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apostila algodão
Tipologia: Notas de estudo
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Compartilhado em 02/03/2011
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A evolução da cultura do algodoeiro no cerrado brasileiro
Até o início da década de 90, a produção de algodão no Brasil concentrava-se nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste. Após esse período, aumentou significativamente a participação do algodão produzido nas áreas de cerrado, basicamente da região Centro- Oeste. Esta região, que em 1990 cultivava apenas 123.000 ha (8,8% da área de algodão do país) passou para 479.000 ha em 2002, correspondendo a 63,0% do total da área Os estados do Centro-Oeste, reconhecidamente produtores de algodão herbáceo, são Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul.
Outros estados brasileiros que também estão produzindo algodão no Cerrado são a Bahia e o Maranhão na região Nordeste, cujos sistemas de produção apresentam características semelhantes às do Centro-Oeste.
Tabela 1. Área colhida e produtividade do algodão herbáceo, por regiões geográficas do Brasil, no período de 1980 a 2002.
Centro-Oeste Sul Sudeste Nordeste Brasil
Ano Área (mil ha) Área (mil ha)
Área (mil ha)
Produti vidade (kg/ha)
Área (mil ha)
Produti vidade (kg/ha)
Área (mil ha)
Produti vidade (kg/ ha)
Área (mil ha)
Produti vidade (kg/ ha) 1980 81 81 336 1.671 373 1.580 559 264 1.353 1. 1985 148 148 540 1.918 547 1.695 1.013 453 2.253 1. 1990 123 123 490 1.740 431 1.334 330 458 1.392 1. 1995 199 199 283 1.874 241 1.497 360 477 1.104 1. 2000 414 414 54 2.313 115 2.110 225 1.113 809 2. 2002 479 479 35 2.388 102 2.448 149 1.675 765 2. Fonte: Anuário... (1983, 1988, 1993, 1997); IBGE (2002).
Atualmente, a região Centro-Oeste responde por 74,47% do algodão produzido no Brasil. Somando-se a produção do Centro-Oeste com a da Bahia e do Maranhão, o algodão do cerrado representa mais de 80,0% da produção nacional (Tabela 2). O deslocamento da produção de algodão para a região dos cerrados, principalmente do Centro-Oeste, foi resultante das condições favoráveis para o desenvolvimento da cultura e da utilização de variedades adaptadas às condições locais, tolerantes a doenças e com maior potencial produtivo, aliadas às modernas técnicas de cultivo. Soma-se a isso, a expressiva elevação dos preços internos no primeiro semestre de 1997, o estreito suprimento do produto no mercado interno e o estímulo dos governos estaduais, através de programas especiais de incentivo à essa cultu ra.
Tabela 2. Área colhida, produção e rendimento médio de algodão herbáceo em caroço, segundo as regiões e estados do Brasil, 2002.
Região/Estado Área colhida (ha)
Produção (t)
Produtividade (kg/ ha)
Participação na produção (%) Brasil 764.974 2.282.949 2.984 100,
Norte 65 41 631 0, Rondônia 65 41 631 0,
Nordeste 148.941 249.448 1.675 10, Maranhão 3.134 9.799 3.127 0, Piauí 7.792 2.494 320 0, Ceará 15.995 16.524 1.033 0, Rio Grande do Norte 18.075 12.206 675 0, Paraíba 8.117 9.394 1.157 0, Pernambuco 5.000 2.750 550 0, Alagoas 16.750 9.161 547 0, Bahia 74.078 187.120 2.526 8,
Sudeste 102.221 250.196 2.448 10, Minas Gerais 38.871 91.146 2.345 3, São Paulo 63.350 159.050 2.511 6,
Sul 34.889 83.300 2.388 3, Paraná 34.889 83.300 2.388 3,
Centro-Oeste 478.858 1.699.964 3.550 74, Mato Grosso do Sul 45.035 158.373 3.517 6, Mato Grosso 334.318 1.240.911 3.712 54, Goiás 99.505 300.680 3.022 13, Fonte: IBGE (2002)
Outro fator determinante da evolução da cultura do algodão no Centro-Oeste é a produtividade. Enquanto no Sul, representado pelo estado do Paraná, a produtividade em 2002 foi de 2.388 kg/ha e no Sudeste, de 2.448 kg/ha de algodão em caroço, a média do Centro-Oeste foi de 3.550 kg/ha, aproximadamente 47% maior (Tabela 2).
