Trovadorismo, Esquemas de Língua Portuguesa
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Trovadorismo, Esquemas de Língua Portuguesa

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Trovadorismo: A figura da mulher nas cantigas de amor

BARRETO, Eloá Cordeiro*

Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia do Maranhão.

O objetivo principal desse artigo e uma abordagem histórica da Literatura Medieval, e contextualizar a poesia e o movimento trovadoresco galego-português dos séculos XIII e XIV.

Palavras chaves:Trovadores medievais e poesia galego-português.

1 INTRODUÇÃO

Trovadorismo foi a primeira manifestação literária da língua portuguesa. Ela Sergio no mesmo período em que Portugal começou a despontar como nação independente, no século XII; porém, as suas origens deram-se na Occitânia, de onde se espalhou por praticamente toda a Europa. Apesar disso, a lírica medieval galaico- português possuiu características próprias, uma grande produtividade e um número considerável de autores conservados.

A partir da segunda metade do século XII, Portugal começava a afirmar-se como reino independente, embora ainda mantivesse laços econômicos, sociais e culturais com o restante da Península Ibérica. Desses laços surgiu próximo à Galícia (região do norte do rio Douro), uma língua particular, de traços próprios, chamada galego-português.

A cultura trovadoresca refletia bem o panorama histórico desse período: as Cruzadas, a luta contra os mouros, o feudalismo, o poder espiritual do clero.

O termo Trovadorismo é derivado da palavra “trovador” que era como se denominavam os poetas em Portugal, correspondendo também ao termo “troubadour” que por sua vez era a forma provençal de designar os poetas no Sul da França. O trovador era aquele que “achava a música” adequada para o poema, já que a poesia trovadoresca deveria necessariamente possuir acompanhamento musical.

______________________________________ *Eloá Cordeiro Barreto [eloabarreto@hotmail.com], Estudante do 2 ano do curso técnico em Controle Ambiental do Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia do Maranhão - IFMA do campos Buriticupu.

2 REVISÃO DA LITERATURA

O Trovadorismo foi o primeiro movimento literário. Iniciou-se por volta de 1189, durante a Guerra da Reconquista do solo português. A região sul de Portugal estava sob o domínio árabe, mas foi totalmente reconquistado em 1249 pelo rei D. Afonso III. Com esse tumulto, durante o processo de reconquista do território português, cavaleiros cristãos que vinham de diferentes partes da Europa iniciaram o processo de expulsão dos árabes (considerados indesejados) e que ainda habitavam a Península Ibérica. Esse período da história ficou marcado pelo feudalismo, que foi o sistema político e econômico da Idade Média sustentado sobre a hierarquia de suseranos (proprietários de grandes extensões de terras) e vassalos (aqueles que se subordinam ao suserano e deviam prestar obediência, submissão e pagar taxas e contribuições).

A sociedade daquela época era tipicamente rural e o comércio bastante diferente daquele que conhecemos hoje, pois não existia o dinheiro. Eram feitas trocas de mercadorias e as principais atividades da época eram a pesca e a agricultura, cultivadas pelos servos. Nesta época medieval cercada por inúmeras guerras, os feudos tinham que se proteger de alguma forma. Assim como nós temos a proteção de nossos policiais, naquela época existiam os cavaleiros, além de proteger tinham a obrigação de servir a Deus, à Igreja e ao suserano. Foram estes cavaleiros que fizeram parte das cruzadas, um dos mais importantes movimentos da Idade Média. As cruzadas, nada mais eram do que expedições armadas e patrocinadas pela Igreja, que tinham por objetivo recuperar os lugares “santos” que estavam sob o domínio muçulmano. A população da época tinha uma religiosidade aflorada e isso tornou-se um marco na cultura medieval: o TEOCENTRISMO, ou seja, Deus era visto como o centro de todas as coisas. Este pensamento só tornou-se possível, graças ao momento histórico caótico vivido na época. O povo procurava apoio e ajuda na religião para as dificuldades encontradas neste mundo e a salvação após a morte.

