




























































































Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Prepare-se para as provas
Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity
Prepare-se para as provas com trabalhos de outros alunos como você, aqui na Docsity
Encontra documentos específicos para os exames da tua universidade
Prepare-se com as videoaulas e exercícios resolvidos criados a partir da grade da sua Universidade
Responda perguntas de provas passadas e avalie sua preparação.
Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium
Este documento aborda o estudo de anéis comunitativos com unidade e a série de potências de uma indeterminada sobre a. Ele discute a igualdade de polinômios e demonstra como obter as soluções inteiras de um sistema de equações. Além disso, o texto trata sobre a resolução de equações de grau inferior a 5 e apresenta o exemplo de um bijeção. O documento também aborda as propriedades dos inteiros e a interpolação de lagrange.
Tipologia: Notas de estudo
1 / 165
Esta página não é visível na pré-visualização
Não perca as partes importantes!





























































































Anel = Anel comutativo com unidade
N = { 1 , 2 , 3 ,.. .} = Conjunto dos n´umeros naturais
Z = {... , − 2 , − 1 , 0 , 1 , 2 ,.. .} = Anel dos n´umeros inteiros
Z+^ = { 0 , 1 , 2 , 3 ,.. .} = Subconjunto dos n´umeros inteiros n˜ao negativos
Q = Corpo dos n´umeros racionais
R = Corpo dos n´umeros reais
C = Corpo dos n´umeros complexos
Y X^ = Conjunto da fun¸c˜oes de X em Y
A∗^ = Conjunto dos elementos invert´ıveis do anel A
Kern ϕ = n`ucleo do homomorfismo ϕ
Neste Cap´ıtulo iniciaremos o estudo das propriedades alg´ebricas b´asicas dos polinˆomios com coeficientes num anel comutativo com unidade. Nas disciplinas de C´alculo os polinˆomios s˜ao vistos como fun¸c˜oes particu- lares de vari´avel real e como tal s˜ao estudados. A necessidade de se distinguir os polinˆomios das fun¸c˜oes polinomiais surge pela considera¸c˜ao de polinˆomios com coeficientes em corpos finitos, de uso cada vez mais freq¨uente por causa de suas in´umeras aplica¸c˜oes pr´aticas. Muito do estudo das propriedades dos polinˆomios em uma indeterminada est´a relacionado com o desenvolvimento da Teoria das Equa¸c˜oes Alg´ebricas `a qual est˜ao associados os nomes de Tartaglia, Lagrange, Ruffini, Gauss, Abel, culminando com as contribui¸c˜oes fundamentais de Abel e Galois. As propriedades dos polinˆomios em v´arias indeterminadas foram pesqui- sadas inicialmente por suas conex˜oes com a Geometria Anal´ıtica, evoluindo no que hoje se chama Geometria Alg´ebrica. Atualmente os polinˆomios desempenham papel relevante em muitas par- tes da Matem´atica.
Seja A um anel, considerado, uma vez por todas, comutativo com unidade, e seja X uma indeterminada sobre A. Uma s´erie de potˆencias f (X) com coeficientes em A ´e uma soma formal infinita do tipo:
f (X) =
i=
aiXi^ = a 0 X^0 + a 1 X^1 + a 2 X^2 + · · ·
com ai ∈ A, para todo i ∈ Z+. Os Xi^ s˜ao provisoriamente vistos apenas como s´ımbolos indicadores de posi¸c˜ao.
