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alvenaria, Notas de estudo de Engenharia Civil

Técnicas de construção civil e construção de edifícios - Alvenaria

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 16/08/2006

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hugo-makoto-6 🇧🇷

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TÉCNICAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL E
CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS
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TÉCNICAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL E

CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS

4 - ALVENARIA

APÓS ESTUDAR ESTE CAPÍTULO; VOCÊ DEVERÁ SER CAPAZ DE:

  • Escolher a alvenaria adequada;
  • Orientar a elevação das paredes (primeira fiada, cantos, prumo, nível);
  • Especificar o tipo de argamassa de assentamento;
  • Especificar e conhecer o tipo de amarração;
  • (^) Especificar os tipos de reforços nos vãos das alvenarias.
  • Executar corretamente os muros de fechamento de divisas.

Alvenaria, pelo dicionário da língua portuguesa, é a arte ou ofício de pedreiro ou alvanel, ou ainda, obra composta de pedras naturais ou artificiais, ligadas ou não por argamassa. Modernamente se entende por alvenaria, um conjunto coeso e rígido, de tijolos ou blocos (elementos de alvenaria) unidos entre si por argamassa. A alvenaria pode ser empregada na confecção de diversos elementos construtivos (paredes, abóbadas, sapatas, etc...) e pode ter função estrutural, de vedação etc...Quando a alvenaria é empregada na construção para resistir cargas, ela é chamada Alvenaria resistente , pois além do seu peso próprio, ela suporta cargas (peso das lajes, telhados, pavim. superior, etc...) Quando a alvenaria não é dimensionada para resistir cargas verticais além de seu peso próprio é denominada Alvenaria de vedação. As paredes utilizadas como elemento de vedação devem possuir características técnicas que são:

  • Resistência mecânica
  • Isolamento térmico e acústico
  • (^) Resistência ao fogo
  • Estanqueidade
  • Durabilidade

As alvenarias de tijolos e blocos cerâmicos ou de concreto, são as mais utilizadas, mas existe investimentos crescentes no desenvolvimento de tecnologias para industrialização de sistemas construtivos aplicando materiais diversos. No entanto neste capítulo iremos abordar os elementos de alvenaria tradicionais.

4.1 - ELEMENTO DE ALVENARIA

Produto industrializado, de formato paralelepipedal, para compor uma alvenaria, podendo ser:

4.1.1 - Tijolos de barro cozido

a - Tijolo comum (maciço, caipira)

São blocos de barro comum, moldados com arestas vivas e retilíneas (Figura 4.1), obtidos após a queima das peças em fornos contínuos ou periódicos com temperaturas das ordem de 900 a 1000°C.

  • dimensões mais comuns: 21x10x
  • peso: 2,50kg
  • resistência do tijolo 35kgf/cm²
  • resistência da parede: 200 a 260kgf/cm²

Figura 4.4 - Tijolo laminado

A tabela 4.1 determina as dimensões normalizadas para os elementos cerâmicos existentes comercialmente.

Tabela 4.1 - Dimensões normalizadas dos elementos cerâmicos

Tabela NBR - Dimensões nominais de blocos de vedação e estruturais, comuns e especiais Tipo(A) Dimensões nominais (mm) L x H x C (cm) Largura (L) Altura(H) Comprimento(C) 10 x 20 x 20 90 190 190 10 x 20 x 25 90 190 240 10 x 20 x 30 90 190 290 10 x 20 x 40 90 190 390 12,5 x 20 x 20 115 190 190 12,5 x 20 x 25 115 190 240 12,5 x 20 x 30 115 190 290 12,5 x 20 x 40 115 190 390 15 x 20 x 20 140 190 190 15 x 20 x 25 140 190 240 15 x 20 x 30 140 190 290 15 x 20 x 40 140 190 390 20 x 20 x 20 190 190 190 20 x 20 x 25 190 190 240 20 x 20 x 30 190 190 290 20 x 20 x 40 190 190 390 Medidas especiais Dimensões nominais (mm) L x H x C (cm) Largura (L) Altura(H) Comprimento(C) 10 x 10 x 20 90 90 190 10 x 15 x 20 90 140 190 10 x 15 x 25 90 140 240 12,5 x 15 x 25 115 140 240

4.1.2 - Tijolos de solo cimento

Material obtido pela mistura de solo arenoso - 50 a 80% do próprio terreno onde se processa a construção, cimento Portland de 4 a 10%, e água, prensados mecanicamente ou manualmente. São assentados por argamassa mista de cimento, cal e areia no traço 1:2: (Figura4.5) ou por meio de cola (Figura 4.6).

