz os custos de 30% a 40% em relação à coleta diária)

coleta especial: em favelas, áreas de topografia acidentada, de urbanização desordenada e precária, recomenda-se a coleta diária por falta de espaço para armazenamento do lixo nas edificações.

9.1.3 HORÁRIOS DE COLETA

Vários aspectos devem ser observados:

F 0 A 8 intervalos amplos entre os turnos diurno e noturno para que problemas surgidos em um turno não interfiram no outro; F 0 A 8 entrada e saída do pessoal em horário em que haja condução disponível e coleta noturna em áreas onde o movimento, durante o dia, é muito intenso;

F 0 A 8 em regiões com clima muito quente os serviços devem ser executados em horários que evitem o excesso de calor, aumentando assim a produtividade.

9.2 PROJETO DE COLETA DE RESÍDUOS SÓLIDOS DOMICILIARES

9.2.1 CONSIDERAÇÕES

Para elaboração do projeto, deverão ser obtidos os seguintes dados:

F 0 A 8 peso do volume de lixo coletado diariamente, anotando-se a distância e o tempo gasto na coleta; F 0 A 8 peso específico aparente do lixo; F 0 A 8 análise da topografia local (trajetos com declives e/ou aclives); F 0 A 8 análise do sistema viário (largas avenidas, ruas de tráfego intenso, ruas de mão única, etc.); F 0 A 8 tipo de pavimento das ruas (asfalto, paralelepípedos, lajotas, terra);

F 0 A 8 tipo e capacidade dos veículos coletores; F 0 A 8 local de recolhimento dos veículos após a coleta; F 0 A 8 local de refeições da guarnição; F 0 A 8 zonas de ocupação (residencial, comercial, industrial e mista); F 0 A 8 caracterização qualitativa do lixo; F 0 A 8 locais de disposição final e/ou estações de transbordo do lixo: F 0 A 8 velocidade de coleta, expressa em km/h, kg/hou m3/h; F 0 A 8 localização dos grandes centros produtores de lixo, tais como: mercados, feiras, hospitais, clubes, hotéis, outros e a determinação da capacidade das caçambas coletoras a serem utilizadas nos diferentes setores da coleta do lixo.

9.2.2 ELABORAÇÃO DO PROJETO

Com base nos resultados da análise dos dados levantados, o município deverá ser dividido em circuitos ou zonas geradoras que individualmente forneçam material suficiente para completar a viagem do caminhão coletor. As zonas deverão ser agrupadas em setores, sendo que cada setor deverá ser operado por uma única equipe e um único caminhão.

9.2.3 DIMENSIONAMENTO DA COLETA

Devem fazer parte do dimensionamento os seguintes elementos:

a) guarnições de coleta b) frota de veículos de coleta; c) roteiros de coleta

C) Roteiros de Coleta

Os roteiros de coleta devem ser projetados de maneira a minimizar os percursos improdutivos, isto é, aqueles ao longo dos quais não há coleta. Para tanto, devem ser observados:

• equilíbrio dos roteiros para que cada guarnição receba como tarefa uma mesma quantidade de trabalho;

• • local de início da coleta

deve ser planejado de tal forma que as guarnições comecem seu trabalho no ponto mais distante do local de destino do lixo e, com a progressão da coleta, se movam na direção daquele local, reduzindo as distâncias e o tempo de percurso;

• estimativa da quantidade de lixo domiciliar deve-se fazer uma estimativa em bairros de classe econômica alta, média e baixa para se obter a geração média per capita de lixo e também as populações respectivas para assim estimar-se a quantidade de lixo no município e em diferentes bairros.

F 0 D E Traçados dos Roteiros de Coleta

Um roteiro pode ser traçado buscando-se através de tentativas, a melhor solução que atenda simultaneamente condicionantes tais como:

• o sentido de tráfego das ruas (evitando manobras a esquerda em vias de mão dupla);

• evitar percursos duplicados e improdutivos.

