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As meninas, presentazione, Sintesi del corso di Letteratura Portoghese

Sintesi, riassunto ed aspetti principali dell'opera As Meninas.

Tipologia: Sintesi del corso

2020/2021

Caricato il 30/09/2021

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silvia-cavalera 🇮🇹

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AS MENINAS – LYGIA FAGUNDES DA SILVA TELLES
A VIDA DA ESCRITORA
Lygia Fagundes da Silva Telles é uma escritora brasileira considerada por acadêmicos, críticos e
leitores uma das mais importantes do século XX e da história da literatura brasileira. De fato é
também conhecida como "a dama da literatura brasileira" e "a maior escritora brasileira viva”.
A Lygia nasceu em São Paulo no dia 19 de abril de 1923 e tem grande representação no pós-
modernismo. Além disso, suas obras retratam temas clássicos e universais como a morte, o amor,
o medo, a loucura e a fantasia. A escritora em questão também foi durante sua vida uma
advogada, romancista e contista.
Telles cresceu em Sertãozinho e em outras pequenas cidades do interior paulista e desde pequena
demostrou interesse por letras. Aos oitos anos ela mudou-se para o Rio de Janeiro, permanecendo lá
por cinco anos. De volta a São Paulo, matriculou-se no Instituto de Educação Caetano de Campos e
seu interesse pela literatura só aumentou.
Nos anos 40 frequentou o curso de Direito na Universidade de São Paulo, integrou-se na academia
de letras da faculdade e colaborou com os jornais da mesma.
Em 1947 ela casou-se com Gofredo Teles Júnior, mas em 1962 após o divórcio casou-se novamente
com Paulo Emílio Salles Gomes, que conheceu na universidade.
Seu primeiro romance, publicado em 1954, chama-se Ciranda de Pedra e foi bem recebido pela
crítica. Graças a isso, a Lygia tornou-se nacionalmente conhecida. Em paralelo à carreira literária, ela
trabalhou como Procuradora do Instituto de Previdência do Estado de São Paulo, e foi também a
presidente da Cinemateca Brasileira, fundada pelo segundo marido.
A década de 1970 foi muito importante para Lygia porque marcou seu êxito literário e a consagração
internacional, dado que foi naquele período em que ela publicou algumas de suas obras mais
aclamadas e prestigiadas, entre as quais As Meninas, publicado em 1973, que ganhou importantes
prêmios. Muitas das suas obras foram traduzidas para o alemão, espanhol,
francês, inglês, italiano, polonês, sueco, além de muitas edições publicadas em Portugal.
Em 2005, na 17.ª edição do Prêmio Camões, o maior prêmio concedido a escritores de países onde
o português é a língua oficial, a Lygia foi anunciada a vencedora. Ganhadora de todos os prêmios
literários importantes do Brasil, homenageada a nível nacional e internacional, tornou-se em 2016,
aos 92 anos, a primeira mulher brasileira a ter sido indicada ao prêmio Nobel da Literatura.
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AS MENINAS – LYGIA FAGUNDES DA SILVA TELLES

A VIDA DA ESCRITORA

Lygia Fagundes da Silva Telles é uma escritora brasileira considerada por acadêmicos, críticos e leitores uma das mais importantes do século XX e da história da literatura brasileira. De fato é também conhecida como "a dama da literatura brasileira" e "a maior escritora brasileira viva”. A Lygia nasceu em São Paulo no dia 19 de abril de 1923 e tem grande representação no pós- modernismo. Além disso, suas obras retratam temas clássicos e universais como a morte, o amor, o medo, a loucura e a fantasia. A escritora em questão também foi durante sua vida uma advogada, romancista e contista. Telles cresceu em Sertãozinho e em outras pequenas cidades do interior paulista e desde pequena demostrou interesse por letras. Aos oitos anos ela mudou-se para o Rio de Janeiro, permanecendo lá por cinco anos. De volta a São Paulo, matriculou-se no Instituto de Educação Caetano de Campos e seu interesse pela literatura só aumentou. Nos anos 40 frequentou o curso de Direito na Universidade de São Paulo, integrou-se na academia de letras da faculdade e colaborou com os jornais da mesma. Em 1947 ela casou-se com Gofredo Teles Júnior, mas em 1962 após o divórcio casou-se novamente com Paulo Emílio Salles Gomes, que conheceu na universidade. Seu primeiro romance, publicado em 1954, chama-se Ciranda de Pedra e foi bem recebido pela crítica. Graças a isso, a Lygia tornou-se nacionalmente conhecida. Em paralelo à carreira literária, ela trabalhou como Procuradora do Instituto de Previdência do Estado de São Paulo, e foi também a presidente da Cinemateca Brasileira, fundada pelo segundo marido. A década de 1970 foi muito importante para Lygia porque marcou seu êxito literário e a consagração internacional, dado que foi naquele período em que ela publicou algumas de suas obras mais aclamadas e prestigiadas, entre as quais As Meninas , publicado em 1973, que ganhou importantes prêmios. Muitas das suas obras foram traduzidas para o alemão, espanhol, francês, inglês, italiano, polonês, sueco, além de muitas edições publicadas em Portugal. Em 2005, na 17.ª edição do Prêmio Camões, o maior prêmio concedido a escritores de países onde o português é a língua oficial, a Lygia foi anunciada a vencedora. Ganhadora de todos os prêmios literários importantes do Brasil, homenageada a nível nacional e internacional, tornou-se em 2016, aos 92 anos, a primeira mulher brasileira a ter sido indicada ao prêmio Nobel da Literatura.