  • dimensões: 20x10x4,5cm
  • quantidade: a mesma do tijolo maciço de barro cozido
  • resistência a compressão: 30kgf/cm²

Figura 4.5 - Tijolo de solo cimento comum

Figura 4.6 - Tijolo de solo cimento assentado com cola

4.1.3 - Blocos de concreto

Peças regulares e retangulares, fabricadas com cimento, areia, pedrisco, pó de pedra e água (Figura 4.7; 4.8). O equipamento para a execução dos blocos é a presa hidráulica. O bloco é obtido através da dosagem racional dos componentes, e dependendo do equipamento é possível obter peças de grande regularidade e com faces e arestas de bom acabamento. Em relação ao acabamento os blocas de concreto podem ser para revestimento (mais rústico) ou aparentes.

Figura 4.7 - Bloco de concreto

A Tabela 4.2 determina as dimensões nominais dos blocos de concreto mais utilizados.

Tabela 4.2 - Dimensões nominais dos blocos de concreto

dimensões a b c peso a b c peso *: 09 x 19 x 39 10kg 09 x 19 x 19 4,8kg

11 x 19 x 39 10,7kg 1/2 tijolo 14 x 19 x 19 6,7kg 14 x 19 x 39 13,6kg 19 x 19 x 19 8,7kg 19 x 19 x 39 15,5kg

  • quantidade de blocos por m² : 12,5un
  • resistência do bloco: deve-se consultar o fabricante

Figura 4.8 - Bloco canaleta

Bloco Canaleta : 14 x 19 x 39 = 13,50 kg 19 x 19 x 39 = 18,10 kg

3 o^ - A sobra de argamassa é retirada com a colher, conforme Figura 4.13.

Figura 4.13 - Retirada do excesso de argamassa

Mesmo sendo os tijolos da mesma olaria, nota-se certa diferença de medidas, por este motivo, somente uma das faces da parede pode ser aparelhada, sendo a mesma à externa por motivos estéticos e mesmo porque os andaimes são montados por este lado fazendo com que o pedreiro trabalhe aparelhando esta face. Quando as paredes atingirem a altura de 1,5m aproximadamente, deve-se providenciar o primeiro plano de andaimes, o segundo plano será na altura da laje, se for sobrado, e o terceiro 1,5m acima da laje e assim sucessivamente. Os andaimes são executados com tábuas de 1"x12" (2,5x30cm) utilizando os mesmos pontaletes de marcação da obra ou com andaimes metálicos. No caso de andaimes utilizando pontaletes de madeira as tábuas devem ser pregadas para maior segurança do usuários.

4.2.1.a - Amarração dos tijolos maciços

Os elementos de alvenaria devem ser assentados com as juntas desencontradas, para garantir uma maior resistência e estabilidade dos painéis (Figuras4.14; 4.15; 4.16). Podendo ser:

a - Ajuste comum ou corrente, é o sistema mais utilizado (Figura 4.14)

Figura 4.14 - Ajuste corrente (comum)

b - Ajuste Francês também comumente utilizado (Figura 4.15)

Figura 4.15 - Ajuste Francês

c - Ajuste Inglês, de difícil execução pode ser utilizado em alvenaria de tijolo aparente (Figura 4.16).

Figura 4.16 - Ajuste Inglês ou gótico

4.2.1.b - Formação dos cantos de paredes

É de grande importância que os cantos sejam executados corretamente, pois como já visto, as paredes iniciam-se pêlos cantos. Nas Figuras 4.17; 4.18; 4.19; 4.20 e 4.21 mostram a execução de diversos cantos de parede nas diversas modalidades de ajustes.

Figura 4.17 - Canto em parede de meio tijolo no ajuste comum

Figura 4.18 - Canto em parede de um tijolo no ajuste francês

Figura 4.19 - Canto em parede de um tijolo no ajuste comum

Figura 4.20 - Canto em parede de espelho

Figura 4.21 - Canto em parede externa de um tijolo com parede interna de meio tijolo no ajuste francês

4.2.1.c - Pilares de tijolos maciços

São utilizados em locais onde a carga é pequena (varandas, muros etc...). Podem ser executados somente de alvenaria ou e alvenaria e o centro preenchido por concreto (Figura 4.22)

Figura 4.22 - Exemplo depilares de alvenaria

4.2.1.d - Empilhamento de tijolos maciços

Para conferir na obra a quantidade de tijolos maciços recebidos, é comum empilhar os tijolos de maneira como mostra a Figura 4.23. São 15 camadas, contendo cada 16 tijolos, resultando 240. Como coroamento, arrumam-se mais 10 tijolos, perfazendo uma pilha de 250 tijolos. Costuma-se, também, pintar ou borrifar com água de cal as pilhas, após cada descarga do caminhão, para não haver confusão com as pilhas anteriores.

