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APOSTILA RELAÇÃO MEDICO PACIENTE
Tipo: Apuntes
Subido el 18/11/2016
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DISCIPLINA DE PROPEDÊUTICA MÉDICA I
A PROPEDÊUTICA MÉDICA
E A
RELAÇÃO MÉDICO – PACIENTE
Curitiba
Março/ Índice
Primeira Aula
Segunda Aula
Terceira Aula
Quarta Aula
Quinta Aula
Sexta Aula
Sétima Aula
Oitava Aula
Os senhores naturalmente devem estar pensando que estamos diante de um paradoxo: Queremos ser médicos para estar junto daquele que sofre e necessita de ajuda, e, “arrumamos” maneiras de ficar à distância. O contacto direto entre o médico e o seu paciente (relação médico – paciente) é construído integralmente sobre este paradoxo. E, como decorrência, natural deste fato, os professores constataram que em todos os semestres os alunos apresentavam uma dificuldade importante durante as experiências iniciais no atendimento aos pacientes. A ausência de um texto objetivo e prático sobre o assunto gerava muita dúvida, produzindo angústia, pois, à medida que dúvidas não eram esclarecidas a insegurança naturalmente aumentava. Quando se observa o currículo médico de nossa Universidade e de quase todas as demais infelizmente há um predomínio acentuado da INFORMAÇÃO em prejuízo da FORMAÇÃO. Não havendo praticamente em momento algum, espaço apropriado, para a discussão dos fatos que são relevantes para a profissão médica quando um paciente e médico estão em uma consulta. Visando diminuir esta dificuldade foram elaborados estes textos que mostram a experiência dos autores acerca dos mistérios que cercam a relação médico-paciente. Esperando que os alunos vivenciem esta relação de uma forma menos desgastante, de poder se informar acerca de assuntos que geram indagações, dúvidas e incertezas. Os temas serão discutidos em grupos sobre a formação médica com a supervisão dos professores, no sentido de melhorar o seu conhecimento daquilo que será utilizado durante toda a sua vida profissional. Esta é uma semente que esperamos possa germinar e ser seguida por outras ações subseqüentes, que sejam úteis para futuros médicos, no sentido de prepará-los e qualificá-los para uma melhor assistência médica. Ainda uma última questão: aprender não é um processo passivo. Mesmo que apenas fiquemos diante de um professor absorveremos algo apenas se prestarmos atenção e buscarmos entender, refletindo, meditando, comparando e concluindo. Abandonando a postura passiva e fazendo os questionamentos devidos, o aprendizado será maior e afixação dos conteúdos será mais efetiva. Ser agente ativo do aprendizado conduz a maior eficiência na aquisição de conhecimento. Atuar como agente passivo é mais confortável e mais cômodo. Porém, este conforto presente é prejudicial ao aprendizado e pouco condizente com o nosso potencial de crescimento intelectual. O mundo contemporâneo dominado pelas modernas tecnologias de informação, nos permite acessar conteúdos e conhecimentos em fontes diferentes que são muitas e variadas.
Devemos sempre buscar os mestres, os melhores que pudermos encontrar, mas nunca entregar na mão deles a responsabilidade total pelo nosso aprendizado. Assim ser médico não é um privilégio. Ser médico, ser engenheiro, ser químico, ser garçom, ser motorista, enfim, ser profissional, nos coloca diante de uma responsabilidade DIFERENTE E DIFERENCIADORA: A RESPONSABILIDADE SOCIAL. Que tipo de médico pretendo ser? Que preciso fazer no e com o meu curso? O tempo avaliará e será o único juiz do que vamos ou não construir. Ele responderá. Contem conosco Guardem e consultem periodicamente este material, pois, temos certeza que será muito útil durante a sua formação, mas também no exercício da sua profissão.