Costuma-se traçar os itinerários pelo método dito heurístico, levando-se em conta:

• o sentido do tráfego • as declividades acentuadas

• a possibilidade de acesso e manobra dos veículos

F 0 D E método heurístico

basicamente o método consiste em: F 0 2 A dividir a cidade em subáreas F 0 2 A levantar as características de cada roteiro F 0 2 A analisar as informações levantadas F 0 2 A redimensionar os roteiros tendo como premissas:

a exclusão (ou minimização) das horas extras de trabalho o estabelecimento de novos pesos por jornadas as concentrações de lixo em cada área

F 0 D E Exemplos de dimensionamento e traçados de roteiros de coleta

Roteir os

Comprimen to do roteiro m (1)

Peso de lixo

kg (2)

Temp o

médio de

trabal ho

h (3)

Nº. Garis da Guarniç

ão (4)

Índices

kg/ h

(2)/ (3)

kg/ m

(2)/ (1)

kg/ gari

(4)/(2)

01 14.250 16.40 0

8,20 4 2.0 00

1,1 5

4.100

02 13.180 14.20 0

7,72 4 1.8 39

1,0 8

3.550

03 14.600 17.30 0

8,75 4 1.9 77

1,1 8

4.325

04 16.410 19.50 0

8,99 4 2.1 69

1,1 9

4.875

05 15.120 18.10 0

9,78 4 1.8 51

1,2 0

4.525

06 18.040 17.40 0

8,65 4 2.0 12

0,9 6

4.350

07 13.870 15.60 0

9,36 4 1.6 67

1,1 2

3.900

08 15.660 18.30 0

10,01 4 1.8 28

1,1 7

4.575

Média s

15.141 17.10 0

8,93 4 1.9 15

1,1 3

4.275

Totais - 153.9 00

- - - - -

9.3 TRANSPORTE DO LIXO DOMICILIAR

9.3.1 VEÍCULOS PARA A COLETA DO LIXO DOMICILIAR

As viaturas de coleta e transporte do lixo podem ser de dois tipos:

compactadoras

No Brasil são utilizadas as de carregamento traseiro ou lateral

sem compactação

conhecidas como baú ou prefeitura, com fechamento na carroceria por meio de portas corrediças

9.3.3.1 Características de uma boa unidade coletora

F 0 2 A não permitir derramamento do lixo ou do chorume na via pública F 0 2 A apresentar taxa de compactação de pelo menos 3:1 F 0 2 A apresentar altura de carregamento na linha da cintura dos garis: no máximo 1,20m em relação ao solo F 0 2 A possibilitar esvaziamento simultâneo de pelo menos dois recipientes por vez F 0 2 A possuir carregamento traseiro, de preferência F 0 2 A dispor de local adequado para transporte dos trabalhadores F 0 2 A apresentar descarga rápida do lixo no destino (no máx. em 3 min.) F 0 2 A possuir capacidade adequada de manobra e de vencer aclives F 0 2 A apresentar capacidade adequada para o menor número de viagens ao destino, nas condições de cada área

2... Veículos típicos usados na coleta do lixo domiciliar

a) BAÚ

Veículo sem compactação, também denominado “Prefeitura”. É utilizado em pequenas comunidades e também em locais íngremes. O volume das caçambas varia de 4m3 a 12m3 e a capacidade de transporte é de 7 a 12t de peso bruto, respectivamente. b) COLETORES COMPACTADORES

Veículo compactador, de carregamento traseiro, com capacidade volumétrica útil de 6, 10, 12, 15 e 19 m3 . Transporta, respectivamente, 9, 12, 14, 16 e 23 t de peso bruto total.

c) POLIGUINDASTES SIMPLES E DUPLOS

Veículos com guindastes de acionamento hidráulico, montado em chassi de peso total mínimo de 13,5 t para içamento e transporte de caçambas estacionárias de lixo de até 5m3 de capacidade volumétrica. Os equipamentos do tipo simples transportam uma caçamba de cada vez e os do tipo duplo carregam duas caçambas.

3... Outros veículos e equipamentos usados na coleta do lixo

lutocar caminhão basculante “toco” caminhão basculante trucado Roll-on/roll-off carreta pá carregadeira

10. RECICLAGEM DE RESÍDUOS SÓLIDOS 10.1 ASPECTOS GERAIS

A criação de políticas ambientais nos países desenvolvidos despertou o interesse da população pela questão dos resíduos sólidos. O aumento da geração per capita de lixo, fruto do modelo de alto consumo da sociedade capitalista, começou a preocupar ambientalistas e a população, tanto pelo seu potencial poluidor,

quanto pela necessidade permanente de identificação de novos locais para aterro dos resíduos.

Entre as alternativas para redução dos resíduos sólidos urbanos, a reciclagem é aquela que desperta o maior interesse da população, principalmente pelo seu forte apelo ambiental.

