Valeri eal 2003 saf, Slides de A Física de Dispositivos Energéticos. Centro Federal de Educação Tecnológico (CEFET-PA)
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alex_rybeiro18 de dezembro de 2015

Valeri eal 2003 saf, Slides de A Física de Dispositivos Energéticos. Centro Federal de Educação Tecnológico (CEFET-PA)

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SISTEMAS AGROFLORESTAIS

Texto extraído do livro: VALERI, S.V.; POLITANO, W; SENO, K.C.A.; BARRETO,

A.L.N.M.(EDITORES) Manejo e recuperação Florestal.

Jaboticabal, Funep. 2003, 180p.

SISTEMAS AGROFLORESTAIS Rinaldo César de Paula

Nádia Figueiredo de Paula

1. PRELIMINARES

Os sistemas agroflorestais (SAF), que incluem uma série de Opções de Cultivo

Simultâneo ou Sequencial de árvores com cultivos agrícolas e (ou) animais, vêm, de

acordo com vários autores citados por Sá (1994), sendo apontados como alternativas de

uso agrícola da terra, principalmente pïa legiões tropicais, por apresentarem capacidade

potencial para aumentar o nível de sustentabilidade do agroecossistema, quanto aos

aspectos agronômicos, sociais, econômicos e ecológicos.

Os Estados Unidos e países da América Latina e Europa têm divulgado os SAF

como opção para o melhor aproveitamento dos recursos naturais na produção

agropecuária, apresentando a capacidade de reduzir ao mínimo o uso de insumos não

renováveis e conservar o meio ambiente. No Brasil, entretanto, os SAF não têm sido

divulgados e pesquisados adequadamente, embora, tenhamos pré-requisitos significativos

para a boa disseminação e adoção dessa forma de uso da terra, tais como: grande

quantidade de terras degradadas; grande número de pequenas propriedades em

determinadas regiões; existência de bacias hidrográficas desordenadas e que servem de

mananciais de abastecimento a municípios com alta concentração demográfica; êxodo

rural como conseqüência da difusão da agricultura intensiva baseada em altos insumos e

mecanização; drástica redução da biodiversidade nas áreas de produção agropecuária

extensas áreas de pastagens desprovidas de árvores de sombra; ausência de tradição da

suplementação alimentar baseada em forragens lenhosas; deficiência nas práticas de

conservação de solo (DANIEL et ai., 2000a); e necessidade

de recuperação de fragmentos florestais (AMADOR- VIANA, 1998; SANTOS et

al, 2000). Os SAF constituem-se numa opção interessante e viável para a oferta

simultânea cie madeira, alimentos e outros bens, podendo ser implantados ou utilizados

em terras já ocupadas com sistemas de monocultivos, seja agrícola ou florestal. Para o

produtor ou empresário florestal, as principais vantagens seriam a redução do custo de

implantação e de manutenção inicial de seus povoamentos, mediante a receita produzida

pela cultura intercalar, e, para os agricultores e pecuaristas, a garantia de condições

ambientais mais adequadas para suas lavouras ou animais e um suprimento adicional de

madeira, para uso próprio ou para comércio. Outrossim, o plantio de árvores em lavouras

e pastagens constitui uma forma de reposição, embora pequena, da cobertura florestal

destruída pelo avanço da fronteira agrícola. Desta forma, os SAF constituem-se numa

alternativa interessante de uso da terra, embora sejam escassos os conhecimentos sobre

utilização atual e potencial, o que tem dificultado sua difusão pela extensão rural e pelas

cooperativas existentes (MEDRADO, 2000).

O presente trabalho aborda as principais características dos SAF e tem como

objetivo despertar proprietários rurais, de uma maneira geral, para a adoção de SAF em

suas propriedades, com ênfase na recuperação de áreas degradadas e de fragmentos

florestais.

Assim, ressaltam-se a necessidade de conciliar as questões econômicas da

moderna agricultura com as questões sociais e ambientais. Os SAF constituem opção

objetiva para melhorar e conservar os reursos produtivos, com aumento da oferta de

madeira, alimentos e de outros bens e serviços, de forma seqüencial ou simultânea na

mesma unidade de área (MONTOYA; MAZUCHOWSKI, 1994).

