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abordagem direta da análise de mel de abelha com e sem ferrão.
Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas
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Não perca as partes importantes!
























































O mel floral é um produto obtido do néctar das flores, que é processado por insetos sociais em especial as abelhas, que possuem toda a sua anatomia adaptada, onde sua anatomia interna é utilizada para armazenar, transportar o néctar das flores, bem como transformar o néctar em mel e transportar a água coletada no campo (ANEXO A). Segundo Guedes (2000), em artigo para o Almanaque Rural Apicultura, as abelhas então produzem o mel com características que variam de acordo com o tipo floral visitado. (Figura 1). Figura 1 - Abelha sem ferrão não identificada. Para produzir 100 g de mel uma abelha deve visitar cerca de um milhão de flores com ajuda de sua problocide (tromba), a abelha suga o néctar e o armazena em seu estômago de mel, voltando para a colméia. Uma abelha sem carga voa a 65 km/h, juntando-se a sua colheita, cujo peso pode alcançar 1/4 do peso do seu corpo, ela diminui a sua velocidade de vôo para 30 km/h. Para obter 1 kg de mel, a abelha deve levar para colméia de 120.000 a 150.000 cargas de néctar. Se as flores, das quais as abelhas coletam a substância adocicada, estão a 1,5 km da colméia, para transportar cada 963 cargas cada abelha terá que voar 3 km. Conseqüentemente deverá percorrer um total de 360.000 a 460.000 km, para produzir um quilo de mel. (FUENTES, 2004). Nos tempos antigos fazia-se abundante consumo de mel como alimento promovedor de saúde e longevidade. A exemplo de Hipócrates, Pitágoras e tantos outros. Com a descoberta do açúcar de cana, e mais recentemente com os
2.1 História do surgimento das abelhas Há evidências de que as plantas eram polinizadas por abelhas desde o período terciário. Entre 24 e 40 milhões de anos atrás, já havia abelhas Pebleia sp (Figura 2) e Proplebeia (Mirins), seus fósseis foram encontrados na atual República Dominicana, no Caribe, perfeitamente conservados em âmbar. Um fóssil de Trigona sp (Figura 3) com 30 milhões de anos foi encontrado na Sicília e há outros de diferentes regiões, datados em 40 milhões de anos. Essas relíquias indicam que no período Eoceno já havia abelhas especializadas em determinadas plantas e que a maioria dos grupos conhecidos hoje já existia. Alguns estudiosos acreditam que a origem das abelhas tenha ocorrido no período Cretáceo, devido à descoberta de fóssil de Meliponae em New Jersey, América do Norte, sendo datada em 80 milhões de anos, idade que corresponde à Era Cretácea. (GUEDES, 2000). Figura 2 - Abelha Plebéia sp. Figura 3 - Trigona sp na flor de coroa-de-cristo. 2.1.1 Primeiros Apicultores Acredita-se que os primeiros apicultores da história foram os egípcios, porque já criavam abelhas em potes de barro no ano 2.400 a.C. Prática que foi imortalizada nas paredes de suas pirâmides. No entanto, há registros que vinculam o pioneirismo a outro lugar. Os hindus já apreciavam mel em 6.000 a.C. e utilizavam própolis como cicatrizante. O mel também fazia parte do cardápio dos Sumérios (Figura 4) em 5.000 a.C. e havia colméias na ilha de Creta por volta de 3.400 a.C. (GUEDES, 2000).
