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Resumpo de como o leite materno protege os recem nascidos e etc.
Tipologia: Resumos
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Como o leite materno
protege os recém-nascidos
maternity by Picasso
Como o leite materno protege os recém-nascidos
á muito tempo os médicos sabem que crianças amamentadas contraem muito menos infec- ções do que aquelas que recebem fórmula. Até bem recentemente, muitos médicos presumiam que as crianças amamentadas vivem melhor simplesmente porque o leite fornecido diretamente do peito está livre de bactérias. A fórmula infantil, frequentemente precisa ser misturada com água e colocada em mamadeiras, podendo tornar-se facilmente contaminada. Mesmo crianças que recebem fórmula esterilizada sofrem mais de meningite e de infecções intestinais, de ouvido, dos tratos respiratório e urinário do que aquelas que são amamentadas. A razão, está provada, é que o leite materno, de diversos modos, ajuda ativamente os recém-nascidos a evitar doenças. Tal ajuda é particularmente benéfica durante os primeiros meses de vida, quando um bebê frequentemente não consegue produzir uma resposta imune efetiva contra organismos estranhos. E, embora não seja a norma em muitas culturas industrializadas, tanto o UNICEF quanto a Organização Mundial de Saúde recomendam a amamentação por “dois anos de idade ou mais”. De fato, a resposta imune das crianças não atinge sua capacidade plena até a idade de 5 anos ou mais. Todos os bebês recebem alguma proteção antes de nascer. Durante a gravidez a mãe passa anticorpos para o feto através da placenta. Estas proteínas circulam no sangue do bebê por semanas a meses após o nascimento, neutralizando os microorganismos ou marcando-os para serem destruidos por fagócitos
APÓS INGERIR UM MICRÓBIO ( Fig 1 ), a mãe fabrica moléculas de anticorpos chamadas IgA secretora as quais entram no leite materno ( Fig 2 ) e ajudam a proteger a criança amamentada dos patógenos do seu ambiente ( Fig 3 ). Mais especificamente, um micróbio é capturado pelas células M da mãe ( Fig1 ) - células especializadas do
Fig 1
micróbio
célula M
células epitelias
célula T auxiliar sinal químico célula B ativada
canal linfático
macrófago
Algumas das moléculas e células do leite humano ajudam ativamente os bebês a afastarem as infecções.
Breve panorama dos Benefícios Imunológicos do Leite Materno
Componente Ação
Células brancas do sangue
Linfócitos B Produzem anticorpos dirigidos contra microorganismos específicos.
Macrófagos Eliminam imediatamente microorganismos do intestino do bebê, produzem lisozima e ativam outros componentes do sistema imune.
Neutrófilos Podem agir como fagócitos, ingerindo bactérias do sistema digestivo do bebê.
Linfócitos T Eliminam células infectadas diretamente ou emitem mensagens químicas para mobilizar outros mecanismos de defesa. Eles proliferam na presença de organismos que causam doenças graves em crianças. Eles também fabricam substâncias que podem reforçar a resposta imune da própria criança.
Moléculas
Anticorpos da Ligam-se aos micróbios no trato classe IgA digestivo do bebê e desta forma impedem secretora que eles passem através da parede do intestino para dentro dos tecidos do corpo.
Proteína que Reduz a quantidade de vitamina B 12 que a se liga à B12 bactéria necessita para crescer.
Fator bifidus Promove o crescimento de Lactobacillus bifidus , uma bactéria inofensiva, no intestino do bebê. O crescimento de tais bactérias não patogênicas ajuda a afastar os germes perigosos.
Ácidos graxos Rompem as membranas que envolvem certos vírus e os destroem.
Fibronectina Aumenta a atividade antimicrobiana dos macrófagos; ajuda-os a reparar tecidos que foram lesados por reações imunes no intestino do bebê.
Gama-interferon Aumenta a atividade antimicrobiana das células imunológicas.
Hormônios e Estimulam a maturação mais rápida do trato fatores do digestivo do bebê. Quando as membranas crescimento de revestimento do intestino, inicialmente “porosas”, amadurecem, a criança torna-se menos vulnerável aos microorganismos.
Lactoferrina Muitas bactérias necessitam se ligar ao ferro para sobreviver. Por reduzir a quantidade de ferro disponível, a lactoferrina frustra o crescimento de bactérias patogênicas.
Lisozima Elimina bactérias rompendo suas paredes celulares.
Mucina Adere a virus e bactérias, impedindo tais microorganismos de se ligarem a superfícies mucosas.
