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A Nova Praça Roosevelt: Desafios e Transformações, Resumos de História Moderna

Uma entrevista com os arquitetos borelli & merigo, responsáveis pelo projeto executivo e acompanhamento técnico da nova praça roosevelt em são paulo. A entrevista aborda diversos aspectos do projeto, como as razões para o abandono da antiga praça, as modificações realizadas no projeto original, a polêmica em torno da apropriação do espaço pelos skatistas, a questão da vegetação e a ocupação dos quiosques pela guarda civil metropolitana. A descrição detalhada do processo de revitalização da praça, as dificuldades encontradas e as soluções adotadas fornecem um panorama abrangente sobre os desafios enfrentados na requalificação de espaços públicos urbanos. Relevante para estudos nas áreas de arquitetura, urbanismo, paisagismo e gestão de espaços públicos, oferecendo insights valiosos sobre a complexidade envolvida nesse tipo de projeto.

Tipologia: Resumos

2023

Compartilhado em 17/11/2022

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Revista LABVERDE n°6 – Entrevistas Junho de 2013
3.2 Borelli & Merigo
Os projetos e a nova Praça Roosevelt1
Borelli & Merigo é um escritório de arquitetura e urbanismo fundado
em 1978 que tem trabalhos em todo o Brasil e também no Paraguai,
Peru, El Salvador e Angola. Seu portfólio reúne aeroportos, escolas,
edifícios de escritórios e governamentais, indústrias, terminais de ôni-
bus, hospitais e bairros planejados, atuando também na área de pai-
sagismo. É deles o projeto executivo e acompanhamento técnico da
nova Praça Roosevelt.
Projeto Básico
EMURB/ SP Urbanismo
Projeto Executivo de arquitetura e
acompanhamento técnico da obra
Borelli & Merigo arquitetura & urbanismo
Projeto Executivo de Paisagismo
Arq. Fabricio Sbruzzi
Projeto Executivo de Estruturas
Ápice Engenharia de Projetos
Projeto Executivo de Luminotécnica
Franco Associados Lighting Design
Projeto Executivo de Impermeabilização
Proassp
1 Entrevista conduzida por Ramón Stock Bonzi.
Projeto Executivo de Instalações Elétricas
Eng. José Alves
Projeto Executivo de Instalações
Hidráulicas
HCM Serviços de Estudos e Planejamento
Projeto de Climatização
Teknika
Fiscalização de Projetos
SP Urbanismo/ SP Obras
Fiscalização da Obra
SP Obras
Construção
Consórcio Paulitec/Cil
Nova Praça Roosevelt – Equipe Técnica
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Revista LABVERDE n°6 – Entrevistas Junho de 2013

3.2 Borelli & Merigo

Os projetos e a nova Praça Roosevelt 1

Borelli & Merigo é um escritório de arquitetura e urbanismo fundado em 1978 que tem trabalhos em todo o Brasil e também no Paraguai, Peru, El Salvador e Angola. Seu portfólio reúne aeroportos, escolas, edifícios de escritórios e governamentais, indústrias, terminais de ôni- bus, hospitais e bairros planejados, atuando também na área de pai- sagismo. É deles o projeto executivo e acompanhamento técnico da nova Praça Roosevelt.

Projeto Básico EMURB/ SP Urbanismo

Projeto Executivo de arquitetura e acompanhamento técnico da obra Borelli & Merigo arquitetura & urbanismo

Projeto Executivo de Paisagismo Arq. Fabricio Sbruzzi

Projeto Executivo de Estruturas Ápice Engenharia de Projetos

Projeto Executivo de Luminotécnica Franco Associados Lighting Design

Projeto Executivo de Impermeabilização Proassp

(^1) Entrevista conduzida por Ramón Stock Bonzi.

Projeto Executivo de Instalações Elétricas Eng. José Alves

Projeto Executivo de Instalações Hidráu licas HCM Serviços de Estudos e Planejamento

Projeto de Climatização Teknika

Fiscalização de Projetos SP Urbanismo/ SP Obras

Fiscalização da Obra SP Obras

Construção Consórcio Paulitec/Cil

Nova Praça Roosevelt – Equipe Técnica

Junho de 2013 Revista LABVERDE n°6 – Entrevistas

1. LABVERDE – A antiga Praça Roosevelt era considerada um símbolo da degrada- ção do centro de São Paulo. Na avaliação de vocês, por que ela estava abandonada? (falta de gestão, erro de projeto?)

BORELLI & MERIGO – É importante entender a degradação da Praça Roosevelt dentro do contexto da deterioração do centro de São Paulo. Seus espaços públicos foram gra- dativamente abandonados pela população que via o centro como local inseguro e com serviços pouco atrativos.

As demais praças do centro vivenciaram problemas semelhantes aos da Roosevelt. Feliz- mente este processo começa a ser revertido.

Havia um problema específico na Roosevelt que potencializou estes problemas: acessibi- lidade. Toda a praça ocupava cotas de nível que não permitiam uma conexão direta com o entorno. Com exceção de quatro pontos nas ruas João Guimarães Rosa e Martinho Pra- do, o piso da praça não se nivelava à calçada lindeira. No caso da rua Augusta a situação era ainda mais complexa, pois o desnível ultrapassava os seis metros e havia o fosso de ventilação da ligação Leste-Oeste. O resultado era que a praça não interagia com a rua Augusta e nem com a vizinhança.