Figura 4 - Pinturas Rupestre de aproximadamente 8.000 e 630 a.C. 2.1.2 Apicultura no Brasil 2.1.2.1 Meliponicultura Até 1840 as abelhas criadas no Brasil eram as nativas dos gêneros Lestrimellitini, Trigonini e Meliponini ( Meliponae ) (Figura 5), onde a sua maioria no mundo habita as regiões tropicais e subtropicais do país. Adaptadas ao meio ambiente são fundamentais para polinização de algumas espécies vegetais, porém inúmeras abelhas já foram extintas pelas queimas e desmatamentos provocados pelo homem. (GUEDES, 2000). Figura 5 - Mandassaia ( Melipona quadrifasciata ) Tumba de Pa-bu-sa. Luxor. Egipto. Cueva de la Araña, em Bicorp (Valencia, Espana)
Apinae (Abelhas com ferrões) Apis Bombus Meliponinae (Abelhas sem ferrões) Meliponini Trigonini Lestrimellitini A partir das descobertas do geneticista Warwick Estevan Kerr, na década de 40, aumentou o interesse comercial e científico na cultura das abelhas. Suas observações a respeito dos hábitos e comportamentos das abelhas nativas e introduzidas no Brasil trouxeram um enorme desenvolvimento para a apicultura brasileira. (GUEDES, 2000). 2.2 Taxonomia A taxonomia das abelhas mostra as principais características físicas e morfológicas das abelhas, nativas sem ferrão, daquelas que possuem ferrão, das sugadoras e das lambedoras de néctar bem como daquelas que formam colônias e aquelas que são solitárias. (Figura 6). Filo: Arthropoda Classe: Insecta Subclasse: Pterygota Ordem: Hymenoptera Subfamília: Apoidea Figura 6 - Fluxograma - Taxonomia. A Tiúba ( Melipona compressipes fasciculata ), abelha nativa sem ferrão genuinamente maranhense, enquadra-se no filo Arthropoda, classe Insecta, subclasse Pterygota (possuem asas), ordem Hymenoptera (insetos com quatro asas membranosas), subfamília Apoidea, família Apidae (abelhas sugadoras de língua
longa), gênero Meliponinae , na subfamília meliponae (abelhas com ferrão atrofiado) dos gêneros Meliponini. 2.3 Definição do mel de abelha A elaboração do mel resulta de duas modificações principais (processos) sofridas pelo néctar, uma física pela desidratação (eliminação da água), através da evaporação na colméia e absorção no papo, a outra reação química que atua sobre o néctar, transformando a sacarose, através da enzima invertase, em glicose e frutose. Ocorrem mais duas reações, em escala menor, que consiste em transformar o amido do néctar, através da enzima amilase em maltose e a enzima glicose- oxidase transforma a glicose em ácido glicônico e peróxido de hidrogênio, este último, conhecido como água oxigenada. (LENGLER, 2001). A fonte principal do mel é o néctar das flores, açúcares dissolvidos secretados pelos nectários e colhido pelas abelhas. (Figura 7). Figura 7 - Abelha Uruçu ( Melipona scutelaris ) Outra fonte, em pequena proporção é o mel originado do orvalho, cuja secreção, de folhas de certas plantas, cochonilhas (muito freqüente nos Alpes Europeus) e substâncias doces diversas (bagaço de cana-de-açúcar e frutas). (LENGLER, 2001). O mel é basicamente uma mistura complexa de açúcares altamente concentrada. O mel de abelhas é um produto muito apreciado, no entanto, de fácil adulteração com açúcares ou xaropes. Desta forma, é necessário que haja algumas análises para a determinação da sua qualidade para que seja comercializado. Sua composição química foi objeto de revisões bibliográficas como a realizada por Campos e Serrano et al, apresentada em obra de Vilhena e Murandian,
Tabela 1 - Composição físico-química do mel de flores e melato - instrução normativa nº 11 de 20 de outubro de 2000. Parâmetros físico-químicos Mel de flores Mel de melato
No mel podem ser encontradas as seguintes substâncias: ✓ Vitaminas: Vitamina A, Vitamina B (Tiamina), Vitamina B2 (Riboflavina), Vitamina B5 (Ácido Pantatênico), Vitamina B6 (Piridoxina), Vitamina B (Ácido Fólico), Vitamina C (Ácido Ascórbico), Vitamina H (Biotina), Vitamina PP (Niaciamina, niacina, ácido nicotínico); ✓ Sais minerais: Cálcio, fósforo, enxofre, potássio, cloro, ferro, manganês, cobre, sílica, sódio; ✓ Enzimas: Invertase, diastase, lípase, inulase, glicose-oxidase, catalase e fosfatase ácida; ✓ Proteínas e aminoácidos: Prolinas, lisina, ácido glutâmico, ácido aspártico, arginina, cistina, glicina, histidina, isoleucina, leucina, metionina, felilalanina, serina, treonina, triptofano e tirocina. Temos ainda na composição do mel: cetonas e aldeídos e os ácidos e seus éteres. 2.4.2. Aspectos Microbiológicos do Mel Além do seu uso como alimento, o mel tem sido utilizado pelas suas propriedades medicamentosas. A sua eficácia, como auxiliar terapêutico, tem sido demonstrada, embora, a explicação bioquímica desses efeitos ainda não seja conclusiva (MOLAN, 2001). Alguns dos compostos do mel são substâncias conhecidas como tendo ações fisiológicas que poderiam explicar tais efeitos. Sua capacidade de proteger a mucosa estomacal de ratos contra lesões induzidas por etanol está relacionada com a alta osmolaridade que é potencializada pelo aumento do fluido sem aumentar a acidez gástrica (GHARZOULI , 2001). Entre os diversos efeitos biológicos produzidos pelo mel, tem sido observado que este apresenta propriedades antibacteriana, antifúngica, imunológica e antioxidante (MOLAN, 2001; MOREIRA et al., 2001). O mel, quanto a suas propriedades é dividido em dois grandes grupos:
destinado à comercialização. Tem que ser levado em consideração a época do ano com menor pluviosidade e umidade, além do procedimento de coleta de forma higiênica. Alguns produtores extraem o mel espremendo os favos com as mãos, outros utilizam hastes de metal ou madeira para perfurar o favo, fazendo-o escorrer e depois o filtram. Existe ainda a coleta por meio da aspiração com auxílio de uma bomba e a coleta por centrifugação (KERR, 1996). A qualidade do mel não depende apenas das práticas higiênicas do produtor, mas também está relacionada com os hábitos higiênicos das abelhas. A maioria das meliponas costuma visitar excrementos humanos, de animais e águas poluídas (NOGUEIRA NETO, 1997), ainda segundo este autor, com relação a esses hábitos, as abelhas são classificadas em: limpas, ocasionalmente limpas e sujas. Neste último grupo há as abelhas com hábitos bem menos adequados a ponto de seu mel não ser recomendado para consumo humano. A abelha mais higiênica é a popular Jati, ( Tetragonisca angustula ). Outras com hábitos higiênicos impróprios incluem: a Cupira, ( Partamona cupira ), Mandassaia ( M. quadrifasciata ), Jandaíra do Nordeste, ( M. subnitida ), Uruçú do Nordeste, ( M. scutellaris ) , e ( T. testaceicornis ) já foram vistas coletando excrementos humanos, de animais e, a maioria, até mesmo barro para a construção de suas colméias. A Trigona necrofaga e outras espécies de trigonas são descritas como tendo o hábito de visitar carcaças de animais mortos para retirar deles sua fonte de proteínas. Nogueira Neto (1997) alerta para o risco de o mel transmitir a hepatite A. Além disso, existe ainda o risco de transmissão do botulismo infantil (NAKANO, H. & SAKAGUCHI, 1991) e da salmonelose, uma vez que o agente etiológico desta última patologia permanece viável por até 34 dias no mel de Apis. Este risco está relacionado com práticas higiênicas inadequadas. No mel das meliponas a viabilidade da Salmonella ainda não é conhecida (GROSSO et al., 2002). Para as abelhas do gênero Apis com características biológicas, produtividade, tipo de colônias, características físico-químicas e hábitos higiênicos diferentes das meliponas, existem normas estabelecidas para o físico-químico de qualidade do mel. O mesmo não acontece com o mel produzido por meliponas, pois não há, até o momento, normas que possam direcionar os procedimentos de análise ou que permitam estabelecer critérios para o consumo, tempo de estocagem, critérios de aceitação ou rejeição do consumo deste. Os artigos que se referem ao mel de meliponas sempre traçam paralelos com méis das abelhas do gênero Apis o
que é inaceitável (CORTOPASSI-LAURINO & GUELLI, 1991). 2.4.3. Mel de abelhas sem ferrão O mel das abelhas sem ferrão é rico em açúcar, contendo sais minerais, vitaminas, proteínas, podendo ser usado na complementação alimentar, como fonte desses nutrientes e até mesmo na prevenção de algumas doenças e infecções. O mel das abelhas sem ferrão é armazenado em potes feito de cera para armazenamento, maturação e conservação sendo que assim que o mel estiver maduro os potes são abertos e servem para alimentar todas as abelhas da colméia, inclusive a rainha, sendo que, esta recebe uma quantidade maior de mel para poder se desenvolver (ANEXO B), diferentemente do que ocorre com as abelhas africanizadas que guardam o seu mel em favos organizados de uma maneira totalmente diferente a das abelhas nativas sem ferrão e alimentam a sua rainha com geléia real. (Figura 8). Figura 8 - Potes de mel e favos de cria da abelha nativa. Outras características desse mel são suas propriedades organolépticas como cor, viscosidade, sendo mais fluido e mais claro que o mel da abelha Apis. Segundo Fuentes (2004, p. 2). (Figura 9).
2.5.2. Definição Entende-se por mel, o produto alimentício produzido pelas abelhas melíferas, a partir do néctar das flores ou das secreções procedentes de partes vivas das plantas ou de excreções de insetos sugadores de plantas que ficam sobre partes vivas de plantas, que as abelhas recolhem, transformam, combinam com substâncias específicas próprias, armazenam e deixam madurar nos favos da colméia. 2.5.3 Classificação 2.5.3.1 Por sua origem a) Mel floral - é o mel obtido dos néctares das flores. ✓ Mel unifloral ou monofloral - quando o produto proceda principalmente da origem de flores de uma mesma família, gênero ou espécie e possua características sensoriais, físico-químicas e microscópicas próprias. ✓ Mel multifloral ou polifloral - é o mel obtido a partir de diferentes origens florais. b) Melato ou Mel de Melato - é o mel obtido principalmente a partir de secreções das partes vivas das plantas ou de excreções de insetos sugadores de plantas que se encontram sobre elas. 2.5.3.2 Segundo o procedimento de obtenção de mel do favo a) Mel virgem - produto que flui espontaneamente dos favos, quando desoperculados; b) Mel centrifugado - obtido por processo de centrifugação ; c) Mel prensado - obtido por compressão a frio; d) Mel em favos - mantido dentro dos próprios favos.