Figura 4.23 - Empilhamento do tijolo maciço

4.2.1.e - Cortes em tijolos maciços

O tijolo maciço permite que seja dividido em diversos tamanhos, o que facilita no momento da execução. Podemos dividi-lo pela metade ou em 1/4 e 3/4 de acordo com a necessidade (Figura 4.24).

Sobre elas não devem ser aplicados nenhuma carga direta. No entanto, os tijolos baianos também são utilizados para a elevação das paredes, e o seu assentamento e feito em amarração, tanto para paredes de 1/2 tijolo como para 1 tijolo (Figura 4.27).

Figura 4.27 - Execução de alvenaria utilizando tjolos furados A amarração dos cantos e da parede interna com as externas, se faz através de pilares de concreto, pois não se consegue uma amarração perfeita devido às diferenças de dimensões (Figura 4.28).

Figura 4.28 - Exemplo de amarração nas alvenaria de tijolo furado

4.3 - VÃOS EM PAREDES DE ALVENARIA

Na execução das paredes são deixados os vãos de portas e janelas. No caso das portas os vãos já são destacados na primeira fiada da alvenaria e das janelas na altura do peitoril determinado no projeto. Para que isso ocorra devemos considerar o tipo de batente a ser utilizado pois a medida do mesmo deverá ser acrescido ao vão livre da esquadria (Figura 4.29).

esquadrias de madeira: porta = acrescentar 10 cm na largura e 5cm na altura, devido aos batentes. janela = acrescentar 10cm na largura e 10cm na altura.

esquadrias de ferro: como o batente é a própria esquadria, os acréscimos serão de 3cm tanto na largura como na altura.

Figura 4.29 - Vão de alvenaria

Sobre o vão das portas e sobre e sob os vãos das janelas devem ser construídas vergas. (Figura 4.30) Quando trabalha sobre o vão, a sua função é evitar as cargas nas esquadrias e quando trabalha sob o vão, tem a finalidade de distribuir as cargas concentradas uniformemente pela alvenaria inferior:

Figura 4.30 - Vergas sobre e sob os vãos

As vergas podem ser pré-moldadas ou moldadas no local, e devem exceder ao vão no mínimo 30cm ou 1/5 do vão. No caso de janelas sucessivas, executa-se uma só verga.

As Figuras 4.31; 4.32 exemplificam as vergas nas paredes de alvenaria executadas com tijolos maciços para:

Vãos até 1,0m

Figura 4.31 - Vergas em alvenaria de tijolo maciço para vãos até 1,00m

Vãos entre 1,0 e 2,0m

Figura 4.32 - Vergas em alvenaria de tijolo maciço para vãos entre 1,00m e 2,00m OBS: Caso o vão exceda a 2,00m, deve-se calcular uma viga armada.

As Figuras 4.33; 4.34 exemplificam as vergas nas paredes de alvenaria executadas com blocos de concreto para:

Vãos de 1,0m Vãos de 1,0 a 1,50m

Figura 4.33 - Vergas em alvenaria de bloco de concreto para vãos até 1,00m e entre 1,00m e 1,50m

Vãos acima de 1,50 até 2,00m

Figura 4.34 - Vergas em alvenaria de tijolo maciço para vãos entre 1,50m e 2,00m

A Figura 4.35 exemplifica as vergas nas paredes de alvenaria executadas com tijolos furados para:

Vãos de 1,0m Vãos de 1,0 a 2,0m

Figura 4.35 - Vergas em alvenaria de tijolo furado para vãos até 1,00m e entre 1,00m e 2,00m

4.4 - OUTROS TIPOS DE REFORÇOS EM PAREDES DE ALVENARIA.

Quando uma viga, de pequena carga, proveniente principalmente das coberturas, descarrega sobre a alvenaria , para evitar a carga concentrada e consequentemente o cisalhamento nos tijolos, fazem-se coxins de concreto (Figura 4.36).

Se a escolha for para o revestimento, poderemos também utilizar os furos do bloco como pilarete ou colocar formas e executar um pilarete, neste caso armado. Para o tijolo furado e o maciço, devemos quase sempre revesti-los, portanto a cada 2, a 3,0m executa-se um pilarete de 10 x 25, com o auxílio de formas de madeira (Figura 4.42).

Obs. Qualquer que seja o elemento escolhido para a execução do muro a cada, no máximo, de 10,00 a 15,00m, devemos deixar uma junta de dilatação de 1,0cm. Esta junta deve ser executada para evitar que no muro apareça trincas devido ser o mesmo esbelto, estar parcialmente engastado no alicerce, e sofrer movimentação devido a variação térmica, ventos etc.

