Foucault e o Poder
Pessoal, agora uma discussão e um conceito que é muito importante para a filosofia no século vinte que é o conceito do Foucault a cerca de poder.
O Foucault ele vai nos dizer o quê gente?
Ele vai dizer que existe aquilo que a ciência, que as discussões vêm estabelecendo, especialmente a partir do iluminismo, não somente, mas especialmente a partir do iluminismo, aquilo que é normal, aquilo que é normal, aquilo que é humano versos aquilo que seria anormal.
Então assim óh, para Foucault o poder ele vai fazer o quê?
Ele vai se tornar uma instância disciplinar.
O poder ao contrário de Marx, por exemplo, para Foucault não é um poder financeiro, ele é o poder que vai ser disciplinar.
E vai disciplinar aqueles que são anormais para tentar transformá-los em normais que se enquadrem ou se encaixem nas práticas narrativas.
Certo?
Então veja, o Foucault ele vai afirmar o seguinte, no absolutismo lá um pouco antes do Iluminismo, esse poder disciplinar ele era público, não só absolutismo, na Idade Média também.
Um exemplo é o quê?
A ideia das bruxas.
O que eles faziam?
Eles queimavam as bruxas, ou então você já pode ter visto em seriados, por exemplo, ou em filmes quando uma pessoa era uma criminosa o quê eles?
Faziam a pessoa desfilar na rua, muitas vezes até mesmo despida, e as pessoas iam jogando pedras, iam jogando ovos, iam jogando tomates, ou seja, isso aqui era feito inclusive para marcar uma vergonha e o quê?
Criar um estigma na pessoa, a estigmatização.
Depois do iluminismo com o desenvolvimento das práticas narrativas e do Conselho de Ciência na contemporaneidade, ou seja, até mesmo hoje em dia, esse poder ele busca ressocializar.
Ressocializar hoje uma palavra que nós usamos principalmente na questão penal.
O sistema prisional deveria ressocializar os criminosos.
Só que para Foucault é muito além disso.
O poder disciplinar atualmente ele quer ressocializar todas as pessoas.
Por que todas?
Para enquadrá las cada vez mais num conceito de normalidade, isso aqui é importante a gente entender.
porque ninguém, ninguém se a gente for pensar é totalmente normal.
Por isso que o poder não é de uma instituição somente ou do dinheiro ou do que quer seja.
O poder ele é múltiplo para Foucault, tanto que tem até a um livro, um dos mais famosos dele chamado Microfísica do do poder.
O poder para o Foucault ele se dá no micro e não no macro.
Como assim gente?
Veja, esse poder buscando normatizar as atividades, ou seja, transformar tudo aquilo que parece ser anormal em normal, e essa é a intenção, vejam, do sistema vigente, e não é só o sistema capitalista como um todo é a ideia de sistema mesmo, que vai acontecer?
Bom, aí o Foucault vai dizer essa normatização se desenvolve para aquilo que ele vai chamar de um sistema panóptico.
O que é um sistema panóptico?
É o sistema de alta vigilância.
Lá no século dezoito, dezenove, um arquiteto ele imaginou uma prisão perfeita, claro que foi apenas um projeto, não foi desenvolvido de fato.
O que seria a prisão perfeita?
No meio de um pavilhão, veja esses quadradinhos pretos aqui.
Eu sei que tem que explicar que esses meus desenhos são meio feios, seriam as celas.
Aqui estão as pessoas presas nessas celas.
No centro do pavilhão estaria a torre do vigia, estão vendo?
E aqui em cima teria uma luz muito forte que incidiria sobre as celas, permitindo que o vigilante observasse os prisioneiros, mas os prisioneiros não conseguem observar o vigilante, por que?
Porque essa luz ela cega os prisioneiros, então o prisioneiro ele nunca sabe quando está sendo observado.
Então ele mesmo se vigia, vejam só, o próprio prisioneiro se vigia para que ele não faça nada errado e não seja punido.
Por isso que o Foucault vai dizer que o poder hoje ele é micro.
Quanto vezes nós pensamos assim, “ não, eu não vou fazer isso porque as pessoas vão me julgar”, óh o julgamento.
Claro que Foucault ele não se refere apenas gente, tá por favor, a questões de comportamento, “ah eu não vou sair com uma calça estranha porque as pessoas vão me julgar”, embora que também seja uma forma de julgamento, por exemplo, vou usar apenas um exemplo que é um exemplo básico mas que pode ser muito mais profundo: questões estéticas: “eu não vou usar essa calça porque ela está muito apertada”.
“Eu fico muito gordo com essa calça”, por exemplo, essa blusa não sei o quê, não sei o quê, não sei o quê, veja, antes mesmo de sair à rua a pessoa ela já se auto vigia.
Mas isso está incluso, por exemplo, em questões ligadas à normatividade sexual, os gestos.
Ah não é assim que homem se comporta, não é assim que mulher se comporta, nossa, se eu falar assim vão pensar que eu sou isso, se eu falar assado vão pensar que eu sou aquilo.
Então tudo isso, veja, está aqui dentro, então não é só coisas que tem a ver com cadeia ou não, tem a ver com o quê?
Com toda uma concepção daquilo que é normal ou que anormal?