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Agentes Simpatolíticos., Notas de aula de Farmacologia

Esses fármacos são responsáveis por ativar os receptores alfa-2 pré-sinápticos, diminuindo a liberação de noradrenalina e, conseqüentemente, diminuindo a disponibilidade desse neurotransmissor na fenda sináptica para interação com os receptores pós-sinápticos. Essa diminuição ocorre porque os receptores alfa-2 pré-sinápticos estão envolvidos na modulação da liberação do neurotransmissor. Já os receptores pós-sinápticos são relacionados com o desencadeamento da resposta farmacológica

Tipologia: Notas de aula

2020

Compartilhado em 30/11/2021

eduardo2242
eduardo2242 🇧🇷

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Farmacologia III
Aula do dia 18/03
Fármacos Antihipertensivos – Agentes Simpatolíticos
Agonistas alfa-2 adrenérgicos
Esses fármacos são responsáveis por ativar os receptores alfa-2 pré-
sinápticos, diminuindo a liberação de noradrenalina e, conseqüentemente,
diminuindo a disponibilidade desse neurotransmissor na fenda sináptica para
interação com os receptores pós-sinápticos. Essa diminuição ocorre porque os
receptores alfa-2 pré-sinápticos estão envolvidos na modulação da liberação do
neurotransmissor. os receptores pós-sinápticos são relacionados com o
desencadeamento da resposta farmacológica.
CLONIDINA
Mecanismo de ação e ações celulares
A clonidina atua através da ativação central de receptores alfa-2
adrenérgicos. A diminuição da liberação da noradrenalina gera uma redução do
impulso eferente adrenérgico através das fibras que emergem do córtex em
direção aos vasos sanguíneos e coração. Com isso, redução do tônus
simpático eaumento do tônus parassimpático. Isso leva à vasodilatação, à
diminuição da resistência vascular periférica e da pressão arterial. Por outro
lado, a diminuição do tônus simpático leva a uma redução do ionotropismo
(força de contração), do débito sistólico, do débito cardíaco e da pressão
arterial.
Quando a clonidina é administrada em doses elevadas, por via
intravenosa, ocorre uma vasoconstricção transitória, que é rapidamente
seguida por uma diminuição persistente da pressão arterial. Essa
vasoconstricção transitória ocorre devido a uma ativação dos receptores alfa-
2b pós-sinápticos no músculo liso vascular. Porém, a vasoconstricção é
superada pela ação central da clonidina e pela ação periférica, em que ocorre a
vasodilatação devido à ativação dos receptores alfa-2a pré-sinápticos no
músculo liso vascular.
A clonidina, como é um composto imidazolínico, poderia interagir com
receptores imidazolínicos. Esses receptores estão envolvidos no controle da
pressão e se encontram localizados em regiões específicas do sistema nervoso
central.
Efeitos hemodinâmicos
Em doses terapêuticas por via oral, é observada uma redução da
pressão arterial, decorrente de: diminuição do volume sistólico e do débito
cardíaco, redução da freqüência cardíaca, relaxamento dos vasos de
capacitância (veias) e dos vasos de resistência (o que gera redução vascular
periférica, principalmente na posição ortostática). Também é observada uma
manutenção do fluxo renal, pois a clonidina faz uma vasodilatação geral dos
vasos renais, tanto dos aferentes quanto dos eferentes, e, portanto a taxa de
filtração glomerular se mantém constante.
O uso crônico da clonidina pode levar à retenção de sais e líquidos,
gerando um edema. Por isso, é recomendada uma associação com diuréticos.
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Farmacologia III

Aula do dia 18/

Fármacos Antihipertensivos – Agentes Simpatolíticos

Agonistas alfa-2 adrenérgicos Esses fármacos são responsáveis por ativar os receptores alfa-2 pré- sinápticos, diminuindo a liberação de noradrenalina e, conseqüentemente, diminuindo a disponibilidade desse neurotransmissor na fenda sináptica para interação com os receptores pós-sinápticos. Essa diminuição ocorre porque os receptores alfa-2 pré-sinápticos estão envolvidos na modulação da liberação do neurotransmissor. Já os receptores pós-sinápticos são relacionados com o desencadeamento da resposta farmacológica. CLONIDINA  Mecanismo de ação e ações celulares A clonidina atua através da ativação central de receptores alfa- adrenérgicos. A diminuição da liberação da noradrenalina gera uma redução do impulso eferente adrenérgico através das fibras que emergem do córtex em direção aos vasos sanguíneos e coração. Com isso, há redução do tônus simpático e há aumento do tônus parassimpático. Isso leva à vasodilatação, à diminuição da resistência vascular periférica e da pressão arterial. Por outro lado, a diminuição do tônus simpático leva a uma redução do ionotropismo (força de contração), do débito sistólico, do débito cardíaco e da pressão arterial. Quando a clonidina é administrada em doses elevadas, por via intravenosa, ocorre uma vasoconstricção transitória, que é rapidamente seguida por uma diminuição persistente da pressão arterial. Essa vasoconstricção transitória ocorre devido a uma ativação dos receptores alfa- 2b pós-sinápticos no músculo liso vascular. Porém, a vasoconstricção é superada pela ação central da clonidina e pela ação periférica, em que ocorre a vasodilatação devido à ativação dos receptores alfa-2a pré-sinápticos no músculo liso vascular. A clonidina, como é um composto imidazolínico, poderia interagir com receptores imidazolínicos. Esses receptores estão envolvidos no controle da pressão e se encontram localizados em regiões específicas do sistema nervoso central.  Efeitos hemodinâmicos Em doses terapêuticas por via oral, é observada uma redução da pressão arterial, decorrente de: diminuição do volume sistólico e do débito cardíaco, redução da freqüência cardíaca, relaxamento dos vasos de capacitância (veias) e dos vasos de resistência (o que gera redução vascular periférica, principalmente na posição ortostática). Também é observada uma manutenção do fluxo renal, pois a clonidina faz uma vasodilatação geral dos vasos renais, tanto dos aferentes quanto dos eferentes, e, portanto a taxa de filtração glomerular se mantém constante. O uso crônico da clonidina pode levar à retenção de sais e líquidos, gerando um edema. Por isso, é recomendada uma associação com diuréticos.

