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álgebra vetorial
Tipologia: Notas de estudo
1 / 126
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Departamento de Matem´
atica
Universidade Estadual Vale do Acara´
u
Sobral, 22 de
maio de
2006
14.5 28.
grafico - Scilab
-5.
-0.
15
O plano de trabalho.
Queremos sugerir-lhe um modo de usar este livro que se poderia se asse-
melhar ao de um
hipertexto
1 .
ultima parte do livro ´
e um ´
ındice remissivo
alfab´
etico em que
todas
as palavras-chave do texto se encontram al´
ı listadas com
referˆ
encia `
as p´
aginas em que elas se encontram. Verifique agora, por exemplo,
Fourier
, ou
vetor
, e vocˆ
e ver´
a a lista das p´
aginas em que estas palavras se en-
contram pelo menos alguma vez com uma defini¸
c˜ ao adequada.
Esta ´
e forma
que encontramos para algumas vezes lhe sugerir uma leitura l´
a na frente, ilus-
brutal que a indica¸trando algum conceito que ainda viria no futuro. Parece-nos uma forma menos
c˜ ao n´
umerica. Fa¸
ca uso intensivo do ´
ındice remissivo como
se vocˆ
e se encontrasse na frente de um hipertexto e nos desculpe pela demora
de acesso...e n˜
ao se esque¸
ca de colocar um marcador de p´
agina para saber de
onde saiu...
Uma s´
ıntaxe se imp˜
oe nas comunica¸
c˜ oes, tentamos usar o
it´
alico
com duas
inten¸
c˜ oes:
palavras-chave que vocˆ
e poder´
a encontrar no ´
ındice remissivo al-
1 que pretens˜
ao.. mas ´
e mesmo assim!
fab´ 2
etico, ou, palavras das quais vocˆ
e deve desconfiar porque elas est˜
ao mal
definidas ou apresentadas de modo intuitivo.
O negrito se encontra reservado
para as
palavras t´
ecnicas
que tem uma defini¸
c˜ ao bem clara no texto. Esta
regra, entretanto, ainda est´
a em constru¸
c˜ ao e poder´
a falhar aqui ou al´
ı, pelo
menos nesta edi¸
c˜ ao experimental.
Um outro elemento sint´
atico ´
e a
letra pequena
, ela indica que o texto escrito
com ela pode ser ignorado numa primeira leitura, mas que n˜
ao precisa ser igno-
rado definitivamente, representam exemplos ou observa¸
c˜ oes mais aprofundadas
e que podem ser lidas como uma curiosidade te´
orica sem consequˆ
encias maiores
para o resto do texto.
Este uso da
ˆenfase
no texto, tem segundas inten¸
c˜ oes, uma delas (das in-
ten¸
c˜ oes), de salientar uma bolha l´
ogica, nos vai permitir de falar de concei-
tos que n˜
ao podemos definir no momento sem criar um texto ileg´
ıvel.
E uma´
atitude pr´
opria de um livro did´
atico, nele se tem, como primeiro objetivo, a
comunica¸
c˜ ao com o estudante, a exposi¸
c˜ ao de Matem´
atica para quem a quer
aprender, e obviamente, n˜
ao se dirige a quem j´
a a domina. Assim, avan¸
caremos
alguns conceitos cuja defini¸
c˜ ao formal seria cr´
ıtica, mas sua apresenta¸
c˜ ao num
est´
agio inicial completa uma vis˜
ao global que o estudante j´
a deveria at´
e mesmo
ter, n˜
ao fosse a fragilidade do nosso sistema educacional.
O uso de aster´
ısco n’algum exerc´
ıcio, tem o sentido de que o mesmo pode
ser mais dif´
ıcil ou que o mesmo se encontra fora do contexto. O objetivo n˜
ao
deve ser o de desencorajar quem os tentem resolver.
Afinal,
dif´
ıcil
, n˜
ao ´
e um
do tempo.qualificativo absoluto, nem siquer relativamente a uma mesma pessoa ao longo
Este livro tem duas partes dentro das quais distribuiremos os assuntos:
alculo Diferencial;
alculo Integral.
Mas observe que as
departamentaliza¸
c˜ oes
s˜ ao autorit´
arias e artificiais. Elas s˜
ao
feitas para atender uma necessidade pr´
atica de disposi¸
c˜ ao de assuntos, com
objetivo sistˆ
emico, mas n˜
ao se podem tornar camisas de for¸
ca nem sugerir que o
conhecimento pode ser adquirido linearmente. Assim, vocˆ
e ir´
a encontrar muito
estaremos derivada e na segunda a integral).parte apesar de que estas partes tem objetivos reversos, (na primeira parteuso da integral dentro da primeira parte... e muito uso da derivada na segunda
Vamos a uma r´
apida justificativa de nossa escolha de desenvolvimento do
assunto que tamb´
em servir´
a de uma introdu¸
c˜ ao.
A primeira raz˜
ao das “coisas”´
e que pretendemos escrever uma cole¸
c˜ ao de pe-
quenos livros cobrindo toda a matem´
atica do que se chama
alculo Avan¸
cado
e que em nossa opini˜
ao deve ser estudado num segundo ano de gradua¸
c˜ ao por
todos os estudantes de ciˆ
encias, sejam eles futuros engenheiros ou futuros pro-
fessores da Escola Secund´
aria, ou futuros professores de Matem´
atica da Univer-
sidade. Observe nossa posi¸
c˜ ao, intencional, de associar profissionais, queremos
dizer, sim, que o professor da Escola Secund´
aria deve ter uma base matem´
atica
3
umeros e geometria no
3
Opera¸
c˜ oes com vetores........................
Exemplos de espa¸
cos vetoriais....................
Derivadas de fun¸
c˜ oes bivariadas
A derivada
Diferenciabilidade...........................
Opera¸
c˜ oes e derivadas
A f´
ormula de Taylor
Series e aproxima¸
c˜ ao de fun¸
c˜ oes.
A s´
erie de Taylor...........................
O erro m´
edio..........................
O erro integral.........................
Polinˆ
omios Trigonom´
etricos......................
Aproxima¸
c˜ ao polinomial cl´
assica...................
Quadrados m´
ınimos......................
O m´
etodo de Gram-Schmidt.
eries num´
ericas.
Defini¸
c˜ oes e exemplos.
Crit´
erios de convergˆ
encia.
eries de fun¸
c˜ oes............................
eries de potˆ
encias.......................
Generaliza¸
c˜ oes.
Espa¸
cos de fun¸
c˜ oes.
Convergˆ
encia condicional.
Aplica¸
c˜ oes
As s´
eries de Fourier.
Fenˆ
omenos vibrat´
orios, a m´
usica................... 100
As comunica¸
c˜ oes.
Compacta¸
c˜ ao de dados.
Equa¸
c˜ oes diferenciais......................... 103
Tabelas diversas
3
Introdu¸
c˜ ao
Dimens˜
ao e variedade
Hiperplano e hipersuperf´
ıcie no
4
Um pouco sobre classifica¸
c˜ ao de variedades
Conjunto aberto e fronteira de um conjunto........ 117
Complementos sobre Integra¸
c˜ ao................... 121
Complementos sobre Geometria e Derivada
Somas m´
ultiplas de Riemann
Integral m´
ultipla - Solu¸
c˜ ao
O caso da fronteira curva
A integral de linha
Integral de linha
Derivadas Parciais
Aplica¸
c˜ oes das derivadas....................... 176
Vetor normal e gradiente
Derivadas de fun¸
c˜ oes vetoriais.................... 190
Miscelˆ
anea de Exerc´
ıcios....................... 191
O teorema de Green
Teorema de Green
Campos vetoriais conservativos ou n˜
ao........... 201
Forma trivial do Teorema de Green............. 204
Rota¸
c˜ ao e fluxo............................ 218
Superficie
Superf´
ıcie e ´
area
Aplica¸
c˜ oes............................... 235
ormulas Integrais
10.1 Generaliza¸
c˜ oes da integral...................... 241
Bibliografia ............................................................................... i
Dois vetores somados geometricamente pela regra do paralelograma.
No dom´
ınio de
W
f
−→
R
em volta de um ponto
P
∈
W,
h´ a muitas dire¸
c˜ oes
para escolher e estudar a varia¸
c˜ ao.
Gr´
aficos simultˆ
aneos do polinˆ
omio de Taylor de grau 3 e da fun¸
c˜ ao
f
.
...
Graficos simultˆ
aneos do seno e de seu polinˆ
omio de Taylor de grau 11.