Os principais benefícios da reciclagem dos materiais do lixo são:

• a economia de matérias-primas não renováveis; • a economia de energia nos processos produtivos; • o aumento da vida útil dos aterros sanitários; • o estímulo ao desenvolvimento de uma maior consciência

ambiental e dos princípios de cidadania por parte da população; • a geração de emprego e renda para os recicladores

O grande desafio para implantação de programas de reciclagem é buscar um modelo que permita a sua auto-sustentabilidade econômica

10.2 RECICLAGEM E COLETA SELETIVA

102.1 RECICLAGEM

Trata-se da recuperação dos materiais descartados, modificando suas características físicas, para obtenção de um novo produto. Diferencia- se da reutilização em que os materiais descartados mantêm suas feições.

A reciclagem pode ser direta ou pré-consumo, quando processados materiais descartados na própria linha de produção, como aparas de papel, rebarbas metálicas, etc, ou, indireta, pós-consumo, quando são reprocessados materiais que foram descartados como lixo pelos usuários.

10.2.2 COLETA SELETIVA

Consiste na separação de materiais recicláveis como papéis, vidros, plásticos e metais do restante do lixo, nas suas próprias fontes geradoras. Facilita a reciclagem, porque os materiais estarão mais limpos e conseqüentemente com maior potencial de reaproveitamento.

A reciclagem pode ser feita sem a coleta seletiva. Neste caso, os materiais são separados manualmente ou mecanicamente em uma usina de lixo, após a coleta tradicional.

10.2.2.1 Coleta seletiva porta a porta

É o modelo mais empregado nos programas de reciclagem e consiste na separação, pela população, dos materiais recicláveis existentes nos resíduos domésticos para que posteriormente os mesmos sejam coletados por um veículo específico.

O sistema exige espaço para guarda dos contêineres nas casas e apartamentos e veículos com carroceria compartimentada para transportar os materiais separadamente.

Outro modelo bem mais utilizado, é aquele em que a população separa os resíduos domésticos em dois grupos:

materiais orgânicos (úmidos) compostos por restos de alimentos e materiais não recicláveis. Devem ser acondicionados em um único contêiner e coletados pelo sistema de coleta de lixo domiciliar

materiais recicláveis (secos)

compostos por papéis, vidros plásticos e metais. Devem ser acondicionados em um único contêiner e coletados nos roteiros de coleta seletiva

Os principais aspectos negativos da coleta seletiva porta a porta são:

F 0 D E aumento das despesas com transporte em função da necessidade de aumento do número de caminhões

F 0 D E alto valor unitário, quando comparada com a coleta convencional

10.2.2.2 Pontos de entrega voluntária – PEV

Consiste na instalação de contêineres ou recipientes em locais públicos para que a população, voluntariamente, possa fazer o descarte dos materiais separados em suas residências.

A Resolução CONAMA nº 275, de 25/04/2001, estabelece o código de cores para os diferentes tipos de resíduos, a ser adotado na identificação dos coletores

10.2.2.3 Cooperativas de catadores

Alguns municípios têm procurado dar também um cunho social aos seus programas de reciclagem, formando cooperativas de catadores que atuam na separação de materiais recicláveis do lixo.

Principais vantagens da utilização de cooperativas de catadores:

geração de emprego e renda;

resgate da cidadania dos catadores, na sua maioria moradores de rua;

redução das despesas com os programas de reciclagem;

redução de despesas com a coleta, transferência e disposição final dos resíduos separados pelos catadores

Um dos principais fatores que garantem o fortalecimento e o sucesso de uma cooperativa de catadores é a boa comercialização dos materiais recicláveis. Para tanto, é fundamental que sejam atendidas as seguintes condições:

F 0 D E boa qualidade dos materiais;

F 0 D E escala de produção e de estocagem;

F 0 D E regularidade na produção e/ou entrega ao consumidor final.

Entre as principais ações que devem ser empreendidas pelo poder público no auxílio a uma cooperativa de catadores, destacam-se:

F 0 A 8 apoio administrativo e contábil; F 0 A 8 criação de serviço social para atuar junto aos catadores;

F 0 A 8 fornecimento de uniformes e equipamentos de proteção individual; F 0 A 8 implantação de cursos de alfabetização para os catadores; F 0 A 8 implantação de programas de recuperação de dependentes químicos; F 0 A 8 implantação de programas de educação ambiental para os catadores

Em uma fase inicial, considerando a pouca experiência das diretorias das cooperativas, o poder público poderá também auxiliar na comercialização dos materiais recicláveis.

