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h Koans e Contos Zen h
Há uma história indiana de um homem que era um ateu e agnóstico, um raríssimo tipo de postura na Índia. Ele era uma pessoa que desejava livrar-se de todas as formas de ritos religiosos, deixando apenas a essência da direta experiência da Verdade. Ele atraiu discípulos que costumavam se reunir a seu redor toda semana, quando ele falava a todos sobre seus princípios. Após algum tempo eles começaram a se juntar antes do mestre aparecer, porque eles gostavam de estar em grupo e cantar juntos. Eventualmente foi construída uma casa para as reuniões, com uma sala especial para o mestre agnóstico. Após sua morte, tornou-se uma prática entre seus seguidores fazer uma reverência respeitosa para a agora sala vazia, antes de se entrar no salão. Em uma mesa especial a imagem do mestre era mostrada em uma moldura de ouro, e as pessoas deixavam flores e incenso lá, em respeito ao mestre. Em poucos anos uma religião tinha crescido em torno daquele homem, que em vida não praticava nada disso, e que, ao contrário, sempre disse aos seus seguidores que ficar preso a estas práticas levava freqüentemente a pessoa a se iludir no caminho da Verdade.
"Tenhais confiança não no mestre, mas no ensinamento. "Tenhais confiança não no ensinamento, mas no espírito das palavras. "Tenhais confiança não na teoria, mas na experiência. "Não creiais em algo simplesmente porque vós ouvistes. "Não creiais nas tradições simplesmente porque elas têm sido mantidas de geração para geração. "Não creiais em algo simplesmente porque foi falado e comentado por muitos. "Não creiais em algo simplesmente porque está escrito em livros sagrados; não creiais no que imaginais, pensando que um Deus vos inspirou. "Não creiais em algo meramente baseado na autoridade de seus mestres e anciãos. "Mas após contemplação e reflexão, quando vós percebeis que algo é conforme ao que é razoável e leva ao que é bom e benéfico tanto para vós quanto para os outros, então o aceiteis e façais disto a base de sua vida."
Gautama Buddha - Kalama Sutra
Quando curiosamente te perguntarem, buscando saber o que é Aquilo, Não deves afirmar ou negar nada. Pois o que quer que seja afirmado não é a verdade, E o que quer que seja negado não é verdadeiro. Como alguém poderá dizer com certeza o que Aquilo possa ser Enquanto por si mesmo não tiver compreendido plenamente o que É? E, após tê-lo compreendido, que palavra deve ser enviada de uma Região Onde a carruagem da palavra não encontra uma trilha por onde possa seguir? Portanto, aos seus questionamentos oferece-lhes apenas o silêncio, Silêncio - e um dedo apontando o Caminho.
"Verso Zen"
Antes de entendermos o Zen, as montanhas são montanhas e os rios são rios; Ao nos esforçarmos para entender o Zen, as montanhas deixam de ser montanhas e os rios deixam de ser rios; Quando finalmente entendemos o Zen, as montanhas voltam a ser montanhas e os rios voltam a ser rios.
- Uma xícara de Chá Nan-In, um mestre japonês durante a era Meiji (1868-1912), recebeu um professor de universidade que veio lhe inquirir sobre Zen. Este iniciou um longo discurso intelectual sobre suas dúvidas.Nan-In, enquanto isso, serviu o chá. Ele encheu completamente a xícara de seu visitante, e continuou a enchê-la, derramando chá pela borda. O professor, vendo o excesso se derramando, não pode mais se conter e disse: "Está muito cheio. Não cabe mais chá!" "Como esta xícara," Nan-in disse, "você está cheio de suas próprias opiniões e especulações. Como posso eu lhe demonstrar o Zen sem você primeiro esvaziar sua xícara?"
- Uma Parábola Certa vez, disse o Buddha uma parábola:Um homem viajando em um campo encontrou um tigre. Ele correu, o tigre em seu encalço. Aproximando-se de um precipício, tomou as raízes expostas de uma vinha selvagem em suas mãos e pendurou-se precipitadamente abaixo, na beira do abismo. O tigre o farejava acima. Tremendo, o homem olhou para baixo e viu, no fundo do precipício, outro tigre a esperá-lo. Apenas a vinha o sustinha.
Dokuon, que estava fumando pacientemente, nada disse. Subitamente ele acertou Yamaoka na cabeça com seu longo cachimbo de bambu. Isto fez o jovem ficar muito irritado, gritando xingamentos. "Se nada existe," perguntou, calmo, Dokuon, "de onde veio toda esta sua raiva?"