Reta tangente ao gr´
afico de
(^) f
no ponto
x
= (^) −
Polinˆ
omios de grau 11 e 13 do seno desenvolvidos em
x (^) = 0
.
........
polinˆ
omio trigonom´
etrico com 5 termos: aproxima¸
c˜ ao da fun¸
c˜ ao dente de serrote
em
(^) R
.
..................................
polinˆ
omio trigonom´
etrico com 10 termos no intervalo [
− 15
, (^) 15]: aproxima¸
c˜ ao da
fun¸
c˜ ao dente de serrote em
R .
Area associada a uma soma parcial-proje¸´
c˜ ao para traz - proje¸
c˜ ao para frente.
gr´
afico da par´
abola
x
7 →
21 (^) ( x 2 −^
x (^) −
(^) 2) aproximada por um polinˆ
omio trigo-
nom´
etrico, no intervalo [
−
π, π
].
...................... 103
Um conjunto aberto Ω
(^3)
(^) P
e um ponto.
C´ ırculo de centro na origem coberto por uma malha uniforme
O c´
ırculo como dom´
ınio de integra¸
c˜ ao.
Uma curva e sua aproxima¸
c˜ ao poligonal
Uma variedade linear e seu vetor normal
Gr´
afico aproximado da curva plana
Uma malha retangular em Ω induz uma parti¸
c˜ ao no conjunto de sa´
ıda
(^) W
Uma superf´
ıcie com ponto singular
Parametriza¸
c˜ ao do quadrado
Q
de lado 1, com v´
ertices (
,
, (^) (
, 1).
Os distintos caminhos entre
P, Q
no dom´
ınio Ω
,
; α, β, γ
A fronteira de um dom´
ınio inclue as fronteiras dos seus buracos...
a ori-
enta¸
c˜ ao da fronteira pode ser determinada por tangˆ
encia.
A orienta¸
c˜ ao de uma curva pode ser incompat´
ıvel com a orienta¸
c˜ ao da fronteira.
A indepenˆ
encia de caminhos; as curvas s˜
ao percorridas de acordo com a
indica¸
c˜ ao das setas.
A independˆ
encia de caminhos
Isot´
ermicas e linhas de fluxo
O princ´
ıpio do coseno
As tres t´
ecnicas b´
asicas do C´
alculo
Neste cap´
ıtulo vamos estudar as tres t´
ecnicas b´
asicas do C´
alculo, derivada, integral e limite,
tendo o espa¸
co tridimensional como o cen´
ario de trabalho.
Limite
´e o estudo do
comportamento assint´
otico
, usamos
limite
para definir a
integral
e a
derivada
. Que ´
e a integral? vocˆ
e ver´
a depois que h´
a outras formas de se conceber a integral
e que o pr´
oprio limite ´
e um tipo de integral, mas esta vis˜
ao ainda faz parte do futuro e n´
os
queremos usar o que vocˆ
e recentementre aprendeu. Para compreender o que era a integral,
vocˆ
e, considerou uma fam´
ılia de
n
retˆ
angulos sob o gr´
afico de uma fun¸
c˜ ao e lhes calculou a
´area
A x i =
f ( x i )∆
x i ,
e depois lhe disseram que
quando os
∆
x i se aproximarem de zero a soma
n
i=1P
A x i se apro-
ximar´
a de um n´
umero
, este n´
umero ´
e a integral de
f.
Mas pode n˜
ao ser assim, neste caso a
fun¸
c˜ ao n˜
ao ´
e integr´
avel, ´
e isto que caracteriza um
comportamento assint´
otico
.
O comportamento assint´
otico ´
e a id´
eia central deste cap´
ıtulo.
Resumo.
Vamos estudar os elementos e as estruturas b´
asicas para generalizar o C´
alculo Diferencial e
Enquanto que no caso univariado tinhamosIntegral univariado.
R
⊃
[a, b
] →f
R
e queriamos estudar a
taxa de
varia¸
c˜ ao
(^) instˆ
antanea de
f
num determinado ponto
(^) x
∈ (^) [ a, b
] , (^) n˜ ao havia muita escolha quanto
`a
varia¸
c˜ ao de
x,
para frente
ou
para tr´
as
.
Aqui as fun¸
c˜ oes ser˜
ao multivariadas quer dizer
que num ponto
P
∈ (^) W
de uma fun¸
c˜ ao
W
f
−→
R , h´
a muitas dire¸
c˜ oes em que se pode escolher
para estudar a taxa de varia¸
c˜ ao, veja a (fig. 1.2), p´
agina 15.
Introdu¸
c˜ ao: ´
algebra e Vetores.
O conceito de vetor surgiu na F´
ısica como muitas das no¸
c˜ oes da Matem´
atica. O conceito
f´ ısico estava ligado a uma entidade geom´
etrica, uma “seta”, porque tinha que ter
dire¸
c˜ ao e
intensidade
.
Esta vis˜
ao geom´
etrica ´
e primitiva e tem que ser generalizada para ser melhor
aplicada em distintas situa¸
c˜ oes. Como sempre, ´
e um processo
alg´
ebrico, ou formal
que produz
a generaliza¸
c˜ ao adequada.
Os passos desta generaliza¸
c˜ ao seguem uma an´
alise do conceito que se deseja generalizar.
Com
vetores
, queriam os f´
ısicos, estender o conceito de n´
umero.
Os n´
umeros eram pobres,
representam apenas a
(^) intensidade
, era preciso associar-lhe
dire¸
c˜ ao
(^) e
sentido
. Os tres conceitos
se encontram sintetizados, geometricamente, num “
segmento de reta orientado
”, que tem
m´
odulo
, (^) dire¸
c˜ ao
(^) e (^) sentido
. Entretanto os dois ´
ultimos conceitos se confundem uma vez que n˜
a
´e poss´
ıvel falar de
sentido
(^) sem
dire¸
c˜ ao
. De uma certa forma se pode dizer que existem apenas
dois novos conceitos num “
vetor
”:
intensidade
(ou m´
odulo) e ˆ
angulo
, desde que se tenha
estabelecido um padr˜
a adequado para medi¸
c˜ ao de ˆ
angulos. Mas padr˜
a para medir tamb´
em ´
e
necess´
ario quando se fala em intensidade. A representa¸
c˜ ao geom´
etrica dos vetores conduziu
naturalmente ao conceito geom´
etrico de soma destes objetos: a regra do paralelograma, (fig.
1.1).
As outras “coordenadas”contidas no conceito de vetor:
intensidade, ˆ
angulo, dire¸
c˜ ao,
sentido
, que de alguma forma se sobrep˜
oem, todas surgiram da concep¸
c˜ ao geom´
etrica.
Os conceitos de ˆ
angulo, comprimento ou m´
odulo, ficam todos ge-neralizados pelo conceito
de
produto escalar
. Em Geometria Anal´
ıtica se define o produto escalar de dois vetores, mas
´e na
Algebra Linear que se estende convenientemente o conceito de n´´
umero incluindo os
vetores.
Hoje encontramos a palavra vetor utilizada em computa¸
c˜ ao ou mesmo em economia ou
planejamento e a ideia subjacente ´
e a mesma.
No “vetor” que aparece em computa¸
c˜ ao n˜
a
tem sentido falar em m´
odulo na verdade a palavra certa seria
matriz
(^) que generaliza a ideia de
vetor: um objeto multi-num´
erico, ou
n´ umero generalizado
como algumas vezes as estaremos
chamando aqui para enfatizar.
3
(^0)
(^1)
(^2)
3
(^4) (^5) (^6) (^7) (^8) (^9)
10
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9
10
soma de dois vetores Regra do Paralelograma
Figura 1.1:
Dois vetores somados geometricamente pela regra do paralelograma.
Uma outra inven¸
c˜ ao da Humanidade foi o n´
umero complexo, que ´
e um tipo de vetor
e surgiu de forma independente para resolver quest˜
oes alg´
ebricas,
como ´
e o caso da raiz
quadrado de
−
1 . Por sua origem alg´
ebrica, os n´
umeros complexos tinham uma capacidade
operat´
oria completa:
soma, multiplica¸
c˜ ao, divis˜
ao e subtra¸
c˜ ao.
Nossos antepassados quase
que reconheciam neles autˆ
enticos n´
umeros, mas deixaram registrada a desconfian¸
ca de que
havia alguma coisa
errada
no nome:
n´ umeros complexos
.