Não obstante ser uma prática antiga de uso da terra seu estudo como ciência é

relativamente recente. No Brasil os estudos iniciais datam de 1980 (MONTOYA

MAZUCHOWSKI, 1994). De acordo com Lunz e Melo (1998), a presença de um

componente arbóreo, a diversidade de espécies e a grande produção de fitomassa

favorecem sua sustentabilidade pela ciclagem direta de nutrientes entre a vegetação e o

solo. Esses autores salientam também que, se bem planejados, os SAF podem apresentar,

entre outras, as vantagens de melhor utilização dos recursos naturais disponíveis (luz,

água e nutrientes), menor incidência de pragas e doenças, maior diversificação da

produção, diminuição dos riscos econômicos, melhor distribuição temporal do uso da

mão-de-obra familiar e maior estabilidade.

3. DEFINIÇÕES E CARACTERÍSTICAS

Os sistemas agroflorestais são considerados opções agroecológicas do uso da terra

e incluem, na maioria dos casos, vantagens que, em geral, superam suas desvantagens, no

que se refere aos principais componentes da sustentabilidade, ou seja, o econômico, o

social e o ambiental (DANIEL et al., 1999a).

Várias definições podem ser utilizadas para descrever e qualificar os SAF,

contudo a de uso mais difundido talvez seja a apresentada por Nair (1984), citada e

modificada por Daniel et al. (1999a), em que "Sistemas agroflorestais são formas de uso

da terra que envolvem deliberada retenção, introdução, ou mistura de árvores ou outras

plantas lenhosas nos campos de produção agrícola/animal, visando obter benefícios

resultantes das interações econômicas, ecológicas e sociais". Em decorrência das

interações ecológicas e econômicas entre os diferentes componentes dos SAF, estes são

sistemas estrutural e funcionalmente mais complexos do que as monoculturas (DANTAS,

1994).

Desta forma, os SAF constituem-se em modalidade viável de uso da terra,

segundo o princípio do rendimento sustentado, que permite aumentar a produção total ou

de uma maneira escalonada, por meio da integração de florestas com culturas agrícolas e

(ou) criações, aplicando práticas de manejo compatíveis com os padrões culturais da

população local (MACEDO, 2000a).

Num SAF, portanto, pelo menos um dos componentes envolvidos é lenhoso e

perene, podendo ser árvores, arbustos, palmeiras ou bambus (MACEDO, 2000a)

Os quintais e pomares domésticos, em geral, constituem-se em um ótimo e no

mais antigo exemplo de SAF, formados empiricamente, de forma casual, sem arranjo

definido e, ou delineamento, visando o suprimento da família, sobretudo em frutas,

durante o ano, sem nenhuma preocupação de fundo econômico ou ecológico. No entanto,

claramente, observa-se uma combinação de espécies perenes, com espécies temporárias e

animais domésticos (DANTAS, 1994).

Assim, de acordo com Franco (1994), entende-se por SAF qualquer uso múltiplo

da terra que: • tem relações complementares entre árvores e culturas agrícolas, buscando-

se a produção combinada de alimentos, frutos, forragem, lenha, matéria orgânica, entre

outros; • é geralmente, mas não necessariamente, de baixo custo de aplicação;

• utiliza eficientemente a luz solar, a umidade e os nutrientes, em relação aos

monocultivos agrícolas ou florestais;

• reduz e previne a degradação, como por exemplo: erosão, lixiviação, enchentes

ou os efeitos de uma insolação excessiva causada em um solo exposto.

Com base em Dantas (1994), a característica mais importante dos SAF parece ser

a estabilidade ou sustentabilidade ecológica, e, desta forma, os SAF apoiam-se sobre os

princípios da diversidade biológica, com o emprego de maior número de espécies para

conseguir estabilidade ecológica, e, econômica e, da perenidade (longevidade) do

sistema, pelo uso permanente da mesma área. A estabilidade econômica é garantida pelas

diferentes alternativas de produção e (ou) mercado, pelo emprego das várias culturas.

