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didatica do ensino superior, material o insituto IBRA
Tipo: Guías, Proyectos, Investigaciones
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DISCIPLINA
A existência de competências específicas para a docência no ensino superior, as características, classificação e desafios do professor bem como do estudante também serão apresentadas neste trabalho.
Não poderíamos deixar de lado os níveis de planejamento do ensino que passam pelo educacional, institucional, curricular e do ensino, propriamente dito.
Por fim, discorreremos sobre os objetivos da docência no ensino superior, as suas funções e dimensões assim como a importância do processo de avaliação da aprendizagem.
Trata-se de uma reunião do pensamento de vários autores que entendemos serem os mais importantes para a disciplina.
São inúmeros os autores que discutem os temas voltados para a Didática no Ensino Superior, optamos por seguir a linha de pensamento de três autores mais especificamente que são José Carlos Libâneo (1994, 2002), Marcos Masseto (2005) e Antônio Carlos Gil (2009), mas salientamos que existem inúmeros outros autores que nos oferecem uma bibliografia rica nesse conteúdo.
Para maior interação com o aluno deixamos de lado algumas regras de redação científica, mas nem por isso o trabalho deixa de ser científico.
Logo após as referências, encontra-se uma avaliação contendo 10 questões fechadas, de múltipla escolha e o respectivo gabarito. Vocês terão dois meses a contar do recebimento da apostila para responder as questões, as quais salientamos, encontram-se todas no decorrer da apostila e enviar suas respostas pelo portal eletrônico AVA.
Desejamos a todos uma boa leitura e caso surjam algumas lacunas, ao final da apostila encontrarão nas referências consultadas e utilizadas aporte para sanar dúvidas e aprofundar os conhecimentos.
Antes de apresentarmos os conceitos e definições básicos para a didática, queremos pontuar uma qualidade, não, mais do que isso, uma necessidade de todo e qualquer professor: saber comunicar-se!
Geralmente pensamos que basta o professor dominar o conteúdo da disciplina que vai ministrar.
Usaremos palavras de Paulo Nathanael Pereira de Souza^1 , ex-Presidente do Conselho Federal de Educação para nos fazer entender melhor:
“Há quem pense ser dispensável ao professor de faculdade o cultivo da didática. Bastaria dominar com amplitude e profundidade o campo do saber, que cabe transmitir. Só com isso poderia ser havido como um grande mestre. Em casos extremos, quando a dificuldade de comunicação desse professor redundasse em puro exercício de hermetismo em sala de aula, sua fama crescia na razão direta do seu obscurantismo didático. Quanto mais complexa a sua exposição, melhor sábio seria!”
Pois bem, é claro que existe equívoco nessa ótica de julgamento do trabalho do professor. Da criança do ensino fundamental ou o adolescente do curso médio até os matriculados no ensino superior necessitam de clareza na comunicação didática e de sucesso na aprendizagem e em ambos os casos, têm direito ao convívio com professores qualificados nas técnicas de ensinar.
No processo de comunicação, o emissor, no nosso caso, o professor deveria transmitir ideias através de toda sua postura e expressão não verbal (afinal falamos não só com a boca, mas com o rosto e todo o corpo).
Como diz Ara jo (1994, p. 18) “a comunica ão se efetua sempre triadicamente: verbal, não verbal e factual (os fatos, as atitudes do comunicador que você)”.
1 Prefaciando o livro Didática no Cotidiano: uma visão cibernética da arte de educar de Maria Célia Araujo.
sala de aula, com os grupos de trabalho ou na comunidade.
precisamos dessa agenda para sobreviver!
Mas o que tudo isso tem a ver com didática? Conceituando a didática, acreditamos que tudo fará mais sentido. Eis algumas de suas definições:
1 – processo de transferência de conhecimentos.
2 – maneira de transferir cultura.
3 – conjunto de processos ou técnicas para maior rendimento do educando.
4 – doutrina do ensino e do método.
5 – direção de aprendizagem.
6 – “estudo do conjunto de recursos t cnicos que tem em mira dirigir a aprendizagem do educando, tendo em vista levá-lo a atingir um estado de maturidade que lhe permita encontrar-se com a realidade, de maneira consciente, eficiente e responsável, para na mesma atuar como um cidadão responsável” (NÉRICE, 1989).
7 – “estudo dos procedimentos destinados a orientar a aprendizagem do educando da maneira mais eficiente possível, em direção a objetivos predeterminados” (NÉRICE, 1989).