Duas s´eries de potˆencias f (X) =
i=0 aiX
i (^) e g(X) = ∑∞ i=0 biX
i (^) s˜ao con- sideradas iguais se ai = bi para todo i ∈ Z+. Os elementos ai s˜ao chamados de coeficientes e a parcela aiXi^ de monˆomio de grau i. Convenciona-se omitir o monˆomio aiXi^ quando ai = 0 e costuma-se denotar a 0 X^0 por a 0 e a 1 X^1 por a 1 X.
O conjunto de todas as s´eries de potˆencias com coeficientes em A ´e de- notado por A[[X]] e nele definimos as seguintes opera¸c˜oes:
Adi¸c˜ao: ∑∞
i=
aiXi^ +
i=
biXi^ =
i=
(ai + bi)Xi.
Multiplica¸c˜ao: ( (^) ∞ ∑
i=
aiXi
i=
biXi
i=
( (^) i ∑
j=
aj bi−j
Xi.
Note que com esta defini¸c˜ao de produto, temos que Xi^ · Xj^ = Xi+j^ , para todo i e j, dando assim um sentido de potˆencia ao s´ımbolo Xi.
PROPOSIC¸ ˜AO 1.1. O conjunto A[[X]] com as opera¸c˜oes acima definidas ´e um anel.
DEMONSTRAC¸ AO:˜ A associatividade e a comutatividade da adi¸c˜ao s˜ao de verifica¸c˜oes imediatas. O elemento neutro da adi¸c˜ao ´e 0 =
i=0 0 X
i, enquanto que o sim´etrico de f (X) =
i=0 aiX
i (^) ´e −f (X) = ∑∞ i=0(−ai)X
i. A comutatividade da multiplica¸c˜ao ´e imediata e a propriedade distributiva ´e f´acil de ser verificada. A ´unica propriedade que merece verifica¸c˜ao ´e a associatividade da multiplica¸c˜ao. Sejam
f (X) =
i=
aiXi, g(X) =
i=
biXi^ e h(X) =
i=
ciXi.
PROPOSIC¸ ˜AO 1.2. A[X] ´e um subanel de A[[X]].
DEMONSTRAC¸ AO:˜ Basta, de acordo com I-7, Proposi¸c˜ao 1, mostrar que 1 ∈ A[X], o que ´e ´obvio; e que se p(X)q(X) ∈ A[X], ent˜ao p(X) − q(X) ∈ A[X] e p(X) · q(X) ∈ A[X]. De fato, se p(X) =
∑n i=0 aiX
i (^) e q(X) = ∑n i=0 biX
i, ent˜ao
p(X) − q(X) =
max ∑{n,m}
i=
(ai − bi)Xi^ ∈ A[X]
e
p(X) · q(X) =
n∑+m
j=
cj Xj^ ∈ A[X] onde cj =
i+k=j
ai · bk.
Dado um polinˆomio p(X) = a 0 + a 1 X + · · · anXn^ ∈ A[X] − { 0 }, define-se grau de p(X) como sendo o inteiro
gr(p(X)) = max{i ∈ Z+; ai 6 = 0}.
Note que o polinˆomio nulo ´e o ´unico polinˆomio que n˜ao possui grau e que gr(p(X)) > 0 se, e somente se, p(X) ∈ A[X] − A.
O coeficiente do tˆermo de grau igual ao gr(p(X)) ´e chamado de coeficiente l´ıder de p(X). Um polinˆomio cujo coeficiente l´ıder ´e igual a 1 ´e chamado de polinˆomio mˆonico. Um polinˆomio nulo ou de grau zero ser´a chamado de polinˆomio constante. Vejamos agora como a hip´otese sobre A de ser dom´ınio se reflete sobre A[X].
PROPOSIC¸ ˜AO 1.3. Seja A um dom´ınio. Se p(X), q(X) ∈ A[X] − { 0 }, ent˜ao p(X) · q(X) 6 = 0 e gr(p(X) · q(X)) = gr(p(X)) + gr(q(X)).
DEMONSTRAC¸ AO:˜ Considere os polinˆomios p(X), q(X) ∈ A[X] dados por
p(X) = a 0 + a 1 X + · · · + anXn^ e q(X) = b 0 + b 1 X + · · · + bmXm
onde an 6 = 0 e bm 6 = 0. Ent˜ao,
p(X) · q(X) = a 0 · b 0 + (a 0 · b 1 + a 1 · b 0 )X + · · · + an · bmXn+m.