AS MENINAS – ROMANCE

As Meninas é um romance de Lygia Fagundes Telles, publicato em 1973, depois de três anos de trabalho, que recebeu importantes prêmios como o Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro, o Prêmio Coelho Neto da Academia Brasileira de Letras e o Prêmio Ficção da Associação Paulista de Críticos de Arte. Nesse romance, Lia, Ana Clara e Lorena são os personagens principais. As três mulherem se conhecem durante a ditadura militar no Brasil, na Univerisdade de São Paulo. De facto, moram juntas num pensionato de freiras da cidade. Embora tinham diferentes condições sociais e origens diversificadas, elas compartilham experiências e se apoiam mutuamente. Suas conversas e pensamentos reproduzem os costumes e os assuntos da década de 1970: a radicalização política, a liberação sexual da mulher, as experiências com alucinógenos e as preferências musicais.

  • Lia de Melo Schultz é uma estudante de letras. Sua mãe é baiana e seu pai alemão, é uma menina muito inteligente e tem pretensões como escritora. As amigas a chamam Lião. Ela prefere ler Karl Marx e assuntos revolucionários. De facto, é militante politica e namorada de Miguel, que é também preso por envolvimento em lutas políticas. Eles encontram-se no final do romance, quando o Miguel é liberado e partem para Argélia. Ela acaba por traí-lo porque se apaixona por o Pedro, que também está envolvido em lutas políticas.
  • Lorena Vaz Leme, é uma estudante de direito e pertence a uma família rica de fazendeiros. Romântica, gosta de poesia e de música clássica, especialmente a música de Jimi Hendrix e gosta de ordem e de limpeza. A Lorena exerce a função de apoio de Lia e Ana Clara em vários momentos. Seu quarto funciona como uma espécie de concha, onde as meninas conseguem encontrar abrigo e acolhimento nos diversos momentos. Tem um gato que se chama Astronauta e dois irmãos: Remo, que vive no exterior, e Rômulo, que morreu durante um jogo com os dois irmãos, fato que ela nunca superou completamente. A Lorena permanece virgem, guardando-se para um médico mais velho, casado e com cinco filhos. O médio é Marcus Nemesius e a Lorena o chama M.N., de quem espera em vão um telefonema. Por causa deste telefonema, a mulher parece viver em um constante estado de espera. Mas Lorena não verá seu amor por Marcus concretizar-se. Toda sua trajetória na narrativa baseia-se na esperança, numa vida repleta de ilusões.
  • Ana Clara Conceição, é a mais bonita e a mais frágil das meninas. O seu apelido é Ana Turva. Estudou psicologia, mas não concluiu o curso. Agora trabalha como modelo e é muito vaidosa. Usuária de drogas, ela tem um namorado, Max, o que é um traficante. Ana sofreu maus tratos

sabe, e que deixa que as meninas falem por si mesmas, dando a impressão de um teatro com alguns diálogos e muitos monólogos.

