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Propriedades do Corpo Numérico e Conjuntos na Reta Real, Exercícios de Análise Complexa

Este documento prova e apresenta propriedades do corpo numérico, como associatividade, comutativade e distributividade, e propriedades de conjuntos na reta real, como intervalos, comprimento de intervalos e aplicações sobrejetivas. Além disso, é apresentado o teorema de gauss e o corolário 1.6 relacionados a subconjuntos limitados superiormente.

Tipologia: Exercícios

Antes de 2010

Compartilhado em 20/09/2022

Turingallan
Turingallan 🇧🇷

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bg1
1. NÚM EROS R EAIS ANÁ LISE N O COR PO R-2018.1
1.1 Construção Axiomática do Corpo R
Devido à sua importância fundamental, faremos aqui breves referências a algumas idéias que con-
duziram à construção dos números reais. Dentre as várias formas de construção do corpo R, preferimos
àquela que invoca o Princípio do Encaixe.
O ponto de partida é o conjunto dos números naturais N=f1;2;3; : : :ge as operações fundamen-
tais de adição e multiplicação destes números, cuja caracterização é estabelecida do seguinte modo
axiomático:
AXIOMA 1.1 Existe uma função injetiva s:N!N. O número natural s(n)é o sucessor de n:
AXIOMA 1.2 Existe um único número natural 12Ntal que 16=s(n);8n2N;
AXIOMA 1.3 Se um conjunto XNé tal que 12Xen2X=)s(n)2X, então X=N:
O Axioma 1.3 é conhecido como Princípio de Indução Finita, de larga aplicação em matemática. Por
exemplo, desejamos provar que:
2+4+6+: : : + 2n=n(n+ 1) ;8n2N.
Denotando essa sentença por P(n), construimos o conjunto X=fn2N;P(n)ocorrege com auxílio
do Axioma 1.3 provaremos que X=N. De fato:
(i) P(1) é simplesmente 2 = 2;que é uma sentença verdadeira!
(ii) Admitindo que P(n)ocorre, teremos:
2+4+6+: : : + 2n
| {z }
P(n)
+ 2 (n+ 1) = n(n+ 1)
| {z }
P(n)
+ 2 (n+ 1) = (n+ 1) (n+ 2)
e isto mostra que P(n+ 1) também ocorre.
As operações de adição e multiplicação em Nserão, agora, caractrizadas pelas sentenças:
(i) n+ 1 = s(n):
(ii) n+s(m) = s(m+n):
(iii) n1 = n:
pf3
pf4
pf5
pf8
pf9
pfa
pfd
pfe
pff

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  1. N⁄MEROS REAIS AN¡LISE NO CORPO R - 2018.

1.1 ConstruÁ„o Axiom·tica do Corpo R

Devido ‡ sua import‚ncia fundamental, faremos aqui breves referÍncias a algumas idÈias que con- duziram ‡ construÁ„o dos n˙meros reais. Dentre as v·rias formas de construÁ„o do corpo R, preferimos ‡quela que invoca o PrincÌpio do Encaixe. O ponto de partida È o conjunto dos n˙meros naturais N = f 1 ; 2 ; 3 ; : : :g e as operaÁıes fundamen- tais de adiÁ„o e multiplicaÁ„o destes n˙meros, cuja caracterizaÁ„o È estabelecida do seguinte modo axiom·tico: AXIOMA 1.1 Existe uma funÁ„o injetiva s : N! N. O n˙mero natural s (n) È o sucessor de n:

AXIOMA 1.2 Existe um ˙nico n˙mero natural 1 2 N tal que 1 6 = s (n) ; 8 n 2 N;

AXIOMA 1.3 Se um conjunto X  N È tal que 1 2 X e n 2 X =) s (n) 2 X, ent„o X = N:

O Axioma 1.3 È conhecido como PrincÌpio de InduÁ„o Finita, de larga aplicaÁ„o em matem·tica. Por exemplo, desejamos provar que:

2 + 4 + 6 + : : : + 2n = n (n + 1) ; 8 n 2 N.

Denotando essa sentenÁa por P (n), construimos o conjunto X = fn 2 N; P (n) ocorreg e com auxÌlio do Axioma 1.3 provaremos que X = N. De fato:

(i) P (1) È simplesmente 2 = 2; que È uma sentenÁa verdadeira!

(ii) Admitindo que P (n) ocorre, teremos:

2 + 4 + 6 +| {z : : : + 2n} P (n)

  • 2 (n + 1) = n | (n{z + 1) } P (n)

  • 2 (n + 1) = (n + 1) (n + 2)

e isto mostra que P (n + 1) tambÈm ocorre.