Como A ´e dom´ınio, segue que an · bm 6 = 0, logo
p(X) · q(X) 6 = 0 e gr(p(X) · q(X)) = n + m = gr(p(X) + q(X)).
COROL ´ARIO 1.1. Se A ´e um dom´ınio, ent˜ao A[X] ´e dom´ınio.
Em particular, se K ´e um corpo ent˜ao K[X] ´e um dom´ınio.
COROL ´ARIO 1.2. Seja A um dom´ınio. Se p(X), q(X) ∈ A[X] − { 0 } s˜ao tais que t(X) divide p(X), ent˜ao gr(t(X)) ≤ gr(p(X)).
DEMONSTRAC¸ AO:˜ Existe por hip´otese, um polinˆomio n˜ao nulo q(X) em A[X] tal que t(X) · q(X) = p(X). Logo pela Proposi¸c˜ao 3, segue que gr(p(X)) − gr(t(X)) = gr(q(X)) ≥ 0. Da´ı segue a desigualdade desejada.
COROL ´ARIO 1.3. Seja A um dom´ınio. Um elemento p(X) ∈ A[X] ´e invert´ıvel se, e somente se, p(X) ∈ A e ´e invert´ıvel em A. Em s´ımbolos,
DEMONSTRAC¸ AO:˜ Se p(X) ∈ A[X] ´e invert´ıvel, ent˜ao p(X) 6 = 0 e existe q(X) ∈ A[X] − { 0 } tal que p(X) · q(X) = 1. Tomando graus e usando a Proposi¸c˜ao 3 temos que gr(p(X)) + gr(q(X)) = 0. Logo gr(p(X)) = gr(q(X)) = 0 e, portanto p(X), q(X) ∈ A e p(X) ´e invert´ıvel em A. A rec´ıproca ´e imediata.
Um fato que merece ser evidenciado ´e a diferen¸caa existente entre po- linˆomios e fun¸c˜oes polinomiais, dois conceitos que freq¨uentemente s˜ao inde- vidamente confundidos. A um polinˆomio p(X) ∈ A[X] associa-se uma fun¸c˜ao p ∈ AA^ chamada fun¸cao polinomial, definida por
p : A −→ A a 7 −→ p(a) = a 0 + a 1 · a + · · · + an · an.
O elemento p(a) de A ´e chamado de valor de p(X) em a. E evidente que a´ dois polinˆomios iguais s˜ao associadas duas fun¸c˜oes polinomiais iguais. Em contrapartida, dois polinˆomios distintos podem dar origem a duas fun¸coes po- linomiais iguais. Por exemplo, p(X) = X^2 − X e q(X) = 0, como polinˆomios de Z 2 [X] s˜ao distintos, por´em, as fun¸c˜oes polinomiais a eles associadas s˜ao iguais. Mais geralmente, se p ´e um n´umero primo positivo, decorre do Pe- queno Teorema de Fermat (I-6, Problema 1.10) que os polinˆomios Xp^ − X
obtemos o sistema: (^)
¯ 2 · c = ¯ 4 ¯ 2 · d + c^2 = a ¯ 2 · c · d = −¯ 4 d^2 = b
que resolvido, nos fornece c = ¯2, d = −¯1, b = ¯1 e a = ¯2. Portanto,
X^4 + bar 4 X^3 + ¯ 2 X^2 − ¯ 4 X + ¯1 = (X^2 + ¯ 2 X − ¯1)^2
(a) Se p(X), q(X) ∈ A[X], com coeficiente l´ıder de p(X) ou de q(X) regular, ent˜ao gr(p(X) · q(X)) = gr(p(X)) + gr(q(X)). (b) Se p(X), t(X) ∈ A[X], com coeficiente l´ıder de t(X) regular e se t(X) | p(X), ent˜ao gr(t(X)) ≤ gr(p(X)). (c) Calcule gr(p(X) · q(X)) onde p(X) = ¯ 3 X^3 + ¯ 2 X + ¯1 e q(X) = ¯ 2 X^2 + ¯ 3 X + 1 em Z 6 [X].