Em seguida se descobriu que os
n´ umeros complexos eram uma
esp´
ecie
de n´
umeros geom´
etricos com uma representa¸
c˜ ao ve-
torial de modo que o conjunto,
C
, dos n´
umeros complexos, era plano, generalizando a reta
R
que representava os n´
umeros reais. Nos s´
eculos 19 e 20 se multiplicaram as tentativas de
constru¸
c˜ oes de
n´ umeros geom´
etricos
de dimens˜
ao maior do que 2, sobre
R . Algumas dessas
constru¸
c˜ oes tiveram sucesso, os
quaternions
s˜ ao um desses exemplos que tˆ
em uma
´algebra
parecida com a dos
n´ umeros complexos
.
Na atual estrutura da Matem´
atica, os vetores s˜
ao
objeto de estudo de uma disciplina chamada
Algebra Linear´
, que ´
e um “departamento” da
Algebra ´
.
Neste primeiro cap´
ıtulo faremos uma introdu¸
c˜ ao sistem´
atica, mas resumida, da ´
algebra
linear que ser´
a necess´
aria para estudar C´
alculo Multivariado ao mesmo tempo em que iremos
desenvolvendo os conceitos do C´
alculo. Vamos descrever o
cen´
ario
em que se vai desenvolver
a
a¸ c˜ ao
. A figura (fig. 1.2) pretende ilustrar isto, num ponto
P
do dom´
ınio h´
a v´
arias dire¸
c˜ oes
sobre as quais podemos estudar a taxa de varia¸
c˜ ao de uma fun¸
c˜ ao
W
f
−→
(^) R
,
sugerindo, ent˜
ao, que a derivada, que guarda o coeficiente angular instantˆ
aneo de uma fun¸
c˜ ao,
tem que ser considerado em v´
arias poss´
ıveis dire¸
c˜ oes.
Opera¸
c˜ oes com vetores
regra do paralelograma
, (fig.
1.1), cont´
em os elementos de semelhan¸
ca de
triˆ
angulos necess´
arios para que se transporte
sentido
e
intensidade
, contidos no
objeto geom´
etrico vetor, de modo que possamos
superpˆ
o-los geom´
etricamente
Ao mesmo tempo ela cont´
em, dentro da pr´
opria semelhan¸
ca de triˆ
angulo, os
elementos alg´
ebricos da defini¸
c˜ ao:
u
= (
a, b
v
= (
x, y
u
(^) v
a
(^) x, b
y ) .
Exemplo 2
Espa¸
co vetorial de fun¸
c˜ oes cont´
ınuas.
Os polinˆ
omios
as vezes
(^) podem ser vistos como fun¸
c˜ oes, ent˜
ao as fun¸
c˜ oes formam um caso
mais amplo de espa¸
co de vetores.
As fun¸
c˜ oes,
pelo menos numa primeira aproxima¸
c˜ ao
, s˜
ao objetos definidos em pontos de
um determinado conjunto chamado
dom´
ınio
, aos quais se associam valores que se encontram
no
conjunto dos valores
.
O dom´
ınio funciona como um
conjunto de ´
ındices
e podemos ver assim que
R 3
nada
mais ´
e do que o conjunto de todas as fun¸
c˜ oes reais definidas no dom´
ınio
{ 1 , 2 , 3 }
se podendo
entender a nota¸
c˜ ao
x i como
x ( i ) , o valor de
x
no ponto
i.
Esta ideia se pode generalizar para o conjunto de ´
ındices
[ a, b
],
um intervalo da reta.
No C´
alculo univariado se definem as fun¸
c˜ oes cont´
ınuas e se mostra que
soma de fun¸
c˜ oes
cont´
ınuas
´e uma
fun¸
c˜ ao cont´
ınua
, leia-se:
soma de vetores ´
e um vetor
.
Se chamarmos
V
=
C ([ a, b
] , (^) R ) ao espa¸
co vetorial de todas as fun¸
c˜ oes cont´
ınuas definidas
no intervalo
[ a, b
] e tomando valores em
R , podemos verificar que
C ([ a, b
] , R ) tem todas as
propriedades (prop. 4), p´
agina 16, sendo um
espa¸
co vetorial sobre o corpo
(^) R
.
A
dimens˜
ao
deste espa¸
co pode ser rapidamente discutida.
Veja que, no caso do
R 3 , o
conjunto dos ´
ındices, ´
e o dom´
ınio em que se encontram definidas as fun¸
c˜ oes que formam
este espa¸
c o,
que justificamos ser um espa¸
co de dimens˜
ao 3.
Agora estamos discutindo
fun¸
c˜ oes cujo dom´
ınio, leia
(^) conjunto dos ´
ındices
, ´ e o intervalo
[a, b
] , que tem uma “quantidade”
de elementos n˜
ao finita
1 .
Assim, apenas comparando os conjuntos de ´
ındices, concluimos
que as fun¸
c˜ oes cont´
ınuas, definidas no intervalo
[a, b
] tem uma “quantidade” n˜
ao finita de
informa¸
c˜ oes fazendo do espa¸
co
C ([ a, b
] , R ) um espa¸
co vetorial de dimens˜
ao n˜
ao finita.
Os espa¸
cos de polinˆ
omios tamb´
em podem nos conduzir rapidamente `
a
compreens˜
ao de
que existem espa¸
cos de dimens˜
ao n˜
ao finita. Como um polinˆ
omio de grau
(^) n
(^) ´e,
(^) intuitivamente
,
um vetor de dimens˜
ao
n (^) + 1
, porque precisamos de
n (^) + 1
informa¸
c˜ oes para escrevˆ
e-los, ent˜
ao
vemos que existem espa¸
cos de dimens˜
ao finita,
n , arbitr´
arios contidos no espa¸
co de
todos
os polinˆ
omios,
R [x ] , (^) que assim n˜
ao pode ser um espa¸
co de dimens˜
ao finita.
Mas a
natureza
dos dois epa¸
cos,
C ([ a, b
], (^) R
) ou
R [x ] ´e distinta, como tamb´
em ´
e distinta
a natureza da “n˜
ao finitude” de suas dimens˜
oes.
Estes fatos v˜
ao nos levar a discutir no
cap´
ıtulo 2 os problemas de aproxima¸
c˜ ao.
Observa¸
c˜ ao
3
Aproxima¸
c˜ ao, finitude, cardinalidade.
Problemas:
Como aproximar
, com um n´
umero finito de informa¸
c˜ oes, um objeto que
contenha uma
quantidade n˜
ao finita de informa¸
c˜ oes?
Existe alguma
coisa
n˜ ao finita `
a
nossa
volta?
Estes problemas se encontram no centro da investiga¸
c˜ ao tecnol´
ogica dos nossos dias uma
vez que as
informa¸
c˜ oes
que temos guardar ou transmitir s˜
a
fun¸
c˜ oes
, como a quantidade de
energia contida num fenˆ
omeno, voz, figura, etc...
Por outro lado, os instrumentos que temos para medir devem transformar estes fenˆ
omenos
em uma quantidade finita de informa¸
c˜ oes, digitaliz´
a-las, para que possamos guard´
a-las ou
trnsmit´
ı-las.
Outra quest˜
ao que fica para ser aprofundada ´
e esta sobre a “quantidade” de elementos
n˜ ao finita. Esta quest˜
ao se constitue de uma teoria chamada
cardinalidade
.
Al´
em de somar vetores, resultando n’outro vetor, e multiplicar vetores por
escalares, resultando ainda n’outro vetor, precisamos do
produto escalar
de
Defini¸dois vetores:
c˜ ao 2
Produto Escalar.
u
= (
x 1 , (^) · · ·
(^) , x
n )
v
= (
y 1 , (^) · · ·
(^) , y
n )
< u, v >
n
x i (^) y i
|u
| · |
v | (^) cos(
θ )
1 N˜ ao se pode usar esta linguagem, “quantidade”, neste conceito, sem incorrer em con-
tradi¸
c˜ oes de natureza l´
ogica.
3
Vamos sintetizar o n´
ucleo da id´
eia, o
m´
etodo formal da ´
algebra entra em
cena
: na express˜
ao acima temos um s´
ımbolo que representa o produto escalar,
cuja defini¸
c˜ ao se encontra `
a direita e tem propriedades que podemos facilmente
2
deduzir: Teorema
Propriedades do produto escalar em
3 .
< u, v >
< v, u >
< u, λv
1
(^) βv
2
>
=
λ < u, v
1
>
β < u, v
2 >
Estas duas propriedades caracterizam
como uma forma (transforma¸
c˜ ao)
bilinear que chamaremos de
produto escalar
Exerc´
ıcios 1
cas contas e mostre que se
< u, v >
n
x i y i
ent˜
ao,
< u, v >
< v, u >.