11. TRATAMENTO DE RESÍD. SÓLIDOS URBANOS

11.1 CONCEITUAÇÃO

Define-se tratamento como uma série de procedimentos destinados a reduzir a quantidade ou o potencial poluidor dos resíduos sólidos, seja impedindo descarte de lixo em ambiente ou local inadequado, seja transformando-o em material inerte ou biologicamente estável.

11.2 TRATAMENTO DE RESÍD. SÓLIDOS DOMICILIARES

O tratamento mais eficaz é o prestado pela própria população quando está empenhada em reduzir a quantidade de lixo, evitando o desperdício, reaproveitando os materiais, separando os recicláveis em casa ou na própria fonte e se desfazendo do lixo de maneira correta.

Além desses procedimentos, existem processos físicos e biológicos que objetivam estimular a atividade dos microrganismos que atacam o lixo, decompondo a matéria orgânica.

Os processos mais utilizados no tratamento dos resíduos sólidos domiciliares são: a compostagem e a incineração.

11.2.1 COMPOSTAGEM

A compostagem é um processo biológico, natural, de decomposição e estabilização de resíduos orgânicos para produção de húmus, desenvolvido em duas fases, por uma população mista de microrganismo.

Pode ser aeróbia ou anaeróbia, em função da presença ou não do oxigênio no processo.

A compostagem anaeróbia ocorre em baixa temperatura, com exalação de fortes odores e leva mais tempo na estabilização da matéria orgânica.

Na compostagem aeróbia, processo mais adequado ao tratamento de lixo domiciliar, a temperatura pode chegar a até 70ºC, os odores emanados não são agressivos e a decomposição é mais rápida.

Sua origem como processo científico data de 1920, quando o inglês Albert Howvard, em estudo realizado em Índore-Índia, começou a definir procedimentos no estudo da fermentação de resíduos sólidos, resultando entre outros métodos, a utilização de leiras sobre o solo.

Compostar é também reciclar o lixo, ou seja, reciclar a sua fração orgânica (restos de alimentos, frutas, vegetais, folhas e outros) para transformá-los em húmus que será utilizado na agricultura e também, cumprir, entre outros, os objetivos seguintes:

• atenuar os problemas sanitários e de saúde pública; • evitar a poluição e contaminação ambiental; • permitir a economia de energia pelo reaproveitamento de

produtos existentes no lixo; • reduzir a quantidade de resíduos que deverão ser dispostos no

solo, em aterros sanitários

Para realização do processo de compostagem, a fração orgânica dos resíduos domiciliares deve ser separada dos materiais inertes (vidros, plásticos, metais, etc.). Para isso a condição ideal é que essa separação seja feita na própria fonte geradora, através da coleta seletiva.

Quando não existir a coleta seletiva, a compostagem deverá ser precedida da separação dos materiais inertes em uma usina de reciclagem 11.2.1.1 Usinas de reciclagem e compostagem

O material reciclável que se encontra misturado no lixo domiciliar pode ser separado em uma usina de reciclagem através de processos manuais e eletromecânicos, conseguindo-se em geral uma eficiência

de apenas 3 a 6% em peso, dependendo do tamanho e do grau de sofisticação tecnológica da usina.

Após a separação do lixo dos recicláveis aproveitáveis para a indústria, o restante dos resíduos, que são essencialmente orgânicos, pode ser processado para se tornar um composto orgânico, com todos os macro e micronutrientes, para uso agrícola.

Uma usina de reciclagem apresenta três fases de operação:

• recepção • alimentação • triagem

A escolha do material reciclável a ser separado nas unidades de reciclagem depende sobretudo da demanda da indústria. Todavia, na grande maioria das unidades são separados os seguintes materiais:

F 0 A 8 papel e papelão F 0 A 8 plástico duro (PVC, polietileno de alta densidade, PET); F 0 A 8 plástico filme (polietileno de baixa densidade); F 0 A 8 garrafas inteiras; F 0 A 8 vidro claro, escuro e misto; F 0 A 8 metal ferroso (latas, chaparia, etc); F 0 A 8 metal não ferroso (alumínio, cobre, chumbo, antimônio etc)

11.2.1.2 Fases da compostagem

O processo de compostagem aeróbia pode ser dividido em duas fases

a) 1ª fase – bioestabilização

Inicia-se por uma fase de degradação ativa, onde ocorrem as reações bioquímicas mais intensas, com elevadas temperaturas, passando-se à bioestabilização, caracterizada pela redução da temperatura da massa orgânica, que após ter atingido temperaturas de até 65ºC, estabiliza-se na temperatura ambiente.

