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O episódio da tempestade e da chegada à índia é um momento crucial na epopeia 'os lusíadas' de luís de camões. Neste trecho, o poeta descreve de forma realista e detalhada a violência da tempestade que a frota de vasco da gama enfrentou antes de alcançar o seu objetivo de chegar à índia. A narração intercala o plano da viagem com o plano mitológico, com a intervenção da deusa vénus para acalmar os ventos e salvar a expedição portuguesa. O texto apresenta uma riqueza de recursos estilísticos, como a utilização de figuras de linguagem, que contribuem para a construção de uma narrativa épica e dramática. A súplica de vasco da gama a deus, os argumentos utilizados e a descrição dos efeitos devastadores da tempestade revelam a importância deste episódio para o desfecho da viagem e o cumprimento da missão dos navegadores.
Tipologia: Notas de estudo
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Estrutura Interna: Narração Narrador: Poeta (narrador heterodiegético) Planos narrativos: plano da viagem e plano mitológico A tempestade é um episódio naturalista em que se entrelaçam os planos da viagem e o dos deuses, a realidade e a fantasia. É o último dos grandes perigos que Vasco da Gama teve de ultrapassar antes de cumprir a sua missão, a chegada à Índia. Camões deve ter aproveitado a sua própria experiência de viajante e de náufrago para descrever de forma tão realista a natureza em fúria (relâmpagos, raios, trovões, ventos, ondas alterosas) e, sobretudo, a aflição, os gritos, o temor e o “desacordo” dos marinheiros, incapazes de controlar a situação, devido à violência dos ventos. Resumo do episódio da Tempestade Estâncias 70 a 79: (A tempestade) Os marinheiros acordam, repentinamente, com o apito do comandante para a manobra, pois o vento aumenta e avista-se uma nuvem negra. Ainda os navegadores não tinham terminado as manobras de preparação para a tempestade quando o temporal cai sobre a embarcação. O terror é grande, pois a embarcação está a destruir-se e o vento não para. Ouvem-se gritos de desespero; as aves marítimas, lembrando-se do último naufrágio, manifestam tristeza; e os golfinhos, não se sentindo seguros, fogem. Nunca se viu tamanha tempestade. Nem Vulcano fabricou tantos raios para Eneias na Guerra dos Gigantes, nem Júpiter lançou tantos relâmpagos no dilúvio. As enormes ondas derrubam montes, os terríveis ventos arrancam árvores e as areias do fundo do mar vêm para a superfície. A tempestade é anunciada por uma "nuvem negra que aparece" (VI, 70). Logo de seguida, a confusão e uma certa desorientação instalam-se a bordo, o que é expresso, entre outros recursos, pela repetição dos verbos "Amaina" (VI, 71) e "Alija" (VI, 72). Está presente também o realismo descritivo associado às sensações auditivas (o apito, os gritos, os ruídos da destruição de partes dos barcos, os trovões) e visuais ("correm logo os soldados" (VI, 73); "A nau grande, em que vai Paulo da Gama, / Quebrado leva o masto pelo meio, / Quási toda alagada" (VI, 75)). As sensações auditivas evocam os barulhos do mar e do vento dando nas naves e os ruídos das próprias embarcações e da agitação dos seus marinheiros. A violência da tempestade está expressa, também, na descrição dos movimentos violentos das naus no mar revolto, na forma
hiperbólica como se descreve a tempestade, na sua influência sobre os animais marinhos, que tristes e aterrorizados, fogem e na destruição da sua natureza envolvente. Estâncias 80 a 83: (Súplica do Gama) Vasco da Gama vendo-se perdido, confuso e impotente perante a tempestade, agora que estava tão perto de alcançar o seu objetivo, resolve pedir ajuda a Deus, argumentando que já ultrapassaram muitos perigos em nome da fé. Menciona que com aquela viagem não pretendem ofender mas servir a Deus. Refere também que são felizes aqueles que morreram em luta pela fé em África. Enquanto V. da Gama suplicava, a tempestade avassaladora continuava. Vasco da Gama dirige-se a Deus , apresentando argumentos, com o intuito de O sensibilizar para a causa portuguesa, levando-O a interceder junto dos marinheiros em dificuldades: 1º argumento: evoca o poder de Deus, que já libertara homens de grandes dificuldades e perigos em momentos passados. 2º argumento : refere que Deus abandonou os marinheiros, que iam em missão religiosa. 3º argumento: louva aqueles que tiveram a sorte de morrer lutando pela fé cristã. Estâncias 84 a 91: Luís de Camões narra que a deusa Vénus, ao ver o estado do mar e o perigo que corria a armada portuguesa, sentiu medo e ira. Vénus diz de imediato que aquela situação é obra de atrevimento de Baco mas que não irá permitir tal maldade. A protetora dos portugueses desce ao mar e ordena às ninfas que se enfeitem com coroas de flores para acalmar os ventos. Estes, ao verem as belas ninfas, ficam sem forças para lutar e a ninfa Oritia ameaça o seu amante, o vento Bóreas, que, se não terminar com a tempestade, em vez de o amar vai passar a temê-lo. Galateia também prometeu amor ao feroz vento Neto e as outras ninfas, de igual modo, amansaram os seus amantes. Assim, Vénus prometeu favorecer os ventos com seus amores e estes serem-lhe leais durante a viagem dos navegadores portugueses. Descrição da tempestade (VI, 84): a tempestade aumenta a sua violência: os ventos gritavam como "touros indómitos" (VI, 84) e os "Relâmpagos medonhos" (VI, 84) não paravam. Intervenção de Vénus (VI, 85-91): o plano mitológico surge em paralelo com o plano da viagem. Vénus afirma que Baco é responsável pela tempestade mas que não o deixará levar avante os seus intentos. Então, reúne as "ninfas amorosas" (VI, 86), que se embelezam para dominarem os ventos. A ninfa Oritia dirige-se ao vento Bóreas e diz-lhe que não poderá voltar a amá-lo se este mantiver a ferocidade, pois o amor não é compatível com o medo. Galateia utiliza os mesmos argumentos junto do vento Noto. Os ventos amansam e a tormenta amaina. Feliz, Vénus afirma que os protegerá, pois estes foram devotos no amor, sentimento por ela defendido.
afirmação são: “Quebrando leva o mastro pelo meio,/Quase toda alagada; A gente chama/ Aquele que a salvar o mundo veio.”
Estânci a Nome da figura de Estilo Exemplo 75 Perífrase “Aquele que a salvar o mundo veio” 71 Anáfora “Em pedaços a fazem cum ruído/ Que o Mundo pareceu ser destruído” 84 Comparação “… os ventos, que lutavam/ como touros indómitos” 81 Apóstrofe “Divina Guarda, angélica, celeste” 78 Antonomásia “O grão ferreiro sórdio que obrou” 84 Personificação “…os ventos, que lutavam/..bramando…/Pela exárcia, assoviano.”
72 Anáfora “Alija (disse o mestre rijamente),/ Alija tudo ao mar” 86 Hipérbole “Estas obras de Baco são, por certo,” 81 Dupla Adjetivação “…o segundo/Povoador do alagado e vácuo mundo” 71 Dupla Adjetivação (^) “Quanto se dá a grande súbita procela”