2
que se
u, v
forem dois vetores unit´
arios, ent˜
ao (veja que
suas coordenadas podem ser escritas usando sen, cos),
< u, v >
= cos
(^) α
(^) cos
(^) β
(^) α
(^) sin
β
e deduza da´
ı que
< u.v >
= cos
(^) θ
;
θ
=
α (^) −
β
´e o ˆ
angulo entre os dois vetores.
u, v
n˜ ao forem unit´
arios, ent˜
ao eles s˜
ao multiplos de vetores
unit´
arios pelos escalares
u | , (^) | v | e conclua que
< u, v >
u || v | cos
(^) θ
c˜ ao “abstrata” de ˆ
angulo
(^) Mostre que a partir da defini¸
c˜ ao de
um pro-
duto escalar
num espa¸
co vetorial, podemos definir o ˆ
angulo entre dois ve-
tores dados, (solu¸
c˜ ao mais adiante no texto).
Quando um espa¸
co vetorial tiver um
produto escalar
diremos que ´
e um
espa¸
co
euclidiano
2 N˜ ao permita que o autor o intimide, pergunte se n˜
ao estiver claro...
ou se cale para
sempre.
Observa¸
c˜ ao
A estrutura euclidiana.
Se identificarmos alguma
fun¸
c˜ ao
em outro espa¸
co vetorial tendo as mesmas propriedades
do
(^) produto escalar
, ent˜
a
descobrimos
um novo espa¸
co euclidiano e suas propriedades s˜
a muito
parecidas, ou possivelmente as mesmas, do
R 3 .
E desta generaliza¸´
c˜ ao que falavamos: o estudo acurado de um determinado exemplo nos
permite uma estens˜
ao de suas propriedades a uma fam´
ılia de objetos semelhantes a ele. Ao
mesmo tempo isto se constitue de um m´
etodo expositivo que adotaremos que vai do particular
para o geral: a an´
alise dos exemplos permite sua generaliza¸
c˜ ao e uma classifica¸
c˜ ao adequada
cria uma categoria de objetos aos quais a mesma an´
alise se aplica.
Vamos aplicar tudo que estudarmos sobre o
R 3 `as
s´ eries de Fourier, mais adiante, mas o
espa¸
co
onde estaremos trabalhando ter´
a como vetores,
fun¸
c˜ oes
. Veja o exemplo logo a seguir
em que estamos nos exercitando no que ser´
a necess´
ario mais a frente.
Chamamos sua aten¸
c˜ ao para a ambig¨
uidade da defini¸
c˜ ao de produto escalar, (def.
2),
na p´
agina 18, usando
soma
e tamb´
em o
produto de m´
odulos
. Apenas uma deveria ter sido
apresentada como defini¸
c˜ ao, a outra sendo um teorema.
Os exerc´
ıcios tentam sanar esta
ambig¨
uidade, resolva o exerc´
ıcio e escolha quem ´
e a defini¸
c˜ ao e quem ´
eo teorema.
Veja
assim outro fato que passa desapercebido na constru¸
c˜ ao da Matem´
atica, que nem tudo ´
e
absoluto, muitas vezes vocˆ
e pode escolher o que ´
e defini¸
c˜ ao
ou
teorema
. Escolha qual ´
e o
seu
teorema.
O produto escalar ´
e t´
ıpico dos
espa¸
cos vetoriais euclidianos
, e h´
a espa¸
cos em que n˜
ao se
pode definir um produto escalar coerente com a estrutura vetorial, nestes espa¸
cos se perde o
conceito de ˆ
angulo. Neste livro trataremos apenas de espa¸
cos euclidianos.
A parte final da defini¸
c˜ ao (def.
e de “natureza geom´
etrica”, pode ser
utilizada para definir
ˆangulo
quando a
geometria usual n˜
a der mais p´
e :
Defini¸
c˜ ao 3
Angulo. Dados dois vetoresˆ
u, v
o ˆ
angulo entre eles ´
e o n´
umero:
ˆangulo
u, v
(^) ar
(^) cos(
(^) < u, v > | u | · |
v |
)
O exemplo seguinte ilustra o m´
etodo de generaliza¸
c˜ ao.
Exemplo 3
Produto escalar no espa¸
co
C ([
, (^2) π ]) .
O conjunto de fun¸
c˜ oes cont´
ınuas
(^) C
([
, (^2) π ])
´e um espa¸
co vetorial. Podemos somar fun¸
c˜ oes,
de forma semelhante como somamos os n´
umeros, ou os vetores. Podemos multiplicar fun¸
c˜ oes
por
escalares,
como
fazemos
fazemos
com
os vetores.
Falta-nos,
entretanto a
sensa¸
c˜ ao
gem´
etrica de “seta”quando observamos uma fun¸
c˜ ao, e ´
e normal, porque as fun¸
c˜ oes s˜
a ve-
tores de uma “dimens˜
a”muito superior a segunda ou terceira dimens˜
oes.
Na verdade uma
fun¸
c˜ ao
de dimens˜
a “baixa”´
e simplesmente um vetor...
No espa¸
co
C ([
, (^2) π ])
podemos
3
definir o produto escalar,
<, >,
(^) da seguinte forma:
f, g
(^) ∈ C
([
, (^2) π ])
(1.6)
< f, g >
=
Z
2 π
0
f ( t ) g ( t ) dt
(1.7)
ˆangulo
( f, g
) =
(^) ar
(^) cos(
(^) < f, g > | f (^) | · |
g | ) .
(1.8)
E f´ ´
acil mostrar que
(^) <, >
tem as mesmas propriedades que o outro definido anteriormente,
no espa¸sendo assim uma forma bilinear, um produto escalar. Depois veremos que este produto escalar
co de fun¸
c˜ oes usualmente vem multiplicado por uma constante adequada a um certo
objetivo. Veja a defini¸
c˜ ao dos
coeficientes de Fourier
.
3 O uso do n´
umero
π
tem como ´
unica fun¸
c˜ ao assustar o leitor... para n˜
ao ficar assustado,
troque-o e veja que tudo funciona igual.
3
Observe ainda que o ˆ
angulo de uma fun¸
c˜ ao com ela mesma ´
e zero, como seria de espe-
rar.
E um pouquinho mais dif´´
ıcil ver a conex˜
ao entre duas fun¸
c˜ oes ortogonais entre si, o que
liza de forma natural a defini¸acontece quando o produto escalar entre elas se anula. Mas existe um significado que genera-
c˜ ao geom´
etrica de vetores ortogonais: os vetores
(
, −
, (^) (
,
porque onde um se anula o outro n˜
ao se anula, mas isto ´
e uma situa¸
c˜ ao bem particular. Nos
exerc´
ıcios vocˆ
e ser´
a convidado a demonstrar um caso que diretamente generaliza este.
Exerc´
ıcio 1
Vetores.
c˜ ao vetorial. Se
3
forem dois vetores dados, resolva, explici-
tando todas as propriedades usadas, a equa¸
c˜ ao
c˜ ao vetorial. Se duas fun¸
c˜ oes forem dadas:
f, g
a, b
x
c, d
e se for dado
α
∈
R
, resolva a equa¸
c˜ ao:
f
(^) αX
g.
Em particular, considere
f ( x, y
exp
x 2
−
y 2 ) , g
( x, y
, α
e
encontre
(a) Encontre o conjunto de todos os vetores ortogonais ao vetor
2
(b) Encontre o conjunto de todos os vetores ortogonais ao vetor
3
(c) Verifique que as fun¸
c˜ oes:
f (^) ( x ) =
x
x
∈
[
, π
(^) f (^) ( x ) = 0
x /
∈
[
, π
g ( x ) = 0
x
∈
[
, π
(^) f (^) ( x ) =
x (^) −
π
x /
∈
[
, π
s˜ ao ortogonais em
π ] , (^) R
)
com o produto escalar da integral.
Verifique tamb´
em que as fun¸
c˜ oes
seno
e
coseno
s˜ ao ortogonais no
mesmo espa¸
co.
Calcule o m´
odulo de todas as fun¸
c˜ oes usando a de-
fini¸
c˜ ao:
f (^) | =
< f, f >.