Essas características tornam os SAF sustentáveis pela habilidade do agrossistema em

manter a produtividade quando sujeito a estresse ou perturbação.

Nos SAF os recursos como água, luz e nutrientes podem ser insuficientes para as

espécies envolvidas, de forma que os seus componentes devem ser arranjados de forma a

não competirem seriamente pêlos mesmos recursos do meio. Essa competição pode se

manifestar de várias maneiras, e a produção de uma espécie pode tanto aumentar como

diminuir em relação ao seu monocultivo, de maneira individual ou mútua (OLIVEIRA;

SCHREINER, 1987). Esses arranjos, contudo, têm sido feitos praticamente ao acaso, em

razão das poucas informações para suprir totalmente, pela pesquisa, a necessidade de

conhecimento nesta área (DANTAS, 1994).

Em função da própria natureza heterogênea dos diversos tipos de SAF, onde

diferentes organismos compartilham o mesmo espaço, o ambiente físico afeta e interage

com esses sistemas de modo complexo ao longo das fases de seu ciclo, com reflexos no

crescimento (de arvores, culturas, pastos e animais), no maneio (de microclima, água,

solo, plantas e animais) e nas interações entre seus componentes (árvore/cultura,

árvore/pastagem, árvore/animal e suas combinações).

Quanto mais componentes integrarem um SAF, mais complicadas se tornam as

interações múltiplas em espaço e tempo (SÁ, 1994). Embora haja muita polemica sobre o

que é ou não sustentável, de um modo geral consideram-se não sustentáveis os modelos

intensivos de produção, consumidores de grandes quantidades de insumos não renováveis

ou poluentes do meio ambiente e exigente em operações de preparo do solo e

equipamentos. Os sistemas agroflorestais são considerados tecnologias sustentáveis

(DANIEL et al., 2000b). Entretanto, há controvérsias quanto às afirmações de que os

SAF em geral sejam realmente sustentáveis (MacDICKEN; VERGARA, citados por

DANIEL et al., 2000b). Esses autores citam outras fontes, que afirmam que nem todas as

combinações de árvores c cultivos agrícolas ou animais alcançam os objetivos da

sustentabilidade, do incremento na produção e dos benefícios para a pobreza rural. Isso

induz à necessidade de dispor de procedimentos metodológicos para avaliar os níveis de

sustentabilidade dos sistemas agroflorestais (DANIEL et al., 2000b).

4. CLASSIFICAÇÃO DOS SAF

Os SAF podem ser categorizados em três modos distintos, com base estrutural,

funcional e socioeconômica e ecológica (DANIEL et al., 1999a). Destes, o critério

estrutural é o mais comum e refere-se à composição, incluindo a mistura dos elementos

lenhosos, a estratificação vertical e o arranjo temporal dos diferentes componentes

(NAIR citado por DANIEL et al., 1999a).

Portanto, estruturalmente e com base na natureza dos componentes dos SAF,

Daniel et al. (1999B) propõem a seguinte terminologia:

• Sistemas Agrissilviculturais - envolvem cultivos agrícolas e árvores, incluindo

arbustos e (ou) trepadeiras;

• Sistemas Silvipastoris - referem-se à associação de pastagens e (ou) animais e

árvores;

• Sistemas Agrissilvipastoris - combinam cultivos agrícolas, pastagens e (ou)

animais e árvores.

Em qualquer um desses sistemas a integração de seus componentes poderão se

dar de forma simultânea ou seqüencial e em uma infinidade de combinações possíveis.

5. SAF COMO ALTERNATIVAS DE MANEJO DE FRAGMENTOS

FLORESTAIS E RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS

Os SAF têm sido praticados desde há muitos séculos, embora somente nos

últimos anos tenha merecido atenção especial, graças aos benefícios que podem oferecer

quanto ao uso dos solos, inclusive, sob o aspecto ecológico (OLIVEIRA; SCHREINER,

1987). Por combinar benefícios de produção (alimentos, forragem, macieira e outros) e

de serviços (conservação do solo, manutenção da fertilidade, ciclagem de nutrientes,

restabelecimento de microclima e outros), os SAF apresentam inegável vocação de

sustentabilidade (MONTOYA; MAZUCHOWSKI, 1994).

