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sobre os narradores como tipo e projecto de uma narrativa de cinema
Tipologia: Notas de estudo
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Lumina - Juiz de Fora - Facom/UFJF - v.6, n.1/2, p. 57-72, jan./dez. 2003
- Um dos principais problemas nos estudos fílmicos é o conceito de Narrador. A narratologia, possuidora da herança de Genette, proporcionou caminhos de análise e conceitos operatórios, mas a dilucidação das fronteiras con- ceptuais ainda suscita estudos multiformes.
Narrador - Literatura e Cinema - Narratologia - Genette Doutorando em Literatura e Cinema (Faculdade de Letras / Universidade de Coimbra). Professor do Curso de Comunicação Social (Escola Superior de Educação / Instituto Superior Politécnico de Viseu, Portugal).
Uma das questões centrais na análise narratológica fílmica é a problemática do Narrador. Um dos principais suportes teoréticos para este estudo é a obra Figures III , de Gérard Genette, que inspirou variadíssimos estudos. Na década de setenta, inicia-se a discussão sistemática do pon- to da vista na narração. Este conceito, segundo Stam/Burgoyne/ Flitter man-Lewis, era visto como la perspectiva óptica de un personaje cuya mirada o visión do- mina una secuencia, o, en su sentido más amplio, la perspectiva general del narrador hacia los personajes y los hechos del mundo ficcional 1 . O narrador é considerado como o agente, integrado no texto, que é responsável pela narração dos acontecimentos do mundo ficcional, sendo, por este motivo, distinto do autor empírico e mesmo das per- sonagens desse mundo ficcional, pela amplitude narrativa. Em concomitância, foram desenvolvidos trabalhos no domínio do discurso narrativo, ou seja, as técnicas e estratégias que levavam a narração ao leitor/espectador. Esta problemática suscitou um con-
Luís Miguel Cardoso Lumina - Juiz de Fora - Facom/UFJF - v.6, n.1/2, p. 57-72, jan./dez. 2003 junto muito diversificado de orientações. Como nos dizem Stam/ Burgoyne/Flitterman-Lewis, o ponto de vista foi um conceito utilizado para designar várias funções, como a terminologia técnica de plano subjectivo ( point-of-view shot ), a orientação através do ponto de vista de uma personagem, o posicionamento do narrador, a visão do mundo segundo o autor, bem como as relações afectivas e epistemológicas do espectador. Neste sentido, tal como defende Edward Branigan, o autor, o narrador, a personagem e o espectador, todos têm um ponto de vista 2 . De acordo com o modelo proposto por Genette, Stam/Bur- goyne/Flitterman-Lewis 3 distinguem dois tipos de narrador. Por um lado, encontramos o Narrador intradiegético. Trata-se de um narrador que é simultaneamente personagem, no mundo ficcional. Se é personagem e narrador da sua própria história, é um narrador homodiegético , como acontece com os narradores em Citizen Kane. Se a personagem-narrador não pertence à história que está a narrar, será um narrador heterodiegético. Por outro lado, existe o Narrador extradiegético. Será o narrador externo, que regula registos visuais e sonoros e se manifesta através de códigos cinemato- gráficos e distintos canais de expressão e não através de um discurso verbal. Relativamente ao primeiro tipo de narrador, constatamos que o mesmo pode ser uma personagem activa na história ou uma testemunha. Stam/Burgoyne/Flitterman-Lewis consideram como homodiegético o narrador que conta as suas próprias experiências enquanto personagem. Citam como exemplos o capitão Willard, em Apocalipse Now (1978), e Nick, em O Grande Gatsby (1949). Molina, em O Beijo da Mulher Aranha (1985), quando explica ao seu companheiro de prisão o argumento de um filme que viu, desempenha a função de narrador heterodiegético. Porém, se recordarmos Genette, o seu modelo postula não dois, mas três tipos de narrador: o Narrador autodiegético , que Carlos Reis define como “a entidade responsável por uma situação ou atitu- de narrativa específica: aquela em que o narrador da história relata as suas próprias experiências como personagem central da história” 4 , o Narrador homodiegético , que, segundo Carlos Reis, “é a entidade