Oligossacárides Ligam-se a microorganismos e os impedem de se ligarem a superfícies mucosas.
maneiras. Primeiro, o grupo de anticorpos transmitidos a uma criança é altamente dirigido contra os agentes patogênicos que a cercam naquele momento. A mãe sintetiza anticorpos quando ingere, inala ou entra em contato com agentes causadores de doença. Cada anticorpo que ela produz é específico para aquele agente; isto é, o anticorpo se liga a uma única proteína ou antígeno da superfície do agente e não perde tempo atacando substâncias irrelevantes. Como a mãe fabrica anticorpos somente contra patógenos de seu próprio ambiente, o bebê recebe a proteção de que mais necessita - contra os agentes infecciosos que ele tem mais probabilidade de entrar em contato nas primeiras semanas de vida. Segundo, os anticorpos liberados para a criança ignoram as bactérias úteis que são encontradas normal- mente no intestino. Esta flora serve para bloquear o crescimento de organismos prejudiciais, proporcio- nando outra forma de resistência. Os pesquisadores ainda não descobriram como o sistema imune da mãe sabe produzir anticorpos contra um único agente patogênico e não contra bactérias normais, mas qualquer que seja o processo ele favorece o estabelecimento de “bactérias boas” no intestino do bebê. Além disso, as moléculas de IgA secretora, distintamente de outros anticorpos, não causam prejuízo ao bebê, uma vez que afastam a doença sem causar inflamação - processo em que vários agentes químicos destroem os microorganisos mas potencial- mente podem lesar tecido sadio. No intestino em desenvolvimento de um bebê, a membrana mucosa é extremamente delicada, e um excesso destes agentes químicos pode causar um dano considerável. Curiosamente, é provável que a IgA secretora possa proteger a mucosa de outras superfícies além da intestinal. Em muitos países, particularmente no Oriente Médio, oeste da América do Sul e norte da
África, as mulheres colocam leite nos olhos de suas crianças para tratar infecções oculares. Não sei se este medicamento tem sido testado cientificamente, mas existem razões teóricas para acreditar que funcione. Provavelmente, deve funcionar pelo menos algumas vezes ou a prática teria sido abandonada.
Moléculas Úteis em Abundância
N
o leite humano, várias moléculas além da IgA se- cretora impedem os microorganismos patogênicos de se ligarem à superfície mucosa. Os oligossacárides, que são cadeias simples de açúcar, frequentemente contém propriedades que simulam os locais de ligação através dos quais as bactérias penetram no revestimento celular do trato intestinal. Deste modo, estes açúcares podem interceptar bactérias, formando com elas complexos menos prejudiciais que são excretados pelo bebê. Além disso, o leite humano contém grandes moléculas chamadas mucinas que incluem uma grande quantidade de proteínas e carboidratos. Elas também são capazes de se aderir a bactérias e vírus eliminando-os do corpo. Adicionalmente, as moléculas do leite têm outras funções valiosas. Cada molécula de uma proteína chamada lactoferrina, por exemplo, pode se ligar a dois átomos de ferro. Como muitas bactérias patogênicas crescem às custas de ferro, a lactoferrina detem sua expansão ao tornar o ferro não disponível. Ela é especialmente efetiva para impedir a proliferação de organismos que frequentemente causam doenças graves em crianças, incluindo o Staphylococcus aureus. Além de limitar seu crescimento, a lactoferrina também rompe o processo pelo qual a bactéria digere carboidratos. Analogamente, a proteína ligada à B 12 , como seu nome sugere, priva os microorganismos de vitamina B 12. O fator bifidus, um dos mais antigos fatores de resistência à doença conhecidos do leite humano, promove o crescimento de um organismo benéfico chamado Lactobacillus bifidus. Os ácidos graxos livres presentes no leite podem danificar as membranas que envolvem os virus encapsulados, como o pox virus da galinha, os quais estão carregados de material genético encaixados no envoltório proteico. O interferon, encontrado particularmente no colostro - o leite ralo e, algumas vezes amarelado, produzido pela mãe durante os primeiros dias após o nascimento
inflamação; parece que ela pode também ajudar na reparação do tecido lesado pelo processo inflamatório.
Defesas Celulares
A
ssim como as moléculas de defesa, as células do sistema imunológico também são abundantes no leite humano. Elas consistem de células da série branca do sangue, ou leucócitos, que combatem diretamente a infecção e ativam outros mecanismos de defesa. A quantidade mais impressionante é encontrada no colostro. A maioria das células são neutrófilos, um tipo de fagócito que normalmente circula na corrente sanguínea. Algumas evidências sugerem que os neutrófilos continuam a agir como fagócitos no intestino da criança. Eles são menos agressivos do que os neutrófilos do sangue e virtualmente desaparecem do leite materno seis semanas após o nascimento. Portanto, talvez sirvam para alguma outra função, tal como proteger a mama contra infecção. O segundo tipo de leucócito mais comum do leite é o macrófago, o qual é fagócito tal como o neutrófilo e desempenha uma série de outras funções protetoras. Os macrófagos constituem cerca de 40% de todos os leucócitos do colostro. São muito mais ativos do que os neutrófilos do leite, e recentes pesquisas mostram que são mais móveis do que os macrófagos do sangue. Além de serem células fagocíticas, os macrófagos fabricam lisozima no leite materno, aumentando sua quantidade no trato gastrointestinal da criança. A lisozima é uma enzima que destrói bactérias rompendo suas paredes celulares. Além disso, os macrófagos no trato digestivo podem se juntar aos linfócitos na sua ação contra os
Fig 4 - Anticorpo IgA secretora, representado esquematicamente, con- siste em duas moléculas de IgA “grudadas” por um fragmento proteico conhecido como cadeia J. O elemento secretor (em negro) envolve as moléculas unidas. As elipses representam áreas funcionais. Cada um dos quatro braços destes anticorpos contém uma área de fixação do antígeno.
molécula de IgA
componente secretor
cadeia J área de fixação do antígeno