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SUICÍDIO E KARÍNA Er Scanned by CamScanner CAPÍTULO 3 SUICIDIO NA VISÁO GESTÁLTICA Achave é um simbolo de vivéncias que durante algum tempo quis esquecer. “Minha máe tentou o suicidio” constatacáo que se confirmava pela porta trancada quando chegava da escola. Porque era uma crianca, náo havia ainda recebido minha chave de casa. A estratégia utilizada por mim e por minha irmá era a de colocar um papel embaixo da porta, para que pudéssemos empurrar a chave, Consequentemente, ela caía no papel que puxáva- mos para fora e, depois, abríamos a porta. - Por que minha máe sempre deixava uma chave? - Para que pudesse socorré-la. - Por que minha máe sempre deixava uma chave na porta? - Para que a porta fosse aberta — resposta que encontrei depois de alguns anos. Continuando minhas indagacóes e estudando o tema sui- cídio, deparei-me com a preocupacáo sobre a maneira pela qual me empenhava em ajudar meus clientes em consultório particular. Senti a necessidade de facilitar o resgate do sen- tido da vida, considerando suas possibilidades. Acredito que se tais posibilidades náo forem bem utilizadas, restringem a maneira de ser-no-mundo. A chave simboliza a maneira como nos abrimos e fechamos ás possibilidades de nossas vidas. Conquistei, hoje, a possibilida- de de ter minhas próprias chaves e as carrego comigo. Cada chave tem seu próprio segredo e revela por si só sua singula- ridade. Na vida também ocorre o mesmo, as pessoas trazem segredos que revelam sua singularidade. Que a chave sirva como um grande incentivo para que nos apropriemos das oportunidades que a vida nos oferece. Cabe a nós escolher entre o fechar e o abrir... g0 Scanned by CamScanner hh afirma que o TEnaperna é aquele que cuida, no sentido de curar algum mal no sentido de reparacio. (...) Cabe ao “médico tera- peuta' náo somente curar mas agir de tal modo que a doenca náo possa se instalar no homen” Trabalhamos na dialética da vida e da morte. Trabalhamos com pessoas que morreram exis- tencialmente, que perderam muitas pessoas, coisas e se per- deram pela falta de esperanga na vida. Uma premissa tem me acompanhado durante toda vida: “ou aprendemos no amor, ou aprendemos na dor”. Considerando tal premissa, acredito que a causa da mudanga e da aprendizagem seja o contato. Por esse motivo, é preciso reconhecer o sentido de vida, assim como compreender que a felicidade que todos buscam náo precisa ser, necessariamente, baseada por contingéncias, como “se eu casar, serei feliz” ou “se eu tiver um carro, serei feliz”. A felici- dade pode ser encontrada no agora, no presente, e numa eterna transformacgáo do que é velho para originar e dar espago para algo sempre novo. A terapia consiste, assim, em analisar a estrutura interna da experiéncia concreta, qualquer que seja o grau de contato desta; náo tanto o que está sendo experienciado, relembrado, feito, dito etc., mas a maneira como o que está sendo relembrado é relembrado, ou como o que é dito é dito, com que expressáo facial, tom de voz, sintaxe, postura, afeto, omissáo, consideragáo ou falta de consideracáo para com a outra pessoa etc. (...) E o mais importante de tudo, a realizagáo de uma Gestalt vigorosa é a própria cura, portanto a figura de contato náo é apenas uma indicacáo da integracáo criativa da experiéncia, mas é a própria integracáo. (PERLS et al, 1997, p.46) A informacáo precisa dar suporte para a formagáo do ser terapeuta. Como responsável pela minha postura e enquanto psicoterapeuta, levanto consideracóes sobre o significado de se como ser-no- ser terapeuta. Ser terapeuta é compreender- -mundo e, a partir disso, compreender O cliente como um 91 Scanned by CamScanner do. Perls ef al (1997, p.54) pontuam que cer-no-Mun _ outro Ser-no- ar em contato cada vez mais a 4 entr “o método de tratamento € € ato ca y mé -rise atual até que nos identifiquemos, com o a clio mti com Ñ rl intimo CO desconhecido, com a integracáo criativa o do salto para o. oura da divisio- Acredito que A formacáo náo deva ser apenas acadé- é preciso haver também uma LOMO pessoal, Repito: ar no processo vivido, é apropriar-se da a visáo de homem existencial, risc vind mica; ser terapeuta é acredit visio de homem. Coerente Com o Gestalt-terapeuta tem como pressupostos que O ser humano é um todo, indivisível e que está em constante relacio com o mundo. Á psicoterapia é um local fértil para que as possibi- lidades sejam descobertas. Feijoo (2000, p.177) salienta que “trata-se de uma proposta psicoterapéutica em que se busca a mobilizacáo ao modo do desvelamento e náo da provocacáo. Á mudanga almejada náo é uma proposta de resultados, mas traz consequéncias no modo de estar-no-mundo”. Á construgáo do conhecimento precisa ser constantemente lapidada e, para tanto, o terapeuta necessita acreditar na sua experiéncia singu- lar, na vivéncia que tem consigo, com seu cliente e na relacio. Considero alguns passos importantes para a pergunta inicial desta reflexáo: “o que significa ser um terapeuta?” é Ar , P-96) coloca que “o papel do terapeuta suporte ta a Propostas que estáo dentro do grau de o om peces aa €, ao mesmo tempo apontam para O que mais precia Ser o A Droporgáo entre suporte e disco é terapeuta significa DECO a di hala pacta. e aaa ser dades e Possibilidades. ar no próprio jeito de ser, nas dificul- . Ser tera; licenga ao “e entrada. É guta é Ñ . e Ñ ar o momento do cliente. É pedir Crer na ca a porta que o cliente indica ser a de utorre a Orregulacio e é ter fé na relacáo que é 0) Scanned by CamScanner euta em situacóes de extremo desespero, pois é “a 0 a . ¿ 1 a! o psicoteraP ¿mo profissionais de área da saúde, zelar pelos yer, EC a vida. Nós, os “OS d aspectos NÓ e proteger nossos clientes. os a servico do do servir. Servir náo nosso de profissionais, temos o dever de avisar : cliente, mas é necessário ponderar o agaifcado quer dizer fazer pelo cliente, JJustrando: Certa tarde, um de meus clientes trouxe sua vontade de se suicidar, pois havia brigado com sua ex-mulher, por quem se percebia ainda muito apaixonado. - Ésempre assim, ninguém dá o que eu quero. A solugáo é me matar mesmo. Já sei, no final de semana vou me matar e vou matar minha ex-mulher, porque seria o dia de nosso aniversário de casamento. Náo duvidando de meu cliente, que revelava grande potencial suicida, pois realizara algumas tentativas há alguns anos, co- loquei a ele minha necessidade de entrar em contato com sua familia, ao que argumentou: - Eu náo quero que vocé ligue para ninguém, pois eu vou me matar mesmo e náo quero que ninguém saiba. - Sinto muito. Meu compromisso com vocé é em vida e como lhe falei no início do processo de psicoterapia, quebraria o sigilo se houvesse risco de vida. Vocé me coloca em uma situacáo difícil. dá pensou se vocé se mata no final de semana e eu tendo de visitá-. itéri itá-lo no cemitério? Essa responsabilidade náo é minha. Meu cliente aceitou al , € a partir de seu consentimento, liguei, ertei e ori ¡ 7 entei seus familiares, colocando-os cientes do que estava aco ici INR escena e solicitando que alguém ficasse com ele O final de semana inteiro. N Ñ a Simana seguinte, meu cli. o £m seguida de seu sá0 extra, Recebi-o num ente faltou. Fiquei preocupada, horário, ligou-me pedindo uma horário extra e o mesmo iniciou 94 Scanned by CamScanner a sessáo dizendo que havia se drogado a noite inteira e que fora para a sessáo, pois gostaria que eu lhe oferecesse um atestado para entregar em seu trabalho, pois alegaria que havia faltado