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bioquimica pesquisa
Tipologia: Esquemas
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CB Virtual 2
COORDENAÇÃO DO CURSO DE LICENCIATURA EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS À DISTÂNCIA Caixa Postal 5046– Campus Universitário - 58.051-900 – João Pessoa Fone: 3216-7838 e 8832- Home-page: portal.virtual.ufpb.br/biologia
Reitor
Rômulo Soares Polari
Pró-Reitor de Graduação
Valdir Barbosa Bezerra
UFPB Virtual
Coordenador
Renata Patrícia Jerônymo Moreira Edson de Figueiredo Lima Junior
Centro de Ciências Exatas e da Natureza
Diretor
Antônio José Creão Duarte
Departamento de Sistemática e Ecologia
Chefe
Juraci Alves de Melo
Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas à Distância
Coordenador
Rafael Angel Torquemada Guerra
Coordenação de Tutoria
Diego Bruno Milanês Lopes
Coordenação Pedagógica
Isolda Ayres Viana Ramos
Coordenação de Estágio
Paulo César Geglio
Coordenação de TCC
José Vaz Neto
Apoio de Designer Instrucional
Luizângela da Fonseca Silva
Artes, Design e Diagramação
Romulo Jorge Barbosa da Silva
Apoio Áudio Visual
Edgard Adelino Ruiz Sibrão
BIOQUÍMICA METABÓLICA
Para que as moléculas da alimentação sejam aproveitadas pelo organismo, é necessário que sejam degradadas e absorvidas pelo trato digestivo, levadas pela corrente sanguínea até os órgãos competentes da metabolização. A presença de alimento na boca, a simples visão, pensamento ou o cheiro do alimento estimulam a produção de saliva, sendo assim a digestão dos alimentos começa na boca pela amilase salivar. A passagem do bolo alimentar no sistema digestivo estimula a secreção e ação de hormônios pelo pâncreas e fígado que estão ligados aos processos digestivos. No suco gástrico, o pepsinogênio (forma inativa) é transformado em pepsina (ativa) pela ação do baixo pH. A maquinaria enzimática é quase toda secretada pelo pâncreas e pelo fígado no duodeno. O pâncreas também é responsável pela neutralização do pH para que as enzimas possam atuar em seu pH ótimo por volta de 7,2 ( Figura 1, Tabela. 1 ).
Figura 1 -Sinalização hormonal sobre o fígado e o pâncreas
Tabela. 1. Produção hormonal, órgãos excretores e órgãos alvo. Hormônio Local de produção Órgão alvo Função Gastrina (1) estômago estômago Estimula a produção de suco gástrico. Secretina (2) intestino delgado pâncreas Estimula a liberação de bicarbonato.
Colecistocinina (3,4) intestino delgado pâncreas e vesícula biliar
Estimula a liberação da bile pela vesícula biliar e a liberação de enzimas pancreáticas. Enterogastrona (5) intestino delgado estômago Inibe o peristaltismo estomacal e a produção de gastrina.
Todo alimento depois que é digerido e suas unidades absorvidas e metabolizadas, a energia produzida é aproveitada na forma de ATP ( Figura 2).
Figura 2. Digestão, catabolismo e aproveitamento das moléculas.
¾ Metabolismo é o conjunto de reações químicas que ocorrem nas células e que lhe permitem manter-se viva, crescer e dividir-se. O metabolismo divide-se classicamente em:
ACETIL - CoA
¾ β-oxidação dos ácidos graxos - transformação de ácidos graxos em acetil-CoA, para posterior utilização pelo ciclo de Krebs. ¾ Neoglicogênese - síntese de glicose a partir de moléculas não glicolíticas, para posterior utilização pelos órgãos glicodependentes, como o cérebro, miocárdio e glóbulos vermelhos.
