Sofistas
Queridas e queridos, essa aula de agora é sobre os sofistas.
Gente, os sofistas são uma corrente filosófica.
Isso é importante, eles não são um filósofo, o Sofio ou a Sofia, ou quem quer que seja, é uma corrente filosófica que vai surgir também na Grécia, a gente vai falar bastante da Grécia aí, lá no século cinco antes de Cristo, vamos lembrar, cinco, quatro… porque como é uma corrente, você vai ter vários representantes que passam ao longo do tempo.
E eles eram conhecidos, especialmente os sofistas ali mais famosos também, por serem rivais de Sócrates e Platão, que são os grandes nomes da filosofia grega.
Isso é inegável.
Todo mundo já ouviu falar de Sócrates ou de Platão.
Pode não saber o que eles falam, mas que já ouviu falar, já ouviu falar!
Então os Sofistas eles eram de uma certa forma rivais do Sócrates e do Platão.
O Platão mesmo esse rapaz aqui óh, ele tinha um ódio dos sofistas gente, que assim óh, é muito até engraçado às vezes da gente ler, engraçado pra gente que está aqui hoje rindo, mas eles não se davam muito bem.
E por que existia essa rivalidade?
Porque para os sofistas não existia uma só verdade.
Mas na verdade, ela era o quê?
Relativa, ou seja, ela dependia de quem estava falando ou como a gente diria hoje em dia, depende muito do ponto vista.
Claro que essa
visão ela é uma visão bastante complicada e merece um pouco de atenção.
Mas era mais ou menos isso que eles diziam.
Tanto que a principal premissa filosófica dos nossos amigos sofistas, era aquilo que nós chamamos hoje de silogismos, ou também que nós conhecemos aqui gente, vou por um outro nome aqui, como falácias.
Só porque falácia hoje em dia quer dizer mentira.
Então falácia é uma palavra meio pejorativa, ou meio complicada de usar, mas se não o silogismos também está certo.
E o que é o silogismo?
O silogismo seria a defesa de um ponto de vista, e era exatamente nisso que eles rivalizavam e se diferenciavam muito do Sócrates e do Platão, porque para esses dois rapazes aqui, Sócrates, Platão, Aristóteles, a escola socrática, vamos dizer assim, existia apenas uma verdade ou como eles diziam existia o logos, a verdade, ela era uma só.
Claro que isso aí a gente vai ainda desenvolver um pouco melhor.
Mas óh, então essa é a principal diferença.
Existia uma característica muito importante dos sofistas, que era o seguinte: eles desenvolviam uma filosofia para quem pagava.
Ou seja, a gente vai ter que lá nas nossas aulas, nas aulas de História da Grécia, e vão perceber que o auge dos sofistas é exatamente o auge do que?
Da democracia ateniense.
Porque na democracia ateniense o que que acontece, mais pessoas vão ter um lugar de fala ou espaço para falar nos debates públicos.
Então os sofistas eles ensinavam as pessoas que nem sempre tinham, vamos dizer assim, uma educação formal, mas que tinham dinheiro, por isso podiam pagar os sofistas, ensinavam essas pessoas a desenvolver seus argumentos a partir dos silogismos, mas também ensinavam a se expressar muito bem, ou seja, a falar bem em público.
Aí vem aquilo que nós entendemos hoje como a oratória ou a retórica também, estão vendo?
Então eles vão ter uma importância muito fundamental no mundo grego, porque de uma certa forma, eles vão ajudar na difusão de práticas filosóficas.
Aí vocês podem perguntar, “tá Ferrari legal, eu entendi, mas e para a gente hoje em dia, no que que é importante o pensamento sofista?” Hoje em dia o pensamento sofista ele ajuda na argumentação e na construção de diálogos, especialmente no meio público, quando nós pensamos em modelos democráticos.
Querem ver um exemplo?
Vamos pensar sobre a discussão de Estado laico.
Quem é que tem a verdade num Estado laico?
A gente não pode pensar assim óh “fulano tá falando a verdade, o ciclano tá falando a verdades”, porque nós estamos trabalhando com questões relativas à fé.
Estamos trabalhando com questões de materialidade.
Por isso, por exemplo, no Estado laico, nós podemos afirmar que a verdade não deixa de ser relativa.
Logo, nós temos que ter espaço para que todos possam falar, argumentar e assim fomentar o quê?
O diálogo numa sociedade democrática, sacaram?
Então, esses são os sofistas.
O principal ponto dos nossos amigos sofistas é que para eles não existe uma só verdade, mas existem diversas possibilidades de verdade e elas são apresentadas por meio dos silogismos.