Interdiscursividade
Nesta aula, estudaremos o conceito de interdiscursividade.
Vamos entendê-lo?!
O que é interdiscursividade?
Como o próprio nome já diz, trata-se da relação entre discursos.
O que são discursos?
São opiniões, ideologias, posicionamentos.
Quando falamos de interdiscursividade, nós estamos falando da relação entre ideologias.
Isso significa que nós podemos tê-lo em um texto.
Então, trata-se de uma opinião que se assemelha a outra opinião.
Um exemplo rápido!
Nós temos, nas artes plásticas, o Dadaísmo, que foi um movimento que cultuava o nonsense.
O que é nonsense?
É sem sentido e sem regras.
Não existem regras para a arte.
Tudo será arte.
O dadaísmo se assemelha a um movimento político chamado de Anarquismo, porque, no Anarquismo, que foi um movimento político, e não artístico, nós não tínhamos governo.
As pessoas buscavam sua individualidade.
Cada um agia de acordo com aquilo que era melhor para si.
Então, ao não ter governo, cada um se governava, portanto não existiam regras conjuntas.
Também foi um movimento que não tinha regras.
É lógico que o Dadaísmo foi um movimento artístico.
Não se esqueça disso!
O anarquismo foi um movimento político, mas eles tinham opiniões e ideologias que se assemelhavam, porque ambos visavam à ideia de não ter regras.
Vamos para um exemplo melhor sobre isso!
Eu já tinha dado um outro exemplo.
Novamente, a “Canção do Exílio” vai aparecer para a gente.
A “Canção
do Exílio” é o texto mais parafraseado da literatura brasileira.
Ele foi escrito por Gonçalves Dias.
Para quem não se lembra, ele foi da primeira geração do Romantismo.
Nele, ele canta a saudade da sua terra.
Ele fala: “Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá.
As aves que aqui [...]”.
Observe e faça uma leitura atenta: “[...] que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá”.
Observe a palavra “aqui”!
Em “[...] As aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá [...]”, ele estava em Portugal.
Aqui nós temos uma canção do exílio.
Ser exilado é ser retirado do seu país à força.
Em [...] não gorjeiam como lá [...]”, é o Brasil.
Em “Minha terra tem palmeiras”, é o Brasil.
Em “onde canta o sabiá”, é o Brasil.
Em “As aves que aqui gorjeiam”, ele está em outro lugar, que não é o Brasil.
Em “[...] não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas.
Nossas várzeas têm mais flores.
Nossos bosques têm mais vida.
Nossa vida mais amores”, observe que tudo isso é do Brasil.
Observe que o Brasil é positivo e lindo.
Ele tem palmeiras, aves, sabiás, flores.
Ele está triste: “Em cismar, sozinho, à noite, mais prazer encontro eu lá”.
Lá é o Brasil.
“Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá”.
Reitero que o título é “Canção do Exílio”, justamente porque o eu lírico está exilado.
O que é ser exilado?
É ser tirado à força do próprio país.
Então, ele está em outro lugar e está elogiando e mostrando que tem saudade do país dele.
E aqui nós temos uma paráfrase.
Em “Canção do Exílio”, nós temos um tipo de intertextualidade.
É uma paráfrase.
Tem essa estrutura e não se cita o autor, mas há referência.
Em “Canção do Exílio”, você já sabe que se refere àquilo.
No caso, ele coloca “Canção do Exílio Facilitada”.
Uma coisa interessante que a difere de outras paráfrases é que, além de ser intertextual, ou seja, paráfrase é uma intertextualidade, também temos aqui uma interdiscursividade, porque ele fala assim: “Lá?” Há uma interrogação.
Olha como esse “ah!” tem uma interjeição que mostra satisfação, alegria prazer.
Em “sabiá … papá … sofá … sinhá …”, observe que lá é tudo bom.
Onde seria esse “lá”?
Seria o Brasil.
Então, ele está mantendo a ideia do texto, a ideologia e a opinião.
Então, lá tem tudo de bom.
Tem sabiá, papá, maná, sofá.
Em “cá?”, novamente há uma interjeição.
Em “bah!”, observe que é algo negativo.
Então, isso significa “Pelo amor de Deus!”.
Seria essa a ideia.
Aqui é uma Canção do Exílio facilitada, que recorre a interjeições e a oxítonas fáceis de serem pronunciadas, em que todo mundo entende.
Nós temos uma intertextualidade?
Sim, mas, nesta aula, nós estamos falando de interdiscursividade.
Encontramos, na “Canção do Exílio” de José Paulo Paes, que é outro autor, a interdiscursividade?
Sim, porque o discurso da “Canção do Exílio” de Gonçalves Dias, que é elogiar o Brasil e criticar o outro lugar onde ele está, se mantém na “Canção do Exílio Facilitada”, em que ele elogia o Brasil e critica o outro lugar onde ele está.
Nesse caso, a gente não pode afirmar que é Portugal, mas ele faz uma crítica a esse outro lugar, que seria “cá?”.
Por isso, nós temos a interdiscursividade.
A opinião dos textos se assemelham.