Atualmente são cultivados no mundo dois tipos diferentes de algodão: o arbóreo a o herbáceo. O algodão arbóreo é aquele que parece uma árvore mediana, de cultivo permanente. Já a espécie herbácea (Gossypium hirsutum L.r. latifolium Hutch) é um arbusto de cultivo anual, uma entre as 50 espécies já classificadas e descritas do gênero Gossypim. Das 50 espécies classificadas, 17 são endêmicas da Austrália, seis do Havaí, e uma no nordeste brasileiro. Cerca de 90% das fibras de algodão comercializadas no mundo são provenientes da espécie Gossypium hirsutum.
taxonomia do algodão :
Divisão: Embriophita sifanogamae Subdivisão: Fanerogamae ou espermatophita Filo: Angiospermae Classe: Dicotiledoneae Subclasse: Archichlamidae Ordem: Malvales Família: Malvaceae Tribo: Hibisceae Gênero: Gossypium Espécie: Gossypium hirsutum Raça: G. hirsutum latifolium
MORFOLOGIA
segunda folha também em forma de coração aberta. Folha aberta significa que os respectivos bordos não se tocam.
V 2 – Segundo nó vegetativo: Segunda folha cordiforme com 30% a 50% de expansão e primeira folha lobada (com lóbulos) aberta.
V 3 – Terceiro nó vegetativo: Primeira folha lobada com 30% a 50% de expansão e segunda aberta. Devido as hábito de crescimento indeterminado, o algodoeiro tende a vegetar indefinidamente, emitindo sucessivos nós vegetativos com folhas lobadas. Os cultivares anuais (algodoeiro herbáceo) associados ao ambiente e ao manejo completam o ciclo natural com 20 a 25 folhas.
VR – Primeiro ramo frutífero: A partir do V 5 ou V 6 surge o primeiro ramo frutífero (simpodial) com botão floral e folha correspondente fechados. Desta fase em diante, o algodoeiro acelera a desenvolvimento vegetativo emitindo novos ramos frutíferos (RF) nos nós vegetativos subseqüentes.
R 1 – Primeiro botão floral: Primeiro botão floral (BF) com 5 mm de comprimento, encoberto por brácteas, na primeira posição do primeiro RF. Intensifica-se o acúmulo de matéria seca na planta. Na seqüência, surgem botões florais na seguinte ordem (padrão espiral): 2º BF na primeira posição do 2º RF; 3º botão floral na segunda posição do 1º RF; e assim sucessivamente.
R 2 – Primeira flor: Início do florescimento com abertura da primeira flor, na primeira posição do primeiro ramo frutífero. Plantas com 14 a 16 folhas. O florescimento prossegue seguindo o padrão espiral.
R 3 – Crescimento da primeira maçã: Inicio da frutificação. Primeira maçã com 1,0 cm de diâmetro na primeira posição do primeiro ramo frutífero. R 4 – Primeira maçã visível: Plantas com florescimento pleno fechando o dossel. Maçã visível na primeira posição do primeiro ramo frutífero, sobressaindo às brácteas, rica em água, macia ao tato e com sementes e fibras em desenvolvimento.
R 5 – Primeira maçã cheia: Primeira maçã na primeira posição do 1º RF, iniciando a pigmentação (antocianina), consistente ao tato, aquosa, com sementes e fibras imaturas (alongamento das fibras).
R 6 – Final do florescimento efetivo e frutificação plena: Fertilização da última flor economicamente viável, isto é, que origine um capulho possível de ser colhido. Flor localizada a partir do 5º nó vegetativo do ponteiro para baixo. Planta com altura final definida, predominando as maçãs.
R 7 – Primeiro capulho: Final da frutificação e maturidade fisiológica. Primeiro capulho na primeira posição do 1º RF. Translocação intensa devido à carga pendente. Acentuada queda de folhas a partir do baixeiro da planta. Final da deposição de celulose nas fibras, maturação das sementes e desidratação das maçãs cheias, consistentes e pigmentadas.
R 8 – Maturidade plena: Planta com 2/3 de desfolha contendo 60%a 70% de capulhos. Colheita viável desde que a umidade nas fibras esteja por volta de 12% a 15%
O algodoeiro é muito sensível à temperatura. Noites frias ou temperaturas diurnas baixas restringem o crescimento das plantas levando-as à emissão de poucos ramos frutíferos. Por isso, a semeadura é aconselhável em regiões ou épocas em que as temperaturas permaneçam entre 18º e 30ºC, nunca ultrapassando o limite inferior de 14ºC e superior a 40ºC (Doorenbos at al., 1979). Os parâmetros térmicos que limitam o desenvolvimento do algodoeiro ao longo do seu ciclo podem ser observados na Tabela 1.