pela manhá devido ao fato de “precisar com- parecer a uma de suas sessóes de psicoterapia” [sic]. Acres- centou que como eu cuidara dele há uma semana atrás, na tentativa do suicidio, eu poderia “salvá-lo também dessa situacáo”. Primeiramente, neguei o atestado, porque o fato de ter vindo pela manhá náo era verdade e, segundo, porque a dinámica dele era náo se responsabilizar por nada do que escolhia em sua vida, inclusive pelo fato de ser usuário de drogas há algum tempo. - Vocé me pede um atestado comprovando que veio pela ma- nhá, enquanto está aqui á tarde. Náo posso oferecer a vocé o que me pede, por ser um fato que náo condiz com a realidade que vivencio com vocé e porque cuidar de vocé e avisar sua família numa situacáo delicada, como a possibilidade de vocé se matar, náo quer dizer “salvá-lo” de situagóes das quais vocé precisa se responsabilizar por si mesmo. Ele demonstrou sua frustracáo, fechando suas máos, baten- do uma na outra e sua expressáo facial era bem diferente de quando realizou seu pedido. - O que vocé sente agora? — perguntei. - Acho que náo venho mais. É sempre assim, ninguém dá o que eu quero - ele respondeu. - Como vocé lida com as situagóes quando ninguém dá o que vocé quer? —Náo custa nada me passar o atestado. - Custa. Se vocé quer colocar seu emprego em risco, eu núo que- ro, pois gosto muito do que faco e náo quero ser cúmplice daqui- lo que náo acredito como verdade - afirmei. Quando reafirmei com um tom mais forte de que náo iria for- necer o atestado explicando meus motivos, ele disse chorando: 95 o”. Scanned by CamScanner Percebo que, em minha integracáo de dados, utilizei a experiéncia clínica para assimilar os conhecimen- tudados até esse momento. Sei que, ao fornecer minha vivencia, Corro O risco de fixar conceitos, de me cristalizar em uma só forma, e isso, a meu ver, tornar-se-ia uma maneira disfuncional de aprender, Consciente desse risco, acredito, ao mesmo tempo, que esse panorama da vivéncia clínica seja uma leitura provisória e processual, em que sei que essa aquisicáo de conhecimentos é construida passo a passo e esse é o grande aprendizado - a construcáo do apreender. 3.2. COMO O PSICOTERAPEUTA FAZ UMA AVALIACÁO COMPREENSIVA DO POTENCIAL DE SUICÍDIO? Dias (1991, p.18) afirma que “para a Psicanálise, o sui- cidio é uma situacáo psicótica. (...) O suicidio se configura, assim, como um instante em que o individuo 'está fora de si” e, gracas [sic] a isso, pode atacar a si mesmo. É o rebaixamento da capacidade autodefensiva do ego que permite a irrupcáo da psicose”. Entretanto, isso náo significa que todo o suicidio seja indicador de doenga, pois consideramos que a pessoa está numa crise existencial, e se todos, de alguma maneira, já sofreram pelas dúvidas existenciais, cabe ao ser humano responsabilizar-se por sua liberdade de viver. Na compreensáo das tentativas de suicidio, a psicoterapia busca a ampliacáo da awareness. Vinculamos, portanto, toda a compreensáo do conceito de self e da qualidade relacional que cada individuo estabelece consigo e com o contexto social. Em Gestalt-terapia estudamos o homem a partir de sua visáo holística, portanto, causas orgánicas, emocionais e relacionais estáo sempre vincu- ladas num eixo complexo. Dessa maneira, se discorro sobre a busca da felicidade e do sentido de vida, indago-me se o sui- cídio pode ser compreendido como doenga. Respondendo a 97 Scanned by CamScanner emeto-med reflexáo sobre os impedimentos do essa pergunta, F | y umano, apresentado no capítulo anterior, processo do ser h Considerando que a vida é cíclica e que o ser humano é ossibilidades, € aspectos polares € opostos, e, sim, conceitos grande afinidade entre si. Saúde e doenga S 3s dois conceitos, saúde e um ser de p ntendo os d s, saúde