A fragmentação florestal é um fenômeno associado à expansão da fronteira

agrícola e, devido às elevadas taxas de desmatamento e seus consequentes efeitos

deletérios na paisagem, vem sendo motivo de preocupação por parte de estudiosos e

ambientalistas, especialmente nos últimos anos (VIANA et ai., 1997)

A implantação de projetos para a recuperação de fragmentos florestais e matas

ciliares requer altos investimentos por parte dos proprietários rurais. Sendo assim, novas

alternativas para reduzir esse investimento devem ser testadas e desenvolvidas,

contribuindo para uma ampla difusão e implantação de projetos de recuperação ambiental

em propriedades privadas (AMADOR; VIANA, 1998).

De acordo com esses autores, os SAF podem ser utilizados como uma técnica

para recuperação de fragmentos, onde o objetivo não é a produção contínua de produtos

agrícolas, mas sim a produção nos primeiros anos de implantação do projeto de

recuperação para viabilizá-lo economicamente, apresentando, assim, grande potencial

para um desenvolvimento sustentável, pela conservação dos solos e da água, a

diminuição do uso de fertilizantes e defensivos agrícolas, a adequação à pequena

produção, a conservação da biodiversidade e a recuperação de fragmentos normais e

matas ciliares.

Entre as potencialidades dos SAF para recuperação de fragmentos pode-se

ressaltar a restauração de ecounidades degradadas, corredores de interligação,

recuperação de matas ciliares e manejo das bordas dos fragmentos (AMADOR; VIANA,

1998).

Santos et al. (2000) recomendaram a utilização de SAF para restauração de

paisagens fragmentadas em assentamentos no Pontal do Paranapanema (SP), como forma

de garantir a existência de um fluxo mínimo entre remanescentes de vegetação natural, de

forma a viabilizar a manutenção de uma biodiversidade relativamente alta em paisagens

produtivas.

Daniel et al. (1999a) e Macedo (2000b) abordam também, a utilização de SAF

como alternativas sustentáveis a recuperação de pastagens degradadas, apoiando-se nas

potencialidades, listadas por Couto (1990), que os mesmos têm para promover melhorias

nas propriedades químicas físicas e biológicas do solo. De acordo com Daniel et al.

(1999a), os SAF têm sido preconizados como sistemas sustentáveis e divulgados como

uma solução alternativa para a recuperação de áreas degradadas, envolvendo não só a

reconstituição das características diretamente relacionadas ao solo, como também a

recuperação da paisagem de uma forma geral, a qual envolve todos os fatores

responsáveis pela produção em harmonia com o ecossistema: o solo, a água, o ar o

microclima, a flora e a fauna. Esses autores mencionam que

os SAF em essa potencialidade, em vista das seguintes características:

transferência de nutrientes de camadas inferiores para a superfície cio solo; fixação de

nitrogênio; redução de erosão e de lixiviação; aumento ao teor de matéria orgânica, de

umidade e de fauna do solo; formação de microclima ameno, tanto para o solo quanto

para os animais; transformação da paisagem; e aumento da biodiversidade.

Outra possibilidade de adoção de SAF refere-se a restauração e recomposição da

reserva legal, na qual e permitido o manejo sustentável da vegetação arbórea. Neste caso

os SAF poderiam ser praticados até a fase de fechamento do dossel da vegetação arbórea/

arbustiva, na forma de sistema agrissilvicultural, e após este, pela adoção de sistemas

silvipastoris.

Valeri e Menezes (2000) discutem a potencialidade do uso dos SAF como

alternativa para viabilizar a recuperação da biodiversidade dos fragmentos florestais e das

áreas de preservação permanente e incentivar a composição de reservas legais.

Recomendam que, durante os 3 ou 4 primeiros anos da implantação dessas áreas sejam

cultivadas, na entrelinha de plantio das espécies arbóreas, culturas de subsistência, como

milho, soja, feijão e mandioca, de maneira que a produção dessas culturas cubra os custos

de implantação dos reflorestamentos.