2. GLICÓLISE OU VIA GLICOLÍTICA
2.1. ETAPAS E REAÇÕES
Essa via ocorre por anaerobiose e é um processo pelo qual uma hexose, a molécula de glicose, é oxidada a duas moléculas de piruvato. Esse processo é realizado em duas etapas: a primeira em que se trata da fosforilação da glicose para que seja mantido preso na célula onde é oxidada à Gliceraldeido-3P e à Dihidroxiacetona-P. Nessa primeira etapa só há gasto de energia. A segunda, a Dihidroxiacetona-P é transformada em Gliceraldeido-3P para continuar a via. As duas moléculas de Gliceraldeido-3P são transformadas em duas moléculas de piruvato. Nessa segunda etapa há compensação da energia perdida na primeira etapa e apresenta um saldo positivo de ATP ( Figura 3).
Figura 3 – Passos e etapas da glicólise. As reações 1, 3 e 8 são irreversíveis.
**Glicose ATP ADP 1 Glicose-6P 2 Frutose-6P ATP ADP 3 Frutose-1,6biP 4 Gliceraldeido-3P
Dihidroxiacetona-P NAD+**^ DAH+ H+ 1,3bi-P glicerato 5 ADP ATP 3-P glicerato 6 2-P Glicerato 7 P-enolpiruvato ADP ATP 8 Piruvato
Primeira etapa A glicose ao entrar na célula é fosforilada com a finalidade de ser mantida presa e ser destinada a entrar na via glicolítica. Nessa etapa da via há gasto de energia, duas moléculas de ATP, processo a molécula de hexose sofre a preparação para a quebra em duas em duas trioses. A dihidroxiacetona-P é convertida em Gliceraldeído-3P e as duas moléculas continuam na via.
Segunda etapa Nessa etapa há a reposição da energia gasta na primeira etapa, com a produção de duas moléculas de ATP a qual é contada duas vezes. São produzidas também duas moléculas de NADH+H +^ , as quais são utilizadas quando o piruvato é convertido a lactato ou etanol, no citosol (aerobiose) ou podem ser direcionadas para a mitocôndria para fazerem parte da cadeia de transporte de elétrons para produção de ATP (aerobiose) Creu. F. Santos
Na via glicolítica (citosol), a molécula de glicose (6 carbonos) é convertida em duas moléculas de piruvato de 3 carbonos como visto nas reações da Figura 4.
Figura 4. Reações da via glicolítica.
A via glicolítica em geral é estimulada pela insulina. No fluxo metabólico, através da glicólise existem três pontos de regulação que são as etapas irreversíveis onde estão envolvidas as enzimas abaixo: A Hexoquinase é inibida pelo próprio produto, glicose-6-P.
A Fosfofrutoquinase I é inibida por ATP e por citrato, o qual sinaliza a abundância de intermediários do ciclo de Krebs. É também inibida por H+, o que é importante em situações de anaerobiose, na qual a fermentação produz ácido láctico, o que faz baixar o pH. Provavelmente este mecanismo impede que nestas situações, a célula esgote toda a sua reserva de ATP na reação da fosfofrutoquinase, o que impediria a ativação da glicose pela hexoquinase. É estimulada pelo substrato frutose-6-fosfato, AMP e ADP que sinalizam falta de energia disponível. Essa etapa é regulada negativamente pela Fosfrutoquinase II através do glucagon. A Piruvato Quinase inibida por ATP e por acetil-CoA e também pelo glucagon.
glicólise. Ao contrário do que muitos pensam não é o acúmulo de lactato no músculo que causa dor e fadiga muscular, mas o
acúmulo do acetato gerado glicolidicamente. Os músculos são capazes de manter a carga de trabalho na presença de lactato, se o pH for mantido constante. Para obtenção de energia sob a forma de adenosina trifosfato (ATP), a glicose é convertida a piruvato através da glicólise. Durante o metabolismo aeróbio normal, o piruvato é então oxidado pelo oxigênio, onde o produto gerado é CO 2 e H 2 O. Durante um curto período de intenso esforço físico, a distribuição de oxigênio aos tecidos musculares pode não ser suficiente para oxidar totalmente o piruvato. Nestes casos, a glicose é convertida a piruvato e depois a lactato, através da via da fermentação láctica, onde os músculos obtêm ATP sem recorrer ao oxigênio.