Esta fase dura cerca de 45 dias em sistemas de compostagem acelerada e 60 dias nos sistemas de compostagem natural.

b) 2ª fase – maturação

Esta fase é caracterizada pela decomposição bioquímica de substâncias mais complexas pela ação dos fungos e actinomicetes que provocam a humidificação dessas substâncias e a mineralização completa da matéria orgânica.

Inicia-se quando a temperatura interna do composto orgânico permanece em torno de 45ºC e dura mais de 30 dias.

11.2.1.3 Fatores que influenciam a compostagem

• temperatura • umidade • aeração • relação C/N • pH • tamanho das partículas

11.2.1.4 Estrutura da pilha e da leira de compostagem

a) Preparação da Matéria Prima

A matéria prima a ser compostada deve apresentar algumas características essenciais, como:

• ausência de materiais inorgânicos não degradáveis; • partículas com diâmetro em torno de 35 mm; • relação C/N entre 30:1 a 40:1; • teor de umidade em torno de 55%

b) Montagem da pilha ou leira

em caso de pilha

deve der montada com um diâmetro mínimo de 2,50 m e altura de 1,60 m

em caso de leira

deve ser montada com base variando de 2,20 m a 3,00 m altura mínima de 1,20 m e máxima de 1,60 m

comprimento iniciando com 3,60 m e variando em função da quantidade de lixo em cada turno de trabalho, bem como da conformação do pátio de compostagem

11.2.1.5 Operacionalidade das pilhas ou leiras na fase ativa

Depois de preparada a pilha ou leira, o processo de compostagem é desenvolvido segundo um rígido controle dos fatores que influenciam o processo como: temperatura, pH, aeração, umidade

e ainda o ciclo de reviramento da massa em compostagem

Caso o processo seja mal operado, os problemas mais comuns são: proliferação de vetores; emanação de odores e chorume

- Monitoramento da fase ativa

controle da temperatura controle da umidade período de reviramento proliferação de vetores emanação de odores produção de chorume

11.2.1.6 Desenvolvimento da 2ª fase – maturação

Essa fase tem a duração aproximada de 40 dias com a temperatura ainda em regresso, variando entre 45ºC e 30ºC, pH entre 7,5 e 9,5. Aí, com a matéria orgânica já degradada, a atividade biológica vai cessando e o calor vai diminuindo, havendo assim um esfriamento da massa. Diz-se, então, que a matéria orgânica alcançou a estabilização.

No início da maturação, os actinomicetes e fungos até então situados nas zonas periféricas da pilha ou leira, invadem a massa em decomposição, degradando substâncias mais resistentes como as celuloses, os óleos, as gorduras, as ligninas, as resinas e outros de estrutura mais complexas dando assim continuidade ao processo e liberando elementos químicos como o cálcio, o fósforo, o magnésio e o nitrogênio que passam da forma conhecida como imobilizada, para nutrientes na forma mineralizada.

A lignina é a última a ser degradada e por esta razão exerce papel fundamental na formação do húmus.

11.2.2 COMPOSTO ORGÂNICO

O composto orgânico é formado de húmus e proteínas resultante da compostagem da matéria orgânica do lixo. Considerando a 1ª fase variando de 45 a 60 dias e que a degradação da lignina na etapa de maturação demora de 40 a 60 dias é impossível obter-se o composto orgânico pelo processo aeróbio da compostagem em menos de 90 a 120 dias.

11.2.2.1 Características do composto orgânico

O composto orgânico produzido pela compostagem do lixo tem como principais características a presença de húmus e nutrientes minerais e sua qualidade é função da maior ou menor quantidade destes elementos.

O húmus torna o solo poroso, permitindo a aeração das raízes, retenção de água e dos nutrientes. Os nutrientes minerais podem chegar a 6% em peso do composto e incluem o nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio, e ferro, que são absorvidos pelas raízes das plantas.