(d) Encontre todos os vetores ortogonais ao vetor
p ( x ) = 3 + 4
x
(^) x
2
no espa¸
co dos polinˆ
omios de grau menor ou igual a 2, (qual ´
e o
produto escalar que vocˆ
e pretende utilizar ?)
s~ u (^) +
t~ v
; (^) s, t
s
t = 1
´e o segmento de reta
suporte do vetor diferen¸
ca
~u (^) −
(^) ~v.
aficos das fun¸
c˜ oes
x
=
f (^) ( t )
y
=
g ( t )
com
f ( t ) =
(^) t ; (^) g ( t ) =
t 2
f (^) ( t ) =
t 2 ; (^) g
( t ) =
t 3
indique o sentido do percurso
de cada curva considerando que
t cresce de negativo a positivo.
c˜ oes param´
etricas
x
=
f (^) ( s, t
y
=
g ( s, t
z
=
(^) h
( x, t
um plano, uma reta? qual ´
e a dimens˜
ao deste objeto?
Definimos uma opera¸
c˜ ao entre os vetores do espa¸
co
3 , chamada
produto
escalar
, e queremos vˆ
e-la de uma outra forma. Veja que lhe demos o nome de
produto
porque ´
e semelhante ao
produto entre n´
umeros
De fato ´
e esta seme-
lhan¸
ca que interessa, e o produto escalar define uma forma de
multiplicar
vetores
e outras entidades parecidas, as matrizes, objeto do nosso pr´
oximo cap´
ıtulo.
Exerc´
ıcios 2
Exerc´
ıcios de revis˜
ao
c˜ ao
(^) Se
f
for uma fun¸
c˜ ao qual-
quer, e
verifique que
(a)
f (^) ( ∅ ) =
f (^) ( X
) (^) ⊆
(b) Se
ent˜
ao
f (^) ( A
) (^) ⊂
f (^) ( B
);
(c)
f (^) ( ⋃
i A
i ) =
i f (^) ( A
i );
(d)
f (^) ( ⋂
i A
i ) ⊆
i f (^) ( A
i ) .
Verifique tamb´
em que, para imagem inversa valem
(a)
f (^) −
1 ( ∅ ) =
f (^) −
1 ( Y (^) ) =
(b) Se
ent˜
ao
f (^) −
1 ( A
) (^) ⊂
(^) f
− 1 ( B
);
(c)
f (^) −
1 ( ⋃
i A
i ) =
i f (^) −
1 ( A
i );
(d)
f (^) −
1 ( ⋂
i A
i ) =
i f (^) −
1 ( A
i ) .
(e)
f (^) −
1 ( A
c ) = [
f (^) −
1 ( A
)] c
em que
dois conjuntos tais que
calcule
c˜ ao de dois conjuntos convexos ´
e um conjunto con-
vexo, mas que a uni˜
ao de dois convexos n˜
ao precisa ser um conjunto con-
vexo.
3
ınio e o conjunto de valores de cada uma das fun¸
c˜ oes
definidas abaixo: f ( x ) =
1
1+
x 2
f (^) ( x ) =
2 x
1+
x 2
f ( x, y
| x |
| y |
f ( x, y
4 − x − y 2
1+
x 2
f (^) ( x ) =
1
y 2 − x 2
f ( x, y
x −
y
x 2
y 2
γ
uma curva do plano e
γ
f
3
como pode ser o gr´
afico de
f
? Se
γ
for uma curva fechada como seria
graf
f (^) ) .
A derivada
Mais geral que os vetores ´
e um objeto chamado
matriz
, porque os vetores s˜
a
tamb´
em matrizes.
Vetores s˜
a matrizes de um tipo particular, tem uma ´
unica
linha, ou uma ´
unica coluna.
Exemplo 4
Uma matriz 3
x
Considere o esquema formado por 12 n´
umeros dispostos da maneira regular
que abaixo se vˆ
e.
Podemos a´
ı ver quatro vetores-coluna cada um com tres coordenadas ou pode-
de ver s˜mos ver tres vetores-linha cada um com quatro coordenadas. As duas maneiras
a v´
alidas.
As matrizes generalizam os n´
umeros, enquanto que estes
cont´
em uma ´
unica informa¸
c˜ ao de uma medida feita, agora as matrizes cont´
em
v´ arias informa¸
c˜ oes oriundas de distintas medi¸
c˜ oes feitas que podem at´
e ser de
naturezas diferentes entre si.
Por exemplo, uma matriz pode conter
taxas de
varia¸
c˜ ao de pre¸
cos
, numa linha e na seguinte as
taxas de varia¸
c˜ ao de demanda
por unidade
dos produtos de uma empresa.
As matrizes se aplicam hoje em uma incont´
avel quantidade de situa¸
c˜ oes e
algumas vezes n˜
ao representam n´
umeros, mas
informa¸
c˜ oes estratificadas
E com´
frequˆ
encia
o caso, quando se encontra o termo no contexto de processamento
de dados. Neste livro as matrizes ser˜
ao sempre uma generaliza¸
c˜ ao de n´
umeros,
quase sempre ser˜
ao
taxas m´
ultiplas de varia¸
c~ ao
(^) como nos pr´
oximos exem-
Exemplo 5plos.
Equa¸
c˜ ao de um plano.
Uma express˜
ao como
y
=
(^) ax
(^) b
=
f (^) ( x ) ,
no plano, representa uma reta,
porque
a
taxa de varia¸
c˜ ao
de
y
em rela¸
c˜ ao a
x
´e constante. Quer dizer, se
x
7 →
(^) x
x
ent˜
ao
y ( x ) 7 →
(^) y
( x (^) + ∆
x )
de tal modo que
y
=
y ( x
x ) (^) −
(^) y
=
a ∆
x.
Uma outra forma de repetir o que foi dito acima ´
e: “se construirmos uma
progress˜
ao aritm´
etica de raz˜
ao
x
com a vari´
avel
x , produziremos a progress˜
ao
aritm´
etica de raz˜
ao
a ∆
x
com a vari´
avel
y ”.
O n´
umero
a
´e a derivada constante de
f
:
a
=
f (^) ′ ( x ) .
Se considerarmos, agora, a express˜
ao
z
=
f (^) ( x, y
ax
by
(^) c,
ela ir´
a representar uma figura linear, porque, se associadas a progress˜
oes geom´
etricas
das vari´
aveis
x
ou
y,
separadamente ou em conjunto, correspondem progress˜
oes
aritm´
eticas da vari´
avel
z
com raz˜
oes obtidas por multiplica¸
c˜ ao pelos coeficientes
a, b
f ( x (^) + ∆
x, y
y ) −
(^) f
( x, y
a ∆
x (^) +
b ∆
y.
Esta segunda fun¸
c˜ ao se pode escrever de uma forma bem simples que gene-
raliza imediatamente a anterior:
f (^) ( x, y
z
= (
a b
yx
(^) c,
um produto de matrizes, que ´
e uma nova forma de multiplicar. Se
abstrairmos
a forma particular do coeficiente multiplicativo e da vari´
avel, podemos dizer que
f (^) ( X
) =
´e a forma comum que tˆ
em as duas express˜
oes, nos dois exemplos, (caso univa-
riado e caso bivariado).
Comparando com o exemplo univariado, vemos sintetizada na matriz os dois
coficientes “parciais” relativamente a
x
ou a
y
separadamente. Estes coeficientes
s˜ ao caracterizados como
∂x∂f
(^) ,
∂y∂f
chamadas
derivadas parciais.
compara¸
c˜ ao entre o diferencial nos casos univariado
e multivariado
um “produto de n´
umeros comuns”
df
(^) f
′ ( a ) dx
caso de fun¸
c˜ ao univariada ;
ou o “produto matricial”
df
f (^) ) dx
caso de fun¸
c˜ ao multivariada
Podemos unificar a nota¸
c˜ ao, em ambos os casos podemos escrever:
df
(^) f
′ ( a ) dx
que passar´
a a representar o diferencial de uma fun¸
c˜ ao em qualquer caso e apenas
lan¸
caremos m˜
a de
f (^) ) se o contexto for amb´
ıguo
1 .
Usamos este exemplo do C´
alculo para mostrar que tem sentido a multi-
plica¸
c˜ ao de matrizes.
O pr´
oximo exemplo pode tamb´
em ser descrito com as
palavras do C´
alculo e n´
os o faremos em seguida.
Exemplo 7
Dependˆ
encia linear.
