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Ancestrais estudos da, Manuais, Projetos, Pesquisas de Antropologia da Religião

Estudos sobre ancestralidade em comunidade africana

Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas

2021

Compartilhado em 05/06/2021

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raphael-bueno-2 🇧🇷

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A Ancestralidade
IFAGBENUSOLA AWORENI
Sacerdote da Indigenous Faith of African Tradition,Isin Egúngún ati Orò..
Responsável pela Ègbé Awò Omo Egúngún Onífe.
Marica - RJ
Se você tem sua própria ancestralidade e, portanto raiz,
por que cultua somente a dos outros?
Não seria esta a hora de avaliar melhor a questão?
O que vem a ser a Ancestralidade e por que a devemos
Cultuar?
A Ancestralidade é algo concreto, e ao cultuarmos a mesma, abrimos um leque
de possibilidades e um constante ciclo de renovações de nossas energias, uma vez que a
manifestação energética do culto se encontra em constante movimento. É Raiz, portanto
caminho. Ela nos traz a realização pessoal e o sucesso! Nada se pode fazer sem a
Ancestralidade, pois sendo raiz é ela quem sustenta, toda a arvore. Então sem
Ancestralidade, sem RAIZ! Todos temos Ancestrais a louvar. Vamos agora definir o
que sejam os Ancestrais, são todos aqueles que um dia possuíram sua energia vital no
Aiye, e que repassa esta sua energia à sua descendência, garantindo assim a perpetuação
da mesma.
Ao Cultuarmos Bàbá Egún, reforçamos nossa crença na reencarnação, e através
desse fenômeno evocamos a sua presença uma vez que dentro da essência desse culto
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A Ancestralidade

IFAGBENUSOLA AWORENI Sacerdote da Indigenous Faith of African Tradition,Isin Egúngún ati Orò .. Responsável pela Ègbé Awò Omo Egúngún Onífe. Marica - RJ Se você tem sua própria ancestralidade e, portanto raiz, por que cultua somente a dos outros? Não seria esta a hora de avaliar melhor a questão? O que vem a ser a Ancestralidade e por que a devemos Cultuar? A Ancestralidade é algo concreto, e ao cultuarmos a mesma, abrimos um leque de possibilidades e um constante ciclo de renovações de nossas energias, uma vez que a manifestação energética do culto se encontra em constante movimento. É Raiz, portanto caminho. Ela nos traz a realização pessoal e o sucesso! Nada se pode fazer sem a Ancestralidade, pois sendo raiz é ela quem sustenta, toda a arvore. Então sem Ancestralidade, sem RAIZ! Todos temos Ancestrais a louvar. Vamos agora definir o que sejam os Ancestrais, são todos aqueles que um dia possuíram sua energia vital no Aiye, e que repassa esta sua energia à sua descendência, garantindo assim a perpetuação da mesma. Ao Cultuarmos Bàbá Egún, reforçamos nossa crença na reencarnação, e através desse fenômeno evocamos a sua presença uma vez que dentro da essência desse culto

cremos que todos, a principio sempre voltarão ao Ayé, pois nosso Emí é imortal. Por mais poderosa que seja Ikú (ojegbe-alaso-ona), a mesma não destrói o homem, mas age apenas como um agente de transformação e renovação dos ciclos entre o Òrun e o Ayé. Podemos concluir que, enquanto existir o homem, tempo e o desejo, haverá o Culto a Babá Egún. Quem deve Cultuar a Ancestralidade? Todos têm pai. Temos mãe. Temos avô. Temos avó. E assim por diante. Então por certo temos Ancestralidade! Compreendido isso, podemos facilmente deduzir então que não só podemos, como devemos cultuar nossos Ancestrais. Uma vez que somos o resultado da soma de saberes de nossos Antepassados, destes herdamos o inconsciente coletivo e com ele as informações legadas nele, e é por esta determinante maior, que os devemos louvar. A diferença é que, nem todos devem se iniciar no Culto. Caso não saiba qual é o seu caso, e deseje descobrir seu caminho, ou seja, se é Cultuar ou Iniciar- se, basta consultar seu Ori. Iniciar-se ou não no Culto a Bàbá Egún, dependerá de exclusivamente dele(ORI), pois é ele quem determina o que deve ou não ser feito. E a resposta a esta questão nos é dada através do Oráculo, e é um procedimento válido para os filhos de qualquer Òrìsà.