O composto orgânico assim definido tem as seguintes aplicações: • Agricultura: produção de grãos, horticultura e floricultura • Paisagismo: parques, canteiros de vias públicas e jardins • Reflorestamento: produção de mudas • Solo: correção de acidez do solo, recuperação de áreas

erodidas, proteção de taludes e encostas, cobertura de aterros

11.2.2.2 Qualidade do composto

No Brasil o composto orgânico produzido em usinas de compostagem de lixo domiciliar deve atender a valores estabelecidos pelo Ministério da Agricultura para que possa ser comercializado, de acordo com os índices da tabela seguinte:

Índices estabelecidos para comercialização do composto orgânico ITEM VALOR TOLERÂNCIA

matéria orgânica total mínimo de 40% menos de 10% nitrogênio total mínimo de 1,0% menos de 10% umidade máximo de 40% mais de 10% relação C/N máximo de 18/1 21/1 índice de pH mínimo de 6,0 menos de 10%

Uma das principais preocupações dos usuários do composto orgânico é a presença de metais pesados em concentrações que

possam prejudicar as culturas agrícolas e o consumidor.

Os metais pesados estão presentes em materiais existentes no lixo tais como papéis coloridos, tecidos, borrachas , cerâmicas, pilhas e baterias. As usinas devem procurar eliminar do lixo boa parte destes elementos.

11.2.3 CONSIDERAÇÕES SOBRE A TECNOLOGIA DE USINAS DE RECICLAGEM E COMPOSTAGEM

Na segunda metade da década de 80 e início da década de 1990, as usinas de reciclagem e compostagem foram apresentadas como a solução definitiva de tratamento dos resíduos sólidos urbanos.

Fabricantes prometiam o fim dos “lixões” e chegavam a afirmar que a operação da usina geraria receitas para os municípios com a comercialização de recicláveis e composto.

Otimistas, diversos municípios no Brasil implantaram usinas de reciclagem e compostagem sem qualquer estudo prévio e o resultado foi muito ruim, pois a maioria das unidades foi desativada logo após a inauguração e outras sequer iniciaram a operação.

A usina de reciclagem e compostagem é uma alternativa a ser considerada, todavia devem ser observados:

existência de mercado consumidor de recicláveis e composto orgânico na região

existência de serviço de coleta com razoável eficiência e regularidade

existência de coleta diferenciada para lixo domiciliar, público e hospitalar

disponibilidade de área suficiente para instalar a usina de reciclagem e o pátio de compostagem

disponibilidade de recursos públicos e/ou privados( através de concessão) para investimentos iniciais e operação da usina

disponibilidade de pessoal técnico capacitado para operar, manter e controlar os equipamentos da usina

viabilidade econômica por meio de estudo cuidadoso sobre as vantagens da usina – redução do lixo a ser transportado e aterrado, venda de composto e recicláveis, geração de emprego e renda, benefícios ambientais – e os seus custos – de implantação, operação e manutenção do sistema

11.2.3.1 Seleção da tecnologia

Deve ser considerada a disponibilidade orçamentária do Município, levando-se sempre em conta que, quanto maior o nível de automatização e sofisticação dos equipamentos, maiores serão o investimento inicial e as despesas com manutenção.

Em comunidades com escassez de emprego, são recomendáveis tecnologias com mão-de-obra intensiva, como nas usinas que adotam a separação manual dos materiais. Porém, são recomendadas máquinas eletromagnéticas que separam os materiais ferrosos e os equipamentos necessários ao reviramento das leiras e manejo do lixo no pátio e silos, mesmo nas usinas mais simples.

11.2.3.2 Estudos de viabilidade econômica

Devem ser analisados os seguintes aspectos:

• Investimento

F 02 A licenciamentos ambientais F 02 A aquisição de terreno e legalização fundiária F 02 A projetos de arquitetura e engenharia F 02 A obras de engenharia

F 02 A aquisição de máquinas e equipamentos F 02 A despesas de capital e depreciação de equipamentos

• Custeio

F 02 A pessoal (mão-de-obra, corpo técnico, gerencial e administrat.) F 02 A despesas operacionais e de manutenção F 02 A despesas de energia e tarifas das concessionárias F 02 A despesas de reposição de peças e equipamentos F 02 A despesas com gerenciamento e administração

• Receitas

F 02 A diretas: comercialização de recicláveis e composto orgânico

F 02 A indiretas economia de custos de transporte ao aterro economia na redução de volume de lixo no aterro

F 02 A Ambientais economia de consumo de energia economia no consumo de recursos naturais redução da carga de resíduos poluentes no ambiente

F 02 A Sociais oferta de emprego digno e formal para os catadores de lixo geração de renda conscientização ambiental da população

11.2.3.3 Mercado de recicláveis

As indústrias que trabalham com matéria-prima reciclada exigem para compra dos materiais três condições básicas:

• escala de produção • regularidade no fornecimento • qualidade do material

O preço de venda de materiais e o escoamento da produção dependem das indústrias recicladoras presentes na área de influência da usina.