Luís Miguel Cardoso Lumina - Juiz de Fora - Facom/UFJF - v.6, n.1/2, p. 57-72, jan./dez. 2003 face ao nível principal, exemplificando a narração metadiegética. Este tipo de narrador pode narrar a totalidade da história, ainda que possa aparecer apenas num prólogo, numa introdução, em voz off , não deixando de constituir um exemplo de narrador intradiegético. O narrador heterodiegético também pode ser designado por narra- dor impessoal, dado que, conforme atesta o mesmo crítico, “En la medida en que el relato hay una única instancia narrativa, el narrador principal [...] desprovisto de cualquier rasgo antropomórfico y no identificable com un ser personal” 8 . Mas a faceta mais distintiva do modelo proposto por Sánchez Noriega é concernente ao narrador intradiegético. Para além de identificar como modo fundamental o narrador homodiegético, acrescenta que, quando a personagem é o protagonista da história, então será designado como autodiegético 9
. A introdução do concei- to de narrador autodiegético, face ao modelo de Stam/Burgoyne/ Flitterman-Lewis, é manifestamente fiel à proposta completa de Genette, que já focámos. Assim, a caracterização que Genette apre- senta relativamente a este tipo de narrador coincide com Sánchez Noriega, afastando-se de Stam/Burgoyne/Flitterman-Lewis, que não só não o contemplam, como ainda o identificam com o narrador homodiegético. Na prática, e regressando a Apocalipse Now , Willard, protagonista da história e narrador intradiegético, seria identificado, como vimos, por Stam/Burgoyne/Flitterman-Lewis como narra- dor homodiegético. Acreditamos que a interpretação de Sánchez Noriega respeita a tipologia e visão conceptual de Genette, logo, a caracterização correcta para a personagem seria a de narrador autodiegético. Referem ainda Stam/Burgoyne/Flitterman-Lewis o tipo de narração metadiegética, uma narração de uma personagem que conta uma história na qual surgirá outra personagem a contar outra história. Este conceito não é pacífico em termos terminológicos. Genette utiliza a designação de nível metadiegético, mas o mesmo também é reconhecido como hipodiegético. O nível hipodiegético, segundo Carlos Reis, é aquele que é constituído pela enunciação de um relato a partir do
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nível intradiegético; uma personagem da história, por qualquer razão específica e condicionada por determinadas circunstâncias, é solicitada ou incumbida de contar outra história, que assim aparece embutida na primeira 10 . São exemplos o capítulo XV d’ Os Maias, momento em que Maria Eduarda narra o seu passado a Carlos - que agora se transforma em narrador intradiegético -, ou a novela da “Menina dos Rouxinóis” contada nas Viagens na Minha Terra, de Almeida Garrett. De forma similar, assim acontece no Cinema, em O Gabinete do Dr. Caligari (1919), quando o narrador homodiegético Francis encontra o di- ário de Caligari e surge o relato do encontro da personagem com o sonâmbulo, ou em As Mil e Uma Noites (1942), de Pasolini, filme caracterizado pelas narrativas embutidas. Diz-nos Sánchez Noriega que o nível narrativo é o segundo ele- mento que possibilita caracterizar a voz narrativa, segundo Genette. Quanto a este aspecto, podemos distinguir narrativas de um nível ou narrativas de mais de um nível, nas quais uma história está inserida na história principal, em nível metadiegético, que presentifica narradores intradiegéticos, criados no âmbito da narrativa principal. Sánchez Noriega identifica três funções de acordo com as quais a narrativa metadiegética se relaciona com a narrativa principal: a) explicativa , cuando se trata de proporcionar diversas explica- ciones mediante la narración de hechos del pasado, como sucede en la analepsis; b) temática , cuando el relato segundo no mantiene continuidad diegética alguna con el primero y se pre- senta - como en las parábolas y fábulas - como un inserto com valor de ejemplo, como una lección de moral de la que hay que deducir un mensaje que tiene su función en el relato primero; y c) distractiva y obstructiva respecto al relato primero, como en Las mil y una noches , en el sentido de que no hay ningún nexo entre ambos niveles, más allá de la voluntad del autor implícito 11 . Sánchez Noriega, nesta linha de pensamento, discute ainda o conceito de metalepse. Segundo Carlos Reis, “Significando etimo- logicamente ‘transposição’, a metalepse é um movimento de índole metonímica que consiste em operar a passagem de elementos de um A Problemática do Narrador