- A Subjugação de um fantasma - Um Exorcismo Zen... Uma jovem e bela esposa caiu doente e finalmente chegou às portas da morte. "Eu te amo tanto," ela disse ao seu marido, "Eu não quero deixar-te. Prometas que não me trocarás por nenhuma outra mulher! Se tu não o fizeres, eu retornarei como um fantasma e te causarei aborrecimentos sem fim!" Logo após, a esposa morreu. O marido procurou respeitar seu último desejo pelos primeiros três meses, mas então ele encontrou outra mulher e se apaixonou. Eles tornaram-se noivos e logo se casariam. Imediatamente após o noivado um fantasma aparecia todas as noites ao homem, acusando-o por não ter mantido sua promessa. O fantasma era esperto, também. Ela lhe dizia tudo o que acontecia e era falado entre ele e sua noiva, mesmo as mais íntimas experiências. Sempre que dava à sua noiva um presente, o fantasma o descrevia em detalhes. Ela até mesmo repetia suas conversas, e isso aborrecia tanto o homem que ele não era capaz de dormir. Alguém o aconselhou a expor seu problema a um mestre Zen que vivia próximo à vila. Enfim, em desespero, o pobre homem foi buscar sua ajuda. "Então sua ex-esposa tornou-se um fantasma e sabe tudo o que você faz," comentou o mestre, meio divertido. "O que quer que você faça ou diga, o que quer que você dê à sua amada, ela sabe. Ela deve ser um fantasma muito sábio... Realmente você deveria admirar tal fantasma! A próxima vez que ela aparecer, barganhe com ela. Diga a ela exatamente o que direi a você..." Naquela noite o homem encontrou o fantasma e disse o que o mestre havia instruído: "Você sabe tanto de mim que eu nada posso esconder-lhe! Se você me responder apenas uma questão, eu lhe prometo desfazer meu noivado e permanecer solteiro." "Na verdade, eu sei que você foi ver um mestre Zen hoje! Diga-me sua questão." Disse o fantasma. O homem levantou sua mão direita fechada e perguntou: "Já que sabes tanto, diga-me apenas quantos feijões eu tenho nesta mão..." Neste exato momento não havia mais nenhum fantasma para responder a questão.
- Verdadeira Riqueza Um homem muito rico pediu a Sengai para escrever algo pela continuidade da prosperidade de sua família, de modo que esta pudesse manter sua fortuna de geração a geração. Sengai pegou uma longa folha de papel de arroz e escreveu: "Pai morre, filho morre, neto morre." O homem rico ficou indignado e ofendido. "Eu lhe pedi para escrever algo pela felicidade de minha família! Porque fizeste uma brincadeira destas?!?" "Não pretendi fazer brincadeiras," explicou Sengai tranqüilamente. "Se
antes de sua morte seu filho morrer, isto iria magoá-lo imensamente. Se seu neto se fosse antes de seu filho, tanto você quanto ele ficariam arrasados. Mas se sua família, de geração a geração, morrer na ordem que eu escrevi, isso seria o mais natural curso da Vida. Eu chamo a isso Verdadeira Riqueza."
- Homem Santo Boatos espalharam-se por toda a região acerca do sábio Homem Santo que vivia em uma pequena casa sobre a montanha. Um homem da vila decidiu fazer a longa e difícil jornada para visitá-lo. Quando chegou na casa, ele viu um simples velho dentro que o recebeu, abrindo a porta. "Eu gostaria de ver o sábio Homem Santo," disse ele ao outro. O velho sorriu e permitiu-o entrar. Enquanto eles caminhavam ao longo da casa, o homem da vila olhava ansiosamente em torno, antecipando seu encontro com um homem considerado um verdadeiro Santo. Mas antes que pudesse dar pela coisa, ele já havia percorrido a extensão da casa e levado para fora. Ele parou e voltou-se para o velho: "Mas eu quero ver o Homem Santo!" "Já o fizeste," disse o velho. "Todos que tu encontras em tua vida, mesmo se eles pareçam simples e insignificantes... veja cada um deles como um sábio Homem Santo. Se fizeres deste modo, então quaisquer que sejam os problemas que trouxestes aqui hoje, serão resolvidos..." E fechou a porta.
- Os Portais do Paraíso Um orgulhoso guerreiro chamado Nobushige foi até Hakuin, e perguntou- lhe: "Se existe um paraíso e um inferno, onde estão?""Quem é você?" perguntou Hakuin."Eu sou um samurai!" o guerreiro exclamou."Você, um guerreiro!" riu-se Hakuin. "Que espécie de governante teria tal guarda? Sua aparência é a de um mendigo!". Nobushige ficou tão raivoso que começou a desembainhar sua espada, mas Hakuin continuou: "Então você tem uma espada! Sua arma provavelmente está tão cega que não cortará minha cabeça..." O samurai retirou a espada num gesto rápido e avançou pronto para matar, gritando de ódio. Neste momento Hakuin gritou: "Acabaram de se abrir os Portais do Inferno!" Ao ouvir estas palavras, e percebendo a sabedoria do mestre, o samurai embainhou sua espada e fez-lhe uma profunda reverência. "Acabaram de se abrir os Portais do Paraíso," disse suavemente Hakuin.