As operaÁıes de adiÁ„o e multiplicaÁ„o em N ser„o, agora, caractrizadas pelas sentenÁas:

(i) n + 1 = s (n) :

(ii) n + s (m) = s (m + n) :

(iii) n  1 = n:

2 AN¡LISE NO CORPO R MARIVALDO P. MATOS

(iv) m  (n + 1) = m  n + m:

A necessidade da operaÁ„o inversa da adiÁ„o conduz ‡ introduÁ„o do n˙mero zero e dos n˙meros negativos. Representamos por Z o conjunto dos inteiros

Z = f: : : ; 3 ; 2 ; 1 ; 0 ; 1 ; 2 ; 3 ; : : :g

e este conjunto com a operaÁ„o de adiÁ„o, isto È, o par fZ; +g possui estrutura de Grupo Abeliano. Isso signiÖca que a operaÁ„o adiÁ„o "+"goza das seguintes propriedades:

(a) A operaÁ„o soma (+) È associativa: (x + y)+z = x+(y + z) e comutativa: x+y = y+x, 8 x; y; z 2 Z:

(b) Existe em Z um elemento neutro, isto È, um elemento 0 tal que 0 + x = x; 8 x 2 Z:

(c) Todo elemento de Z tem inverso, isto È, dado x 2 Z, existe y 2 Z, tal que y + x = 0:

A operaÁ„o multiplicaÁ„o () deÖnida em N estende-se de forma natural ao grupo Z. Este conjunto com as operaÁıes de adiÁ„o e multiplicaÁ„o possui estrutura de Anel Abeliano com Unidade, isto È, o terno fZ; +; g È tal que:

 ESTRUTURA ABELIANA: fZ; +g È um grupo abeliano.  EXIST NCIA DA UNIDADE: existe em Z um elemento 1 ; tal que x  1 = x, 8 x 2 Z.  ASSOCIATIVIDADE: x  (y  z) = (x  y)  z ; 8 x; y; z 2 Z.  COMUTATIVIDADE: x  y = y  x 8 x; y; z 2 Z.  DISTRIBUTIVIDADE: (x + y)  z = x  z + y  z; 8 x; y; z 2 Z: A necessidade de deÖnir a operaÁ„o inversa do produto em Z leva ao aparecimento dos n˙meros racionais ou fraÁıes, cuja totalidade È representada pela letra Q. Este conjunto, equipado das operaÁıes de adiÁ„o "+"e multiplicaÁ„o "", dadas por:

a b +^

c d =^

ad + bc bd e^

a b ^

c d =^

a  c bd

possui estrutura de Corpo NumÈrico, isto È, o terno fQ; +; g È um anel abeliano com unidade e o par fQn f 0 g ; g um grupo. No corpo algÈbrico Q, È sempre possÌvel dividir um elemento qualquer b por outro elemento a 6 = 0; devido ‡ equaÁ„o ax = b ter soluÁ„o x = ba^1 , onde a^1 representa o inverso multiplicativo de a: Notamos, ainda, que no corpo Q n„o se pode dividir por zero, porque a equaÁ„o 0  x = b È impossÌvel, no caso em que b 6 = 0 (isso È consequÍncia do fato 0  x = 0; 8 x 2 Q): Dado x em Q, representa-se por x o inverso aditivo (simÈtrico) de y e a soma y + (x) anota-se y x, que È a diferenÁa entre y e x:A Öm ordenar o corpo Q, consideremos em Q um subconjunto Q+, denominado conjunto dos elementos positivos de Q, o qual goza das propriedades:

4 AN¡LISE NO CORPO R MARIVALDO P. MATOS

que dado p=q 2 Q existe n 2 N tal que n > p=q. Se p=q  0 , consideramos n = 1; se p=q > 0 ; n„o h· perda de generalidades em admitir p; q > 0 e, neste caso, consideramos n = p + 1 e obtemos:

p q <

p + 1 q ^ p^ + 1 =^ n: O fato de ser N n„o limitado superiormente em Q È uma propriedade intrÌnseca do corpo Q. Existem corpos ordenados mais gerais onde N È limitado superiormente. Por exemplo, consideremos o corpo Q (t) das funÁıes racionais com coeÖcientes inteiros e denominador n„o identicamente nulo, onde deÖnimos os elementos positivos de Q (t) como aquelas funÁıes racionais p (t) =q (t) tais que o coeÖciente do termo de maior grau do polinÙmio p (t)  q (t) È positivo. O elemento p (t) = t È um majorante do conjunto N, uma vez que, p (t) n = t n È uma funÁ„o racional positiva.