e doenra, náo como que mantém uma formam um vínculo de complementaridade, Segundo Dias (1991, p.42), “no Brasil, o artigo 122 do Código Penal prevé punicáo para aquele que conduz alguém ao suicidio ou cola- bora com ele. O suicida náo é punido pela lei, mas recebe o estigma de doente. O suicida está fora da lei, o que torna o seu livre-arbítrio relativo”. Latner (1974) nos ensina que “para sabermos quem somos, é preciso saber quem náo somos”. Dessa maneira, deixando de lado a visáo causal e pensando de uma maneira paradoxal, os conceitos de saúde e doenga sáo partes de um mesmo processo do ser humano. As pessoas que se suicidam parecem náo se aperceber de seu funcionamento e das possibilidades da vida e, dependendo do caminho que escolhem ou que se permitem que escolham por eles, chegam a lugares diferentes. É através de um movimento de velamento e desvelamento, que a existéncia se constrói, num eterno e infindável processo de vir-a-ser, impossíivel de ser apreendido estaticamente ou mesmo cristalizado no seu desocultamento, condicáo intrínseca da existéncia. E é também essa condicáo que nos legitima como responsáveis pelo nosso destino e, ao mesmo tempo, nos langa na incerteza desse mesmo destino, quando nos a como seres de possibilidades e assim, existindo complete o permanente de escolhas, em busca da que nunca virá. (DUTRA, 1992, p.202-203) Pp ” asi o et al (1997, p.61) salientam que “o selfsó encontra Próprio e se constitui no ambiente”. É a partir do viver 98 Scanned by CamScanner a é que, de modo geral, existimos num estado de emergencia crónico, e a malor parte de nossas capacidades de amor e perspicácia, ralva e 30 está reprimida ou embotada. Aqueles que de maneira mais penetrante sentem mais e e agem mais corajosamente, em geral, se desgastam e sofrem, porque é impossivel que alguém seja extremamente feliz até que sejamos felizes da maneira mais geral. Contudo, se entrarmos em contato com essa realidade terrível, nela existirá também uma possibilidade criativa. (PERLS etal, 1997, p.64) 10) problem enxergam intensament Perls et al (1997, p.62) nos alertam sobre a importáncia de localizarmos a energia do cliente quando citam que “uma quantidade enorme de energia e de decisáo criativa prévia está ¡nvestida nas resistencias e modos de repressáo”. Pensemos no suicidio como um mecanismo retroflexivo, em que a vítima e 0 algoz sáo a mesma pessoa. O ambiente tangível do retrofletor consiste somente em si próprio, e nessa tarefa acaba com as energias que mobilizou. Se foi o medo de destruir que despertou sua ansiedade, agora ele tortura sistematicamente seu corpo e produz enfermidades psicossomáticas (...) para náo machucar sua familia e amigos, ele se volta contra si próprio e produz enfermidades e fracassos que envolvem sua família e seus amigos. Mas ele náo obtém nenhuma satisfacáo disso, apenas mais remorso. (PERLS et al, 1997, p.256) p aras mc sua existéncia, pois deixa de perceber importante perceber e trad qu lo que é essencialmente dele. Faz-S espagos para trad Etraduzir o corpo que é parte do self. Abrindo O que está implí o sensibilizamo-nos para tornar explícito também é corporal. Sa rando-nos aware para um processo qué as vivéncias do ser Al informacóes e formacóes que traduzem O que o verbal € o o: Tais mensagens podem simboliza! o verbal contam e desvelam. Entáo, presta! Scanned by CamScanner atengáo na experiencia corporal do cliente auxilia na Ompreensao de que a apropriacio é processo, integragáo e implica responsa bilidade da própria existóncia. Envolve responsabilidade daquilo i que fazemos conosco, em resposta a alguma sibuagáo ou a alguém Esse processo é denominado por Zinker (1977, p.5) de tensáo: A tensáo é algo que vocá faz a 51 mesmo em resposta a algo. Se