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principal é aquela que é traduzida pelos códigos cinematográficos e que é da responsabilidade de um narrador externo, e que constrói o seu texto de uma forma não-verbal. Este narrador fílmico externo tem merecido profundas e aturadas análises. Distintos autores ele- geram diferentes denominações para esta entidade: Sarah Kozloff apelida-o de Câmara-narrador ou Realizador de Imagens ; Black chama-o de Narrador Intrínseco ; André Gaudreault denomina-o Narrador Fundamental ou Narrador Principal. Uma temática que introduz o estudo deste narrador impessoal resulta da dilucidação do problema da desconfiança. O narrador- personagem pode distorcer o mundo que vai revelando, dado que o seu discurso, por oposição ao discurso do narrador extradiegético impessoal, pode não ser verdadeiro, apresentando um ponto de vista duvidoso, por exemplo. Esta é uma situação que nos faz convocar o que Dolezel denomina por “Mundo Narrativo”. O discurso da personagem pode não coincidir com os factos desse mundo e, por outro lado, sendo ao mesmo tempo narrador, não possui uma capacidade ilimitada de narração, atributo exclusivo do narrador extra diegético. Autores como Chatman, Kozloff, Francesco Casetti e Kristin Thompson citam Pavor nos Bastidores , de Hitchcock, como exemplo de um narrador-personagem que não é totalmente fiável. Neste filme, o espectador tem de discernir o que é verdadeiro, pois o flashback introduzido não é fiel, apresentando uma versão errada dos aconte- cimentos. Outra situação similar ocorre quando a narração em voz over diverge com as imagens, como acontece em Cat Ballou (1965), Fool for love (1985), de Robert Altman, ou mesmo Esse obscuro objecto de desejo (1977), de Buñuel 20 . Assim, a problemática da narrativa no Cinema atinge o seu zénite quando analisamos a questão do narrador fílmico. Como afirmam Stam/Burgoyne/Flitterman-Lewis, “la cuestión de la narración ex- tradiegética en el cine es una área de investigación considerablemente más ambigua que aquella del personage-narrador”, adiantando ainda que “la narración extradiegética en el cine puede ser definida como la actividad discursiva o narrativa primaria que fluye del mismo medio A Problemática do Narrador
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. Este narrador é definido por Black como aquele que narra o filme na sua totalidade ou narrador intrínseco ; Metz denomina-o de grand imaginier e Gaudreault, Kozloff, entre outros, propõem outras denominações, respectivamente, narrador funda- mental e realizador de imagens. No que concerne a esta temática, elegemos como referência fundamental a posição de Gaudreault e Jost. Segundo estes auto- res, em primeiro lugar, não há narração sem instância narrativa, ainda que o Cinema possa mostrar as acções sem propriamente as “contar”, como pode ocorrer se relembrarmos o exemplo dos irmãos Lumière que, aparentemente, nos seus filmes, apresentam os acontecimentos que se “narram a si mesmos”. Mas esta é uma perspectiva enganadora. Qualquer que seja o filme, existe sempre uma entidade mediado- ra sem a qual não seria possível mostrá-lo ou contá-lo. Na verdade, a narratologia pode mesmo invocar o contributo precursor de Albert Laffay que, de forma considerada “intuitiva” por Gaudreault e Jost, caracterizou a narrativa da seguinte forma: a narração é ordenada de acordo com um determinismo rigoroso; toda a narração cinema- tográfica tem estrutura lógica, que constitui uma forma de discurso; a narração é estruturada por um “mostrador de imagens”, um “grande imaginador”; e o cinema narra e representa 22 . Mesmo que o Cinema moderno tenha procurado esbater a presença do narrador (Resnais, Robbe-Grillet, Godard, Duras...) ou que o Cinema clássico tenha optado pela sua presença explícita, a figura do “grande imaginador” não oferece contestação. Quer relevemos a designação “grande imaginador” ou “mega- narrador” 23 , resulta deste pressuposto que todos os narradores integrados no filme são “narradores delegados” ou “segundos narra- dores”, responsáveis pela “subnarração” que se distingue da narração de primeiro plano. Mais ainda, porque esta última integra a primeira 24 . O meganarrador ou “narrador fundamental” (Gaudreault/Jost) é o responsável e organizador da comunicação fílmica. Estas respon- sabilidades narrativas do “enunciador fílmico” incluiriam, segundo Gardies, as dimensões icónica, verbal e musical 25 .