- É mesmo? Uma linda garota da vila ficou grávida. Seus pais, encolerizados, exigiram saber quem era o pai. Inicialmente resistente a confessar, a ansiosa e embaraçada menina finalmente acusou Hakuin, o mestre Zen o qual todos da vila reverenciavam profundamente por viver uma vida digna. Quando os insultados pais confrontaram Hakuin com a acusação de sua filha, ele simplesmente disse: "É mesmo?" Quando a criança nasceu, os pais a levaram para Hakuin, o qual agora era visto como um pária por todos da região. Eles exigiram que ele tomasse conta da criança, uma vez que essa era sua responsabilidade. "É mesmo?" Hakuin disse calmamente enquanto aceitava a criança. Por muitos meses ele cuidou carinhosamente da criança até o dia em que
Quando chegou à vila, seus batedores disseram que ninguém mais estava lá, além do monge. O general foi então ao templo, curioso em saber quem era tal homem. Quando ele lá chegou, o monge não o recebeu com a normal submissão e terror com que ele estava acostumado a ser tratado por todos; isso levou o general à fúria. "Seu tolo!!" ele gritou enquanto desembainhava a espada, "não percebe que você está diante de um homem que pode trucidá-lo num piscar de olhos?!?" Mas o mestre permaneceu completamente tranqüilo. "E você percebe," o mestre replicou calmamente, "que você está diante de um homem que pode ser trucidado num piscar de olhos?"
- O ladrão que se tornou um discípulo Uma noite quando Shichiri Kojun estava recitando sutras um ladrão com uma espada entrou em seu zendo, exigindo seu dinheiro ou a sua vida. Shichiri disse-lhe: "Não me perturbe. Você pode encontrar o dinheiro naquela gaveta." E retomou sua recitação. Um pouco depois ele parou de novo e disse ao ladrão: "Não pegue tudo. Eu preciso de alguma soma para pagar os impostos amanhã." O intruso pegou a maior parte do dinheiro e principiou a sair. "Agradeça à pessoa quando você recebe um presente," Shichiri acrescentou. O homem lhe agradeceu, meio confuso, e fugiu. Poucos dias depois o indivíduo foi preso e confessou, entre outras coisas, a ofensa contra Shichiri. Quando Shichiri foi chamado como testemunha ele disse: "Este homem não é ladrão, ao menos tanto quanto me diz respeito. Eu lhe dei o dinheiro e ele inclusive me agradeceu por isso." Após o homem ter cumprido sua pena, ele foi a Shichiri e tornou-se um de seus discípulos.
- Verdadeira regeneração Ryokan devotou sua vida ao estudo do Zen. Um dia ele ouviu que seu sobrinho, a despeito das advertências de sua família, estava gastando seu dinheiro com uma prostituta. Uma vez que o sobrinho tinha substituído Ryokan na responsabilidade de gerenciar os proventos da família, e os bens desta portanto corriam risco de serem dissipados, os parentes pediram a Ryokan fazer algo. Ryokan teve que viajar por uma longa estrada para encontrar seu sobrinho, o qual ele não via há muitos anos. O sobrinho ficou grato por encontrar seu tio novamente e o convidou a pernoitar em sua casa. Por toda a noite Ryokan sentou em meditação. Quando ele estava partindo na manhã seguinte ele disse ao jovem: "Eu devo estar ficando velho, minhas mãos tremem tanto! Poderia me ajudar a amarrar minha sandália de palha?" O sobrinho o ajudou devotadamente. "Obrigado," disse Ryokan finalmente, "você vê, a cada dia um homem se torna mais velho e frágil. Cuide-se com atenção." Então Ryokan partiu, jamais mencionando uma palavra sobre a cortesã ou as reclamações de seus parentes. Mas, daquela manhã em diante, o esbanjamento do seu neto terminou.
- O Homem rico Um homem queria ficar rico e, todos os dias, ia pedir a Deus que lhe atendesse às súplicas.
Num dia de inverno, ao voltar da oração, avistou, presa no gelo do caminho, uma polpuda carteira de dinheiro. No mesmo instante, julgou-se atendido. Mas como a carteira resistisse aos seus esforços, urinou em cima dela a fim de derreter o gelo que a retinha. E foi então... Que despertou na cama toda molhada...
- Morte de Tokuan Mestre Tokuan (cujo nome significa "pepino") estava morrendo; um discípulo aproximou-se e perguntou-lhe qual era o seu testamento. Takuan respondeu que não tinha testamento; mas o discípulo insistiu:
- Não tendes nada... Nada para dizer?
- A vida não passa de um sonho. E expirou.
- Eremita e a ambição Na China antiga, um eremita meio mágico vivia numa montanha profunda. Um belo dia, um velho amigo foi visitá-lo. Senrin, muito feliz por recebê-lo, ofereceu-lhe um jantar e um abrigo para a noite; na manha seguinte, antes da partida do amigo, quis ofertar-lhe um presente. Tomou de uma pedra e, com o dedo, converteu-a num bloco de ouro puro. O amigo não ficou satisfeito; Senrin apontou o dedo para uma rocha enorme, que também se transformou em ouro. O amigo, porém, continuava sem sorrir.
- Que queres, então? - indagou Senrin. Respondeu-lhe o amigo:
- Corta esse dedo, eu o quero.