De acordo com esses autores, as espécies arbóreas devem necessariamente, ser as

nativas típicas da região e, entre outras, podem ser frutíferas, como goiabeiras,

jabuticabeiras e pitangueiras, em espaçamento que pode variar de 4,00 m x 2,00 m ou de

3,6 m x 2,00 m. Essas espécies, além de úteis para a alimentação humana, serviriam com

fonte de alimentação para os animais.

6. EXEMPLOS DE SAF

Os tipos de SAF são os mais diversos possíveis de acordo com Dantas (1994), os

SAF resultam da imaginação, da experiência, do conhecimento, da tradição, da cultura,

das aspirações e das condições particulares (tipos de solo e clima, disponibilidade de

material) de cada produtor, sendo encontrada uma infinidade de sistemas pelo mundo A

seguir são apresentados alguns exemplos de SAF, com base em Dantas (1994), Daniel et

al. (1999a; 2000a), Macedo (2000a), Macedo et al. (2000a; 2000b) e Medrado (2000).

Pomares ou Quintais Caseiros: este é, sem dúvida, o mais antigo dos sistemas

agroflorestais, podendo ser considerado, na grande maioria das vezes, um sistema

agrissilvipastoril, por apresentar uso intensivo de espécies arbóreas, arbustos, culturas

agrícolas, plantas medicinais e animais em um mesmo local, ao mesmo tempo. São,

portanto, altamente diversificados, apresentando uma complexa e extratificada estrutura

vertical, em cujo estrato superior encontram-se presentes as espécies madereiras em

geral, no estrato médio destacam-se café, mamão, banana e frutas diversas, e no estrato

inferior, batata, mandioca, plantas olerícolas e medicinais.

Arvores em Associação com Culturas Anuais: podendo-se destacar o sistema

de cultivo em faixas ("Aléias") e o sistema Taungya. No Sistema de Cultivo em Faixas

uma associação de árvores ou arbustos (geralmente fixadoras de nitrogênio) intercalados

em faixas com culturas anuais. As árvores e OS arbustos são podados periodicamente

para evitar competição por luz com as culturas, usando-se os resíduos da poda como

adubo verde para melhorar a fertilidade do solo ou como forragem de alta qualidade,

apresentando como benefício adicional o controle de ervas daninhas.

No Sistema Taungya o objetivo final é a produção de madeira, adotando-se, para

tanto, o consórcio de culturas agrícolas de ciclo curto com a espécie florestal por tempo

limitado (em geral, até o fechamento de copas e início de sombreamento). Este sistema

tem como objetivo reduzir o custo de estabelecimento de florestas plantadas, pois a

espécie florestal é favorecida por capinas, limpezas e uma eventual aplicação de adubos

feita em benefício das culturas. O lucro gerado pela venda dos produtos agrícolas paga

uma grande parte do custo do plantio das espécies florestais.

. Árvores e Arbustos em Pastagens: visam fornecer sombra aos animais nas

horas mais quentes do dia, além de constituírem-se em uma maneira de conservação da

vegetação arbórea. Pode ser adotada pelo plantio de arvores em pastagens já

estabelecidas ou pela manutenção de capões de vegetação nativa em locais onde as

pastagens serão implantadas (DANIEL et al, 1999a e 2000a; MEDRADO, 2000)

No caso de plantio de árvores, as mudas devem ser protegidas para evitar danos às

mesmas pêlos animais (DANIEL et al 2000a).

• Sistemas Agrissilvípastoris: São associações de espécies florestais produtoras de

madeira ou frutíferas com animais e culturas agrícolas anuais. São praticados em

diferentes níveis, desde as grandes plantações de árvores para fins comerciais e

industriais com a inclusão de gado, até o pastoreio de animais como complemento à

agricultura de subsistência. A presença de animais muda e pode acelerar alguns aspectos

da ciclagem de nutrientes. Se a carga animal é alta, a compactação do solo pode afetar o

crescimento das árvores e outras plantas associadas. Por outro lado, as árvores

proporcionam um microclima favorável para os animais como sombra e ambiente mais

agradável, os quais podem participar na disseminação de sementes, ou escarificá-las, o

que favorece a germinação.