(d) Mostre que (¯ 2 X^2 + ¯ 2 X + ¯1) | ¯3 em Z 6 [X].
(a) O polinˆomio X^4 −aX^3 +8X^2 +a seja o quadrado de um polinˆomio de Z[X]. (b) O polinˆomio X^4 + X^3 + aX^2 + X + 1 seja o produto de dois polinˆomios do segundo grau em Z[X].
(a) O polinˆomio X^4 + ¯ 3 X^3 + ¯ 5 X^2 + aX + b seja o quadrado de um polinˆomio de Z 7 [X]. (b) O polinˆomio X^3 + aX + ¯5 seja divis´ıvel por X^2 + ¯ 5 X + ¯6 em Z 7 [X].
Ava : A[X] −→ A p(X) 7 −→ p(a)
´e um homomorfismo de an´eis.
(a) Se gr(p(X)) < n, mostre que p(X) + p(ξX) + p(ξ^2 X) + · · · + p(ξn−^1 X) = n · p(0).
(b) Deduza uma f´ormula para esta soma se gr(p(X)) ≥ n.
∑∞ i=0 aiX i (^) ∈ A[[X]] ´e invert´ıvel em A[[X]] se, e somente se, a 0 ´e invert´ıvel em A[X]. Sugest˜ao: Seja g(X) = ∑∞ i=0 biXi. Tem-se que^ f^ (X)^ ·^ g(X) = 1 se, e somente se, a 0 · b 0 = 1 e ∑i j=0 aj^ bi−j^ = 0, para todo^ i^ ≥^ 1. Mostre que se^ b^0 =^ a − 1 0 , ent˜ao a equa¸c˜ao acima determina bi em fun¸c˜ao dos a′ j s e de b 0 , b 1 ,... , bi− 1 , determinando assim g(X) = (f (X))−^1.
(1 − X)−^1 =
∑^ ∞ i=
Xi.
Se a ∈ K − { 0 }, determine (a − X)−^1.
Mostre que se A ´e um dom´ınio e se f (X), g(X) ∈ A[[X]] − { 0 }, ent˜ao
ord(f (X) · g(X)) = ord(f (X)) + ord(g(X)). Isto prova que se A ´e um dom´ınio, ent˜ao A[[X]] tamb´em ´e um dom´ınio.
(a) Dado f ∈ K[[X]] − K, mostre que existem m ∈ N e u invert´ıvel em K[[X]] tais que f = Xm^ · u.
com r 1 (X) = 0 ou gr(r 1 (X)) < gr(p(X)). Se r 1 (X) = 0 ou se gr(r 1 (X)) < gr(t(X)), o problema fica resolvido tomando r(X) = r 1 (X) e q(X) = b− m^1 anXn−m^. Se gr(r 1 (X)) ≥ gr(t(X)), repete-se o procedimento acima com r 1 (X) no lugar de p(X), obtendo
r 1 (X) − q 2 (X) · t(X) = r 2 (X), (1.2)
com r 2 (X) = 0 ou gr(r 2 (X)) < gr(r 1 (X)). Se r 2 (X) = 0 ou se gr(r 2 (X)) < gr(t(X)), o problema fica resolvido pois p(X) = (q 1 (X) + q 2 (X)) · t(X) + r 2 (X). Se gr(r 2 (X)) ≥ gr(t(X)), repete-se o procedimento acima com r 2 (X) no lugar de r 1 (X), obtendo
r 2 (X) − q 3 (X) · t(X) = r 3 (X), (1.3)
com r 3 (X) = 0 ou gr(r 3 (X)) < gr(r 2 (X)). E assim sucessivamente, obtendo r 1 (X), r 2 (X), r 3 (X),... tais que
gr(r 1 (X)) > gr(r 2 (X)) > gr(r 3 (X)) > · · ·
Segue ent˜ao que para certo s ∈ N, tem-se rs(X) = 0 ou gr(rs(X)) < gr(t(X)). Levando em conta (1), (2), (3),... temos que
p(X) = (q 1 (X) + q 2 (X) + · · · + qs(X)) · t(X) + rs(X)
bastando ent˜ao tomar q(X) = q 1 (X)) + q 2 (X) + · · ·+ qs(X)) e r(X) = rs(X).