As diferenças entre Iniciação e Assentamento

A iniciação:

Numa iniciação, despertamos nos seres humanos características que já se encontram presentes em seu Ori, então deve ser ele iniciado quando assim determinar

atribuída à Sociedade Egúngún. Daí o fato de Egúngún, enquanto divindade, ser considerado filho de Sàngó, e o Itan que conta que ele usou a roupa de Sàngó para se fazer passar por ele. O Babá Egún que representa o clã original dos bardos chama-se Bàbá Ologbojo ("o-bardo-que-comanda-a-chuva"). Em nosso modesto conceito, desde que o mundo é mundo, louvamos os Ancestrais, tendo, portanto a Mãe África como ponto conhecido de partida. Na diáspora brasileira, ele chegou na memória e no dia a dia de diversos Sacerdotes e das diversas nações, pois todas têm "Ancestralidade". O que nos falta e compreender que todos somos parte do todo, e que não há esta folclórica descendência indireta, descendente é descendente. O discurso etno-centrista é ultrapassado e comprovadamente ineficaz, afinal viemos todos da boa e velha mãe África, pois segundo o que se sabe, lá nasceu a humanidade como a conhecemos hoje. A maior profusão de melanina não desqualifica ou qualifica ninguém, muito menos a genética, pois hoje sabemos que pertencemos todos a uma raça, a humana. O Culto a Ancestralidade procedente de Oyo, foi "mantido" em Itaparica/Bahia, más isso não quer dizer que ele não tenha ocorrido também em outros rincões do Brasil. Há somente uma forma de Culto Ancestral? Seria um lamentável engano, supor que entre as diversas levas de escravos espalhados por nosso país, não houvesse dentre eles Sacerdotes de Ancestrais de diferentes grupos étnicos e religiosos, afinal Cultuar a ancestralidade não é um privilégio exclusivo dos Yorùbás, um exemplo disso é a Nação Bantu/Angola que faz o Culto Ancestral calcado em suas próprias tradições. Há um questionamento muito comum e até constante que gostaria de expor, perguntam-me sempre se uma pessoa que teve, por exemplo, como Ancestral um Budista, pode Cultuar sua Ancestralidade?

Em resposta a esta questão, costumo colocar que, muito mais importante que a origem de uma crença pessoal, seja ela cristã, judaica, seja uma pessoa muçulmana ou mesmo sem crença nenhuma é a Ancestralidade. O que difere nossos conceitos dos demais? Creio simplesmente nada. Com que direito podemos pensar que uma pessoa que nos deu a vida, independente de compartilhar de nossas crenças ou não, não possa ser cultuada? Com que direito podemos questionar o fato de uma pessoa de qualquer origem, que ao conhecer o culto e as possibilidades que o mesmo cria, sentir a necessidade de pedir apoio a seus Ancestrais, mesmo os mesmos em vida não tendo crença nenhuma. Ou pensam vocês que simplesmente pelo fato de uma pessoa possuir ancestralidade judaica, ateia ou etc, a mesma é inexistente e por isso não deva ser reverenciada. Um dos conceitos que aprendi no Benin, é que independente da crença pessoal de qualquer um, a mesma deve ser respeitada, e jamais questionada, uma vez que sabemos que, mesmo que a pessoa não creia em nada, ela possui um Ori, ela possui um Òrìsà, e o fato do mesmo manifestar-se ou não, não é um fator determinante para que isso lhe seja tirado. Há perigo no Culto Ancestral? Nossos Ancestrais andam nas ruas Nigerianas e Beninenses abraçando seus descentes queridos! Por que vou cultuar uma energia que pode me gerar malefícios isso seria no mínimo um contra-senso. Até pouco tempo, a visão generalizada era de que estas eram energias perigosas e que o simples toque gerava um resultado nefasto, eu mesmo mantive este dogma por algum tempo, buscando assim evitar um confronto direto de opiniões, más devo as pessoas uma atitude de esclarecimento e divulgação, pois este é meu caminho, e farei sempre o meu melhor quando levar a conhecimento público o que pode ser dito sobre o assunto. Em nossa Egbé o Culto é um pouco mais aberto, pois quem somos nós para proibir que as pessoas tenham acesso direto e dividam seus problemas, desabafem, ou até mesmo busquem conselhos junto a

