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2015 VERSÃO 2, Notas de aula de Desvio

EXAME FINAL NACIONAL DO ENSINO SECUNDÁRIO. Prova Escrita de Português. 12.º Ano de Escolaridade. Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho. Prova 639/2.ª Fase.

Tipologia: Notas de aula

2023

Compartilhado em 17/01/2023

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EXAME FINAL NACIONAL DO ENSINO SECUNDÁRIO
Prova Escrita de Português
12.º Ano de Escolaridade
Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho
Prova 639/2.ª Fase 8 Páginas
Duração da Prova: 120 minutos. Tolerância: 30 minutos.
2015
VERSÃO 2
Indique de forma legível a versão da prova.
Utilize apenas caneta ou esferográfi ca de tinta azul ou preta.
Não é permitida a consulta de dicionário.
Não é permitido o uso de corretor. Deve riscar aquilo que pretende que não seja classifi cado.
Para cada resposta, identifi que o grupo e o item.
Apresente as suas respostas de forma legível.
Ao responder, diferencie corretamente as maiúsculas das minúsculas.
Apresente apenas uma resposta para cada item.
As cotações dos itens encontram-se no fi nal do enunciado da prova.
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EXAME FINAL NACIONAL DO ENSINO SECUNDÁRIO

Prova Escrita de Português

12.º Ano de Escolaridade

Decreto-Lei n.º 139/2012, de 5 de julho

Prova 639/2.ª Fase 8 Páginas

Duração da Prova: 120 minutos. Tolerância: 30 minutos.

VERSÃO 2

Indique de forma legível a versão da prova.

Utilize apenas caneta ou esferográfica de tinta azul ou preta.

Não é permitida a consulta de dicionário.

Não é permitido o uso de corretor. Deve riscar aquilo que pretende que não seja classificado.

Para cada resposta, identifique o grupo e o item.

Apresente as suas respostas de forma legível.

Ao responder, diferencie corretamente as maiúsculas das minúsculas.

Apresente apenas uma resposta para cada item.

As cotações dos itens encontram-se no final do enunciado da prova.

GRUPO I

Apresente as suas respostas de forma bem estruturada.

A

Leia o poema.

AS ILHAS AFORTUNADAS

Que voz vem no som das ondas

Que não é a voz do mar?

É a voz de alguém que nos fala,

Mas que, se escutamos, cala,

Por ter havido escutar.

E só se, meio dormindo,

Sem saber de ouvir ouvimos,

Que ela nos diz a esperança

A que, como uma criança

Dormente, a dormir sorrimos.

São ilhas afortunadas,

São terras sem ter lugar,

Onde o Rei mora esperando.

Mas, se vamos despertando,

Cala a voz, e há só o mar.

Fernando Pessoa, Mensagem , Lisboa, Assírio & Alvim, 1997, p. 75

1. Refira a condição necessária à manifestação da voz e transcreva elementos do texto que justifiquem a sua resposta. 2. Explique o sentido dos dois últimos versos do poema. 3. Explique de que modo o conteúdo da última estrofe convoca o mito sebastianista.

GRUPO II

Nas respostas aos itens de escolha múltipla, selecione a opção correta.

Escreva, na folha de respostas, o número do item e a letra que identifica a opção escolhida.

Leia o texto.

Tenho a sorte de já ter assistido duas vezes a Os Maias de João Botelho. Em maio vi a

versão longa, na Cinemateca, pelo que agora escolhi a versão curta. Hesitei nesta escolha:

pensei que seria como ler o resumo em lugar de regressar – como tantas vezes já regressei –

ao grosso volume do romance de Eça de Queirós. E quem quer ler um resumo quando pode

perder-se numa das mais perfeitas narrativas da literatura portuguesa?

Não me arrependo de ter escolhido ambas. A montagem do filme permite que não falte,

nem numa nem na outra, qualquer episódio ou fala essencial para o completo entendimento

da obra. Em ambas as versões as palavras iniciais são uma surpresa: «A casa que os Maias

vieram habitar em Lisboa no outono de 1875...». A fidelidade do realizador ao texto começa

nessas palavras, ditas por um narrador que, falando pela voz de Eça, não pretende ser o

escritor, nem imitá-lo, mas apenas contar a história por ele, assim continuando em todo o filme,

introduzindo lugares, personagens, episódios. O rigor sequencial manifesta-se pela primeira

vez na analepse, característica dos escritos do século XIX e essencial nos romances de Eça

de Queirós, filmada a preto e branco para indicar um passado remoto, contrastando com as

cenas do presente da história narrada, em cores vivas e brilhantes. Tudo é cor neste filme,

os trajes (num figurino rigoroso), os cenários, as próprias vozes dos atores transbordam de

tons ora suaves ora lúgubres, frementes de paixão, graves de dramatismo, estridentes de

caricatura.

Em Os Maias , mesmo os heróis têm defeitos e talvez a imagem, a voz, o filme, consigam

apresentá-los menos subtilmente do que as palavras escritas. Talvez também por vermos

e ouvirmos João da Ega e Tomás de Alencar, por exemplo, atingimos uma maior definição

das caricaturas debuxadas por Eça: quem sabe que poses tinham, que tiques ocultavam,

que tonalidades sonoras emitiam os dois amigos, rivais de escola literária, na imaginação do

escritor?