 Farmacocinética Esse fármaco apresenta boa absorção por via oral, pois é altamente lipossolúvel. A concentração máxima é atingida em até 3 horas e a meia-vida é de cerca de 12 horas. A sua eliminação é urinária e sua metabolização ocorre a nível hepático, por reação de oxidação. Metade do fármaco é eliminado na sua forma metabolizada e, a outra metade, in natura. As doses iniciais devem ser baixas com elevação gradual. Existem preparações de liberação lenta, na forma de adesivos transdérmicos.  Efeitos adversos Os principais efeitos colaterais observados são: sedação, depressão, disfunção sexual, bradicardia (devido à diminuição acentuada do tônus simpático), boca seca, constipação intestinal, dermatite de contato e crise hipertensiva na suspensão abrupta (por isso, a retirada do medicamento deve ser gradual).  Usos terapêuticos A clonidina é recomendada para o tratamento da hipertensão moderada ou severa em pacientes com complicações renais, já que ela não modifica a função renal.  Usos preconizados A clonidina pode ser utilizada para o tratamento da ansiedade e depressão, assim como para o tratamento da síndrome de abstinência aos opióides. Também pode ser aplicada para a redução do estresse pós operatório, principalmente quando se trata de uma cirurgia cardíaca, já que facilita a performance cardíaca do paciente. ALFA-METIL DOPA A alfa-metil dopa é um pró-fármaco, que entra na via de metabolização das catecolaminas e seu metabólito também é agonista alfa-2 adrenérgico. Portanto, seu metabólito é tão importante quanto o precursor.  Efeitos hemodinâmicos A alfa-metil dopa atua na redução da pressão arterial, por reduzir a resistência vascular periférica; possui pouco efeito sobre o débito cardíaco e a freqüência cardíaca¹; promove inibição da secreção de renina (o que não revela importância para a diminuição da pressão arterial); pode promover pseudo-tolerância, com retenção de sais e líquidos (por isso, recomenda-se a associação com diuréticos). ¹ Observado em pacientes jovens e saudáveis. Nestes pacientes, a diminuição da pressão arterial ocorre principalmente pela redução da resistência vascular periférica. Já nos idosos, ocorre um efeito sobre o débito cardíaco em conseqüência da redução da pré-carga². Também ocorre a redução da resistência vascular periférica, do tônus das veias, o que leva a diminuição do retorno venoso e a diminuição do débito cardíaco. ² A pré-carga é um parâmetro que tem relação com o tônus venoso (vasos de capacitância). É relacionado com a quantidade de sangue que chega ao coração e é bombeado.

Os efeitos adversos mais importantes são: boca seca, vertigem, cefaléia, sonolência, tosse (raro) e fraqueza/astenia.  Usos terapêuticos Esses medicamentos podem ser utilizados na hipertensão refratária (que não responde a nenhum outro medicamento) e na hipertensão durante a gravidez, uma vez que não ocorrem efeitos adversos no feto. Bloqueadores ganglionares TRIMETAFAN  Mecanismo de ação Bloqueio dos receptores nicotínicos que se encontram tanto no gânglio simpático quanto no parassimpático. Essa inibição leva à redução do tônus simpático, o que confere os efeitos farmacológicos do trimetafan, e à elevação do tônus parassimpático, o que confere os efeitos adversos.  Efeitos hemodinâmicos Esse fármaco gera uma inibição de reflexos vasomotores simpáticos, uma diminuição do ionotropismo cardíaco, uma vasodilatação por inibição do tônus simpático, gerando diminuição da resistência vascular periférica e do débito cardíaco e, por conseqüência, da pressão arterial.  Farmacocinética Esse fármaco é o principal utilizado para cirurgias e, por isso, deve ser administrado por via intravenosa, de forma lenta. Seu efeito ocorre em apenas 5 minutos e pode durar de 10 a 15 minutos. A posição do paciente é essencial para o controle de uma possível hipotensão severa. O paciente deve estar corretamente posicionado para que possa haver efeito antihipertensivo.  Usos terapêuticos É utilizado para cirurgias (usado para diminuir a pressão no local da cirurgia), principalmente para remoção de aneurismas na aorta. Também é utilizado para emergências em geral.  Efeitos adversos Constipação, íleo paralítico, retenção urinária, glaucoma, visão turva, boca seca e hipotensão postural. Antagonistas alfa-1 adrenérgicos PRAZOSIN, DOXAZOSIN, TERAZOSIN Esses três fármacos possuem estruturas químicas bastante parecidas. Porém, a diferença principal deles está na farmacocinética. O prazosin, por exemplo, pode ser utilizado em esquemas de doses múltiplas, já que sua meia- vida é em torno de 4 horas. Já o doxazosin e o terazosin possuem meias-vidas maiores e só são administrados 1 vez ao dia.

