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Knowing the multimeter and how to use it
Typology: Study notes
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Mário Alves ([email protected])
Departamento de Engenharia Electrotécnica
Fevereiro de 1999
ABC do Multímetro 3/
O objectivo deste capítulo é ensinar, de uma forma simples, segura e eficaz, quais os três passos fundamentais para se efectuar uma medição de tensão ou corrente eléctricas:
1º - Ter uma ideia do valor da grandeza. 2º - Instrumento que temos = Instrumento que precisamos? 3º - Proceder à medição
Uma regra fundamental em metrologia, nomeadamente na medição de grandezas eléctricas, é que nunca se procede a uma medição sem ter uma ideia (mesmo que aproximada) do valor da grandeza que se pretende medir. Isto poderá evitar a ocorrência de consequências nocivas para pessoas, equipamento e meio ambiente.
Isto pode ser conseguido tendo em conta o tipo de fonte de alimentação que está em jogo, bem como a potência dos receptores.
Imaginemos por exemplo que pretendermos medir a corrente consumida por duas lâmpadas da mesma potência nominal - 60 W, uma usada num candeeiro em nossa casa e outra utilizada no nosso automóvel como farol de máximo. É fácil de perceber que vai haver uma diferença substancial entre o valor das duas correntes. A corrente consumida pelo candeeiro vai “andar à volta de” I = P/U = 60/230 = 0,26 A, enquanto que a corrente consumida pelo farol de máximo será “aproximadamente de” I = P/U = 60/12 = 5 A.
Claro que uma coisa é “ter uma ideia do valor” de uma grandeza, outra coisa é medi-la, com maior ou menor exactidão. É para isso que utilizamos os instrumentos de medição: para confirmar o valor de uma grandeza, para determinar o valor de uma grandeza com maior exactidão.
É fundamental verificar se o instrumento de medição de que dispomos é adequado à medição que pretendemos efectuar, fundamentalmente em quatro aspectos:
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medir até 10 A. No segundo caso, trata-se de um problemas de sensibilidade e resolução do instrumento. É óbvio que, se dispusermos de um amperímetro que mede até 10 A (quer seja analógico ou digital), se formos medir correntes na ordem dos μA ou mesmo mA, não vamos obter qualquer desvio do ponteiro, no caso de um instrumento analógico, nem um número aceitável de algarismos significativos (se tivermos algum), no caso de um instrumento digital.
Este terceiro e último passo engloba todas as operações necessárias na execução de uma dada medição. Fazem parte destas operações a montagem do circuito eléctrico adequado à aplicação do método de medição pretendido, tendo em conta aspectos como a ligação correcta do instrumento de medição (nomeadamente a escolha correcta dos terminais, escala e polaridade) e a determinação do intervalo de incerteza, de forma a apresentar correctamente o resultado da medição.
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Figura 2: Instrumentos digitais (multímetro “real” e voltímetro “virtual”) ([Instr, 1998])
Consideremos os seguintes exemplos para uma melhor compreensão:
É também importante eliminar uma possível confusão com os conceitos de electrónica analógica e electrónica digital. O que distingue um circuito eléctrico de um circuito electrónico é que o segundo envolve a utilização de dispositivos semicondutores, tais como transístores, díodos e tirístores, além da utilização de dispositivos eléctricos (resistências, condensadores, indutâncias, etc.),
A electrónica analógica distingue-se da electrónica digital, pois num circuito digital a informação é em algum sítio convertida para digital (dois níveis apenas). É cada vez maior o número de sistemas com circuitos digitais, dada a utilização cada vez mais vulgarizada de microprocessadores, desde os electrodomésticos (máquina de lavar louça, televisão, telefone, aparelhagem de som) a relógios, unidades de controlo dos automóveis, sistemas de alarme, sistemas de controlo industrial, etc. Um caso típico de um circuito de electrónica analógica é um rádio FM.
Devemos então distinguir o tipo de indicação (analógica ou digital) do princípio de funcionamento de um instrumento de medição eléctrico/electrónico (analógico ou digital). São clarificadores os seguintes exemplos:
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Figura 3: Osciloscópio “digital” com indicações analógica e digitais ([Fluke, 1998])
Figura 4: Multímetro com indicações analógica e digital
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Ohmímetro Resistência eléctrica Multímetro Diversas grandezas eléctricas Capacímetro Capacidade Frequencímetro Frequência Fasímetro Fase (cos ϕ) Wattímetro Potência activa Varímetro Potência reactiva Contador Energia eléctrica Ponte de Wheatstone Resistência eléctrica Ponte RLC Resistência, indutância e capacidade Potenciómetro Tensão eléctrica (usando uma pilha padrão) Osciloscópio Análise temporal de sinais analógicos Analisador Lógico Análise temporal de sinais digitais Analisador de Espectro Análise espectral (frequências) de sinais (analógicos ou digitais) Pinça Amperimétrica Grandes correntes, sem interromper o circuito. Analisador de Redes Detecção de circuitos abertos, curto-circuitos, com localização (distância) da falha. Medidor de Campo Intensidade do campo electromagnético Barómetro Pressão Luxímetro Intensidade luminosa Termómetro Temperatura Paquímetro Comprimento
Existe no entanto, outro equipamento que pode ser necessário num sistema de medição:
Nome do Instrumento Grandeza Medida Calibrador Gera e mede diversas grandezas eléctricas, permitindo efectuar a
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calibração de diversos instrumentos. Fonte de Alimentação Tensão/corrente, CC/CA Gerador de Sinais Programáveis/não programáveis Caixas de Décadas Resistência, capacidade, indutância Padrões de Medição Tensão (pilha padrão), resistência, capacidade, indutância, etc.
