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Apostilas de Biologia sobre a Teoria Celular, Citologia, importância do microscópio, Visão Geral da Célula, descobertas importantes na história da microscopia óptica
Tipologia: Notas de estudo
Compartilhado em 14/10/2013
4.5
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No século XIX, munidos das conclusões de seus antecessores, vários biologistas voltaram os interesses para a elaboração da chamada teoria celular. Nos anos de 1838 e 1839, dois cientistas alemães, o botânico Mathias Shleiden e o zoólogo Theodor Schawnn, estabeleceram definitivamente a teoria celular, a qual faz uma das grandes generalizações em Biologia, afirmando o seguinte:"Todos os seres vivos são formados por células".
Em 1858, outro biologista alemão Rudolf Virchov lançou a idéia de que as células se originam de outras células pré-existentes.
Posteriormente, verificou-se que a célula forma um todo vivo e o seu interior é preenchido por um conteúdo denominado protoplasma; essa denominação foi dada por Hertwig. O protoplasma era dividido em uma região central, o núcleo, e em uma porção mais periférica, o citoplasma, tudo envolvido pela membrana celular. Constatou-se, então, a complexidade da estrutura e composição química da célula, além de seu papel primordial como elemento morfofisiológico básico dos organismos vivos, responsável direto pelo seu bom ou mau funcionamento.
O avanço nas pesquisas celulares acabou mostrando as limitações do microscópio óptico para revelar maiores detalhes da intimidade celular. Com um poder de resolução de cerca de 1200 vezes, esse tipo de microscópio não permite observações criteriosas das estruturas citoplasmáticas que ocupam o interior das células.
No século XX, a invenção do microscópio eletrônico com um poder de resolução de até 600.000 vezes, juntamente com os avanços da Bioquímica, Biofísica, Imunologia, Fisiologia e Genética, contribuíram para um conhecimento bastante aprofundado de todos os processos celulares, bem como sua ultra-estrutura e composição molecular.
Desse modo, não só o homem tem obtido êxito no combate a inúmeras doenças como também vem acumulando e interpretando informações para melhor compreender o fenômeno vida.
Cada um dos seres vivos que ajudam a compor a complexa teia da vida em nosso planeta é ou foi uma única célula. Durante a fecundação, um gameta masculino e um feminino fundem-se, formando a célula denominada ovo ou zigoto. Essa única nova célula inicia um processo de sucessivas divisões, formando sempre novas células completas até construírem um organismo. As baleias azuis, com 35
metros de comprimento e pesando 125 toneladas, os maiores animais do planeta, assim como as sequóias da Califórnia, que chegam a 110 metros de altura e mais de 300 anos, representantes dos maiores vegetais do planeta, são constituídas por enormes quantidades de células.
Nós seres humanos, por exemplo, somos constituídos por algumas dezenas de trilhões de células. Porém, muitos organismos vivos permanecem constituídos por uma única célula e nem mesmo dependem de gametas para a reprodução. As bactérias, as cianofíceas, os protozoários, além de certas algas e fungos, possuem uma estrutura unicelular durante toda a sua existência, no interior dessas diminutas unidades, ocorrem complexos processos bioquímicos e físicos que permitem a continuidade da vida.
O ramo da biologia responsável pelo estudo das células é a Citologia ou a Biologia Celular.
A IMPORTÂNCIA DO MICROSCÓPIO A citologia é dependente de equipamentos que permitem a visualização das células, pois a maioria delas são tão pequenas que não podem ser observadas sem o auxílio de instrumentos ópticos de ampliação. O olho humano tem um limite de resolução de 0,2 mm. Abaixo desse valor, não é possível enxergar os objetos sem o auxilio de instrumentos, como lupas e, principalmente, o microscópio.
O crédito da invenção do microscópio é discutível, mas sabe-se que em 1590 os irmãos holandeses Franz, Johan e Zacarias Jensen compuseram um artefato rudimentar munido de um sistema de lentes, que permitia a ampliação e a observação de pequenas estruturas e objetos com razoável nitidez. O aparelho foi denominado de microscópio e se constituiu na principal janela da ciência para o mundo além da capacidade de resolução do olho humano.
Em 1665, o inglês Robert Hooke usou um microscópio para observar uma grande variedade de pequenos objetos, além de animais e plantas que ele mesmo representava em fiéis ilustrações. Hooke percebeu que a casca do carvalho era formada por uma grande quantidade de alvéolos vazios, semelhantes à estrutura dos favos de uma colmeia de abelhas. Naquela época, Hooke não tinha noção de que estava observando apenas contornos de células vegetais mortas. Publicou as suas descrições e ilustrações em uma obra denominada Micrographia, em que usa a designação "little boxes or cells" (pequenas caixas ou celas) para denominar os alvéolos observados, dando origem assim ao termo célula. O termo acabou tornando-se definitivo e oficial.
O aperfeiçoamento do microscópio determinou um aumento no volume de obras sobre investigações, usando os recursos da microscopia e, gradativamente, o homem foi desvendando os mistérios das células.
Algumas descobertas importantes na história da microscopia óptica.
1611 - Kepler sugere maneiras para a construção de um microscópio composto. 1655 - Hooke utiliza o microscópio composto para descrever pequenos poros em secções de rolhas, que chamou de "células". 1674 - Lecuwenhoek comunica a descoberta de protozoários. Visualiza uma bactéria pela primeira vez nove anos mais tarde. 1833 - Brown publica suas observações microscópicas de orquídeas descrevendo claramente o núcleo da célula. 1838 - Schleiden e Schwann propõem a teoria celular, afirmando que a célula nucleada é a unidade da estrutura e função em plantas e em animals. 1857 - Kolliker descreve a mitocôndria em células de músculo. 1876 - Abbé analisa os efeitos da difração na formação da imagem e mostra como melhorar a construção do microscópio. 1879 - Flemming descreve com muita clareza o comportamento dos cromossomos durante a mitose em células animais. 1881 - Retzius descreve tecidos animais com um nível de detalhamento até então não obtido por nenhum outro microscopista óptico. Na duas décadas seguintes ele, Cajal, e outros histologistas desenvolveram métodos de coloração e lançaram os fundamentos da anatomia microscópica. 1882 - Koch utilize aniline para corar microrganismos e identificar as bactérias causadoras da tuberculose e da cólera. Nas duas décadas seguintes outros bacteriologistas, como Klebs e Pasteur, identificam os agentes causais de muitas outras doenças, através do exame de preparações coradas ao microscópio. 1886 - Zeiss constrói uma série de lentes, para o projeto proposto por Abbé, que permite aos microscopistas revelar estruturas nos limites teóricos da luz visível. 1898 - Golgi visualiza pela primeira vez e descreve o aparelho de Golgi através da coloração das células com nitrato de prata. 1924 - Lacassagne e colaboradores desenvolvem método auto-radiográfico para localizar polônio radioativo em amostras biológicas. 1930 - Lebedeff projeta e constrói o primeiro microscópio de interferência. Em 1932, Zernicke inventa o microscópio de contraste de fase. Esses dois tipos de microscópios permitem que células vivas, não-coradas, sejam vistas em detalhe pela primeira vez. 1941 - Coons use anticorpos acoplados a corantes fluorescentes para detectar antígenos celulares. 1952 - Nomarski idealiza e patenteia o sistema de contraste de interferência diferencial para o microscópio óptico, o qual ainda tem o seu nome. 1981 - Allen e Inoué aperfeiçoam o microscópio óptico de contraste com sistema de vídeo avançado. 1988 - Microscópios confocais de varredura comerciais passam a ser amplamente utilizados