PROPRIEDADE ARQUIMEDIANA Com o exemplo fundamental estabelecemos uma propriedade adicional do corpo Q, denominada propriedade arquimediana: dados x; y 2 Q+, existe n 2 N tal que nx > y: Essa propriedade È facilmente comprovada, tendo em vista que N n„o È limitado superior- mente em Q. … oportuno observar que o corpo ordenado Q (t) referido acima e no qual N È limitadao superiormente n„o È arquimediano. O corpo Q, alÈm de ordenado e arquuimediano, possui a propriedade de densidade, isto È, dados a; b 2 Q com a < b, existe c 2 Q tal que a < c < b. De fato, sendo a < b, ent„o:

a + a < a + b < b + b =) (1 + 1) a < a + b < (1 + 1) b =) a < a 1 + 1^ +^ b < b:

Esta propriedade de densidade permite escolher em Q elementos t„o prÛximos quanto desejarmos de outro elemento previamente escolhido e, assim, deÖnir a mais importante noÁ„o da An·lise Matem·tica, a noÁ„o de limite na sua forma mais simpliÖcada, que È a de limite de sequÍncia.

A DIAGONAL DE UM QUADRADO DE LADO 1 Ao que se sabe, foi Pit·goras quem primeiro abordou a quest„o de determinar um n˙mero x tal que x^2 = 2. Prove que esta equaÁ„o n„o tem soluÁ„o em Q. A inexistÍncia de uma fraÁ„o p=q tal que (p=q)^2 = 2 deve-se ‡ propriedade de densidade do corpo Q. Embora Q contenha uma inÖnidade de pontos (n˙meros) n„o contÈm o suÖciente para medir a diagonal de um quadrado de lado 1. … necess·rio ampliar o conjunto dos racionais Q, ou seja, tapar os buracos da reta, para que esta possa servir de rÈgua graduada capaz de medir qualquer comprimento com rigor. Assim, suporemos a existÍncia de um corpo ordenado arquimediano R, contendo Q, onde È v·lido o PrincÌpio do Encaixe, utilizado em algumas literaturas para a caracterizaÁ„o axiom·tica dos n˙meros reais. A propriedade arquimediana do corpo R È decisiva na comprovaÁ„o de que 1 =n torna-se arbitrariamente prÛximo de zero, ‡ medida que o n˙mero natural n cresce. Traduzimos isto escrevendo 1 =n! 0 , com n! 1: O mesmo raciocÌnio se aplica a outras sucessıes a exemplo da sucess„o x= 2 n:

COMPLEMENTOS 1 N⁄MEROS REAIS 5

Esta noÁ„o de convergÍncia (proximidade) ser· tratada mais tarde com bastante rigor. No momento enfatizamos o seguinte: (i) se an  an+1 e bn  bn+1, seja qual for n 2 N, e se bn an! 0 , ent„o para todo x 2 [an; bn] tem-se an se aproxima de x pela esquerda (anota-se: an! x) e bn se aproxima de x pela direita (anota-se: bn! x+) (ii) se an  y e an! x, percebe-se que x  y:

1.1.1 Valor Absoluto & Intervalos

Dado x 2 R deÖnimos o valor absoluto ou mÛdulo de x como sendo o n˙mero real jxj = max fx; xg. … claro que jxj = x, se x  0 e jxj = x, no caso em que x < 0 : Existe uma classe importante de subconjuntos de R; denominados intervalos, com notaÁ„o e car- acteÌsticas especÌÖcas. Se a e b s„o dois n˙meros reais e a < b, deÖnimos os intervalos:

[a; b] = fx 2 R; a  x  bg (a; + 1 ) = fx 2 R; x > ag [a; b) = fx 2 R; a  x < bg [a; + 1 ) = fx 2 R; x  ag (a; b] = fx 2 R; a < x  bg (1; b] = fx 2 R; x  bg (a; b) = fx 2 R; a < x < bg (1; b) = fx 2 R; x < bg :

Dado um intervalo limitado I com extremos a e b, o comprimento de I È o n˙mero real jb aj, que representaremos por m (I) : Um intervalo pode ser caracterizado da seguinte forma (veja o ExercÌcio 1.20): um conjunto I  R È um intervalo se, e somente se, cumpre a seguinte condiÁ„o: se a; b 2 I e a < x < b, ent„o x 2 I:

PRINCÕPIO DO ENCAIXE Dada uma famÌlia inÖnita fIngn 2 N de intervalos fechados n„o vazios

de R, com In  In+1, para qualquer n 2 N, ent„o

^1

n=

In 6 = ?. AlÈm disso, se m (In)! 0 , ent„o existe

um ˙nico x comum a todos os In: No PrincÌpio do Encaixe, a hipÛtese dos intervalos serem fechados È essencial. De fato, note que ^1 n=