Os instrumentos de medição podem classificar-se de “reais” ou “virtuais”, de acordo com a distribuição funcional das componentes da cadeia de instrumentação e controlo:
Tipos de Instrumentos Virtuais
Os instrumentos de medição virtuais poderão ser de dois tipos fundamentais:
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A figura seguinte dá um exemplo de um sistema de instrumentação virtual baseado num computador portátil que comunica com um sistema de aquisição de dados (e não com um instrumento “chave-na-mão”, como um osciloscópio) via um barramento USB (Universal Serial Bus):
Figura 7: Instrumento virtual utilizando USB ([IOTech, 1998])
O Computador 2, dispondo de uma Placa de Aquisição de Dados (por exemplo do tipo da Figura 8), pode medir directamente o valor de uma dada grandeza (no exemplo, pressão e caudal), apenas necessitando adicionalmente de transdutores e condicionamento de sinal adequados.
Figura 8: Placas de aquisição de dados ([IOTech, 1998])
Ambos os computadores dispõem de uma Interface de Utilização, que representa virtualmente o instrumento de medição. Nessa interface poderão existir janelas com indicações analógicas, digitais, gráficos de evolução temporal de sinais, listas de acontecimentos, avisos e alarmes, menus com variadas funções, nomeadamente a possibilidade de modificar determinados parâmetros de funcionamento dos instrumentos (mudar de escala num multímetro ou variar a base de tempo de um determinado canal de entrada, num osciloscópio, por exemplo).
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A figura seguinte apresenta diversos tipos de funcionalidades de uma Interface de Utilização:
Figura 9: Interface de Utilização de um instrumento virtual ([IOTech, 1998])
Nesta Interface de Utilização podemos ver indicações analógicas (ponteiros, à esquerda, em baixo), indicações digitais (valores de tensão, à direita, em baixo), gráficos de barras (centro), gráficos de evolução temporal (à direita, em cima) bem como comandos para diversas funcionalidades.
A camada de Lógica e Processamento, em ambos os computadores, representa a parte do software que executa a sequência lógica da aplicação (if, then, while, do, etc.) e executa processamento dos dados que são adquiridos pelo computador (descodificação desses dados, aplicação de funções matemáticas tais como cálculo de médias e das componentes frequenciais dos sinais, etc.).
As duas camadas inferiores da hierarquia diferem do Computador 1 para o Computador 2. O primeiro, dado que dispõe de uma Placa de Comunicação, necessita de uma interface (driver) de software que permita uma fácil utilização da Placa de Comunicação para comunicar com outros equipamentos: estamos a falar da Interface de Comunicação. Esta interface disponibiliza para as camadas superiores funções (de fácil utilização) para poder receber e transmitir dados de e para os outros equipamentos.
O Computador 2, dado que dispõe de uma Placa de Aquisição de Dados, necessita de uma interface que permita uma fácil utilização das funcionalidades da Placa de Aquisição de Dados: estamos a falar da Interface de Instrumentação. Esta interface disponibiliza para as camadas superiores funções (de fácil utilização) para poder adquirir dados (ler entrada número 1) e configurar determinados parâmetros da própria placa (a entrada número 1 vai efectuar duas amostras do sinal por segundo).
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possivelmente num formato comum, utilizando por exemplo um sistema de gestão de bases de dados como o MSAccess.
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OHMÍMETRO
Tanto um amperímetro, como um voltímetro, como um ohmímetro podem ser obtidos a partir de um aparelho que mede corrente (AMC) em associação com resistências eléctricas. Um AMC poderá ser por exemplo um galvanómetro, um amperímetro (digital ou analógico) ou um microamperímetro. A única questão é, dependendo do AMC e do alcance que pretendemos, dimensionar convenientemente as resistências a associar (em série e/ou em paralelo).
Para o dimensionamento de um amperímetro, de um voltímetro e de um ohmímetro, é fundamental conhecer a resistência do AMC.
Para obtermos os vários alcances de um amperímetro, apenas temos de escolher as resistências adequadas a colocar em paralelo com o AMC, isto é, qualquer resistência em paralelo com o AMC desvia corrente deste. É importante considerar que o AMC tem uma dada corrente máxima admissível que o pode percorrer, e que, como o próprio nome indica, não deve ser ultrapassada, sob risco de danificação do AMC.
Se a resistência, normalmente designada de resistência de shunt, desvia alguma corrente do AMC, isto significa que no conjunto AMC - resistência de shunt poderá passar uma corrente superior à corrente máxima suportada pelo AMC. A relação entre o valor da resistência interna do AMC e da resistência de shunt ditará o factor multiplicador do shunt, isto é, quantas vezes é que a corrente total (do conjunto) será superior à corrente máxima admissível no AMC).
AM C IS Rs
IT Iamc
Figura 10: Montagem de um amperímetro
As equações que regem o circuito permitem chegar à relação entre a corrente que percorre o AMC (Iamc ) e a corrente total (IT )
I I I R I R I
I
R R I^ I^ I^
R R I
I I
R R
T AMC S AMC AMC S S
S
AMC S AMC^ T^ AMC
AMC S AMC
T AMC
AMC S
= + ∧ = ⇒
= ∧ = + ⇒
= +
.. . 1
Define-se então o factor (poder) multiplicador do shunt como:
m
I I
T AMC
=
m - poder multiplicador do shunt ou factor multiplicador do shunt. É o valor pelo qual se deve multiplicar a indicação de corrente do AMC para se obter a corrente total do circuito principal