Contardo Calligaris Folha de São Paulo 19/02/2009 caderno folha ilustrada página 10
Livro IV das Leis
Já observastes que há duas classes de pacientes [...], os escravos e os homens livres? E
os médicos escravos correm de um lado para outro e curam os escravos, quando não os atendem
nos dispensários. Estes clínicos nunca falam com os clientes pessoalmente, nem permitem que
eles exponham suas próprias queixas. O médico escravo acredita que a sua experiência indica,
como se tivesse conhecimento exato e, depois que dá suas ordens, como um tirano, sai correndo
com a mesma petulância pra ver outro servo doente [...]. No entanto, o outro médico, que é um
homem livre, atende e trata homens livres, faz uma anamnese acurada e entra a fundo na natureza
da desordem; trava conversa com o paciente e com seus amigos e, ao mesmo tempo em que
obtém informação dele, vai dando instrução na medida do possível. Mas não lhe receitará nada até
que o tenha convencido [...]
Se um desses médicos empíricos, que praticam a medicina sem eficiência, encontrasse o
médico distinto falando com seu doente distinto e utilizando a linguagem da filosofia, começando
pelo início da doença e discorrendo sobre toda a natureza do organismo, desataria uma sonora
gargalhada. Diria aquilo que a maioria dos chamados médicos sempre têm na ponta da língua:
“Meu néscio camarada, tu não estás tratando de curar o doente, mas sim de educá-lo, ou, ele não
quer que o transforme em médico, só quer ficar bem!
Modelo de Relatório
10 linhas introdução ao tema Idéias básicas do autor
Conclusão pessoal situações encontradas no texto que demonstra sua aplicabilidade na medicina e que modificaria a sua atuação na relação médico paciente (atuação clínica)
Não se trata de um resumo. O texto não é adjetivo (bom, mau, adequado, engraçado), deve ser substantivo.
O Livro IV das Leis Introdução ao tema Platão descreve dois tipos de homens, os escravos e os homens livres. Os médicos e pacientes (não fogem destas) estão incluídos nestas 2 categorias. O médico que age como escravo é aquele em que não deixará o paciente falar, que não compartilhará o seu conhecimento e ditará ordens que este paciente terá que cumpri-las (é o que escraviza). O médico que age como homem livre, escuta atenciosamente o seu paciente, compartilha o seu conhecimento e sugere terapia ao paciente.
Conclusão que tipo de médico eu desejo ser? Este tema persiste atual até os dias de hoje, creio que pacientes com estrutura de personalidade livre se adaptam e se confortam com o médico livre ao passo que os pacientes com personalidade escrava, se adaptam ao “médico –escravo”. Eu me sinto melhor com a conduta do médico livre e será esta conduta que seguirei durante a minha vida clínica. Ou eu me sinto melhor com a conduta do médico – escravo, etc.
futebol, se um dia surgiu claro em sua mente que, de todos os papéis possíveis, num campo de futebol, o do juiz é o mais desejável, admirável e encantador, ei-nos diante de um fato assombroso.
Os comentaristas de futebol costumam dizer que bom juiz é aquele que não aparece em campo. Pode haver insulto maior a um profissional? O comentarista gostaria de ouvir que bom comentarista é aquele ao qual não se presta atenção? O juiz é isso: um rebotalho que o máximo a que pode aspirar é o insulto de que esteve perfeito ao fazer-se um nada. Um desprezado, um coitado, um molambo que, quando cai nas graças da platéia, é porque atingiu o supremo estágio da virtude, entre os de sua espécie, que é confundir-se com a grama. Compreende-se, sendo assim, que ao juiz, para resgate de sua dignidade, só reste um recurso: roubar. É o momento em que se supera e se redime. Só ficam na memória, marcantes, os juizes ladrões. O momento da ladroagem é aquele em que o juiz põe para fora o sufocado impulso de interferir, de participar, de reclamar para si uma nesga do espetáculo e um registro na história. Nesse instante, o ser humano que grita dentro dele impõe seus direitos.
Por que Medicina?
As letras das canções do Chico Buarque ou do Caetano? Pink Floyd cantando Brain Damage ou U2 interpretando I Still Haven’t Found I’m Looking For? Cat Stevens cantando Father and Son ou Dire Straits interpretando Sultans of Swing? Os concertos para piano de Beethovem ou os de Mozart? Gabriel Garcia Márquez ou Jorge Luis Borges? Certamente você poderá entre tantas respostas possíveis responder, este ou aquele. Que um é mais parecido com você; que fala ao seu coração; que é mais “da sua praia”. Que você se identifica mais, etc, etc, etc. Comentará que por não saber desenhar, não foi pelos caminhos da Arquitetura. Que tem um tio médico. E, escolheu a Medicina por gostar de biologia e de ajudar pessoas. E, você, então, fez uma escolha: Ser Médico. Por quê?