Tabela 1. Parâmetros térmicos para o desenvolvimento da cultura do algodoeiro. Estapas de crescimento
Limite mínimo (ºC)
Limite ideal (ºC)
Limite máximo (ºC) Germinação 14 18 a 30 40 Des. Vegetativo 20 30 40 Formação de gemas e floração
dia: 20 noite: 12
30 dia: 40 noite: 27 Maturação de frutos 20 27 a 32 38
A temperatura tem importância também como indutora do crescimento das plantas, tendo sido determinada a exigência em unidades de calor para cada fase do crescimento do algodoeiro. Assim, é necessário um determinado acúmulo térmico, representado pelo somatório da diferença entre as temperaturas médias e a temperatura mínima basal diárias, para que o algodoeiro expresse todo seu potencial de crescimento a cada fase de seu desenvolvimento. Essas necessidades térmicas, denominadas de Unidades de Calor (UC) ou Graus Dia (GD) é característica de cada variedade, influenciando fortemente a época de cultivo, em função da latitude e altitude de cada localidade. Na Tabela 2 encontram-se essas temperaturas determinadas para variedades cultivadas nos Estados Unidos e no Brasil, de acordo com ROSOLEM, 2001.
Tabela 2. Número médio de dias e unidades de calos (UC) que o algodão necessita durante seu crescimento, em vários estádios. Dados médios obtidos com as cultivares ITA 90 e Antares, na safra 98/99, na região de Rondonópolis, MT. Estádio de Crescimento Número de dias (^) Unidades de Calor (1) MT Literatura MT Literatura Semeadura à emergência 4-9 50- Emergência ao primeiro botão 33 27-38 358 425- Primeiro botão à primeira flor 21 20-25 271 300- Emergência à primeira flor 54 47-63 629 725- Primeira flor ao primeiro capulho 54 45-66 658 850 Emergência ao primeiro capulho 109 125-161 1.287 1.575-1.
Entrenós Na haste principal 2-3 40- Nos ramos 5-6 80- (1) (^) UC – Unidades de Calor acumuladas, calculadas por: UC= [(T + t)/2 – 15], onde T = temperatura máxima diária; t = temperatura mínima diária; 15 = temperatura base (ºC). Fonte: Rosolem, 2001
Dependendo do clima e da duração do ciclo, o algodoeiro necessita de 700 a 1.300mm de chuva para atender suas necessidades de água; 50 a 60% dessa água é necessária durante o período de floração (50 a 70 dias), quando a massa foliar está completamente desenvolvida.
A adubação de cobertura pode ser única ou parcelada, se necessário. A primeira cobertura deve ser feita entre 30 a 35 dias após a emergência, com N, K, S e B (1/2 da dose), caso esses dois últimos não tenham sido aplicados na semeadura. A segunda cobertura com N e K (se necessário) deve ser feita cerca de 20-30 dias após a primeira. Este parcelamento aumenta a eficiência da adubação pois assegura o fornecimento desses nutrientes na fase de maior absorção pelas plantas e evita perdas por lixiviação, sobretudo em solos arenosos. Além disso, a aplicação de quantidades elevadas de adubo potássico na semeadura pode prejudicar a emergência das plantas devido ao aumento da pressão osmótica no meio, uma vez que o cloreto de potássio tem elevado índice salino.
Resultados de pesquisas recentes têm indicado que: · A aplicação de nitrogênio em cobertura em doses acima de 120 kg/ha não são econômicas, · As aplicações tardias de nitrogênio (após 80 dias de emergência) promove o crescimento vegetativo, prolongamento do ciclo da cultura, aumento da queda de botões florais e aumento da intensidade de ataques de pragas e doenças, sem que ocorra aumento da produtividade.
· Respostas a doses elevadas de nitrogênio em cobertura (acima de 140 kg/ha) estão associadas à compactação do solo e/ou à presença de nematóides.