8 – “capacita ão para jogar o jogo triádico da vida” (GREGORI, 1993).
9 – “é uma disciplina que estuda o processo de ensino no seu conjunto, no qual os objetivos, conteúdos, métodos e formas organizativas da aula se relacionam entre si de modo a criar as condições e os modos de garantir aos alunos uma aprendizagem significativa” (LIBÂNEO, 2002).
10 – “trata dos objetivos, condições e meios de realização do processo de ensino, ligando meios pedagógico-didáticos a objetivos sociopolíticos. Não há técnica pedagógica sem uma concepção de homem e de sociedade, como não há concepção de homem e sociedade sem uma competência técnica para realizá-la educacionalmente” (LIBÂNEO, 2002).
1.2 Componentes
Estudos de Brasil (2005) apontam como componentes da didática, considerados categorias do processo docente educacional, os seguintes:
Meio - O meio de ensino é o objeto, os recursos materiais para o trabalho como auxiliares do processo que servem de ajuda no desenvolvimento do processo, que auxilia no desenvolvimento do processo, situando-se também na Lógica.
tado - resultado exprime as transformações alcançadas através do produto que se obtém no processo; em cada atividade se compartilham os frutos das práticas e se constroem novos desafios.
1.3 As tendências pedagógicas
Cada tendência pedagógica é embasada em teorias do conhecimento advindas de pesquisas nas áreas de Psicologia, Sociologia ou Filosofia e resulta de uma relação sujeito ambiente, isto é, deriva de uma tomada de posições sepistemológicas em relação ao sujeito e ao meio.
No entanto, o educador pode adotar um ou outro aspecto das diferentes tendências, desde que seja coerente com a sua filosofia de educação. Ou seja, mesmo sendo um progressista, o professor pode adotar uma metodologia própria de tendência escolanovista, considerando sempre as premissas básicas da abordagem que privilegia em sua práxis.
É importante ressaltar que até hoje não encontramos uma teoria que dê conta de todas as expressões e complexidades do comportamento dos indivíduos em situações de ensino-aprendizagem.
Temos tendências não críticas e tendências críticas. Nas primeiras, a Didática está embasada na transmissão cultural, concebendo o aluno como um ser um passivo, atribuindo um caráter dogmático aos conteúdos de ensino e percebendo o professor como figura principal do processo ensino-aprendizagem. Na avaliação do aprendizado utilizam-se provas e arguições, apenas para classificar o aluno.
Já nas tendências críticas, a pedagogia dos conteúdos atribuiu grande importância à Didática, considerando que esta tem como objetivo a direção do processo de ensinar, tendo em vista as finalidades sociopolíticas e pedagógicas e as condições e meios formativos, convergindo para promover a auto-atividade dos alunos que é a aprendizagem.
Competência é um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes necessárias para que a pessoa desenvolva suas atribuições e responsabilidades. Enfoque este que Dutra (2009) entende ser pouco instrumental, uma vez que o fato de as pessoas possuírem determinado conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes não é garantia de que elas irão agregar valor à organização.
Para Masetto (2005) as instituições de ensino superior, como instituições educativas, são parcialmente responsáveis pela formação de seus membros como cidadãos e profissionais competentes e isso tem uma consequência: as faculdades e universidades surgem como locais de encontro e de convivência entre educadores e educandos, que constituem um grupo que se reúne e trabalha para que ocorram situações favoráveis ao desenvolvimento dos aprendizes nas diferentes áreas do conhecimento, no aspecto afetivo-emocional, nas habilidades e nas atitudes e valores.
É um lugar marcado pela prática pedagógica intencional, voltada para aprendizagens definidas em seus objetivos educacionais e planejadas para serem conseguidas nas melhores condições possíveis.
É um lugar de fazer ciência, que se situa e atua em uma sociedade, contextualizado em determinado tempo e espaço, sofrendo as interferências da complexa realidade exterior, que se estende da situação político-econômico- social da população às políticas governamentais, passando pelas perspectivas políticas e ideológicas dos grupos que nela atuam.
Essas características de nossos cursos de graduação nas faculdades e universidades já apontam para alguns direcionamentos em relação à formação de profissionais e à prática docente.
Quanto à formação de profissionais, esta se apresenta com exigência de totalidade, a saber:
Relação entre o conhecimento que se possui e o novo que se adquire;
questionamento de teorias existentes;
Emissão de opiniões próprias com justificativas, desenvolvimento da imaginação e da criatividade, do pensamento e da resolução de problemas.