Freqüentemente pensamos saber por que fazemos alguma coisa ou por que nos sentimos de uma determinada forma ou de outra. De um determinado ato e ter uma certa clareza, uma certa consciência de um estado de espírito momentâneo. Através da Psicologia compreendemos que muitas de nossas idéias e emoções têm um motivo que está além do nosso conhecimento. Além do nosso conhecimento consciente. Há uma parte que está e outra parte que não está sob o nosso controle voluntário. Uma é chamada de Consciente, a outra, de Inconsciente. Essas duas partes (consciente e inconsciente), juntas compõem o que denominamos Personalidade. É a soma de tudo que fomos, somos e esperamos ser; são a nossa mente, corpo, memórias, hábitos, habilidades, experiências; é o que somos desde nosso penteado ao modo pelo qual dominamos nosso mau humor. Resumindo: é o que os outros pensam e dizem quando se referem a você. A Personalidade sofre a influência do contato com tudo. Amigos, inimigos, trabalho, casa, automóvel, tosse irritativa, pneumonia, teatro da escola do filho, alto custo de vida, etc., o que chamamos de ambiente. Quando a Personalidade se encontra com o ambiente, como aconteceu com a nossa no dia em que nascemos, alguma coisa tem que ceder, não importa se conseguiremos tornar nossa vida um mar de rosas ou uma interminável luta. Pelo resto de nossa vida teremos que fazer ajustamentos com o meio em que vivemos e quem “gerenciará” estas possibilidades é a personalidade de cada um. A estrutura da personalidade é muito complexa. A personalidade seleciona os fatores principais que determinam a razão e a maneira do nosso comportamento. Há modelos generalizados do comportamento humano e particularidades que as tornam únicas, tais como: a impressão digital, a retina, o comportamento e a personalidade. Homens e mulheres que devotaram suas vidas à tentativa “honesta” de explicar o nosso comportamento, em decorrência disto muitas teorias foram elaboradas. A que segue é uma delas, elaborada por S. Freud e várias outras pessoas. O que devemos esclarecer, é que a palavra Personalidade não tem o significado comum empregado por exemplo no cinema ou no teatro (persona = personagem). Personalidade, aqui é usada no sentido de se referir ao indivíduo como um todo, como a soma de todas as suas características e reações tanto físicas como psicológicas.
Muitas vezes o estudante de Medicina, inicia o curso sem a noção do porque da escolha efetuada. Certamente não dedicou nenhuma atenção, nenhuma reflexão à esta questão. Para que? Qual a necessidade? Qual a praticidade? Não preciso saber por que torço para o atlético, basta sabê-lo, Medicina, da mesma forma como o time de futebol ou o cantor da MPB, gosto e ponto final! A escolha poderia corresponder a uma idealização do estudante, ou da família, por exemplo, na perpetuação da tradição médica familiar. Ou, então como a vocação para fazer o bem e servir ao próximo e à comunidade; uma “sensibilidade”, “uma alma especial” na compreensão do sofrimento alheio. O exercício da Medicina pode proporcionar para alguns a sensação de prestígio, de poder, de magia (fazendo a doença desaparecer) e simultaneamente exercer um fascínio sobre o paciente e por que não a si próprio. Não há dúvida que o status de ser médico oferece “um certo” domínio sobre as pessoas. A compreensão dessas razões, que evidentemente não se esgotam, levou professores de Medicina a se questionarem sobre este fato procurando responder com uma amplitude maior, uma pergunta aparentemente tão simples. Primeiramente poderemos continuar pensando que a Medicina, é uma vocação, ou uma opção destinada a servir outras pessoas. E, assim sendo, ela atuaria em duas funções básicas: uma se destinando ao organismo dos pacientes, onde o médico atuaria auxiliando ou colaborando com o processo de recuperação da saúde. A outra, diz respeito à pessoa do paciente ou à comunidade (aqui o médico agindo como um líder, desse processo, como um “professor” ensinando ao paciente e aos membros da comunidade), medidas para recobrar ou manter a saúde. O Relacionamento Médico-Paciente Veikko Tähkä Artes Médicas 1988
Você poderia estar cursando Medicina por gostar de Biologia; pelo desejo de ajudar pessoas. Estas respostas lhe satisfazem? Satisfazem?