Os preços praticados pelo mercado variam muito, sofrendo influência direta do preço da matéria-prima virgem.

Agregam valor aos produtos reciclados os seguintes beneficiamentos:

• limpeza dos materiais • separação e enfardamento dos diversos tipos e materiais, como:

F 02 A papéis e papelão F 02 A latas de alumínio F 02 A plástico duro

Também é fundamental haver um local para acumulação de todos os materiais, de modo a racionalizar o frete até o local de sua industrialização.

11.3 TRAT. DE RESÍDUOS DOMICILIARES ESPECIAIS

1.. TRATAMENTO DE RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL

A forma de tratamento dos resíduos da construção civil mais difundida é a segregação (ou limpeza), seguida de trituração e reutilização na própria indústria da construção civil.

O entulho reciclado pode ser usado como base e sub-base de rodovias, agregado graúdo na execução de estruturas de edifícios, em obras de arte de concreto armado e em peças pré-moldadas.

No Brasil existem cerca de 9 unidades de beneficiamento de resíduos de construção, sendo a experiência mais significativa a da Prefeitura de Belo Horizonte que dispõe de 2 unidades com capacidade para processar até 400 toneladas diárias.

A reciclagem dos resíduos da construção civil apresenta as seguintes vantagens:

• redução de volume de extração de matérias-primas • conservação de matérias-primas não renováveis • correção dos problemas ambientais urbanos gerados pela

deposição indiscriminada de resíduos de construção na malha urbana

• colocação no mercado de materiais de construção de custo mais baixo

• criação de novos postos de trabalho para mão-de-obra com baixa qualificação

Os seguintes fatores devem ser considerados na avaliação de implantação de um processo de reciclagem de entulho:

• densidade populacional • obtenção de agregados naturais • nível de industrialização

Além destes fatores, devem ser observadas as condições a seguir:

F 0 D E com relação ao recebimento

• Características dos resíduos sólidos: a quantidade, o lugar de origem, o responsável, a legislação existente, tipos e qualidade

• demolição e reformas: técnicas aplicadas, transporte do entulho, equipamentos para reciclagem

• possibilidades de remoção e disposição final: preços, distâncias, áreas já regularizadas

• desenvolvimento do processo: possibilidade efetiva, corpo técnico, organização e planejamento

F 0 D E com relação à comercialização

• matéria-prima natural (qualidade, preços, reservas) • comercialização (tipos, consumo atual, padrões) • matéria-prima reciclada (qualidade técnica, quantidades, preços)

11.3.1.1 Formas de processamento dos resíduos da construção civil

• automática • semi-automática

11.3.1.2 Produtos de uma usina de resíduos da construção civil

• briquetes para calçada • sub-base e base de rodovias • blocos para muros e alvenaria de casas populares • agregado miúdo para revestimento

• agregados p/ construção de meios-fios, bocas-de-lobo, sarjetas

11.3.2 TRATAMENTO DE PILHAS, BATERIAS E LÂMPADAS FLUORESCENTES

Por causa de sua elevada toxicidade estes materiais devem reciclados ou gerenciados como lixo tóxico

2.. TRATAMENTO DE PNEUS

Após a publicação da Resolução CONAMA nº 258 (1999), as indústrias passaram a destinar seus rejeitos de produção em fornos de clinker das indústrias cimenteiras. Entretanto, nem todos os fornos foram adaptados para processar pneus, provocando alterações na qualidade do cimento produzido e emitindo efluentes gasosos fora dos limites fixados pelos órgãos ambientais.

Na década de 1990 surgiu uma tecnologia nova, nacional, que utiliza solventes orgânicos para separar a borracha do arame e do nylon dos pneus, permitindo sua recuperação e reciclagem.

