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Orientación Universidad
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zoneamento bioclimático, Tesis de Construcción

Trabajo de grado relacionado con el zoneamento bioclimático para la producción de pecuaria

Tipo: Tesis

2020/2021

Subido el 01/03/2022

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MARIANO PEREIRA SILVA
ZONEAMENTO BIOCLIMÁTICO PARA
PRODUÇÃO AVÍCOLA NO TERRITÓRIO
BRASILEIRO
Tese apresentada à Universidade
Federal de Viçosa, como parte das
exigências do Programa de Pós-
Graduação em Engenharia Agrícola
para obtenção do título de “Doctor
Scientiae”.
VIÇOSA
MINAS GERAIS – BRASIL
2006
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MARIANO PEREIRA SILVA

ZONEAMENTO BIOCLIMÁTICO PARA

PRODUÇÃO AVÍCOLA NO TERRITÓRIO

BRASILEIRO

Tese apresentada à Universidade Federal de Viçosa, como parte das exigências do Programa de Pós- Graduação em Engenharia Agrícola para obtenção do título de “Doctor Scientiae”.

VIÇOSA

MINAS GERAIS – BRASIL

Ficha catalográfica preparada pela Seção de Catalogação e Classificação da Biblioteca Central da UFV

T

Silva, Mariano Pereira, 1965- S586z Zoneamento bioclimático para produção avícola no 2006 território brasileiro / Mariano Pereira Silva. – Viçosa : UFV, 2006. ix, 161f. : il. Mapas col. ; 29cm.

Orientador: Fernando da Costa Baêta. Tese (doutorado) - Universidade Federal de Viçosa.

Referências bibliográficas: f. 154-161.

  1. Frango de corte - Instalações - Aquecimento e ventilação - Modelos matemáticos. 2. Frango de corte - Aspectos climáticos. 3. Meteorologia agrícola. 4. Com- putação - Matemática. 5. Modelos matemáticos. I. Universidade Federal de Viçosa. II.Título.

CDD 22.ed. 636.

AGRADECIMENTOS

Sem sombra de dúvida meus maiores agradecimentos devem ir

para meus professores de ciências do primeiro grau. É claro que tenho

que agradecer também à UFV e aos seus professores e de outras

instituições nas quais estudei, em especial aos que compuseram a

comissão orientadora: Baêta, Ilda, Jadir, Zolnier e Aristides; ao CNPq, aos

funcionários da UFV, especialmente as secretárias da pós graduação

Edna e Tatiana e as secretárias da reitoria Rita, Marcela e Natália, ao

secretário da pró-reitoria de administração José; à SOMAR Meteorologia

na pessoa de seus diretores Márcio, Marcos e Paulo; ao Professor

Vascos Fitas e aos seu alunos, especialmente à Joana e ao Felipe; à

Universidade de Évora, seu professores, funcionários e estudantes; aos

colegas de curso; aos companheiros de república; ao Tadayuke, ao

Albino e à Cecília por aceitarem participar da minha banca; aos meus

irmãos Maria Hedwiges e Fernando; aos meus tios, avós, primos; aos

meus padrinhos e certamente a uma quantidade inumerável de pessoas

com as quais cruzamos pela vida e que ajudam de uma forma ou de outra

a progredirmos, mesmo que seja com pequena coisas como o sujeito que

passava na rua e me informou onde era Universidade. Mas os meus

professores de ciências do primeiro grau tem um lugar de destaque. Eles

mais do que me ensinar os caminhos do conhecimento científico, também

me ensinaram o caminho da dignidade e do caráter. Mais que me ajudar

na realização dos meus primeiros experimentos, seguraram minha mão

nos meus primeiros passos. Aos meus pais Valcy e Hedwiges, que me

deram a felicidade de serem meus professores de ciências, a maior

gratidão do seu filho, de todo o coração.

ii

CONTEÚDO

RESUMO................................................................................................... VI

5. CONCLUSÕES................................................................................... 152

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.................................................. 154

v

RESUMO

SILVA, Mariano Pereira, D.S., Universidade Federal de Viçosa, fevereiro

  1. Zoneamento bioclimático para produção avícola no território brasileiro. Orientador: Fernando da Costa Baêta. Conselheiros: Ilda de Fátima Ferreira Tinôco, Jadir Nogueira da Silva, Sérgio Zolnier e Aristides Ribeiro.