A escolha de uma carreira é um processo que ocorre durante e dentro de certo período de tempo, e a decisão implica na conscientização da necessidade de decidir, isto é, de coletar informações, identificar opções e depois entrar em ação para implementar a escolha desejada. Ela resulta de uma seqüência regular ou irregular de modificações da pessoa e do sistema de imagens com que se julga a si mesmo e aos outros. Há certos períodos previsíveis na vida, nas quais um indivíduo provavelmente se envolve num processo de decisão. Algumas pessoas decidem antes de passar por este processo, enquanto outros postergam a decisão, ou ainda ficam numa indecisão crônica.
Allen, I Doctor’s and their Careers Policy Studies Institute
“Meu pai queria ser, mas não pôde” Aluno do Curso Médico UFPR
Vol. 3, p. 121-123, 1988 London
Entrevistou 640 médicos, com a finalidade de investigar as modificações conscientes de estudar Medicina, e encontrou as seguintes razões:
E, 60% dos entrevistados haviam decidido antes dos 15 anos de idade. 17% das mulheres e 10% dos homens, antes dos 10 anos de idade.
Estudos demonstram que é a carreira mais desejada pelas crianças em idade escolar. A motivação pode ser múltipla: imagem heróica do médico como salvador de vidas, imagem idealizada e glamourosa que exige cultura e dividendos (ao contrário dos bombeiros que são também heróis, mas sem o concomitante cultural e financeiro).
Aluno do Curso Médico UFPR
Aluno do Curso Médico UFPR
Aluno do Curso Médico UFPR
Aluno do Curso Médico UFPR
Compreendemos não exatamente como uma vocação, mas como um conjunto de características de uma determinada personalidade, que por especificidade circunscrita torna um indivíduo mais apto a exercer uma determinada função e não outra. E, exatamente em função desta dedução, ultimamente tem-se realizado numerosos estudos no sentido de se evitarem os desajustamentos provocados por pessoas em profissões inadequadas ao seu tipo de personalidade. Arruda, P.V. Relação Médico-Paciente In: A.A. Laudanna Gastrologia Clínica p. 18-23, 1990 Editora Santos.
É sempre difícil entender o que faz uma pessoa escolher uma profissão, pois vários fatores podem influir nesta escolha. Ter uma profissão não deve ser apenas uma questão de escolha ou de sobrevivência. Passamos mais de um terço do dia trabalhando.
São muitas as perguntas que um jovem se vê obrigado a responder:
**- O que eu realmente gosto de fazer?
Vários estudos têm-se aprofundado, procurando respostas, a estas aparentes, mas não simples perguntas. Como o ser humano, é um ser psicológico, e ele é basicamente, visceralmente, constitucionalmente psicológico porque ele possui uma consciência (e é o que o qualifica e o diferencia em toda a escola zoológica) e por possuir consciência, tem a condição de exercer o pensamento. Assim é evidente, que os aspectos psicológicos oferecem respostas bastante interessantes, e também aqui neste texto, não há como não privilegia-las. A procura de “certo perfil de estudantes de medicina” chama a atenção quando se investiga melhor esta questão. A literatura aponta que fenômenos semelhantes ocorrem em estudantes de medicina nas mais diversas regiões do mundo. Assim, a mesma pergunta formulada: Por que você resolveu um dia cursar medicina? Quando se solicitou o preenchimento de cinco opções como foi feito na aula de Propedêutica do Curso de Medicina da Universidade Federal do Paraná, também foi realizado, por exemplo, em: Paris – Cidade do Cabo – Tel Aviv – Moscou – Buenos Aires e Vancouver. As respostas como assinalávamos nas linhas acima, são muito parecidas, semelhantes. As respostas observadas foram:
Começa a ficar mais fácil quando identificamos “pontos em comum” nos futuros médicos. As respostas obtidas, sem dúvida, começam a apontar o caminho do estudo das Motivações. No início deste texto perguntávamos: Porque Caetano e não o Chico Buarque? O que motiva uma determinada pessoa e escolher isso e não aquilo. Quais os motivos? As
motivações de uma forma didática podem ser estudadas por dois caminhos. As motivações voluntárias ou conscientes, e as motivações involuntárias ou inconscientes. É evidente que muitas razões conscientes, como as citadas acima são muitíssimo importantes, mas sob hipótese alguma podem ser isoladas, separadas, dissociadas, das não conscientes, porque na nossa forma de ser, de existir, de pensar, a vida consciente está intimamente, e naturalmente ligada, vinculada a vida inconsciente_._ Muitos estudos nos auxiliam apontando com fatos estas questões, por exemplo:
Aluno do Curso Médico UFPR.