(0; 1 =n) =? e que

^1

n=

[n; + 1 ) = ?:

Passemos agora ‡ construÁ„o do n˙mero p 2 que È precisamente a raiz positiva da equaÁ„o x^2 = 2: Com efeito, consideremos um intervalo [a; b] tal que a^2  2  b^2 (por exemplo, o intervalo [1; 2]). Ora, ou 2  (^) a+b 2

ou 2  (^) a+b 2

e dividindo [a; b] ao meio, um dos intervalos da divis„o, digamos [a 1 ; b 1 ], È tal que a^21  2  b^21. Representemos esse intervalo por I 1 e uma repetiÁ„o sucessiva do processo de divis„o do intervalo ao meio nos conduz a uma famÌlia fIng de intervalos encaixados In = [an; bn] ; tal que a^2 n  2  b^2 n: Como cada intervalo In tem a metade do comprimento do intervalo anterior, ent„o bn an = (b a) 2n^! 0 e, portanto, existe um ˙nico x pertencente a todos os intervalos In e ainda an! x e bn! x: Assim, tomando o limite, com n! 1; na desigualdade a^2 n  2  b^2 n, encontramos

COMPLEMENTOS 1 N⁄MEROS REAIS 7

inferior n„o. Denotemos por I 1 = [a 1 ; b 1 ] tal intervalo. Repetindo o processo com o intervalo I 1 no lugar do intervalo I, produzimos um intervalo I 2 nas condiÁıes de I 1 e assim sucessivamente. Dessa forma, obtemos uma famÌlia de intervalos encaixados

I  I 1  I 2 : : :  In  : : : ;

onde In = [an; bn] È tal que: (i) bn an = b 2 na! 0 e (ii) bn È majorante de X e an n„o È. Se s o ˙nico ponto comum a todos os intervalos In, ent„o an! s e bn! s e aÖrmamos que s = sup X: De fato: (a) dado x 2 X, ent„o x  bn; 8 n; e fazendo n! 1, encontramos x  s; (b) se s^0 for um majorante de X tem-se an  s^0 ; 8 n, e fazendo n! 1, encontramos s  s^0 : 

PRINCÕPIO DO ÕNFIMO Uma parte X  R n„o vazia, limitada inferiormente, tem ÌnÖmo. 

1.1.2 Caracterizando o sup X e o inf X

Decorrem diretamente dos conceitos de supremo e inÖmo de um conjunto limitado X as seguintes caracterizaÁıes: (a) Com relaÁ„o a uma cota superior de X  R, as aÖrmaÁıes abaixo s„o equivalentes:

(i) = sup X; (ii) Dado " > 0 , existe x 2 X tal que " < x: 

(b) Com relaÁ„o a uma cota inferior de X  R, as aÖrmaÁıes abaixo s„o equivalentes:

(i) = inf X; (ii) Dado " > 0 , existe x 2 X tal que + " > x: 

1.1.3 Densidade

Um subconjunto X  R diz-se denso em R se, dados a; b 2 R com a < b, existe c 2 X tal que a < c < b: Por exemplo, Q È denso em R. Com efeito, dados a; b 2 R com a < b, existe, pela propriedade arquimediana, um n 2 N tal que n (b a) > 1 , isto È, 1 =n < b a. Marcando na reta real os pontos da forma k  (^1) n ; k 2 Z, a reta Öca subdividida em intervalos de comprimento (^1) n < b a e necessariamente ao menos um ponto da forma kn Öcar· entre a e b: Da mesma forma, o conjunto RnQ dos n˙meros irracionais tambÈm È denso em R. Nesse caso, consideramos n 2 N tal que

p 2 n < b^ ^ a^ e marcam-se na reta os pontos da forma k

p 2 n , com^ k^2 Zn f^0 g. Toda reta, exceto o intervalo^

p 2 =n; p 2 =n (^) ; Öca

dividida em intervalos de comprimento p 2 =n < b a e, por Öm, adicionamos os irracionais  p 2 = 2 n: Agora, aplicamos o raciocÌcio anterior.

8 AN¡LISE NO CORPO R MARIVALDO P. MATOS

1.1.4 Raiz n-Èsima

Dados um n˙mero real a > 0 e n 2 N, existe um ˙nico b > 0 tal que bn^ = a. O n˙mero b È denominado raiz n-Èsima positiva de a e anota-se b = pna. A comprovaÁ„o desse fato È estabelecida por etapas e comeÁamos enfatizando duas relaÁıes que ser„o utillizadas:  Desigualdade de Bernoulli: Se x  1 , ent„o (1 + x)n^  1 + nx; 8 n 2 N;  Se b > 0 e bn^ < a, ent„o (b + )n^ < a, para  suÖcientemente pequeno.