- Presente de Insultos Certa vez existiu um grande guerreiro. Ainda que muito velho, ele ainda era capaz de derrotar qualquer desafiante. Sua reputação estendeu-se longe e amplamente através do país e muitos estudantes reuniam-se para estudar sob sua orientação. Um dia um infame jovem guerreiro chegou à vila. Ele estava determinado a ser o primeiro homem a derrotar o grande mestre. Junto à sua força, ele possuía uma habilidade fantástica em perceber e explorar qualquer fraqueza em seu oponente, ofendendo-o até que a este perdesse a concentração. Ele esperaria então que seu oponente fizesse o primeiro movimento, e assim revelando sua fraqueza, e então atacaria com uma força impiedosa e velocidade de um raio. Ninguém jamais havia resistido em um duelo contra ele além do primeiro movimento. Contra todas as advertências de seus preocupados estudantes, o velho mestre alegremente aceitou o desafio do jovem guerreiro. Quando os dois se posicionaram para a luta, o jovem guerreiro começou a lançar insultos ao velho mestre. Ele jogava terra e cuspia em sua face. Por horas ele verbalmente ofendeu o mestre com todo o tipo de insulto e maldição conhecidos pela humanidade. Mas o velho guerreiro meramente ficou parado ali, calmamente. Finalmente, o jovem guerreiro finalmente ficou exausto. Percebendo que tinha sido derrotado, ele fugiu vergonhosamente. Um tanto desapontados por não terem visto seu mestre lutar contra o insolente, os estudantes aproximaram-se e lhe perguntaram: "Como o senhor pôde suportar tantos insultos e indignidades? Como conseguiu derrotá-lo sem ao menos se mover?" "Se alguém vem para lhe dar um presente e você não o aceita," o mestre replicou, "para quem retorna este presente?"
chamou com um grito: "NOVIÇO!" Quando o rapaz se voltou para o Mestre, este perguntou abruptamente : "O que é Buddha?" O discípulo ia levantar o dedo, mas não tinha mais dedo. Neste instante, ele alcançou o Satori.
- Seguindo a corrente Um velho homem bêbado acidentalmente caiu nas terríveis corredeiras de um rio que levavam para uma alta e perigosa cascata. Ninguém jamais tinha sobrevivido àquele rio. Algumas pessoas que viram o acidente temeram pela sua vida, tentando desesperadamente chamar a atenção do homem que, bêbado, estava quase desmaiado. Mas, miraculosamente, ele conseguiu sair salvo quando a própria correnteza o despejou na margem em uma curva que fazia o rio. Ao testemunhar o evento, Kung-tzu (Confúcio) comentou para todas as pessoas que diziam não entender como o homem tinha conseguido sair de tão grande dificuldade sem luta: "Ele se acomodou à água, não tentou lutar com ela. Sem pensar, sem racionalizar, ele permitiu que a água o envolvesse. Mergulhando na correnteza, conseguiu sair da correnteza. Assim foi como conseguiu sobreviver."
- O Sonho Certa vez o mestre taoísta Chuang Tzu sonhou que era uma borboleta, voando alegremente aqui e ali. No sonho ele não tinha mais a mínima consciência de sua individualidade como pessoa. Ele era realmente uma borboleta. Repentinamente, ele acordou e descobriu-se deitado ali, um pessoa novamente. Mas então ele pensou para si mesmo: "Fui antes um homem que sonhava ser uma borboleta, ou sou agora uma borboleta que sonha em ser um homem?"
- Egoísmo O Primeiro Ministro da Dinastia Tang era um herói nacional pelo seu sucesso tanto como homem de estado quanto como líder militar. Mas a despeito de sua fama, poder e riqueza, ele se considerava um humilde e devoto Buddhista. Freqüentemente ele visitava seu mestre Zen favorito para estudar com ele, e eles pareciam se dar muito bem. O fato de que ele era primeiro ministro aparentemente não tinha efeito em sua relação, que parecia ser simplesmente a de um reverendo mestre e seu respeitoso estudante. Um dia, durante sua visita usual, o Primeiro Ministro perguntou ao mestre, "Mestre, o que é o egoísmo de acordo com o Buddhismo?" O rosto do mestre ficou vermelho, e num tom de voz extremamente desdenhoso e insultuoso ele gritou em resposta: "Que tipo de pergunta estúpida é esta?!?" Tal resposta tão inesperada chocou tanto o Primeiro Ministro que este tornou-se imediatamente arrogante e com raiva: "Como ousa me tratar assim?" Neste momento o mestre Zen sorriu e disse: "ISTO, Sua Excelência, é egoísmo..."
- Conhecendo os Peixes Certa vez Chuang Tzu e um amigo caminhavam à margem de um rio. "Veja os peixes nadando na corrente," disse Chuang Tzu, "Eles estão
realmente felizes..." "Você não é um peixe," replicou arrogantemente seu amigo, "Então você não pode saber se eles estão felizes." "Você não é Chuang Tzu," disse Chuang Tzu, "Então como você sabe que eu não sei que os peixes estão felizes?"
- Plena Atenção Após dez anos de aprendizagem, Tenno atingiu o título de mestre Zen. Num dia chuvoso, ele foi visitar o famoso mestre Nan-In. Quando ele entrou no mosteiro, o mestre recebeu-o com uma questão, "Você deixou seus tamancos e seu guarda-chuva no alpendre?" "Sim", Tenno replicou. "Diga-me então," o mestre continuou, "você colocou seu guarda-chuva à esquerda de seu calçado, ou à direita?" Tenno não soube como responder ao koan, percebendo afinal que ele ainda não tinha alcançado a plena atenção. Então ele tornou-se aprendiz de Nan-In e estudou sob sua orientação por mais dez anos.