2.1 POESIS TROVADORESCAS

A poesia desta época era composta basicamente de cantigas, geralmente com acompanhamento de instrumentos como, (alaúde, flauta, viola, gaita etc.). Quem escrevia e cantava essas poesias musicais eram os jograis e os trovadores. Onde suas cantigas foram organizadas pelos cancioneiros, que eram divididos em:

• Cancioneiro da Ajuda; • Cancioneiro da Biblioteca Nacional de Lisboa; • Cancioneiro da Vaticana.

Esses três tipos de cancioneiros, eles eram classificados de acordo com a qualidade e quantidade de suas cantigas.

Essas cantigas foram classificadas em cantiga de amor, amigo, escárnio e maldizer, onde eram divididos em dois gêneros lírico e satírico.

CANTIGA DO AMOR

Nas cantigas de amor o homem se refere à sua amada como sendo uma figura idealizada, distante. O poeta fica na posição de fiel vassalo, fica as ordens de sua

senhora, dama da corte, onde esse amor é considerado como um objeto de sonho, ou seja, impossível, que está longe. Esta cantiga teve origem no sul da França, apresentando um eu – lírico é masculino e também sofredor. Nas cantigas de amor o poeta chama sua amada de senhor, pois naquela época, todas as palavras que terminavam com “or”, em galego-português que era uma linguagem da idade média nas regiões de Portugal onde não tinham o feminino, portanto ele dizia “minha senhor”, ele cantava a dor de amar, onde está sempre acometido da “coita”. Essa palavra (coita) é muito usada nessas cantigas, ela significa sofrimento por amor. Essa relação amorosa vertical é chamada "vassalagem amorosa", pois reproduz as relações dos vassalos com os seus senhores feudais. Sua estrutura é mais sofisticada.

Vejamos agora esta cantiga de Afonso Fernandes mostra algumas características de incorrespondência amorosa.

“Senhora minha, desde que vos vi, lutei para ocultar esta paixão que me tomou inteiro o coração; mas não o posso mais e decidi que saibam todos o meu grande amor, a tristeza que tenho, a imensa dor que sofro desde o dia em que vos vi.”

Nessa 1ª estrofe o trovador expressa o que sente mais de uma maneira que expressa súplica, a mulher que ele conheceu está sendo idealizada em que ele se declara a ela, ele expõe os argumentos que justificam sua desgraça.

CANTIGA DO AMIGO

O trovador coloca como personagem central uma mulher da classe popular, procurando expressar o sentimento feminino através de tristes situações da vida amorosa das donzelas. Pela boca do trovador, ela canta a ausência do amigo (amado ou namorado) e desabafa o desgosto de amar e ser abandonada, em razão da guerra ou de outra mulher. Nesse tipo de poema, a moça conversa e desabafa seus sentimentos de amor com a mãe, as amigas, as árvores, as fontes, o mar, os rios, etc. É de caráter narrativo e descritivo e constituem um vivo retrato da vida campestre e do cotidiano das aldeias medievais na região.

Exemplo (Do Rei D. Dinis)

"Ai flores, ai flores do verde pino, se sabedes novas do meu amigo! ai Deus, e u é? Ai flores, ai flores do verde ramo, se sabedes novas do meu amado! ai Deus, e u é? Se sabedes novas do meu amigo,

aquel que mentiu do que pôs comigo! ai Deus, e u é? Se sabedes novas do meu amado, aquel que mentiu do que mi há jurado! ai Deus, e u é?" (...)

CANTIGA DO ESCÁNIO

Na cantiga de escárnio, o eu-lírico faz uma sátira a alguma pessoa. Essa sátira era indireta, cheia de duplos sentidos. As cantigas de escárnio (ou "de escarnho", na grafia da época) definem-se, pois, como sendo aquelas feitas pelos trovadores para dizer mal de alguém, por meio de ambiguidades, trocadilhos e jogos semânticos, em um processo que os trovadores chamavam "equívoco".A cantiga de escárnio exigindo unicamente a alusão indireta e velada, para que o destinatário não seja reconhecido, estimula a imaginação do poeta e sugere-lhe uma expressão irônica, embora, por vezes, bastante mordaz.

Exemplo de cantiga de escárnio.