Luís Miguel Cardoso Lumina - Juiz de Fora - Facom/UFJF - v.6, n.1/2, p. 57-72, jan./dez. 2003 montado las imágenes de esta forma concreta 28 , pelo que Eisenstein chegara mesmo a defender a personificação do narrador na própria tela. Todavia, para Bordwell, o trabalho de Ei- senstein não constitui uma teoria da narração, mas antes um conjunto de ideias sobre a sua forma de fazer e pensar o cinema, sem um fio condutor, e de carácter fragmentário. Na linha de valorização do papel da câmara, encontramos o contributo de Colin MacCabe que opina que ela é o equivalente à metalinguagem do romance, nomeadamente no cinema clássico, mas a sua visão é baseada no romance do Século XIX, sem particularizar nenhum género em concreto, acarretando uma indefinição de referên- cias. Mesmo valorizando a ideia de que um narrador não é essencial em certos tipos de discurso, MacCabe é criticado por Bordwell por ignorar dimensões semânticas e sintácticas no romance, o que implica extrapolar conclusões. De acordo com esta perspectiva, relembramos Edward Branigan quando afirma que For Sobchack, what is “visible”, even in cinema, is only contin- gent and not fundamental. In a somewhat complementary way, Bruce Kawin believes that cameras, projectors, and films literally have a “mind”. Thus the starting point for these writers is that film possesses a body and a mind. In a sense, we have moved full circle from empiricist accounts which seek to minimize the separation between the material and structure of a text by giving great weight to the differences between the arts and the distinc- tive styles, to rationalist accounts which widen the separation by positing unobservable processes driving consciousness (reaching a maximum with psychoanalysis), and now back to holistic accounts like those of Telotte, Sobchack, and Kawin which again virtually abolish separation, but by concentrating on a phenomenology of appearances that refuses to distinguish between subjective and objective, mind and material 29 . Nesta fase, torna-se nítida a inexistência de uma teoria homo- génea do discurso fílmico. Na multiplicidade de opiniões, os dados convergentes são o trabalho da câmara e a montagem, evidências de enunciação, logo, de uma entidade responsável, diríamos nós. Regressando à oscilação de perspectivas, citaríamos Metz e a
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figura do sujeito que filma ; Bellour e o valor da câmara , que, revelando a distância entre o objecto e ela própria, prenuncia uma enunciação; a força enunciativa da câmara, de Browne; resultado da associação entre discurso e fala (Benveniste) e discurso como “olhar” (Metz), que relevou o valor da câmara, verdadeiramente antropomorfizada por Metz. Com toda esta diversificação de pers- pectivas, Bordwell releva alguns dos mais representativos argumentos e opiniões e defende que, no fundo, todos buscam saber quem olha verdadeiramente através da câmara 30 . Em síntese, podemos afirmar que a actualidade da problemática do narrador pode ser comprovada pelo elevado número de estudos que continua a suscitar. Não se afigura próxima uma delimitação consensual do conceito de narrador fílmico e, neste momento, apenas temos pontos de partida. Um deles é o regresso à difícil distinção entre autor e narrador. Notas
1. Robert Stam et alii , Nuevos conceptos de la teoria del cine , Barcelona, Paidós, 1992, p. 106. 2. Id., ibid., p. 107. 3. Id., ibid., p. 120. 4. Carlos Reis e Ana Cristina Lopes, op. cit., p. 251. Como referem estes autores, “Constituem exemplos Lazarillo de Tormes , Robinson Crusoé , de Daniel Defoe, ou Manhã Submersa, de Vergílio Ferreira. Carlos Reis, analisando a situação narrativa instalada por este tipo de narrador, opina que a mesma “suscita leituras que, de um ponto de vista semiótico, tendem precisamente a valorizar a peculiar utilização de códigos temporais e de focalização activados em tal situação narrativa. Da manifestação dos signos que integram esses códigos à sua manifestação estreita, da insinuação da subjectividade no enunciado à sua projecção sobre o narratário, a análise do discurso narrativo de um narrador autodiegético tenderá normalmente a subordinar as questões enunciadas a uma questão central: a configuração (ideológica, ética, etc.) da entidade que protagoniza a dupla aventura de ser herói da história e responsável pela sua narração”. 5. Id., ibid., pp. 257-258. São exemplos deste tipo de narrador as persona- gens Watson, relativamente a Sherlock Holmes, nos romances de Conan A Problemática do Narrador
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16. Fellini constrói com o argumentista Ennio Flaiano a história do rea- lizador Guido Anselmi (M. Mastroiani) que pretende recuperar a sua inspiração. Tema semelhante a La señorita de Tacna , de Mario Vargas Llosa.