Agora, consideremos os subconjuntos:

X = fx 2 R; x  0 e xn^ < ag e Y = fy 2 R; y > 0 e yn^ > ag :

Temos que X 6 =? e X È limitado, porque 0 2 X e 0  x  max f 1 ; ag ; 8 x 2 X. Se b = sup X; ent„o:

(i) b = 2 X, do contr·rio existiria  > 0 ; tal que (b + )n^ < a e, portanto, b +  2 X, contradizendo a deÖniÁ„o de b:

(ii) b = 2 Y; pois se  È tal que 0 <  < min

b; (bn^ a) =nbn^1 ; segue da Desigualdade de Bernoulli:

(b )n^ = bn^ (1 =b)n^  bn^ (1 n=b) = bn^ nbn^1  > a

e, portanto, b 2 Y. Isto n„o È possÌvel, porque b = sup X  inf Y , j· que x < y; 8 (x; y) 2 XY:

O PrincÌpio do Supremo È tambÈm conhecido como Axioma de Completeza do corpo R. Ser completo È uma propriedade fundamental que diferencia o corpo R do corpo Q dos n˙meros racionais. O conjunto

X =

x 2 Q; x^2 < 2

È limitado superiormente e, contudo, n„o possui supremo em Q. Note que sup X = p 2 2 = Q:

AS POT NCIAS am=n^ Dados m; n 2 N e um n˙mero real a > 0 , deÖnimos a potÍncia am=n^ por:

am=n^ =

a^1 =n

m : (1.5)

Se m È um inteiro negativo, escrevemos am=n^ = 1=am=n^ e temos as seguintes propriedades:

(a) ar^  as^ = ar+s; r; s 2 Q: (b) (ar)s^ = ars; r; s 2 Q:

10 AN¡LISE NO CORPO R MARIVALDO P. MATOS

f (m) 2 ff (1) ; f (2) ; : : : ; f (n 1)g e f (n) 2 Xn ff (1) ; f (2) ; : : : ; f (n 1)g. … claro que f (N) È um subconjunto de X inÖnito enumer·vel.

:::::::::::::::::::::::::::::^ 5.^ N^ ^ N^ È enumer·vel. Em primeiro lugar, lembramos que a representaÁ„o de um n˙mero natural em fatores primos È ˙nica. A funÁ„o  : N  N! N deÖnida por  (m; n) = 2n^  3 m^ estabelece uma injeÁ„o entre N  N e N. Decorre desta propriedade que se X e Y s„o enumer·veis, ent„o o produto cartesiano X  Y È enumer·vel. De fato, a partir das bijeÁıes ' : N! X e : N! Y deÖnimos a bijeÁ„o  : N  N! X  Y; pondo  (m; n) = (' (m) ; (n)).

::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::^ 6.^ Uma decomposiÁ„o interessante do conjunto^ N. Vamos decompor o conjunto N em uma uni„o inÖnita N = N 1 [ N 2 [ : : : [ Nn [ : : : de subconjuntos inÖnitos dois a dois disjuntos. ComeÁamos exibindo uma bijeÁ„o entre N e N  N. De fato, deÖnamos ' : N! N  N por: ' (2n 1) = (1; n) e ' (2m^ (2n 1)) = (m + 1; n). Agora, seja  : N  N! N dada por  (m; n) = n e consideremos Nk = [  ']^1 (k) : Dado n 2 N, ent„o n 2 Nk, se n = 2k 1 ou n 2 Np, se n = 2m^ (2p 1) e, portanto, N = N 1 [ N 2 [ : : : [ Nn [ : : :. … claro que cada Nk È inÖnito e se n 2 Np \ Nq, ent„o p = q =  (' (n)), de modo que a uni„o È disjunta. Note que:

N 1 =

1 ; 2 ; 22 ; 23 ; : : : ; N 2 =

3 ; 3  2 ; 3  22 ; 3  23 ; : : : ; N 3 =

::::::::::::::::::::::::::::::::::::::^ 7.^ Sobre a reuni„o enumer·vel Se X 1 ; X 2 ; X 3 ; : : : Xn; : : : s„o enumer·veis, ent„o X =

[^1

n=

Xn È enumer·vel. De fato, considerado

para cada n uma jijeÁ„o fn : N! Xn , a aplicaÁ„o  : N  N! X deÖnida por  (i; j) = fi (j) È

sobrejetiva e, dos fatos j· estabelecidos, deduzimos que X È enumer·vel. Como consequÍncia, olhamos a decomposiÁ„o Z = N [ f 0 g [ (N) e a aplicaÁ„o sobrejetiva  : Z  (Zn f 0 g)! Q; dada por  (m; n) = m=n; e concluÌmos as respectivas enumerabilidade de Z e Q.