• Cercas- Vivas e Quebra- Ventos: O uso de cercas-vivas é muito comum em

regiões de agricultura mais pobre, e a escolha da espécie deve considerar a tolerância à

poda e a presença de espinhos para dificultar a entrada e saída de animais e pessoas

(MEDRADO, 2000). As principais funções das cercas-vivas são delimitação de terras

para diferentes usos, delimitação de propriedades e produção de madeira.

Os quebra ventos são estreitas faixas de árvores e arbustos plantados para

proteger campos de produção agrícola/animal, construções, entre outros, diminuindo a

velocidade e modificando a direção dos ventos (MACEDO et al., 2000b).

O quebra vento deve ter uma certa permeabilidade ao vento, para evitar

turbulências fortes, que podem causar danos aos cultivos. Além da função protetora, os

quebra ventos podem prover madeira, frutos, forragem, fibra e mel. (MEDRADO et al.,

2000). De acordo com Daniel et al. (2000a), a presença de árvores em divisas têm como

motivos mais aparentes a reserva de madeira para uso na propriedade ou comercialização

e ornamentação e paisagismo.

7. VANTAGENS E DESVANTAGENS DOS SAF

Conforme já mencionado, os SAF são reconhecidos como uma prática agrícola

que contribui para o desenvolvimento sustentável, apresentando vantagens e

desvantagens que variam de importância segundo o contexto socioeconômico e cultural

(DANTAS, 1994).

Com base em vários autores, as principais vantagens e desvantagens dos SAF

podem assim serem resumidas:

Vantagens Biológicas, Físicas e Ambientais: melhor ocupação do "site"; melhoria

das propriedades químicas, físicas e biológicas cio solo; aumento da produtividade;

controle da erosão do solo; redução de variáveis microclimáticas; redução do risco de

perda de produção; tutor ou suporte para trepadeiras; uso adequado do sombreamento.

Vantagens Económicas e Sociais: aumento da renda do produtor rural; maior

variedade de produtos e (ou) serviços; melhoria na alimentação do homem do campo;

redução de riscos de insucesso; redução dos custos de plantio; melhoria na distribuição de

mão-de-obra rural; redução das necessidades de capinas.

Desvantagens: aumento na competição entre os componentes vegetais; potencial

para perda de nutrientes; danos mecânicos durante a colheita ou tratos culturais; danos

promovidos pelo componente animal; alelopatia; habitat ou hospedeiros para pragas e

doenças; dificuldade de mecanização; dificuldade no planejamento.

Outras vantagens/desvantagens dos SAF, bem como maiores detalhes sobre as

apresentadas aqui, podem ser obtidas em Dantas (1994); Fernandes et al. (1994); Castro

et al. (1996); Daniel et al. (1999a), Medrado (2000), Macedo (2000a e 2000b), dentre

outros.

8. ESCOLHA DO COMPONENTE ARBÓREO

O sucesso do SAF depende da escolha correta de seus componentes. Neste

aspecto, em relação ao componente arbóreo, elevem ser considerados os atributos

silviculturais e a função de serviço desempenhada pelo mesmo; os níveis de competição

promovidos com os demais componentes; a possibilidade de múltiplos usos (lenha,

madeira, frutos, entre outros); a adaptação às condições eclafoclimáticas específicas; o

ritmo de crescimento; a capacidade de rebrota; baixa exigência nutricional; baixa

susceptibilidade a pragas e doenças; serem economicamente rentáveis; não apresentarem

efeitos alelopáticos; e a possibilidade de safra diferenciada, de forma a garantir absorção

de mão-de-obra e receitas ao produtor nas várias épocas do ano (MACEDO et al., 2000a

e 2000b).

Teoricamente desejam-se espécies arbóreas capazes de acumular e liberar

nutrientes para os cultivos a elas associados, mediante a adição de quantidades

significativas de matéria orgânica, a fixação de nitrogênio atmosférico, o acúmulo de

nutrientes com possibilidades de devolvê-los ao solo por meio de ciclagem e a

amenização da temperatura do solo (DANTAS, 1994; MACEDO, 2000; DANIEL et al.,

1999a).