vocé náo puder sentir suas tensóas claramente, náo poderá perceber que é vocé que as produz. Voltemos á experiéncia corporal e vejamos se nós podemos trazer um senso de eu ainda mais pleno a05 Nossos processos corporais, Percebo algumas mensagens de alienagóes de contato na corporeidade das pessoas que pensam em se matar. Suas dores emocionais e físicas revelam a capacidade de encontrar seu sentido, de conter e manter coisas em vida e revelam também a capacidade para entender que os sentimentos e pensamen- tos sáo expressos pelo corpo, de acordo com sua historicidade e suas experiéncias de convivéncia. Quando o cliente se res- Ponsabiliza pelo que faz consigo, o conceito de saúde se faz presente. Relembrado que a saúde é compreendida como um self “variado e flexivel nas capacidades e qualidades, depen- dendo da demanda particular do organismo e do ambiente” (ZINKER, 1977, p.7). Em oposigáo, quando esta fluidez náo Ocorre e o corpo náo é experimentado como self, existe, conse- quentemente, uma alienacáo da existéncia física e daquilo que é organicamente próprio, incluindo a desapropriagáo também dos sentimentos, das dores, dos movimentos, das ages que sáo partes integrantes do self. Nesse sentido, a diferenciacáo entre aniquilacáo e destruigáo se faz importante. Aniquilar é transformar em nada, rejeitar o objeto e suprimir sua existéncia. A Gestalt completa-se. sem esse objeto. Destruir (desestruturar) é a demoligáo de um todo em fragmentos, para assimilá-los como partes Scanned by CamScanner de intimidade com a concretude que seus corpos revelam. Em F contrapartida, é sempre importante lembrar que o suicidio de um cliente é algo que o terapeuta náo pode prever, Confirma-se, portanto, a ideia de que náo somos treinados para o impacto do suicidio de nossos clientes. Para melhor organizar meu entendimento, apresento trés passos. O primeiro é o de estar consciente e reconhecer os fatores de risco previamente indicados. O segundo está relacionado com a atitude que devemos adotar como tera- peutas, isto é, prestar atencáo, cuidadosamente, ao comporta- mento do cliente e ás dicas que ele pode dar. O terceiro é que, se há uma indicagáo de potencial de suicidio, torna-se vital explorar os problemas do suicidio com o cliente, tanto quanto o terapeuta puder. A respeito deste último passo, Flanagan e Flanagan (1995, p.65) elaboraram algumas informagúes de como conduzir entrevistas de avaliagáo de suicidio nas entre- vistas iniciais: (...) obviamente, uma avaliagáo extensiva de suicidio náo é automaticamente uma porcáo de todas as entrevistas iniciais. Entretanto, em casos em que os clientes exibem características e comportamentos associados com diversos fatores de risco, uma avaliacáo formal de suicidio deve ser integrada na avaliacáo geral das primeiras entrevistas. Em particular, quando avaliarem pacientes suicidas, os entrevistadores devem sefocar na depressáo, na ideacáo suicida, nos planos de suicidio, no nível de autocontrole e na intencáo de suicidio. Nos Estados Unidos, tive a experiéncia de perguntar, aberta e diretamente, sobre a ideagáo suicida e os planos de suicidio, Aprofundar-se com o cliente com comportamento Suicida significa estar totalmente atento ás situagóes que podem contribuir para o suicidio. Scanned by CamScanner 3,3. SrruACOES QUÉ PODEM CONTRIBUIR PARA O SUICIDIO Discorro sobre Os seguintes ¡tens a Serem focados. 