Teorema 1.7 O corpo R dos n˙meros reais È n„o enumer·vel.

DEMONSTRA«√O ::::::::::::::::::: Provaremos que uma funÁ„o f : N! R n„o pode ser sobrejetiva. Com efeito, seja I 1 = [a 1 ; b 1 ] tal que f (1) < a 1 , de modo que f (1) 2 = I 1. Se f (2) 2 = I 1 , escolhamos I 2 = I 1. Se f (2) 2 I 1 , isto È, a 1  f (2)  b 1 , ent„o ou f (2) > a 1 ou f (2) < b 1 e, ocorrendo a primeira

opÁ„o, consideramos I 2 = [a 2 ; b 2 ], com a 2 = a 1 e b 2 = a^1 + 2 f (2) (como seria I 2 caso ocorresse a segunda opÁ„o?). Dessa forma, construÌmos, indutivamente, uma sucess„o de intervalos encaixados

I 1  I 2  I 3 : : :  In : : : com f (n) 2 = In = [an; bn] ; 8 n. Se c 2

^1

n=

In, n„o existe n 2 N tal que

f (n) = c: 

COMPLEMENTOS 1 N⁄MEROS REAIS 11

Corol·rio 1.8 O conjunto RnQ dos n˙meros irracionais È n„o enumer·vel

DEMONSTRA«√O ::::::::::::::::::: Se fosse, ent„o R = Q [ (RnQ) seria enumer·vel. 

Corol·rio 1.9 O intervalo aberto ( 1 ; 1) È n„o enumer·vel

DEMONSTRA«√O ::::::::::::::::::: A fÛrmula g (x) = x= (1 jxj) deÖne uma bijeÁ„o de ( 1 ; 1) ! R, com inversa g^1 (y) = y= (1 + jyj) : 

Corol·rio 1.10 Se a < b, o intervalo aberto (a; b) È n„o enumer·vel

DEMONSTRA«√O ::::::::::::::::::: A fÛrmula f (x) = 12 [(b a) x + a + b] estabelece uma bijeÁ„o entre os intervalos ( 1 ; 1) e (a; b). 

Corol·rio 1.11 O conjunto RnQ dos n˙meros irracionais È denso em R

DEMONSTRA«√O ::::::::::::::::::: Se n„o fosse, existiria um intervalo aberto (a; b) inteiramente contido em Q e, assim, (a; b) seria enumer·vel. 

1.2 Escrevendo para Aprender

  1. Comprove as seguintes aÖrmaÁıes no corpo R dos n˙meros reais.

(a) Se a  b = a  c e a 6 = 0, ent„o b = c: (b) Se a  b = 0, ent„o ou a = 0 ou b = 0: (c) Se a  a = a, ent„o ou a = 0 ou a = 1: (d) N„o existe um n˙mero racional r tal que r^2 = 6: (e) Se r È um n˙mero racional n„o nulo e  È um n˙mero irracional, ent„o os n˙meros  + r e   r tambÈm s„o irracionais. (f ) Se r e s s„o n˙meros racionais, ent„o r  s e r + s tambÈm o s„o. (g) Se  e  s„o n˙meros iracionais, ent„o    e  +  podem ser racionais. (h) Se a 2 R e m; n 2 N, ent„o am+n^ = am^  an^ e (am)n^ = amn: (i) Dados a; b 2 R, ent„o: ou a > b; ou a = b, ou a < b:

COMPLEMENTOS 1 N⁄MEROS REAIS 13

(c) Se 0 <  < 1 , mostre que m^ < n^ () m > n:

  1. Mostre que ja bj  jaj + jbj e que jjaj jbjj  ja bj : Como consequÍncia, deduza que:

ja bj < " ) jaj < jbj + ":

  1. Mostre que ja + bj = jaj + jbj se, e somente se, ab  0 :
  2. Mostre que ja + bj = jaj + jbj se, e somente se, ab  0 :
  3. Dados trÍs n˙meros reais x; y e z, mostre que jx yj + jy zj  jx zj. Se x < z; mostre que x  y  z se, e somente se, jx yj + jy zj = jx zj. Interprete os resultados geometricamente.
  4. Mostre que jx aj <  , a  < x < a + :
  5. Se x; y 2 (a; b) ; mostre que jx yj < b a: Interprete o resultado geometricamente.
  6. Esboce no produto cartesiano R  R os seguintes subconjuntos:

(a) f(x; y) : jxj  jyjg (b) f(x; y) : jxj + jyj  1 g (c) (x; y) : jyj  x^2 :

  1. Dados r; s 2 Q, com 0 < 2 r < s, mostre que  = r p 2 r + s= 2 È irracional e que r <  < s:
  2. Sejam b 1 ; b 2 ; : : : ; bn n˙meros reais n„o nulos, com mesmo sinal. Se a bk k 2 ( ; ), k = 1; 2 ; 3 ; : : : ; n, mostre que: a 1 + a 2 +    + an b 1 + b 2 +    + bn^2 (^ ;^ )^ :
  3. Sejam a 0 ; a 1 ; a 2 ; : : : ; an 2 Z e x uma soluÁ„o da equaÁ„o xn^ + an 1 xn^1 +    a 1 x + a 0. Se x = 2 Z, mostre que x È irracional. Como consequÍncia deduza que 3 p 5 È irracional.
  4. IdentiÖque o erro no seguinte argumento: se x = y, ent„o:

x^2 = xy ) x^2 y^2 = xy y^2 ) (x + y) (x y) = (x y) y ) x + y = y ) 2 y = y ) 2 = 1:

  1. A respeito de um conjunto X  R, mostre que as seguintes aÖrmaÁıes s„o equivalentes:

(a) Existem constantes m e M tais que m  x  M; 8 x 2 X: (b) Existe uma constatnte C > 0 ; tal que jxj  C; 8 x 2 X:

  1. Seja " > 0 um n˙mero real dado. Construa uma famÌlia inÖnita fIngn 2 N de intervalos abertos com as seguintes propriedades:

(P 1 ) Cada intervalo In contÈm o n˙mero natural n

14 AN¡LISE NO CORPO R MARIVALDO P. MATOS

(P 2 ) A soma dos comprimentos de todos os intervalos da famÌlia È  ":

  1. Prove que um conjunto I  R È um intervalo se, e somente se, cumpre a seguinte condiÁ„o: se a; b 2 I e a < x < b; ent„o x 2 I:
  2. Designe a _ b e a ^ b o maior e o menor entre os n˙meros a e b, respectivamente. Mostre que

a _ b = a^ +^ b^ + 2 ja^ ^ bj e a ^ b = a^ +^ b^ j 2 a^ ^ bj:

  1. Determine o sup e o inf dos seguintes conjuntos:

(a) A =

n^2 + n; n 2 N (b) B =

m ^

n ;^ m; n^2 N

(c) C =

n ;^ n^2 N

[ f 0 g :

  1. Se È uma cota superior de S e 2 S; mostre que sup S =. Idem para o inf :
  2. Seja S  R um subconjunto n„o vazio, limitado superiormente. Mostre que 2 R È uma cota superior de S se, e somente se, as condiÁıes: (i) x 2 R e (ii) x > ; implicam que x = 2 S: Enuncie um resultado an·logo para cota inferior:
  3. Mostre que = sup S se, e somente se, para todo natural n o n˙mero 1 =n n„o È cota superior de S, mas + 1=n o È:
  4. Seja S um subconjunto limitado n„o vazio de R. Dado a 2 R, deÖna os conjuntos aS e a + S por

aS = fax; x 2 Sg e a + S = fa + x; x 2 Sg :

(a) Se a  0 , mostre que sup (aS) = a sup S e inf (aS) = a inf S: (b) Se a < 0 ; mostre que sup (aS) = a inf S e inf (aS) = a sup S: (c) Para qualquer a real, mostre que sup (a + S) = a + sup S e inf (a + S) = a + inf S:

  1. Se A e B s„o subconjuntos limitados de R, mostre que A [ B È um subconjunto limitado e que sup (A [ B) = max fsup A; sup Bg : Quanto vale inf (A [ B)?
  2. Sejam A  B dois subconjuntos da R, sendo B limitado. Mostre que:

inf B  inf A  sup A  sup B:

  1. Seja S  R limitado superiormente e suponha que sup S est· em S: Se x 2 = S; mostre que sup (S [ fxg) = max fx; sup Sg. Usando este resultado e o mÈtodo de induÁ„o, prove que todo subconjunto Önito de R contÈm seu supremo.