Figura 1 – Corte longitudinal com a avenida Augusta à esquerda e a Rua da Consolação à direita. Fonte: Borelli & Merigo.

2. LABVERDE – Como vocês definem o programa da nova praça Roosevelt?

BORELLI & MERIGO – Em termos programáticos não houve grandes alterações em rela- ção ao projeto original. A praça abriga floriculturas e espaços comerciais, um batalhão da guarda civil metropolitana e outro da polícia militar.

Junho de 2013 Revista LABVERDE n°6 – Entrevistas

4. LABVERDE – Além de terem feito o projeto executivo, vocês fizeram o acompa- nhamento da obra. Imagino a dificuldade de demolir o pentágono...

BORELLI & MERIGO – Na verdade a demolição do pentágono foi relativamente simples. As maiores complicações estavam relacionadas a uma série de incompatibilidades entre o projeto original da praça e a obra que foi executada no início dos anos 70. Foram várias as surpresas, pois a cada dia descobríamos uma novidade que nos ajudava a compreender melhor o edifício. Neste ponto contamos com a colaboração da construtora Paulitec, uma parceira ciosa da responsabilidade deste trabalho. Talvez a dificuldade mais importante te- nha sido constatar que as imensas cortinas de contenção eram ligeiramente inclinadas. Isto nos obrigou a revisar dezenas de projetos de modo a adaptá-los a esta situação imprevista.

5. LABVERDE – Vocês ficaram surpresos com a apropriação do espaço por parte dos skatistas? Aliás, o skate foi recentemente limitado a um pequeno setor. Como veem essa questão?

BORELLI & MERIGO – Não ficamos surpresos com os skatistas na Roosevelt. Afinal eles ocupam este espaço faz bastante tempo. Durante os anos de maior abandono, foram eles os principais usuários da praça. Em nosso entendimento não seria justo, agora com o espaço reformado, expulsá-los. Porém o projeto da EMURB não contemplava áreas para skate. Na verdade esta foi mais uma modificação que tentamos fazer, porém a prefeitura, atendendo à solicitação da vizinhança, não aceitou. Em nossa proposta inicial havia também um teatro ao ar livre, outra atividade muito ligada historicamente à Roosevelt. Esta também não foi aprovada. Após a eleição a nova administração resolveu atender aos anseios dos skatistas. No início do ano travamos frutí- feras conversas com a Confe- deração Brasileira de Skate e a subprefeitura da Sé e consegui- mos aprovar junto ao conselho gestor, nosso projeto para uma praça de skate na Roosevelt. A implementação deste projeto em conjunto com a pedestriali- zação da rua João Guimarães Rosa, resolverá definitivamente a questão do skate e da acessi- bilidade na Roosevelt. Figura 3 – A praça Roosevelt: apropriações e a delicada rela- ção com a vizinhança. Foto: Lilian Dazzi Braga.

Revista LABVERDE n°6 – Entrevistas Junho de 2013

6. LABVERDE – Depois de tanta confusão a Subprefeitura da Sé resolveu dedi- car 1500m 2 da praça para a criação do Skate Plaza da Roosevelt. Podem nos adiantar alguma coisa?

BORELLI & MERIGO – A praça de skate foi aprovada pelo conselho gestor da praça e está em fase de implementação pela prefeitura.

7. LABVERDE – Existe um senso-comum de que os espaços públicos estão sendo cada vez menos usados pela população. Vocês acham que isso procede ou é uma falsa percepção?

BORELLI & MERIGO – Ao menos em São Paulo isto não é uma realidade. A própria ocupação da praça desde a sua inauguração é prova disto. Há uma série de eventos como a Virada Cultural, a Parada Gay, a reocupação do bairro da Consolação nos ar- redores da rua Augusta, as ciclofaixas, que demonstram claramente que o paulistano desfruta cada vez mais dos espaços de sua cidade

8. LABVERDE – A nova praça Roosevelt foi criticada por ter pouca vegetação. Seria “seca” demais. Como encaram a critica?

BORELLI & MERIGO – O que nós chamamos de praça é, segundo o autor do projeto, o arquiteto paisagista Roberto Coelho Cardozo, um “edifício-praça”. Na verdade a praça é a laje de cobertura de um edifício composto pelo túnel viário da ligação leste-oeste e dois subsolos de estacionamento. Ela se insere dentro do conjunto de obras viárias construí- das ao longo da segunda metade do século XX e que transformaram São Paulo em uma cidade dependente do automóvel. Ficaram reduzidas as possibilidades paisagísticas, por conta das limitações impostas pela estrutura existente. É impossível o plantio de árvores de grande porte na maior parte da praça. Ainda assim foram projetados cerca de quatro mil metros quadrados de jardins sobre laje, com diversas árvores de médio e pequeno porte, além de arbustos e forrações. Para o adequado plantio das árvores foram abertos os caixões perdidos da estrutura, de modo a garantir um volume de terra que permitisse a formação de raízes. Deve-se aguardar ainda, a maturidade das mudas o que ampliará significativamente o porte de suas copas. Por fim, gostaríamos de defen- der os amplos espaços de piso de concreto que permitem uma variada gama de ocupa- ções tais como, shows, manifestações e eventos dos mais variados tipos, fatos que já se tornaram comuns na Roosevelt reformada e que contribuem para a sua qualificação.