Em Os Maias de João Botelho, ao contrário do que acontece com as personagens, e

à parte as cenas de interior, filmadas em ambientes da época que ainda hoje mantêm as

suas características – a Casa Veva de Lima, o Grémio Literário –, não encontramos cenários

realistas, que a Lisboa de hoje não permitiria. Os cenários pintados em telas gigantes, onde,

além dos atores, se movem cavalos, tipoias, até um «americano», reproduzem essa cidade

que Eça bem conhecia, mas que descreveu de longe, a partir de Inglaterra e mais tarde de

Paris, e conferem pela pintura, pelas suas características impressionistas, um distanciamento

em relação ao espaço externo que prende o espectador à trama.

Todos os anos regresso a Os Maias , se não na íntegra, pelo menos para reler alguns

episódios. Como eu, muitos leitores fazem o mesmo. Regressarei, sem dúvida, ao filme de

João Botelho, todas as vezes que me apetecer relembrar uma das melhores adaptações das

obras de Eça de Queirós.

Irene Fialho, Expresso , «Atual», 6 de setembro de 2014 (adaptado)

1. A interrogação das linhas 4 e 5 apresenta a

(A) hesitação da autora entre a versão curta e a versão longa do filme.

(B) constatação de que a versão curta do filme constitui um resumo do romance.

(C) preferência da autora do texto pela versão curta do filme Os Maias.

(D) ideia de que ninguém quererá optar por um resumo se puder apreciar a obra.

2. No filme, a fidelidade com que o realizador segue o texto queirosiano é observada, por exemplo,

(A) na ordenação das sequências narrativas e na estridência das caricaturas.

(B) nas palavras iniciais do filme e na ordenação das sequências narrativas.

(C) na participação do autor como narrador e nas palavras iniciais do filme.

(D) na participação do autor como narrador e na estridência das caricaturas.

3. Na expressão «Tudo é cor neste filme» (linha 15), a palavra «cor» está associada à ideia de

(A) rigor.

(B) originalidade.

(C) exuberância.

(D) atualidade.

4. Relativamente ao conteúdo do terceiro parágrafo, o quarto parágrafo

(A) responde à questão colocada.

(B) apresenta um contra-argumento.

(C) confirma o ponto de vista anterior.

(D) introduz um novo tópico de análise.

5. A utilização de dois pontos na linha 2 e na linha 8 serve para introduzir, respetivamente,

(A) uma enumeração e uma explicação.

(B) uma enumeração e uma citação.

(C) uma explicação e uma citação.

(D) uma explicação e uma enumeração.

GRUPO III

Ao longo da história, a crença em ideais (religiosos, políticos, ou outros) tem assumido um papel importante para o ser humano.

Num texto bem estruturado, com um mínimo de duzentas e um máximo de trezentas palavras, defenda um ponto de vista pessoal sobre a importância dos ideais para os jovens, na atualidade.

Fundamente o seu ponto de vista recorrendo, no mínimo, a dois argumentos e ilustre cada um deles com, pelo menos, um exemplo significativo.

Observações:

  1. Para efeitos de contagem, considera-se uma palavra qualquer sequência delimitada por espaços em branco, mesmo quando esta integre elementos ligados por hífen (ex.: /dir-se-ia/). Qualquer número conta como uma única palavra, independentemente dos algarismos que o constituam (ex.: /2015/).
  2. Relativamente ao desvio dos limites de extensão indicados – entre duzentas e trezentas palavras –, há que atender ao seguinte: − − um desvio dos limites de extensão indicados implica uma desvalorização parcial (até 5 pontos) do texto produzido; − − um texto com extensão inferior a oitenta palavras é classificado com zero pontos.

FIM

COTAÇÕES

GRUPO I

A ................................................................................................................................ 60 pontos

1. ........................................................................................................... 20 pontos Conteúdo (12 pontos) Estruturação do discurso e correção linguística (8 pontos) 2. ........................................................................................................... 20 pontos Conteúdo (12 pontos) Estruturação do discurso e correção linguística (8 pontos) 3. ........................................................................................................... 20 pontos Conteúdo (12 pontos) Estruturação do discurso e correção linguística (8 pontos)

B ................................................................................................................................ 40 pontos

4. ........................................................................................................... 20 pontos Conteúdo (12 pontos) Estruturação do discurso e correção linguística (8 pontos) 5. ........................................................................................................... 20 pontos Conteúdo (12 pontos) Estruturação do discurso e correção linguística (8 pontos)

100 pontos

GRUPO II

11. .......................................................................................................... 5 pontos 12. .......................................................................................................... 5 pontos 13. .......................................................................................................... 5 pontos 14. .......................................................................................................... 5 pontos 15. .......................................................................................................... 5 pontos 16. .......................................................................................................... 5 pontos 17. .......................................................................................................... 5 pontos 18. .......................................................................................................... 5 pontos 19. .......................................................................................................... 5 pontos 10. .......................................................................................................... 5 pontos

50 pontos

GRUPO III

Estruturação temática e discursiva ................................................ 30 pontos Correção linguística ....................................................................... 20 pontos

50 pontos

TOTAL ......................................... 200 pontos