11.4 TRATAMENTO DE RESÍD. DE FONTES ESPECIAIS

11.4.1 TRATAMENTO DE RESÍDUOS SÓLIDOS INDUSTRIAIS

É comum proceder ao tratamento de resíduos industriais com vistas à sua reutilização ou, pelo menos, torná-los inertes. Utiliza-se de reciclagem/recuperação de resíduos sólidos industriais ou de processos de tratamento.

Os processos de tratamento mais comuns são:

neutralização, para resíduos com características ácidas ou alcalinas

secagem ou mescla que é a mistura de resíduos com alto teor de umidade com outros resíduos secos ou com materiais inertes, como serragem

encapsulamento, que consiste em revestir os resíduos com uma camada de resina sintética impermeável e de baixíssimo índice de lixiviação

incorporação,onde os resíduos são agregados à massa de concreto ou de cerâmica em uma quantidade tal que não prejudique o meio ambiente, ou ainda que possam ser acrescentados a materiais combustíveis sem gerar gases prejudiciais ao meio ambiente após queima

• processos de destruição térmica, como incineração e pirólise.

11.4.2 TRATAMENTO DE RESÍDUOS DE SAÚDE

São muitas as tecnologias para tratamento de resíduos de serviços de saúde. Até pouco tempo as mais comuns eram a incineração e a autoclavagem, já que, em muitos países, a disposição em valas sépticas não é aceita.

Qualquer que seja a tecnologia de tratamento a ser adotada, ela terá que atender às seguintes premissas:

• promover a redução da carga biológica dos resíduos, de acordo com os padrões exigidos

• atender aos padrões estabelecidos pelo órgão de controle ambiental do estado para emissões dos efluentes líquidos e gasosos

• descaracterizar os resíduos, no mínimo impedindo o seu reconhecimento como lixo hospitalar

Os processos comerciais disponíveis que atendem a estas premissas fundamentais são:

F 0 A 8 Incineração

• incineradores de grelha fixa • incineradores de leito móvel • fornos rotativos

F 0 A 8 Pirólise F 0 A 8 Autoclavagem F 0 A 8 Microondas F 0 A 8 Radiação ionizante F 0 A 8 Desativação eletrotérrmica F 0 A 8 Tratamento Químico

3. INCINERAÇÃO

11.5.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS

A incineração é um processo de queima, na presença de excesso de oxigênio, no qual os materiais à base de carbono são decompostos, desprendendo calor e gerando um resíduo de cinzas.

O processo de incineração tem a vantagem de reduzir para 10% volume e o peso do lixo urbano quando feita através da combustão controlada e temperatura adequada. Além de cinzas e escórias resultantes da incineração, alguns gases (N2, SO2, CO2, O2, e H2O) resultam também do processo. Quando a combustão é realizada com uma temperatura inadequada pode acontecer o aparecimento de monóxido de carbono e particulados que são lançados na atmosfera em forma de fuligem. Do ponto de vista sanitário, pode-se dizer que a incineração a alta temperatura (800ºC a 1000ºC) é o melhor sistema para o destino final do lixo, pois, destrói por completo o lixo, as bactérias e os vírus nele existentes. Alguns fatores ainda polêmicos, como a poluição atmosférica, motivadas pelas emanações dos gases resultantes da incineração dos resíduos sólidos, principalmente as dioxinas e furanos , atribuídos a queima dos plásticos que hoje estão presentes em grande quantidade no lixo urbano, depõem contra esse processo Ouro fator que deve ser considerado é o elevado custo do processo de incineração (queima e tratamento dos gases), tanto de implantação quanto de manutenção.

11.5.2 O PROCESSO DE INCINERAÇÃO

Em grandes linhas um incinerador é um equipamento composto por duas câmaras de combustão onde, na primeira câmara, os resíduos, sólidos e líquidos, são queimados a temperaturas variando entre 800ºC a 1000ºC, com excesso de oxigênio(10 a 25% acima das necessidades de queima dos resíduos), e transformados em gases, cinzas e escórias. Na segunda câmara, os gases provenientes da combustão inicial são queimados a temperaturas da ordem de 1.200ºC a 1.400ºC.

Os gases da combustão secundária são rapidamente resfriados para evitar a recomposição das extensas cadeias orgânicas tóxicas e, em seguida, tratados em lavadores, ciclones ou precipitadores

eletrostáticos, antes de serem lançados na atmosfera através de uma chaminé.

muito bom trabalho , parabéns , sou o Geraldo e faço um trabalho de desenvolvimento de Usina de reciclagem
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