16 AN¡LISE NO CORPO R MARIVALDO P. MATOS

 Existe um raio r > 0 tal que Vr (x)  X: Nesse caso, dizemos que o ponto x È interior ao conjunto X e anotamos x 2 int (X) :  Existe um raio r > 0 tal que Vr (x)  Xc: Nesse caso, dizemos que o ponto x È exterior ao conjunto X e anotamos x 2 ext (X) :  dado qualquer raio r > 0 ; a vizinhanÁa Vr (x) contÈm algum ponto do conjunto X e algum ponto do complementar de X. Neste caso, dizemos que x È um ponto de fronteira do conjunto X e anotamos x 2 @X:

… claro que qualquer conjunto contÈm o seu interior, isto È, int (X)  X: Um subconjunto A  R È denominado conjunto aberto quando A = int (A), isto È, todo ponto do conjunto A È ponto interior. Qualquer intervalo aberto È um conjunto aberto.

(a) Mostre que qualquer intervalo aberto (a; b) È um conjunto aberto. (b) Se A  R È um conjunto aberto, mostre que A \ @A = ?: A recÌproca È verdadeira? (c) Um subconjunto F  R È dito fechado quando @F  F: Mostre que F È fechado se, e somente se, RnF È aberto. Qualquer intervalo fechado È um conjunto fechado. (d) O fÍcho de um subconjunto X de R È, por deÖniÁ„o, o conjunto X = X [ @X. Mostre que X È um conjunto fechado, o qual coincide com a interseÁ„o de todos os subconjuntos fechados da reta que contÈm X. Mostre que F È fechado se, e somente se, F = F. Qual a relaÁ„o entre A [ B e A [ B? (e) Determine o fÍcho dos seguintes subconjuntos da reta: N, Z, RnQ, Q, [0; 1] ; f 1 =n; n 2 Ng e ]0; 1[: Qual desses subconjuntos È fechado? Qual deles È limitado? (f ) Um subconjunto K  R fechado e limitado È denominado compacto. Estude a compacidade dos subconjuntos do item (e). DÍ exemplo de um subconjunto da reta inÖnito, enumer·vel e compacto. (g) Um subconjunto D  R È denominado denso (em R) quando D = R. Mostre que x 2 D se, e somente se, toda "-vizinhanÁa de x contÈm algum ponto de D e usando este fato deduza que os conjuntos RnQ e Q s„o densos em R. (h) Um subconjunto C  R È dito convexo quando atender ‡ seguinte condiÁ„o: se x e y s„o dois pontos de C e 0    1 ; ent„o (1 ) x + y 2 C: Mostre que qualquer intervalo da reta È um conjunto convexo. DÍ exemplo de dois subconjuntos convexos da reta cuja uni„o n„o È um convexo. O que se pode dizer sobre a interseÁ„o de dois subconjuntos convexos? (i) Um ponto a 2 R È um ponto de acumulaÁ„o de um conjunto X quando qualquer vizinhanÁa de a contiver ao menos um ponto de X diferente de a: Mostre que o conjunto X^0 dos pontos de acumulaÁ„o de X È um conjunto fechado e deduza que: Q^0 = R, Z^0 = ;:

COMPLEMENTOS 1 N⁄MEROS REAIS 17

(j) Mostre que n„o existe um subconjunto X de R simultaneamente aberto e fechado, distinto do conjunto vazio e do prÛprio R. (sug. suponha que X seja limitado superiormente e, considerando o sup X produza uma contradiÁ„o. No caso geral, considere a interseÁ„o de X com um intervalo do tipo (1; a) : (k) Mostre que os subconjuntos A =

x 2 R; x^2 < 2 e B =

x 2 R; x^2 > 2 s„o abertos e determine a fronteira de cada um deles. (l) Para cada n = 1; 2 ; 3 ; : : : sejam An = ( 1 =n; 1 =n) e Bn = [0; 1 1 =n]. Mostre que

^1

n=

An n„o È um conjunto aberto, embora cada 1 An o seja. Note que cada Bn È fechado e, contudo, [ n=

Bn n„o È fechado. (m) Se a e b s„o n˙meros reais distintos, mostre que eles podem ser separados por intervalos abertos disjuntos.

  1. Seja X um subconjunto de R com a seguinte propriedade:

(P) dado x 2 R; 9 x > 0 ; tal que jtj < x ) tx 2 X:

(a) DÍ exemplo de uma classe de subconjuntos prÛprios da reta R com tal propriedade. (b) Se A = fr > 0; x=r 2 Xg; mostre que A È n„o vazio e que A = fr > 0; x=r 2 Xg; 8   0 : (c) Se p : R! R È deÖnida por p (x) = inf A; mostre que p (0) = 0 e p (x) = p (x) ; 8   0 :