Uma ind´
ustria depende de quatro itens b´
asicos na composi¸
c˜ ao de seu produto
final e descreve com 3 fun¸
c˜ oes o seu custo de produ¸
c˜ ao:
1 ( x 1 , ..., x
4 ) =
custo de insumos
2 ( x 1 , ..., x
4 ) =
custo de produ¸
c˜ ao
3 ( x 1 , ..., x
4 ) =
custo de distribui¸
c˜ ao
Estas fun¸
c˜ oes n˜
a existem na pr´
atica, pelo menos n˜
a sob forma de uma
equa¸
c˜ ao alg´
ebrica, mas sob forma de um processo estat´
ıstico, ou planilha de
c´ alculo, que cuidadosamente levado em dia, permite que a empresa determine
as flutua¸
c˜ oes
2
de mercado dos pre¸
cos dos produtos assim como as flutua¸
c˜ oes
dos custos de
produ¸
c˜ ao
e de distribui¸
c˜ ao:
taxas, parciais, de varia¸
c˜ ao de custo dos insumos/produto
a 11
a 12
a 13
a 14
) ,
taxas, parciais, de varia¸
c˜ ao de custo de produ¸
c˜ ao/produto
a 21
a 22
a 23
a 24
) ,
taxas, parciais, de varia¸
c˜ ao de custo de distribui¸
c˜ ao/produto
a 31
a 32
a 33
a 34
) ,
Estas taxas de varia¸
c˜ ao s˜
a colhidas na unidade m´
ınima de tempo que seja
natural para o planejamento da empresa, digamos, diariamente, numa economia
1 A nota¸
c˜ ao
J ( f (^) ) tem o defeito de n˜
a indicar que as derivadas se calculam num ponto como na
nota¸
c˜ ao
(^) f (^) ′ ( a ).
2 leia: “taxas de varia¸
c˜ ao”
de infla¸
c˜ ao alta, ou mensalmente numa economia de infla¸
c˜ ao reduzida. Assim,
a matriz
a 11
a 12
a 13
a 14
a 21
a 22
a 23
a 24
a 31
a 32
a 33
a 34
∂C
1
∂x
1
∂C
1
∂x
2
∂C
1
∂x
3
∂C
1
∂x
4
∂C
2
∂x
1
∂C
2
∂x
2
∂C
2
∂x
3
∂C
2
∂x
4
∂C
3
∂x
1
∂C
3
∂x
2
∂C
3
∂x
3
∂C
3
∂x
4
descrita acima linha por linha, representa o coeficiente angular
m´
ultiplo
no
instante
em que foi colhida: dia ou mes.
Mas especificamente,
1
∂x
1
´e a taxa de varia¸
c˜ ao da fun¸
c˜ ao
1 , custo dos insumos relativamente ao produto
x 1 . Identicamente
1
∂x
2
´e a taxa de varia¸
c˜ ao da fun¸
c˜ ao
1 , custo dos insumos relativamente ao produto
x 2 , Suponha agora quee assim sucessivamente.
a 33
significando que o item 3 na composi¸
c˜ ao dos pro-
dutos da empresa est´
a com sua taxa de varia¸
c˜ ao de custos estabilizda: n˜
ao cresce
nem decresce. N˜
ao necess´
ariamente isto implica que
a 23
porque o custo de
produ¸
c˜ ao n˜
ao reflete e nem precisa ser refletido diretamente pelo custo de dis-
tribui¸
c˜ ao.
Uma melhoria nos transportes e outros aspectos de infra-estrutura
podem tornar mais barata a distribui¸
c˜ ao e ao mesmo tempo um aumento de
pre¸
co do item 3 vai acarretar que
a 23
Mostramos assim com um exemplo que as linhas da matriz 3
x
acima
s˜ a
independentes
Por defini¸
c˜ ao, duas linhas de uma matriz, ou dois vetores
quaisquer, s˜
a
linearmente dependentes
se um for m´
ultiplo do outro. Ent˜
a, se
forem dependentes uma mesma coordenada n˜
a pode ser num deles zero enquanto
que no outro ´
e diferente de zero. A defini¸
c˜ ao de
dependˆ
encia linear
n˜ a fica t˜
a
Exemplo 8simples para um conjunto com mais de dois vetores.
Diferencial e aproxima¸
c˜ ao.
Consideremos, de acordo com o exemplo anterior, a matriz
a 11
a 12
a 13
a 14
a 21
a 22
a 23
a 24
a 31
a 32
a 33
a 34
representando as varia¸
c˜ oes dos custos da ind´
ustria. Se a fun¸
c˜ ao
1 , C
2 , C
3 ) t
for a fun¸
c˜ ao de custos desta empresa, ent˜
a
A
representa a matriz de varia¸
c˜ ao
de custos ent˜
a o produto das matrizes 3
x
4, de
varia¸
c˜ ao dos custos
com o a
matriz 4
x
1, de
varia¸
c˜ ao do tempo
resulta na matriz
d
3
x
1 que ´
e o
vetor
da varia¸
c˜ ao de custos da produ¸
c˜ ao da ind´
ustria
dC
(^) dx
a 11
a 12
a 13
a 14
a 21
a 22
a 23
a 24
a 31
a 32
a 33
a 34
dx
1
dx
2
dx
3
dx
4
d 1
d 2
d 3
d
′ ( a ) · (^) d
x
=
dC
Uma outra forma de ver o produto de matrizes ´
e como fun¸
c˜ ao linear, neste
caso
d
´e a imagem de
d x
por uma fun¸
c˜ ao cuja equa¸
c˜ ao ´
e um produto pela matriz
′ ( a ) .
Vimos assim surgir o mesmo exemplo de dois modos diferentes os dois exem-
plos representam a mesma situa¸
c˜ ao,
a ij
=
∂C
i
∂x
j
em que
4
→
3
´e fun¸
c˜ ao
quest˜que modela o custo da economia em que se encontra inserida a empresa em
a cujo universo econˆ
omico se reduz a quatro vari´
aveis neste exemplo. Em
geral um problema econˆ
omico tem muito mais vari´
aveis do que essas que aca-
bamos de expor. O exemplo serve em sua simplicidade para ilustrar o
produto
de matrizes
, mostrando que elas s˜
a
um novo tipo de n´
umero
, um n´
u mero que
cont´
em m´
ultiplas informa¸
c˜ oes a um s´
o tempo: um
multi-n´
umero
A (eq.
e uma express˜
ao Matem´
a tica que na pr´
atica raramente pode
ser usada porque
′ ( a )
representa uma deriva¸
c˜ ao exata obtida com um c´
alculo
de limites. A express˜
ao que se vai usar na pr´
atica ser´
a:
(^) dx
a 11
a 12
a 13
a 14
a 21
a 22
a 23
a 24
a 31
a 32
a 33
a 34
x 1
x 2
x 3
x 4
d 1
d 2
d 3
d
′ ( a ) · (^) ∆
x
= ∆
Nesta ´
ultima se deixa claro, com as express˜
oes
x i , (^) ∆
x.
∆
C
que se tem
c´ alculos aproximadas e n˜
ao formais.
Observa¸
c˜ ao
Aproxima¸
c˜ ao diferencial e modelagem.
Uma das li¸
c˜ oes que podemos tirar do presente exemplo ´
e que a existˆ
encia de
uma fun¸
c˜ ao, como a fun¸
c˜ ao de custos
, n˜
a se d´
a diretamente atrav´
ez de uma
equa¸
c˜ ao mas sim tudo o que temos ´
e sua aproxima¸
c˜ ao diferencial:
x ) ≈
a ) +
′ ( a )∆
x
a partir do valor contabilizado de custos no ponto
a
e com as inform¸
c˜ oes es-
tat´
ısticas que chegam indicando as distintas taxas de varia¸
c˜ ao
′ ( a )
´e
poss´
ıvel determinar-se o custo previs´
ıvel na varia¸
c˜ ao de tempo correspondente
`as taxas de varia¸
c˜ ao dos insumos “
dx
cronomˆ
etro
de uma empresa ´
e, com
frequˆ
encia, o controle de estoques...
E ainda interessante observar que a pala-´
vra “aproxima¸
c˜ ao”est´
a sendo usada num sentido
hist´
orico e folcl´
orico
: n˜
a existe
nenhuma fun¸
c˜ ao
para ser aproximada. A
aproxima¸
c˜ ao diferencial
´e
tudo que
se sabe sobre a fun¸
c˜ ao
, na pr´
atica ´
e
a fun¸
c˜ ao.
A aproxima¸
c˜ ao diferencial representa, desta forma uma modelagem da rea-
lidade a partir de dados obtidos estatiscamente.