Quanto aos micronutrientes, a adubação via solo tem se mostrado mais eficiente do que a adubação foliar. Em áreas com histórico favorável para a deficiência desse micronutriente, recomenda-se a aplicação de até 1,2 kg/ha na semeadura, ou em cobertura junto com N e K. Como o limite entre a deficiência e a toxicidade de boro é muito estreito, aplicações acima de 2 kg/ha podem causar prejuízo na produção. Em solos de cerrado, na fase de correção, recomenda-se aplicar 3 kg/ha de Zn se o teor no solo for inferior a 0,6 mg/dm^3 , para prevenir deficiências. Os resultados de pesquisa mostram que a adubação foliar é menos eficiente do que a adubação tradicional, via solo. Por isso, a pulverização foliar é recomendada apenas para corrigir deficiências detectadas durante o desenvolvimento da cultura. Entretanto, quando essas deficiências ocorrem parte da produção potencial da planta já está comprometida e a correção apenas diminui a intensidade das perdas. No caso de solos corrigidos e com uso de elevadas adubações com NPK, visando altas produtividades, é conveniente o uso de formulações NPK de plantio contendo micronutrientes, para prevenir possíveis deficiências. Nessas formulações é comum o uso de fritas como fonte de todos os micronutrientes. As fritas são relativamente baratas e de lenta solubilização no solo, assegurando liberação gradual dos micronutrientes sem causar toxicidade.
A resposta do algodoeiro em relação à população de plantas é complexa e envolve aspectos ecofisiológicos. Vários fatores influenciam na definição do melhor espaçamento entre fileiras podendo- se destacar: cultivar, clima, fertilidade do solo e sistema de cultivo e colheita (Righi et al., 1965; Laca Buendia & Faria, 1982). O espaçamento adequado é aquele em que as folhas das plantas devem cobrir toda a superfície entre fileira na época do máximo florescimento, sem haver entrelaçamentos entre elas. Como regra prática, com base em resultados de pesquisas, sugere-se como espaçamento ideal, aquele correspondente a 2/3 da altura das plantas (Gridi-Papp et al., 1992).
Alterações no espaçamento e na densidade de plantio, induzem a uma série de modificações no crescimento e desenvolvimento do algodoeiro. A altura das plantas, o diâmetro da haste principal, a altura de inserção do primeiro ramo frutífero, o número de ramos vegetativos e reprodutivos são algumas das características morfológicas do algodoeiro significativamente influenciadas pela população de plantas (Staut & Lamas, 1999: Jost & Cothren, 2000). Essas características se correlacionam negativamente com o aumento da população, exceto a altura de inserção do primeiro ramo frutífero, que é maior em condições de altas populações Os componentes de produção como número de capulhos por planta, peso de capulho e peso de 100 sementes, têm os seus valores reduzidos com o aumento da população de plantas (Lamas et al., 1989; Souza, 1996) A produção de algodão em caroço é mais influenciada pelo espaçamento entre fileiras e as características tecnológicas da fibra, pela densidade (Jones & Wells), 1997). Geralmente, tem-se verificado uma tendência de redução do espaçamento entre fileiras e aumento da densidade de plantas. Entretanto, os resultados já obtidos permitem inferir que, nem sempre a produtividade é maior numa condição de alta população (Lamas et al., 1989; Jost & Cothren, 2000). A relação entre a produção de algodão e a população de plantas depende das condições edafoclimáticas nas quais a cultura se desenvolve. Assim, embora a redução do espaçamento entre fileiras possa reduzir os custos de produção sem alterar significativamente a produção de fibra, a qualidade desta pode ser sensivelmente deteriorada. Para as condições do cerrado de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, considerando-se as cultivares atualmente em uso, a população de plantas deve estar entre 80.000 a 120. plantas/ha. O espaçamento entre fileiras deve ser de 0,80 a 0,90, com 8 a 12 plantas/m. 2
Entende-se por tratos culturais, o conjunto de práticas que permitem que uma lavoura expresse ao máximo sua potencialidade produtiva. Entre as práticas culturais empregadas na cultura do algodoeiro durante o seu ciclo produtivo destacam-se: direção e profundidade de semeadura, desbaste, espaçamento, densidade, arranjos, uso de reguladores de crescimento e desfolhantes.
A semeadura do algodoeiro no cerrado é feita mecanicamente com semeadeira tratorizada.
A semeadura deverá ser efetuada em curva de nível ou, pelo menos, em sentido perpendicular ao escorrimento das águas. A profundidade de semeadura deverá fixar-se entre 3 e 5cm, conforme a textura e a capacidade de armazenamento de água do solo. De maneira geral, quanto maior a capacidade de retenção de água do solo, menor a profundidade de plantio. Solos de textura arenosa e baixa capacidade de armazenamento de água, requerem maior profundidade que os solos de textura pesada. Para os primeiros, recomenda-se o plantio a uma profundidade de 5cm e, para os outros, a uma profundidade de 3cm.