- Concentração Após ganhar vários torneios de Arco e Flecha, o jovem e arrogante campeão resolveu desafiar um mestre Zen que era renomado pela sua capacidade como arqueiro. O jovem demonstrou grande proficiência técnica quando ele acertou em um distante alvo na mosca na primeira flecha lançada, e ainda foi capaz de dividi-la em dois com seu segundo tiro. "Sim!", ele exclamou para o velho arqueiro, "Veja se pode fazer isso!" Imperturbável, o mestre não preparou seu arco, mas em vez disso fez sinal para o jovem arqueiro segui-lo para a montanha acima. Curioso sobre o que o velho estava tramando, o campeão seguiu-o para o alto até que eles alcançaram um profundo abismo atravessado por uma frágil e pouco firme tábua de madeira. Calmamente caminhando sobre a insegura e certamente perigosa ponte, o velho mestre tomou uma larga árvore longínqua como alvo, esticou seu arco, e acertou um claro e direto tiro. "Agora é sua vez," ele disse enquanto ele suavemente voltava para solo seguro. Olhando com terror para dentro do abismo negro e aparentemente sem fim, o jovem não pôde forçar a si mesmo caminhar pela prancha, muito menos acertar um alvo de lá. "Você tem muita perícia com seu arco," o mestre disse, percebendo a dificuldade de seu desafiante, "mas você tem pouco equilíbrio com a mente que deve nos deixar relaxados para mirar o alvo."
- Professor de Sino Um novo estudante aproximou-se do mestre Zen e perguntou-lhe como ele poderia absorver seus ensinamentos de forma correta. "Pense em mim como um sino," o mestre explicou. "Me dê um suave toque, e eu irei lhe dar um pequeno tinido. Toque-me com força e você receberá um alto e profundo badalo."
- O Elefante e a Pulga Roshi Kapleau (um mestre Zen moderno) concordou em falar a um grupo de psicanalistas sobre Zen. Após ser apresentado ao grupo pelo diretor do instituto analítico, o Roshi quietamente sentou-se sobre uma almofada colocada sobre o chão. Um estudante entrou, prostrou-se diante do mestre, e então sentou-se em outra almofada próxima, olhando seu professor. "O que é Zen?" o estudante perguntou. O Roshi pegou uma banana,
"Muito bem," disse o intelectual, levantou-se e começou a sair para a escuridão do corredor. O mestre veio de dentro do salão e comentou: "Está muito escuro, tome, leve esta vela acesa," e lhe passou uma das velas acesas do altar. Quando Hsüen-chien pegou a vela trazida pelo mestre, Longtan subitamente assoprou-a, apagando a luz e deixando ambos silenciosos em meio à escuridão. Neste momento Hsüan-chien atingiu o Satori. No dia seguinte, levou todos seus livros e comentários para o pátio e os queimou.
- Obra de Arte Um mestre em caligrafia escreveu alguns ideogramas em uma folha de papel. Um dos seus mais especialmente sensíveis estudantes estava observando. Quando o artista terminou, ele perguntou a opinião do seu pupilo - que imediatamente lhe disse que não estava bom. O mestre tentou novamente, mas o estudante criticou também o novo trabalho. Várias vezes, o mestre cuidadosamente redesenhou os mesmos ideogramas, e a cada vez seu estudante rejeitava a obra. Então, quando o estudante estava com sua atenção desviada por outra coisa e não estava olhando, o mestre aproveitou o momento e rapidamente apagou os caracteres que havia escrito no último trabalho, deixando a folha em branco. "Veja! O que acha?," ele perguntou. O Estudante então virou-se e olhou atentamente. "ESTA... é verdadeiramente uma obra de arte!", exclamou. (Uma lenda diz que este é o conto que descreve a criação de arte do mestre Kosen, que por sua vez foi usada para criar o entalhe em madeira das palavras "O Primeiro Princípio", que ornamentam o portão do Templo Obaku em Kyoto).
- Buscando por Buddha Um monge pôs-se a caminho de uma longa peregrinação para encontrar Buddha. Ele levou muitos anos em sua busca até alcançar a terra onde dizia-se que vivia Buddha. Ao cruzar o sagrado rio que cortava este país, o monge olhava em torno enquanto o barqueiro conduzia o bote. Ele percebeu algo flutuando em sua direção. Quando o objeto chegou mais perto, ele viu que era um cadáver - e que o morto era ele mesmo! O monge perdeu todo o controle e deu um grito de dor à visão de si mesmo, rígido e sem vida, flutuando suavemente na corrente do grande rio. Neste instante percebeu que ali estava começando sua busca pela liberação... E então ele soube definitivamente que sua procura por Buddha havia terminado.
- O Agora Um guerreiro japonês foi capturado pelos seus inimigos e jogado na prisão. Naquela noite ele sentiu-se incapaz de dormir pois sabia que no dia seguinte ele iria ser interrogado, torturado e executado. Então as palavras de seu mestre Zen surgiram em sua mente: "O "amanhã" não é real. É uma ilusão. A única realidade é "AGORA. O verdadeiro sofrimento é viver ignorando este Dharma". Em meio ao seu terror subitamente compreendeu o sentido destas palavras, ficou em paz e dormiu tranqüilamente.