Esta pesquisa tem como objetivo geral, desenvolver um

zoneamento bioclimático para criação das aves, a partir de dados

climáticos diários e simulação do emprego do resfriamento evaporativo

em galpões avícolas, como forma de prever as condições de produção

animal em todo território brasileiro. Para isso foi gerada uma base de

dados climatológicos. Sendo utilizados dados climáticos da Re-análises 2

do NCEP/NCAR do período de 01.01.1980 à 31.12.2000 para o território

brasileiro. Para a obtenção de valores horários de temperatura para

estudar o efeito e benefício da climatização da instalação pelo

resfriamento evaporativo, foi adotada a metodologia que utiliza dados

temperatura e temperatura mínima do ar obtidos nos horários de 12:00,

18:00 e 24:00 horas (Tempo Médio de Greenwich). A interpolação

espacial foi feita levando em conta a orografia Foi desenvolvido um

programa computacional para simulação dos fluxos de calor e massa em

galpões avícolas a partir de dados meteorológicos externos. A partir dos

dados climáticos simulados, foram gerados mapas para o território

brasileiro com valores de ITU, assim como temperatura e umidade. Os

mapas foram gerados para o ambiente interno e externo à instalação.

vi

ABSTRACT

SILVA, Mariano Pereira, D.S., Universidade Federal de Viçosa, February

  1. Bioclimatic zoning for chicken production in the brazilian territory Advisor: Fernando da Costa Baêta. Committee members: Ilda de Fátima Ferreira Tinôco, Jadir Nogueira da Silva, Sérgio Zolnier and Aristides Ribeiro.

This research has as objective generality, to develop a bio-climactic

zoning for creation of the chickens, from daily climatic data and simulation

of a poultry house with a evaporative cooling, as form to foresee the

conditions of animal production in all Brazilian territory. For this a climate

database was generated. Being used climatic data of Re-analyses 2 from

NCEP/NCAR from the period of 01.01.1980 to 31.12.2000 for Brazilian

territory. For the attainment of hourly values temperature to study the

effect and benefit of the climatization of the installation for the evaporative

cooling, it was adopted the methodology that it uses temperature and

minimum temperature of air data at 12:00, 18:00 and 24:00 hours

(Greenwich mean time). The space interpolation of climatic data was

made with orographic correction. After a computational program for

simulation of the heat flows and mass in sheds from external

meteorological data was developed. From the simulated climatic data,

maps for the Brazilian territory with values of ITU had been generated, as

well as temperature and humidity. The maps had been generated for the

internal and external environment. Particularly for the internal environment

viii

with and without system of evaporative cooling had been considered.

From this study, following conclusive inferences was gotten: a) The more

next to the equator biggest it is the value of the ITU. To a fast trend of the

Southeastern region and center west diverged of this standard. This

divergence is aggravated in the period of summer where the Southeastern

region has values of ITU predominantly minor than the region center west

in the same latitude; b) the region north presents low potential for

chickens creation in high density; c) the minor values of ITU in the north

of Roraima must the high altitude of the region; d) Regarding the data

after downscaling it can be affirmed that the general characteristics of the

data had not had great change. The analysis made for the data before

downscaling continue valid. For a study macro of national aspects the data

do not present great impact. The biggest utility of these data will be in

regional analysis.

ix

densidade de alojamento passou a ser amplamente usada e, desta forma,

a exigência de conforto térmico ambiental, que já havia se tornado

maiores com o aumento da precocidade das aves, passou a ser ainda

maior, como resultado da elevação do número de aves por área

habitada. Como conseqüência, a atenção ao adequado planejamento e

projeto das instalações avícolas passou a ser priorizada (TINÔCO,

2001a).

Neste contexto, o conhecimento das necessidades ambientais dos

animais e o estudo das condições climáticas da região e do microclima do

local em que será implantado o sistema de produção podem contribuir na

definição de técnicas e nos dispositivos de construções eficientes e que

possibilitem a melhoria do conforto térmico dos animais e,

conseqüentemente, de sua produtividade nas diferentes regiões

climáticas do vasto território brasileiro.

Conforme McDOWELL (1974), dentre os elementos climáticos, a

temperatura do ar é provavelmente aquele que influencia mais

diretamente o ambiente físico do animal. No entanto, a temperatura do ar

não é suficiente para caracterizar as condições ambientais; para isso,

deve-se acrescentar também a essa, outras variáveis, tais como umidade

relativa, velocidade do ar e energia radiante (PERDOMO, 1998).

