Pré-socráticos
Olá pessoal, essa nossa aula de hoje é sobre os pré-socráticos, filósofos que vão aparecer ali na Grécia por volta do século sete, até mesmo cinco antes de Cristo.
Eles não têm uma temporalidade muito definida, e nem mesmo os pré- socráticos, eles podem ser assim entendidos como um grande grupo.
A gente chama eles desse jeito porque são os filósofos que antecedem o nosso querido amigo Sócrates, tá?.
E a gente sabe que o Sócrates vai ser uma grande mudança no campo filosófico, mas a gente caracteriza esses filósofos pela tentativa em comum que eles têm ou pela intenção em comum que eles têm, que é o que?
Versar ou pensar sobre a ideia da origem da physis.
Vamos lembrar que essa origem e essa physis são conceitos bastante específicos do mundo grego.
A physis, ela se refere ao que se refere àquilo que nós entendemos e que nós conhecemos como a natureza.
Lembrando que essa natureza aqui não é apenas animais, plantas, flora e fauna.
A natureza inclui seres humanos e também deuses.
No tempo dos pré-socráticos, ou melhor dizendo, anteriormente aos pré- socráticos o que que acontecia?
Todo mundo ficava lá perdido na explicação entre o mito e não sei o que, não sei o que, não sei o que.
Agora não.
Esses caras, eles querem romper com a cosmologia, certo?
E tentar pensar com uma explicação racional das coisas.
Claro que essa origem, gente, ela não é necessariamente um começo em si, ela, quando eles pensam na origem da physis, eles estão pensando naquilo que nós chamamos hoje de uma substância comum a todas as coisas.
Vamos dizer assim, há o que existe em comum entre todas as coisas.
Hoje, com a nossa ciência, nós poderíamos dizer, por exemplo, que algo comum a todas as coisas é a presença do átomo, embora que a gente saiba que existam campos néh, da química e da física que já discutem acerca disso e tudo bem, não vamos entrar nesse conceito aqui agora, mas no tempo dos pré socráticos, não se pensava muito sobre isso, embora que a palavra
átomo tenha surgido lá.
Então olha só, vamos ver agora os principais pensadores dessa corrente dos pré-socráticos.
O primeiro que eu trouxe aqui, óh, é um cara chamado Tales de Mileto.
Ele se chamava Tales e era da cidade-estado de Mileto.
Pra ele, a origem de tudo era a água e vejam que o Tales ele não está tão errado assim.
Veja como faz muito sentido o que ele pensa, e veja como aqui óh quando a gente diz “faz sentido”, é porque o Tales ele se utilizou de um processo racional.
Para tentar chegar a essa conclusão.
O Tales começou a observar a natureza, então ele viu que animais precisavam de água, nós, seres humanos, precisávamos de água, as plantas cresciam com a água, aí tem o ciclo da chuva.
Tudo isso ele observou tá?
Então vejam a observação, a contemplação também nós podemos chamar óh, ele contemplou a natureza, contemplou a physis e viu que, no fundo, no fundo, tudo precisava de água, até mesmo relações sexuais, quando a pessoa morre, quando um cadáver morre ele começa a secar, então ele está perdendo a água.
Então ele vai dizer “olha, tudo isso”, a observação racional dele é que tudo precisa de água.
E vejam que, para o contexto, vejam gente, óh, século cinco a sete antes de Cristo, sem aparelhos de observação, sem microscópios, sem nada disso, disso, faz muito sentido o que o Tales diz, por isso nós temos que lembrar que o caminho que ele percorre é interessante porque ele vai eliminando questões e vai observando de forma racional.
Outro cara importante é o Anaximandro.
O Anaximandro, ele era aluno do Tales, e ele falou assim “não olha, eu não concordo muito com o meu professor, pra mim não é água não, pra mim o que forma as coisas, a origem de tudo é o ápeiron.
O problema é o seguinte: o que é esse ápeiron?
Para o Anaximandro o ápeiron era uma substância desconhecida.
Veja que o Anaximandro deu uma meio de malandra aqui, claro, eu estou brincando, aqui, gente, mas é uma substância desconhecida para gente também, e é importante pra gente não ficar pensando que tem que ser algo material.
É uma substância desconhecida, mas ela forma todas as coisas.
Outro cara bastante importante é o nosso amigo Pitágoras.
Esse mesmo Pitágoras, lá da matemática do teorema de Pitágoras.
Para o Pitágoras a origem das coisas estava no que?
Na matemática.
Se você não gosta de matemática aí, óh, Pitágoras, como assim?
Mas é, para ele o o universo, a Physis, tudo que nos cerca precisava para funcionar de harmonia, e a única harmonia possível era por meio ou através de cálculos matemáticos.
Estão vendo?
Bastante desafiadora essa visão do Pitágoras também.
Outro cara fundamental que daí vai impactar filósofos seguintes, inclusive, é o nosso amigo Heráclito.
Para o Heráclito, a substância comum ou a origem da physis estava no conceito de movimento ou também de mudança.
Para o Heráclito nada é, é impossível as coisas serem.
Como assim Ferrari?
Como é impossível as coisas serem?
Imagine você um limão.
Você pega esse limão e deixa lá paradinho na mesa.
Aí você pensa “esse limão está parado, ele não está em movimento”.
Acontece que o movimento do Heráclito não é um movimento da física, porque o movimento da física ele depende do que?
Do observador, do ponto de referência.
Para o Heráclito, a mudança ou o movimento está, por exemplo, aqui óh, estão vendo?
O limão mesmo parado, do ponto de vista da física, ele continua se movimentando, porque se você deixar uma fruta parada, por exemplo, ela apodrece.
Ou seja, ela está em movimento.
Ela não é o mesmo limão naquele momento.
Agora é um limão, dali uma hora vai ser outro, porque está passando por processos químicos, físicos, embora que o Heráclito não conhecesse ou soubesse o que são processos químicos, físicos, obviamente.
Então para ele nada é, tudo está em eterno movimento.
Tem um outro cara chamado Parmênides, o Parmênides ele discordava frontalmente do Heráclito, porque ele vai dizer assim que não existe movimento, só existem as coisas imóveis, porque por mais que o limão mude, ele vai dizer assim “continua sendo um limão”.
O Heráclito dizia que não era mesmo o limão e o Parmênides dizia que sempre vai ser um limão.
Entendeu?
A e como essa treta fica resolvida professor?
Não fica.
Na filosofia a gente tem uma coisa muito interessante porque a gente não precisa chegar a conclusões e pronto.
Tem um cara mais para frente, chamado Platão, que com certeza vocês já ouviram falar, que vai tentar por Heráclito e Parmênides em consonância.
E até que de uma certa forma vai conseguir, mas isso é um assunto para outra história.