Este exemplo tamb´
em mostra que a regra b´
asica para fazer produto de ma-
trizes ´
e que a
dimens˜
a
intermedi´
aria entre elas coincida, no presente caso o 4.
Podemos multiplicar uma matriz de ordem m
x
n por outra de ordem n
x
q
n˜ a interessando o valor de m e de q.
Exemplo 9
O esquema da ordem das matrizes na multiplica¸
c˜ ao.
n
x
m
m
x
q
→
n
x
q
em que os ´
ındices se encontram indicados em cada matriz.
a mais alguma coisa que podemos explorar no exemplo acima: que signifi-
caria se os coeficientes que formam a linha 3 fossem
(^) dependentes dos coeficientes
que formam a linha 2
, proporcionais queremos dizer, neste caso. Seria in´
util e
consequentemente representaria ter um custo superior ao necess´
ario, mantˆ
e-los
no processo pois a terceira coordenada do ve
tor de varia¸
c˜ ao de custos
seria
proporcional `
a
segunda coordenada e portanto poderia ser obtido a partir da
segunda por simples multiplica¸
c˜ ao. A matriz
´otima
para esta analise econˆ
omica,
neste caso seria 2
x
4 eliminando-se uma linha de todas as matrizes.
Se uma matriz tiver linhas que dependam linearmente de outras, o pro-
blema pode ser simplificado eliminando-se as linhas
linearmente dependentes
n˜ a todas, obviamente, de modo que as restantes formem um
conjunto de linhas
linearmente independentes
Observa¸
c˜ ao
Dependˆ
encia linear e otimiza¸
c˜ ao.
A palavra chave aqui ´
e otimiza¸
c˜ ao
, se otimizou o controle eliminando linhas
linearmente
dependentes
da matriz que cont´
em os dados do processo industrial.
Se uma matriz tiver linhas que dependam linearmente uma das outras, o problema pode
ser simplificado eliminando-se as linhas
linearmente dependentes
menos
uma, que passa a
representar as outras.
Voltaremos mais a frente a discutir este conceito de dependˆ
encia linear.
Observa¸
c˜ ao
O que se conhece de uma fun¸
c˜ ao?
Uma pergunta poderia ser feita:
porque colocamos ˆ
enfase em
f (^) ′ ( a ) e n˜
a em
f (^) ( a ) ?
O
exemplo industrial
anterior em certa forma responde a esta quest˜
a.
Em geral n˜
a conhece-
mos
f
mas sim alguns de seus valores, digamos, numa cole¸
c˜ ao de n´
os
( a α ) α . E real´´
ıstico
acrescentar a hip´
otese de que tamb´
em podemos
medir
os valores de
f
numa fam´
ılia
( a α,β
(^) ) β
na vizinhan¸
ca de cada
mega-n´
o a α
de modo que podemos calcular
f (^) ′ ( a α )
aproximadamente
usando, o “levantamento” de dados,
f (^) ( a α,β
(^) ) β . Aqui
α, β
s˜ a multi-´
ındices, sendo
α
o multi-
´ındice que caracteriza os n´
os principais da rede e
β
caracterizam os n´
os finos na vizinhan¸
ca
de cada n´
o
a α . Para diferenci´
a-los chamamos estes diferentes n´
os de
mega-n´
os
(^) ou
micro-n´
os
.
Observe que a linguagem est´
a apenas aparentemente mais complexa que a usada no
C´ alculo univariado, porque agora estamos tratando de problemas multi-dimensionais, agora
tamb´
em os ´
ındices tem que ter mais coordenadas,
em princ´
ıpio o n´
umero de coordenadas das
vari´
aveis do problema.
Exerc´
ıcios 3
Deriva¸
c˜ ao parcial
3
a equa¸
c˜ ao da reta que passa nos pontos
1
= (
2 = (
c˜ ao do plano que passa no ponto
e ´
e paralelo ao
plano
c˜ ao do plano que passa pelos pontos
c˜ ao do plano tangente ao gr´
afico da fun¸
c˜ ao
f (^) ( x, y
x 2 − y 2
x 2
y 2
no ponto
a, b, f
a, b
para:
(a)
a, b
(b)
a, b
, b
) ;
b
6 = 0
(c)
a, b
a,
(^) 0) ;
a
6 = 0
c˜ oes abaixo:
a)
h ( x, y
xy
ycos
( x +3)
b)
h ( x, y
sen
( x 2 )^
( x +3)
cos
( x +1)
c)
h ( x, y
ysen
( x )
y ( x +3)
d)
h ( x, y
1
( y − 2)(
x +3)
e)
h ( x, y
e x 2 ( y (^) + 3)(
x (^) + 1)
f )
h ( x, y
ysen
x ) ln
( x
g)
h ( ρ, θ
cos
( θ )
ρ
h)
h ( x, y
xln
( y )
( x +3)(
x +1)
i)
h ( x, y
sen
( x 2 )
x 2
y 2
j)
h ( x, y
y 2 ( x −
( x +5)(
y +3)(
y +1)
k)
h ( x, y
|x |
|y |
l)
h ( x, y
1
x 2
y 2
m)
h ( x, y
cos
2 ( x )
sen
2 (^ y )
n)
h ( x, y
x 2
y 3
o)
h ( s, t
s 2
| t |
h ( a, b
n
be
ka
ınio das fun¸
c˜ oes definidas na quest˜
ao anterior.
Todos os teoremas do C´
alculo univariado se aplicam aqui no que diz respeito
a existˆ
encia das derivadas parciais, assim como as regras operat´
orias e deriva¸
c˜ ao.
Uma ´
unica diferen¸
ca vai fazer com a teoria fique um pouco mais complexa.
Enquanto que no C´
alculo univariado a existˆ
encia da reta tangente j´
a dizia tudo,
agora a existˆ
encia das derivadas parciais ´
e apenas uma condi¸
c˜ ao necess´
aria para
a diferenciabilidade.
Vamos tirar da pr´
opria defini¸
c˜ ao a condi¸
c˜ ao necess´
aria e suficiente.
Ela
diz que uma fun¸
c˜ ao ´
e diferenci´
avel se tiver um plano tangente em cada um
dos pontos (
a, b, f
a, b
)) de seu gr´
afico. Tudo que precisamos ´
e “algebrisar” a
express˜
ao geom´
etrica “tangente”.
3 o ponto (
x, y, z
) da reta ´
e m´
ultiplo de um vetor dado.
Se compararmos com o caso univariado, isto significava que o limite
lim
∆
f (^) ( x
x ) (^) −
f (^) ( x )
x
existisse. Como agora temos dois acr´
escimos,∆
x,
(^) ∆
y,
ficamos impossibilitadaos
de diretamente escrever a generaliza¸
c˜ ao usando a divis˜
ao, mas podemos dividir
pelo m´
odulo do vetor (∆
x,
(^) ∆
y ) e escrever uma condi¸
c˜ ao suficiente semelhante
`a
do caso univariado:
lim
|(∆
x, ∆
y ) |=
f ( x, y
(^) f (^) ( a, b
∂x∂f
(^) ( x
−
(^) a
) −
∂y∂f
(^) ( y (^) −
b ) |
x,
(^) ∆
y ) |
Se este limite existir, for zero, ent˜
ao
f
´e diferenci´
avel no ponto (
a, b
e sua
derivada neste ponto ´
e o plano tangente, sendo os n´
umeros
∂x ∂f
∂y∂f
suas derivadas parciais neste ponto.
Isto ´
e um teorema:
Teorema
Diferenciabilidade de fun¸
c˜ oes bivariadas
Se
f
estiver definida em todos os pontos de
e em cada ponto
a, b
se tiver
lim
|(∆
x, ∆
y ) |=
f ( x, y
(^) f (^) ( a, b
∂x∂f
(^) ( x
−
(^) a
) −
∂y∂f
(^) ( y (^) −
b ) |
x,
(^) ∆
y ) |
se e somente se
o plano
z
−
(^) f (^) ( a, b
∂x∂f
x
−
(^) a
) +
∂y∂f
y
−
b )
for tangente ao gr´
afico de
f
no ponto
a, b, f
a, b
Dem
Antes de diretamente prosseguir fazendo a demonstra¸
c˜ ao, vamos fazer alguns coment´
arios.