Com base estudos realizados por GATES et al. (1995), SILVA JÚNIOR (2001) e SILVA(2003) pode-se verificar que os avanços nos sistemas de informações geográficas (SIG) e a maior disponibilidade de dados meteorológicos, embora no caso destes últimos ainda com sérias deficiências para o Brasil, permitem a avaliação de sistemas de acondicionamento artificial de ambiente em função das condições climáticas de cada região. Os trabalhos de GATES et al. (1995) e SILVA (2003) simularam o comportamento térmico de galpões avícolas, a partir de dados meteorológicos, com e sem sistemas de resfriamento evaporativos fornecendo dados como o índice de temperatura e de

umidade para os Estados Unidos da América e para a Região Sudeste do Brasil, respectivamente.

Tendo em vista o exposto, esta pesquisa tem como objetivo geral,

desenvolver o zoneamento bioclimático para criação das aves, a partir de

dados climáticos diários e simulação do emprego do resfriamento

evaporativo em galpões avícolas, como forma de prever as condições de

produção animal em todo território brasileiro.

Objetivos específicos:

  1. Gerar uma base de dados climatológicos, horários com resolução de 20’ (cerca de 40 km) a partir da interpolação de dados existentes;
  2. Implementar um programa computacional para simulação dos fluxos de calor e massa em galpões avícolas a partir de dados meteorológicos externos; e
  3. Realizar um zoneamento bioclimático com a elaboração de mapas de ITU (Índice de Temperatura e Umidade) para o território brasileiro.

IMAEDA (2000), investigou a influência do clima e da densidade de

alojamento na ocorrência de morte súbita em frangos de corte utilizando

densidades de 12, 15 e 18 aves por metro quadrado. Deste estudo o

autor concluiu que com 18 aves por metro quadrado houve significativo

aumento da mortalidade no verão e no inverno.

Todos os ajustes e as ações sobre o organismo animal podem se

refletir na produtividade final de um lote e no seu custo final. As condições

ambientais que oferecem os menores desgastes para as aves, por

produzirem os melhores resultados, situam-se em faixas ou limites

denominados zonas de conforto térmico (CURTIS, 1983).

Com relação aos animais, BAÊTA e SOUZA (1997), afirmaram que

esses podem ser considerados sistemas termodinâmicos abertos, por

estarem em troca constante de energia com o ambiente. Neste processo,

os fatores externos do ambiente tendem a produzir variações internas no

animal, influindo na quantidade de energia trocada entre ambos, havendo,

então, necessidade de ajustes fisiológicos para a ocorrência do balanço

de calor.

2.1. Estresse dos frangos de corte por fatores

térmicos ambientais

O conhecimento das necessidades ambientais dos animais e o

estudo das condições climáticas da região e do microclima do local em

que será implantado o sistema de produção permitem definir técnicas e

dispositivos de construções que melhorem o conforto dos animais.

Conforme McDOWELL (1974), a temperatura do ar é provavelmente o

fator bioclimático mais importante que influencia o ambiente físico do

animal. No entanto, apenas a temperatura do ar não é suficiente para

avaliar as condições ambientais; para isso, deve-se acrescentar também

a essa outras variáveis, como umidade relativa, velocidade do ar e

energia radiante (PERDOMO, 1998). Em geral os parâmetros ambientais

utilizados são temperatura do ar, temperatura radiante, radiação solar,

umidade do ar, velocidade do ar, pressão atmosférica.

CURTIS (1983), define o ambiente como a soma do impacto de

fatores físicos, químicos, biológicos e sociais, que atuam e interagem

influenciando o desempenho animal. Esses fatores variam com a estação

do ano e com a localização da região, bem como, por razões intrínsecas

ao próprio animal como idade, sexo e alimentação fornecidas. Neste

sentido, verifica-se que as variáveis ambientais não são estáticas. Toda

situação ambiental que provoca uma resposta adaptativa é considerada

estressora, definindo uma situação de estresse no animal (BAÊTA &

SOUZA, 1997).

Assim podemos acrescentar aos parâmetros ambientais já citados

o nível de poluição do ar e o nível de poluição sonora, tipo de cama, teor

de umidade da cama, doenças, densidade de alojamento,

comportamento e ordem de dominância, tipo de ração utilizado (que

constitui um fator biológico ambiental), temperatura da água nos

bebedouros e forma de movimentação dos funcionários dentro do galpão,

dentre outros.