17. Woody Allen constrói uma materialização do narrador fílmico e reflecte sobre os universos do real e da ficção que se interpenetram. 18. Viagem em estilo de homenagem até ao tempo em que se construíam os cenários para Intolerance, de Griffith. 19. Outra perspectiva relacionada com o narrador-personagem de carácter interno remete-nos para o facto do mesmo poder narrar a totalidade da história ou esta se encontrar inserida numa diegese mais alargada. 20. Verdadeiramente desconcertante, o filme reflecte esta divergência entre o que é narrado pela personagem e o que é mostrado pelo narrador extradiegético. Por exemplo, quando Mathieu recorda a aventura emo- cional com uma bela mulher, esta vai sendo interpretada por actrizes diferentes, o que provoca o cómico e atesta as capacidades de diálogo entre estas entidades narrativas. 21. Stam et alii, op. cit ., p. 127. 22. Vd. André Gaudreault e François Jost, El relato cinematográfico , Barcelona, Paidós, 1995, p. 22. 23. Vd. André Gaudreault, Système du récit , Paris, Méridiens Klincksieck, 1988. 24. Gaudreault e Jost, op. cit., p. 57. 25. Citado por Gaudreault e Jost, op. cit ., p. 63. 26. Gaudreault e Jost op. cit ., p. 67. 27. David Bordwell, La narración en el cine de ficción , Barcelona, Paidós, 1996, p. 9. 28. Idem, ibid ., pp. 14, 15. 29. Edward Branigan, op. cit., p. 156. 30. Id., ibid., p. 24. Questiona o autor: “ “Quién” mira a través de la cámara? Bellour responde: el sujeto que produce el discours. Ropars: el narrador. Nash: el autor. A veces esta figura se describe en términos linguísticos: el “enunciador” (Bellour), una “voz” (Ropars). Pero com igual frecuencia la entidad se describe miméticamente: Ropars habla del movimiento de cámara como “la mirada del narrador”, Bellour de Hitchcock como “el A Problemática do Narrador
Luís Miguel Cardoso Lumina - Juiz de Fora - Facom/UFJF - v.6, n.1/2, p. 57-72, jan./dez. 2003 kino-eye u ojo cinematográfico”. Puesto que este paradigma crítico aún no há habido, pues, un intento de definir las propriedades generales o cualidades de la narración fílmica o del narrador fílmico. Es más, los crí- ticos han disbujado distinciones importantes: Ropars iguala al narrador con el “autor implícito”, mientras Bellour habla como si el enunciador de las películas de Hitchcock no fuera una construcción crítica sino un cierto inglés corpulento (“el director, el hombre de la cámara”)”. Referências AYALA, Francisco, El escritor y el cine, Madrid, Cátedra, 1996 BLACK, David Alan, “Genette and Film: narrative level in the fiction cinema”, Wide Angle n. 8, 1986 BLUESTONE, George, Novels into Film, Berkeley, University of California Press, 1957 BLACK, David Alan, Genette and film: narrative level in the fiction cinema, Wide Angle, 1986 BORDWELL, David, La narración en el cine de ficción , Barcelona, Paidós, 1996 BRANIGAN, Edward, Narrative comprehension and film , Londres, Routledge, BROWNE, Nick, “The spectator in the text: The Rhetoric of Stagecoach”, in The Rhetoric of Film Narration, Ann Arbor, University of Michigan Press, 1982 CLERC, Jeanne-Marie, Littérature et cinéma, Paris, Nathan, CHATMAN, Seymour, Narration and point of view in fiction and the cinema , Poetica, 1974 ______, Story and discourse: narrative structure in fiction and film , Cornell Ithaca, University Press, 1978 ______, Historia y Discurso. La estructura narrativa en la novela y en el cine , Madrid, Taurus, 1990 ______, “Review of narration in the fiction film”, Wide Angle n. 8 GARCIA, Alain, L’ adaptation du roman au film, Paris, IF diffusion - Dujarric, 1990 GAUDREAULT, André, Système du récit , Paris, Méridiens Klincksieck, 1988 GAUDREAULT, André e JOST, François, El relato cinematográfico - Cine y Narratología , Barcelona, Paidós, 1995 GIMFERRER, Pere, Cine y literatura , Barcelona, Seix Barral, 2000 GIULIANI, Pierre, Stanley Kubrick, Lisboa, Livros Horizonte, 1992 GENETTE, Gérard, Figures III , Paris, Seuil, GUNNING, Tom, D.W. Griffith and the origins of American narrative film, Urbana, University of Illinois Press, 1991
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- One of the main problems in film studies is the concept of Narrator. Narra- tology, continuing the studies of Genette, produced paths for analysis and key concepts, but clear frontiers are still difficult to define and new studies offer different points of view.
Narrator - Literature and Cinema - Narratology - Genette