algumas folhas mais novas outras mais maduras, porém todos são folhas. Compreendendo melhor, são todos os iniciados no Culto a Ancestralidade, desde o Omò Isan até o Alapini. Baba Egún passa pelo processo de Atunwá? Como foi dito acima, segundo o conceito africano a morte não é o ponto final da vida, más sim o início de outro nível da existência humana. Eles acreditam em Atunwá (reencarnação), ou seja, no renascimento dentro da mesma família a qual pertencia, retornando em um dos seus descendentes. Porém para nós, os Màrìwò, há uma maneira diferente de ver esta questão, pois entendemos que os "Omò Bibi (Bem Nascidos)" 'iniciados' neste Culto não 'reencarnarão', pois no ato de sua confirmação e segundo nossos dogmas, temos uma trajetória diferenciada, pois ao falecermos, tornamo-nos 'Ancestrais Ilustres' Ará Orun Kinkin ou como se diz aqui no Brasil, Bàbá Egún, isto claro, segundo nossos méritos neste mundo. Então, compreende-se que nossa energia (essência), ao se desprender da matéria que a envolve será agregada às outras já pré-existentes no panteão dos 'Ancestrais Divinizados' desta ou daquela família ou mesmo Egbé. A participação da mulher no Culto: Em contraste com o que se pratica na diáspora brasileira, na Tradição Indígena Nigeriana e também na Beninense, acreditamos que todos, independentes de sexo, têm o poder e a habilidade de se comunicar com aqueles que passaram além dessa vida, tendo

a mulher enquanto Ìyágan ou Ìyálasé, papel fundamental nos ritos iniciáticos, já que a mesma é a manifestação viva da presença de Omulale ou Alale, a Mãe Terra. Assim sendo, entendemos que a mulher possui um papel preponderante no Culto. Dizia-se, até muito pouco atrás, que mulheres não participam do Culto a Bàbá Egún, mas podemos perceber, em um dos mais variados Orikis - Ewi - Esa justamente o contrário: A mulher que conhece o segredo, não deve revela-lo. O homem que conhece o segredo, não deve revela-lo. Eles não devem abrir a boca. Eles não devem falar. Chegou Egúngún, que venerando seus Ancestrais afasta a pobreza e a doença, Estamos venerando nosso pai, esse tempo nos será favorável. ( * ) - Sem a força fecundadora feminina, a força inoculadora masculina não poderia gerar descendência. Acho que seria importante avaliar e pesquisar melhor esta questão, pois a teoria na prática é outra. Por ser um assunto controverso, merece uma avaliação mais aprofundada por parte dos pesquisadores.

O Káábá [Isan] e o Oré Àtòrì Fínfín:

O objéto ritual káábá [isan] nos demonstra que a "união" é o caminho. sendo esta, parte do que representa este objeto magnífico! a "união" do rebanho faz o leão ir dormir com fome, ou seja, nossa força é nossa "união". Na verdade há uma pequena confusão no Culto Ancestral da diáspora brasileira.

Mas, infelizmente ou felizmente, a história continua, pois os filhos de Olokonso Alapini não se davam bem. Quando este veio a falecer, seu isàn foi entregue a seu amigo Orogbomba, para que este o entregasse ao novo Alapini eleito. Devido ao interesse e ganância de seus descendentes, este objeto permaneceu em poder do próprio Orogbomba, "desaparecendo" após sua morte. O Isan, é um importantíssimo "objeto ritual" com que se evoca e invoca um Ancestral, além do que, é ele que dá o nome aos neófitos em nosso Culto. Como podemos notar não é um modernismo, e sim, Tradição Indígena Africana sendo resgatada, e devidamente corroborada pelo fragmento do Itan Ifá descrito anteriormente. Ele evoca a força através da União, afinal somados, somos "um" com o todo, e é exatamente a União Ancestral o que representa este sagrado objeto ritual que estava obscurecido. O que há sob as roupas dos Bàbá Egún? Quando me questionam o que há sob as vestes dos Bàbá Egún, costumo dizer que há um Ancestral divinizado “incorporado” O que vem a ser isso? Somente os iniciados sabem, haja vista que isso sim, é awò. Porém preocupam-se com o que há sob a "roupa", quando o importante mesmo é a "simbologia da roupa", infelizmente algumas pessoas não compreendem que é exatamente esta simbologia intrínseca ao Eku Ancestral que propicia aos Màrìwò transcender a morte. E é exatamente aí que esta o fator primordial, pois se o Sacerdote se der ao trabalho de esclarecer o leigo, dando-lhe uma resposta equilibrada e coerente, este certamente passara a observar o que se diz com mais propriedade e respeito, pois acabara por compreender o que se faz e o por que se faz. Na simbologia da roupa dos Ancestrais Masculinos, “os Egúngún”, estão expressos todos os mistérios da transformação de um ser (Ará Aiyè) deste-mundo num ser-do-além (Ará Orun), de sua convocação e de sua presença no Aiyè (o mundo dos vivos). Esse mistério (Awò) constitui o aspecto mais importante do Culto.