Na semeadurana mecanizada, sugere-se de 5 a 12 plantas por metro linear, em função da fertilidade e da disponibilidade de água no solo. Em condições de cerrado, e em grandes plantios, indica-se usar semente deslintada, grafitada, tratada e calibrar a semeadeira, para deixar cair aproximadamente 13 sementes/m. A prática do desbaste, recomendada para pequenos produtores não se aplica às condições do cerrado. A
· Cloreto de mepiquat (pix) – 1,0 litro ha -1. aplicar parcelado em quatro aplicações, a primeira (10% da dose recomendada) quando as plantas do algodoeiro alcançarem 40-50cm de altura, a segunda (20%da dose), a terceira (30%da dose) e a quarta, 40% da dose a ser testada, serão aplicadas quando da retomada do crescimento das plantas; · Cloreto de clormequat (tuval) – 50g ha -1. Em condições semelhantes ao produto anterior; · Cloreto de clorocolina (CCC) – 0,50 litro ha -1. Aplicar entre 35-50 dias após a germinação ou quando as plantas atingirem 1,0m de altura.
Recomenda-se fazer aplicação dos produtos parceladamente. No caso do pix, por exemplo, 1 litro do produto comercial seria aplicado: 100 ml ha -1^ aos 35-40 dias após a germinação; 200ml ha-1^ 7 a 14 dias após; 300ml ha -1^ 7 a 14 dias após;400ml ha -1^ 7 a 14 dias após. Os efeitos esperados destes produtos na planta do algodoeiro são: plantas mais compactas, maior penetração de luz no dossel da planta, frutificação mais precoce, maior produção por planta, maior número de capulhos por plantas, menor incidência de pragas e maior eficiência na colheita.
Desfolhantes e maturadores são produtos químicos utilizados com o propósito de otimizar o desempenho da colheita do algodoeiro. Dentre os efeitos atribuídos a estes insumos destacam-se: redução dos problemas ocasionados com o excesso de sombreamento como apodrecimento das maçãs no baixeiro da planta, redução da umidade das fibras e das sementes, obtenção de um produto mais limpo, redução dos custos de beneficiamento, precocidade e uniformidade de abertura dos frutos, além de facilitar a colheita. Estes produtos também reduzem a frutificação tardia e a incidência de pragas como a do bicudo e a lagarta rosada.
Dentre os fatores ambientais, a temperatura é o que mais influencia a ação destes produtos. Os produtos mais usados em algodoeiro são: Thidiazuron – 0,075 a 0,150 kg ha-1^ com 60% de frutos abertos
Bromoxinil - 1,0 kg ha-1^ com 60% de frutos abertos Dimethipin - 1,5 a 2,0 kg ha-1^ com 60 % de frutos abertos Ethefon+cyclanilide – 0,72+1,20 ha-1^ com 90 % de frutos abertos.
Colheita e Beneficiamento A modernização da lavoura do algodão com grandes plantios comerciais e a escassez de mão-de-obra no meio rural, contribuíram para a utilização, em larga escala, da mecanização do cultivo, sendo a colheita através de colheitadeiras automotrizes, um dos principais segmentos necessários para viabilizar a exploração da cultura em grandes áreas. A colheita mecanizada é extremamente vantajosa em relação à manual, pois os custos operacionais são reduzidos, há melhoria na qualidade do produto colhido, a colheita é feita com maior rapidez, o teor de impurezas é menor, evita a presença de contaminantes, além de economia de mão-de-obra nas operações de recepção do produto colhido, pesagem e utilização de sacarias, o que inviabilizaria grandes extensões de cultivo.
No Brasil existem duas marcas de colheitadeira de algodão do tipo picker constituídas, em sua maioria, de 5 unidades colhedoras que, em condições normais, colhem entre 15 a 17 hectares equivalendo a uma produção de 4500@ a 5100@ de algodão em caroço, em uma jornada diária de trabalho.