Estes diversos fatores ambientais, acima relacionados, devem ser

considerados em conjunto com fatores ligados as características dos

animais. Segundo (SILVA, 2000) os fatores inerentes ao animal (não

ambientais) a serem considerados na determinação do conforto térmico e

nas condições de adaptação dos animais a ambientes específicos são os

seguintes:

  • Capa externa - espessura, estrutura, isolamento térmico, penetração pelo vento (relacionada aos movimentos da atmosfera), ventilação (relacionada aos deslocamentos do indivíduo e da atmosfera), permeabilidade ao vapor, transmissividade, emissividade, absorvidade, refletividade.

Assim, entre todos os fatores ambientais, os térmicos,

representados por temperatura, umidade, velocidade do ar e radiação,

são os que afetam mais diretamente a ave, comprometendo uma das

suas mais importantes funções vitais, que é a manutenção da própria

homeotermia, conforme observado por CURTIS (1983), MEDEIROS

(1997) e TINÔCO (1988).

2.1.1. Influência da temperatura ambiente

Existem limites para o intervalo de temperaturas para os quais os

animais vertebrados podem manter sua homeotermia. A zona de

termoneutralidade no intervalo de homeotermia é muito difícil de se

definir. Nesse intervalo os vasos sangüíneos na pele não estão totalmente

dilatados ou totalmente contraídos, a evaporação de água da superfície

da pele ou do sistema respiratório é mínima, os cabelos ou pelos ou

penas não estão eretos e as respostas comportamentais ao calor ou frio

não ocorrem. O intervalo de temperaturas superior e inferior que os

animais podem tolerar fora da faixa da zona de temoneutralidade,sem que

ocorra prejuízos de sua eficiência, é muito reduzido (BROWN-BRANDL

et al., 1997).

A quantidade de calor contida no corpo provém do metabolismo

basal, da atividade muscular, da digestão do alimento e do ambiente

térmico. Esse calor tem que ser dissipado via mecanismos de trocas

térmicas entre o corpo e o ambiente. Esses mecanismos envolvem trocas

de calor sensível pela radiação, convecção e condução e também trocas

de calor latente que se produz pela evaporação nos pulmões e na pele

(TEIXEIRA, 1991).

Quando as temperaturas nos ambientes de criação das aves são

baixas, ocorre aumento na proporção de carcaças com calos e crostas no

peito devido a má conservação da cama. Em contrapartida, há maior

incidência de ferimentos decorrentes do manejo das aves nos meses de

verão, atribuída a ruptura de vasos sangüíneos e capilares periféricos,

devido a vasodilatação. Em épocas quentes, as aves reduzem a ingestão

de ração e, por conseqüência, a quantidade nutrientes ingerida. Para

conseguir aumentar as calorias da mesma e diminuir esse déficit, os

formuladores de ração, podem incrementar a proporção de energia.

Porém, estas modificações na dieta alimentar podem contribuir com a

incidência de problemas de gordura na carcaça (ABREU & ABREU,

2002).

COOPER & WASHBURN (1998), comparando a mortalidade em

frangos criados às temperaturas de 21oC e 31oC não verificaram diferença

significativa, mas aumento significativo na mortalidade foi verificado por

VO et al. (1977) quando a temperatura ambiente subiu para 37,8oC.

Quando frangos são expostos a estresse calórico por mais de uma

semana, ocorre forte correlação negativa entre a temperatura do corpo e

os aspectos econômicos como ganho de peso, consumo de ração e

conversão alimentar (COOPER & WASHBURN, 1998 ).

2.1.2. Influência da umidade ambiente

A Umidade Relativa do galpão é função da temperatura ambiente,

do fluxo de vapor d’água que entra no galpão pelo sistema de ventilação e

da quantidade de vapor d’água proveniente dos frangos e da cama.

Segundo BAIÃO (1995), o valor de umidade relativa do ar não pode

ultrapassar 80%, de forma a não prejudicar a perda de calor das aves por

via evaporativa.

O conforto térmico da ave se encontra relacionado com a umidade.

Por exemplo, quando a temperatura do ar de 26,7 °C estiver combinada

com umidade relativa de 60%, a ave ainda se encontra dentro da zona de

termoneutralidade. Entretanto, o animal entra em estado de desconforto

térmico se a umidade relativa do ar atingir 80%. (DONALD, 1998).