3.3.1, Depressáo Dutra (2001, p.34) coloca que “os comportamentos sui- cidas podem ser compreendidos como uma defesa á depres- sáo, enquanto que a depressáo suicidio” É pertinente a pesquisa e a avaliagio da depressáo do cliente. “Dados da OMS indicam que o suicidio geralmente aparece associado a doengas mentais — sendo que a mais comum, atualmente, é a depressáo, responsável por 30% dos casos relatados em todo o mundo” (VOMERO, 2003, p.38). Flanagan e Flanagan (1995, p.43) propóem as seguintes ques- tóes para nortear a investigacáo da depressáo: pode ser uma defesa contra o a) Como vocé descreve o seu humor? b) Quais sentimentos vocé experiencia, mais frequentemente, durante o seu dia? c) Vocé já se sentiu particularmente culpado, triste ou sem esperanga? d) Avalie sua depressáo, hoje, numa escala de 1 a 10 em que 1 significa que vocé está táo depressivo que poderia morrer e 10, que vocé está muito bem. Bongar (1991) propós também outras questóes: a) Vocé Í : ) tem períodos em que se sente desanimado ou deses- e perado, no que se refere ao modo como sua vida está indo? b) Quant Qu 10 tempo duram esses períodos? Quáo frequentes sáo eles? Quáo rui á E Quáo ruins eles sáo? O desespero interfere em Suas atividades diárias, . como sono, concentragáo OU apetite? " , 104 Scanned by CamScanner 3.3.3. Planos de suicídio Flanagan e Flanagan (1995, p.44) trazem como Proposta a seguinte questáo: “Vocé tem falado de modo que, algumas as vezes, pensa que seria melhor para todos se vocé estivesse morto. Vocé já planejou como vocé se mataria, se decidisse Ñ ” seguir seus pensamentos?”. Esse tipo de questionamento oferece-me a sensagáo de que o terapeuta pode obter a informagáo sobre os pensamen- tos suicidas, assim como identificar ou confirmar os riscos do suicidio. 3.3.4. Níveis de autocontrole: investigando o autossuporte Bongar (1991, p.99) indaga seus clientes: “Vocé pode lidar com os sentimentos de querer se matar se eles ocorrerem? Se náo pode, existe algum sistema de suporte que vocé pode procurar para ajudá-lo(a) a lidar com esses sentimentos?”. Em algumas situacóes de desespero e dor, um compor- tamento genérico é associado á falta de controle. Segundo Flanagan e Flanagan (1995, p.45), “o autocontrole do paciente deve ser explorado por completo. Se o paciente já teve pen- samentos suicidas, questóes sobre o que o ajudou a manter O controle sáo úteis”. 3.3.5. Intencáo suicida Essa avaliacáo pode “(...) determinar se o paciente está falando e agindo de maneira que sugere ter intengáo de come- ler suicidio” (p.45). Através dessa avaliacáo, o terapeuta tem a indicacáo da intencáo e do nível do risco de suicídio. Shea (1998, p.426) afirma que “(...) o paciente já terá aceitado 0 COn- vit áo é in 1 "€ Para morrer, A questáo é se o paciente vai decidir compar nar essa decisáo conosco” 106 7 ' data Scanned by CamScanner No meu ponto de vista, essa é uma afirmacáo intrigante, porque reflito sobre as possibilidades que ajudam meus clientes a compartilharem sua decisáo sobre o suicidio. Tais possibili- dades sáo ampliadas quando estabelecemos a relacáo dialógica, pois acredito, que muitas, vezes que o diálogo minimiza o ato. Cabe ressaltar que a inclusáo das questóes propostas por diversos autores deve ser vista como sugestóes que oferecem diregóes para explorar e avaliar as possibilidades de suicidio. Além disso, é preciso entender a realidade mais do que saber- mos das perguntas e técnicas a serem utilizadas, ou seja, pre- cisamos discernir se as perguntas anteriormente propostas sáo pertinentes para O momento. The World Health Organization (2000, p.14) - Organizacáo de Saúde Mental - oferece um estudo que contempla os riscos suicidas, a identificacáo, a avaliagáo e O plano de acáo: Risco SINTOMA IDENTIFICAGAO Ackño 0 _— = 1 Distúrbio Ouvir com emocional. empatia. 2 Ideias vagas Ouvir com sobre morte. empatia. Pensamentos Explorar vagos sobre possibilidades 3 suicidio. e identificar suporte do organismo e no meio ambiente. Ideias suicidas, Explorar mas nenhum possibilidades 4 indício de eidentificar distúrbio suporte. psiquiátrico. 107 Scanned by CamScanner