 Mecanismo de ação Antagonizam todos os tipos de receptores alfa-1 adrenérgicos, inclusive alfa-1A (encontrados no coração e nos vasos) e alfa-1B (encontrados nos vasos de alta condutância). O bloqueio nos receptores alfa-1 nas artérias gera uma diminuição da resistência vascular periférica e, conseqüentemente, da pós- carga¹. Já o bloqueio nos receptores alfa-1 nas veias causa uma vasodilatação que aumenta a capacitância, diminuindo o retorno de sangue no coração e, assim, diminuindo a pré-carga. ¹ A pós-carga tem relação com a força que o coração faz no momento da sístole. Se há uma alta resistência vascular periférica, o coração deve fazer uma força maior para ejetar o sangue do coração e, portanto, a pós-carga aumenta. O sítio de ação preferencial desses fármacos é nos vasos, tanto nas artérias quanto nas veias. Há várias cascatas de sinalização relacionadas com os receptores alfa-1 que geram vasoconstricção. As vias dão início com a ativação de Gq11, que leva à mobilização de cálcio ou que levam ao aumento de sensibilização de cálcio. Existem também vias relacionadas ao peptídeo Ro, que levam à mobilização de Ro-quinase e contribuem para o aumento da sensibilização de cálcio. A mobilização de cálcio ocorre através da abertura de canais de cálcio voltagem-dependentes do túbulos L. A sensibilização ao cálcio acontece com uma maior proporção de cálcio participando da fosforilação da miosina de cadeia leve, pra que ela passe para o estado inativo. Quando é administrado um bloqueador alfa-1, é inibida a sensibilização de cálcio e a sua mobilização. Assim, ele gera dilatação no músculo liso.  Farmacocinética O prazosin possui boa absorção por via oral e apresenta meia-vida de 3 a 4 horas, podendo ser realizado esquema de doses múltiplas.  Efeitos adversos Fenômeno da primeira dose (tem relação com o desenvolvimento de hipotensão postural; só acontecem na primeira vez, pois acaba desenvolvendo tolerância) e obstrução nasal (dilatação dos vasos da mucosa nasal).  Usos terapêuticos Esses fármacos podem ser utilizados em associação com diuréticos e outros antihipertensivos. Eles são utilizados para hipotensão moderada (para diminuição da pós-carga), insuficiência cardíaca congestiva (para redução da pré e pós-cargas) e hiperplasia prostática benigna (diminui a resistência ao fluxo urinário). Antagonistas beta-adrenérgicos PROPRANOLOL, METOPROLOL, PINDOLOL O propranolol é um bloqueador não seletivo, o metoprolol é beta- seletivo e o pindolol é um bloqueador com atividade intrínseca. Em certos casos, o propranolol pode causar uma bradicardia intensa. Assim, o pindolol é o fármaco de escolha para substituição.

Boa absorção por via oral, biodisponibilidade variável, o volume de distribuição depende da lipossolubilidade de cada fármaco.  Efeitos adversos Deve-se ter cuidado com a musculatura lisa bronquiolar, devido ao aumento da resistência em asmáticos. Pode haver síndrome de abstinência, hipertensão paradoxal e hipertensão rebote (deve haver interrupção abrupta do tratamento).  Usos terapêuticos Hipertensão moderada ou severa (associação com diuréticos e/ou vasodilatadores), angina de peito, arritmia, insuficiência cardíaca congestiva e doenças neuropsiquiátricas. Antagonistas alfa-1 e beta-1 seletivos LABETALOL Promove vasodilatação sem produzir taquicardia. É uma mistura de isômeros. Um deles promove bloqueio beta e o outro promove o bloqueio alfa. Ocorre a diminuição do débito cardíaco e da resistência vascular periférica, diminuindo a pressão arterial. Só é utilizado para emergências hipertensivas, pois pode causar hepatite. CARVEDILOL Molécula de terceira geração, considerada como beta-bloqueadora vasodilatadora. Inibe o influxo de cálcio através dos canais de cálcio voltagem- dependentes do músculo liso vascular e do coração e inibe a atividade do bloqueio beta-1 adrenérgico. Além do bloqueio alfa-1 e beta-1, possui ação antioxidante e antiproliferativo (gera apoptose). Muito utilizado para pacientes com insuficiência cardíaca.