3.1 Equipamentos e acessórios Relacionam-se, aos equipamentos a serem usados nas análises. 3.1.1 Balança digital Utiliza-se uma balança digital Automarte, modelo AL500, com carga mínima de 0,02 g e carga máxima de 500 g, para determinação das massas das amostras. 3.1.2 Forno Mufla Utiliza-se um forno mufla elétrico QUIMIS-TECNAL, com termostato variando sua temperatura de 100 a 1200º C, para calcinação do mel. 3.1.3 Estufa de secagem e esterilização Utiliza-se uma estufa para a secagem modelo 315-SE, com circulação mecânica de ar e com variação de 0 a 110°C. 3.1.4 Chapa de aquecimento Utiliza-se para aquecimento e secagem das amostras, chapa metálica de aquecimento marca FANEM, modelo 170/3, com variação de temperatura de 0 a 100º C. 3.1.5 pH-metro Para leitura de pH, utiliza-se um pH-metro, marca DIGMED, modelo Dmph/1, com precisão de 10-^1 unidades.
3.3 Reagentes e soluções 3.3.1 Reagentes Reagentes a serem utilizados: ▪ Éter etílico; ▪ Resorcina; ▪ Ácido tânico; ▪ Hidróxido de sódio; ▪ Glicerina; 3.3.2 Soluções Soluções a serem utilizadas: ▪ Solução de ácido tânico 0,5%; ▪ Solução clorídrica de resorcina; ▪ Hidróxido de sódio 5 mol/L; ▪ Solução de lugol; ▪ Azul de metileno 1%; ▪ Sal de Rochelle (tartarato de sódio e potássio tetrahidratado) ▪ Ácido clorídrico; ▪ Amido. ▪ Solução de Fehling A e B; ▪ Soluções de mel; ▪ Solução de hidróxido de sódio 0,05 N; ▪ Ácido clorídrico 0,05 N. 3.4 Análises físico-químicas do mel de abelha As análises serão realizadas segundo os métodos físico-químicos para análise de alimentos do Instituto Adolfo Lutz (2005). 3.4.1 Brix A percentagem de sólidos solúveis é obtida pela leitura direta no refratômetro de cada amostra analisada. Utiliza-se a tabela do respectivo aparelho, onde nos deu a devida correção da temperatura em que foi lida.
3.4.2 Umidade Umidade corresponde à perda de peso pelo produto quando aquecido em condições em que a água é removida. Utiliza-se como referência a Tabela de Chataway (ANEXO C), obtendo a umidade em percentagem, simplesmente, pelo valor de grau Brix obtido. Onde, fez-se a devida correção da temperatura de 30°C para 20°C com auxílio da Tabela do aparelho refratômetro. 3.4.3 Acidez Na determinação da acidez de cada amostra pesa-se 10 g das mesmas em erlenmeyers de 250 mL onde se colocam 75 mL de água livre de CO 2 e agita-se. Titula-se com solução de hidróxido de sódio 0,05 N até o pH chegar a 8,5; logo em seguida acrescenta-se 10 mL de NaOH 0,05 N imediatamente. Titula-se novamente, agora com solução de ácido clorídrico 0,05 N até o pH chegar a 8,3. A determinação da acidez pode ser expressa pela Equação 3. ▪ Correções: NaOH corrigido = volume gasto NaOH x fator do NaOH HCl corrigido = volume gasto do HCl x fator do HCl ▪ Cálculos: Acidez livre = (NaOH gasto corrigido – branco) x 50 / peso da amostra. (Eq. 1) Acidez lactônica = (10 – vol. HCl gasto corrigido) x 50 / peso da amostra. (Eq. 2) Acidez total = Acidez livre + Acidez lactônica (meq/kg) (Eq. 3) 3.4.4 Cinzas Resíduo mineral fixa ou cinzas é o nome dado ao resíduo obtido por aquecimento de um produto em temperatura próxima a 550 – 570°C. Pesa-se 5,0 g de cada amostra em cadinhos de porcelana, previamente aquecida em forno mufla a 550°C, resfria-se em dessecador até temperatura ambiente e pesa-se. Calcina-se em temperatura baixa e incinera-se no forno mufla a