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A personagem principal do documentário produzido por Marcos Prado, é uma senhora de 64 anos que subsiste catando lixo no Rio de Janeiro. É notável que sofre de esquizofrenia - perturbação mental caracterizada por episódios de psicose, em que pode ocorrer alucinações, delírios e desorganização do pensamento. É importante perceber que manter a sanidade em um local como este apresentado representa, indubitavelmente, um desafio cruel e desumano. Porém, os transtornos psíquicos de Estamira....
Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas
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A personagem principal do documentário produzido por Marcos Prado, é uma senhora de 64 anos que subsiste cantando lixo no Rio de Janeiro. É notável que sofre de esquizofrenia - perturbação mental caracterizada por episódios de psicose, em que pode ocorrer alucinações, delírios e desorganização do pensamento. É importante perceber que manter a sanidade em um local como este apresentado representa, indubitavelmente, um desafio cruel e desumano. Porém, os problemas psíquicos de Estamira provavelmente são decorrentes de acontecimentos de seu passado, uma vez que foi abusada e teve de lidar com relacionamentos frustrados e tóxicos. O estado mental da protagonista está ligado intrinsicamente aos fatos infelizes de sua vida, e notamos com o decorrer da filmagem que sua mente, por vezes, cria pensamentos que levam a sentir raiva e indignação - sentimentos que atuam como uma rota de fuga do cenário cruel em que se situa. Por outras vezes, Estamira reflete acerca de sua ‘loucura’, afirma que sabe distinguir sua lucides de suas alucinações em todos os momentos sabendo exatamente o que diz sempre, e que ainda pode confundir algumas palavras, mas que isso não deve minimizar o impacto de sua fala. Pois, como podemos notar, ela filosofa de maneira genial sobre sua situação. Podemos destacar sua vontade de ajudar outros sendo que não consegue ajudar a si mesma, mostrando vulnerabilidade e resiliência em um ambiente tão hostil e de incertezas. Mostra que por vezes o cidadão fica a margem da sociedade e nem percebe e acaba simplesmente aceitando como certo. Um dos trabalhadores do lixão comenta que ‘não falta comida, e quem diz que falta é preguiçoso’, com essa afirmação podemos notar que há um desconhecimento da situação de miséria em que vivem por parte de alguns e isso demonstra que a desigualdade afeta de muitas formas as pessoas, restringindo até mesmo o conhecimento de sua própria condição precária. O fato que mais preocupa quem está assistindo, é a negação da situação em que vive e conformidade com a mesma. Estamira afirma que ela deve morar ali no lixão e que ‘vive e não apenas sobrevive’ como muitos pensam, ainda faz uma crítica às pessoas que dizem que sua situação é ruim. Ou seja, ela acredita veementemente que essa situação em que vive é ideal, quando na realidade sabe-se que não é. Porém, podemos inferir que no lixão encontrou paz e sua verdade, lhe possibilitando viver da sua forma e acreditando naquilo que quer. Também deixa angustiado quem assiste, a sua repulsa a fé alheia, ela segue apenas seus princípios e repreende qualquer outro de imediato, uma vez que passou por vários transtornos em sua vida não consegue acreditar em alguém superior a ela mesma. Estamira se considera um ser maior e mais perfeito que qualquer outro que possa existir. O documentário mostra a visão da protagonista quanto ao meio ambiente e a sujeira causada por nós, conforme ela o homem suja tudo mesmo tendo aprendido a limpar. Estamira é lúcida quanto a esse comentário, pois sua afirmação se torna concreta com a análise da situação de calamidade do planeta - inundado de lixo provenientes de quem não sabe utilizar o que tem, e descarta de forma incorreta. Ela tem uma ideia sobre as coisas muito diferente de nossa rasa visão, ela considera a água, o fogo, os espaços como sendo abstratos - algo que não se pode tocar- e em sua situação essa metáfora é literal pois na maioria das vezes não tem acesso a recursos básicos. Tal situação degradante é a realidade que muitos brasileiros ainda vivem... miséria, poluição, acesso à educação, moradia e, primordialmente, a qualidade de vida. Ela fala sobre política de forma enigmática, mas interessante, acusando os políticos de mentir, ser corruptos e manter assegurado os direitos apenas para as pessoas de poder, lhes chama de ‘poderosos ao contrário’. Conforme ela, o homem se tornou ‘mau’ após conhecer a ganancia pelo poder e riqueza, e se acha esperto, mas na realidade não sabe aproveitar o que tem e apenas desperdiça. Ela expõe ferozmente suas ideias e tece críticas contra o governo e aos instrumentos de controle social. Também fala sobre a maneira como tratam as pessoas que possuem problemas mentais, as incapacitando. Estamira acaba mostrando certa revolta com os remédios que recebe para tomar, pois acredita que eles a tiram da realidade e a deixa distante de ser quem é. Podemos mencionar que mecanismos devem ser criados para ajudar pessoas que vivem em tais situações. Primordialmente, deve-se aplicar os objetivos de desenvolvimento sustentável de forma rápida e prática, - principalmente o que visa promover Saúde e bem estar, uma vez que pessoas como Estamira desenvolvem tais problemas psicológicos devido à falta de acesso antecipado a saúde e ao bem estar. Como podemos ver, a situação em que vive, em meio ao lixo e a fome, apenas dificulta mais sua melhora. Não podemos dizer que Estamira é “louca” já que poderia a desqualificar, uma vez que sabe onde está e o que faz e ainda consegue problematizar as circunstancias, mas revela uma linha tênue entre razão e loucura - Mostra que é capaz de pensar e refletir, mas as vezes apresenta instabilidade. Podemos inferir que as vezes seu problema está mais ligado à sua fala do que a um problema psicológico apenas.