Enfim, desenvolver um saber integrando os conhecimentos de uma área específica com os de outras áreas, de forma interdisciplinar, voltada para os compromissos sociais e comunitários.
2.1 Competências para a docência no ensino superior
No Brasil, cerca de duas décadas atrás, iniciou-se uma autocrítica por parte de
diversos membros participantes do ensino superior, principalmente de professores,
sobre a atividade docente, percebendo nela um valor e um significado até então
não considerados. Começou-se a perceber que, assim como para a pesquisa
se exigia desenvolvimento de competências próprias - e a pós-graduação buscou
resolver esse problema -, a docência no ensino superior também exigia
competências próprias que, desenvolvidas, trariam àquela atividade uma conotação
de profissionalismo e superaria a situação até então muito encontradiça de ensinar
por boa vontade, buscando apenas certa consideração pelo título de professor
de universidade, ou apenas para complementação salarial, ou, ainda, apenas
para fazer alguma coisa no tempo que restasse do exercício de outra
profissão (MASETTO, 2005).
O professor como conceptor e gestor do currículo , embora observemos o professor lecionar uma, duas ou três disciplinas num determinado curso de forma um tanto independente, sem fazer relações explícitas com outras disciplinas do mesmo currículo ou com as necessidades primeiras do exercício de determinada profissão, é fundamental que o docente perceba que o currículo de formação de um profissional abrange o desenvolvimento da área cognitiva quanto à aquisição, à elaboração e à organização de informações, ao acesso ao conhecimento existente, à produção de conhecimento, à reconstrução do próprio conhecimento, à identificação de diferentes pontos de vista sobre o mesmo assunto, à imaginação, à criatividade, à solução de problemas.
Exige competências e habilidades para trabalhar em equipe e em equipes multidisciplinar, comunicando com colegas e com pessoas de fora do seu ambiente, fazer relatórios, pesquisar em bibliotecas, usar o computador (todas as tecnologias de informação e comunicação disponíveis). O currículo estará preocupado, ainda, com a valorização do conhecimento e sua atualização, com a pesquisa, a crítica, a cooperação, os aspectos éticos do exercício da profissão, os valores sociais, culturais, políticos e econômicos, a participação na sociedade e o compromisso com sua evolução. 6. Ser competente e hábil para se relacionar com os alunos no processo de aprendizagem. Como assumir uma atividade de docência sem se aprofundar no conhecimento e na prática de uma relação com os alunos que colabore com eles em sua aprendizagem? O papel um tanto tradicional do professor que transmite informações e conhecimentos a seus alunos necessita de uma revisão. Ele precisa ser orientador das atividades, motivador e incentivador do desenvolvimento de seus alunos, e que esteja atento para mostrar os progressos deles, bem como para corrigi-los quando necessário, mas durante o curso, com tempo para que seus aprendizes aprendam nos próximos encontros ou aulas que tiverem. Parceria, formação de grupos de trabalho, dividir co-responsabilidades nas pesquisas e nos relatórios são relações fundamentais.
2.2 Características, classificação e desafios do professor
Dentre as características necessárias ao professor do ensino superior encontramos em Gil (2009) algumas que merecem ser destacadas.
-Desenvolver-se no aspecto afetivo-emocional. Crescente conhecimento de si mesmo, dos diferentes recursos que possui, dos limites existentes, das potencialidades a serem otimizadas. Para as faculdades e universidades, admitir essa dimensão de aprendizagem significa abrir espaços para que sejam expressos e trabalhados a atenção, o respeito, a cooperação, a competitividade, a solidariedade, a segurança pessoal - superando as inseguranças próprias de cada idade e de cada estágio – a valorização da singularidade e das mudanças que venham a ocorrer, e um relacionamento cada vez mais adequado com o ambiente externo.
-Desenvolver certas habilidades. Relacionar conhecimentos e informações, organizar, generalizar, argumentar, deduzir, induzir. Aprender a trabalhar em equipe, comunicar-se com os colegas e com pessoas de fora de seu ambiente universitário e presentes em seu ambiente de trabalho profissional, fazer relatórios, realizar pesquisas, usar o computador, elaborar trabalhos individuais dos mais diferentes tipos, aprender com situações simuladas e com atividades em locais próprios de trabalho e em situações comunitárias.