Uma das condi¸
c˜ oes que n˜
ao fica diretamente vis´
ıvel a partir do teorema ´
e que para que
f
seja
diferenci´
avel ´
e preciso poder calcular o quociente acima considerando um vetor
(∆
x,
(^) ∆
y )
a volta do ponto
( a, b
) ∈ W
. Consequentemente se
W
tiver uma fronteira, n˜
ao poderemos
calcular derivadas na fronteira usando aquela express˜
ao a n˜
ao ser que anexemos a condi¸
c˜ ao
( a
x, b
(^) + ∆
y ) ∈ W
,
que equivale, no caso univariado, as derivadas laterais. Para evitar esta complica¸
c˜ ao o teo-
rema em geral ´
e enunciado com a hip´
otese “
W
´e aberto”. Vamos prosseguir com a demons-
tra¸
c˜ ao usando esta hip´
otese para evitar os detalhes do que se possa passar sobre a fronteira.
(
⇒
) Ent˜
ao, por hip´
otese, em cada ponto
( a, b
) ∈ W
vale
lim
| (∆
x, ∆ y )| =
|f ( x, y
) (^) −
(^) f ( a, b
) −
∂x∂f
(^) ( x (^) −
(^) a ) −
∂y∂f
(^) ( y − (^) b ) |
| (∆
x, (^) ∆
y ) |
= 0
Como numerador e denominador tem limite
0
ent˜
ao esta condi¸
c˜ ao indica que o zero do
numerador ´
e de
(^) ordem
(^) menor do que o zero do denominador que ´
e uma express˜
ao quadr´
atica
isto quer dizer que o plano
f (^) ( a, b
) (^) −
∂x∂f
(^) ( x (^) −
a ) (^) −
∂y∂f
(^) ( y − (^) b )
e o gr´
afico de
(^) z
=
f (^) ( x, y
) (^) tem um grau de aproxima¸
c˜ ao superior ao de uma fun¸
c˜ ao quadr´
atica,
isto ´
e o que caracteriza uma tangˆ
encia, portanto o plano
f (^) ( a, b
) (^) −
∂x∂f
(^) ( x (^) −
a ) (^) −
∂y∂f
(^) ( y − (^) b )
´e tangente ao gr´
afico de
f
e pela defini¸
c˜ ao de derivada
f
´e diferenci´
avel em todos os pontos
do
interior
de
W
.
(
⇐
) Reciprocamente, se o plano
f (^) ( a, b
) (^) −
∂x∂f
(^) ( x (^) −
a ) (^) −
∂y∂f
(^) ( y − (^) b )
for tangente ao gr´
afico, por defini¸
c˜ ao de tangˆ
encia se tem o limite
lim
| (∆
x,
∆ y ) | =
| f ( x, y
) (^) −
f (^) ( a, b
) (^) −
∂x∂f
(^) ( x
− (^) a ) (^) −
∂y∂f
(^) ( y (^) −
(^) b ) |
| (∆
x,
(^) ∆
y ) |
= 0
q.e.d.
O teorema se generaliza imediatamente para um n´
umero qualquer de vari´
aveis
com alguma dificuldade notacional.
A express˜
ao de
diferenciabilidade
em duas ou mais vari´
aveis ´
e
qualitativa-
mente
superior a defini¸
c˜ ao univariada. Para come¸
car observe que usamos dire-
tamente a express˜
ao da f´
ormula de Taylor do primeiro grau. No caso univariado,
compare, isto ´
e desnecess´
ario, mas pode ser feito, a diferen¸
ca se encontra em
que agora as express˜
oes s˜
ao vetoriais o que nos for¸
cou a correr para uma ex-
press˜
ao mais profunda que se encontra escondida no caso univariado onde tudo
´e n´
Se analisarmos com mais profundidade o teorema 2, vemos que ele afirmaumero.
que o gr´
afico da fun¸
c˜ ao
f
se assemelha fortemente ao plano tangente no ponto
de tangˆ
encia (
a, b, f
a, b
)) que ´
e, afinal de contas o motivo central da
f´ ormula
de Taylor.
. Isto nos indica que o estudo dos gr´
aficos das fun¸
c˜ oes multivariadas
se encontra intimamente ligado ao estudo das transforma¸
c˜ oes lineares que foi o
nosso objetivo inicial neste cap´
ıtulo. Justifica-se assim bem o esfor¸
co que fizemos
em entender as transforma¸
c˜ oes lineares como instrumento para compreender as
superf´
ıcies.
Observa¸
c˜ ao
A verdadeira natureza da derivada
No c´
alculo univariado a derivada ´
e “falsamente” um n´
umero, somente no c´
alculo multi-
variado ´
e que vamos encontrar a verdadeira natureza da derivada, uma matriz. Esta matriz
se chama Jacobiana, quer dizer, quando escrevemos
J ( f (^) ) P
queremos dizer
f (^) ′ ( P (^) )
em que
P
´e um ponto do dom´
ınio da fun¸
c˜ ao
f.
Na express˜
ao da diferenciabilidade, teorema 2, p´
agina 36, aparece a matriz
[ ∂x^ ∂f
∂y∂f
]
aplicado ao vetor
(∆
x, (^) ∆
y ) . Esta ´
e a derivada de
f.
Defini¸
c˜ ao 5
Jacobiana
A matriz formada pelas derivadas parciais, calculadas em um ponto
´e a derivada de
f
e se chama “Jacobiana de
f (^) ”.
No caso particular em que
f
: W →
for uma fun¸
c˜ ao num´
erica, a
f (^) )
se
chama “gradiente”:
f (^) ) =
grad
f ) .
Exerc´
ıcios 4
Derivada, diferencial, gradiente
grad
h )
em cada um dos casos abaixo:
a)
h ( x, y
xy
ycos
( x +3)
b)
h ( x, y
sen
( x 2 )
( x +3)
cos
( x +1)
c)
h ( x, y
ysen
( x )
y ( x +3)
d)
h ( x, y
1
( y − 2)(
x +3)
e)
h ( x, y
e x 2 ( y (^) + 3)(
x (^) + 1)
f )
h ( x, y
ysen
x ) ln
( x
g)
h ( ρ, θ
cos
( θ )
ρ
h)
h ( x, y
xln
( y )
( x +3)(
x +1)
i)
h ( x, y
sen
( x 2 )^
x 2
y 2
j)
h ( x, y
y 2 ( x −
( x +5)(
y +3)(
y +1)
k)
h ( x, y
|x |
| y |
l)
h ( x, y
1
x 2
y 2
m)
h ( x, y
cos
2 ( x )
sen
2 ( y )
n)
h ( x, y
x 2
y 3
o)
h ( s, t
s 2
|t |
h ( a, b
∑n
be
ka
h ) , indique o dom´
ınio e
contra dom´
ınio de
h
e de
h ) .
a)
h ( x, y
( x,y
)
ycos
( x +3)
b)
h ( x, y
sen
( x 2 )^
( x +3)
cos
( x +1)
cos
( x )
( x +3)
cos
( x +1)
c)
h ( x, y
(^) sen
( x )
y ( x +3)
cos
( y )
y ( x +3)
d)
h ( x, y
1
( y − 2)(
x +3)
x
( y − 2)(
x +3)
e)
h ( x, y
e x 2 , e
y 2 )
f )
h ( x, y, z
ysen
x ) ln
( x
, xyz
g)
h ( ρ, θ
(^) cos
( θ )
ρ
(^) sen
( θ )
ρ
h)
h ( x, y
xln
( y )
( x +3)(
x +1)
yln
( x )
( x +3)(
x +1)
i)
h ( x, y, z
(^) sen
( x 2 )
x 2
y 2
, x, z
j)
h ( x, y, z
y 2 ( x −
( x +5)(
y +3)
(^) , xy, yz
k)
h ( x, y
| x |
|y | , | y |
| x | )
l)
h ( x, y
1
x 2
y 2 (^) ,
x
x 2
y 2 )
m)
h ( x, y
cos
2 ( x )
sen
2 ( y )
n)
h ( x, y, z
x 2
z
y 3
o)
h ( s, t
(^) s 2
| t | , t 2
|t | )
h ( a, b
n
be
ka
,
n
k=0∑
ae
kb
)
Opera¸
c˜ oes e derivadas
Come¸
camos por multiplicar matrizes, acima o fizemos com matrizes 3
x
4 e
x
ceito da f´
ısica: a
superposi¸
c˜ ao
. Se
f ) =
f (^) ′ ( a ) e
g ) =
g
(′ a ) e se pu-
dermos somar as duas fun¸
c˜ oes
f, g
ent˜
a tamb´
em poderemos somar
f (^) ′ ( a ) , f
(^) ′ ( b ) . E´
um princ´
ıpio do C´
alculo:
se pudermos somar duas fun¸
c˜ oes, poderemos tamb´
em