Figura 5. Representação do Ciclo de Cori. A seta laranja mostra a direção das reações metabólicas envolvidas no ciclo numa situação de esforço físico. A vermelha, as reações que ocorrem no período de reoxigenação no estado de descanso.
a ) Respiração aeróbica A respiração aeróbica envolve a glicólise e o ciclo do ácido tricarboxílico (ciclo de Krebs). O piruvato é completamente degradado a dióxido de carbono (CO 2 ) e, nesse processo, o NAD é convertido a NADH + H +. Desta forma, na fermentação aeróbica, o NADH é gerado a partir de duas rotas: a glicólise e o ciclo de Krebs, para gerar ATP na cadeia de transporte de elétrons. A fosforilação oxidativa converte o excesso de NADH + H +^ à NAD+ e, no processo, produz moléculas de ATP como forma de energia a ser armazenada. Nesse processo estão envolvidos outros pares redoxes como veremos adiante. A conversão de oxigênio à água é o passo final deste processo através do par redox 2 H +^ + ½ O 2. Portanto, a respiração celular aeróbica tem como objetivo principal produzir energia a partir da decomposição de glicídios, gorduras e aminoácidos, utilizando para tal, o oxigênio.
b) Entrada do piruvato na mitocôndria Pelo processo aeróbio o piruvato entra na mitocôndria e é transformado em Acetil-CoA ( Figura 6 ). Há também a participação de NAD+ que se transforma em NADH + H+ ao capturar H+ do piruvato para produção do Acetil-CoA, já na mitocôndria. Essa reação é realizada pelo complexo piruvato- desidrogenase e é uma etapa intermediária entre a glicólise e o Ciclo de Krebs. Como são
formadas 2 moléculas de piruvato, a partir de uma molécula de glicose, então são formadas duas moléculas de Acetil-CoA e duas de NADH+ H+. Essas moléculas de Acetil-CoA entram no Ciclo de Krebs ou Ciclo do Ácido Cítrico, em condensação com o oxaloacetato, resultando no citrato.
Figura 6. Etapa intermediária entre a via glicolítica e o ciclo de Krebs realizada na mitocôndria.
Exercícios
Discussão
Por que a glicose-6-P é transformada em frutose-6-P, na via glicolítica?
As moléculas iniciantes do Ciclo de Krebs são Acetil-CoA e Oxaloacetato ( Figura 08 e 09 ).
Figura 8. Etapas do Ciclo de Krebs (As etapas 1, 4, 6*** são irreversíveis).
Figura 9. Esquema resumido do Ciclo de Krebs.
NADH
NADH
NADH
GTP/ATP
FADH 2
Glicose
Piruvato CoA-SH
NADH + H+
NAD+
CO 2 Descarboxilação oxidativa O S CoA H 3 C Acetil-CoA
CoA-SH
H 2 O
Citrato-sintase COO H H HO COO H H COO
Citrato H 2 O COO H COO H H COO
n
COO H COO H H COO
Aconitase
H 2 O Aconitase COO H H HO COO HO H COO
NAD+ NADH + H+
COO H H HO COO COO
O
n
COO H H HO COO COO
O
n Oxalossuccinato
COO H H
COO
O
H H
α-Cetoglutarato Isocitrato-desidrogenase Isocitrato- descarboxilase
CO 2
CoA-SH
NAD+
NADH + H+
COO H H
S
O
H H CoA
Succinil CoA
α-Cetoglutarato- desidrogenase
Pi
GDP CoA-SH GTP
COO H H COO
H H
Succinato
FADH 2
Succinil-CoA-sintase
FAD
OOC H H COO-
Fumarase Succinato- desidrogenase
COO HO H H H COO
L-Malato
H 2 O Fumarase
NAD+
**NADH
Malato desidrogenase
COO H H COO
O
Oxaloacetato
Ciclo de Krebs
Complexo piruvato desidrogenase
2
3
5
7
8
9
Antonio Lins