Desempenho da colheitadeira
Pontos fundamentais sobre a implantação e o manejo da cultura, para se obter o máximo desempenho de uma colheitadeira associado à alta qualidade do produto colhido: · Preparar e nivelar bem o terreno, que deve ser, de preferência, plano não exceder a 8% de declividade, isento de pedras, tocos e sulcos de erosão · Realizar a semeadura, de preferencia em fileiras retas, proporcionando densidade uniforme entre 10 a 12 plantas por metro linear, e a semeadora adubadeira a ser utilizada deverá ter o mesmo número de unidades colhedoras da máquina, ou número múltiplo. · A variedade deve ser de estrutura compacta, com tamanho homogêneo de plantas e de ciclo relativamente precoce, para proporcionar madurez uniforme na ocasião da colheita. · A adubação deve ser, equilibrada, de acordo com as necessidades do solo e da planta, com vistas a se obter um ótimo desenvolvimento, maturação do cultivo e produtividade. · O controle de ervas daninhas deverá ser cuidadoso e eficiente, em função das dificuldades que elas impõem ao bom desempenho das colheitadeiras, além de depreciar a qualidade da fibra. · Reguladores de crescimento – a altura ideal das plantas para o bom desempenho das colheitadeiras, pode variar entre 1,0m a 1,30m; entretanto, para o algodão, como tem hábito de crescimento indeterminado, deve haver equilíbrio entre o crescimento (vegetativo e reprodutivo) e o desenvolvimento, que é de natureza seqüencial. Os reguladores de crescimento atuam sobre o metabolismo da planta reduzindo o tamanho dos internódios, do número de nós, do comprimento dos ramos vegetativos e produtivos e da altura das plantas. · Desfolhantes: a colheita do algodão na presença de folhas verdes provocará a contaminação com restos foliares, que aumentará a umidade e produzirá manchas de clorofila na fibra, afetando a qualidade do produto; portanto, recomenda-se a aplicação de desfolhantes quando 60 a 70% dos frutos ou capulhos estiverem abertos e a desfolha ocorre entre 7 a 15 dias após a aplicação do produto. No caso de grandes áreas recomenda-se fazer a desfolha de forma escalonada, compatível com a capacidade de colheitas das máquinas. · Umidade da fibra: a umidade ideal para se proceder à colheita é de 12% com 95% dos capulhos abertos. Em áreas onde cai orvalho, recomenda-se que a colheita recomece pela manhã, quando o mesmo já tenha secado, ou seja, entre 8:30 e 9: horas e não se deve prolongar até altas horas da noite quando o orvalho já tenha começado a cair, pois é difícil de se colher algodão úmido.
Transporte e armazenamento do algodão colhido
Bass Boy
Quando a colheitadeira está com o cesto cheio de algodão, com aproximadamente 180@, ele deverá ser esvaziado em um reboque especial tipo basculante, denominado Bass Boy, no mesmo local em que se está colhendo, além de evitar que a máquina tenha que sair da sua rota de trabalho, otimizando o tempo de serviço. O Bass Boy é constituído de um chassi, dotado de uma rodagem dupla e cesto confeccionado em tela e chapa metálica tracionado por um trator de média potência (80 cv) (Figura 3). O serviço de Bass Boy consiste em receber o algodão da colheitadeira, carga leve, porém de grande volume e transportá-lo até uma prensa compactadora e abastecê-la. A capacidade do Bass Boy é de pouco mais de 1 cesto da colhedeira, aproximadamente 200@. Para descarregar o algodão na prensa, basta o operador acionar o hidráulico do trator e o cesto se elevará até a altura da prensa, por intermédio de dois pistões hidráulicos; em seguida, aciona-se outro comando para que um motor hidráulico
O processo se inicia com a pesagem do fardão que, posteriormente, passa por um equipamento denominado vulgarmente de Piranha ou Ricardão (Figura 8), que tem a função de desmanchá-lo através de eixos batedores de pinos que abrem, desempelotam e limpam parte do algodão, conduzindo-o a uma esteira que o levará à sucção de alimentação da usina. Em outras algodoeiras que não dispõe de desmanchadores, o processo de alimentação é realizado por meio de tubos telescópio que atuam sobre os fardões ou gaiolas promovendo alimentação da usina de beneficiamento via sucção. Em algodoeiras equipadas com aferidores eletrônicos é possível determinar a umidade do algodão e proceder a secagem ou umidificação conforme o caso, para melhorar as operações de limpeza e descaroçamento, garantindo melhor qualidade final da fibra. O processo de separação da fibra da semente é realizado por descaroçadores de serras circulares que são apresentados em diferentes modelos, número de serras, capacidade de trabalho e fabricantes. Através de processos eletrônicos é possível regular o peso médio dos fardos a serem compactados e amarrados ao final do processo além da retirada automática de amostras para analise no HVI (high volume instruments).