-Desenvolver atitudes e valores. Encontramo-nos, aqui, no aspecto mais delicado da aprendizagem de um profissional. É seu coração, em geral, o menos trabalhado pela universidade. Seu coração porque, enquanto esse aspecto não for trabalhado, modificações significativas de aprendizagem também não contecerão.
Dimensionamento do significado da presença e das atividades a serem realizadas pelos alunos nos cursos de graduação das faculdades e universidades;
faculdade e se prolonga por toda a vida.
Classificar os professores universitários é uma ação complexa, pois as posturas em relação ao ensino são muito diferentes. Gil (2009) cita uma classificação em duas grandes categorias: primeiro aqueles cujo estilo não requer nem encoraja o questionamento dos estudantes. Ele é designado como o de formas didáticas. A outra categoria inclui os professores cujo estilo de ensinar requer o questionamento dos estudantes para completar com sucesso as tarefas relacionadas à aprendizagem. Este estilo é denominado como de formas evocativas.
Outra ênfase seria classificar o professor de acordo com o elemento que mais sobressai no desempenho de suas atribuições que pode ser: a norma, a sua autoridade funcional, o relacionamento com os alunos, o conteúdo, as estratégias de ensino, os recursos que utiliza, o modo como avalia, a forma como se relaciona com os alunos.
Quanto aos desafios atuais do professor universitário, a primeira delas, obviamente é ser competente. Requer-se dele conhecimentos teóricos, visão de futuro, ser um mediador no processo de aprendizagem, saber organizar e dirigir situações de aprendizagem, ser capaz de gerar sua própria formação continuada, ser transformador, multicultural, intercultural, reflexivo, capaz de trabalhar em equipe, capaz de enfrentar os deveres e dilemas éticos da profissão, ser capaz de utilizar as novas tecnologias, enfim, estar aberto para o que se passa na sociedade, fora da universidade, suas transformações, evoluções e mudanças, atento para as novas formas de participação, as novas conquistas, os novos valores emergentes e as novas descobertas (MASETTO, 2005).
Aqui vai uma dica para aqueles que sonham com a docência em alguma das muitas e excelentes universidades federais espalhadas pelo Brasil: pesquisa, extensão e ensino são os três caminhos oferecidos aos seus professores, tecnologia, liberdade de atuação, recursos tecnológicos, qualidade de vida e de
trabalho, mas para o ingresso hoje é preciso Doutorado, em alguns
raríssimos casos, se aceita o Mestrado, mas que tenham sido concluídos em
instituições sérias. Lembrem-se disso caso o objetivo futuro seja o ingresso em
Instituições Superior de Ensino Federal!
2.3 Características e classificação dos estudantes do ensino superior
Reconhecer que os estudantes são diferentes entre si e que estas diferenças podem de certa forma ser prevista representa um ponto muito importante em favor do professor.
Mas o que mais lhe interessa é conhecer cada estudante, suas características sociais, traços de personalidade, interesses, expectativas, aspirações, temores, conhecimentos, habilidades e competências.
Nenhum professor imagina ser possível conhecer tudo o que deseja sobre os estudantes. A identificação de algumas dessas características, como os traços de personalidade, envolve a aplicação de técnicas de análise psicológica, que são complexas, demoradas e requerem o concurso de especialistas, o que a torna inviável na prática. Mas, mediante a utilização de alguns instrumentos, torna-se possível identificar algumas de suas características mais relevantes em relação ao ensino. Ele pode verificar, por exemplo: o nível de conhecimentos prévios dos estudantes sobre a disciplina, o nível de interesse, a importância que lhe é atribuída, as dificuldades percebidas, a imagem que os estudantes têm do curso e do professor, o nível de satisfação com as aulas etc.
O conhecimento de algumas dessas características é importante para promover a chamada avaliação diagnóstica, que tem por finalidade determinar, descrever, classificar e valorar aspectos do comportamento do estudante que são relevantes para a aprendizagem. Essa avaliação diagnóstica visa primeiramente determinar em que medida os estudantes dominam os objetivos do curso. Visa também classificar os estudantes de acordo com seus interesses, expectativas, histórico instrucional e outras características, como antecedentes familiares, classe social e experiências que contribuíram para sua formação, moldaram sua personalidade ou influenciaram suas decisões educacionais e profissionais (BLOOM, HASTINGS, MADAUS, 1983 apud GIL, 2009).