Uma extensa relação de espécies arbóreas de uso múltiplo com potencial para uso

em SAF é apresentada por Carvalho (1994) e Macedo et al. (2000a; 2000b).

9. IMPLANTAÇÃO DE SAF

Embora os SAF sejam alternativas viáveis de uso da terra, na sua implantação

devem ser considerados, entre outros, os seguintes fatores (FRANCO, 1994;

MONTOYA; MAZUCHOWSKI, 1994; MACEDO, 2000a e 2000b; MEDRADO, 2000):

• diagnóstico da realidade local e do atual sistema de produção adotado pelo

agricultor;

• caracterização da área, produção, calendário agrícola e problemas locais;

• estudo de mercado, considerando-se o que, quando, quanto e como produzir?

Verificar a disponibilidade de mão-de-obra nas várias épocas do ano;

• caracterização das potencialidades agrícolas/ecológicas da propriedade;

• estudo de capital;

• arranjo das plantas no sistema, principalmente no que se refere ao espaçamento

e à época de plantio.

Pelo menos dois aspectos devem ser considerados para o bom desenho de um

sistema agroflorestal: a arquitetura da parte aérea e subterrânea das espécies arbóreas - as

quais relacionam-se à competição e à exigência dos componentes do sistema; e a

ecofisiologia das espécies envolvidas -espécies que dependem de clareiras/sombreamento

para estabelecimento e desenvolvimento (FRANCO, 1994; LUNZ; FRANKE, 1998).

10. DIFICULDADES NO DESENVOLVIMENTO DOS SAF

Montoya e Mazuchowski (1994), Castro et ai. (1996) e Daniel et ai. (2000a)

apresentam, em conjunto, os seguintes aspectos que têm dificultado a adoção dos SAF:

* falta de tradição agroflorestal

* imediatismo e falta de conscientização do produtor

* deconhecimento dos benefícios do SAF, bem como das tecnologias adequadas,

principalmente aquelas que envolvem o componente animal;

* legislação ambiental que desestimula, na unidade produtiva, o convívio com o

SAF (não permissão para cortes/raleios da vegetação florestal nativa para implantação de

SAF)

* falta de pesquisas em SAF que o qualifique e o quantifique;

* carência de recursos humanos treinados;

* desconhecimento sobre ecofisiologia das espécies florestais, principalmente,

nativas.

Esses aspectos merecem atenção especial de pesquisadores e instituições de

pesquisa de modo a elucidá-los, visando estimular a adoção de SAF, principalmente em

pequenas e médias propriedades rurais, de uma forma geral, e em especial na recuperação

de áreas degradadas e no manejo de fragmentos florestais.

11. CONSIDERAÇÕES FINAIS .

Os SAF como forma de uso da terra devem ser incentivados visto suas vantagens

superarem as desvantagens. Trata-se de uma opção viável para recuperação de áreas

degradadas, manejo de fragmentos florestais, recomposição florestal em áreas de

preservação permanente e de reserva legal e no estabelecimento de pequenos talhões com

espécies arbóreas para fins de produção de madeira para consumo próprio ou como fonte

de receitas. É um sistema que, dada,, principalmente, a grande diversidade de espécies

vegetais cria condições favoráveis para o estabelecimento das funções ecológico-

ambientais na propriedade, permitindo, também, maior fixação de mão-de-obra no campo

e uma segurança maior ao produtor no que se refere às receitas, pela possibilidade de

maiores entradas com a diversificação da produção.

Contudo, as pesquisas com SAF devem ser priorizadas, rincipalmente nas

instituições de ensino e pesquisa, no sentido de buscar informações que possam

confirmar estes sistemas como formas ecologicamente corretas, socialmente benéficas e

rentáveis ao produtor. Também, alternativas de composição destes sistemas,

principalmente no que se refere o componente arbóreo, dando-se ênfase às espécies

nativas regionais, devem ser investigadas.

12. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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