- Nada santo Certa vez Bodhidharma foi levado à presença do Imperador Wu, um
devoto benfeitor buddhista, que ansiava receber a aprovação de sua generosidade pelo sábio. Ele perguntou ao mestre: "Nós construímos templos, copiamos os sutras sagrados, ordenamos monges e monjas. Qual o mérito, reverenciado Senhor, da nossa conduta?" "Nenhum mérito, em absoluto", disse o sábio. O Imperador, chocado e algo ofendido, pensou que tal resposta com certeza estava subvertendo todo o dogma buddhista, e tornou a perguntar: "Então qual é o Santo Dharma, o Primeiro Princípio?" "Um vasto Vazio, sem nada santo dentro dele", afirmou Bodhidharma, para a surpresa do Imperador. Este ficou furioso, levantou-se e fez sua última pergunta: "Quem és então, para ficares diante de mim como se fosse um sábio?" "Eu não sei, Majestade", replicou o sábio, que assim tendo dito virou-se e foi embora.
- Onde está sua mente? Finalmente, após muitos sofrimentos, Shang Kwang foi aceito por Bodhidharma como seu discípulo. O jovem então perguntou ao mestre: "Eu não tenho paz de espírito. Gostaria de pedir, Senhor, que pacificasse minha mente." "Ponha sua mente aqui na minha frente e eu a pacificarei!" replicou Bodhidharma. "Mas... é impossível que eu faça isso!" afirmou Shang Kwang. "Então já pacifiquei a sua mente.", conclui o sábio.
- A prática faz a perfeição Um estudante de canto de ópera dramática treinou sob um rígido professor que insistia que ele recitasse dia após dia, mês após mês o mesmo trecho da mesma canção, sem jamais ser permitido ir adiante. Finalmente, oprimido pela frustração e desespero, o jovem fugiu em busca de outra profissão. Uma noite, parando em uma estalagem, ele encontrou por acaso o anúncio de uma competição de recitação. Não tendo nada a perder, ele entrou na competição e, é claro, cantou a única passagem que ele conhecia tão bem. Quando ele terminou, o patrocinador da competição congratulou- o efusivamente sua performance. A despeito das embaraçadas objeções do estudante, recusou-se a acreditar que havia escutado um cantor principiante. "Diga-me," perguntou o patrocinador, "quem é seu instrutor? Ele deve ser um grande mestre!" O estudante mais tarde tornou-se conhecido como o grande cantor japonês Koshiji.
- O Paraíso Duas pessoas estavam perdidas no deserto. Elas estavam morrendo de inanição e sede. Finalmente, eles avistaram um alto muro. Do outro lado eles podiam ouvir o som de quedas d'água e pássaros cantando. Acima eles podiam ver os galhos de uma árvore frutífera atravessando e pendendo sobre o muro. Seus frutos pareciam deliciosos. Um dos homens subiu o muro e desapareceu no outro lado. O outro, em vez disso, saciou sua fome com as frutas que sobressaíam da árvore ali mesmo, e retornou ao deserto para ajudar outros perdidos a encontrar o caminho para o oásis.
- Gato Ritual - Complicando o que é simples Quando um mestre espiritual e seus discípulos começavam sua meditação do anoitecer, o gato que vivia no Monastério fazia tanto barulho que os
"Nem a flâmula nem o vento estão se movendo," disse, "É a MENTE que se move."
- O Quebrador de Pedras Era uma vez um simples quebrador de pedras que estava insatisfeito consigo mesmo e com sua posição na vida. Um dia ele passou em frente a uma rica casa de um comerciante. Através do portal aberto, ele viu muitos objetos valiosos e luxuosos e importantes figuras que freqüentavam a mansão. "Quão poderoso é este mercador!" pensou o quebrador de pedras. Ele ficou muito invejoso disso e desejou que ele pudesse ser como o comerciante. Para sua grande surpresa ele repentinamente tornou-se o comerciante, usufruindo mais luxos e poder do que ele jamais tinha imaginado, embora fosse invejado e detestado por todos aqueles menos poderosos e ricos do que ele. Um dia um alto oficial do governo passou à sua frente na rua, carregado em uma liteira de seda, acompanhado por submissos atendentes e escoltado por soldados, que batiam gongos para afastar a plebe. Todos, não importa quão ricos, tinham que se curvar à sua passagem. "Quão poderoso é este oficial!" ele pensou. "Gostaria de poder ser um alto oficial!" Então ele tornou-se o alto oficial, carregado em sua liteira de seda para qualquer lugar que fosse, temido e odiado pelas pessoas à sua volta. Era um dia de verão quente, e o oficial sentiu-se muito desconfortável na suada liteira de seda. Ele olhou para o Sol. Este fulgia orgulhoso no céu, indiferente pela sua reles presença abaixo. "Quão poderoso é o Sol!" ele pensou. "Gostaria de ser o Sol!" Então ele tornou-se o Sol. Brilhando ferozmente, lançando seus raios para a terra sobre tudo e todos, crestando os campos, amaldiçoado pelos fazendeiros e trabalhadores. Mas um dia uma gigantesca nuvem negra ficou entre ele e a terra, e seu calor não mais pôde alcançar o chão e tudo sobre ele. "Quão poderosa é a nuvem de tempestade!" ele pensou "Gostaria de ser uma nuvem!" Então ele tornou-se a nuvem, inundando com chuva campos e vilas, causando temor a todos. Mas repentinamente ele percebeu que estava sendo empurrado para longe com uma força descomunal, e soube que era o vento que fazia isso. "Quão poderoso é o Vento!" ele pensou. "Gostaria de ser o vento!" Então ele tornou-se o vento de furacão, soprando as telhas dos telhados das casas, desenraizando árvores, temido e odiado por todas as criaturas na terra. Mas em determinado momento ele encontrou algo que ele não foi capaz de mover nem um milímetro, não importasse o quanto ele soprasse em sua volta, lançando-lhe rajadas de ar. Ele viu que o objeto era uma grande e alta rocha. "Quão poderosa é a rocha!" ele pensou. "Gostaria de ser uma rocha!" Então ele tornou-se a rocha. Mais poderoso do que qualquer outra coisa na terra, eterno, inamovível. Mas enquanto ele estava lá, orgulhoso pela sua força, ele ouviu o som de um martelo batendo em um cinzel sobre uma dura superfície, e sentiu a si mesmo sendo despedaçado. "O que poderia ser mais poderoso do que uma rocha?!?" pensou surpreso. Ele olhou para baixo de si e viu a figura de um quebrador de pedras.