Como claramente nos demonstra a Orin: "GÉGÉ ORÒ ASÓ LA RI,LA RI, LA RÍGÉGÉ ORÒ ASÓ LÈMON,AKO MO BÀBÁ!" Ojú egúngún ou os olhos de egúngún? É um oráculo utilizado pelos Màrìwò Egúngún, trazendo respostas concretas "sim" ou "não" diretamente da Ancestralidade a sua descendência. É a forma de se "apurar", sem "perguntar". Egúngún responde nossas perguntas através de movimentos do mesmo, e este oráculo é uma espécie de pêndulo. Hoje, a Radiestesia já é uma ciência conhecida e bastante usada, mas os antigos já conheciam este método de comunicação. Porém, há a diferença do Ojú Egúngún para o pêndulo comum. No primeiro, há a presença de Bàbá Egún respondendo. Já no segundo caso, existe um fenômeno anímico, onde as respostas podem ser dadas pela própria mente inconsciente de quem pergunta, uma vez que o inconsciente é coletivo e "sabe" tudo. O que vem a ser Gbobaniyin? O significado literal de Gbobaniyin, é "o rei deve ser honrado", tratasse de uma Oògùn, medicina tradicional yorùbá, utilizada no culto a Bàbá Egún. Sabemos que a Ancestralidade é algo concreto e que ao cultuarmos a mesma, abrimos um leque de possibilidades e um constante ciclo de renovações de nossas energias, uma vez que a manifestação energética do culto se encontra em constante movimento. Uma vez entendido a essência dessa energia, podemos nos aprofundar um pouco no que vem a ser realmente Gbobaniyin: Tradicionalmente a economia yorùbá era voltada para a agricultura, a caça, a pesca e o mercado...

divisões, pois nos é inconcebível uma árvore sem raiz, e além do mais Ancestral e Òrìsà não possuem fronteiras. Todos eles habitam em nosso Orí, e são interligados e se complementam. O que deve mesmo ser observado é que Òrìsà tem um campo de ação e Ancestral outro, somente isso, más os dois se locupletam sempre, para que se possa ter uma existência equilibrada, e que se possa cumprir nosso destino neste plano. Infelizmente ainda há um engano muito comum na interpretação de que onde há Òrìsà, não pode haver Bàbá Egún, porém lembro que a maioria confunde Oku Orun com Bàbá Egún e são duas coisas diferentes. Por que há espelhos nas roupas de Bàbá Egún? Ao levantar-me todas as manhãs travo uma batalha com meu pior inimigo, ou seja, eu mesmo. Ao defrontar-me com o espelho, sou obrigado a encarar meus piores pesadelos ou meus mais belos sonhos. Tudo dependerá da forma com que me porto diante de minha Iwa(existência), os Ancestrais são os Guerreiros imortais, guardiões de nossas Tradições e Religião, em última análise são a soma de todos aqueles que vieram antes de mim, e isso se traduz na simbologia da roupa do segredo. Roupa esta que permite um contato direto entre seus entes queridos, e a descendência deles neste plano, os espelhos são um adorno geralmente encontrados na diáspora brasileira, pois em áfrica não há costumeiramente este uso pelo que saiba. As simbologias africanas e brasileiras são quase iguais, porém podemos afirmar que sua finalidade é a mesma, transcender Ikú, daí sua fundamental importância em nosso Culto, seja na costa ou aqui no Brasil. Finalizo dizendo que sua confecção é uma magia de tal magnitude, que mesmo os iniciados mais novos desconhecem o seu processo de preparo. Os Ancestrais de nossa Ilè Awò possuem traços das duas culturas e também seus simbolismos, haja vista encontrar o Isan preso à roupa dos nossos velhos, assim como o Atoori(Isan) por nós utilizado, é esculpido em espiral demonstrando simbolicamente o movimento trazido as nossas vidas pelo Culto Ancestral. Enfim, os espelhos da roupa refletem aquilo que somos, uns temem, já outros se regozijam. Más é bom lembrar que sempre há mais a ser realmente conhecido, e que o todo jamais será

visto em web irmão. Lembro-me também de um determinado Itan Ifá onde se travou uma batalha, e espelhos foram usados para refletir a imagem dos oponentes. Num primeiro nível, a reflexão sobre o espelho sempre será um questionamento do ego sobre si mesmo. Já numa observação mais Religiosa, podemos dizer que eles são dispostos na Roupa Ancestral para que Ikú se mire neles e corra assustada com sua própria imagem. E assim podemos compreender por que ela é a Magia que vence a morte. Finalmente assim compreendo e assim pratico, sei que não existe um pensar único, nem uma única verdade, porém, se todos trilharmos o caminho do respeito às particularidades de cada um, certamente, encontraremos mais afinidades que diferenças. Awure awa!

Adaptação: Luiz L. Marins GRUPO ORIXAS http://grupoorixas.wordpress.com