Ai, dona fea, foste-vos queixar que vos nunca louv[o] em meu cantar; mais ora quero fazer um cantar em que vos loarei toda via; e vedes como vos quero loar: dona fea, velha e sandia! (...)

CANTIGA DO MAL DIZER

Ao contrário da cantiga de escárnio, a cantiga de maldizer traz uma sátira direta e sem duplos sentidos. É comum a agressão verbal à pessoa satirizada, e muitas vezes, são utilizados até palavrões. O nome da pessoa satirizada pode ou não ser revelado.

Exemplo de cantiga Joan Garcia de Guilhade

"Ai dona fea! Foste-vos queixar Que vos nunca louv'en meu trobar Mais ora quero fazer un cantar En que vos loarei toda via; E vedes como vos quero loar: Dona fea, velha e sandia! Ai dona fea! Se Deus mi pardon! E pois havedes tan gran coraçon Que vos eu loe en esta razon, Vos quero já loar toda via; E vedes qual será a loaçon: Dona fea, velha e sandia! Dona fea, nunca vos eu loei En meu trobar, pero muito trobei;

Mais ora já en bom cantar farei En que vos loarei toda via; E direi-vos como vos loarei: Dona fea, velha e sandia!"

Este texto é enquadrado como cantiga de escárnio já que a sátira é indireta e não cita-se o nome da pessoa especifica. Mas, se o nome fosse citado ela seria uma Cantiga de Maldizer, pois contém todas as características diretas como sátira da "Dona". Existe a suposição que Joan Garcia escreveu a cantiga anterior uma senhora que reclamava por ele não ter escrito nada em homenagem a ela. Joan Garcia de tanto ouvi - lá dizer, teria produzido a cantiga.

3 A FIGURA DA MULHER NAS CANTIGAS DE AMOR

O homem se coloca totalmente apaixonado, torna quase sempre a sua cantiga um lamento, expressão do sofrimento amoroso e tudo isso por ela.

A mulher era vista e desejada como algo impossível, Assim sendo merecedora de todas as atenções, gentilezas e considerações da parte daquele que a desejada.

4 CONCLUSÃO

O Trovadorismo foi um período da literatura portuguesa compreendido entre 1189 e 1434. Nessa época Portugal estava em processo de consolidação do estado português. Enquanto o mundo estava em pleno Feudalismo, e o Teocentrismo dominava o planeta.

Os textos do Trovadorismo eram acompanhados de música e geralmente cantados em coro, por isso são chamados de cantigas. As cantigas podem ser classificadas em dois grandes grupos: cantigas líricas e cantigas satíricas. As líricas se subdividem em cantigas de amor e de amigo; as satíricas em cantigas de escárnio e maldizer.

ABSTRACT

The main objective of this article and a historical approach to medieval literature, and contextualize the poetry and the Galician-Portuguese troubadour movement of the thirteenth and fourteenth centuries.

Keywords: Troubadours and medieval Galician-Portuguese poetry.

6 REFERÊNCIAS

CASTRO, M. (2007). <http://pt.shvoong.com/humanities/linguistics/795528-trovadorismo-parte/ >Acesso em: 09 dez. 2010.

TROVADORISMO, <http://pt.shvoong.com/humanities/linguistics/795528-trovadorismo-parte/> Acesso em : 07 dez. 2010

TROVADORISMO, <http://www.graudez.com.br/literatura/trovadorismo.html> Acesso em: 07 dez. 2010

TROVADORISMO, (2008). <http://aprovadonovestibular.com/trovadorismo-literatura.html >Acesso em: 07 dez. 2010

TROVADORISMO, (2008). <http://pt.wikipedia.org/wiki/Trovadorismo> Acesso em: 09 dez. 2010

MAIA, Raul. Educar: programa de estudo e pesquisa. 2. ed. São Paulo, 2003

MASSAUD, Moisés. A literatura portuguesa através de textos. 30. Ed. São Paulo : Cultrix, 2006

muito otimo amei <3
otimo boa explicação , só os exemplo de cantiga de escarnio e uma cantiga de maldizer !!!!!!!! e esta repetida
É escárnio e não "escánio" seu cabeção...
me ajudou bastante foi como uma luz no fim do túnel.
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