A acetil-CoA pode ser proveniente também de outras fontes além da via glicolítica como da oxidação de proteínas e lipídeos. Iniciando o ciclo de Krebs, 2 moléculas de Acetil-CoA provenientes de uma molécula de glicose se condensam com número equivalente de oxaloacetato originando a liberação de CoA, duas moléculas de citrato e duas moléculas de CO 2. A liberação de H+^ de intermediários das reações do ciclo é capturada por moléculas de NAD +^ que passam para sua forma reduzida NADH + H+^ e capturados por molécula FAD +^ passando a FADH 2. Acontece também a transformação da molécula de GDP em GTP a qual é desfosforilada por ADP dando ATP. Esse ATP assim como os produzidos na via glicolítica são os ATPs formados ao nível de substrato e fora da cadeia de transporte de elétrons. Os elétrons capturados pelas moléculas de NAD+^ e de FAD+^ são direcionados para a cadeia de transporte de elétrons que, acoplada a fotofosforilação oxidativa, dão origem ao conjunto de moléculas de ATP que servirá como moeda energética para todos os processos metabólicos. O ciclo de Krebs contém intermediários de 4 a 6 carbonos. O piruvato (C3) supre o ciclo de Krebs de tal maneira que, o número de intermediários de C4 e C6 permanece o mesmo ou aumenta (Figura 8). A perda de CO 2 (C1) do piruvato para formar acetil CoA, seguida de sua adição a um componente C4 (oxaloacetato) do ciclo produz um componente C6 (citrato). Assim, o número de moléculas de C6 produzidas se iguala ao número de moléculas de C4 inicialmente presentes. Por outro lado, pela adição de CO 2 ao piruvato, um composto C4 é produzido. Nesta circunstância, são formadas moléculas adicionais de C4 tais como o oxaloacetato, também componente do ciclo. Desta forma, se alguns dos componentes do ciclo são removidos para uso em outras vias biossintéticas, estes podem ser repostos por meio desta reação. Os tipos de reações e as enzimas envolvidas no ciclo de Krebs estão na Tabela 3.
Tabela. 3. Reações do Ciclo de Krebs e enzimas envolvidas. Reação Tipo de reação Enzima envolvida 1 condensação Citrato sintase 2 Desidratação Aconitase
3 Hidratação Aconitase
4 descarboxilação oxidativa Isocitrato desidrogenase
5 descarboxilação oxidativa Complexo α-cetoglutarato desidrogenase
6 fosforilação ao nível de substrato Succinil CoA sintase
7 desidrogenação Succinato desidrogenase
8 hidratação Fumarase
9 desidrogenação Malato desidrogenase
Tema para discussão
Fosforilação ao nível de substrato.
A cadeia transportadora de elétrons é a etapa de maior síntese de ATP celular. Nesse processo ocorre reoxidação de NADH+ H+ e FADH em NAD+ e FAD+ e outros pares redoxes compostos de coenzima Q, citocromos b, c, c1, a, a3 os quais são apresentados nas suas formas oxidadas e reduzidas no processo de transporte de elétrons. O transporte de elétrons ocorre no espaço intermembrana e a fosforilação oxidativa ocorre na matriz mitocondrial em conjunto com a ATP sintetase (em vermelho) ( Figura 10).
Figura 10 - Compartimentalização mitocondrial onde a parte vermelha representa as porções F1 e F0 da ATP sintetase, ligada na membrana mitocondrial interna.
Todos o elétrons capturados pelo NAD+ ou pelo FAD+ no processo de oxidação de macromoléculas como carboidratos, lipídeos e proteínas são levados por essas mesmas moléculas nas formas reduzidas, NADH+ H+ e FADH2, para serem transportados com ajuda de outros pares redox na cadeia de transporte de elétrons ( Figura11 ).