Unicidade: Suponha que
t(X) · q(X) + r(X) = t(X) · q 1 (X) + r 1 (X)
com r(X) = 0 ou gr(r(X)) < gr(t(X)) e r 1 (X) = 0 ou gr(r 1 (X)) < gr(t(X)). Da igualdade acima, obtemos que
t(X)[q(X) − q 1 (X)] = r 1 (X) − r(X) (1.4)
Pelas condi¸c˜oes impostas a r(X) e r 1 (X) temos que
r 1 (X) − r(X) = 0 ou gr(r 1 (X)) < gr(t(X)).
Se r 1 (X) − r(X) 6 = 0, segue de (1.4) e do Problema 1.1 (b) que
gr(r 1 (X) − r(X)) ≥ gr(t(X)),
o que ´e uma contradi¸c˜ao. Portanto r 1 (X) = r(X) e conseq¨uentemente de (1.4) temos que q 1 (X) = q(X).
OBSERVAC¸ AO 1:˜ Seguindo os passos da demonstra¸c˜ao do Teorema, obtemos o algoritmo da divis˜ao longa de dois polinˆomios:
anXn^ + an− 1 Xn−^1 + · · · · · · · · · + a 0 bmXm^ + · · · + b 0
−anXn^ − b− m^1 bm− 1 anXn−^1 − · · · − b− m^1 b 0 anXn−m^ b− m^1 anXn−m^ + · · ·
r 1 (X) .. .
OBSERVAC¸ AO 2: Se˜ A ´e um corpo ent˜ao ´e sempre poss´ıvel efetuar a divis˜ao por qualquer polinˆomio t(X) 6 = 0.
OBSERVAC¸ AO 3:˜ Suponha que p(X), t(X) ∈ B[X] onde B ´e um su- banel de A e o coeficiente l´ıder de t(X) ´e invert´ıvel em B. Ent˜ao q(X) e r(X) calculados pelo algoritmo da divis˜ao em A[X] ter˜ao necess`ariamente coeficientes em B.
OBSERVAC¸ AO 4: Os polinˆ˜ omios p(X), t(X), q(X) e r(X) no algoritmo da divis˜ao s˜ao chamados respectivamente de dividendo, divisor, quociente e resto.
EXEMPLO 1 : E poss´´ ıvel efetuar a divis˜ao de 3X^5 + 2X^3 + X^2 − 5 X + 7 por 2X^3 + 3X + 1 em Q[X] mas n˜ao ´e poss´ıvel fazˆe-lo em Z[X].
DEMONSTRAC¸ AO˜ : Pelo Teorema 1, existem q(X), r(X) ∈ A[X] tais que p(X) = (aX + b) · q(X) + r(X) com r(X) = 0 ou gr(r(X)) < 1. Em qualquer caso r(X) ´e um polinˆomio constante, logo
p
b a
= 0 · q
b a
b a
= r(X).
COROL ´ARIO 1.5. Sejam a, b ∈ A com a invert´ıvel e p(X) ∈ A[X]. O polinˆomio p(X) ´e divis´ıvel por aX + b se, e somente se p
− (^) ab
DEFINIC¸ ˜AO 1.1. Se p(X) ∈ A[X] e α ∈ A s˜ao tais que p(α) = 0, dizemos que α ´e raiz do polinˆomio p(X).
Segue do Corol´ario 2 que α ´e raiz de p(X) se e somente se (X − α) divide p(X).
COROL ´ARIO 1.6. Seja A um dom´ınio. Se p(X) ∈ A[X] − { 0 } tem grau n, ent˜ao p(X) tem no m´aximo n ra´ızes distintas.