- Talvez
Há um conto Taoísta sobre um velho fazendeiro que trabalhou em seu campo por muitos anos. Um dia seu cavalo fugiu. Ao saber da notícia, seus vizinhos vieram visitá-lo. "Que má sorte!" eles disseram solidariamente. "Talvez," o fazendeiro calmamente replicou. Na manhã seguinte o cavalo retornou, trazendo com ele três outros cavalos selvagens. "Que maravilhoso!" os vizinhos exclamaram. "Talvez," replicou o velho homem. No dia seguinte, seu filho tentou domar um dos cavalos, foi derrubado e quebrou a perna. Os vizinhos novamente vieram para oferecer sua simpatia pela má fortuna. "Que pena," disseram. "Talvez," respondeu o fazendeiro. No próximo dia, oficiais militares vieram à vila para convocar todos os jovens ao serviço obrigatório no exército, que iria entrar em guerra. Vendo que o filho do velho homem estava com a perna quebrada, eles o dispensaram. Os vizinhos congratularam o fazendeiro pela forma com que as coisas tinham se virado a seu favor. O velho olhou-os, e com um leve sorriso disse suavemente: "Talvez."
- Cipreste Um monge perguntou ao mestre: "Qual o significado de Dharma-Buddha?" O mestre apontou e disse: "O cipreste no jardim." O monge ficou irritado, e disse: "Não, não! Não use parábolas aludindo a coisas concretas! Quero uma explicação intelectual clara do termo!" "Então eu não vou usar nada concreto, e serei intelectualmente claro," disse o mestre. O monge esperou um pouco, e vendo que o mestre não iria continuar fez a mesma pergunta: "Então? Qual o significado de Dharma-Buddha?" O mestre apontou e disse: "O cipreste no jardim."
- Chá ou Paulada Certa vez Hakuin contou uma estória: "Havia uma velha mulher que tinha uma casa de chá na vila. Ela era uma grande conhecedora da cerimônia do chá, e sua sabedoria no Zen era soberba. Muitos estudantes ficavam surpresos e ofendidos que uma simples velha pudesse conhecer o Zen, e iam à vila para testá-la e ver se isso era mesmo verdade. "Toda vez que a velha senhora via monges se aproximando, ela sabia se eles vinham apenas para experimentar o seu chá, ou para testá-la no Zen. Àqueles que vinham pelo chá ela servia gentil e graciosamente, encantando-os. Àqueles que vinham tentar saber de seu conhecimento do Zen, ela escondia-se até que o monge chegasse à porta e então lhe batia com um tição. "Apenas um em cada dez conseguiam escapar da paulada..."
- Os Poderes Sobrenaturais Certa manhã, o Mestre Daie, ao levantar-se, chamou seu discípulo Gyozan e lhe disse: "Vamos fazer uma disputa para saber quem de nós dois possui mais poderes sobrenaturais?"
Havia um certo Monastério Soto Zen que era muito rígido. Seguindo um estrito voto de silêncio, a ninguém era permitido falar. Mas havia uma pequena exceção a esta regra: a cada 10 anos os monges tinham permissão de falar apenas duas palavras. Após passar seus primeiros dez anos no Monastério, um jovem monge foi permitido ir ao monge Superior. "Passaram-se dez anos," disse o monge Superior. "Quais são as duas palavras que você gostaria de dizer?" "Cama dura..." disse o jovem. "Entendo..." replicou o monge Superior. Dez anos depois, o monge retornou à sala do monge Superior. "Passaram-se mais dez anos," disse o Superior. "Quais são as duas palavras que você gostaria de dizer?" "Comida ruim..." disse o monge. "Entendo..." replicou o Superior. Mais dez anos se foram e o monge uma vez mais encontrou-se com o seu Superior, que perguntou: "Quais são as duas palavras que você gostaria de dizer, após mais estes dez anos?" "Eu desisto!" disse o monge. "Bem, eu entendo o porquê," replicou, cáustico, o monge Superior. "Tudo o que você sempre fez foi reclamar!" (Este é um conto comum em alguns locais Soto ocidentais. Não existe certeza se é um conto Zen original. Como muitas anedotas, esta aqui nos faz rir, mas também nos encoraja a refletir sobre o quê há de engraçado nisso tudo...)