4.5.1 -Fechamento de divisas em bloco de concreto

a - À vista:

Figura 4.40 - Detalhe dos pilaretes executados nos blocos

b - Revestido:

Figura 4.41 - Detalhe da elevação de muro de bloco aparente , revestido e viga baldrame

4.5.2 - Fechamento de divisas em tijolo maciço ou baiano

Figura 4.42 - Detalhe de execução de um muro de tijolo maciço

4.5.3 - Tipos de fundações para os muros

Podemos efetuar, dependendo do terreno, um alicerce em sapata corrida de concreto ou com brocas. As sapatas corridas devem estar em nível e apoiadas em solo firme a uma profundidade mínima de 40cm, caso o terreno não comporte este tipo de alicerce podemos optar por brocas. As brocas, geralmente de F 06 6 20cm efetuadas a trado. Como as cargas dos muros de divisa não são elevadas podemos faze-la com 2,0m de profundidade e a cada 2,5 ou 3,0m de distância uma das outras. Devemos sempre deixar as valas do alicerce do muro em nível para evitarmos esforços na alvenaria, o que poderia ocasionar o aparecimento de fissuras. Figura 4.43 - Exemplo de fundação para muros

No respaldo do alicerce do muro, devemos executar também, uma proteção impermeável, através de argamassa e impermeabilizantes, para evitar a presença de umidade na alvenaria de elevação do muro.

Deverá ser executado uma cinta de amarração no mínimo no meio e no respaldo da alvenaria, que tem a função de interligar os pilaretes com a alvenaria.

4.6 - ARGAMASSA - PREPARO E APLICAÇÃO

As argamassas, junto com os elementos de alvenaria, são os componentes que formam a parede de alvenaria não armada, sendo a sua função:

  • unir solidamente os elementos de alvenaria
  • distribuir uniformemente as cargas
  • vedar as juntas impedindo a infiltração de água e a passagem de insetos, etc...

As argamassas devem ter boa trabalhabilidade. Difícil é aquilatar esta trabalhabilidade, pois são fatores subjetivos que a definem. Ela pode ser mais ou menos trabalhável, conforme o desejo de quem vai manuseá-la. Podemos considerar que ela é trabalhável quando distribui-se com facilidade ao ser assentada, não "agarra" a colher do pedreiro; não endurece rapidamente permanecendo plástica por tempo suficiente para os ajustes (nível e prumo) do elemento de alvenaria.

4.6.1 - Preparo da argamassa para assentamento de alvenaria de vedação

A argamassa de assentamento deve ser preparada com materiais selecionados, granulometria adequada e com um traço de acordo com o tipo de elemento de alvenaria adotado (Tabela 4.2). Podem ser preparadas:

a) - Manualmente

Figura 4.44 - Preparo da argamassa manualmente

b) - Com betoneira

Figura 4.45 - Preparo da argamassa com betoneira Tabela 4.2 - Traço de argamassa em latas de 18litros para argamassa de assentamento

Aplicação Traço

Rendimento por saco de cimento Alvenaria de tijolos de barro cozido (maciço)

1 lata de cimento 2 latas de cal 8 latas de areia

10m²

Alvenaria de tijolos baianos ou furados

1 lata de cimento 2 latas de cal 8 latas de areia

16m²

Alvenaria de blocos de concreto

1 lata de cimento 1/2 lata de cal 6 latas de areia

30m²

ANOTAÇÕES

1 - As bitolas dos ferros das vergas e das cintas de amarração, estão colocadas em polegadas, por ser a nomenclatura mais usual entre os pedreiros na obra (Tabela 4.3).

Tabela 4.3 - Equivalência das bitolas dos aços

mm polegadas 5,0 3/ 6,3 1/ 8,0 5/ 10,0 3/ 12,5 1/

2 – Verificação para um bom assentamento:

  • Junta de argamassa entre os tijolos completamente cheias;
  • Painéis de paredes perfeitamente a prumo e alinhadas, pois, do contrário, será necessário uma grande espessura de revestimento;
  • Fiadas em nível para se evitar o aumento de espessura de argamassa de assentamento.
  • Desencontro de juntas para uma perfeita amarração.

3 – Noções de segurança:

  • A operação de guinchos, gruas e equipamentos de elevação só deve ser feita por trabalhador qualificado.
  • A utilização de andaimes para a elevação da alvenaria devem ser executados com estruturas de madeira pregadas e não amarradas ou em estruturas metálicas contraventadas e apoiadas em solo resistente e nivelado.
  • Não acumular muitos tijolos e argamassa sobre os andaimes.