DEMONSTRAC¸ AO˜ : Vamos provar isto por indu¸c˜ao em n. Se n = 0, ent˜ao p(X) ´e uma constante n˜ao nula e portanto tem zero ra´ızes, estabe- lecendo o resultado neste caso. Suponha agora o resultado v´alido para n e seja p(X) um polinˆomio de grau n + 1. Se p(X) n˜ao tem ra´ızes, nada temos a provar. Se p(X) tem uma raiz α, ent˜ao p(X) = (X − α) · q(X), com q(X) ∈ A[X] e gr(q(X)) = n. Pela hip´otese de indu¸c˜ao, q(X) tem no m´aximo n ra´ızes distintas e sendo A um dom´ınio, as ra´ızes de p(X) s˜ao as ra´ızes de q(X) e as ra´ızes de (X −α), logo p(X) tem no m´aximo n+1 ra´ızes.
COROL ´ARIO 1.7. Seja A um dom´ınio infinito. Se p(X), q(X) ∈ A[X] s˜ao tais que p(a) = q(a) para todo a ∈ A (i.e. as fun¸c˜oes polinomiais s˜ao iguais), ent˜ao p(X) = q(X) (i.e. os polinˆomios s˜ao iguais).
DEMONSTRAC¸ AO˜ : Suponha por absurdo que p(X) − q(X) 6 = 0. Ent˜ao, pelo Corol´ario 3, p(X)−q(X) tem um n´umero finito de ra´ızes. Isto contradiz a hip´otese p(a) = q(a) para todo a ∈ A pois A ´e infinito.
Considere a aplica¸c˜ao
ϕ : A[X] −→ AA p(X) 7 −→ fun¸c˜ao polinomial associada a p(X)
Usando o exerc´ıcio 1.4 ´e f´acil verificar que ϕ ´e um homomorfismo de an´eis. O Corol´ario 4 mostra que se A ´e um dom´ınio infinito, ent˜ao N(ϕ) = { 0 }.
DEFINIC¸ ˜AO 1.2. Dizemos que um corpo K ´e algebricamente fechado se todo polinˆomio n˜ao constante de K[X] tem pelo menos uma raiz em K.
COROL ´ARIO 1.8. Seja K um corpo algebricamente fechado e seja ainda p(X) ∈ K[X] um polinˆomio n˜ao constante. Se gr(p(X)) = n, ent˜ao existem elementos α 1 , α 2 ,... , αn ∈ K e a ∈ K tais que
p(X) = a · (X − α 1 ) · (X − α 2 ) · · · (X − αn)
DEMONSTRAC¸ AO˜ : A prova pode ser feita por indu¸c˜ao sobre n e a dei- xamos a cargo do leitor.
PROPOSIC¸ ˜AO 1.4. Se K ´e um corpo algebricamente fechado, ent˜ao K ´e infinito.
DEMONSTRAC¸ AO˜ : Suponha por absurdo que K seja finito, digamos que K = {a 0 , a 1 ,... , an− 1 } onde a 0 = 0 e a 1 = 1. Considere o polinˆomio
p(X) = (X − a 0 ) · (X − a 1 ) · · · · · · · (X − an− 1 ) + a 1.
Verifica-se diretamente que p(X) n˜ao tem ra´ızes em K o que ´e uma con- tradi¸c˜ao, pois p(X) ´e n˜ao constante e K ´e algebricamente fechado.
Nem todo corpo ´e algebricamente fechado, por exemplo, se p ´e um n´umero primo positivo, o corpo Zp n˜ao ´e algebricamente fechado por ser finito. O corpo R , apesar de infinito, n˜ao ´e algebricamente fechado pois o polinˆomio n˜ao constante X^2 + 1 ∈ R[X] n˜ao possui ra´ızes em R.
O famoso Teorema Fundamental da Algebra´ garante que C ´e algebrica- mente fechado. Este Teorema possui uma longa hist´oria e muitas demons- tra¸c˜oes, nenhuma delas por´em se faz com m´etodos puramente alg´ebricos, devendo-se sempre usar m´etodos da an´alise. Vamos ao longo do texto admi- tir este resultado cuja demonstra¸c˜ao encontra-se no Apˆendice 1.