  1. O narrador, no entanto, não fala de si, só fala das três mulheres. Logo, é desconhecido e apenas de vez em quando mostra-se um pouco, quando fala em terceira pessoa: “Inclinou-se [Lorena] para os lados, numa profunda reverência, os braços em arco para trás, as mãos se tocando como pontas de asas entreabertas. Agradeceu recuando um pouco, o sorriso modesto posto no chão.” As Meninas, 1973:11- Aqui, por exemplo, o narrador inidca entre parênteses o nome da menina á quem se refiere e então se revela, porque está em sua função de falar sobre uma personagem. O QUE A AUTORA QUER TRANSMITIR COM AS MENINAS****? As Meninas tem o potencial de suscitar múltiplas leituras. De facto, o romance pode ser lido sob o ponto de vista histórico, político e do femminismo, e pode também ser analisado a partir de questões específicas como o ritual da passagem ou o memorialismo. Lorena, Lia e Ana Clara são três vozes que compõem fragmentos de verdade, três identidades que refletem diferentes ângulos de uma mesma realidade, de um mesmo período histórico: tudo é visto pelo ponto de visão das personagens, então é uma perspectiva subjectiva. Dessa forma, não é apenas o diálogo/monologo das três mulheres que caracteriza este romance, mas também a multiplicidade de vozes e a autonomia de cada uma delas. Cada personagem tem um estilo peculiar de se expressar, pois se exprimem dentro de seu "dialeto" coloquial. Tudo isso é visto nos discursos mais elaborados de como de Lorena, no regionalismo politicamente engajado de Lia o no pensamento confuso pelas drogas de Ana Clara. O que prevalece nesse romance é o tempo psicológico, pois tudo acontece através do entrecruzar da memória, da evocação do passado misturado com algumas ações no presente. Passado e presente nesta obra fundem-se de modo complexo e às vezes confuso: nos traumas da memória encontram-se as explicações para os problemas existenciais actuais das três meninas. Tudo se passa no âmbito da memória, enquanto as meninas resolvem o passado e evocam suas experiências em busca de autoconhecimento para encontra a solução para seus conflitos interiores e para a exorcizar seus “fantasmas”. A história de As Meninas transcorre-se numa época aguda da vida política e cultural do Brasil, no período mais violento da repressão e da resposta armada contra os militares. O golpe militar de 1964 se inspirava no projeto de um Brasil moderno e capitalista, livre e tecnológico. Inversamente, o governo em cargo havia-se inspirado num projeto democrático e nacionalista.

Em As Meninas , Lygia Fagundes Telles mostra um mundo em que os ideais da esquerda já não satisfazem nem conseguem explicar todas as coisas como se pretendia durante muito tempo. A idéia do romance é a de que, em quaisquer circunstâncias, o destino é sempre uma escolha individual. Figuras como a Lorena e a Ana Clara querem levar a vida que sonham e não se obrigam a viver de acordo com padrões estabelecidos, nem do lado da direita, nem do lado da esquerda. Podem estar erradas naquilo que escolhem, mas não estão erradas em seu direito de escolha. Em qualquer regime, os indivíduos querem escolher a vida que bem entendem. “A verdade do indivíduo tende a parecer mais verdadeira do que a verdade social.” Issa é a principal tensão dentro do romance. LORENA VAZ LEME É importante sublinhar que há um personagem que predomina sobre as demais personagens, protagonizando um maior número de capítulos. Lorena Vaz Leme é sem dúvida a personagem principal do relato, o símbolo da união entre as três meninas, o objeto de desejos contraditórios das duas outras. Além disso, a Lorena ajuda as duas amigas apoiando-as financiariamente e é das três aquela que resolve melhor seus problemas. As outras tem a cabeza desfocada dàs drogas (Ana Clara) ou ocupada na politica (Lia). O centro das angústias de Lorena é o amor impossível entre ela e o ginecologista Marcus Nemesius, que lhe escrevia cartas de amor. O Marco já tem uma esposa e cinco filhos. Lorena está esperando uma chamada dele que não vai cheguar: “- Lião, Lião, ando tão apaixonada. Se M.N. não telefonar, me mato.” As Meninas, 1973: Ela quer se casar com Marcus e espera que ele deixe sua esposa: “Adoraria me casar com M.N., não existe uma ideia mais joia, queria me casar com ele, sou frágil, insegura. Preciso de um homem em tempo integral.” As Meninas, 1973: “Argumento fraquíssimo, ancho o casamento a melhor coisa do mundo, eu me casaria com M.N. em vinte mil igrejas e cartórios.” As Meninas, 1973: Ainda é virgem porque espera a ele e quer se dedicar completamente só a ele: “O tesouro de uma moça é a virgindade” As Meninas, 1973: Pela chamada que não receberá e pelo facto que o senhor já tem uma esposa e cinco filhos o amor é definido como impossível pela autora. Igualmente, a Lorena ocupa o primeiro nível de idealização e representa uma das grandes personagens femininas da literatura brasileira, por causa de seu lado lírico e humano, solto, leve, gracioso e femininamente atrapalhado. Visto sob esse ângulo, As Meninas pode ser entendido e interpretado também em relação ao feminismo.