- Aranha Um conto Tibetano fala de um estudante de meditação que, enquanto meditava em seu quarto, pensava ver uma assustadora aranha descendo à sua frente. A cada dia a criatura ameaçadora retornava cada vez maior em tamanho. Tão terrificado estava o estudante que finalmente foi ao seu professor para relatar o seu dilema: "Não posso continuar meditando com tal ameaça sobre mim," disse ele tremendo de pavor. "Vou guardar uma faca em meu colo durante a meditação, de forma que quando a aranha aparecer eu possa matá-la!" O professor advertiu-o contra esta idéia: "Não faça isso. Faça como eu lhe digo: leve um pedaço de carvão na sua meditação, e quando a aranha aparecer, marque um 'X' em sua barriga. Depois disso venha até mim." O estudante retornou à sua meditação. Quando a aranha novamente apareceu, ele lutou contra o impulso de atacá-la e em vez disso fez como o mestre sugeriu. Então correu para a sala de dele, gritando: "Eu a marquei na barriga! Fiz o que me pediu! O que faço agora?" O professor olhou-o e falou: "Levante a túnica e olhe para sua própria barriga." Ao fazer isso, o estudante viu o "X" que havia feito.
- Meditação e Macacos Um homem estava interessado em aprender meditação. Foi até um zendo (local de prática meditativa zen) e bateu na porta. Um velho professor o atendeu: "Sim?" "Bom dia meu senhor," começou o homem. "Eu gostaria de aprender a fazer meditação. Como eu sei que isso é difícil e muito técnico, eu procurei
estudar ao máximo, lendo livros e opiniões sobre o que é meditação, suas posturas, etc... Estou aqui porque o senhor é considerado um grande professor de meditação. Gostaria que o senhor me ensinasse." O velho ficou olhando o homem enquanto este falava. Quando terminou, o professor disse: "Quer aprender meditação?" "Claro! Quero muito?" exclamou o outro. "Estudou muito sobre meditação?", disse um tanto irônico. "Fiz o máximo que pude..." afirmou o homem. "Certo," replicou o velho. "Então vá para casa e faça exatamente isso: NÃO PENSE EM MACACOS." O homem ficou pasmo. Nunca tinha lido nada sobre isso nos livros de meditação. Ainda meio incerto, perguntou: "Não pensar em macacos? É só isso?" "É só isso." "Bem isso é simples de fazer" pensou o homem, e concordou. O professor então apenas completou: "Ótimo. Volte amanhã," e bateu a porta. Duas horas depois, o professor ouviu alguém batendo freneticamente a porta do zendo. Ele abriu-a, e lá estava de novo o mesmo homem. "Por favor me ajude!" exclamou aflito "Desde que o senhor pediu para que eu não pensasse em macacos, não consegui mais deixar de me preocupar em NÃO PENSAR NELES!!!! Vejo macacos em todos os cantos!!!!"
- O Eu Verdadeiro Um homem muito perturbado foi até um mestre Zen, apresentou-se e disse: "Por favor, Mestre, eu me sinto desesperado! Não sei quem eu sou. Sempre li e ouvi falar sobre o Eu Superior, nossa verdadeira Essência Transcendental, e por muitos anos tentei atingir esta realidade profunda, sem nunca ter sucesso! Por favor mostre-me meu Eu Verdadeiro!" Mas o professor apenas ficou olhando para longe, em silêncio, sem dar nenhuma resposta. O homem começou a implorar e pedir, sem que o mestre lhe desse nenhuma atenção. Finalmente, banhado em lágrimas de frustração, o homem virou-se e começou a se afastar. Neste momento o mestre chamou-o pelo nome, em voz alta. "Sim?" replicou o homem, enquanto se virava para fitar o sábio. "Eis o seu verdadeiro Eu." disse o mestre.
- Ansiando por Deus Um sábio estava meditando à margem de um rio quando um homem jovem, um tanto entusiasmado, o interrompeu. "Mestre, eu desejo ser seu discípulo!", disse o jovem. "Por quê?" replicou o sábio. O jovem era uma pessoa que sempre ouviu falar dos caminhos espirituais, e tinha uma idéia fantasiosa e romântica deles. Em sua imaturidade, ele achava que ser "espiritual" era algo como participar de um movimento, de uma crença, de uma moda, sem grandes conseqüências. Ele então pensou numa resposta bem "profunda" e disse: "Porque eu quero encontrar DEUS!" O sábio pulou de onde estava, agarrou o rapaz pelo cangote, arrastou-o até o rio e mergulhou sua cabeça sob a água. Manteve-o lá por quase um minuto, sem permitir que respirasse, enquanto o terrificado rapaz chutava e lutava para se libertar. Finalmente o mestre o puxou da água e o arrastou