Aluno do Curso Médico UFPR.
Aluno do Curso Médico UFPR.
Aluno do Curso Médico UFPR.
Aluno do Curso Médico UFPR.
Aluno do Curso Médico UFPR.
A questão de posturas onipotentes, quando elas não são episódicas elas conduzem a pessoa a ter atitudes que se distanciam das características próprias da natureza humana, e é impossível que esta atitude, esta forma de ser também não venha trazer comprometimento pessoal do médico e no relacionamento com os seus pacientes. Exemplificamos:
Outros elementos de natureza profunda, também, de forma inconsciente poderão estar participando da escolha futura da profissão, como: Vivências infantis de passividade (do futuro médico) que foram experimentadas de forma penosa poderão influenciar inconscientemente o médico, levando-o a confundir a passividade do paciente, pela doença com a sua história pessoal de vivência passiva. Esta confusão recebe o nome de Identificação. A existência de doenças crônicas e invalidantes dos familiares do médico criam vínculos tais como: submissão, cooperação, rivalidade, idealização, separação, proteção e do mesmo modo podem estar presentes nos familiares dos seus pacientes ocasionando também a Identificação. A Vocação Médica Paulo Corrêa de Arruda e Luiz Roberto Miller O Universo Psicológico do Futuro Médico Casa do Psicólogo 1999 Outro autor, Turrel, citado por Julio de Mello Filho em Psicossomática Hoje enfatiza outras motivações de natureza inconsciente.
E, no mesmo artigo o autor também assinalava “... é antes de tudo uma curiosidade e um desejo, consciente ou inconsciente, de saber mais e cuidar melhor daquilo que sentimos como doentes em nós mesmos.”.
Numberg, H (1938) Psychocological Inter-Relations Between Psysician and Patient Psychocological Rev 25: p. 297-
Chama a atenção que a maioria dos autores não apresenta divergências na citação dos principais elementos inconscientes que conduzem também o jovem a estudar Medicina. São elementos que advém da análise profunda de estudantes e também de médicos. Estão principalmente ligadas as seguintes categorias:
o desejo de ver o desejo de reparar o desejo de poder
O desejo de ver (saber)
Diz respeito a dois grandes tabus da humanidade: o sexo e a morte. (até há pouco tempo, o médico, era a única pessoa “autorizada” a transgredi-los). Vale a pena aqui a lembrança das brincadeiras infantis, onde as crianças brincam de médico, e de uma forma espontânea e livre se autorizam a olhar e a tocar nos corpos (curiosidade sexual infantil). Por que as crianças não brincam de Engenheiro, de Geógrafo ou de Químico??? Simmel, E (1926) The Doctor Games IIIness and Profession of Medicine Intern. Journal of Phycoanalises 7: p.470-
A criança vê no médico, a possibilidade de realizar tudo o que é proibido, tal como ver um homem nu, uma mulher nua. O que levou o autor a denominar o médico como “o mágico das zonas erógenas.”. Não fica difícil concluir que nas brincadeiras infantis de ser médico, a criança também se coloca temporariamente na posição do adulto poderoso (pode olhar, pode tocar).
O desejo de reparar
Origina-se de uma “certa conscientização” de impulsos agressivos dirigidos às pessoas próximas (um irmão, uma mãe, um pai) que foram acometidos com doenças e com conseqüente fragilização pessoal e por esse motivo impossibilitados de nos cuidar devidamente abalando-nos emocionalmente. Assim, diante da necessidade de reparar estas situações do seu passado,
Aluno do Curso Médico UFPR.
Aluno do Curso Médico UFPR.